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O País – A verdade como notícia

Chapo anuncia reabilitação do Instituto Politécnico Armando Emílio Guebuza

O Presidente da Frelimo, Daniel Chapo, anunciou esta quinta-feira, em Manica, a reabilitação e o apetrechamento do Instituto Politécnico Armando Emílio Guebuza, localizado em Chigodole, distrito de Vanduzi, uma instituição vocacionada para a formação técnico-profissional de filhos de antigos combatentes. A decisão surge depois de uma visita de Chapo ao

As Forças de Defesa e Segurança de Moçambique (FDS), em coordenação com a Força de Estado de Alerta da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SAMIM), abateram pelo menos 10 terroristas, durante uma operação conjunta havida no domingo, numa base situada numa zona montanhosa do distrito de Macomia, província de Cabo Delgado.

O facto foi revelado esta segunda-feira, em conferência de imprensa, pelo ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, acrescentando que durante o ataque à base dos terroristas, as FDS e SAMIM resgataram 15 mulheres.

“Neste momento do dia de hoje (segunda-feira) ainda decorrem acções de limpeza; destacar que é nesta base em que se encontrava o Bino Omar, e conseguimos recuperar senhoras que trabalhavam em apoio ao Bino Omar, isso no distrito de Macomia”, afirmou o ministro.

Chume, que falava minutos após uma audiência que concedeu ao ministro da Defesa, Justiça e Segurança do Botswana, Thomas Mmusi, que está de visita ao país, desmentiu notícias postas a circular sobre a ocorrência de ataques terroristas na província de Nampula.

Durante o encontro com o seu homólogo, Chume afirmou a necessidade de continuar com os esforços na área de formação dos militares moçambicanos no país ou no Botswana.

“De um modo geral a nossa relação de cooperação de amizade com o Botswana é de grande amizade”, disse.

Por seu turno, o governante tswana disse que deverá deslocar-se à Cabo Delgado para interagir e colher sensibilidades dos militares no Teatro Operacional. Afirmou que cerca de 300 militares tswanas estão incorporados na luta contra o terrorismo em Moçambique. “Daqui iremos efectuar uma visita a Cabo Delgado para ver o que os militares estão fazendo lá”, disse.

O Presidente da República terminou, há instantes, a sua Comunicação à Nação a propósito da evolução da COVID-19 no país. Filipe Nyusi disse que Moçambique já está a enfrentar a quarta vaga, mas, ainda assim, decidiu por manter todas as medidas do decreto 86/2021 por mais 30 dias.

“Entretanto, há excepções, a saber: está vedada a visita aos reclusos durante a vigência do novo decreto; redução do número de visitas de duas para uma pessoa aos internados nos hospitais; horário do recolher obrigatório está suspenso entre os dias 24 e 25 de Dezembro, Natal, e entre 31 de Dezembro e 1 de Janeiro, transição do ano”, anunciou o Chefe de Estado.

O novo decreto entra em vigor à meia-noite do dia 21 de Dezembro de 2021 até 19 de Janeiro de 2022.

Filipe Nyusi apela à população para que seja cuidadosa e respeitosa em relação às medidas de prevenção e avisa que as medidas podem ser agravadas ou relaxadas em função da evolução da situação.

O Presidente da República falou ainda sobre a importância da vacinação, tendo dito que, até ao momento, 5.4 milhões de moçambicanos estão completamente vacinados.

“Temos uma grande disponibilidade de vacinas e, nos próximos dias, poderemos receber mais doses. Então, a disponibilidade de vacina não pode ser argumento para não vacinar. No futuro, as pessoas não vacinadas poderão não ter acesso a determinados serviços públicos”, alertou o Chefe de Estado.

Os deputados da Assembleia da República e membros do Grupo Nacional Junto da Assembleia Plenária da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (AP-CPLP) apostam no seu contributo e suporte às iniciativas atinentes à conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos para catapultar o desenvolvimento em Moçambique.

Aquele grupo de parlamentares é, ainda, chamado a definir estratégias de apoio à promoção da candidatura de Moçambique a membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para o mandato 2023/2024, cujas eleições vão decorrer em 2022.

Estas e outras acções foram referidas ontem, domingo, no distrito de Marracuene, província de Maputo, pela deputada e membro do Grupo Nacional Junto da AP-CPLP, Lucília Hama, no seminário de capacitação dos membros daquele grupo em matérias de conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos, para o desenvolvimento sustentável em Moçambique e sua conexão com os países da CPLP e da região da SADC.

“Entendemos ser de capital importância abordar a questão sobre a conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável em Moçambique e sua conexão com os países da CPLP, dois assuntos fulcrais no contexto da AP-CPLP”, disse a deputada, acrescentando que “os Grupos Nacionais são uma das componentes essenciais de manifestação da actividade internacional do Parlamento moçambicano”.

Hama, que no encontro representou o Chefe do Grupo Nacional Junto da AP-CPLP, Sérgio Pantie, situou a promoção de uma série de eventos do género com o objectivo de promover a concertação, o alinhamento e a partilha do conhecimento, facetas necessárias para um efectivo cumprimento dos compromissos assumidos pelo país na agenda 2030, no seu objectivo 14 que versa sobre a conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável de Moçambique.

“Face à sua importância, este encontro decorre da necessidade inalienável de aprimorar, cada vez mais, a nossa actuação, dotando os membros de uma visão aprofundada sobre as matérias abordadas na AP-CPLP”, acrescentou Hama.

O evento de Marracuene visava municiar aquele grupo de deputados de conhecimentos e informações sobre o uso sustentável dos oceanos, mares e dos recursos marinhos, para o desenvolvimento sustentável em Moçambique; e analisar acções que vêm sendo desenvolvidas pelo Governo para prevenir e reduzir, significativamente, a poluição marinha de todos os tipos, especialmente, à advinda da actividade humana.

Os dois assuntos fulcrais abordados no contexto da AP-CPLP, designadamente conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos, para o desenvolvimento sustentável em Moçambique e sua conexão com os países da CPLP; e a estratégia de apoio à promoção da candidatura de Moçambique a membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas contaram com o apoio técnico de peritos dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e Cooperação; e Mar, Águas Interiores e Pescas.

Minimizar ou estancar os impactos de acidificação dos oceanos, inclusive por meio do reforço da cooperação científica em todos os níveis; gerir de forma sustentável e proteger os sistemas marinhos e costeiros para evitar impactos adversos; e definir a estratégia de apoio à candidatura de Moçambique a membro-não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas são outros aspectos do leque das acções desenvolvidas pelo Executivo moçambicano que interessam aos deputados membros do Grupo Nacional Junto da AP-CPLP.

Sessenta dias depois, foi encerrada, esta sexta-feira, a quarta sessão ordinária da Assembleia da República, referente à nona legislatura. A Lei que define os critérios para fixação da remuneração dos funcionários e agentes do Estado, o Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado, o Plano Económico e Social e Orçamento do Estado, entre outros, marcaram os dois meses de trabalho.

Coube a Presidente da Assembleia da República a missão de encerrar, com discurso, esta Jornada de trabalho.

“Só foi possível alcançar estes resultados positivos graças ao empenho da Comissão Permanente, das chefias das bancadas, das comissões de trabalho, gabinetes parlamentares, dos grupos nacionais, dos deputados em geral, mas também do secretariado e demais funcionários da Assembleia da República”, declarou Esperança Bias.

A presidente do Parlamento avaliou positivamente o contributo dos deputados das três bancadas com representação no parlamento, tendo destacado o resultado de alguns dos 34 instrumentos apreciados pela plenária, de um total de 44 anteriormente aprovados, mais sete adicionados posteriormente, totalizando 51 pontos.

Do rol de matérias programadas para esta sessão da Assembleia da República, algumas ficaram de fora, para que, segundo a Presidente, tenham um tratamento mais aprofundado pela sua importância, com destaque para a Proposta de Revisão da Lei de Comunicação Social.
No entanto, o encerramento da quarta sessão ordinária da Assembleia da República aconteceu num ambiente de discórdia e troca de acusações. Para o Movimento Democrático de Moçambique e a Renamo, as actuais políticas públicas não respondem às preocupações do povo

Para além dos discursos, houve um momento escuro. É que, por um instante, a sala ficou às escuras, impedindo que a vice-chefe da bancada da Renamo continuasse com o seu discurso. Quando a luz voltou, a bancada exigiu que o discurso fosse recomeçado, quando já tinha percorrido quase 10 minutos de leitura.

Não teve jeito. A bancada da Renamo exigiu e a Presidente da Assembleia da República atendeu.

Esta reivindicação era apenas para deixar clara a sua posição face à governação do dia.

“Esta governação não está assente nas preocupações do povo. Infelizmente, contra os princípios que devem ser apanágio de um estado, para não perder o hábito de violência sistemáticas às normas da magna casa nacional, rubricou acordos com o Ruanda que, ironicamente são o oposto da sua teoria de defesa de soberania nacional. Um país cujo Governo se sustentava, para durante muito tempo inviabilizar contactos para apoio militar estrangeiro, tendo sido, desta feita, cúmplice e permissível a muitas mortes de inocentes, milhares de deslocados e do colapso da situação humanitária em Cabo Delgado”, referiu-se Clementina Bomba, vice-chefe da bancada da Renamo.

Lutero Simango, chefe da bancada do MDM e actual presidente do partido, avalia negativamente a actual governação e deixa um recado.

“Mesmo que essa classe trabalhadora, que dia e noite sofre perseguições pela Polícia Municipal, não manifeste violentamente, por receio de possíveis represálias por parte dos governantes, os cidadãos e trabalhadores não deixam de ser um barril de pólvora, susceptível a explodir a qualquer hora”, disse.

A bancada da Frelimo, por seu turno, dá nota 10 ao seu Governo e apela a oposição a dar o seu contributo para o alcance da paz e desenvolvimento do país.

Alberto Cerezo Sobrinho, embaixador da Espanha, em reacção à medida de suspensão de voos para África Austral, devido à eclosão da variante Ómicron da COVID-19, disse que “essas medidas foram adoptadas de maneira precipitada e sem avaliar as consequências”. O governante falava no programa “Grande Entrevista” da Stv, moderado pela apresentadora e directora de Informação do Grupo SOICO, Olívia Massango.

Senhor embaixador, Moçambique e Espanha celebram, desde o ano passado, quarenta anos de cooperação. Quais foram os grandes marcos nesta cooperação que já atravessou quatro décadas?

São muitos, em quarenta anos deu para fazer muitas coisas. O primeiro grande invento foi a assinatura do primeiro acordo entre os dois países [Moçambique e Alemanha]; um acordo de cooperação técnico-científica em 1980, pouco tempo depois da chegada da Espanha a Maputo. De seguida, começamos a implementá-lo em todo o país. Nós trabalhamos muito na área da saúde, concretamente no Centro de Investigação de Saúde da Manhiça que é uma iniciativa de Espanha e Moçambique. Também participamos na formação da Polícia, na guarda civil espanhola no âmbito dos acordos de paz e agora estamos a trabalhar na nutrição, inclusive nos projectos de exploração em Cabo Delgado, há 30 anos.

A Espanha disponibilizou, recentemente, 47 milhões de Euros para projectos de desenvolvimento em Moçambique, no âmbito desta cooperação, um projecto que vai até 2024. Cabo Delgado é a província que vai beneficiar-se do maior bolo, com cerca de 15 milhões de Euros. O apoio a Cabo Delgado não é de hoje como muito bem referenciava, já há cerca de trinta anos que existe esta especial atenção para Cabo Delgado, não é agora com o eclodir dos ataques terroristas. Por que Cabo Delgado?

Nós estávamos concentrados na região sul e em Maputo no início da cooperação. Tal como a Irlanda que foi para Niassa, nós fomos para Cabo Delgado. Foi simplesmente uma divisão de trabalho para não concentrar toda a ajuda na capital, é por isso que começamos a trabalhar naquela província há cerca de trinta anos. Agora, a novidade é que vamos ampliar esta actividade geográfica, sem abandonar Cabo Delgado, para Nampula e Niassa. O que pretendemos é apoiar a Agência de Desenvolvimento para o Norte, criada pelo Governo. Também, vamos ampliar a presença para mais províncias, e regiões, como Maputo, Gaza e Inhambane.

Olhando para a região Norte, dizia que 15% dos 47 milhões de Euros seriam alocados para Cabo Delgado, mas, no total, 70% do financiamento espanhol está para a zona Norte. Isto é no contexto da agenda de Desenvolvimento Integrado naquela região ou porque há outros factores de intervenção, outras razões de intervenção da Espanha na região Norte?

Todos nós conhecemos a situação de Cabo Delgado, sabemos que há risco de o conflito poder estender-se para outras áreas e, por isso, achamos que é preciso intervir nas províncias de Niassa e Nampula.

Esta intervenção está em alinhamento com a estratégia da Agência de Desenvolvimento Integrado ou não a 100%?

A ideia é alinhar com a estratégia da Agência do Desenvolvimento Integrado para termos uma aproximação regional no Norte, não só em Cabo Delgado. Mesmo assim, a nossa presença em Cabo Delgado continuará a ser maior, porque temos os nossos escritórios lá, como o de cooperação em Pemba, e agora temos 14 organizações não-governamentais espanholas que estão a trabalhar em Cabo Delgado, com a presença permanente e que estão a implementar diferentes projectos com financiamento da Espanha.

E com esta presença de cerca de 10 décadas em Cabo Delgado, qual foi a transformação notória que já conseguiram deslumbrar ao longo deste período?

Trabalhamos mais com o Governo local e já organizamos mais de 400 formações a funcionários locais. Estamos a trabalhar na área da saúde na área de nutrição, mas também na capacitação institucional e boa-governação. Estamos também especializados em descentralização. Trabalhamos para ensinar a nossa experiência. Há pouco tempo, uma equipa de parlamentares de Cabo Delgado e província de Maputo viajou para Espanha a convite do nosso Governo. O grupo soube sobre como funciona o Parlamento espanhol, principalmente em matéria da descentralização.

Para além desta concentração de apoio para a região Norte do país. O que se espera do apoio da Espanha para outras províncias?

Fazemos igual em todas as províncias, não podemos fazer tudo, mas estamos cientes das prioridades sectoriais. Continuamos a fazer também formações técnico-profissionais nas províncias do Sul e Norte. O que estamos a fazer em Cabo Delgado não é diferente do que estamos a fazer nas outras províncias; a única diferença é que em Cabo Delgado temos um conflito terrorista, pelo que estamos a colaborar com a União Europeia na formação militar.

É o que chamam de Cooperação em Cabo Delgado?

Nós e a União Europeia (UE) trabalhamos de forma diferente, temos fundos próprios espanhóis em todos os países com que temos relações bilaterais, mas a União Europeia tem mais fundos que os países-membros. Nós [Espanha] disponibilizamos fundos para que os países-membros possam implementar projectos. Por exemplo, estamos, agora, a implementar um projecto de anticorrupção, com o poder judiciário de Moçambique, com fundos da UE.

E neste modelo de cooperação, a actuação é orientada ou é da iniciativa de cada país?

É uma iniciativa de cada país em colaboração com a União Europeia. Trabalhamos assim, mas também falamos com o Governo moçambicano.

A cooperação de Espanha em Moçambique é de longa data, mas com muito enfoque no sector de saúde, um dos apoios emblemáticos é o que referiu há pouco tempo do Centro de Investigação de Saúde da Manhiça. Quais são as experiências científicas que tiveram sucesso no âmbito desta cooperação?

O Centro de Investigação da Manhiça é um exemplo bonito de colaboração entre os dois países. Tenho a clarificar que não são os doadores que trabalham com a investigação científica. Espanha está já há 25 anos celebrando a construção do Centro e, nesse mesmo período, decidimos trabalhar neste âmbito em colaboração com o Governo moçambicano. Este Centro trabalhou durante décadas na produção da vacina contra a malária, anunciada este ano pela Organização Mundial da Saúde.

Além do foco na malária, queria perceber que outras pesquisas resultaram na sequência do apoio prestado pela Espanha.

O foco foi sempre a malária, por exemplo, nos efeitos desta doença nas mulheres grávidas e crianças. A Espanha paga o funcionamento diário do Centro de Investigação da Manhiça; damos um milhão de Euros em todos os anos.

No âmbito das parcerias a nível da Espanha, como é feita a partilha de experiência com outros cientistas espanhóis?

Há muita troca de experiências; a instituição que apoia o Centro da Manhiça depende do Hospital Clínico de Barcelona, então há uma contínua troca de experiências. Temos sempre moçambicanos em Barcelona e espanhóis em Manhiça que estão a fazer investigação.

Cinco por cento do valor do novo pacote de financiamento vai para projectos ligados à rapariga e à mulher. Que projectos são esses?

Ainda não sabemos, porque isso será daqui a quatro anos, mas o que assinamos é que os cinco por cento têm que ir para projectos de género, que são um elemento que deve estar presente em todos os períodos. Agora, as questões de género são prioritárias, sobretudo aqui, em África; são um elemento fundamental para a paz e para o desenvolvimento. Aqui, em Moçambique, as mulheres são muito activas.

Moçambique é um país vasto, com diferentes realidades e desafios e cada região tem especificidades muito próprias. De que forma é que conseguem definir a estratégia de intervenção em cada região?

Temos uma cooperação diferente da dos outros países, e, quando falo da cooperação espanhola, não estou a falar apenas da Agência Espanhola de Cooperação, que é uma agência que depende do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Espanha. Mas também temos as cooperações regionais, por exemplo, a Catalonia tem aqui escritórios. Esta política é muito importante, porque tem em conta a realidade de cada província.

A presença da  Catalonia é importante, porque o seu trabalho depende dos Governos locais que conhecem os problemas da sociedade. Temos também cooperação com os Conselhos Municipais. Por exemplo, no próximo ano, vamos comemorar os 15 anos de cooperação entre o Conselho Municipal de Barcelona e o Conselho Municipal de Maputo. Existem muitos projectos que estão a ser financiados pelo Conselho Municipal de Barcelona na capital do país.

Por exemplo, temos instituições académicas, fundações públicas e privadas. Temos, por exemplo, a Fundação Mulher por África que foi criada pela vice-presidente da Espanha em colaboração com Graça Machel, especializada em empoderamento da mulher africana. Há duas semanas, lançamos um programa no qual 20 mulheres líderes africanas viajaram para Espanha e mantiveram um encontro com mulheres espanholas, tendo abordado a questão da Administração Pública. É outro tipo de cooperação que está especializada em mulheres. Como disse, temos uma cooperação muito diversificada e diferente, que não depende apenas do Estado.

Do ponto de vista geral, parece tudo muito bonito quando olhamos para esta cooperação Moçambique-Espanha nestes 40 anos. Vamos olhar para aquilo que é a preocupação do momento, o novo Coronavírus que está a afectar o mundo todo. África ressente-se da capacidade de vacinação da sua população e da falta de apoio suficiente de países desenvolvidos, incluindo a Espanha. Qual é a estratégia ou o pensamento da Espanha em relação a África, em geral, e Moçambique, em particular?

O Governo espanhol já começou a trabalhar de perto com muitos países de África. Começamos com a América Latina, devido ao vínculo que temos. Somos um dos países com nível mais alto de vacinação. Começamos também a enviar vacinas para alguns países da África e espero que, dentro em breve, possamos enviar os imunizantes para Moçambique, em particular.

Como é que a Espanha ouviu este bloqueio de que África Austral foi vítima por conta do alarme da África do Sul em relação ao surgimento de um novo vírus da COVID-19?

Os primeiros que foram afectados por esta variante foram os europeus que queriam viajar para a Europa. Nós enviamos um avião na semana passada para poder levar essas pessoas. Na minha opinião, essas medidas foram adoptadas de maneira precipitada sem avaliar as consequências. Acho que vamos voltar à normalidade daqui a pouco.

Quando a Espanha providenciou este voo de repatriamento, apenas actuou a nível da Espanha ou fez contactos pelos países mais próximos ao nível da Europa, para garantir que outros moçambicanos e africanos que quisessem retomar tivessem essa oportunidade?

A primeira coisa que eu fiz foi falar com a embaixadora de Moçambique em Madrid, a senhora Manuela dos Santos, e eu disse-lhe que pretendíamos enviar um avião para trazer os moçambicanos e vice-versa. Nós temos aquilo que chamamos de Método de Protecção Civil, que, quando activado, oferecemos este tipo de voo para a União Europeia. Beneficiaram-se deste voo franceses, alemães e também moçambicanos residentes legais na Europa.

Além dos moçambicanos parlamentares que vieram neste voo, houve também comunicação em Portugal para moçambicanos que quisessem regressar. Isto foi feito?

Em Portugal, o que fizemos foi activar o Mecanismo de Protecção Civil a nível da União Europeia, e todos os países-membros receberam essa informação.

O senhor embaixador, no ano passado, visitou a presidente da Assembleia da República e, no fim do encontro, teria dito que a Espanha estava disponível para prestar apoio militar a Moçambique, no âmbito do terrorismo em Cabo Delgado. Este apoio chegou de acontecer?

Eu não disse exactamente “apoio militar directo”; o que estava a dizer na altura é o que estamos a fazer agora, que é o apoio através da União Europeia. Nessa altura, a pergunta feita era se os países europeus têm força para combater no Norte. O que estamos a fazer agora é ter uma missão de formação antiterrorista e das Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Isso foi feito em Bruxelas com negociação de todos os Estados-Membros da União Europeia e todos apoiaram a missão. E já está a decorrer uma missão de formação de fuzileiros do Comando do Exército moçambicano e estão a decorrer em KaTembe e em Chimoio. Vamos disponibilizar, em breve, material, como uniforme, veículos, e tanto outro.

No âmbito da União Europeia, a Espanha também apoia projectos de adaptação às mudanças climáticas. Qual é a posição da Espanha em relação a este tema? 

Somos um país afectado pelas mudanças climáticas e estamos perto de África; e estamos cientes de que precisamos de lutar contra este mal. Trabalhamos de perto com Moçambique e outros países no âmbito multilateral para lutar contra estas alterações do clima. Em Moçambique, agora não temos um projecto dirigido a mudanças climáticas, mas estamos a trabalhar de alguma forma no âmbito da irrigação de cultivos, estamos a trabalhar nas comunidades e para ajudar temos um sistema de regadio que permite às pessoas não dependerem do clima.

As conferências sobre clima resultam em frustração em termos de compromissos que possam efectivamente gerar mudanças. Qual foi a voz de Espanha nesta última conferência?

Nós estamos avançados, mesmo com estas frustrações nas cimeiras. A cada cimeira realizada, a sociedade pede mais ao Governo e este tem que analisar e não decidir de imediato, porque qualquer decisão pode ter implicações económicas devastadoras.

No âmbito da cooperação internacional, as coisas correm a bom ritmo, mas, se olharmos para as trocas comerciais, concluímos que não são muito apetecíveis entre Moçambique e Espanha. O que é que deve ser feito para reverter este cenário?

Moçambique é o nosso parceiro já há muitos anos, mas ainda temos que trabalhar muito para fomentar as trocas comerciais. Temos empresas aqui, como Pescamar, que opera na Beira já há 30 anos; e é uma das grandes empresas de pesca no mundo. A referida firma fornece emprego a mais de mil cidadãos moçambicanos. Não só fazemos trocas, como também criamos emprego. Há outras empresas no sector da energia, por exemplo, mas ainda temos que trabalhar para trazer este interesse às empresas espanholas. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros viajou para Espanha há pouco tempo e realizou um encontro com a Câmara de Comércio Espanhol.

E por falar na Câmara do Comércio Moçambique-Espanha, qual tem sido o seu papel para dinamizar as relações comerciais?      

Temos uma Câmara que ainda não é grande, quando comparada com a Câmara de Comércio Portuguesa. Temos agora alguns membros para dinamizar estas relações, através da realização de encontros, também enviamos relatórios a Espanha para informar as capacidades de investimentos que o país proporciona.

Para além da Pescamar, quais são as outras empresas que se evidenciam no nosso país?

Temos empresas de electrificação a nível das províncias, e uma delas é uma das maiores da Espanha com escritório permanente em Moçambique.

E que sectores económicos podem interessar aos investidores espanhóis em Moçambique

Sector da energia, sobretudo na energia renovável. Somos um dos países líderes em energias renováveis, então há muitas empresas interessadas na área de gás e no sector agro-industrial.

E por falar do sector agro-industrial, quando olhamos para agricultura, estamos a falar de um sector de muita esperança para os moçambicanos enquanto um país com um elevado agro-ecológico. Que experiências espanholas podem ser válidas para Moçambique?

O país tem um sector agrícola muito potente, nós temos uma experiência e já falei da necessidade do sistema de protecção das culturas. Quando o clima não é adequado, temos muitas técnicas deste tipo de produção na Espanha e podemos trazer essa técnica para regiões com graves problemas do clima.

Há moçambicanos que possam absorver esta experiência da Espanha?

“Ainda não, mas estamos tentando trazer empresas com estas experiências para partilhar com os moçambicanos”.

A Espanha é um dos países que, em 2013, abandonou o apoio directo ao Orçamento do Estado moçambicano. Neste momento, decorre o julgamento das “dívidas ocultas”, para esclarecer este calote. Quando é que tencionam voltar a fazer apoio directo ao OE? 

Nós somos um dos países que mais apoiou Moçambique com vários milhões de Europa para o Ministério da Saúde e Ministério da Educação. Quando isso tudo aconteceu, saímos como o restante dos Estados que saíram. Já coordenamos com a União Europeia para começar a fazer algum tipo de apoio orçamental. Não vamos fazer isso agora, mas, quando surge essa ideia na União Europeia, a Espanha apoia.

Olhando para apoio a projectos nesta actuação que tem vindo a fazer, comparando com os valores que eram canalizados directamente para o orçamento. Em termos de valor, houve uma redução ou o que mudou foi a forma de financiamento?

Nós simplesmente mudamos a forma de canalizar este tipo de ajuda. O problema é que Espanha notou uma redução muito grande dos fundos para a cooperação, não só para Moçambique, mas para todo o mundo devido à crise económica.

Falou, na primeira parte desta entrevista, de apoio institucional e experiência da Espanha em termos de descentralização. Moçambique é uma democracia jovem com debate da descentralização ainda muito fresco. Concretamente neste capítulo, o que a Espanha está a trazer como algo inspirador para Moçambique neste debate da descentralização?   

Espanha é uma democracia jovem também e o nosso sistema democrático começou em 1975, a nossa constituição foi aprovada em 1978, com um sistema de quarenta anos. Durante este período, deixamos de ser um país centralizado. É um dos países mais descentralizados da Europa. Por exemplo, as áreas da educação e saúde são da responsabilidade do Governo regional. O problema do nosso sistema é que há províncias que têm mais competência que outras. Tentamos trazer as coisas positivas, mas também existem aspectos negativos, porque o sistema é ainda muito mais caro. Ter um país muito descentralizado é muito mais caro, precisa de mais fundos públicos para manter.

O alto Governo da Catalunha para Espanha é uma experiência positiva ou negativa de descentralização?  

A descentralização é positiva, o que acontece é que a Catalunha enfrenta problemas políticos, não foi a descentralização que criou o problema. Até porque temos outras regiões descentralizadas que não tiveram os mesmos problemas.

 Em relação a bolsas de estudos, o que é que a Espanha oferece?

Temos bolsas de estudos que oferecemos todos os anos e também oferecemos bolsas para mulheres todos os anos. Tínhamos o problema de comunicação em relação à informação das bolsas, agora estamos a fazer um grande esforço para dar a conhecer as bolsas em todas as províncias. Aproveito para informar aos estudantes moçambicanos que é preciso aprender espanhol, porque é uma língua fácil de falar em pouco tempo.

Como é que se manifesta o apoio da Espanha na Cultura e nas Artes? 

Nós tínhamos um programa de apoio cultural muito grande, mas já não é o mesmo agora devido à pandemia. Por causa da crise, já não temos programas culturais. O que estamos a fazer é promover a cultura espanhola, mas também estamos preocupados com a promoção da cultura moçambicana. Estamos a trabalhar com artistas locais para fomentar o seu trabalho. Por exemplo, há pouco tempo, no Festival KINANI (festival de dança), tivemos vários dançarinos africanos formados por espanhóis. São dançarinos que não eram profissionais, agora já são profissionais. Para nós, é muito importante fomentar a cultura moçambicana.

E quais são as artes mais privilegiadas?

Não temos privilégios, falei da dança, mas também trabalhamos com artistas plásticos. Nélia Agostinho, por exemplo, fez uma exposição com temas moçambicanos e espanhóis. E estivemos em Bela Vista na inauguração de um mural em comemoração aos 16 dias de activismo da violência contra a mulher. Apoiamos também o Festival da Poesia, Poetas d’Alma, que foi inaugurado há pouco tempo em Mafalala.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, profere hoje, pelas 16 horas, uma comunicação à Nação.

De acordo com um comunicado da Presidência da República, a comunicação do Chefe de Estado, a partir do seu gabinete, será por ocasião do fim do ano.

Esta quinta-feira foi dia de o Presidente da República prestar contas ao seu “patrão”, relativamente ao estado da Nação. Boa parte do discurso, proferido na Assembleia da República, esteve dedicado ao terrorismo que assola a província de Cabo Delgado desde 2017. Filipe Nyusi garantiu que há uma tendência de estabilização da situação.

A segurança tende a estabilizar-se naquela província, de acordo com o Presidente da República, resultante de acções das Forças de Defesa e Segurança, com destaque para o abate de mais de 200 terroristas e a destruição de algumas de suas bases sinalizadas.

O sucesso das acções em Cabo Delgado é atribuído, também, às Forças estrangeiras do Ruanda e da SADC, cuja presença não é consensual entre as bancadas parlamentares. Sobre este assunto, Nyusi reiterou que os militares do Ruanda estão no território, no âmbito de um acordo bilateral entre os dois países.

“Paul Kagame disse, em Cabo Delgado, que não recebeu nada e não pediu nada”, disse o Presidente da República, tendo acrescentado que “as forças estrangeiras devem ser acarinhadas”.

O Chefe de Estado caracterizou como “banditismo puro, movido pela cobiça ao salto que estamos prestes a dar” os actos terroristas que assolam Cabo Delgado, e mais recentemente a província de Niassa.

Relativamente à situação que se vive em Niassa, o apelo foi para a calma, porquanto “as Forças de Defesa e Segurança tudo estão a fazer para conter a insurgência”.

A COVID-19 foi outro assunto que Nyusi levou na agenda. O Presidente disse não estar surpreso com o aumento de infecções nesta quarta vaga, dominada pela variante Ómicron do Coronavírus, uma vez que o sistema de saúde está preparado. Contudo, considera que a imunização continua a ser a chave na luta contra o vírus que já infectou 155.495 e matou outras 1.946 em Moçambique.

A redução de mortes pelo vírus é, para o Presidente, resultado das campanhas de vacinação que já beneficiaram a 7.352.996, sendo 119.543 nas últimas 24 horas, segundo dados recentes do Ministério da Saúde (MISAU) e, por isso, apela à adesão massiva.

Os problemas de 2020 não mudaram, em 2021. Por isso, os deputados mantêm as dúvidas que apresentaram no ano passado, relativas ao terrorismo em Cabo Delgado, raptos e criminalidade, gestão da COVID-19 e crise financeira.

O Presidente da República vai, hoje, ao Parlamento prestar o Informe sobre o Estado Geral da Nação. Em 2020, Filipe Nyusi disse que o Estado Geral da Nação era de “resposta inovadora e de renovada esperança”.

Ainda no ano passado, o Chefe de Estado disse que o balanço poderia ter sido melhor, não fosse o terrorismo em Cabo Delgado e a pandemia da COVID-19 que deixou o mundo de joelhos.

Se o ano foi melhor, ainda não sabemos! A certeza que há é que, este ano, os problemas se mantiveram no país. Aliás, a situação do novo Coronavírus piorou, com os números a atingirem o tecto, e o terrorismo mostra sinais de alastramento para a província de Niassa.

A continuidade dos problemas teve como consequência a manutenção das dúvidas dos deputados que, de resto, querem saber das mesmas coisas que exigiram no ano passado.

“Queremos saber da gestão da pandemia da COVID-19. Sabemos que este ano o país fez uma melhor gestão, mas estamos a assistir a indícios de uma quarta vaga. Também quereremos saber dos avanços no combate ao terrorismo. Recuperamos algumas zonas, mas sabemos que esses sabotadores andam a fazer ataques em Niassa para distrair as Forças de Defesa e Segurança”, declarou Feliz Sílvia, porta-voz da bancada parlamentar da Frelimo, na Assembleia da República.

A Renamo também quer informações acerca do terrorismo, sobretudo no tocante à entrada de tropas estrangeiras. “É preciso que o Governo explique por que não envolveu o Parlamento e fale da contratação de mercenários”, disse o relator da bancada da Renamo, segundo maior partido do país.

Para além disso, Venâncio Mondlane espera ouvir uma estratégia clara para tirar a economia nacional do vermelho.

“Queremos uma abordagem sobre as perspectivas para a recuperação económica do país, sobretudo numa época em que viemos com a economia já em recessão; muito antes da COVID-19 já estávamos em recessão e agora a situação agravou-se. Então, importa saber da perspectiva para a recuperação da economia, sobretudo nas Pequenas e Médias Empresas”, acrescentou o deputado.

Por sua vez, o Movimento Democrático de Moçambique anseia a apresentação de um espelho real do país e soluções para os problemas da democracia.

“A nossa democracia é comparada a da Guiné-Bissau e da Guiné Equatorial, o que é extremamente gritante. Mas, isso acontece por causa do Governo que não permite o exercício das liberdades. Vimos recentemente 17 mulheres que protestavam contra a violência a serem violentadas pela Polícia. Isso é gravíssimo e deve merecer a atenção do Presidente da República, assim como o assunto dos raptos e criminalidade no geral”, diz Fernando Bismarque, porta-voz do MDM.

As questões foram apresentadas e o Presidente conhece. Resta saber as respostas e a frase que Filipe Nyusi escolheu para caracterizar o ano.

O facto é que, de acordo com as informações apresentadas pelo Governo no âmbito do debate sobre o Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE), este ano a economia cresceu no vermelho (-1,3%), o sector empresarial continuou com as actividades condicionadas, para além de os empregos terem continuado instáveis. A corrupção continuou a corroer o país e muitos sectores tiveram dificuldades para atingir as metas, à excepção da agricultura, cujo titular garantiu que a produção aumentou e a fome reduziu.

A Assembleia da República aprovou, na última sexta-feira (10 de Dezembro), na generalidade, o Plano Económico e Social e Orçamento de Estado (PESOE) para 2022, orçado em mais de MZN 450 biliões, proposto pelo Governo. Este, por seu turno, explicou que os instrumentos foram “desenhados” tendo em conta o contexto de retoma gradual da economia nacional e internacional, o abrandamento dos efeitos da COVID-19 e os progressos registados na luta contra o terrorismo em Cabo Delgado, o que propicia a circulação normal de pessoas e bens.

“A elaboração desta proposta de Plano Económico e Social e Orçamento do Estado foi feita num contexto em que se vem registando o aumento da actividade económica mundial, o que está a concorrer para o incremento do volume do comércio internacional”, disse Carlos do Rosário.

O Primeiro-Ministro acrescentou ainda que esta tendência de recuperação da economia faz perspectivar um crescimento económico considerável para 2022, mas tal só será possível se todos os sectores estiverem comprometidos.

“Esta tendência de recuperação gradual da nossa economia leva-nos a prever que o nosso país venha a registar um crescimento económico de 2.1% previstos no presente ano de 2021. Tendo em conta que, no ano passado, tivemos um crescimento de -1.3%, esta recuperação da nossa economia esperada para 2022 testemunha os esforços conjugados de todos os sectores da sociedade no cumprimento das medidas de prevenção da COVID-19, assegurando, dessa forma, o equilíbrio entre a preservação da saúde pública e a salvaguarda da economia”, disse o governante.

Aprovado pela bancada maioritária por considerar oportuno e pertinente, este não reuniu consenso, tendo a Renamo e o Movimento Democrático de Moçambique chumbado a proposta, por a considerarem incoerente, vazia e surreal. Mas não só! A sociedade civil também criticou o OE.

Através de um documento intitulado “Análise à proposta do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado”, as organizações da sociedade civil entendem que, apesar de o PESOE 2022 ser um documento rico em detalhes comparativamente aos anteriores PESOE, há um excesso de optimismo quanto ao crescimento económico para 2022.

“Os pressupostos usados para o PESOE 2022 são muito optimistas, e não se levou em consideração alguns aspectos que têm constituído entraves para o alcance das previsões do crescimento nos anos anteriores”, lê-se do documento.

Exemplo disso, a sociedade civil conclui que, para o sector extractivo, se prevê um crescimento de 4,1%. No entanto, verifica-se que, em 2020, o sector registou um crescimento negativo de 16,8% e a previsão para 2021 é de 1,5%, com uma realização até ao primeiro trimestre de 0,8%. As taxas de câmbio e a inflação previstas estão subavaliadas e continua a prática de acumulação de reservas líquidas internacionais sem a divulgação para o público dos critérios da sua definição.

Ainda de acordo com o documento, para 2022 o Governo continua a recorrer ao endividamento público para o financiamento da sua política expansionista, o que representa um risco grande de ocorrência de crowding out do investimento, ao restringir o crédito interno e aumento dos rácios de endividamento público, o que poderá tornar a dívida pública acima do limite de sustentabilidade (40%).

 

OUTRO SECTOR CRÍTICO ONDE RECAI A ANÁLISE DA SOCIEDADE CIVIL É O DA SAÚDE

“O orçamento do sector da saúde está concentrado em 90%, a nível central, e 10%, a nível provincial, o que concorre negativamente para efectividade do processo de descentralização. Este é um cenário desfavorável, uma vez que não cria capacidade e flexibilidade para a nível provincial apropriarem-se e de forma transparente participarem em todas as fases dos investimentos e representa um risco de incumprimento pela concentração e burocracia”, revela a fonte.

Para a sociedade civil, existem dificuldades em se extrair, a partir dos mapas integrantes da lei da proposta do PESOE 2022, os valores especificamente previstos para este sector e o documento do PESOE não apresenta o orçamento do sector de água e saneamento de forma separada. A análise verifica que, em termos de infra-estruturas, a proposta apresenta informações contraditórias, o que dificulta a percepção do que efectivamente será feito. Baseado nos dados dos mapas integrantes da lei da proposta do PESOE 2022, verifica-se uma despesa nas instituições ligadas ao sector da saúde de MZN 30.707,59 milhões. Este orçamento está concertado em 90% a nível central e 10% no provincial.

Por fim, e em relação à sensibilidade do género, a sociedade civil entende que o PESOE não apresenta, de forma explícita, um orçamento e plano em que se possam identificar as principais implicações que as receitas e as despesas têm segundo o género. No entanto, é possível encontrar alguns desdobramentos que apresentam essa perspectiva em termos de beneficiários, mas sem detalhes sobre os valores envolvidos para cada um dos grupos.

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