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O País – A verdade como notícia

Está em revisão o orçamento para as eleições gerais deste ano. De acordo com o Orçamento do Estado, o processo deverá custar cerca de 6,5 mil milhões de Meticais.

A cerca de um mês do arranque do recenseamento eleitoral, a base para as eleições gerais de 9 de Outubro, o orçamento para o escrutínio está em processo de revisão.

Depois de o Governo ter definido, no Orçamento do Estado, cerca 6,5 mil milhões de Meticais como o custo das eleições, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) diz haver necessidade de ajustar alguns elementos propostos pelo Governo e aprovados pelo Parlamento.

“O processo de aprovação do orçamento segue várias etapas: primeiro do Governo, depois da Assembleia da República. Há uma reacção que nós fizemos agora, de reajuste ao orçamento que nos foi disponibilizado, e, em função disso, vamos, depois, partilhar os números com exatidão, que é para não criar confusão”, explicou Paulo Cuinica, porta-voz da Comissão Nacional de Eleições.

O porta-voz da CNE falava à margem de uma mesa redonda que abordou as próximas eleições gerais deste ano, evento organizado pelo Instituto para a Democracia Multipartidária.

Na ocasião, o IMD, através do seu director de programas, Dércio Alfazema, apelou para a melhor organização interna dos partidos políticos. “Temos estado, também, a apelar aos partidos políticos para que organizem esses processos internos de forma transparente e íntegra, para que os candidatos que forem a resultar desses processos não venham ser alvo de contestação a nível dos partidos e também a nível da opinião pública.”.

Por sua vez, o jornalista Tomás Vieira Mário defende que os candidatos presidenciais devem ser escolhidos com base na ética e competência, sem se olhar para a região de origem.

“Provou-se que não é por ser de Cabo Delgado que haverá desenvolvimento. Gaza é tão pobre como estava antes da independência, mas esteve lá Chissano, como Presidente da República. Cabo Delgado não melhorou por causa do Presidente Nyusi, portanto a ideia de que a origem regional beneficia a região é falsa”, explicou Tomás Vieira Mário.

Para já, a CNE garante que está em preparação o processo de formação dos agentes que vão trabalhar no recenseamento eleitoral, cujo material já está disponível nas províncias.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, recebeu uma mensagem endereçada pelo Papa Francisco, por ocasião da celebração do Dia Mundial da Paz.
A mensagem do Santo Padre foi endereçada sob o lema “Inteligência Artificial e Paz” e é subdividida em oito subtemas, nomeadamente: O progresso da ciência e da tecnologia como caminho para a Paz; futuro da inteligência artificial, por entre promessas e riscos; tecnologia do futuro: máquinas que aprendem sozinhas; sentido do limite, no paradigma tecnocrático; temas quentes para a ética; transformaremos as espadas em relhas de arado?; desafios para a educação; e desafios para o desenvolvimento do Direito Internacional.”

No tema “O progresso da ciência e da tecnologia como caminho para a paz”, segundo uma nota do Presidência da República, Papa Francisco sublinha que os progressos notáveis das novas tecnologias da informação, sobretudo na esfera digital, apresentam oportunidades entusiasmantes, mas também graves riscos com sérias implicações na prossecução da justiça e da harmonia entre os povos. Por isso, segundo escreve, “torna-se necessário que os Homens se interroguem sobre algumas questões urgentes: quais serão as consequências, a médio e longo prazo, das novas tecnologias digitais? E que impacto terão elas sobre a vida dos indivíduos e da sociedade, sobre a estabilidade e a paz?”

No segundo tema, “O futuro da Inteligência Artificial, por entre promessas e riscos”, o Santo Padre reconhece que os progressos da informática e o desenvolvimento das tecnologias digitais, nas últimas décadas, começaram já a produzir profundas transformações na sociedade global e nas suas dinâmicas. Observa que “os novos instrumentos digitais estão a mudar a fisionomia das comunicações, da administração pública, da instrução, do consumo, dos intercâmbios pessoais e de inúmeros outros aspectos da vida diária.”

Todavia, o Santo Padre adverte que “o resultado positivo da Inteligência Artificial e de todas as transformações tecnológicas só será possível se a sociedade se demonstrar capaz de agir de maneira responsável e respeitar valores humanos fundamentais como a inclusão, a transparência, a segurança, a equidade, a privacidade e a fiabilidade.”

No subtema sobre “A tecnologia do futuro: máquinas que aprendem sozinhas”, o Santo Padre reconhece que, nas suas múltiplas formas, a inteligência artificial, baseada em técnicas de aprendizagem automática (machine learning), embora ainda numa fase pioneira, já está a introduzir mudanças notáveis no tecido social, exercendo uma influência profunda nas culturas, nos comportamentos sociais e na construção da paz.

No subtema, “O sentido do limite no paradigma tecnocrático”, Sua Santidade destaca a vastidão do mundo, ao mesmo tempo que o vê como variado e complexo para ser completamente conhecido e classificado.

Nestes termos, o Papa Francisco entende que a mente humana nunca poderá esgotar a sua riqueza, nem sequer com os avanços tecnológicos agora registados. E adverte à humanidade sobre o risco de, na obsessão de querer controlar tudo, perder o controlo sobre si mesmo; e na busca de uma liberdade absoluta, de cair na espiral de uma ditadura tecnológica.

Na sua abordagem sobre “Temas quentes para a ética”, o Sumo Pontífice afirma que as formas de Inteligência Artificial parecem capazes de influenciar as decisões dos indivíduos através de opções predeterminadas associadas a estímulos e dissuasões, ou então através de sistemas de regulação das opções pessoais baseados na organização das informações.

Com efeito, sublinha que estas formas de manipulação ou controlo social “requerem atenção e vigilância cuidadosas, implicando uma clara responsabilidade legal por parte dos produtores, de quem os contrata e das autoridades governamentais.”

Ao abordar o subtema “Transformaremos as espadas em relhas de arado?”, o Papa Francisco pede que não se ignorem as graves questões éticas relacionadas ao sector dos armamentos. Igualmente, apela que não se ignore a possibilidade de “armas sofisticadas caírem em mãos erradas, facilitando, por exemplo, ataques terroristas ou intervenções visando desestabilizar instituições legítimas de Governo.”

Para se ter um futuro melhor para a humanidade, o Papa defende a necessidade de um diálogo interdisciplinar, voltado para um desenvolvimento ético em que sejam os valores a orientar os percursos das novas tecnologias.

Sobre “Desafios para a educação”, o Sumo Pontífice destaca a necessidade de um desenvolvimento tecnológico que respeite e sirva a dignidade humana, pois esta tem implicações claras para as instituições educativas e para o mundo da cultura. E sugere que a educação para o uso de formas de Inteligência Artificial deve visar sobretudo a promoção do pensamento crítico.

No capítulo sobre “Desafios para o desenvolvimento do Direito Internacional”, o Papa Francisco refere que o alcance global da Inteligência Artificial deixa claro que, junto da responsabilidade dos Estados soberanos de regular a sua utilização internamente, as Organizações Internacionais podem desempenhar um papel decisivo na obtenção de acordos multilaterais e na coordenação da sua aplicação e implementação.”

Rasaque Manhique diz que o seu gabinete de trabalho será apenas um lugar para o contacto com documentos e que será um edil de rua, porque é lá onde estão os munícipes. O novo presidente da autarquia de Maputo iniciou as funções esta quinta-feira.

Rasaque Manhique chegou ao edifício do Conselho Municipal de Maputo por volta das 08h30, para dar início às suas actividades como o novo presidente da autarquia. À chegada, foi saudado pelos colaboradores do seu novo local de trabalho.

No primeiro dia como edil eleito da capital do país, Manhique questionava de tudo um pouco, mas também procurava ouvir atentamente tudo o que lhe era dito.

Foi o que se viu na sua primeira actividade, esta quinta-feira, quando manteve, no seu gabinete de trabalho, um encontro com a presidente eleita da Assembleia Municipal, Maria Nhancale.

Enquanto isso, os membros do órgão investidos esta quarta-feira aguardavam do lado de fora, nos corredores, a primeira sessão ordinária, convocada pelo novo presidente do Conselho Municipal de Maputo.

Depois de cerca de 20 minutos de conversa, Rasaque Manhique e Maria Nhancale saíram do gabinete em direcção à sala de sessões da Assembleia Municipal de Maputo.

Já na pele de autarca e em funções, garantiu estar tudo a postos para um trabalho que considera de continuidade.

“Encontrámos uma casa já a andar, não estamos aqui para colocar a primeira pedra. A pedra já existe, estamos cá para correr com o trabalho e ir ao encontro das principais inquietações da nossa querida população”, avançou.

Reiterou também as principais apostas durante os 60 meses de governação. “Precisamos de reduzir o sofrimento dos munícipes nas paragens, que esperam por um meio de transporte condigno, precisamos de aliviar o sofrimento daqueles que vivem por cima e por baixo das águas das chuvas. É doloroso, por isso acredito que, com a equipa que vamos compor, temos de estar todos juntos na busca de soluções. Se me perguntar se é fácil, direi que não é, mas estamos aqui para correr, estamos aqui para que, com determinação, andemos atrás dessas soluções”, disse.

O autarca assegura que será um homem de contacto permanente com os munícipes. “O nosso gabinete deverá ser um lugar para o contacto apenas com os documentos. Porque a seguir temos de ir lá, onde está a população, temos de vestir o fato-macaco e ir ao encontro das pessoas”.

Após as breves palavras ao jornal O País, Rasaque seguiu para a sessão da Assembleia, com agenda única: submissão do documento para a aprovação de 10 vereações.

Verificado o quórum, deu-se início à reunião, na qual participaram os 70 membros da Assembleia Municipal.

O encontro, que durou mais de duas horas, marcou a principal agenda de Manhique, no seu primeiro dia de trabalho à frente dos destinos da autarquia de Maputo.

Rasaque Manhique, eleito nas eleições autárquicas de 11 de Outubro, tomou posse como edil da capital, esta quarta-feira, dia 07 de Fevereiro, e prometeu fazer de Maputo uma cidade do futuro.

A cerimónia de tomada de posse teve lugar no salão nobre do Conselho Municipal de Maputo. O evento ficou marcado pelo boicote de Venâncio Mondlane, segundo cabeça-de-lista mais votado, que reclama vitória na eleição. Refira-se que foram investidos 70 novos membros da Assembleia Municipal, sendo 37 da Frelimo, 29 da Renamo e quatro do Movimento Democrático de Moçambique.

Rasaque Manhique: “Temos de vestir o fato-macaco e ir ao encontro das pessoas”

“Estou aqui para ‘djimar'”. Foi recorrendo a uma expressão de calão muito usada que traduz a palavra “trabalhar” que Albano Carige se dirigiu aos “beirenses”, esta quarta-feira, no acto de empossamento como edil da Beira. 

Sem muito formalismo, e com uma linguagem directa, Albano Carige apelou, na ocasião, a todos os “beirenses” a unirem esforços no processo de melhoria da qualidade de vida nesta autarquia. Recebido os símbolos da República e do Município da Beira, Albano Carige assegurou que irá trabalhar dia e noite para que esta autarquia continue na rota do desenvolvimento. 

“Estou pronto para ‘djimar’. Quem ganhou não foi Albano Carige. Quem ganhou foi a população da Beira”, frisou Albano Carige. 

Ademais, o edil pediu aos munícipes para esquecerem as suas diferenças políticas e, juntos, encontrarem as melhores plataformas para o desenvolvimento da urbe. E, como que a apontar o caminho para este desenvolvimento, deixou ficar algumas áreas que, desde já, irão merecer atenção por parte do Conselho Autárquico da Beira, nomeadamente :

“Arranque do projecto da segunda vala de drenagem nas Palmeiras, Matacuane, Macuti e Estoril. Vamos, igualmente, trabalhar na questão da segunda bacia de retenção de Estoril”, precisou Albano Carige. 

Tal como no passado, o edil da Beira criticou o Governo central pela falta de canalização de Fundos de Compensação Autárquica.

Na ocasião, deixou claro que não constitui nenhum favor o endossamento deste valor por parte do Governo central, que ficou sem canalizar o mesmo durante alguns meses de 2022 e 2023. “Os beirenses sabem que este fundo não é um favor para os munícipes. Há quem se engane, dizendo que ele está a chorar. Está aqui a minha população que me dá dinheiro”, notou. 

Aos órgãos de justiça, Albano Carige lançou farpas e ou críticas por, supostamente, permitirem interferências políticas. Carige pediu, por outro lado, celeridade no julgamento de processos-crimes com todas as provas apresentadas, sem interferência política . “Nós não queremos, na cidade da Beira, criminosos que se sentem protegidos pela Quinta Secção do Tribunal Judicial da Cidade da Beira”, ironizou Albano Carige 

O ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, mandatário do Chefe de Estado, apelou aos órgãos autárquicos a salvaguardar os interesses nacionais. “Desenvolvendo um trabalho harmonioso e de complementaridade numa perspectiva de transformar as diferenças em oportunidades. Que a cidade da Beira seja o epicentro da convergência do nosso pensamento comum na perspectiva de paz, união e desenvolvimento. 

A tomada de posse de Carige foi antecedida da investidura dos membros da Assembleia Municipal. 

Jacinta dos Remédios foi eleita presidente da Assembleia Municipal da Beira, substituindo Ricardo Lange, também do MDM, que teve dois mandatos como presidente.

Rasaque Manhique assumiu a presidência do Município de Maputo e prometeu combater a corrupção na autarquia, ainda que seja necessária a queda de altos dirigentes municipais.

O quarto edil da história da autarquia de Maputo, Rasaque Manhique, recebeu, esta quarta-feira, as pastas do seu antecessor, Eneas Comiche, perante uma audiência composta por políticos, religiosos, sociedade civil e munícipes da capital.

O cerimonial seguiu o mesmo padrão das outras 65 autarquias do país, pelo que o destaque vai para o discurso do novo timoneiro da maior autarquia a nível nacional. Rasaque Manhique prometeu uma cidade de excelência na satisfação das necessidades dos mais de um milhão de habitantes.

“Não sejamos, nós, esbanjadores do erário público, gastando dinheiro com despesas alegando necessidade. Não deve ser necessidade corrermos para comprar, por exemplo, para os nossos dirigentes e quadros, se a nossa população sofre todos os dias nas paragens”, disse Manhique, sendo logo em seguida ovacionado pelos presentes.

O novo Presidente do Conselho Municipal de Maputo quer combater a erosão, proteger as famílias das inundações urbanas, flexibilizar a emissão de Duats e lutar contra corrupção, nem que para isso seja necessária a queda de dirigentes municipais. “Temos a certeza que vamos combater (a corrupção), ainda que os primeiros a tombarem nesta luta sejam os mais altos quadros e dirigentes municipais”, avisou.

Fala ainda da necessidade de reaproximação da autarquia aos munícipes. Exemplifica que “o venha amanhã porque o chefe não está, o director não está, venha amanhã porque o Presidente ainda não assinou, não deve ser apanágio na nossa direcção municipal”, afirmou o edil de Maputo. 

Na hora da saída, Eneas Comiche agradeceu o apoio dos munícipes e fez questão de dizer que nos próximos dias, a autarquia continuará a colher os resultados do seu trabalho. Se a autarquia já tem um silo-auto construído sob iniciativa do Conselho Municipal, Comiche avançou que “foram elaborados outros três projectos executivos para a construção de três silo-autos, com financiamento disponível e que não foram executados com financiamento do Conselho Municipal”, disse, acrescentando que “o distrito municipal KaNyaka receberá, dentro de dias, duas viaturas mistas e robustas de transporte de carga e passageiros. Até ao final deste ano KaNyaka terá uma ponte cais para o embarque e desembarque de passageiros das embarcações”, disse Comiche no fim do seu segundo mandato. 

O empossamento do Presidente do Conselho Municipal foi antecedido da investidura de 70 dos 71 membros da Assembleia Municipal. Venâncio Mondlane, cabeça-de-lista da Renamo, foi o único ausente. Maria Nhancale, da bancada da Frelimo, foi eleita Presidente da Assembleia Municipal. 

Milhares de munícipes, membros e simpatizantes da Renamo estiveram na Praça da Independência a acompanhar a cerimónia de empossamento do edil de Quelimane, Manuel de Araújo. 

Nas suas primeiras palavras, Manuel de Araújo disse que a sua tomada de posse para o quarto mandato é fruto da coragem dos munícipes de Quelimane. “A CNE tinha nos roubado os resultados, graças a mulheres e jovens desta cidade. Queremos informar a quem de direito que nós estávamos dispostos a marchar até que nos dessem a nossa vitória. Se não nos tivéssemos dado a nossa vitória, não teríamos aqui a tomada de posse” disse Manuel de Araújo.

De Araújo agradeceu ao Presidente da República por aceitar a sua vitória e da Renamo em Quelimane. “ Doeu em mim e a cada um destas mães, homens e jovens que estão aqui, marchar 44 dias sem água. Não era preciso fazer sofrer o nosso povo. Dói-nós a alma que uma senhora condenada em tribunal, condenada a 30 dias de cadeia, e hoje toma posse na sua presença senhora ministra”, disse Manuel de Araújo, em discurso direccionado à ministra da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos. 

“Não pode haver justiça quando não há transparência. Os senhores do STAE deviam estar no banco dos réus, mas adiaram o  julgamento para uma data não anunciada”, disse de Araújo, acusando o sector de justiça de serem “bandidos”. Foi uma tomada de posse em que Manuel de Araújo fez o seu desabafo, à volta do processo eleitoral. O edil mandou recados aos que gerem o processo eleitoral e não só. 

Antes da tomada de posse, 45 membros da assembleia municipal foram investidos, dentre eles 23 da Renamo, 21 da Frelimo e um do MDM. Sucede que um membro da Frelimo não foi investido por estar preso, condenado por ter sido flagrado com boletins de votos durante a realização da votação autárquica do dia 11 de Outubro do ano passado. 

Já está a ser alocado o material de recenseamento para as eleições gerais de 9 de Outubro. A informação foi avançada hoje pela Comissão Nacional de Eleições, na apresentação do calendário eleitoral. 

Lembre-se, o recenseamento, que deveria estar a decorrer neste mês de Fevereiro, adiado para Março e Abril, porque ainda não havia condições logísticas e devido à época chuvosa.

O calendário eleitoral, ora apresentado esta quarta-feira, indica que o recenseamento para as eleições gerais deverá ocorrer daqui a cerca de um mês, isto é, de 15 de Março a 28 de Abril.

A falta de condições logísticas e o pico da época chuvosa determinou a alteração das datas do processo, por via da revisão da Lei do Recenseamento Eleitoral, sendo que antes tinha sido marcado para Fevereiro em curso.

A Comissão Nacional de Eleições diz haver condições já criadas, faltando apenas a alocação do material para algumas províncias. “Os materiais já estão na maior parte das províncias para se poder realizar o recenseamento, já temos as pessoas recrutadas, no caso, os agentes eleitorais e serão formados a partir da próxima semana, para poderem trabalhar neste processo eleitoral”, disse o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições, Paulo Cuinica.

Cuinica falava esta quarta-feira, à margem da apresentação do novo calendário eleitoral pela CNE, aos partidos políticos e coligações. 

Além do processo de recenseamento eleitoral, o calendário não prevê outras alterações. “O recenseamento eleitoral no estrangeiro será realizado entre os dias 30 de Março de 2024 e 28 de Abril de 2024. A publicação pela CNE do número total de cidadãos  recenseados, será no dia 04 de Junho de 2024 a 09 de Junho de 2024”, explicou Lucas José. 

Os partidos políticos não querem ver repetidos os erros do processo eleitoral passado. “Tivemos situações de mobiles avariados,  nalguns locais,  as listas foram pré-definidas, onde se indicava quem devia ou não recensear ”, disse Sílvia Cheia, mandatária do Movimento Democrático de Moçambique. 

Para a mandatária do partido Renamo, Glória Salvador, “o problema da troca dos nomes nos cadernos eleitorais não tem a ver com chuva, mas é uma prática que acontece sempre e é feita de propósito para prejudicar o processo ”. 

Já o partido Frelimo, considera que há muito trabalho a ser feito, para que se cumpram as datas previstas.

“Vamos adaptar as nossas actividades, como forma de não passar a vida a choramingar, o que vai exigir muito esforço pelo facto de o tempo estar cada vez mais a ficar curto”, disse João Muchine. 

O período de submissão de candidaturas dos interessados em disputar as eleições mantém-se entre os dias 13 de Maio e 10 de Junho e a campanha eleitoral será realizada entre 24 de Agosto e 06 de Outubro.

Registaram-se momentos de tensão durante a tomada de posse dos membros da assembleia municipal de Quelimane entre Manuel de Araújo, edil de Quelimane, e o Juiz presidente do Tribunal judicial da Zambézia, Paulo Cinco Reis, que dirigiu a cerimónia.

Tudo começou depois de o juiz presidente do tribunal judicial da Zambézia fazer abertura do edital do apuramento das últimas eleições autárquicas. Paulo cinco Reis fez a verificação da identidade e legitimidade dos eleitos. Na acta lida, um dos membros da Frelimo, identificado por Alexandre Luís da Rocha faltou à investidura e as razões invocadas na ocasião foram de motivos desconhecidos.

Foi neste ponto onde começou o problema. Manuel de Araújo reclamou deste facto por entender que se faltou com a verdade. Explicou que Alexandre da Rocha está preso por ter sido encontrado a introduzir boletins de voto nas eleições autárquicas de 11 de Outubro do ano passado, por isso, no seu entender, devia constar na acta lida em público. 

“Esta acta não reflecte a justiça, nem aquilo que é do conhecimento público dos munícipes de Quelimane, pelo que peço a retificação, porque todos nós somos munícipes e cidadãos deste país. Todos nós, incluindo a senhora directora da justiça, que esteve no dia do julgamento, sabemos porque é que o senhor Alexandre Rocha não está aqui”, disse Manuel de Araújo paralisando momentaneamente o evento.

Acrescentou que “Alexandre Rocha não está aqui porque ele está preso porque foi apanhado em flagrante delito a meter votos no dia 11 de Outubro, portanto, entendo que não pode ser por razões desconhecidas, mas sim pelo que já se sabe. Temos que ser transparentes e termos acção educativa “, frisou.

Beatriz Alberto Nhaulau, da Frelimo, foi eleita a presidente da Assembleia Municipal da Matola, com 38 votos, o que corresponde a 72.77 %, substituindo, assim, a Vasco Mutisse. O seu opositor da Renamo, Alberto Nhaúngue, obteve 32 votos, correspondentes a 48.61 %. Houve, por outro lado, 3 votos nulos. 

Apesar de a Frelimo ter 37 assentos, somou 38 votos, o que quer dizer que um dos votos veio da Renamo ou mesmo do Movimento Democrático de Moçambique, este último que não apresentou qualquer candidato para a composição da mesa da Assembleia Municipal da Matola.

Para o cargo de vice-presidente da mesa foi eleito o também membro da Frelimo, Tomo Cardoso, com 37 votos, equivalente a 51.39 %, o mesmo número de votos obtido por Titos Vilanculos, também da Frelimo, para o cargo de secretário-geral do mesmo órgão municipal. O que significa que todos os membros da mesa são do mesmo partido, ou seja, da Frelimo.

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