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O País – A verdade como notícia

 “O segredo de Moçambique são os comités locais”, PR sobre mudanças climáticas

O Chefe de Estado foi distinguido na Beira como Campeão de Gestão de Risco de Desastres da União Africana e dedicou homenagem ao povo moçambicano. O Presidente da República falava nesta  quinta-feira(15.10.2026), na cidade da Beira durante   o primeiro Congresso Internacional da Acção Humanitária e Cooperação, sob o lema

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, procedeu, esta quinta-feira, ao lançamento do “DELPAZ” – Desenvolvimento Local para a Consolidação da Paz em Moçambique. Trata-se de um programa financiado pela União Europeia no valor de 25 milhões de Euros, com um co-financiamento adicional de um milhão de Euros disponibilizados pela Áustria.

Com a duração de quatro anos (2021 – 2025), o “DELPAZ” é implementado pelo Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Capital (UNCDF), pela Agência Austríaca para o Desenvolvimento (ADA) e pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS).

O programa tem como objectivo contribuir para a melhoria da governação local inclusiva e a recuperação económica das comunidades rurais em 14 distritos e municípios afectados pela insegurança político-militar nas províncias de Manica, Sofala e Tete.

Intervindo na ocasião, Verónica Macamo disse que o programa “DELPAZ” é um projecto de grande complexidade e abrangência, pois compreende vários aspectos da sociedade, nomeadamente, a construção e promoção da paz, a inclusão social, o empoderamento da mulher, governação, o desenvolvimento local e de infra-estruturas.

Segundo a ministra, o “DELPAZ” contribuirá nos esforços do Governo para o desenvolvimento sustentável, inclusivo, para a redução da pobreza e da vulnerabilidade dos distritos benificiários em particular, e no país de modo geral.

Por seu turno, o embaixador da União Europeia, Antonio Sánchez-Benedito Gaspar, afirmou que a União Europeia sempre esteve empenhada no processo de Paz e Reconciliação Nacional em Moçambique.

“O DELPAZ é parte desse amplo compromisso ao qual disponibilizámos 62 milhões de Euros. As intervenções do DELPAZ nas três províncias vão promover um desenvolvimento mais equitativo das comunidades afectadas pela insegurança e estimular a recuperação económica local, através de mais investimentos públicos, prestação de serviços e oportunidades para mulheres, jovens e indivíduos desmobilizados e suas famílias. Noutra vertente, o programa vai acompanhar as autoridades locais na melhoria da governação local por via da capacitação, inclusão e promoção do diálogo para a paz”, afirmou Gaspar.

Já o representante do UNCDF em Moçambique, Ramon Cervera, vê o “DELPAZ” como uma excelente plataforma liderada pelo Governo, onde os Governos locais e as comunidades podem encontrar-se, discutir e priorizar as oportunidades de desenvolvimento social e económico.

“O papel do UNCDF é apoiar as autoridades no reforço da inclusão de vozes e experiências de desenvolvimento locais nos processos de governação e ciclos de investimentos, como uma base sólida para promover a paz duradoura e o desenvolvimento sustentável inclusivo”, afirmou Cervera.

O embaixador da Itália, Gianni Bardini, considera que o seu país continua a desempenhar um papel crucial no programa “DELPAZ”, através das sólidas parcerias da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento com os actores locais, institucionais e não institucionais das províncias de Manica e Tete, e de uma forma coerente, o seu compromisso em apoiar o Processo de Paz em Moçambique, que começou com os Acordos de Roma e tem continuado ao longo dos anos através das numerosas iniciativas de cooperação com foco nas áreas mais afectadas pela violência e suas consequências.

Do lado da Áustria, Hubert Neuwirth, mostrou-se grato pela confiança que o Conselho Executivo Provincial de Sofala e a União Europeia depositaram na parceria e nos conhecimentos especializados da Áustria.

“Até ao final do programa, em Dezembro de 2024, estou confiante de que as actividades levadas a cabo terão contribuído para uma melhor subsistência, maior segurança alimentar e paz e segurança nas comunidades”, sublinhou Neuwirth, acrescentando ainda o enfoque especial nas mulheres, para que elas não sejam apenas beneficiárias, mas tenham um papel mais proeminente nos processos de planeamento distrital e de tomada de decisão.

O Programa DELPAZ terá o seu núcleo de acção ao nível provincial e distrital, mas trará um contributo ao nível nacional através do apoio a aprendizagens em termos de políticas, estudos e divulgação de informação sobre reformas de descentralização e iniciativas de construção da paz em Moçambique.

No dia do lançamento do seu mais recente livro de contos, O caçador de elefantes invisíveis, na Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo, Mia Couto disse aos jornalistas que aproveitaram a ocasião para perguntar ao escritor o que acha da morte de Mariano Nhongo, o líder da Junta Militar da Renamo. Durante a breve conversa sobre o tema, Mia Couto começou por dizer que é comum nas grandes guerras civis, que se arrastam, a existência de dissidências, de gente que não aceita e que se revolta. Segundo o escritor, o que o grupo de Mariano Nhongo fazia era terrorismo, pois matavam civis em nome de uma ideia, de uma partilha de poder. “Portanto, não é aceitável”.

Esta quarta-feira, Mia Couto disse ainda “acho que está claro para todos nós que foi dado a este senhor todas as possibilidades de negociar, de se sentar. Não se pode legitimar esta via de que alguém que esteja em discordância com o Governo fabrique uma pequena guerra e, depois, tente com isso obter vantagem política. Está aberta uma democracia em Moçambique, em que as pessoas podem participar de uma outra maneira, de uma maneira cívica, sem usar a violência. Infelizmente, ele próprio, Nhongo, escolheu este fim”.

Com a morte de Mariano Nhongo, o escritor não sabe dizer se isso significa o fim ou não dos ataques no Centro país. “Não conheço a matéria. Acho que, mais uma vez, aqui tem de se fazer uma política ambivalente. Isto é, é preciso, mais uma vez, reprimir essa violência. O Estado não pode autorizar essa violência. É preciso continuar a abrir portas para esses outros queiram se juntar, render-se e ter essa crença que possam ser recebidos com justiça”.

Por fim, Mia Couto afirmou que é bom que as pessoas não se esqueçam de que as práticas da Junta Militar, durante muitos anos, foram sistematicamente protagonizas por um movimento que, num outro contexto, fazia uma guerra que era muito dirigida contra as pessoas que não eram militares.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, fez esses pronunciamentos ontem, em Maputo, durante a abertura do 3º Seminário Internacional da Conferência das Jurisdições de África. O Chefe de Estado defendeu o fim das tensões resultantes das eleições em África, pois, no seu entender, se trata de um momento de festa.

Na primeira vez em que o país acolhe um Seminário da Conferência das Jurisdições Constitucionais de África, evento que junta, em Maputo, presidentes e representantes dos Supremos Tribunais, Tribunais Constitucionais e Conselhos Constitucionais em África, o assunto escolhido para debate é a gestão dos processos eleitorais. Lúcia Ribeiro, presidente do Conselho Constitucional, defendeu que o evento ajudará na troca de experiências entre os países para evitar conflitos resultantes da realização de eleições.

“É nossa convicção que a qualidade das apresentações e a riqueza dos debates que se seguirão, mais do que identificar os problemas, vão permitir descobrir algumas soluções realistas e ajustadas à realidade do nosso continente e em outros quadrantes. Com a realização do simpósio no nosso país, estendemos a possibilidade de participação presencial aos juízes distritais e aos magistrados do Ministério Público junto dos tribunais distritais, que funcionam, no período eleitoral, como tribunais de primeira instância, e, ao mesmo tempo, endereçamos o convite à Comissão Nacional de Eleições, com idêntico propósito”, disse.

Convidado a discursar, Filipe Nyusi iniciou destacando que o evento decorre num mês particularmente especial para Moçambique que acaba de celebrar mais um aniversário dos Acordos de Paz de Roma, um marco que transformou os destinos dos moçambicanos.

“A implantação deste acordo provocou mudanças em Moçambique, sendo de destacar desde a organização do Estado e na construção da República. A partir do Acordo Geral de Paz, produzimos a base legal para a constituição e registo de partidos políticos, introduzimos o processo de eleições regulares de cinco em cinco anos e os órgãos eleitos exercem o poder político, de acordo com a duração do mandato previsto na Constituição da República. A realização das primeiras eleições gerais a 25 de Outubro de 1994, dois anos após a celebração dos Acordos, consagrou uma nova forma de participação política e eleição dos representantes do povo moçambicano. Desde então, foram realizados, sem interrupção, todos os pleitos eleitorais previstos, respeitando a vontade dos moçambicanos”, contextualizou o Chefe de Estado, para em seguida abordar o papel dos órgãos eleitorais e da media para a transparência das eleições em Moçambique.

“Registamos com agrado o papel importante desempenhado pelos órgãos de comunicação social e a cobertura que é dada através dos seus profissionais, com destaque para os jornalistas que acompanham todo o processo eleitoral desde a submissão de candidaturas, as campanhas eleitorais, o dia de votação, os recursos interpostos até ao dia de divulgação dos resultados. No que concerne à justiça eleitoral, uma das garantias do processo eleitoral é a independência dos órgãos de administração e o papel desempenhado pelos órgãos jurisdicionais.”

Porque os conflitos pós-eleitorais são uma realidade cada vez mais presente em África, Filipe Nyusi condenou o uso de meios ilegítimos para chegar ao poder. “Os pleitos eleitorais, no continente africano, não devem constituir a base de conflitos pós-eleitorais, mas sim um momento de festa para o povo que escolheu os seus dirigentes. Foi nesse sentido que os Chefes de Estado africanos, na carta constitutiva da União Africana, definiram como um dos objectivos da união promover os princípios e as instituições democráticas, a participação popular a boa governação. É no âmbito desses princípios, comummente aceites em África que temos vindo a reafirmar os postulados da carta constitutiva da União Africana e a Carta Africana da Democracia, condenando a utilização de meios ilegítimos e inconstitucionais de acesso ao poder político”, precisou.

O Terceiro Seminário Internacional da Conferência das Jurisdições Constitucionais de África tem duração de dois dias e é realizado sob lema “Justiça Eleitoral: transparência, inclusão e integridade do processo”.

O secretário-geral da Renamo, André Magibire, diz que o partido está aberto a receber os dissidentes que eram liderados por Mariano Nhongo na Junta Militar. André Magibire avança que são remotas as possibilidades de retaliação à morte de Nhongo e assegura que o partido vai participar no funeral do seu antigo militante.

O futuro dos homens filiados à Junta Militar foi o pano de fundo da entrevista que o secretário-geral da Renamo concedeu ao Programa Noite Informativa, da STV, esta terça-feira.

Sobre a possibilidade de retaliação à morte de Mariano Nhongo, André Magibire considera que “ é uma possibilidade, ainda que remota, o que nós queremos é que todos voltem porque não queremos falar de perigo, nem de retaliação, de vingança, porque a haver vingança teremos situações similares (…) que voltem a casa, que todos sejam desmobilizados, vamos trilhar este caminho da paz e da reconciliação nacional”.

Magibire não fala de reconciliação entre o partido liderado por Ossufo Momade e os militantes da Junta Militar, mas assegura abertura do partido para quem quiser regressar.

“Esta pretensão de que todos voltassem a casa nós já tivemos há bastante tempo, mesmo com Mariano Nhongo em vida, e continuamos a dizer voltem. Agora, isso cabe a eles perceberem que é preciso voltar. Nós temos as nossas representações, as nossas delegações políticas, é só ir e se apresentar e a liderança será comunicada e serão bem recebidos e encaminhados para o processo de DDR. Nós como partido estamos abertos para receber qualquer uma das pessoas para que juntos possamos trabalhar”, disse.

A Renamo assegura que o partido vai fazer-se representar nas exéquias do antigo estratega militar de Afonso Dhlakama.

De acordo com a Renamo, há registo de pelo menos 60 militantes da Junta Militar que já aderiram ao DDR.

Na sua mensagem alusiva ao dia do professor assinalado hoje, o Presidente da República, Filipe Nyusi, disse que ser professor não é somente um emprego, mas é uma vocação, uma missão nobre de construção de uma nação pelos seus principais pilares, que são o conhecimento, a cidadania responsável e o patriotismo, valores que são traves-mestras de uma sociedade que quer crescer em todas as vertentes.

De acordo com Nyusi, a missão de um professor não se circunscreve somente no ensino, mas é essencialmente uma missão educativa, de construção de cidadãos que se revêm na sua pátria e nos seus concidadãos, moldados para optar sempre por acções que visam o alcance de um bem comum cada vez melhor e comunitário.

“No nosso país, o professor desde sempre foi e será o farol de milhões de cidadãos que contribuem nas várias vertentes da construção da Nação, usando os conhecimentos por este transmitidos, fazendo deste profissional o elo que conecta Moçambique, porém com um único objectivo que é a construção do bem-estar colectivo”, lê-se na mensagem do Presidente da República.

Por ocasião do 12 de Outubro, Filipe Nyusi lembrou-se dos professores afectados pelas acções dos terroristas no norte da província de Cabo Delgado, que se viram impedidos de continuar com a sua missão.

“Como Governo, sempre envidaremos esforços para que a normalidade seja reposta em todo o território nacional, para que nenhum professor ou aluno tenha que abandonar a sua escola por qualquer motivo que seja. Por outro lado, o meu Governo continuará empenhado na melhoria das condições de trabalho e de vida de cada professor moçambicano, onde quer que se encontre afecto”, frisou Nyusi.

O Presidente da República terminou, agradecendo e reafirmando o respeito e reconhecimento do Governo pelo trabalho abnegado de todos os professores que dão o melhor de si para a formação dos cidadãos para sua participação activa na construção do país.

O académico Severino Ngoenha defende que a morte de Mariano Nhongo não deve ser vista como uma vitória ou motivos para celebrar, pelo contrário é momento de tirar lições, pois conflitos como estes podem continuar caso não haja justiça e diálogo sinceros, que eram a reivindicação de Nhongo.

Ngoenha reagia em torno da morte de Mariano Nhongo, quem, segundo o académico, reivindicava as injustiças que os guerrilheiros da Renamo, que lutaram pela democracia, sofriam.

“É verdade que eles foram parte da construção dessa democracia, mas não tiraram benefício, há parlamentares, até da Renamo, que têm salários e boas condições de vida, mas não foram à guerra enquanto os combatentes não têm. Era isso que ele reivindicava”.

Outro factor trazido pela fonte é o da injustiça em Moçambique” que se agudizou, por não ter havido uma integração “real” que foi prometida aos guerrilheiros da Renamo e, por isso, defende que “isso tem de ser corrigido, para que não volte a nascer” e acrescentou que os níveis de injustiça tendem aumentar, fazendo com que a forma que os “injustiçados” têm para fazer a sua voz ser ouvida e clamar pela justiça são as armas.

“Isso fez com que Mariano Nhongo existisse e muitos deles possam existir, então mais do que pensar se a morte dele vai proporcionar um DDR temos que nos interrogar sobre as razões que fazem com que sempre caiamos em guerras, porque, se não o fizermos e continuarem as injustiças, matámos Mariano Nhongo, mas, novos Nhongos vão surgir de todos os lugares, de todas as maneiras e vão meter o país a rebentar”, sublinhou.

O interlocutor defende que é preciso tirar lições e perceber que a morte não deve ser ocasião de diálogo, é preciso precedermos à busca da justiça, do diálogo e do consenso para evitar que o país volte a situações de conflito e instabilidade.

 

“NÃO PODEMOS AFIRMAR QUE A MORTE DE MARIANO NHONGO É O FIM DA VIOLÊNCIA”

Por seu turno, o especialista em resolução de conflitos, Reverendo Anastácio Chembeze diz que é difícil prever o futuro da paz e segurança do país, enquanto não existir cedência e dialogo.

“Quando olhamos para análise de conflito, começamos a ver o problema da falta de comunicação, desentendimentos e o escalar disso, resvalasse em violência e não podemos afirmar que a morte de Mariano Nhongo é o fim da violência”, disse.

O especialista acrescentou que esta é oportunidade para os moçambicanos se reencontrarem e dialogarem, e, segundo defende, uma das formas de dialogar é negociar, conversar, desenvolver a capacidade de ouvir e escutar e compreender a outra parte e ceder.

“É muito triste e lamentável a morte de Mariano Nhongo, nas condições em que isso aconteceu. Lamento bastante que isto tenha acontecido, mas o apelo que quero deixar é que nós temos que ser uma sociedade que vive na base da concórdia e do diálogo”, apelou o reverendo.

Através de um comunicado de imprensa, o Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD) lamentou o fim trágico do líder da Junta Militar, Mariano Nhongo, e considera que, face à sua resistência em integrar-se no processo de DDR e o facto de não ter valorizado as tréguas militares, e se mostrado pouco aberto ao diálogo, bem como a ameaça que constituía para a segurança de pessoas e bens na região centro do país, havia poucas possibilidades para um final diferente.

Segundo a ONG, há mais de dois anos em que as entidades do Governo e vários actores da sociedade procuraram aproximar-se a Mariano Nhongo e encorajá-lo a fazer parte do processo do DDR, na sequência dos progressos registados e da deserção de alguns dos principais membros da Junta Militar, o que dava esperança de uma solução pacífica.

No entanto, estes apelos não tiveram acolhimento por parte de Nhongo que insistia em prevalecer com a via de ameaças e ataques militares.

“As acções da Junta Militar, liderada por Nhongo limitaram os benefícios da paz para as comunidades directa e indirectamente afectadas, pois ao protagonizarem ataques militares contra alvos civis causando mortes, limitando a livre circulação de pessoas e bens, destruindo património público e privado para além de outros tipos de crimes, tornaram os líderes do movimento mais vulneráveis a este fim trágico”, escreve o IMD em comunicado.

Para o IMD, a morte de Mariano Nhongo fragiliza ainda mais a Junta Militar e abre caminhos para a estabilidade da zona centro do país, sendo, no entanto, fundamental que o Governo continue a mobilizar os demais membros da Junta Militar a abandonarem a violência por vias pacíficas e a integrarem-se no processo de DDR.

Contudo, apesar da morte do Mariano Nhongo representar um passo importante para a segurança na região centro do país, o IMD chama atenção para o cumprimento rigoroso do processo de DDR de modo a mobilizar os receosos a fazerem parte do processo.

Mais ainda, a ONG considera haver necessidade do reforço das acções de intervenção social orientadas para a redução dos factores de vulnerabilidade, sobretudo nas zonas mais afectadas por conflitos militares para que se evite que grupos como a Junta Militar possam mobilizar bases de apoio.

O IMD defende o recurso de mecanismos democráticos para a resolução de qualquer que seja a reivindicação, sendo para isso fundamental o reforço das capacidades das instituições, de modo a que todos tenham confiança em relação à sua actuação.

Diversas mulheres exigiram, nesta segunda-feira, na cidade da Beira, a necessidade de terem papéis cada vez mais relevantes nos processos de pacificação do país, assim como na segurança e reinserção social, este último no âmbito do DDR.

“Infelizmente, nós somos um país onde as guerras são recorrentes que terminam com assinaturas de acordos de paz frágeis. Durante estes processos de guerra, as principais vítimas são as mulheres, mas, quando chega o processo das negociações, encontramos uma fraca ou mesmo nula participação da mulher. Se ela não está lá no momento das negociações, como é que serão garantidas aquelas que são as suas necessidades específicas no momento da sua reintegração?”, perguntam as mulheres.

Elas acrescentaram que, neste momento, decorre o processo de DDR na região centro do país, no âmbito do último acordo de paz definitivo, assinado há cerca de dois anos em Maputo.

“Não estamos a conseguir perceber até que ponto estas mulheres que estão a ser reintegradas, as suas preocupações estão a ser atendidas. Temos que entender que reintegração neste contexto não pode significar ter o kit, as chapas de zinco e o subsídio.

A reinserção tem que ser sustentável social e economicamente, porque, se elas não estiverem estáveis, podemos voltar a ver os seus filhos e maridos a serem mobilizados para um novo conflito. É importante a sustentabilidade deste processo, porque são as mulheres que estimulam e garantem a reinserção”, explicaram as participantes, que defenderam a necessidade contínua da formação das mulheres.

Estes desejos e explicações foram manifestadas durante a conferência sobre Mulher, Paz e Segurança. A reunião, organizada pelo instituto para a Democracia Multipartidária, tem como objectivo contribuir para a melhoria da participação qualitativa e quantitativa das mulheres na matéria de paz e segurança e integrar a dimensão de igualdade de género em todas as fases dos processos de construção da paz, incluindo nos órgãos de tomada de decisão.

A Conferência sobre Mulher, Paz e Segurança realizou-se no quadro da implementação do projecto DELPAZ e das comemorações do 29º aniversário do histórico Acordo Geral de Paz, assinado em Roma a 4 de Outubro de 1992. O seu objectivo é contribuir para a melhoria da participação qualitativa e quantitativa das mulheres na matéria de Paz e Segurança e integrar a dimensão da igualdade de género em todas as fases dos processos de diálogo sobre a construção da paz, nos órgãos de tomada de decisão, assente no processo da consolidação da paz e desenvolvimento.

Os organizadores da iniciativa acreditam que, apesar dos avanços em termos de enquadramento, estruturas e formação sobre o papel das mulheres em conflito, elas continuam a ser marginalizadas nos processos formais de paz e segurança e são continuamente sujeitas à violência sexual e baseada no género em situações de conflito e não conflito. Há uma necessidade urgente de melhorar este cenário, para as mulheres exercerem o seu pleno potencial como agentes de paz.

A conferência de um dia contou com a participação de mulheres de diversos extratos sociais e foi orientada pela secretária de Estado na província de Sofala, Stela Zeca, que pediu união entre as mulheres sem olhar para as suas cores políticas.

A secretária do Estado na província de Sofala, Stela Zeca, defendeu, esta segunda-feira, na cidade da Beira, a inclusão da mulher nos programas de desenvolvimento, pois, segundo refere, a inclusão da mulher é uma questão de justiça e deve ser tratada como uma prioridade, até porque representam a maior parte da população.

Stela Zeca falava na abertura da “Conferência sobre Mulher, Paz e Segurança”, organizada pelo Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD) em parceria com a Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Capital (UNCDF), através do Programa de Desenvolvimento Local para a Consolidação da Paz iniciativa (DELPAZ).

“Estamos aqui em mais um evento que visa enaltecer o papel da mulher no processo de desenvolvimento. E, como se tem dito, é uma questão de justiça social. O nosso país, de acordo com o senso de 2017, é constituído maioritariamente por moçambicanos do sexo feminino, ou seja, moçambicanas e não faz sentido que este maior número da população não esteja a participar como era esperado no processo de desenvolvimento. Portanto, todas estas acções são uma questão mesmo de justiça social”, referiu Stela Zeca.

A governante enfatizou as políticas internacionais e nacionais que apontam para a necessidade do alcance da igualdade do género e empoderamento da mulher e rapariga.

Por sua vez, Dércio Alfazema, director de Programas do IMD, fala da necessidade urgente de se melhorar o cenário a fim de que as mulheres possam exercer o seu pleno potencial como agentes da paz.

“As decisões que são tomadas nas mesas de negociação têm impacto em toda a sociedade, e não apenas nos contendores do conflito. Por isso, em qualquer agenda ligada à paz, a promoção da segurança, estabilidade política e reconciliação nacional, a mulher deve fazer parte para dar a sua sensibilidade e contribuição”, referiu Alfazema, acrescentado que “as mulheres precisam de ter mais voz e espaço na defesa e protecção dos seus interesses sociais, políticos e económicos para que os desígnios da igualdade de género na sociedade pós-conflito sejam sempre tidos em consideração, até porque, em todas as situações conflitos ou de instabilidade, incluído os registados na zona norte e da zona centro do país, elas têm sido as mais afectadas directa e indirectamente.”, referiu.

O representante do UNCDF, Louis Helling, falou do compromisso da União Europeia no apoio às iniciativas de promoção da paz, baseada num estudo que apontava a exclusão como um dos factores de vulnerabilidade.

“E estas análises e diagnósticos sugeriram que a percepção de exclusão por parte de alguns grupos da sociedade é uma consequência, mas também uma força motriz do conflito. Esta percepção de exclusão deve ser colmatada. O país é único, a população é única, a sociedade é única, então todos devem sentir-se parte do processo da paz e do processo de desenvolvimento.”

A conferência contou com a presença de representantes da secretária de Estado da província de Sofala, de entidades diplomáticas e internacionais, com destaque para as Nações Unidas, assim como presidentes de Assembleias Provinciais de Sofala e Manica, organizações da sociedade civil, entidades religiosas, partidos políticos e académicos. A Conferência sobre Mulher, Paz e Segurança decorreu no quadro das comemorações do 29º aniversário do histórico Acordo Geral de Paz, assinado em Roma, a 4 de Outubro de 1992.

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