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O País – A verdade como notícia

Margarida Talapa exige acção concreta para proteger crianças moçambicanas

A Presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, defende uma maior protecção das crianças e exige que as recomendações do Parlamento Infantil se traduzam em acções concretas capazes de melhorar a vida dos menores em Moçambique. Na abertura da VIII Sessão do Parlamento Infantil, em Maputo, Talapa afirmou que o

Órgãos eleitorais ponderam adiar eleições gerais
Inicialmente agendadas para Outubro deste ano, as eleições gerais moçambicanas podem ser adiadas para Dezembro, em consequência dos desastres naturais que arrasaram a região Centro do país, com grande destaque para a cidade da Beira, em Sofala.

 

Desde domingo, tornou-se um martírio sair da Nhamatanda à cidade da Beira, na província de Sofala. As pessoas saem de Haluma de táxi-motas até Lamego, num troço de 10 quilómetros. Depois, deslocam-se de barcos, canoas ou optam por percorrer distância até à zona de Tica, onde sobem carros para Beira.

Entretanto, a Administração Nacional de Estradas afirma que o sofrimento tem dias contados, uma vez que na ponte sobre o rio Haluma, que desabou, já foi feito um desvio e até segunda-feira será concluído o segundo e último desvio na zona de John Segredo, onde 120 metros de estrada foram arrastados pela fúria das águas.

Mesmo assim, para os automobilistas, a reparação definitiva da EN6 é urgente porque já começa a trazer prejuízos.

A Administração Nacional de Estradas, por via do seu Director-geral, César Macuácua, diz que além da EN6 as obras de urgência para permitir a circulação condicionada de viaturas já decorrem na Estrada Nacional 260, na qual o desabamento da ponte sobre o rio Chizizira, em Sussundenga, província de Manica, deixou o distrito de Mossurize isolado do resto do país.

Enquanto isso, afinam-se os últimos preparativos para a partida, este sábado, do navio com cerca de 30 contentores de produtos diversos doados por singulares e empresas. Um gesto de solidariedade para com as vítimas do ciclone Idai na Beira.

O que se acompanhou ao longo da semana, foi um movimento de solidariedade jamais visto no país. São cidadãos que a todo o custo quiseram contribuir de várias formas para mitigar o sofrimento da população.

 

A Procuradoria-geral da República submeteu, hoje, ao Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, a acusação contra 20 arguidos envolvidos no esquema das dívidas ocultas.

Os arguidos são acusados de prática de vários crimes, como chantagem, falsificação de documentos, uso de documentos falsos, abuso de cargo ou função, peculato, corrupção passiva por acto ilícito, abuso de confiança, branqueamento de capitais e associação para delinquir.

No mesmo processo, a PGR apreendeu bens adquiridos com dinheiro das dívidas ocultas, nomeadamente 15 imóveis, seis viaturas, uma máquina pesada de construção civil e mandou congelar 31 contas bancárias.

Em relação ao antigo ministro das Finanças que está detido na África do Sul, a PGR informa que abriu um processo autónomo, onde são arguidos Manuel Chang e outros três elementos não identificados no comunicado de imprensa.

No total, a PGR constituiu 28 arguidos, mas se absteve de acusar quatro por falta de provas do seu envolvimento no esquema fraudulento.

Neste momento, nove arguidos estão em prisão preventiva, um em liberdade provisória mediante pagamento de caução e os restantes aguardam as fases subsequentes do processo em liberdade.

 

 

O Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Eneas Comiche, empossa hoje o novo comandante da polícia municipal, Paulo Albino Langa, em substituição a António Espada.

Serão igualmente investidos cinco novos directores de serviços municipais, trata-se de Ossemane Juma, para o cargo de Director municipal de finanças, Obadias Djedje, Director Municipal de Mobilidade, Transportes e Trânsito, e Nelson Benhe, para Director Municipal de Educação.

Também será empossada Hirondina Tina Alda Morais nas funções de Chefe do Gabinete do Presidente; Rui Cuiema Santos Mate, para a função de Director Municipal Adjunto de Finanças e Loide Atália da Silva Massangaie, como Directora Municipal Adjunta de Mobilidade, Transportes e Trânsito.

Ainda na cerimónia será assinado um memorando de entendimento entre o presidente do Conselho Municipal de Maputo e a directora regional para África da organização não governamental britânica, Westminster Foundation for Democracy (WFD), Donna Bugby-Smith.
 

Portugal e Alemanha disponibilizaram meios aéreos, humanos e dinheiro em apoio às vítimas do ciclone Idai na cidade da Beira, província de Sofala.

Uma semana depois da passagem do ciclone Idai em Sofala, Milhares de pessoas permanecem isoladas sem comida, água nem abrigo. As linhas de comunicação já começaram a funcionar mas não plenamente. O distrito do Búzi está completamente inundado e as ajudas vêm de todos os lados.   

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, despachou para Moçambique 35 militares, aviões e equipa de médicos para ajudarem nas acções de resgate e salvamento de milhares de pessoas ainda penduradas em textos e árvores.

O estadista português classificou o trabalho dos militares como uma “missão fraterna, de solidariedade”, visando a reconstrução das zonas afectadas pelo mau tempo.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, tendo em conta o drama que se vive na Beira, em particular, ainda “há muito a apurar e esperar nos próximos dias”.

Augusto Santo Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Portugal, disse que a equipa médica inclui peritos de medicina legal do Instituto Nacional de Emergência Médica e uma força de protecção civil.  

José Luís Carneiro, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, confirmou haver pelo menos 30 pedidos de localização de português desparecidos na Beira, mas as equipas que se encontram no tereno reportam 100 desaparecidos.  

“Vamos procurar validar essas informações para efeitos de localização e tranquilização das famílias”, disse José Luís Carneiro, após um encontro com os outros portugueses que estão na Beira.  

Por sua vez, a Alemanha disponibilizou mais um milhão de euros de auxílio às pessoas afectadas pelo “Idai” e inundações no centro de Moçambique. Os fundos “deverão ser usados para cobrir as necessidades humanitárias mais urgentes”.

Neste contexto, a Chanceler alemã, Angela Merkel, endereçou condolências ao Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi.
Sobre o ciclone Idai, o Embaixador da Alemanha em Moçambique, Dr. Detlev Wolter, referiu que "a Alemanha está desolada com as destruições devastadoras causadas pelo ciclone IDAI e pelas massivas inundações que fustigaram as províncias do centro de Moçambique. Neste momento de dor, nos juntamos a Moçambique e os nossos pensamentos e compaixão estão com as pessoas afectadas e com os familiares das vítimas".

Dados das autoridades governamentais indicam que a passagem do ciclone Idai em Moçambique, Malawi e Zimbabué já matou pelo menos 300 pessoas.  

As Nações Unidas em Moçambique também mobilizou “equipas de emergência e suprimentos” para as pessoas atingidas pelos desastres naturais.

Em apoio, também às vítimas do ciclone Idai, a ZAP vai abrir os canais nacionais, durante 30 dias, nas províncias de Sofala, Manica, Tete e Zambézia, para permitir a disseminação das mensagens de alerta e prevenção das populações assoladas e das zonas circunvizinhas.

 

As equipas de resgate do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades e outros especialistas esforçam-se ao máximo para tirar as pessoas da zona de risco e dar-lhes uma assistência humanitária.

Em meio a mortes e feridos, uma das vítimas, em entrevista a Euronews, conta que viu a sua casa desabar pela força das águas e do vento, tendo o seu marido perdido a vida no local.

“A minha casa desmoronou-se e eu fiquei presa debaixo de uma pilha de pedras. O meu marido que estava a dormir perto de mim foi esmagado até à morte. Usei as minhas mãos para libertar-me das pedras e arrastei-me para fora de casa. Os meus vizinhos encontraram-me e levaram-me para um lugar seguro”.
 
Tal como ela, cerca de 350 mil pessoas ainda se encontram na zona de risco. Deste número, 60 mil encontram-se penduradas em tectos e árvores à espera de salvamento.

Segundo a Euronews, à medida que as equipas de resgate avançam para as áreas rurais são descobertos mais corpos nas águas.

Noventa e seis centros de acomodação foram criados em Sofala, Manica , Tete e Zambézia para as vítimas das inundações e do ciclone IDAI. O último registo do Instituto nacional de Gestão de Calamidades apontava para 36 mil pessoas acomodadas nesses centros.

As operações de resgate continuam, mas 347 mil pessoas continuam em risco. O INGC criou equipas de trabalho para gerir os apoios que tem estado a receber.

“Há este trabalho de resgate que está a acontecer, é um trabalho positivo e notável também,  foram salvas 40 mil pessoas”, disse Rita Almeida, porta-voz do INGC.

Vários grupos de apoio continuam a canalizar produtos e bens para preencher um navio de 14 mil toneladas que parte neste sábado para a Beira.

As horas passam, a ajuda chega e concentra-se no porto de Maputo, e o destino é a Beira, cidade que o papa orou por ela, famílias continuam sem água, sem comida e sem vestuários.

Já no terceiro dia de actividades, a iniciativa “Unidos pela Beira”, já conseguiu encher mais de 30 contentores com produtos de primeira necessidade, mas espera conseguir muito mais até o final do dia.

Os produtos doados poderão chegar na próxima segunda-feira, porque o Navio parte do porto de Maputo neste sábado.

A ajuda vem de todo lado, e entre os solidários há pessoas de diferentes países, diferentes idades e diferentes grupos sociais.

O navio será selado nesta sexta-feira por volta das 17 horas, até lá, espera-se que mais pessoas individuais e colectivas contribuam com mais produtos.

Acerca de ajuda, a Anadarko Moçambique decidiu disponibilizar a sua aeronave para transportar material e equipas de médicos para o centro do país. Para a Anadarko a situação no centro do país, exige o envolvimento de todos e a multinacional não se podia distanciar. Segundo Steve Wilson, vice-presidente da Anadarko Moçambique, a esta altura todo o apoio humanitário é bem-vindo.

Ainda no âmbito das ajudas, o Governo chinês apoia Moçambique com sete mil toneladas de arroz avaliadas em 400 milhões de meticais na sequência do ciclone Idai.

 

As condições climatéricas dos últimos dias dificultaram o trabalho das equipas de resgate das vítimas das cheias, nos distritos de Gorongosa, Nhamatanda, Búzi, Dondo e Beira, na província de Sofala. Mas, a partir desta quinta-feira, a temperatura melhorou e os trabalhos conhecem um novo ritmo. Na província mais afectada pelo ciclone tropical Idai há, actualmente, perto de 15 mil famílias sitiadas, mas o número pode ainda elevar.

O Governo considera a situação de Sofala como muito crítica porque é combinação de dois tipos de desastres naturais que aconteceram em simultâneo. “Nas últimas 24 horas começamos a recolher informação que achamos importante, e estamos a encontrar pessoas nos pontos altos, onde estava previamente programado. Encontramos também muitas famílias em condições de risco de vida. Assim, lançamos duas iniciativas paralelas. Uma para salvamento e outra para apoio às famílias”, disse Celso Correia, Ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural.  

Entretanto, dezenas de famílias fixadas nas proximidades da EN10, povoado de Mucelo, Nicoadala, Zambézia, recusaram sair para zonas de acomodação. Duas semanas depois as famílias clamam por apoio alimentar e assistência sanitária. O administrador de Nicoadala, João Nhanbessa, diz que aquelas famílias querem tirar algum aproveitamento e, por isso, não vão merecer apoio. 

Ora, Mutarara, Caia e Chemba poderão ser afectados por inundações nos próximos dias. É que a barragem de Cahora Bassa está a 99 por cento da sua capacidade e será obrigada a fazer descargas. A informação foi avançada pelo Director Nacional de Gestão dos Recursos Hídricos, Messias Macie, quem desmentiu que o distrito de Búzi poderá desaparecer em resultado das águas libertadas pelos países vizinhos, Malawi e Zimbabwe.

As previsões do Instituto Nacional de Meteorologia apontam para o abrandamento das chuvas a partir desta sexta-feira na província de Sofala. Embora o pior já tenha passado, Macie diz o processo de retoma à normalidade levará algum tempo porque os solos estão saturados.

As autoridades recomendam as populações que vivem nas zonas ribeirinhas do rio Zambeze a abandonarem o local e procurarem lugares seguros.

 

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