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O País – A verdade como notícia

MDM acusado de enfraquecer fóruns internos de debate

Um dos membros fundadores do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) e actual chefe nacional-adjunto do Poder Local acusa a direcção do partido de reduzir significativamente a realização de reuniões dos órgãos internos, situação que, segundo defende, está a enfraquecer o debate e a dinâmica da organização. Falando esta sexta-feira, na

O compromisso foi assumido no encerramento da 34ª cimeira dos chefes de Estado e de Governo da União Africana. A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, disse que se pretende valorizar o património histórico e cultural.

No evento, foi aprovado o lema que irá orientar várias actividades no continente, durante o ano de 2021, que é “Artes, Cultura e Património da Humanidade: Alavancas para a Construção da África que Queremos”.

Segundo a ministra, espera-se que com o tema haja galvanização das atenções para a “valorização e promoção do imenso património histórico e cultural do nosso continente, que é berço da humanidade”.

No país, “a preservação de tais tesouros” inclui a protecção da Ilha de Moçambique, da timbila, da gastronomia, do acervo escrito, da pintura e de várias manifestações religiosas para a “convivência inter-religiosa e coesão entre os moçambicanos”, explicou a governante.

No evento, disse Verónica Macamo, o Presidente da República assumiu um compromisso ligado ao sector da cultura. Apelou aos outros governantes para acelerarem a ratificação da Carta Renascimento Cultural Africano, cuja implementação permitirá aos estados membros alavancar iniciativas nos domínios da cultura e do turismo em toda a sua cadeia de valor.

Chama-se João Machava, nome de guerra atribuído pelo falecido líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e tem a patente de tenente-coronel. Foi logístico da base da “perdiz” em Mabote, província de Inhambane, até filiar-se à Junta Militar da Renamo, sob comando de Mariano Nhongo, ora isolado por falta de homens e apoio.

Leonardo Munguambe, ou simplesmente João Machava, foi um dos homens de confiança de Mariano Nhongo e diz que entrou para o movimento porque achava que a causa para os ataques armados em Manica e Sofala era justa. Por isso, segundo as suas palavras, juntou-se a Nhongo para defender os interesses do partido Renamo, mas ao meio do caminho desentendeu-se com o seu antigo líder.

“O programa, no geral”, era para resolver “os problemas dentro do partido” e “não andar a matar pessoas. Mas ter um dirigente como Mariano Nhongo, que não quer ouvir o que as pessoas falam, as coisas não correm bem”, disse João Machava, acrescentando que não tinha conhecimento de muitos dos problemas de que Nhongo falava.

O entrevistado alegou que se afastou do líder da Junta Militar da Renamo porque não concorda com os meios a que recorre para atingir os seus objectivos. Disse ainda que o projecto que lhe foi proposto já não tem pernas para andar, uma vez que muita gente que se juntou a Mariano Nhongo também desistiu, por causa do assassinato indiscriminado de civis.

João Machava narrou que a única base forte que apoiava Mariano Nhongo era a de Mabote, com mais de 170 homens, mas todos já se juntaram ao processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) por não acreditarem mais em Mariano Nhongo.

João Machava acredita que Mariano Nhongo está isolado porque mesmo quem ainda está impedido de sair da Junta Militar já não tem motivações para lutar pela causa que lhe foi incutida.

Questionado sobre quem realmente apoia Mariano Nhongo, o entrevistado do “O País” afirmou que, actualmente, o homem mais procurado pelas Forças de Defesa e Segurança, em Manica e Sofala, encontra-se abandonado e vive de favores ou boa vontade de pessoas que lhe dão de comer.

Machava garantiu que não tem contacto com Mariano Nhongo desde o início do ano passado e deixou um recado para o seu antigo líder: “eu se fosse Mariano Nhongo, não precisaria ser perseguido”, mas sim, juntar-se ao processo do DDR “e resolver os problemas dentro do partido. Depois disso, não será perseguido”.

Na passada quinta-feira Machava regressou à sua casa para se juntar aos seus filhos e à mãe. A recepção foi marcada por amor e carinho para quem viveu anos nas matas na companhia de uma arma.

Machava estava longe da sua família desde 2014, altura em que começaram os ataques armados atribuídos à Renamo em alguns pontos da província de Inhambane. Agora aceitou ser desarmado, desmobilizado e reintegrado na sua comunidade porque, segundo explicou, entendeu que, afinal, os motivos que o levaram a filiar-se à Junta Militar da Renamo não eram os mesmos defendidos por Afonso Dhlakama. No partido foi bem recebido.

O Presidente da República espera manifestação de “firme propósito” da parte da União Africana na luta contra o terrorismo em Cabo Delgado. Filipe Nyusi expressou o desejo durante a abertura da 34ª cimeira do órgão, que decorre de forma virtual desde sábado, com término previsto para este domingo.

Desde a eclosão do terrorismo em Cabo Delgado, há mais de três anos, a União Africana ainda não se pronunciou em relação a algum apoio concreto ao país.

Na busca pela assistência logística, capacitação e treinamento das Forças de Defesa e Segurança, Moçambique formulou um pedido à União Europeia. Entretanto, Filipe Nyusi acredita que a União Africana ainda pode fazer a sua parte, de forma específica, para ajudar no combate ao terrorismo em Cabo Delgado.

No primeiro dia da 34ª cimeira dos chefes de Estado e de Governo da União Africana, Filipe Nyusi abordou a questão do terrorismo em Cabo Delgado, como um dos problemas que o país quer eliminar.

“Em relação aos desafios da área de paz e segurança, permitam-me realçar, perante esta augusta assembleia [da União Africana], a ameaça do terrorismo e o radicalismo violento que o meu país tem vindo a ser vítima”, afirmou o Chefe do Estado, sem, no entanto, deixar de expressar gratidão pela disponibilidade em apoiar Moçambique, manifestada por alguns países do continente.

“Queremos manifestar a nossa imensa gratidão pelo apoio e pela solidariedade que temos vindo a receber, por parte da nossa região, como de grande parte dos países irmãos, aqui presentes [na União Africana]”, disse o Presidente da República, reiterando que o povo “é grato pelos apoios para fazer face às vicissitudes humanitárias, às mortes e à destruição perpetuadas por esses actores [terroristas] sem rosto”.

Prosseguindo, o Chefe do Estado disse que os moçambicanos estavam “seguros” de que, além de repudiar, a cimeira da União Africana iria manifestar “firme propósito” de erradicar “estes agentes do mal e os seus catalisadores, onde quer que eles se escondam, no nosso continente”.

Filipe Nyusi assegurou que o país vai “manter informado o comité de paz e segurança da União Africana, sobre este assunto [terrorismo]”.

Ainda de acordo com o Presidente da República, Moçambique quer integrar o Conselho de Segurança das Nações Unidas. “A importância que damos à paz impeliu-nos a nos candidatar como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU”.

NYUSI ENALTECE ESFORÇOS DA UA CONTRA COVID-19

Com o novo Coronavírus a devastar o mundo e o continente africano, em particular, o debate sobre a pandemia e os mecanismos para o seu combate no continente foi uma das principais discussões na abertura da 34ª sessão dos chefes de Estado e de Governo da União Africana.

Filipe Nyusi saudou os esforços empreendidos por Cyril Ramaphosa, enquanto presidente da organização.

“O início, ainda neste mês, da distribuição de cerca de 90 milhões de doses da vacina da COVID-19, no âmbito da iniciativa COVAX, visando cobrir cerca de 3% da população, particularmente os grupos mais vulneráveis e os profissionais da linha da frente, é a maior campanha de vacinação simultânea no nosso continente, sob vossa liderança”, reconheceu Nyusi.

“Moçambique como país, e presidindo a SADC, está a fazer de tudo para que o plano de imunização, bem como os sistemas de armazenamento e distribuição nacional e regional permitam que as vacinas possam, rapidamente, transitar do ponto de entrada para os beneficiários. O nosso povo”, explicou Nyusi.

Num outro desenvolvimento, o estadista moçambicano considerou que “com o lema «Artes Cultura e Património da Humanidade: Alavanca Para a Construção de uma África que Queremos», neste mosaico multiétnico que é o continente africano, as fronteiras perdem o seu simbolismo de separação e divisão. Quando olhamos para nós como um povo único, como uma entidade cultural distinta, o que nos une como povo africano é mais forte que as nossas diferenças”.

“Apesar de sermos 54 entidades soberanas distintas, culturalmente somos um todo, uma manifestação do ideal do panafricanismo. É a isto que chamamos de cultura africana”, disse Nyusi, para quem a dimensão cultural é determinante na construção histórica.

“Podemos dizer, sem receios, que o património artístico e cultural pode ser base para a promoção da paz e desenvolvimento”, entende o estadista moçambicano, para quem “a inspiração do futuro em África reside nas artes e cultura e no património”.

Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, já passou a presidência do órgão a Feliz Tshisekedi, presidente da República Democrática do Congo.

Uma das importantes decisões tomadas na reunião é o alargamento do período para a concretização do plano “o silenciar das Armas em África”, para mais 10 anos. Isto é, 2020-2030.

O plano tinha sido acordado para 2013-2020, com vista ao compromisso comum de erradicar a violência armada no continente. Entretanto, fracassou.

A União Africana reconhece fracasso no plano em referência, que tinha sido traçado para o silenciar das armas no continente até 2020. Moussa Faki, presidente da Comissão da União Africana, pede mais esforços para que haja o fim dos conflitos armados que mancham a África.

Em 2013, a União Africana adoptou um plano que visava o silenciar das armas até 2020. Oito anos depois, a organização reconhece que o plano falhou devido à violência armada que ainda prevalece em vários países do continente, tal é o caso de Moçambique, onde terroristas protagonizam ataques em Cabo Delgado, desde Outubro de 2017. Há ainda os ataques armados atribuídos à Junta Militar da Renamo, em Manica e Sofala.

Diante desta realidade, o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki, afirma: “O ano transacto foi dedicado ao silenciar das armas em África. Mas, olhando para o ponto de situação agora, percorremos apenas meia distância”.

Moussa Faki, que falava durante a 38ª reunião do Conselho Executivo da União Africana, justificou a posição dizendo que no continente africano “ainda existem conflitos pós-eleitorais, situações de ataques de grupos armados e persistem casos de violação de direitos humanos”.

Para o dirigente, “os Estados-membros que são apoiados pela União Africana devem melhorar as suas acções” no que diz respeito “ao que enferma os seus países”.

Na reunião virtual do Conselho Executivo da União Africana, Moçambique está representado pela ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo.

No encontro que que iniciou esta quarta e termina esta quinta-feira, o Conselho Executivo da União Africana reconheceu ser necessária a contínua mobilização de vacinas contra a COVID-19 para o continente, uma vez que os casos da doença continuam a subir.

Rendição foi a mensagem de força eleita por Filipe Nyusi para transmitir aos moçambicanos, no dia em que o país prestou homenagem aos heróis nacionais. O Presidente da República garante que não haverá retaliação contra os jovens que deciderem desmembrar-se das fileiras do terrorismo em Cabo Delgado e dos ataques armados atribuídos à Junta Militara da Renamo em Manica e Sofala.

O país “parou” hoje para recordar os homens e mulheres que, inconformados com a opressão colonial, arriscaram suas vidas para conduzir a pátria à conquista da independência. Mas o feriado nacional coincide com a passagem dos 52 anos da morte de Eduardo Mondlane, considerado arquitecto da unidade nacional, vítima de uma bomba colocada num livro, a 3 de Fevereiro de 1969, em Dar-es-Salaam, na Tanzânia, reza a história.

 

Discursando a partir da Praça dos Heróis na cidade de Maputo, o Chefe do Estado apontou os desafios que ameaçam as conquistas da Nação. “Entre os desafios com que nos debatemos na actualidade e que inspirados nos nossos heróis temos a convicção de os superar, destacamos o combate contra o terrorismo, a eliminação dos ataques armados da Junta Militar da Renamo, a resposta à COVID-19 e aos efeitos das mudanças climáticas”, introduziu o Chefe de Estado.

Sobre o terrorismo, o Presidente da República usou da ocasião para chamar à consciência “os nossos concidadãos, na maioria jovens, dos 14 aos 20 anos, recrutados pelos terroristas, a não heristarem quanto ao seu retorno às suas famílias, como têm manifestado nos últimos tempos”, no sentido de se “juntar às suas comunidades”.

Mas o Comandante-em-Chefe das Forças de Defesa e Segurança sabe que os visados podem temer retaliações ao tomar essa decisão, pelo que deixou uma garantia: “as estruturas locais e as Forças de Defesa e Segurança tudo farão para vos receber em segurança e garantir o vosso enquadramento”.

Do norte ao centro do país, Filipe Nyusi começou por considerar os ataques protagonizados pela Junta Militar da Renamo “uma afronta ao desejo dos moçambicanos de viver em paz e harmonia”.

Também sobre este assunto apelou, mais uma vez, a Junta Militar para depor as armas e juntar-se ao processo do Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) em curso, sobretudo, neste momento em que grande parte das pessoas que compõem o movimento “estão a ganhar a consciência de que a solução mais acertada é todos os irmãos da Renamo juntarem” ao processo.

O Governo assume a sua responsabilidade de, em conjunto “com a direcção da Renamo e com o apoio da comunidade internacional, continuar a “desarmar, desmobilizar e reintegrar, convenientemente, os ex-guerrilheiros da Renamo”, conforme o acordo alcançado por via do diálogo.

Não se fala hoje de desafios sem mencionar a pandemia da COVID-19. Na visão do Presidente da República, a pandemia é “um verdadeiro flagelo sanitário de dimensões sem precedentes”.

Com o país num ritmo de contaminação acelerada, Nyusi reconhece que desde a sua última comunicação à Nação, a 13 de Janeiro, a tendência de subida galopante das infecções não mudou para o melhor, simplesmente, agravou-se.

“Registam-se mais casos de contaminações, mais hospitalizações e eleva-se o número de óbitos. O país está a ver-se na contigência de adoptar medidas cada vez mais restritivas para o bem colectivo”, disse Filipe Nyusi, prometendo falar à Nação sobre o assunto esta quinta-feira.

No que aos danos impostos pela natureza diz respeito, nos últimos anos, Moçambique tem sido “frequentemente fustigado” por intempéries (ciclones tropicais, ventos e chuvas fortes) resultantes das mudanças climáticas, disse Nyusi.

“Depois de termos sido afectados por dois ciclones, Idai e Keneth, em 2019, voltamos a ser fustigados pelo ciclone «Chalane» e «Eloise», na época chuvosa 2020/2021”, afirmou o Chefe do Estado, avançando que o «Eloise» “interrompeu o funcionamento normal dos serviços de educação, saúde, fornecimento de água e energia, comunicações entre outras”.

De acordo com Nyusi, “o ciclone perturbou as actividades de subsistência e com as inundações destruiu milhares de culturas agrícolas e interrompeu vias de comunicação e destruiu vias de acesso e outros edifícios públicos e privados”.

A União Africana decidiu, hoje, que a próxima cimeira, antes prevista para ter lugar em Maputo, já não será presencial, devido à rápida contaminação e propagação do novo Coronavírus no continente. A reunião será no formato virtual.

A decisão foi tomada este sábado, durante uma reunião virtual que juntou chefes de Estado e de Governo da União Africana e presidentes das Comunidades Económicas Regionais, cuja agenda era discutir as modalidades de realização da trigésima quarta cimeira da União Africana.

A delegação moçambicana foi chefiada pelo primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, acompanhado pelo ministro da Saúde, Armindo Tiago; e pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Manuel Gonçalves. Durante a sessão, o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças apresentou a situação da COVID-19 no continente. A média de 9infecções, segundo a informação tornada pública no evento, chega a 36 mil casos diários e pouco mais de 20 mil óbitos.

Perante esta realidade, Moçambique tomou uma posição sobre como deve ser realizada a trigésima quarta cimeira da União Africana, prevista para os dias 6 e 7 de Fevereiro próximo.

“Face a este cenário preocupante, reiteramos a nossa opinião em torno da necessidade de equacionarmos a realização da próxima cimeira da União Africana no formato virtual, como primeira opção e com uma agenda que se cinja nos aspectos cruciais da nossa organização”, opinou o Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, acrescentando que, em relação à eleição dos membros da comissão africana, “se houver algum conforto por parte dos restantes integrantes, poder-se-á proceder com a votação à distância, ou seja, online”.

Volvidos alguns minutos de concertação à porta-fechada, os participantes da cerimónia chegaram a um consenso. “Tendo em conta o nível de contaminação pelo novo Coronavírus aqui em África decidiu se que 34ª cimeira seria de forma virtual”, revelou Manuel Gonçalves, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.

Um dos objectivos do evento é eleger o Presidente e Vice-presidente da Comissão Africana assim como os seis comissários que compõem a liderança do órgão, mas o novo Coronavírus também vai merecer a atenção.

“Tendo em conta a actual situação, vai se fazer análise para vermos como é que África pode enfrentar esse desafio”, indicou Manual Gonçalves.

E na perseguição desse desafio, o vice-ministro dos Negócios Estrageiros e Cooperação diz que o continente está na mesma rota que os outros países que é de perseguir a vacina, mas “primeiro vamos reduzir os níveis de contaminação e a seguir entramos no movimento de aquisição de vacinas”.
Moçambique participou desta sessão na qualidade de presidente da Comunidade Económica Regional, SADC.

O Chefe do Estado, Filipe Nyusi, endereçou uma mensagem de felicitações ao homólogo Marcelo Rebelo de Sousa, reeleito ao cargo de Presidente da República portuguesa, no escrutínio de 24 de Janeiro em curso.

 Filipe Nyusi refere que foi com muita satisfação que Moçambique tomou conhecimento da “vitória confortável” de Marcelo Rebelo de Sousa, “nas eleições que o reconduzem para o prestigiado cargo de Presidente da República portuguesa, para os próximos anos, como resultado da vontade expressa da maioria dos portugueses e, acima de tudo, como prova do seu desempenho no mandato que ora terminou”.

“Estou certo de que, mais uma vez, sob Vossa sábia liderança, Portugal vai continuar a promover e reforçar as excelentes relações de amizade, solidariedade e de cooperação existentes entre os nossos dois países, assentes no respeito, confiança e benefícios mútuos em prol do progresso e bem-estar dos nossos respectivos povos e, não só”, lê-se na mensagem do Presidente da República, ao seu homólogo Marcelo de Rebelo de Sousa.

“Aproveito esta ocasião para manifestar o nosso total interesse de, tão breve quanto as condições o permitam, em realizar no decurso do presente ano de 2021, um encontro de trabalho no âmbito das nossas tradicionais cimeiras bilaterais o que, certamente, irá proporcionar mais uma oportunidade para discutirmos mecanismos de reforço e diversificação das nossas relações bilaterais, alicerçadas nas profundas raízes culturais e históricas que nos unem”, escreve o Chefe do Estado moçambicano, segundo um anota enviada ao “O País”.

A Lei Eleitoral não deve ser mexida nas vésperas das eleições porque este é um dos factores para lacunas na legislação. Esta ideia é defendida por Éssita Sigaúque, Quitéria Grengane e Lorena Mazive, que debateram a composição da CNE e os seus desafios no programa Opinião no Feminino, na Stv Notícias.
Três vozes femininas juntaram-se para deixar a sua opinião no programa Opinião no Feminino do canal de televisão Stv e o pano de fundo era a nova composição da Comissão Nacional de Eleições e os desafios para este órgão eleitoral.

Éssita Sigaúque, Quitéria Grengane e Lorena Mazive são unánimes na ideia de que a Comissão Nacional de Eleições recentemente constituída deve se antecipar para que os habituais conflitos não venham ao de cima.

A reflexão e a revisão da legislação são aspectos que devem ser antecipados pela CNE.

“Não é a composição da CNE que é problema, mas é a forma de actuação desta instituição e dos seus agentes. O partido Frelimo que é a maioria na Comissão Nacional de Eleições, que não use nesta instituição, a ditadura do voto para fazer valer as suas opiniões”, alerta Lorena Mazive.

Éssita Sigaúque diz não fazer sentido que os partidos representados na CNE tenham reclamações porque a composição deste órgão é aprovada por todos.
“Quando começam a sair os resultados é que começamos a contestar, não somente os resultados, como o processo todo, incluíndo a composição. Daí que eu pergunto: será que não estamos a começar por fim?”, questiona Sigaúque, contrariada por Quitéria Guiringane, que diz que “desde a primeira fase, os actores apresentam uma série de reclamações, contando a partir do recenseamento eleitoral”.

Guiringane faz alusão ao número de recenseados na província de Gaza no último censo eleitoral, onde houve reclamações de o número de recenseados ser maior que o número de residentes da província.

Na opinião destas comentadoras, é certo qaue a lei tem lacunas e o facto de a CNE ser dirigida por uma figura religiosa, tal como tem sido nos mandatos passados, devia ser motivo de maior confiança.

Lorena Mazive vai mais longe e diz que o país não está preparado para introduzir a eleição de administradores em 2024.

“Todo o corpo do conselho executivo provincial ainda não está claro sobre as suas atribuições e competências, daí é que pode ser, talvez, cedo, para avançarmos com a eleição de administradores distritais em 2024”. Mazive refere-se também ao facto de só a província de Gaza ter 22 distritos, considerando que a se eleger administradores distritais em todo o país, haverá altos custos.

A nova composição da CNE e os seus desafios foi um dos temas de debate no programa Opinião no Feminino desta quinta-feira.

O Presidente da República apelou hoje ao presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) e seus vice-presidentes a pautarem pela transparência e o equilíbrio das emoções. Filipe Nyusi já conferiu posse ao novo elenco que vai presidir o órgão.

Três figuras, como é de lei, na direcção da CNE: Carlos Matsinhe, que vai presidir o órgão, e os vice-presidentes Alberto Cauiu e Fernando Mazanga. Na tomada de posse do elenco, que decorreu ontem, Filipe Nyusi voltou a apelar sobre a necessidade da transparência.

“Na tomada de decisões do órgão, tenham como guia o diálogo e a busca de consensos. Privilegiem a tolerância, isenção, calma, serenidade, justiça e transparência em todos os actos que praticarem no exercício do mesmo e tenham alta capacidade de ponderação e gestão de emoções, sem prejuízo dos prazos estipulados na lei”, afirmou o Presidente.

Para Filipe Nyusi, como presidente e vice-presidentes da CNE, têm, na qualidade de timoneiros, a “responsabilidade acrescida e exclusiva de coordenarem e dirigirem o órgão para o cumprimento integral da missão que lhes foi incumbida”, garantindo, igualmente, o cumprimento escrupuloso pacífico e com êxito de ciclo eleitoral na base de tratamento igual para todos.

“Senhor presidente da CNE e senhores vice-presidentes. Já tivemos oportunidade de explicar a nossa visão para o órgão responsável pela supervisão dos recenseamentos e dos actos eleitorais quando vos empossamos como membros da CNE, pelo que não iremos nos repetir”, assinalou Nyusi, realçando:

“Exortamos para que no exercício das vossas funções procurem, primeiro, proceder ao levantamento dos dispositivos legais desajustados para o bom termo dos processos eleitorais e incentivar os órgãos com a iniciativa de lei para um código de ética eleitoral”, expôs.

Ao discursar durante o empossamento das três individualidades que passam a coordenar a CNE, o Chefe de Estado sublinhou que está completo o processo que dá início a uma nova fase determinante para os desafios impostos com o processo de descentralização.

Nyusi reiterou ainda, que a acção da direcção da CNE será determinante para proporcionar um ambiente são, harmonioso, de partilha de informação e de trabalho de equipa, no desenvolvimento das actividades do órgão, bem como promover todas as sensibilidades políticas dos actores no processo eleitoral, em toda sua cadeia do funcionamento.

“Esta responsabilidade requer ainda de vós, a realização das vossas funções e coordenação dos seus correligionários, com idoneidade, independência, imparcialidade, objectividade, competência e zelo”, sublinhou.

Entre outras recomendações deixadas pelo Presidente Nyusi a Carlos Matsinhe e sua equipa, consta, igualmente, a necessidade de profissionalização dos órgãos de administração eleitoral e a garantia à continuidade da memória institucional dos órgãos de administração eleitoral a todos os níveis.

“Aprimorem a vossa estratégia de comunicação para que os eleitores e o público em geral entendam a importância de eleger e ser eleito; conheçam os procedimentos anteriores e posteriores ao acto de votação, bem como os critérios para o apuramento dos processos eleitorais”, acrescentou.

No fim do discurso, Nyusi parafraseou seu discurso ao expressar:

“Lembrem sempre, nem sempre vossas vontades hão-de ir ao encontro daquilo que o povo moçambicano quer. Mas quando o povo assim decidir, esta é a vontade do povo”.

Carlos Matsinhe, presidente da CNE, afirmou o seguinte: “desejamos que o nosso mandato seja aquilo que o povo moçambicano espera, que é de trabalhar no sentido de credibilizar cada vez mais o trabalho da CNE e produzir resultados que contribuam para o crescimento da democracia e paz”.

Carlos Cauiu, vice-presidente da CNE, entende que a missão é cumprir a recomendações deixadas pelo Presidente da República e exercer a mesma tarefa “com zelo e dedicação”.

Fernando Mazanga, vice-presidente da CNE, o desafio é credibilizar o órgão eleitoral. “Temos um desafio muito grande que é de credibilizar o órgão, uma vez que como sabemos, temos sido criticados pela sociedade e pelos jornalistas e, de um modo geral, dos moçambicanos. Nossa função é privilegiar todo povo em todos os trabalhos”.

Abdul Carimo, ex-presidente da CNE, disse: “saio de consciência tranquila. Os processos correram bem. O país está bem. As instituições estão a funcionar. Eu penso que tudo está bem, não houve nenhum problema. Graças a Deus, tudo correu bem”.

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