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O País – A verdade como notícia

Margarida Talapa exige acção concreta para proteger crianças moçambicanas

A Presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, defende uma maior protecção das crianças e exige que as recomendações do Parlamento Infantil se traduzam em acções concretas capazes de melhorar a vida dos menores em Moçambique. Na abertura da VIII Sessão do Parlamento Infantil, em Maputo, Talapa afirmou que o

Os impactos do ciclone Idai forçaram o Governo a realizar, na última terça-feira (19.03.), o Conselho de Ministros na cidade da Beira. O edil da segunda maior cidade do país não se fez presente, o que chamou atenção do Presidente da República.

Esta quinta-feira Daviz Simango reagiu a este pronunciamento afirmando que não foi convidado.
“Não fui convidado a participar nessa reunião. Como pode imaginar, não sou membro do Governo e nem do Conselho de Ministros. Em condições normais se quisessem que eu participasse, poder também colaborar e informar ao Conselho de Ministros sobre a situação no terreno, deviam ter feito um convite formal para eu lá estar e isso não foi feito”, disse Daviz Simango, Edil da Beira.

Simango fez estas declarações momentos depois de desembarcar no aeroporto internacional de Maputo onde veio para reunir-se com embaixadores e parceiros para pedir  apoio para minimizar o impacto provocado pelo ciclone Idai na região centro do país.
“Vim para Maputo hoje exactamente para falar com vários parceiros, para lhes colocar a situação de Beira pós ciclone para construirmos a nossa cidade, que esforços devem ser feitos para a reconstrução da cidade”, acrescentou o Edil da Beira.

Ainda esta quinta-feira, Simango revelou ao jornal O País que reuniu-se com o Governo para desenharem estratégias conjuntas de apoio às vítimas do ciclone.
“A partir do encontro que houve hoje com o primeiro-ministro Carlos Agostinho do Rosário, devo dizer que estaremos a dar um passo muito importante para a conjugação de esforços porque as coisas andavam muito dispersas. Assim está aberta uma janela e o nosso foco é a população porque é a ela que nós servimos e é para esta mesma população que trabalhamos“ Referiu Simango.

Questionado se o seu município tem estrutura para recuperar a cidade sozinho, a fonte respondeu que nenhum território ou país que passa por uma situação destas recupera sozinho, por isso não se pode falar do município que se vai recuperar sozinho. Pois estaria se a esconder a verdade dizer que o município por si só vai sobreviver, é preciso compreender que existem os pactos e acordos internacionais de que todos os apoios vão desaguar no INGC ou no Governo central. Cabe a essas instituições partilhar parte desses apoios com esta população da Beira que precisa. Disse Simango

Daviz Simango classifica a cidade da Beira como um território que está na pior situação e diz que o ciclone veio com ventos extremamente fortes que destruíram tudo. Houve infraestruturas públicas, privadas, escolas, hospitais e casas destruídas. O sector económico ficou bastante afectado, os armazéns, lojas e barracas ficaram destruídos. A cidade ficou sem comunicação e está com carências muito fortes  de água e agora as populações estão a enfrentar a especulação de preços por parte de alguns vendedores.

A Beira está às escuras, virou uma cidade fantasma durante a noite, é extremamente penoso. Faltam alimentos para a população e tudo está a ser feito para abrir as estradas porque as árvores caíram bloqueando quase todas as estradas da cidade da Beira, os postes de energia caíram, portanto, é um desafio enorme que temos para recuperar e voltar a normalidade.

Simango diz que uma das soluções imediatas passa por garantir alimentos e coberturas das casas.

 

Moçambique continua a receber mais ajuda humanitária para aliviar o sofrimento das vítimas dos desastres naturais na região centro, sobretudo do ciclone Idai, na cidade da Beira.

A Alemanha disponibilizou um milhão de euros, equivalente a mais de 71 milhões de meticais, “para cobrir as necessidades humanitárias mais urgentes”.

A Chanceler alemã, Angela Merkel, endereçou condolências ao Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi.

Por sua vez, o embaixador alemão no país, Detlev Wolter, afirmou que “a Alemanha está desolada com as destruições devastadoras causadas pelo ciclone Idai e pelas massivas inundações que fustigaram as províncias do centro” do país.

O Reino Unido, para além de 10 milhões de libras esterlinas anunciadas esta semana, vai dar um apoio adicional de 980 milhões de meticais para os sobreviventes do ciclone Idai em Moçambique, no Malawi e no Zimbabwe.

A secretária para o Desenvolvimento Internacional daquela país, Penny Mordaunt, declarou que o ciclone Idai “é, sem dúvida, um dos maiores desastres naturais que já atingiu a região. Eu estou extremamente comovida com as imagens que eu vi deste ciclone devastador, que causou miséria para milhões de pessoas em todo Moçambique, Malawi e Zimbabwe”.

A Mozal e a Emose também não ficaram indiferentes à tragédia e doaram 15 milhões e meio e dois milhões de meticais, respectivamente.

As vítimas do “Idai” contam ainda com a ajuda humanitária da Sasol e da Fundação Calouste Gulbenkian, que se comprometeram a doar 15 milhões de meticais e 100 mil europeus, respectivamente.

As Nações Unidas em Moçambique ficaram também sensibilizados com o drama vivido no centro e mobilizaram equipas de emergência para as áreas atingidas pelos desastres naturais e mantimentos. Disseram que apelam a uma ajuda inicial de 40,8 milhões de dólares para atender 400 mil pessoas, principalmente na cidade da Beira.

“Estamos com pressa para obter itens de socorro para onde eles precisam estar. A cidade da Beira permanece inacessível por estrada e muitas comunidades ficaram submersas quando as águas da inundação aumentaram. Com a liderança do Governo, estamos exercendo todos os esforços para alcançar as pessoas onde e como pudermos. Estamos juntos e não deixaremos ninguém para trás”, disse o coordenador interino residente em Moçambique, Marcoluigi Corsi.

A Anadarko contribuiu com 200 mil dólares e disponibilizou uma aeronave ao Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), enquanto a China doo quantidades significativas de arroz, avaliadas em 400 milhões de meticais.

Por sua vez, a ZAP, plataforma de distribuição de sinal de televisão, vai disponibilizar, gratuitamente, os canais nacionais, durante 30 dias, nas províncias de Sofala, Manica, Tete e Zambézia.

 

 

O renomado escritor moçambicano, Mia Couto, disse, esta tarde, na capital do país, que se sente como se tivesse perdido uma parte de si, desde que soube da devastação provocada pelo ciclone tropical Idai, na cidade da Beira.

Aos 63 anos de idade, dos quais 17 vividos na Beira, sua cidade natal, Mia explica que o que lhe orgulha, agora virou um cemitério também dos vivos.

Para o escritor, o segundo Prémio Camões moçambicano e o mais traduzido em todo o mundo, apesar de ter havido um alerta, nem todos tiveram informação e não havia noção da magnitude do que estava por vir. Por isso, adianta o autor de Terra sonâmbula, é tempo de todos ajudarem, “mas deve-se pensar muito bem na reconstrução da cidade”.

Como forma de ajudar às vítimas, Mia Couto diz que decorrem acções na Fundação Fernando Leite Couto, na cidade de Maputo.

 

 

 

 

 

Subiu  de 202 para 242 o número de pessoas que morreram desde a passada quinta-feira até hoje nas quatro províncias afectadas pelo ciclone Idai, nomeadamente  Sofala, Zambézia, Tete e Manica, acordo com o   Ministro da Terra, Ambiente  e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, que representa o Conselho de Ministros em Sofala. Foram igualmente  registados até  hoje um total de 1 420 feridos.

Correia, que Falava em conferência de imprensa, actualizou também  o número de pessoas  afectadas. Agora é de 180 366 pessoas e 2 867 salas de aulas destruidas afectando 86 056 alunos. Foram também destruidas 39 unidades sanitárias. Na agricultura foram perdidas 385 364 hectares de culturas.

O Ministro deixou ficar claro que estes números ainda não são definitivos.

Neste momento, cerca de 65 mil pessoas estão acomodadas nos centros de acolhimento havendo, por conseguinte, necessidade de abertura de outros porque o número de vítimas continua a aumentar diariamente.

 

A vida está cada dia mais encarecida na cidade da Beira. Grande parte dos comerciantes formais e informais beirenses tendem a aumentar o preço cada dia que passa e os compradores, que estão sem recursos, vêem-se sufocados.

Quase 80% da infra-estrutura económica da cidade da Beira foi destruída. Os armazéns não resistiram e ainda se pode ver produtos estragados, os silos de conservação de cereais, assim como alguns tanques de combustíveis, destruídos.

O mercado informal do Maquino, o maior da cidade da Beira, tem parte das barracas destruídas o que deixou alguns vendedores sem produtos. As grandes superfícies comerciais também sofreram danos significativos.

Este rasto de destruição já está a ter impacto na disponibilidade de produtos essenciais, até porque não se consegue chegar a Beira via terrestre devido ao corte na EN6. E isso faz com que os produtos existentes estejam a ser comercializados a preços especulativos, segundo contou Suzana Rafael, uma comerciante. “Não estamos a subir os preços por prazer. Os nossos fornecedores de repente aumentaram os preços. Uma caixa de tomate, que há cerca de uma semana custava 500 meticais, hoje está a ser vendido entre dois a dois mil e quinhentos meticais e o cúmulo é que parte do conteúdo está danificado. Portanto, para tentar reaver o valor investido na compra da caixa de tomate, não temos outra solução senão subir os preços de venda aos nossos clientes. Portanto, o quilo, que custava 70 meticais, passou a custar 150. Mesmo assim, nada recompensa. Ainda subiremos de preço”.   

A situação pode ainda ser mais crítica uma vez que cada dia que passa, alguns produtos frescos, fornecidos a partir de outras províncias, tendem a escassear, na sequência da deficiente comunicação rodoviária entre Beira e outros pontos do país.

Gabriel João, fornecedor de carnes e frangos, indicou que no troço onde a estrada nacional está cortada, há uma gincana muito grande para travessia. “Chegamos a gastar valores correspondentes a duas a três viagens da Beira para Chimoio. Portanto precisamos de reaver este valor e infelizmente os que devem pagar com a factura. E os residentes da cidade da Beira, que na sua maioria perderam seus stocks de produtos alimentares, e ainda têm que encontrar formas de reconstruir as suas casas, já não aguentam com o custo de vida que subiu significativamente. Penso que os revendedores perceberam mal a situação em que nos encontramos. Eles entenderam que o ciclone trouxe dinheiro. O ciclone veio para tirar um pouco que as pessoas tinham. Ninguém tem capacidade para suportar estes preços. São proibitivos. Ontem o quilo de tomate custava 100 meticais. Hoje passou para duzentos”.

O consulado de Moçambique em Macau está a organizar uma colecta de dinheiro para ajudar as vítimas do ciclone Idai.

"Estamos a organizarmo-nos para fazer uma colecta de dinheiro, tentando sensibilizar pessoas de boa vontade, apelando à solidariedade", disse o cônsul-geral Rafael Marques.

O Idai, com fortes chuvas e ventos de até 170 quilómetros por hora, atingiu a Beira na quinta-feira à noite, deixando os cerca de 500 mil residentes na quarta maior cidade do país sem energia e linhas de comunicação.

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, viajou para a Beira, onde dezenas de portugueses perderam casas e bens devido ao ciclone Idai, para acompanhar o levantamento das necessidades e o primeiro apoio às populações afectadas.

Cerca de 50 moçambicanos estão radicados em Macau.

Há registo de actos criminalidade na cidade da Beira, na sequência do caos provocado pelo ciclone IDAI, segundo a Associação Esmabama, uma Organização Não-Governamental (ONG) ligada à Igreja Católica, que opera naquele ponto do país.

O director daquela agremiação, Fabrizio Graglia, deu a conhecer que os ataques a pessoas e a invasão de residências podem estar relacionados a falta de um pouco de tudo na sequência do ciclone IDAI, o que agudiza o desespero de quem já perdeu o que havia conseguido com bastante sacrifício.

“Alguns dos nossos funcionários e estudantes foram feridos, mas até agora ainda não tivemos notícias de mortes entre os nossos”, disse a fonte.

Dados actualizados na noite desta terça-feira, pelo Governo, dão conta de que o número de óbitos, devido ao mau tempo que assolou a tudo e todos na região centro do país, aumentou de 84 para 202, dos quais 141 na em Sofala.

A cidade da Beira, a segunda maior de Moçambique, foi a mais devastada pelos desastres naturais, na última quinta-feira.

Para além de apelar à urgência no apoio às vítimas, Fabrizio Graglia mostrou-se “consternado e destroçado” com as acções de oportunismo e violência neste momento de luto, dor e pesar.

O Executivo já contabilizou pelo menos 23 mil casas e mais de cinco centenas de salas de aula destruídas. Todavia, o número real de danos e a dimensão do impacto decorrentes do desastre estão longe de serem quantificados.

Convidados do programa Linha Aberta defenderam que a assistência às pessoas afectadas pelo ciclone deve ser feita respeitando os direitos humanos. Os intervenientes, chamaram atenção sobre a necessidade de se apostar em infra-estruturas resilientes.

O representante do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, da Cruz Vermelha e um docente universitário constituíram o painel do programa Linha Aberta, desta terça-feira, cujo pano de fundo foi a análise dos impactos do ciclone IDAI.

As ajudas humanitárias provenientes de todos os cantos foi o assunto que mais dominou o debate. Os convidados enalteceram o espírito solidário, mas defenderam que os apoios devem ser feitos com dignidade.

E porque nascem no país vários movimentos solidários que se juntam à causa, o INGC apela que todos os produtos sejam canalizados à instituição para que cheguem aos afectados.

Depois de ajudar as pessoas afectadas, o que se deve pensar é na reconstrução das zonas destruídas, sobretudo a cidade da Beira. Sendo assim, o académico Luís Artur defende ser esta a oportunidade para se apostar em construções resilientes.

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