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O País – A verdade como notícia

O ministro do Interior diz que a violência durante o período pós-eleitoral desafia a sociedade a reflectir, com honestidade, sobre o cumprimento da lei, bem como as autoridades sobre a sua actuação durante a repressão de manifestações. Paulo Chachine falava na abertura da Conferência de Justiça Transicional e o Futuro de Moçambique.

O Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos e o Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) juntaram, nesta quarta-feira, membros do Governo, juristas, académicos e sociedade civil para discutir os caminhos a percorrer para a recuperação da confiança nas instituições de justiça, após manifestações pós-eleitorais.

Trata-se da Conferência de Justiça transicional, um momento importante para a história de Moçambique, após episódios de violência, com especial destaque para as manifestações: cuja missão é a adopção de um conjunto de medidas judiciais e políticas  para reparar violações massivas de direitos humanos e garantir a paz, responsabilizar os culpados, promover a reconciliação e fortalecer o Estado de Direito.

Adriano Nuvunga, director-executivo do CDD, defende que para a recuperação da confiança dos cidadãos nas instituições de justiça, da polícia e do Estado no global, é preciso não ignorar elementos como verdade, reconhecimento de culpas, responsabilização e reparação de danos.

“É que não existe confiança sem responsabilização. Esta reconstrução exige coragem, exige verdade, exige memória, exige justiça, mas exige também responsabilização. Não falo da justiça como um instrumento de vingança. A justiça nunca pode ser confundida com revanche, mas também não podemos construir uma paz baseada no silêncio, sobretudo o silêncio sobre aqueles que sofreram”, disse Nuvunga, apelando às autoridades para olharem os processos passados com a missão de que tais actos não se voltem a repetir.

 A Conferência sobre Justiça Transicional é uma chamada à reflexão, entre o passado e presente, mas, para tal, são chamados todos os intervenientes da sociedade. Quem assim defende é Paulo Chachine, ministro do Interior.

“Neste processo de reflexão, é importante que a sociedade faça uma auto-avaliação honesta sobre o cumprimento da lei, o respeito pelo próximo e pela autoridade das instituições democraticamente instituídas. O mesmo se exige das autoridades na sua actuação quotidiana, pois a credibilidade e a confiança nas instituições são condições indispensáveis para qualquer processo de justiça internacional e para o processo contínuo de consolidação do Estado de Direito.” Paulo Chachine diz que os protestos registados em 2024 revelaram fragilidades na Polícia.

Em qualquer Estado de Direito Democrático, a polícia é chamada a proteger simultaneamente dois valores igualmente essenciais: por um lado, garantir o exercício das liberdades de reunião, manifestação e participação política; por outro, preservar a ordem pública, proteger a vida e a integridade física das pessoas, salvaguardar o património público e privado e assegurar o regular funcionamento das instituições. A gestão das manifestações e das situações de elevada tensão social constitui, por isso, um dos maiores desafios da actividade policial. Exige profissionalismo, preparação técnica, capacidade de mediação e uma actuação permanentemente orientada pelos princípios de legalidade, da necessidade, da proporcionalidade, da imparcialidade e da responsabilidade em conformidade com a Constituição, a Lei e os padrões internacionais de direitos humanos. É precisamente neste domínio que a justiça transicional assume especial importância ao incentivar reformas institucionais que reforcem a profissionalização das instituições públicas, a transparência, a prestação de contas e, sobretudo, a confiança entre os cidadãos e o Estado”. Porém, a conferência deve olhar também para o futuro, considera o ministro da Justiça.

Mateus Saize entende que não é propósito único deste encontro julgar os acontecimentos do passado. Defende que, a partir das experiências passadas, é preciso desenhar o caminho para a justiça propriamente dita.

“A justiça transicional não se limita a analisar acontecimentos do passado, constitui um instrumento de construção do futuro orientado para a promoção da verdade, da reconciliação, da responsabilização, da reparação das vítimas e da criação de garantias que previnam a repetição de situações de violência e de conflito. O seu verdadeiro objectivo consiste em fortalecer as instituições democráticas, promover a confiança dos cidadãos e consolidar uma cultura de respeito pelos direitos humanos, pela legalidade e pelo diálogo”, disse, acrescentando que a ocasião é para a criação de condições para que as futuras gerações possam viver num país mais unido, justo e inclusivo. 

 Por seu turno, o Ministério Público, representado pela  vice-procuradora-geral da República, Irene da Oração Uthui, só com justiça real é que se pode desenvolver a confiança no sector.

“Sempre que ocorram factos susceptíveis de constituir infracções criminais, compete ao Ministério Público promover a respectiva investigação e exercer a acção penal quando estejam reunidos os pressupostos legais. Da mesma forma, quaisquer alegações de violações de direitos humanos, incluindo aquelas eventualmente imputáveis a agentes do Estado, devem ser objecto de investigação independente, imparcial e rigorosa,  porque ninguém está acima da lei, e a responsabilização constitui um dos pilares da confiança dos cidadãos nas instituições”.

A conferência de um dia subordina-se ao tema “Reconstruindo a Confiança e Fortalecendo a Democracia”.

Uma pessoa morreu e outras 41 ficaram feridas na sequência de dois acidentes de viação ocorridos em Licilo e na cidade de Xai-Xai, na província de Gaza. Os dados foram confirmados pelo Hospital Provincial de Xai-Xai. Segundo testemunhas, os acidentes foram causados por manobras irregulares e corte de prioridade. No caso registado na cidade de Xai-Xai, testemunhas apontam que o sinistro terá sido provocado por um militar que conduzia sob efeito de álcool.

O relógio marcava cerca das 19 horas quando a Estrada Nacional Número 1 (N1) se transformou num cenário de sangue e dor, nas proximidades da Igreja Universal, na paragem Farmácia, na cidade de Xai-Xai. Duas viaturas, sendo um transporte semi-colectivo de passageiros e uma carrinha ligeira, envolveram-se num violento acidente de viação que provocou uma morte e 26 feridos.

Testemunhas no local apontam o consumo de álcool e o corte de prioridade como estando na origem do sinistro, que envolveu, entre outros ocupantes, um militar.

Horas antes, por volta das 15 horas desta terça-feira, a zona de Licilo, no distrito de Limpopo, registou outro acidente de viação, nas proximidades da unidade sanitária local. Do embate resultaram 15 feridos, entre passageiros e ocupantes das viaturas envolvidas.

No conjunto, os dois acidentes provocaram uma morte e 41 feridos, mobilizando equipas de socorro e colocando sob pressão o Hospital Provincial de Xai-Xai.
Na unidade sanitária, familiares e acompanhantes das vítimas manifestaram preocupação com o atendimento aos sinistrados, alegando que alguns feridos terão permanecido entre duas e três horas à espera de assistência médica depois de terem dado entrada no hospital.

“Havia pessoas feridas a aguardar atendimento durante muito tempo. A preocupação maior era ver o estado em que chegaram e sem saber quando seriam atendidas”, relatou um dos acompanhantes.

O Hospital Provincial de Xai-Xai reconhece a pressão causada pela chegada simultânea de dezenas de sinistrados, mas rejeita que tenha havido demora no atendimento. Segundo Stélio Tamele, director do Departamento de Medicina daquela unidade hospitalar , a equipa médica foi mobilizada para responder à situação de emergência.
“Tínhamos quatro médicos e cinco enfermeiros para fazer face aos dois acidentes que ocorreram em menos de quatro horas, com diferentes níveis de gravidade. A equipa esteve preparada para garantir o atendimento dos pacientes”, explicou Stélio Tamele.

As autoridades policiais já abriram investigações para esclarecer as circunstâncias dos dois acidentes. Dos 41 feridos assistidos, 10 continuam internados a receber cuidados médicos, enquanto 16 pessoas já tiveram alta hospitalar.

A Direção provincial da Migração em Gaza, entretanto, diz não ter registo oficial, por sua vez a ASTROGAZA fala de registo de mais de 10 mil cidadãos que regressaram nas últimas semanas. Cidadãos que voltam doentes, sem bens, sem emprego e com o desafio de recomeçar do zero.

A província de Gaza continua a registar a chegada de cidadãos moçambicanos que fogem da violência xenófoba na África do Sul. Contudo, apesar do crescente fluxo de regressados, os Serviços Provinciais de Migração afirmam não possuir qualquer registo oficial sobre o número de moçambicanos que regressaram à província.

O porta-voz dos Serviços de Migração em Gaza, Abeldo Nhanombe, explicou que o acompanhamento desta situação tem sido feito principalmente nos postos fronteiriços de Ressano Garcia e Ponta do Ouro.

“A província de Gaza não tem nenhum dado registado de cidadãos moçambicanos repatriados. O movimento tem sido acompanhado ao nível das fronteiras de Ressano Garcia e Ponta do Ouro. Aqui, registamos apenas o movimento migratório normal, embora estejamos preparados para responder a qualquer demanda nos postos de travessia da província”, afirmou.

Entretanto, dados recolhidos pela Associação dos Transportadores de Gaza (ASTROGAZA) traçam um cenário diferente. A organização refere que, nos últimos 12 dias, milhares de moçambicanos regressaram da África do Sul, muitos deles em situação de extrema vulnerabilidade.

Segundo a associação, vários cidadãos chegam debilitados, sem recursos financeiros, alimentos ou apoio familiar, sendo frequentemente abandonados à sua sorte após serem transportados para o território nacional.

“O número de chegadas continua elevado. Só nestas duas últimas semanas registámos mais de 10 mil pessoas. Muitos chegam debilitados e são deixados à deriva”, relatou, Adenaldo Mabote, representante da ASTROGAZA.

Entre os números apresentados pela associação e a ausência de informação oficial por parte das autoridades migratórias, persistem histórias de moçambicanos que regressam da chamada “terra do rand” com uma mão à frente e outra atrás, ou, melhor, de mãos vazias, após perderem bens, emprego e, em alguns casos, os laços familiares construídos ao longo de décadas.

É o caso de Alberto, que regressou recentemente à sua terra natal depois de 26 anos a viver na África do Sul. Sem património e sem perspectivas imediatas, trouxe consigo apenas as recordações da vida que construiu naquele país.

Para trás ficaram os filhos, a esposa de nacionalidade sul-africana e um projecto de vida que julgava consolidado.

A história de Alberto está longe de ser isolada. Há dezenas de outros cidadãos que regressam sem perspectivas de reintegração económica e social, enquanto alguns permanecem retidos do outro lado da fronteira, sem meios para regressar ao país.

Transportadores que operam na rota Gaza-África do Sul denunciam igualmente alegados casos de abandono de moçambicanos em território sul-africano. Segundo os relatos, muitos chegam doentes, sem alimentação adequada e sem condições mínimas para enfrentar o rigor do inverno.

“Há pessoas que ficam muito tempo sem apoio. Algumas estão doentes, outras não têm sequer cobertores. Todas as semanas chegam mais de 20 pessoas em condições de saúde preocupantes”, relatou um operador de transporte.

As estatísticas apontam para uma tendência crescente de regresso de moçambicanos provenientes da África do Sul. Para muitos, porém, o retorno ao país não representa o fim do sofrimento, mas o início de uma nova batalha: reconstruir a vida do zero depois de perder quase tudo além-fronteiras.

A população reclusória da Cadeia Central da Beira  considera a liberdade provisória após o cumprimento de três quartos da pena, uma medida excessiva e  pedem ajuda às autoridades judiciais para acelerar processos que estão parados há anos.  

Os condenados e detidos que estão na cadeia central da Beira mostraram-se preocupados  nesta terça-feira,  às autoridades judiciais, em relação à entrada em vigor do instrumento relativo a benefícios de liberdade provisória após o cumprimento de três quartos da pena.

Para eles, a medida é pesada e deveria ser aplicada em casos específicos. Os detidos e condenados que se  dirigiam ao Procurador-geral da República, durante uma visita a estas instalações, no âmbito da visita de monitoria que efectua em Sofala, pediram por outro lado ajuda para as autoridades judiciais acelerarem os processos de liberdade provisória. 

O procurador-geral prometeu analisar as preocupações apresentadas, começando por fazer o levantamento de todos os processos aparentemente duvidosos.  

Os reclusos  esperam agora por respostas que possam aliviar a sua situação processual. A cadeia central da Beira tem capacidade para 190 pessoas, mas neste momento estão aqui 650 pessoas, entre elas 360 condenados e 290 detidas.

Moçambique alcançou um Março na conservação ambiental com a certificação internacional do projecto MozBlue, na província da Zambézia, que passa a ser reconhecido como o maior projecto registado de restauração de mangais em África. 

A iniciativa é também a quarta em todo o mundo a cumprir os rigorosos critérios da metodologia Verra VCS VM0033, considerada uma das principais referências internacionais para a restauração de ecossistemas costeiros.

Desenvolvido pela Blue Forest em parceria com comunidades costeiras, o projecto abrange cerca de 155 mil hectares de mangais distribuídos ao longo de 750 quilómetros de litoral rico em biodiversidade, posicionando-se entre os maiores programas de restauração costeira a nível global.

A primeira fase do MozBlue, lançada em Novembro de 2024 em parceria com a empresa francesa Removall Carbon e a japonesa Sumitomo Corporation, prevê a recuperação de mais de cinco mil hectares de mangais. Até ao momento, foram restaurados aproximadamente dois mil hectares e plantados mais de 14 milhões de mangais.

Além da componente ambiental, o projecto tem produzido impactos socioeconómicos nas comunidades locais. Segundo os promotores, mais de 1.600 empregos sazonais foram criados, ao mesmo tempo que foram implementadas actividades geradoras de rendimento, como a apicultura, a instalação de moagens movidas a energia solar e a produção sustentável de sal.

A recuperação dos mangais contribui igualmente para a melhoria dos habitats de diversas espécies de peixes, aves e outros animais costeiros, reforçando ainda a protecção natural das comunidades contra tempestades, erosão costeira e outros efeitos das alterações climáticas.

“Após cinco anos de trabalho árduo, temos orgulho em ver Moçambique acolher um dos projectos de carbono azul mais rigorosos do mundo. O MozBlue demonstra que África pode liderar em projectos de carbono que conciliam excelência científica e impacto positivo nas comunidades”, afirmou Jorge Mafuca, director nacional da Blue Forest.

As estimativas indicam que o projecto poderá sequestrar cerca de 2,6 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) ao longo do período de crédito de 60 anos. As receitas provenientes da comercialização dos créditos de carbono deverão financiar iniciativas de desenvolvimento comunitário nas províncias da Zambézia e Sofala.

Entretanto, os responsáveis pelo projecto defendem que a expansão desta e de outras iniciativas semelhantes depende da conclusão do processo de regulamentação do mercado de carbono em Moçambique. 

Segundo a Blue Forest, a aprovação do quadro regulatório permitirá eliminar incertezas relacionadas com questões fiscais e com as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC), criando um ambiente mais favorável para atrair investimentos e ampliar os benefícios económicos, sociais e ambientais para as comunidades costeiras mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas

Inaugurado em Março deste ano como um dos mais modernos mercados da cidade de Tete, o Mercado Cabade enfrenta uma realidade aquém das expectativas. A reduzida afluência de clientes está a comprometer a atividade comercial e a sustentabilidade de dezenas de vendedores, que apontam a proliferação de mercados informais nos bairros e a falta de transporte público como as principais causas da queda das vendas.

Durante grande parte do dia, muitas bancas permanecem sem movimento. Os balcões concebidos para a exposição de produtos transformaram-se em locais de descanso para os comerciantes, que aguardam durante horas pela chegada de compradores. Segundo os vendedores, há dias em que regressam a casa sem conseguir vender o suficiente para garantir o sustento das suas famílias.

Dito Sozinho, um dos comerciantes do mercado, afirma que a situação se agravou nos últimos meses. Segundo explicou, a maior parte dos consumidores passou a fazer compras em pequenos mercados instalados nos bairros, reduzindo significativamente o número de clientes que se deslocam ao Mercado Cabade.

A mesma preocupação é partilhada por Modesto Adriano e Victoria Bau, que dizem enfrentar dificuldades para escoar os seus produtos. Os vendedores receiam que, caso a situação se mantenha, muitos comerciantes sejam obrigados a abandonar definitivamente as bancas.

Os comerciantes consideram que a expansão dos mercados informais contribuiu para a redução da procura no Mercado Cabade. Imaculada António refere que alguns vendedores já desistiram dos espaços atribuídos pela edilidade e regressaram aos mercados dos bairros, onde afirmam conseguir vender com maior facilidade devido à proximidade com os consumidores.

Outro desafio apontado pelos vendedores é a falta de transporte público regular para o mercado. Na opinião dos comerciantes, a inexistência de ligações frequentes dificulta o acesso dos clientes e reduz ainda mais o movimento no recinto.

Perante este cenário, os vendedores apelam ao Conselho Municipal da Cidade de Tete para que adote medidas capazes de dinamizar o Mercado Cabade, incluindo a melhoria dos transportes públicos, a reorganização do comércio informal e a implementação de estratégias que incentivem os consumidores a regressar ao mercado.

Parte das fragilidades identificadas na aviação civil moçambicana pela missão da SADC já está a ser corrigida, diz a Autoridade Reguladora de Aviação Civil de Moçambique. O nível de correcção das lacunas é de 80%.

Num comunicado de imprensa, a Autoridade Reguladora de Aviação Civil esclarece que o relatório não resulta de uma auditoria ao sistema nacional de aviação civil, mas de uma missão técnica de análise às lacunas do país.

Na referida nota, pode-se ler e passamos a citar:  

“Parte das matérias identificadas pela missão da SASO já havia sido mencionada no diagnóstico realizado em 2025, no âmbito da elaboração do Plano Director da Aviação Civil de Moçambique, aprovado pelo Governo em 2026. A correcção dessas fragilidades encontra-se igualmente prevista no Plano Estratégico do IACM 2026–2029, cuja implementação teve início, de forma faseada, através do Plano Anual de Actividades do IACM para 2026”.

Reagindo à notícia veiculada pelo “O País” neste domingo, a Autoridade Reguladora de Aviação Civil explica ainda que:

“No primeiro semestre de 2026, a prioridade incidiu sobre a actualização do quadro jurídico e regulamentar da aviação civil, incluindo a revisão da Lei da Aviação Civil, dos decretos aplicáveis ao sector e da regulamentação técnica da aviação civil em Moçambique. O processo de revisão do quadro legal e regulamentar regista um grau de execução estimado em cerca de 80%, constituindo uma base essencial para o reforço da certificação, supervisão, fiscalização e aplicação efectiva das normas internacionais de segurança.” 

Com base nas lacunas, estão previstas, para o segundo semestre deste ano, acções de assistência técnica e capacitação ao país. Já em 2027, está prevista uma auditoria da Organização da Aviação Civil Internacional.

O Governo considera preocupante o facto de a população moçambicana continuar a crescer a um ritmo superior ao da economia nacional, situação que poderá comprometer a capacidade do Estado de responder à crescente procura por serviços básicos e oportunidades de emprego.

O alerta foi lançado na sexta-feira, durante as cerimónias centrais do Dia Mundial da População, realizadas na localidade de Nhacapiriri, distrito de Cahora Bassa, província de Tete.

Dados apresentados pelo Governo indicam que Moçambique regista um crescimento populacional anual de 2,5 por cento, acima do desempenho económico observado nos últimos anos, com excepção de 2022 e 2023.

Na ocasião, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, afirmou que esta realidade exige um esforço redobrado para acelerar o crescimento económico e garantir que o desenvolvimento acompanhe a dinâmica demográfica. Segundo o governante, a pressão sobre sectores como educação, saúde, abastecimento de água, energia e emprego poderá aumentar caso o País não consiga expandir a sua capacidade produtiva.

Para responder a este cenário, o Executivo aposta na implementação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044, instrumento que define a transformação social e demográfica como um dos pilares para impulsionar o crescimento sustentável e melhorar a qualidade de vida da população.

Durante as celebrações, o ministro anunciou igualmente que o Governo pretende reduzir a taxa de casamentos prematuros de 41 para 27 por cento até 2044, medida que visa reforçar a protecção dos direitos da criança, promover o empoderamento das raparigas e criar melhores condições para o desenvolvimento do capital humano.

Por sua vez, a representante do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), Nélia Rodrigues, defendeu que Moçambique possui uma oportunidade única para transformar a sua estrutura demográfica num motor de desenvolvimento, desde que invista de forma consistente na educação, saúde, emprego e capacitação da juventude.

A responsável sublinhou que o aproveitamento do dividendo demográfico poderá impulsionar o crescimento económico e contribuir para um futuro mais próspero para as novas gerações.

Já o governador da província de Tete, Domingos Viola, reafirmou o compromisso do Governo Provincial em continuar a investir na expansão do acesso aos serviços básicos e na melhoria das condições de vida da população.

As cerimónias centrais do Dia Mundial da População decorreram sob o lema “Empoderar os jovens para que constituam a família que desejam num mundo justo e cheio de esperança”, reunindo membros do Governo, parceiros de cooperação, líderes comunitários e representantes da sociedade civil.

População afectada pelo projecto de exploração de areias pesadas em Chibuto volta a manifestar-se, exigindo o pagamento de compensações. O grupo acusa o Governo de ignorar as suas reivindicações desde 2016. Em resposta, o Secretário de Estado na província de Gaza afirma que a empresa de capitais chineses já disponibilizou parte dos 15 milhões de dólares previstos para a resolução do problema.

Ângelo Tsane

Oito meses depois da última onda de protestos, residentes de cinco comunidades afectadas pelo projecto de exploração de areias pesadas, no distrito de Chibuto, província de Gaza, voltaram às ruas para exigir o pagamento das compensações prometidas no âmbito do processo de reassentamento.
Segundo a porta-voz dos reassentados, as comunidades perderam as suas terras e continuam sem respostas concretas sobre as compensações.

“A empresa prometeu-nos compensações, mas até agora não conseguiu pagar-nos. Já não queremos mais promessas. Queremos apenas uma resposta aos documentos que submetemos. A empresa deve sair e nós devemos regressar às nossas terras”, afirmou.
Margarido, de 78 anos de idade, descreve uma realidade marcada por dificuldades.
“Não temos dinheiro, não temos onde cultivar. Há jovens sem ocupação, crianças para sustentar e a vida está cada vez mais difícil sem trabalho”, lamentou.

As comunidades abrangidas pelo processo de reassentamento dizem viver na incerteza. Dez anos depois de terem abandonado as suas terras, afirmam que várias promessas continuam por cumprir.
Entre elas estão a construção de vias de acesso, escolas e outras infra-estruturas sociais.

“Quando chegou, a empresa prometeu emprego, desenvolvimento, estradas, escolas e melhores condições de vida. Até hoje, nada disso foi concretizado”, queixam-se os moradores.

O Secretário de Estado na província de Gaza, Jaime Neto, reconhece que a exploração dos recursos minerais não pode representar sofrimento para as comunidades locais.

“Os recursos minerais não podem castigar as populações. Elas têm direito a ser compensadas pelos bens e recursos que possuíam nas áreas ocupadas pelo projecto”, afirmou.

Jaime Neto garante que decorrem negociações para o desembolso do valor global estimado em 15 milhões de dólares norte-americanos, destinado à resolução das reivindicações das comunidades afectadas.

“Este valor poderá reduzir as fricções existentes entre a empresa e as comunidades. Vamos trabalhar para estruturar projectos de apoio comunitário. Se for necessária uma escola ou uma unidade sanitária, esse dinheiro poderá ajudar a financiar essas infra-estruturas”, explicou.

Segundo o governante, parte dos fundos já foi disponibilizada pela empresa para o arranque das actividades, embora o processo tenha sido condicionado por divergências entre as partes.

“A Dingsheng Minerals já disponibilizou uma parte dos recursos. Neste momento, continuamos em negociações e acreditamos que, em breve, será possível iniciar acções concretas em benefício das comunidades”, acrescentou.

Apesar das garantias, a população diz-se cansada de promessas e acusa o Governo e a empresa responsável pelo projecto de ignorarem as suas reivindicações desde 2016.
Os residentes ameaçam regressar às terras onde viviam, actualmente ocupadas pelo projecto mineiro de capitais chineses, caso não haja uma solução definitiva.

“As nossas mães já morreram à espera de uma solução. Não queremos guerra com o Governo nem com os chineses. Queremos apenas regressar às nossas terras e que a empresa encerre as escavações que está a realizar”, afirmou um dos manifestantes.

Avaliado em mais de 400 milhões de dólares norte-americanos, o projecto de exploração de areias pesadas de Chibuto continua marcado por conflitos sociais desde 2016, com as comunidades locais a questionarem a demora no pagamento das compensações e o incumprimento das promessas feitas durante o processo de reassentamento

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