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O País – A verdade como notícia

FADM formam novos comandos em Nacala

As Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) contam, a partir de agora, com novos militares habilitados para integrar as forças de comandos, na sequência do encerramento do 31.º Curso de Comandos, realizado na cidade de Nacala, província de Nampula. O curso teve como objectivo dotar os militares de conhecimentos

FADM formam novos comandos em Nacala

As Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) contam, a partir de agora, com novos militares habilitados para integrar as forças de comandos, na sequência

Estão em curso discussões técnicas entre Moçambique, Portugal e a União Europeia para a concretização do apoio ao Estado moçambicano no combate ao terrorismo em Cabo Delgado. A garantia foi dada pela embaixadora de Portugal no país, que esta sexta-feira foi recebida em audiência pela presidente da Assembleia da República.

É que ao fim de quatro anos como representante diplomática lusa em Moçambique, Amélia Paiva vai deixar o país. Na despedida, com balanço à mistura, Paiva e Bias passaram em revista a cooperação parlamentar entre as duas nações, mas também fizeram o ponto de situação sobre a materialização do apoio de Portugal e da União Europeia, no combate ao terrorismo no teatro operacional norte.

“O que vos posso adiantar é que, neste momento, os trabalhos técnicos, depois de uma missão exploratória, estão a decorrer e esperamos a muito breve trecho podermos ter respostas concretas para anunciar. Entretanto, obviamente, esse trabalho está a ser feito com as competentes autoridades”, assegurou Amélia Paiva reiterando que “os trabalhos em curso decorrem a nível bilateral e aí são mais da área de tutela do senhor ministro da Defesa Nacional”.

A fonte acrescentou recordou que ano passado, “o professor José Cravinho (ministro da Defesa Nacional de Portugal) esteve em Maputo, em Dezembro do ano passado, e no quadro da visita do senhor ministro dos Negócios Estrangeiros, que veio aqui com o chapéu da União Europeia, como representante do Alto-Representante da Política Externa em resposta a uma solicitação moçambicana”, acrescentou.

De Moçambique, Esperança Bias saudou a disponibilidade lusa em apoiar a luta contra a insurgência, mas também contra a pandemia da COVID-19.

O porta-voz do Parlamento, Oriel Chemane, explicou que Esperança Bias “agradeceu o apoio humanitário que Portugal tem estado a prestar no combate ao terrorismo e também no combate à COVID-19. Como a embaixadora se referiu, Portugal também abraçou a luta contra o terrorismo, por isso, a presidente da Assembleia da República enaltece este gesto”.

Amélia Paiva deixa o país assegurando que apesar da pandemia, os empresários portugueses mantêm o interesse em continuar a investir em Moçambique.

Depois da República Democrática do Congo, o Botswana pediu, esta quarta-feira, o apoio de Moçambique à sua candidatura ao cargo de secretário executivo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

A actual secretária executiva do órgão, a tanzaniana Stergomena Lawrence Tax, termina o mandato em Agosto próximo, o que abre espaço para a corrida à posição. A República Democrática do Congo e o Botswana concorrem ao cargo e ambos querem o suporte de Moçambique.

Esta quarta-feira, foi a vez dos tswanas, que através do respectivo ministro dos Assuntos Internacionais e Cooperação, Lemogang Kwape, pediram o auxílio de Moçambique para chegarem ao secretariado executivo da SADC.

À semelhança da recomendação do Presidente da República à República Democrática do Congo, semana passada, o director para Integração Regional do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Alfredo Nuvunga, disse que os dois concorrentes devem entrar em consenso e encontrarem um só candidato para o lugar pretendido.

O pedido do Botswana foi manifestado esta quarta-feira num encontro virtual entre a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique e o homólogo tswana. Os governantes partilharam também informações sobre o impacto das mudanças climáticas, situação política e económica dos dois países.

Presidente do Comité Internacional da organização humanitária reuniu ontem com o Presidente da República com fim de três de visita ao país. Depois de ter escalado a província de Cabo Delgado onde viu de perto a situação dos deslocados causados pela violência terrorista, Peter Maurer garantiu apoio na formação militar.

A Cruz Vermelha de Internacional está disponível para treinar as Forças de Defesa e Segurança em matérias de violência e conflitos armados. A intenção foi manifestada ontem ao fim de um audiência concedida pelo Presidente da República, Filipe Nyusi ao Presidente da organização humanitária.

“Como Presidente do Comité Internacional da Cruz Vermelha nós também estamos interessados em treinar e estar em contacto com as forças armadas em matérias de violência e conflitos”, afirmou Peter Maurer que chegou sábado ao país, tendo começado por escalar Cabo Delgado para ver de perto a situação da população deslocada devido a violência terrorista nos distritos do norte daquela província. Sendo uma organização humanitária mostrou-se satisfeito pelo facto de ter sentido do Presidente da República abertura para que a instituição possa prestar ajuda na componente militar. “Já temos um plano de treinamento muito bom com as forças armadas moçambicanas e estamos muito encorajadas por ver esta reação positiva e o suporte do Presidente para estas actividades”, referiu.

Da parte do Estado moçambicano, o encontro serviu para Filipe Nyusi saudar a Cruz Vermelha pela assistência que tem prestado as vítimas do conflito que a província de Cabo Delgado vive desde 2017. “O encontro caracterizou-se por convergência de pontos de vista sobre a necessidade de reforçar e aumentar a assistência às populações deslocadas vítimas do terrorismo e as que efectivamente tiveram problemas com o ciclone”, disse Verónica Macamo, Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, em representação do Presidente da República.

Macamo prosseguiu explicando que “o Chefe de Estado acolheu com satisfação o compromisso reiterado pelo Presidente da Cruz Vermelha Internacional de prosseguir e aumentar o apoio às actividades de promoção do conhecimento e aplicação do direito internacional, da disponibilidade para manter e aumentar a assistência humanitária às populações necessitadas e o diálogo com o Governo de Moçambique”, concluiu.

A Cruz Vermelha presta assistência a quase 32 mil pessoas deslocadas e comunidades locais em Cabo Delgado na forma de utensílios domésticos, abrigo, sementes, ferramentas agrícolas, kits de pesca e apoio para irrigação.

 

Um cargueiro com tanque de oxigénio para doentes com COVID-19 parte esta segunda-feira de Angola para Moçambique.

A informação sobre a oferta do referido gás para sustentar a respiração dos doentes infectados pelo novo Coronavírus, foi avançada pela Presidência da República de Moçambique, em nota enviada ao “O País”.

O documento avança ainda que o Chefe do Estado, Filipe Nyusi, manteve este domingo uma interacção telefónica com o seu homólogo de Angola, João Lourenço, no quadro das consultas bilaterais.

Durante a conversa, Filipe Nyusi e João Lourenço trocaram informações sobre a evolução da COVID-19 nos dois países, assim como na região, e o seu impacto nas respectivas economias.

Nyusi “agradeceu ao seu homólogo angolano pelo apoio no combate à COVID-19, através da disponibilização de um tanque de oxigénio. E parte amanhã [segunda-feira] num cargueiro militar, com destino a Moçambique”, lê-se na nota.

Angola regista 20.329 casos, com 491 óbitos, 18.790 recuperados e 1.048 activos (actualização de sábado).

Moçambique tem um cumulativo de 49.451, dos quais 525 óbitos, 31.506 recuperados e 17.416 casos activos (actualização de sábado).

“Os governantes trocaram igualmente informações sobre a segurança prevalecente nos dois países, tendo o Presidente Nyusi actualizado ao Presidente João Lourenço sobre a situação em Moçambique, com enfoque para as acções de combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado”.

Os governantes comprometeram-se em continuar a manter consultas com regularidade e a fortalecer a cooperação entre os dois países irmãos.

O adiamento do encontro, inicialmente previsto para Março próximo, foi endossado esta sexta-feira, durante a reunião da Troika da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).

A deliberação para que o evento tenha lugar em “Maio ou Junho” de 2021 foi tomada pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da Troika, órgão composto por Moçambique, Malawi e Tanzânia, “depois de debate de cerca de meia hora em vídeo-conferência”.

“O encontro não só propôs novas datas da cimeira, como também sugeriu que decorresse em formato virtual, se a pandemia do COVID-19 piorar”, diz um comunicado enviado ao “O País”.

A ministra de Estado dos Negócios Estrangeiros da República Democrática do Congo, Marie Tumba Nzeza, veio a Moçambique pedir apoio à candidatura do seu país ao cargo de secretário executivo da SADC.

A governante é enviada especial do Presidente Félix Antoine Tshisekedi Tshilombo, de acordo com uma nota enviada ao “O País”. Esta sexta-feira, foi recebida em audiência pelo Presidente da República, Filipe Nyusi.

Manuel Gonçalves, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, disse que a homóloga do Congo “trazia uma mensagem” para o Chefe do Estado, para pedir o apoio de Moçambique à candidatura a secretário executivo da SADC”, cargo para o qual Botswana é também candidato.

Filipe Nyusi “tomou nota” da solicitação e pediu para que os presidentes da República Democrática do Congo e do Botswana continuem a articular em busca de consenso para facilitar a escolha do novo secretário executivo da SADC.

Na ocasião, o Chefe do Estado e a ministra de Estado dos Negócios Estrangeiros da República Democrática do Congo falaram de outras matérias de interesses para os dois países, entre elas a pandemia da COVID-19, que preocupa a região e o mundo, segundo Manuel Gonçalves.

As partes falaram ainda sobre o terrorismo, porquanto é “um desafio para os dois países”. Por isso, vincou a necessidade de se “continuarem a trocar informações” sobre o mal.

No encontro, Nyusi pediu também o apoio da República Democrática do Congo no suporte da candidatura de Moçambique a membro não-permanente no Conselho de Segurança das Nações.

A terceira sessão ordinária da Assembleia da República, IX Legislatura, arranca no dia 25 de Fevereiro corrente e prolongar-se-á até 13 de Maio próximo, anunciou o porta-voz da Comissão Permanente, Alberto Mutukutuko, esta terça-feira.

Durante 25 semanas, serão discutidas, analisadas e aprovadas várias matérias. Neste momento, pelo menos 26 já foram arroladas, com destaque para as “informações do Governo, as perguntas ao Governo e a Conta Geral do Estado de 2019”.

Constam igualmente a informação anual da Procuradora-Geral da República, “o Projecto de Lei do Estatuto do Funcionário e Agente Parlamentar, a Proposta de Lei da Comunicação Social e a Proposta de Lei de Radiodifusão”, disse o porta-voz da Comissão Permanente da Assembleia da República.

A Comissão Permanente é o órgão da Assembleia da República que coordena as actividades do plenário, das suas comissões, dos gabinetes parlamentares, dos grupos nacionais parlamentares, das ligas de amizade, entre outras competências.

No encontro desta terça-feira, os membros da comissão decidiram que, após a abertura da terceira sessão ordinária da chamada “Casa do Povo”, as sessões plenárias só acontecerão a partir do dia 10 de Março.

A interrupção visa permitir que as comissões especializadas do Parlamento preparem os pareceres relativos às matérias a serem apreciadas ao longo dos trabalhos que iniciam no dia 25 deste mês.

O compromisso foi assumido no encerramento da 34ª cimeira dos chefes de Estado e de Governo da União Africana. A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, disse que se pretende valorizar o património histórico e cultural.

No evento, foi aprovado o lema que irá orientar várias actividades no continente, durante o ano de 2021, que é “Artes, Cultura e Património da Humanidade: Alavancas para a Construção da África que Queremos”.

Segundo a ministra, espera-se que com o tema haja galvanização das atenções para a “valorização e promoção do imenso património histórico e cultural do nosso continente, que é berço da humanidade”.

No país, “a preservação de tais tesouros” inclui a protecção da Ilha de Moçambique, da timbila, da gastronomia, do acervo escrito, da pintura e de várias manifestações religiosas para a “convivência inter-religiosa e coesão entre os moçambicanos”, explicou a governante.

No evento, disse Verónica Macamo, o Presidente da República assumiu um compromisso ligado ao sector da cultura. Apelou aos outros governantes para acelerarem a ratificação da Carta Renascimento Cultural Africano, cuja implementação permitirá aos estados membros alavancar iniciativas nos domínios da cultura e do turismo em toda a sua cadeia de valor.

Chama-se João Machava, nome de guerra atribuído pelo falecido líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e tem a patente de tenente-coronel. Foi logístico da base da “perdiz” em Mabote, província de Inhambane, até filiar-se à Junta Militar da Renamo, sob comando de Mariano Nhongo, ora isolado por falta de homens e apoio.

Leonardo Munguambe, ou simplesmente João Machava, foi um dos homens de confiança de Mariano Nhongo e diz que entrou para o movimento porque achava que a causa para os ataques armados em Manica e Sofala era justa. Por isso, segundo as suas palavras, juntou-se a Nhongo para defender os interesses do partido Renamo, mas ao meio do caminho desentendeu-se com o seu antigo líder.

“O programa, no geral”, era para resolver “os problemas dentro do partido” e “não andar a matar pessoas. Mas ter um dirigente como Mariano Nhongo, que não quer ouvir o que as pessoas falam, as coisas não correm bem”, disse João Machava, acrescentando que não tinha conhecimento de muitos dos problemas de que Nhongo falava.

O entrevistado alegou que se afastou do líder da Junta Militar da Renamo porque não concorda com os meios a que recorre para atingir os seus objectivos. Disse ainda que o projecto que lhe foi proposto já não tem pernas para andar, uma vez que muita gente que se juntou a Mariano Nhongo também desistiu, por causa do assassinato indiscriminado de civis.

João Machava narrou que a única base forte que apoiava Mariano Nhongo era a de Mabote, com mais de 170 homens, mas todos já se juntaram ao processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) por não acreditarem mais em Mariano Nhongo.

João Machava acredita que Mariano Nhongo está isolado porque mesmo quem ainda está impedido de sair da Junta Militar já não tem motivações para lutar pela causa que lhe foi incutida.

Questionado sobre quem realmente apoia Mariano Nhongo, o entrevistado do “O País” afirmou que, actualmente, o homem mais procurado pelas Forças de Defesa e Segurança, em Manica e Sofala, encontra-se abandonado e vive de favores ou boa vontade de pessoas que lhe dão de comer.

Machava garantiu que não tem contacto com Mariano Nhongo desde o início do ano passado e deixou um recado para o seu antigo líder: “eu se fosse Mariano Nhongo, não precisaria ser perseguido”, mas sim, juntar-se ao processo do DDR “e resolver os problemas dentro do partido. Depois disso, não será perseguido”.

Na passada quinta-feira Machava regressou à sua casa para se juntar aos seus filhos e à mãe. A recepção foi marcada por amor e carinho para quem viveu anos nas matas na companhia de uma arma.

Machava estava longe da sua família desde 2014, altura em que começaram os ataques armados atribuídos à Renamo em alguns pontos da província de Inhambane. Agora aceitou ser desarmado, desmobilizado e reintegrado na sua comunidade porque, segundo explicou, entendeu que, afinal, os motivos que o levaram a filiar-se à Junta Militar da Renamo não eram os mesmos defendidos por Afonso Dhlakama. No partido foi bem recebido.

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