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O País – A verdade como notícia

Chapo quer uma nova era de soberania económica para Moçambique

Na sua alocução de abertura, o Presidente Daniel Chapo foi decisivo em afirmar: o país está perante um desafio geracional que exige uma mudança de paradigma. “Se os primeiros cinquenta anos foram marcados pela conquista e consolidação da independência política, os próximos cinquenta anos devem ser orientados para a conquista

Já não será repetida a votação no distrito municipal Kampfumo na Cidade de Maputo, tal como havia decidido o tribunal distrital local, por alegadas irregularidades levadas à justiça pela Renamo. O Conselho Constitucional decidiu anular a decisão, por considerar que o tribunal excedeu as competências, visto que nos termos da lei, só o Constitucional pode anular eleições.

O acórdão nr 29/CC/2023 do Conselho Constitucional, assinado na mesma data da divulgação das eleições pela CNE, vincula uma nova decisão sobre o contencioso eleitoral em Kampfumu, onde a Renamo pediu anulação da votação por ter constatado irregularidades no processo. Do recurso da Renamo apreciado pelo tribunal com parecer a favor, veio mais um, da CDE, dirigido ao Constitucional. apreciados os factos, o colectivo de juízes decidiu:

“Declarar nulo e de nenhum efeito o despacho proferido pela 4a Secção Criminal do Tribunal Judicial do Distrito Municipal Kampfumu, Cidade de Maputo, no Processo N*1/RCE-2023-RCE, de 17 de Outubro de 2023, somente na parte que declara nula a votação no distrito municipal de Kampfumu.”

Os juízes decidiram ainda “confirmar o Despecho proferido pelo Tribunal Judicial do Distrito Municipal de Kampfumu, na parte que remete ao Ministério Público os indícios de prática de actos passíveis de configurar ilícitos eleitorais.”

Nos argumentos que pesaram para decisão, o Constitucional, citando a letra do artigo 144 da lei eleitoral argumenta que uma eleição só pode ser declarada nula se as ilegalidades puderem influenciar substancialmente o resultado geral da eleição, visão holística que só pode ser inteligível depois de encerrado todo o apuramento, no caso, da cidade de Maputo, pela Comissão Nacional de Eleições e fundamenta:

“O juiz distrital não tem os resultados de outros distritos municipais para avaliar tal possibilidade, para além de a declaração de nulidade constituir reserva do Conselho Constitucional”.

A Renamo e a Comissão Distrital de Eleições foram notificadas do conteúdo da decisão, esta sexta-feira, de acordo com o Mandado da veneranda Presidente do Conselho Constitucional, Lúcia Ribeiro, datado desta sexta-feira.

A Ordem dos Advogados lamenta a violência em vários pontos do país, devido às contestações aos resultados eleitorais e questiona o silêncio dos governantes. Já o Reino Unido diz estar preocupado com a confirmação dos resultados eleitorais pela CNE, mesmo com contestações dos dados preliminares.
A Ordem dos Advogados de Moçambique reagiu uma vez mais com preocupação às manifestações após o anúncio dos resultados das eleições autárquicas.

Num comunicado, a instituição diz que o processo foi marcado por vícios graves e que levantam dúvidas sobre os resultados anunciados pela Comissão Nacional de Eleições e a onda de violência é consequência disso.

“O descrédito a que nos referimos é sustentado pelo número, por demais elevado, de irregularidades apontadas ao processo eleitoral pelos Tribunais Distritais, que passam uma mensagem de que o crime e a manipulação compensam em Moçambique”.

No documento, a ordem questiona o facto de o presidente da Comissão Nacional de Eleições, Carlos Matsinhe, só se ter pronunciado depois de duas semanas sobre as irregularidades e as investigações em curso e o facto de que, até ao momento, nenhum governante se tenha pronunciado sobre as irregularidades e a tensão em vários municípios, em resultado das eleições autárquicas, o que segundo a instituição “por si só avoluma ainda mais a percepção, cada vez mais assente, de que estas eleições já tinham um vencedor anunciado” .

A este facto, a ordem estende as suas recomendações ao Presidente da República, Filipe Nyusi, apelando que “ faça valer os seus poderes constitucionais, demonstrando, ainda e inequivocamente, que é um elemento agregador para os moçambicanos, nestes momentos cruciais e difíceis que se vivem. Ao Presidente da República espera-se um papel conciliador, mas sobretudo de defesa da democracia, das instituições democráticas e dos direitos humanos, com particular destaque à vida, à integridade física e à liberdade,”.

Ao Conselho Constitucional, a quem cabe a validação ou não dos resultados eleitorais, a ordem alerta: “espera-se lisura do Conselho Constitucional no seu dever de análise e decisão dos recursos submetidos à sua apreciação, e ainda pendentes de decisão, evitando pressões que possam comprometer a consolidação do processo democrático em Moçambique.”

A instituição apela que se busque mecanismos de negociação para amainar o conflito eleitoral instalado, um pouco por todo o país, nem que isso implique a repetição de todo o processo.

“Este conflito não se resolve apenas com o anunciar dos resultados pelo Conselho Constitucional e a democracia, enquanto a melhor forma de representação política conhecida, indica que o debate é o caminho. Lamentamos, aqui, o silêncio ensurdecedor de algumas instituições que têm responsabilidades para com o povo”, refere a Ordem dos Advogados.

O Reino Unido também reagiu, através deste comunicado, lamentando a onda de violência pós-votação e preocupação com a confirmação de resultados preliminarmente contestados.
“Apesar de existirem evidências que conduziram a processos judiciais em curso, os resultados finais foram confirmados na sua totalidade pelas autoridades eleitorais”.
O Reino Unido diz, entretanto, que “reconhecemos a independência das autoridades judiciais na resolução do contencioso eleitoral, defendendo o Estado de Direito e o compromisso de Moçambique com eleições credíveis e pacíficas”.

A Renamo diz que não vai aceitar os resultados das “autárquicas” anunciados, ontem, pela Comissão Nacional de Eleições (CNE). A perdiz diz que a posição da CNE agrediu a democracia, a paz e a estabilidade social. Estas declarações foram feitas hoje, em Maputo, em conferência de imprensa, pela secretária-geral do partido, Clementina Bomba.

A Renamo convidou, hoje, a imprensa para manifestar o seu posicionamento em relação aos resultados das eleições autárquicas, anunciados esta quinta-feira.

A Renamo diz não aceitar os resultados anunciados por acreditar que tenham sido viciados para dar vitória à Frelimo.
A secretária-geral do partido, Clementina Bomba, começou a sua intervenção, repudiando a actuação da Polícia durante as manifestações que se têm registado em vários pontos do país.

“Começamos por lamentar e repudiar  que marchas pacíficas estejam a ser reprimidas com violência policial, o que viola a Constituição da República de Mocambique”, disse Bomba, acrescentando que tais actos consubstanciam o assassinato da democracia.

A Renamo acusa a Frelimo de estar a usar as Forças de Defesa e Segurança para deturpar a vontade do povo expressa nas urnas.

Clementina Bomba foi mais além, anunciando que o seu partido não reconhece os resultados anunciados pela CNE.

“Não reconhecemos os resultados ontem anunciados pela Comissão Nacional de Eleições. Perante graves irregularidades, desde o recenseamento eleitoral, como o roubo de mobiles, exclusão de eleitores, enchimento de urnas pelos presidentes das mesas e supostos observadores, agentes da Polícia que invadiram as mesas de votação para retirar à força urnas e delegados de candidatura da oposição, perturbação da ordem e tranquilidade nas assembleias de voto através de disparos e lançamentos de gás lacrimogénio pela Polícia”, detalhou Bomba.

Para o partido Renamo, ao declarar aqueles resultados, a CNE pôs em causa a vontade do povo expressa nas urnas.

A Polícia da República de Moçambique, na província de Nampula, deteve vários manifestantes simpatizantes da Renamo naquela parcela do país. A PRM diz que os detidos estavam a agitar e a perturbar a ordem pública.

Membros e simpatizantes da Renamo em Nampula saíram às ruas na manhã desta sexta-feira para marchar em contestação dos resultados anunciados pela Comissão Nacional de Eleições.

Na sequência, foram montadas barricadas, queimados pneus na via pública, causando o encerramento de alguns estabelecimentos.

“Diante desta situação a Polícia viu-se obrigada a intervir, onde foram acionadas todas as nossas forças operativas para a persuasão de massas para que pudessem fazer cobertura dessa situação, tendo entrado a Unidade de Intervenção Rápida no terreno, onde foi possível iniciar com o restabelecimento da ordem e segurança pública” disse o porta-voz da Polícia em Nampula, Zacarias Nacute.

Apesar de ainda haver focos de manifestações em algumas autarquias da província de Nampula, a PRM garantiu, esta tarde, que começa a registar-se tranquilidade, segundo relatou o porta-voz da Polícia.

Zacarias Nacute apelou aos líderes dos partidos políticos em manifestação para que sensibilizem os manifestantes a recuarem.

Sem avançar números, Nacute disse que foram detidos alguns manifestantes tidos como agitadores nos municípios de Nacala Porto e Nampla.

O partido MDM contesta os resultados das eleições autárquicas divulgados pela Comissão Nacional de Eleições. Lutero Simango exige justiça eleitoral por parte do Conselho Constitucional.

Os resultados das eleições de 11 de Outubro já são conhecidos e as reclamações soam cada vez mais alto.
Esta sexta-feira, o partido Movimento Democrático de Moçambique convocou a imprensa para distanciar-se e manifestar insatisfação, ao que Lutero Simango chamou de “mega fraude eleitoral”.

O líder do partido voltou a acusar a Comissão Nacional de Eleições e o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral de favoritismo ao partido Frelimo e de ter facilitado a ocorrência de todas as irregularidades.

“A manipulação e a fraude foram montados pela CNE e o STAE para beneficiar o partido Frelimo. Por isso, em Moçambique, nós precisamos de eleições livres, justas e transparentes e que a vontade popular seja respeitada”.

O município da cidade da Beira é o único na posse do partido de Lutero Simango. Ainda assim, o MDM considera ter havido má-gestão do processo, com o enchimento de urnas em algumas autarquias.

“O MDM não subscreve os resultados que foram anunciados pela CNE e não correspondem à verdade e nem à vontade popular dos mocambicanos”, acrescentou Simango.

Para já, o líder do MDM diz esperar justiça por parte do Conselho Constitucional, órgão responsável por validar os resultados.
“Queremos apelar ao Conselho Constitucional que tenha responsabilidade jurídica de repor a justiça eleitoral, esta deve ser feita como a única forma de garantir a credibilidade não só do processo em si, mas do sistema judiciário em Mocambique”.

Lutero Simango falava a jornalistas, em conferência de imprensa, esta sexta-feira, um dia depois do anúncio de resultados das autárquicas pela Comissão Nacional de Eleições.

A Renamo em Nampula convocou a imprensa para manifestar seu repúdio e desagrado pelos resultados proclamados pela Comissão Nacional de Eleições na tarde desta quinta-feira. A delegada provincial do partido, Abiba Aba disse que a perdiz vai lutar até que a verdade seja reposta. “Vamos lutar até que o Conselho Constitucional faça valer a lei. Ouvimos muito bem que eles vão se pronunciar daqui a cinco dias, sobre todos os recursos feitos aqui em Nampula nas oito autarquias”.

Aba disse que mesmo se o CC valide os resultados anunciados pela CNE, o seu partido não vai entregar o poder.

“Porque nós ganhamos e é preciso entregar a Renamo aquilo que é o seu poder”, reiterou.

A conferência de imprensa onde Aba fez estas declarações realizou-se na noite de quinta-feira, na cidade de Nampula.

Houve confrontos entre a Polícia e os manifestantes da Renamo, na Cidade de Maputo. A Polícia usou gás lacrimogéneo para dispersar os simpatizantes, que reivindicavam a vitória nas eleições de 11 de Outubro, na capital do país.

A marcha, que teve como ponto de partida a Praça dos Trabalhadores, na baixa da cidade, foi interrompida na Avenida 24 de Julho, local onde estavam posicionadas várias viaturas da Polícia, que impediam a passagem dos manifestantes, a maioria dos quais jovens.

A marcha tinha como destino o Conselho Constitucional, órgão responsável por validar os resultados das eleições autárquicas, com o objectivo de exigir transparência e imparcialidade. A Renamo diz esperar que as decisões sejam tomadas de acordo com a lei.

Estes acontecimentos ocorrem um dia depois de a Comissão Nacional de Eleições anunciar os resultados das eleições, que dão vitória ao partido Frelimo em 64 autarquias. Neste escrutínio, a Renamo perdeu em todas as autarquias.

Na marcha, Venâncio Mondlane, cabeça-de-lista da Renamo na Cidade de Maputo reagiu aos resultados, dizendo que o Estado moçambicano está partidarizado. “A decisão da CNE é um rascunho. Aquilo é pior que papel higiénico e não vale absolutamente nada”.

Mondlane avisou, também, que os seus simpatizantes vão “boicotar” as receitas fiscais do município. “Não vamos pagar nenhuma taxa, nenhum  imposto do município. Não vamos pagar absolutamente nada nos mercados”, assegurou.

Clementina Bomba, secretária-geral da Renamo, diz que, ao divulgar estes resultados, a CNE “agrediu de forma grave a democracia” e perdeu a oportunidade de ser uma instituição credível, perpetuando a ditadura no país.

A Renamo reitera que não vai aceitar a vitória da Frelimo e que as manifestações vão continuar em todo o país até à reposição da verdade eleitoral.

A cidade de Nampula acordou agitada hoje. Há registo de tumultos em resposta aos resultados eleitorais apresentados, ontem, pela Comissão Nacional de Eleições.

A nossa equipa está nas ruas principais da cidade, onde decorre a concentração de pessoas, queima de pneus, encerramento de lojas e instituições públicas,  o que está a criar agitação.

Escolas primárias e secundárias no centro da cidade interromperam aulas. A Polícia está a circular pelas principais vias a extinguir as chamas dos pneus incendiados e a proibir a venda de pneus usados. A segurança foi reforçada nas imediações da residência do Governador de Nampula e o comércio está praticamente encerrado.

Com a anunciada vitória da Frelimo, na chamada capital do Norte, o seu cabeça-de-lista, Luís Giquira, poderá ser o próximo edil, um facto contestado pelos membros e simpatizantes da Renamo, que asseguram que a vitória pertence ao seu partido e referem que não vão ceder o poder.

Já em Nacala Porto, de acordo com um comunicado emitido pelo partido Renamo esta manhã, a nível local, ontem houve arremesso de pedras e objectos similares, contra pessoas, viaturas em plena circulação ou parqueadas, queima de pneus, quebra de montras entre outros, durante a proclamação dos resultados pela Comissão Nacional de Eleições.

Na nota, a Renamo diz que parte dos envolvidos nessas escaramuças são oportunistas e não simpatizantes do partido.

“Houve também bens dos dirigentes da Renamo danificados, a exemplificar, o esvaziamento de pneus do carro do Delegado Político Distrital de Nacala, Rassi Daúdo”, referem.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, recebeu mensagens de agradecimento endereçadas pela Universidade de Defesa Nacional e a Escola Nacional de Guerra dos Estados Unidos da América.

As mensagens de agradecimento surgem na sequência da palestra proferida por Filipe Nyusi, em Setembro último, aquando da visita de trabalho que efectuou àquele país, indica um comunicado da Presidência da República.

Na mensagem, o Presidente da Universidade de Defesa Nacional, refere que durante a palestra, ao partilhar as experiências sobre a importância do diálogo e da discrição nas negociações, tocou no íntimo dos estudantes da Academia Militar.

Filipe Nyusi recebeu igualmente agradecimentos do Comandante do Colégio Nacional de Guerra, Major-General do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos da América, e Vice-Comandante da mesma instituição académica que expressaram o seu apreço pelos pontos de vista de Nyusi no capítulo da Resolução de Conflitos.

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