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O País – A verdade como notícia

Além de Manuel de Araújo, o MDM registou mais uma deserção. Trata-se de Ricardo Frederico Tomás, que apresentou a sua carta de renúncia ao Movimento Democrático de Moçambique. Ricardo Frederico tinha sido declarado cabeça-de-lista pelo MDM em Tete.
 
A carta de renúncia de Ricardo Frederico Tomás foi apresentada esta sexta-feira à delegação do MDM, na província de Tete. Ricardo Tomás junta-se a Venâncio Mondlane, Manuel de Araújo e os mais de 70 membros que saíram da terceira maior força política do país.

E seguiu mesmo à risca! O O País sabe que Ricardo Tomás deverá ser apresentado como membro da Renamo neste sábado.

Tomás é deputado da Assembleia da República pelo MDM e, diferente de Venâncio Mondlane, este não apresentou nenhuma vontade de deixar o parlamento.

 

Dois dias depois de ter renunciado como candidato a Membro da Assembleia Municipal e cabeça-de-lista pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), na cidade de Quelimane, para as eleições marcadas para dia 10 de Outubro próximo, eis que Manuel de Araújo apresentou-se hoje, como membro e cabeça-de-lista do segundo maior partido da oposição em Moçambique, Renamo.  

De Araújo disse que esta é a melhor forma encontrada para continuar a trabalhar para o bem-estar dos munícipes de Quelimane, por isso, viu-se obrigado a tomar esta decisão, para não trair os seus princípios éticos e os anseios dos quelimanenses.

“Fizemos consultas a vários níveis, instituições, grupos sociais e sentimos que a vontade dos munícipes de Quelimane é esta. Estamos aqui apenas para cumprir esta vontade, porque afinal de contas, não passamos de meros instrumentos dos munícipes da cidade Quelimane”, justificou De Araújo, na sua primeira intervenção em público, coberto pela bandeira da Renamo e um boné desta formação partidária.

A fonte diz que a cidade de Quelimane precisa de uma força politica comprometida com o desenvolvimento da urbe, e “neste momento nós estamos convencidos que a Renamo é essa força, que melhor consegue exprimir sentimentos e os anseios dos munícipes de Quelimane.

Em termos de Orçamento do Estado (OE), a província de Zambézia nos últimos 40 anos recebeu menor investimento público e privado, considera o edil. “A província da Zambézia, em 1973 e 74, produzia dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique, mas hoje, produz menos de um terço da produção nacional, e a situação nos preocupa, porque nós temos responsabilidades, não só com a cidade, mas com toda província”, disse.

Face a estas declarações, uma vez que a jurisdição municipal da cidade de Quelimane, não abrange a provincial, questionamos se poderá se candidatar como governador da província? Respondeu argumentando que neste momento estão focados com objectivo primário, mas quando houver objectivos secundários o partido e os munícipes é quem vão dissidir. “ É melhor sempre ter um pássaro na mão, do que dois a voar”, encerrou assim a sua intervenção.

 

     

Samora Machel Júnior está fora da corrida interna para ser candidato à  cabeça-de-lista do partido Frelimo na cidade de Maputo. Esta sexta-feira, o Comité da Cidade submeteu à Comissão Política os nomes dos membros que vão disputar a eleição interna e não consta de Samora Machel Júnior, e este já pensa na possibilidade de concorrer ao município de Maputo apoiado por grupo de cidadãos.

O Comité da Cidade aprovou os nomes de Eneas Comiche, Fernando Sumbana e Razaque Manhique. A informação caiu como uma bomba na equipa que há já algum tempo vem preparando a candidatura de Samora Machel Júnior, que se alega ter apoio de bases do partido nomeadamente da OMM, OJM e Antigos Combatentes.

Fontes próximas a Samora Machel Júnior indicam que o mesmo está indignado e está a ponderar mesmo assim avançar com uma candidatura apoiada por um Grupo de Cidadãos tal como está previsto na lei, caso a Comissão Política da Frelimo mantiver de fora o seu nome nas Eleições Internas, o que a acontecer será inédito na história do partido Frelimo.

Samora Machel Júnior terá recebido a informação do seu afastamento da corrida através do Primeiro Secretário do Comité da Cidade da Frelimo, Francisco Mabjaia, num encontro que teve lugar esta sexta-feira.

 

O edil de Quelimane, pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Manuel de Araújo, colocou à disposição seu lugar de candidato à membro da Assembleia Municipal da cidade de Quelimane e de cabeça-de-lista do partido para as próximas eleições autárquicas de 10 de Outubro.

De Araújo disse que se vai manter lado a lado com os munícipes de Quelimane, do cumprimento do juramento por si feito.

O edil de Quelimane ainda não revelou se vai ou não concorrer por uma outra força política.

 

Assembleia República de Moçambique (AR) aprovou por consenso, na tarde de esta quinta-feira, a proposta de revisão da lei número 7/2013 de 22 de Fevereiro alterada e republicada pela Lei número 10/2014 de 23 de Abril, relativa a eleição dos titulares dos órgãos das autarquias locais.

A lei foi aprova em definitivo no segundo dia da terceira sessão extraordinária da AR, sendo que no primeiro, ontem, apreciaram a proposta da revisão da Lei das Autarquias apresentadas e retificaram alguns pontos, que consideraram inconstitucionais.

Momentos depois da aprovação, a presidente da AR, Verónica Macamo disse que aprovação por consenso das propostas de revisão dos instrumentos legais que irão orientar a realização das próximas eleições autárquicas constitui uma vitória, para o povo moçambicano que ansiosamente almejava por este desfecho.

Com aprovação deste instrumento, abrem-se as portas para viabilização e realização das próximas eleições autárquicas.  

 

 

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) confirma a renúncia de Manuel de Araújo como candidato a membro da Assembleia Municipal de Quelimane, bem como a cabeça-de-lista pelo partido.

A confirmação foi feita ainda esta quinta-feira, em Maputo, pelo secretário-geral do partido, José Domingos, que disse não estar surpreso com a decisão de Manuel de Araújo. O partido diz ainda que não será novidade se, nos próximos dias, o edil de Quelimane anunciar a saída do partido.

Questionado sobre o futuro do MDM, José Domingos disse que o problema não está com o partido, mas com as pessoas nele filiadas.

Antes de entrar para o MDM, onde foi eleito edil de Quelimane em 2011, Manuel de Araújo foi deputado da Assembleia da República pela Renamo.

Manuel de Araújo renunciou, esta quinta-feira, à candidatura como membro da Assembleia Municipal de Quelimane e a indicação para cabeça-de-lista do partido, nas próximas eleições autárquicas de 10 de Outubro.

 

Tudo começou como um filme: com momentos de avanço, pausa e tragédia aludida. O auditório do Centro Cultural Franco-Moçambicano, claro está, em Maputo, foi bem concorrido para ver a estreia de “Entre eu e Deus” e, logo de seguida, para acompanhar o debate sobre o documentário da realizadora Yara Costa.

Mas, durante as discussões, na noite de terça-feira, a situação dos ataques em Cabo Delgado pesou mais do que a arte, mesmo porque, de acordo com Mia Couto, Saíde Habib e João Pareira, a maior parte dos afectados pelos ataques que ceifam vidas no norte do país são muçulmanos.

Assim, com efeito, analisando o quadro que explodiu em Mocímboa da Praia há algumas vezes, o Sheik Saíde Habib, primeiro interveniente no debate, tratou imediatamente de esclarecer que o islão está no país há muito tempo e sempre teve uma convivência pacífica com outras religiões, tanto que nas famílias moçambicanas é comum encontrar-se muçulmanos, católicis e crentes de outras seitas, cada um respeitando o espaço do outro. “Agora, o que há é um radicalismo contra a religião islâmica, uma certa intolerância. Por exemplo, no documentário, se olharmos para a forma como a Karen se veste, notamos que há certo medo e esquecemos que as freiras se vestem mais ou menos da mesma maneira, mas isso não traz nenhum radicalismo às pessoas”, lembrou o Sheik. 

Na diversidade dos oradores que constituiu o painel de debate, esteve João Pereira. Segundo entende o académico, é urgente produzir-se estudos sobre o fenómeno Cabo Delgado, pois há dinâmicas locais que os moçambicanos ainda não conseguem compreender, por exemplo, situações no terreno em que nem todas as pessoas são assassinadas.

“Então, a questão que se coloca é: por que certas pessoas são assassinadas, certas casas queimadas e outras não? Isto só pode ser compreendido a partir da análise às próprias dinâmicas locais, porque o radicalismo de Cabo Delgado também existe em Nampula”. 

Bem dito, Pereira acredita que o que se passa em Mocímboa da Praia é uma mistura de várias coisas. A questão religiosa, já que grande parte das pessoas envolvidas são muçulmanas. Então, muito rapidamente, conota-se e faze-se ligação directa dos ataques ao islão. Segundo, defendeu o académico, outro factor determinante são os conflitos existentes entre os crentes da nova geração e da velha. Os mais novos, formados na Tanzânia ou no Quénia, têm dificuldade de se enquadrar nas mesquitas de Cabo Delgado, devido às formas divergentes de se interpretar o alcorão ou a sharia. “Isto tem criado tensões fortes!”, afirmou Pereira, frisando que os promotores dos ataques têm redes com outros grupos que controlam negócios ilícitos na região dos Grandes Lagos, os quais alimentam grandes elites da Tanzânia como em Moçambique, com domínio sobre o território nacional. “E como não existe um poder muito forte do Estado, as pessoas daquelas regiões ficam bastante vulneráveis”. 

Sobre as divergências entre muçulmanos de gerações diferentes apontadas por João Pereira, o Sheik Saíde Habib vê nisso um falso problema, até porque as “querelas” entre os defensores de um islão mais sistematizado ou enraizado e os que defendem o islão mais assente na africanidade é normal e não é algo novo.

Daí essa divergência de pensamento nunca antes ter criado um radicalismo a nível nacional. 

Na qualidade de moderador esteve Mia Couto, que não se inibiu de partilhar a sua sensibilidade sobre o fenómeno em discussão. Na óptica do escritor, num cenário em que se acredita que o terrorismo no mundo é fomentado pela religião muçulmana, todos devem unir-se em defesa da verdade, que não é essa. Ainda assim, o escritor destaca: “acho que os muçulmanos, em particular, devem ter um papel mais proactivo nessa defesa, afinal, nesses ataques pelo mundo, protagonizados em nome do islão, a maior parte das vítimas são muçulmanos, que estão na frente de batalha contra aqueles que fazem manipulação da religião por razões políticas ou de negócio, que, muito provavelmente, é o que está a acontecer aqui no país”.

A Ministra da Administração Estatal e Função Pública, Carmelita Namashulua, apresentou, esta quarta-feira, a primeira proposta da lei de revisão da Lei das Autarquias. Falando durante a III Sessão Extraordinária da Assembleia da República, Namashulua disse, no entanto, que por faltar pouco tempo até a realização das Eleições Autárquicas, os debates não podem levar a novos elementos na lei, senão os acordados entre o Presidente da República e Líder da Renamo.

“O tempo que nos separa da realização das próximas eleições autárquicas, afigura-se excessivamente curto e não permite que se desenvolvam reflexões mais profundas que transcendam as que resultam da revisão constitucional em referência”, disse.

Carmelita Namashulua acrescentou, entretanto, o Governo continuará, em melhores oportunidades, a reflectir sobre o aprimoramento dos demais conteúdos da legislação eleitoral e de outros instrumentos legais.

 

Iniciou hoje a III sessão extraordinária da Assembleia da República (AR), durante a sessão as três bancadas parlamentares da AR apreciaram positivamente a proposta da revisão da Lei das Autarquias apresentada hoje.

A bancada da Frelimo disse que o modelo de descentralização resulta do diálogo político entre o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o então presidente da Renamo, Afonso Dhlakama.

“Tem dois pontos de agenda, a governação centralizada das províncias ou simplesmente a desmilitarização e desmobilização dos homens armados da Renamo”, disse o  deputado da Frelimo, Manuel Vaz Concelo.

Já a Renamo na voz do deputado, António Muchanga, diz que com o novo modelo de eleição terá apenas uma urna.

“Isso quer dizer que reduz os custos que representam os boletins de voto que cairiam na segunda urna, reduz o tempo de escrutínio, porque os membros das mesas de voto irão escurtinar os votos de uma urna apenas”.

A bancada do MDM diz que o modelo de eleição é uma inovação exemplar que leva a prerrogativa conferida a assembleia autárquica, de demitir o presidente do conselho autárquico.

“Constitui um verdadeiro exercício democrático no seio do órgão, e que, vem fortalecer os desafios do poder local dando lugar a uma maior participação dos cidadãos na busca de soluções aos problemas da sua comunidade”.

 

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