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O País – A verdade como notícia

A Índia doou 500 toneladas de arroz, bens essenciais e equipamentos médicos para apoiar as vítimas das cheias nas regiões Sul e Centro do País. A Grécia disponibilizou igualmente produtos alimentares e medicamentos destinados às famílias afectadas. Os donativos integram a resposta internacional ao apelo do Governo para minimizar o impacto da crise humanitária provocada pelas calamidades naturais.

A solidariedade internacional para com as vítimas das cheias em Moçambique continua a crescer, com novos apoios destinados às famílias afectadas pelas calamidades nas regiões Sul e Centro.

Nesta segunda-feira, a Índia respondeu ao pedido de assistência humanitária formulado pelo Governo moçambicano.

“Em Março, a Marinha da Índia anunciou a doação de 500 toneladas de arroz, bens essenciais e medicamentos. Como todos sabemos, a entrega desta ajuda demorou algum tempo, devido a questões logísticas. Hoje, sinto-me honrado e muito feliz por poder entregar oficialmente este donativo à secretária de Estado”, disse Robert Shetkintong, alto-comissário da Índia.

A Grécia associou-se igualmente aos esforços de assistência humanitária, entregando diversos donativos compostos por alimentos e medicamentos.

O Governo agradeceu o apoio prestado e garantiu que os produtos serão distribuídos às populações afectadas. Além disso, reiterou o apelo para que a comunidade internacional continue a apoiar o processo de reconstrução pós-cheias.

O apoio da Índia e da Grécia reforça os esforços nacionais de recuperação após as cheias que afectaram várias regiões do País.

Na semana passada, o Conselho de Ministros aprovou o Plano Global de Recuperação Pós-Cheias 2026, cuja implementação requer cerca de 102 mil milhões de meticais.

O plano contempla cinco eixos de intervenção: assistência humanitária imediata, reposição dos serviços essenciais, reconstrução de infra-estruturas resilientes, recuperação económica e reforço da redução do risco de desastres.

O Governo confirmou, nesta segunda-feira, que alguns moçambicanos foram agredidos e que, pelo menos, dois permaneciam hospitalizados, enquanto as missões diplomáticas asseguram assistência humanitária aos cidadãos afectados e aos que regressam ao País.

Segundo a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidade Moçambicana no Exterior, Maria Manso, o Governo está representado no terreno por missões diplomáticas e consulares, que estão directamente a trabalhar com as autoridades locais e também com a comunidade moçambicana para apoiá-las em tudo o que for necessário que tenha a ver com a assistência humanitária.

“Sobre o apoio que tem sido dado, naturalmente que é um apoio que todos puderam muito bem observar e acompanhar, temos recebido os nossos compatriotas que regressam, uns voluntariamente e outros de maneira compulsiva, mas a embaixada está lá e acompanha-os em todos os momentos que eles necessitam”, explica a governante, ajuntando que “se temos compatriotas moçambicanos, alguns deles sim, que sofreram algumas situações, estão lá hospitalizados e está a ser dado todo o apoio necessário pela nossa embaixada em Pretória”.

Apesar de reconhecer o problema, Maria Manso diz não ter dados precisos em termos de números, mas reitera que “há um trabalho que está a ser feito. Tínhamos a indicação de que dois moçambicanos estavam hospitalizados ainda, e por esses dias ainda não tivemos informação precisa sobre este assunto”, conclui.

As comunidades reassentadas devido à exploração mineira acusam a empresa Dinsheng de incumprir as promessas feitas aquando da sua instalação, exigindo a conclusão do processo de reassentamento e o regresso às suas terras de origem.

Segundo os residentes, a empresa comprometeu-se a criar postos de trabalho, construir infra-estruturas sociais, como escolas e estradas, e melhorar as condições de vida das populações. Contudo, afirmam que nenhuma destas promessas foi concretizada.

Os moradores denunciam ainda as precárias condições das habitações construídas para o reassentamento, alegando que as casas apresentam graves problemas estruturais e não oferecem protecção durante a época chuvosa.

Além das dificuldades habitacionais, as comunidades queixam-se da perda das suas machambas e dos meios de subsistência, situação que, segundo afirmam, agravou as condições de vida de centenas de famílias. Entre as principais preocupações destacam-se a falta de alimentos, o desemprego e as dificuldades enfrentadas por idosos e crianças.

Em resposta às reivindicações, o administrador distrital explicou que o Governo está a trabalhar em conjunto com a empresa Dinsheng e com os representantes das comunidades para concluir o processo de reassentamento e de compensações.

Segundo a mesma fonte, parte das indemnizações acordadas já foi paga, embora persistam divergências que continuam a atrasar a conclusão do processo. O dirigente revelou que decorrem negociações entre o Governo e a empresa para responder às exigências da população e garantir a defesa dos seus interesses.

Por seu turno, o Governador da Província de Zambézia defendeu que a exploração dos recursos minerais não deve prejudicar as populações afectadas, sublinhando que estas têm direito a uma compensação justa pelas terras e árvores de que foram privadas para dar lugar à actividade mineira.

O governante explicou que, após analisar o contrato mineiro celebrado entre o Estado e a empresa, constatou que a Dinsheng está obrigada a investir cerca de 15 milhões de dólares norte-americanos, ao longo de dez anos, em projectos de desenvolvimento comunitário.

Face ao incumprimento desta cláusula, o Governo provincial afirma ter trabalhado com a empresa na definição de um plano de desenvolvimento destinado a promover a criação de emprego, reforçar os meios de subsistência das comunidades e financiar projectos de capacitação local.

Segundo o Governador, apesar de alguns constrangimentos registados durante o processo, as iniciativas deverão arrancar brevemente, uma vez que a empresa manifestou disponibilidade para cumprir os compromissos assumidos.

As autoridades acreditam que a implementação destes projectos poderá contribuir para reduzir o clima de tensão que se verifica entre a empresa mineira e as comunidades afectadas pelo reassentamento.

Moçambique passou a contar, oficialmente, com a sua primeira Escola de Saúde Pública, uma infra-estrutura criada para reforçar a formação de profissionais, promover a investigação científica e impulsionar a inovação no sector da saúde. A cerimónia de inauguração, realizada em Maputo, foi dirigida pela Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levy, e reuniu representantes do Governo moçambicano, do Governo brasileiro, organismos internacionais e parceiros de cooperação.

Na ocasião, a Primeira-Ministra afirmou que a criação da Escola de Saúde Pública constitui um testemunho do compromisso do Governo com o desenvolvimento, a coesão social e o bem-estar da população. Destacou ainda que a requalificação do edifício onde funciona a instituição permitiu recuperar uma infra-estrutura anteriormente devoluta, transformando-a num espaço dedicado à formação e ao conhecimento.

Maria Benvinda Levy sublinhou que a escolha da cidade de Maputo para acolher a escola se justifica por concentrar os maiores desafios da saúde pública no País, bem como um elevado número de investigadores e instituições ligadas ao sector.

Segundo a governante, a criação da escola enquadra-se nos compromissos assumidos por Moçambique no âmbito da cooperação em saúde da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), bem como no reconhecimento recente do Instituto Nacional de Saúde como Centro de Excelência dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (África CDC) para a formação em saúde pública nos PALOP.

A nova instituição tem como principal missão reforçar o Sistema Nacional de Saúde através da formação de quadros altamente qualificados, capazes de responder aos desafios contemporâneos da saúde pública.

Durante a cerimónia foi igualmente apresentado um vídeo institucional que destacou a cooperação entre Moçambique e Brasil, considerada uma das mais sólidas e duradouras no domínio da saúde.

Segundo o documentário, a parceria entre o Instituto Nacional de Saúde (INS) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), iniciada em 2008, assenta em três pilares fundamentais: investigação científica conjunta, transferência de tecnologia e formação de recursos humanos, com especial enfoque na preparação de mestres e doutores.

A experiência acumulada ao longo dos últimos dezoito anos permitiu criar condições para o lançamento da primeira Escola de Saúde Pública de Moçambique, considerada um marco para o fortalecimento das capacidades nacionais de investigação, ensino e gestão em saúde.

Representantes da Fiocruz defenderam que a nova instituição deverá transformar-se num centro de referência para os países africanos de língua oficial portuguesa, promovendo uma formação de excelência e aprofundando a cooperação Sul-Sul.

No mesmo sentido, o vídeo do Director-Geral do África CDC, John Kaseya, classificou a criação da escola como uma demonstração de liderança política e de visão estratégica por parte de Moçambique, considerando que o projecto poderá contribuir para o desenvolvimento de um centro regional de excelência em saúde pública para os países africanos de língua portuguesa.

O responsável enalteceu igualmente o papel desempenhado pelo Instituto Nacional de Saúde na consolidação das capacidades científicas do País e reafirmou o apoio do África CDC ao desenvolvimento da instituição.

A cerimónia ficou igualmente marcada pela assinatura de vários memorandos de entendimento destinados a reforçar a cooperação em saúde digital.

Os acordos foram celebrados entre o Instituto Nacional de Saúde e o Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), a Agência de Transformação Digital e Inovação, a Universidade do Novo México e a Universidade das Nações Unidas, incidindo sobre formação, inovação e desenvolvimento tecnológico em saúde digital.

Os parceiros consideram que estas iniciativas permitirão integrar tecnologias digitais, inteligência artificial e novas plataformas de ensino na formação de profissionais de saúde, ampliando o acesso ao conhecimento e melhorando a resposta do Sistema Nacional de Saúde aos desafios do presente e do futuro.

Para os intervenientes, a inauguração da Escola de Saúde Pública representa um passo histórico para Moçambique, reforçando a capacidade nacional de formação especializada, investigação científica e cooperação internacional, com potencial para beneficiar não apenas o País, mas também toda a região africana de língua portuguesa.

O Governo considera preocupante o facto de a população moçambicana continuar a crescer a um ritmo superior ao da economia nacional, situação que poderá comprometer a capacidade do Estado de responder à crescente procura por serviços básicos e oportunidades de emprego.

O alerta foi lançado esta sexta-feira, durante as cerimónias centrais do Dia Mundial da População, realizadas na localidade de Nhacapiriri, distrito de Cahora Bassa, província de Tete.

Dados apresentados pelo Governo indicam que Moçambique regista um crescimento populacional anual de 2,5 por cento, acima do desempenho económico observado nos últimos anos, com exceção de 2022 e 2023.

Na ocasião, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, afirmou que esta realidade exige um esforço redobrado para acelerar o crescimento económico e garantir que o desenvolvimento acompanhe a dinâmica demográfica. Segundo o governante, a pressão sobre sectores como educação, saúde, abastecimento de água, energia e emprego tende a aumentar caso o país não consiga expandir a sua capacidade produtiva.

Para responder a este cenário, o Executivo aposta na implementação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044, instrumento que define a transformação social e demográfica como um dos pilares para impulsionar o crescimento sustentável e melhorar a qualidade de vida da população.

Durante as celebrações, o ministro anunciou igualmente que o Governo pretende reduzir a taxa de casamentos prematuros de 41 para 27 por cento até 2044, medida que visa reforçar a proteção dos direitos da criança, promover o empoderamento das raparigas e criar melhores condições para o desenvolvimento do capital humano.

Por sua vez, a representante do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), Nélia Rodrigues, defendeu que Moçambique possui uma oportunidade única para transformar a sua estrutura demográfica num motor de desenvolvimento, desde que invista de forma consistente na educação, saúde, emprego e capacitação da juventude.

A responsável sublinhou que o aproveitamento do dividendo demográfico poderá impulsionar o crescimento económico e contribuir para um futuro mais próspero para as novas gerações.

Já o Governador da Província de Tete, Domingos Viola, reafirmou o compromisso do Governo Provincial em continuar a investir na expansão do acesso aos serviços básicos e na melhoria das condições de vida da população.

As cerimónias centrais do Dia Mundial da População decorreram sob o lema “Emponderar os jovens para que constituam a família que desejam num mundo justo e cheio de esperança”, reunindo membros do Governo, parceiros de cooperação, líderes comunitários e representantes da sociedade civil.

Pelo menos três obras paralisadas na cidade de Maputo continuam com gruas instaladas, algumas há mais de cinco anos, situação que preocupa os munícipes. Especialistas defendem que equipamentos de elevação inoperantes durante longos períodos devem ser alvo de inspecções e manutenção periódicas, alertando para os riscos associados à degradação provocada pelo tempo.

Em vários pontos da cidade de Maputo, empreendimentos paralisados transformaram-se em parte da paisagem urbana.

Mas há algo que preocupa ainda mais: a permanência por longos anos destas estruturas metálicas sobre zonas de intensa circulação de pessoas e viaturas. 

A equipa de O País identificou três edifícios onde as obras permanecem interrompidas, mas as gruas continuam montadas. Os casos localizam-se na Avenida 24 de Julho, no bairro da Malanga, no cruzamento das avenidas 24 de Julho e Guerra Popular e na Avenida Marginal, nas proximidades da Baía Mall.

No bairro da Malanga, encontramos a senhora Emulina Massingue, que vende refeições há mais de dez anos junto a uma das obras. A comerciante trabalha diariamente debaixo de uma grua instalada num edifício cuja construção foi interrompida em 2017.

Apesar de já se ter habituado à presença da estrutura metálica, admite viver com receio.

“Já tenho medo de verdade”, afirmou.

O sentimento é partilhado por outros vendedores e utentes da paragem localizada junto ao empreendimento, onde milhares de pessoas circulam diariamente.

O edifício começou a ser construído em 2015 e deveria ter sido concluído em Fevereiro de 2017. Com a paralisação da obra, a grua permaneceu instalada durante quase uma década.

Situação semelhante foi constatada junto ao cruzamento das avenidas 24 de Julho e Guerra Popular, onde vendedores informais exercem a actividade nas imediações de outra obra abandonada.

Na Avenida Marginal, nas proximidades da Baía Mall, parte da estrutura do edifício já apresenta sinais de degradação, enquanto a grua continua instalada.

O engenheiro especialista em estruturas, Joaquim Tchamo, explica que, concluída uma obra, a grua deve ser desmontada. Quando isso não acontece, torna-se indispensável garantir inspecções e manutenção periódicas.

Segundo o especialista, estes equipamentos devem ser sujeitos a manutenção obrigatória de seis em seis meses, independentemente de estarem ou não em funcionamento.

“A grua pode permanecer inoperante até cerca de cinco anos, desde que sejam realizadas as manutenções periódicas. Depois desse período, sobretudo quando deixa de receber manutenção, passa a constituir um perigo”, explicou.

O engenheiro alerta que a ausência de manutenção pode provocar corrosão da estrutura metálica, afrouxamento de parafusos, perda de espessura dos componentes e até comprometimento da estabilidade das fundações.

Apesar de afirmar não haver registo, em Moçambique, de acidentes relacionados com a queda de gruas instaladas em obras abandonadas, Joaquim Tchamo considera legítima a preocupação manifestada pelos munícipes.

O advogado Victor da Fonseca explica que a responsabilidade principal pela segurança destes equipamentos recai sobre os proprietários das obras.

Segundo o jurista, compete aos donos dos empreendimentos assegurar a conservação das gruas e adoptar todas as medidas necessárias para evitar riscos.

Acrescenta, contudo, que o Município e o Ministério das Obras Públicas também têm competências de fiscalização, devendo actuar sempre que sejam detectadas situações susceptíveis de colocar em causa a segurança pública.

O País procurou ouvir os proprietários das obras identificadas, mas nenhum aceitou prestar declarações.

Questionado sobre o assunto, o Conselho Municipal de Maputo explicou que a Postura sobre Construções e Edificações atribui aos proprietários a responsabilidade pela segurança das obras e dos equipamentos nelas instalados.

O vereador de Ordenamento Territorial, Idálio Juvane, afirmou que apenas uma avaliação técnica especializada poderá determinar o estado de conservação das gruas.

Segundo o responsável, a autarquia iniciou, há menos de um ano, contactos com os proprietários de algumas destas obras para promover a remoção dos equipamentos.

“Temos pelo menos uma grua cujo proprietário solicitou autorização para proceder à sua desmontagem”, afirmou.

Entretanto, o Município reconhece que as avaliações técnicas competem aos proprietários, cabendo à edilidade acompanhar e fiscalizar o cumprimento das obrigações previstas na legislação municipal.

Enquanto isso, as gruas continuam suspensas sobre algumas das vias mais movimentadas da cidade, alimentando dúvidas sobre o seu estado de conservação e reacendendo o debate sobre a necessidade de reforçar a fiscalização das obras paralisadas antes que um eventual problema se transforme numa emergência.

 

Desabou, na manhã deste domingo, a ponte metálica dupla que liga o bairro Icidua à zona de cimento da cidade de Quelimane. O incidente ocorreu quando uma camioneta de cerca de oito toneladas, carregada de areia, tentava atravessar a infraestrutura. A ponte não suportou o peso, cedeu no centro do tabuleiro e acabou por desabar.

O colapso da infraestrutura veio agravar a mobilidade de mais de 12 mil residentes do bairro Icidua, que utilizavam diariamente a ponte para aceder à zona de cimento, onde se encontram diversos serviços essenciais, incluindo pontos de abastecimento de água. Sem a travessia, a alternativa passou a ser o uso de pequenas embarcações, mediante pagamento.

O delegado da Administração Nacional de Estradas (ANE) na Zambézia deslocou-se ao local logo após o incidente. Segundo explicou, a estrutura sofreu danos irreversíveis e não reúne condições para ser recuperada.

No local esteve igualmente o comandante provincial do Serviço Nacional de Salvação Pública (SENSAP), que coordenou as operações de socorro com o apoio de populares. O balanço preliminar aponta para 13 pessoas resgatadas, das quais seis sofreram ferimentos graves.

O desabamento da ponte levou também o primeiro-secretário do Comité Provincial da Frelimo na Zambézia a deslocar-se ao local para prestar solidariedade às vítimas e acompanhar a situação.

A ponte foi instalada em 1994, numa altura em que o canal tinha cerca de 24 metros de largura. Com o avanço da erosão e os efeitos das mudanças climáticas, o vão foi sendo ampliado até atingir aproximadamente 92 metros, aumentando a pressão sobre a infraestrutura.

Despiste seguido de embate contra um coqueiro e uma banca deixa ainda três feridos graves; autoridades apontam velocidade excessiva, fadiga e álcool como prováveis causas do sinistro.

O silêncio da madrugada deste domingo foi interrompido por um violento estrondo que acordou moradores da vila de Morrumbene, na província de Inhambane. O relógio marcava cerca das quatro horas quando um veículo ligeiro perdeu o controlo numa curva da Estrada Nacional Número Um (EN1), saiu da faixa de rodagem e protagonizou um dos mais graves acidentes registados recentemente naquele troço, provocando a morte de três pessoas e deixando outras três gravemente feridas.

Segundo relatos recolhidos no local, a viatura seguia em alta velocidade quando o condutor tentou evitar um veículo que circulava em sentido contrário. A manobra revelou-se insuficiente. Sem conseguir controlar a direcção, o automóvel despistou-se, derrubou um coqueiro e embateu com violência contra uma banca localizada à berma da estrada.

A força do impacto destruiu parcialmente a estrutura da banca e transformou a viatura numa massa de chapas retorcidas, cenário que mobilizou moradores e equipas de socorro nas primeiras horas da manhã.

O Director Clínico do Centro de Saúde de Morrumbene, Amilton Azevedo, confirmou que três ocupantes perderam a vida ainda no local do acidente, antes mesmo de qualquer assistência médica ser possível.

Os outros três sobreviventes sofreram ferimentos considerados graves e, após receberem os primeiros socorros, foram transferidos de urgência para o Hospital Rural de Chicuque, na cidade da Maxixe, onde continuam a receber cuidados médicos especializados.

Embora as circunstâncias exactas do acidente continuem por esclarecer, as primeiras indicações recolhidas pelas autoridades apontam para uma conjugação de factores frequentemente associados aos acidentes rodoviários mais graves no país. Entre eles estão o excesso de velocidade, a fadiga do condutor e a condução sob o efeito de bebidas alcoólicas.

Trata-se de um conjunto de comportamentos que continua a preocupar as autoridades de trânsito e os profissionais de saúde, sobretudo nas viagens nocturnas, período em que a redução da capacidade de reacção do condutor aumenta significativamente o risco de acidentes fatais.

O acidente volta também a chamar a atenção para a vulnerabilidade das infra-estruturas instaladas junto à Estrada Nacional Número Um. Neste caso, a violência do despiste levou o veículo a destruir uma banca construída à beira da via, evidenciando os riscos a que comerciantes e utentes estão diariamente expostos ao longo daquela que é a principal estrada do país.

A equipa de reportagem procurou obter um pronunciamento oficial da Polícia da República de Moçambique (PRM) no distrito de Morrumbene para esclarecer outros detalhes do sinistro e confirmar a identidade das vítimas. No entanto, o agente regulador de trânsito que se encontrava em serviço informou que o oficial autorizado a prestar declarações não estava disponível no momento da nossa deslocação.

Enquanto decorrem os procedimentos para o apuramento das circunstâncias do acidente, mais três famílias enfrentam o luto provocado por um sinistro que volta a colocar em evidência o elevado custo humano da sinistralidade rodoviária em Moçambique. Em poucos segundos, uma viagem terminou em tragédia, deixando vidas interrompidas, feridos em estado grave e um novo alerta sobre a necessidade de maior prudência nas estradas nacionais.

Comida supostamente envenenada no mercado “Matlanga Bwissa” causa a morte de duas pessoas e deixa outras 12 internadas, entre elas uma gestante de oito meses. Os pacientes deram entrada no Hospital Provincial de Xai-Xai após ingerir um frango supostamente envenenado no mercado Matlanga Bwissa. O hospital detectou sinais de intoxicação por substâncias tóxicas nos pacientes assistidos.

Uma refeição que deveria “matar” a fome transformou-se numa tragédia no mercado Coca Missava, mais conhecido por Matlanga Bwissa, em Xai-Xai. O consumo de um prato de frango com arroz, suspeito de estar envenenado, levou ao internamento de 14 pessoas. “Duas delas não resistiram e perderam a vida horas depois de darem entrada no Hospital Provincial de Xai-Xai”, confirmou,Anselmo Lisboa, representante do Hospital Provincial de Xai-Xai.

Entre as vítimas

Silvina de 32 anos de idade, uma gestante de oito meses, deu entrada na maternidade após o agravamento do seu estado de saúde, na sequência do consumo do alimento por volta das 23 horas de quinta-feira. A intoxicação colocou em risco a sua gravidez.

“Não sei como vim parar aqui. Tinha diarreia, tonturas e vómitos, e sentia pontadas na barriga. Pensei que fosse morrer”, contou a vítima.

No leito hospitalar encontra-se também Suzana Mutemba, cozinheira da barraca onde o prato foi preparado. A trabalhadora diz desconhecer a origem das substâncias tóxicas que terão causado a intoxicação, uma situação que atingiu inclusive a patroa do estabelecimento.

O Hospital Provincial de Xai-Xai confirma ter identificado sinais de intoxicação por substâncias tóxicas nos pacientes assistidos.

“Cinco pessoas continuam internadas sob observação médica, uma delas em estado crítico, enquanto sete já receberam alta hospitalar”, avançou Lisboa.

No mercado Matlanga Bwissa, o ambiente é marcado por medo e incerteza, com exigências de uma investigação para esclarecer as circunstâncias do caso.

“Queremos que a polícia seja séria e investigue este assunto que levou à morte de pessoas. As mortes não podem ficar impunes”, exigiu a chefe do mercado.

A Polícia da República de Moçambique deverá pronunciar-se sobre o assunto na próxima 

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