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O País – A verdade como notícia

Governo promete recuperar estradas de gaza, maputo e Inhambane antes das chuvas

O Governo promete iniciar, em Setembro, as obras de reabilitação das zonas mais críticas da rede rodoviária afectada pelas chuvas na província de Gaza. O ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, admite que a intervenção na província está atrasada e diz que a prioridade é garantir maior resistência das

A revisão do Código de Estrada prevê videovigilância nas vias públicas, carta de condução por pontos e reforço do controlo sobre condutores. Na sessão desta terça-feira, o porta-voz disse que o Governo acompanha o caso de 14 moçambicanos recrutados para trabalhar numa mina na República Centro-Africana, bem como avaliou a reactivação da Mozal, que poderá regressar com outras formas de funcionamento.

O Governo pretende introduzir um novo sistema de fiscalização rodoviária através de câmaras de videovigilância instaladas nas vias públicas, no âmbito da revisão do Código de Estrada aprovada pelo Executivo e que deverá ser submetida à Assembleia da República.

A medida surge com o objectivo de reforçar o controlo das infracções de trânsito, acompanhar a evolução tecnológica e melhorar os mecanismos de segurança rodoviária, segundo explicou o porta-voz do Conselho de Ministros, Salim Valá.

“A lei autoriza o Governo a rever o Código de Estrada com vista a adequar as normas à dinâmica do trânsito rodoviário nacional e internacional, aos avanços tecnológicos e à mobilidade sustentável”, afirmou.

Entre as alterações previstas está também a introdução da carta de condução por pontos, um modelo já aplicado em vários países, no qual cada condutor inicia com uma determinada pontuação que pode ser reduzida mediante infracções cometidas.

Segundo o Governo, a perda acumulada de pontos poderá resultar em sanções mais severas, incluindo a suspensão do direito de conduzir.

O novo sistema prevê ainda o reforço da fiscalização de condutores profissionais, particularmente os ligados ao transporte de passageiros e mercadorias, além da inclusão de novas categorias de veículos, como eléctricos, movidos a gás e híbridos.

Questionado sobre a relação entre o novo projecto e as câmaras de segurança anteriormente instaladas na cidade de Maputo, Salim Valá esclareceu que se trata de uma iniciativa distinta.

“Não tem nada a ver com aquilo que aconteceu no passado, no projecto anterior. Este processo agora aprovado leva o seu tempo de maturação e, num momento apropriado, o Governo irá esclarecer como será feita a implementação e os prazos concretos”, explicou.

 

Governo acompanha caso de 14 moçambicanos na República Centro-Africana

Durante a mesma sessão, o Conselho de Ministros analisou com preocupação a situação de 14 cidadãos moçambicanos alegadamente recrutados para trabalhar numa mina na República Centro-Africana.

Segundo o Executivo, os cidadãos encontram-se na província de Pendé, na região de Bozoum, e enfrentam dificuldades relacionadas com a retenção dos seus documentos.

“Dos 14 cidadãos, apenas três mantêm os seus passaportes, tendo sido retirados pelos empregadores os outros 11 passaportes”, informou o porta-voz do Governo.

O Executivo garante que já estabeleceu contacto com um dos trabalhadores e está a desenvolver diligências junto da Organização Internacional das Migrações e outras entidades para assegurar o repatriamento dos cidadãos.

 

Reactivação da Mozal continua em negociação

Relativamente à situação da Mozal, uma das maiores unidades industriais do País, o Governo informou que continuam em curso contactos para encontrar soluções que permitam a retoma e fortalecimento da empresa.

Salim Valá explicou que existe uma equipa técnica a trabalhar com as entidades envolvidas e apelou à prudência na divulgação de informações antes da conclusão das negociações.

“Não seria bom virmos aqui antes do desfecho e transmitir mensagens intermédias que possam criar outros ruídos. Estamos a aguardar o momento adequado para comunicar”, afirmou.

O Executivo confirmou também a extinção do Parque de Tecnologias de Maluana, decisão apresentada como parte das reformas destinadas a reduzir duplicações e tornar a administração pública mais eficiente.

Segundo Salim Valá, a medida está alinhada com recomendações feitas durante as discussões com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Eliminar gorduras, evitar redundâncias e sobreposições. Vamos continuar nesta linha de reformas para que possamos voltar a ter um programa com o FMI”, declarou.

O porta-voz acrescentou que o Governo pretende melhorar os indicadores económicos, incluindo a gestão da dívida pública e da massa salarial, com vista a recuperar maior acesso a financiamento concessional.

Sobre os mais de 700 moçambicanos repatriados da África do Sul devido a episódios de xenofobia, o Governo anunciou que está a preparar um plano de apoio à reintegração social e económica destes cidadãos.

A iniciativa deverá seguir uma lógica semelhante aos programas de recuperação implementados após desastres naturais.

“São moçambicanos que estão a sofrer e nós queremos apoiar e criar condições para que todos os moçambicanos estejam bem”, afirmou Salim Valá.

O Executivo informou que equipas técnicas estão no terreno a avaliar a situação antes da apresentação pública de medidas concretas.

 

Parque dos Continuadores será alvo de requalificação

Na área do desporto, o Conselho de Ministros autorizou o ministro da Juventude e Desporto a constituir uma equipa técnica para negociar, por ajuste directo, com a Associação Black Bulls e a The Sport Club os termos de concessão para a requalificação do Parque dos Continuadores, em Maputo.

A iniciativa pretende transformar o espaço numa infraestrutura desportiva com melhores condições de utilização e gestão.

O Presidente da República, Daniel Chapo,  exonerou, através  de Despachos Presidenciais separados, Fernando Bemane de  Sousa do cargo de Secretário de Estado na Província de Cabo  Delgado, Plácido Nerino Pereira do cargo de Secretário de  Estado na Província de Nampula e Bendita Donaciano Lopes do  cargo de Secretária de Estado na Província de Inhambane.

No mesmo âmbito, o Chefe do Estado nomeou, igualmente por  Despachos Presidenciais separados, Plácido Nerino Pereira para o  cargo de Secretário de Estado na Província de Cabo Delgado,  Fernando Bemane de Sousa para o cargo de Secretário de  Estado na Província de Nampula e Arsénia Felicidade Félix  Massingue para o cargo de Secretária de Estado na Província de  Inhambane. 

Os actos inserem-se na dinâmica de gestão e fortalecimento da  governação provincial, em representação do Governo Central,  com vista a assegurar maior eficiência na execução das políticas  governamentais e na prestação de serviços aos cidadãos. 

O director provincial da Juventude, Emprego e Desporto de Inhambane, Leonardo Bassanhane Macucule, partilhou, nesta segunda-feira, com os deputados membros do Gabinete da Juventude Parlamentar (GJP) os principais desafios que afectam a juventude da província, com destaque para o desemprego, o acesso à terra infra-estruturada e o consumo de drogas e de álcool.

Falando durante um encontro de trabalho com deputados do GJP, que se encontram em jornadas parlamentares naquela província, Macucule afirmou que o acesso à terra constitui uma preocupação particular nos distritos costeiros, onde os terrenos possuem elevado valor económico devido ao turismo e à extensa ocupação por coqueirais, dificultando a sua disponibilização para habitação.

“O consumo de drogas é um fenómeno preocupante, por gerar diversos problemas sociais e comprometer o desenvolvimento da juventude”, disse Macucule, sublinhando que está prevista para Julho próximo a realização do Observatório Provincial da Juventude, espaço que servirá para discutir os principais assuntos que afectam os jovens.

Por sua vez, Augusto Júlio Amaral, chefe do Departamento de Juventude e Emprego, explicou que as formações ministradas aos activistas, apesar dos custos elevados, têm contribuído para a geração de rendimento, promoção do empreendedorismo juvenil e sensibilização sobre cidadania sexual e reprodutiva.

A província conta, actualmente, com 20 Serviços Amigos dos Adolescentes e Jovens (SAAJ), complementados por cantinhos de aconselhamento nas escolas secundárias, que trabalham em questões relacionadas com HIV/SIDA, uniões prematuras e violência baseada no género.

Segundo Amaral, Inhambane não regista elevados índices de uniões prematuras, sendo que os poucos casos reportados são devidamente acompanhados pelas autoridades.

No âmbito da formação profissional, foram recebidas 4662 candidaturas, das quais 4615 jovens que serão formados em dez áreas, designadamente, construção civil, carpintaria, refrigeração, electricidade automóvel e outras. Foram, igualmente, financiados 28 jovens através do programa Agora Emprega e, em 2025, outros 39 jovens beneficiaram do Fundo de Apoio às Iniciativas Juvenis (FAIJ).

Por seu turno, o presidente do Conselho Provincial da Juventude (CPJ), Claudino Majone, informou que existem actualmente 137 associações juvenis na província, das quais 88 possuem âmbito provincial.

“Contudo, muitas aguardam processos de revitalização, uma vez que alguns dos seus dirigentes já ultrapassaram a faixa etária considerada jovem”, explicou Majone, revelando que já se promoveu quatro diálogos inclusivos, cujas recomendações serão submetidas à Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo (COTE).

Neste sentido, o presidente do CPJ anunciou a realização, no próximo dia 19 de Junho, de uma marcha de repúdio a estas práticas e a promoção de actividades lúdicas e recreativas destinadas a ocupar os jovens e afastá-los destes comportamentos considerados de risco, para além da se estar em preparação a Caravana da Unidade Nacional, prevista para Agosto próximo.

Ainda na cidade de Inhambane, os jovens parlamentares reuniram-se com as associações juvenis e jovens no geral onde foram instados a fazer advocacia junto de quem de direito, para a desburocratização da legalização das associações juvenis que tem contribuído para que agremiações desta faixa etária possam operar com segurança legal na província.

O Presidente da República, Daniel Chapo, procedeu esta segunda-feira a uma remodelação nas Secretarias de Estado das províncias de Cabo Delgado, Nampula e Inhambane, através da exoneração e nomeação de novos titulares para aqueles órgãos de representação do Governo Central.

Segundo um comunicado da Presidência da República, os actos foram praticados ao abrigo da alínea e) do número 2 do artigo 159 da Constituição da República de Moçambique, que confere ao Chefe do Estado competência para nomear e exonerar Secretários de Estado.

No âmbito das alterações anunciadas, Fernando Bemane de Sousa foi exonerado do cargo de Secretário de Estado na Província de Cabo Delgado, enquanto Plácido Nerino Pereira cessou funções como Secretário de Estado na Província de Nampula. Por sua vez, Bendita Donaciano Lopes deixou o cargo de Secretária de Estado na Província de Inhambane.

Em simultâneo, o Presidente da República determinou a redistribuição de dois dos dirigentes exonerados para novas funções. Plácido Nerino Pereira foi nomeado Secretário de Estado na Província de Cabo Delgado, enquanto Fernando Bemane de Sousa passa a desempenhar o cargo de Secretário de Estado na Província de Nampula.

Para a Província de Inhambane, o Chefe do Estado nomeou Arsénia Felicidade Félix Massingue para o cargo de Secretária de Estado, substituindo Bendita Donaciano Lopes.

De acordo com a Presidência da República, as mudanças enquadram-se na estratégia de reforço da governação provincial e visam aumentar a eficiência da administração pública, assegurando uma melhor coordenação entre o Governo Central e os órgãos locais do Estado.

“Os actos inserem-se na dinâmica de gestão e fortalecimento da governação provincial, em representação do Governo Central, com vista a assegurar maior eficiência na execução das políticas governamentais e na prestação de serviços aos cidadãos”, refere o comunicado.

Os Secretários de Estado desempenham um papel fundamental na implementação das políticas públicas ao nível provincial, funcionando como representantes do Governo Central nas províncias e assegurando a articulação entre as instituições nacionais e as estruturas locais de governação.

As mudanças assumem particular relevância em províncias como Cabo Delgado, que continua a enfrentar desafios relacionados com a reconstrução de infraestruturas, o regresso das populações deslocadas e a consolidação da estabilidade em distritos anteriormente afectados pela insurgência armada.

Em Nampula, a maior província do País em termos populacionais, os desafios passam pelo fortalecimento dos serviços públicos, desenvolvimento económico e gestão de uma vasta rede administrativa. Já Inhambane continua a apostar na valorização dos sectores do turismo, agricultura e pescas como motores do crescimento económico regional.

A cerimónia de tomada de posse dos novos dirigentes está marcada para esta terça-feira, 16 de Junho, no Gabinete de Trabalho do Presidente da República, em Maputo.

Na mesma ocasião, tomará igualmente posse João António Xirinda, recentemente nomeado para o cargo de Chefe do Protocolo do Estado, função responsável pela coordenação dos actos protocolares e cerimoniais da Presidência da República e do Estado moçambicano.

As alterações representam uma das primeiras reconfigurações da liderança provincial desde a tomada de posse do Presidente Daniel Chapo, sendo interpretadas como parte do processo de ajustamento da máquina governativa às prioridades definidas para o atual ciclo de governação.

O Presidente da República, Daniel Chapo, apela à protecção integral da criança  como responsabilidade colectiva da sociedade moçambicana. Chapo falava durante o encerramento das celebrações da Quinzena da Criança, com uma  confraternização realizada no Palácio da Ponta Vermelha.

Durante o encontro, o Chefe do Estado e a Primeira-Dama, Gueta Chapo, abriram as portas da residência oficial  presidencial para acolher crianças provenientes de vários pontos,  promovendo um momento de convívio marcado por actividades  culturais e pedagógicas. 

Na sua intervenção, o governante agradeceu aos pais,  encarregados de educação, educadores e demais cidadãos que  se dedicam ao cuidado e formação das crianças moçambicanas. 

O estadista reconheceu igualmente o trabalho desenvolvido por  instituições de assistência social, orfanatos e organizações  dedicadas à protecção da infância, destacando o esforço de  todos os profissionais e voluntários que contribuem para o bem-estar  das crianças em todo o território nacional. 

Referindo-se ao significado da data, o Presidente da República  recordou que a actividade decorreu no âmbito do encerramento  da Quinzena da Criança, iniciada a 1 de Junho, Dia Internacional  da Criança, e que culmina a 16 de Junho, Dia da Criança Africana. 

“A mensagem que queremos deixar aos pais, encarregados de  educação e às crianças que aqui representam todas as crianças  do país, do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico, é que  proteger a criança é responsabilidade de todos: dos pais, dos  encarregados de educação e de todos aqueles que cuidam da  criança”, declarou. 

O Chefe do Estado evocou ainda o legado do primeiro Presidente  de Moçambique independente, Samora Moisés Machel, ao  sublinhar a importância estratégica da infância para o  desenvolvimento nacional. “Porque, como dizia o nosso saudoso  Presidente, Samora Moisés Machel, a criança é uma flor que nunca  murcha”, afirmou.

O governante moçambicano explicou que a iniciativa de acolher  as crianças na Ponta Vermelha resultou da decisão da Primeira Dama de proporcionar um momento especial de celebração e  convívio. 

“Por isso, a Mamã Gueta, a nossa mãe, resolveu abrir a Ponta  Vermelha, a Casa dos Moçambicanos, para passarmos este dia  com as crianças, no âmbito das celebrações da Quinzena da  Criança”, disse. 

A encerrar, o Presidente da República dirigiu uma saudação às  crianças moçambicanas dentro e fora do país e prestou  homenagem aos educadores, profissionais da comunicação social,  artistas, músicos e promotores de iniciativas infantis. 

A Comissão Política da Frelimo extinguiu os órgãos do partido desde as células até à direcção provincial. O processo abre caminho para novas eleições internas e expõe a profundidade da crise organizacional no principal bastião da Frelimo.

Numa decisão que abala as estruturas do partido no seu mais histórico reduto eleitoral, a Comissão Política da Frelimo decidiu extinguir, com efeitos imediatos, todos os órgãos da organização política na província de Gaza, desencadeando um amplo processo de reestruturação destinado à eleição de novas lideranças.

A medida consta de um guião oficial aprovado durante a 69.ª Sessão Ordinária da Comissão Política, realizada a 29 de Maio último, em Macaneta, província de Maputo.

“O presente Guião tem por objectivo orientar a implementação da decisão da Comissão Política de cessação dos órgãos da Frelimo na Província de Gaza e consequente eleição dos novos órgãos”, lê-se no documento.

A decisão da Comissão Política surge num contexto de prolongada turbulência interna na Frelimo em Gaza, uma crise que, segundo membros e quadros do partido ” se arrasta há cerca de quatro anos”.

No centro das contestações esteve a liderança do primeiro-secretário provincial, Daniel Matavele, alvo de críticas e acusações de alegada gestão controversa da organização partidária. Entre as principais reclamações apresentadas por militantes, figuram alegações de favorecimento de determinados quadros nos processos internos de promoção política.

Uma das situações mais contestadas foi a alegada inclusão de familiares e pessoas próximas nas listas para a Assembleia da República. Militantes críticos do processo alegam que entre os beneficiários estaria Ivan Jones Matavele, filho do primeiro-secretário provincial, cuja ascensão política foi apontada por sectores internos como resultado de um processo supostamente marcado por favorecimentos e falta de transparência.

A deliberação representa uma intervenção sem precedentes recentes numa província considerada, durante décadas, um dos maiores bastiões políticos da Frelimo. A decisão surge numa altura em que o partido procura revitalizar as suas estruturas internas e responder a desafios organizacionais que vinham sendo reportados ao nível provincial.

O documento determina que, durante a fase transitória, a condução política da província passe a ser assegurada pela Brigada Central destacada para Gaza, cuja chefe assume a responsabilidade de coordenar todo o processo.

“A Chefe da Brigada Central dirige a Província até à eleição dos novos órgãos”, estabelece o guião.

A operação prevê a realização de reuniões e conferências em todos os escalões da organização partidária, desde as células até à conferência provincial, onde serão eleitos os novos dirigentes.

Mais do que uma simples renovação de quadros, o documento deixa transparecer a intenção de promover mudanças profundas no funcionamento interno da organização. Entre as orientações distribuídas às brigadas encarregues da missão consta a necessidade de incentivar a participação dos membros e desencorajar práticas consideradas prejudiciais à democracia interna.

“As brigadas devem desencorajar candidaturas únicas e promover a livre participação dos membros e militantes nos processos eleitorais”, refere o documento.

A Comissão Política pretende, igualmente, que a reorganização sirva para fortalecer a disciplina interna e recuperar a dinâmica das estruturas partidárias na província.

Entre as mensagens que deverão ser transmitidas aos militantes destacam-se o reforço da unidade, o rejuvenescimento dos órgãos e o cumprimento rigoroso dos estatutos do partido.

A decisão poderá marcar uma das mais profundas reconfigurações políticas internas da Frelimo em Gaza nos últimos anos. Ao extinguir simultaneamente todos os órgãos provinciais, o partido reconhece implicitamente a necessidade de uma renovação estrutural num território que sempre foi considerado um dos seus mais sólidos pilares eleitorais.

O processo deverá culminar com a eleição de uma nova direcção provincial, chamada a liderar uma organização que procura recuperar dinamismo e restaurar a confiança das suas bases num momento particularmente sensível da vida política moçambicana.

O Presidente da República, Daniel Chapo, manteve um contacto telefónico com o Presidente dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Sheikh Mohamed Bin Zayed Al Nahyan, durante o qual os dois Estadistas passaram em revista o excelente estado das relações de amizade, solidariedade e cooperação entre os seus países. 

De acordo com o comunicado da presidência da República, os dois Chefes de Estado reafirmaram o compromisso de continuar a aprofundar a parceria bilateral em áreas estratégicas de interesse comum, com destaque para o comércio, investimento, energia, infra-estruturas, agricultura, turismo e desenvolvimento sustentável. 

Por outro lado, durante a conversa, os dois líderes trocaram impressões sobre questões de interesse regional e internacional, sublinhando a importância do diálogo, da cooperação multilateral e da promoção da paz, estabilidade e prosperidade globais.

A delegação provincial da Renamo na Zambézia contestou as declarações recentemente proferidas por António Muchanga sobre os mecanismos de sucessão na liderança do partido, sustentando que a interpretação apresentada não corresponde ao conteúdo dos estatutos vigentes à época a que se refere.

A reacção foi manifestada por Inácio Reis, delegado político provincial da Renamo na Zambézia, que rejeitou a alegação de que os estatutos de 2006 previam a substituição automática do presidente do partido pelo presidente da Mesa do Conselho Nacional em caso de morte ou incapacidade permanente.

Segundo Reis, o dispositivo referido por Muchanga não constava dos estatutos então em vigor, tendo sido introduzido posteriormente no âmbito das alterações efectuadas para colmatar lacunas identificadas na organização interna do partido.

“O estatuto de 2006, que está a ser invocado, não dizia que, em caso de morte ou incapacidade permanente do presidente do partido, o cargo seria ocupado pelo presidente da Mesa do Conselho Nacional. Essa norma surgiu mais tarde, precisamente para responder a situações dessa natureza”, afirmou.

O dirigente explicou ainda que a revisão dos estatutos constitui uma das matérias centrais a serem discutidas no próximo congresso da Renamo, encontro que, para além da eleição do presidente do partido, deverá analisar a adequação de diversas normas e órgãos internos à actual dinámica política da organização.

Entretanto, Inácio Reis denunciou a existência de divisões internas na província da Zambézia, alegando que algumas delegações e estruturas políticas distritais do partido continuam ocupadas por membros que considera ilegítimos.

O responsável acusou igualmente o Governo e os órgãos de administração da justiça de não actuarem para repor a legalidade nas instalações ocupadas, afirmando que as autoridades têm assistido passivamente à situação.

Segundo Reis, os grupos que ocupam algumas sedes do partido têm ligações à antiga Junta Militar liderada por Mariano Nhongo, acusação que, segundo disse, explica a continuidade das disputas em torno do controlo de estruturas do partido na província.

Apesar das tensões internas, o delegado político provincial garantiu que a perdiz dispõe actualmente de uma nova sede política na cidade de Quelimane, já em pleno funcionamento, a partir da qual pretende prosseguir as suas actividades políticas e organizativas.

As declarações surgem numa altura em que o partido se prepara para importantes decisões internas, incluindo a realização do congresso que deverá redefinir a sua liderança e rever instrumentos fundamentais de organização e funcionamento.

 

O Governo reafirmou, esta sexta-feira, o seu compromisso com o fortalecimento do Subsistema Comunitário de Saúde como estratégia fundamental para reduzir a mortalidade materna, neonatal e infantil no País, defendendo uma maior aproximação dos serviços de saúde às comunidades, sobretudo nas zonas mais remotas.

A posição foi expressa pela Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi, durante a cerimónia de abertura do Fórum Internacional sobre o Subsistema Comunitário de Saúde e Redução da Mortalidade Materna, Neonatal e Infantil, realizado em Maputo, em representação do Presidente da República, Daniel Chapo.

Na sua intervenção, a governante sublinhou que o desafio actual não consiste apenas em expandir os serviços de saúde, mas, sobretudo, em integrá-los e torná-los mais acessíveis às populações.

«A saúde começa onde as pessoas vivem», afirmou a Primeira-Ministra, defendendo o reforço da ligação entre as comunidades e o sistema nacional de saúde como forma de salvar mais vidas e garantir melhores condições de saúde para mulheres e crianças.

Maria Benvinda Levi reconheceu que o País continua a enfrentar desafios significativos, assinalando que muitas mulheres ainda morrem por causas evitáveis relacionadas com a gravidez e o parto, enquanto numerosos recém-nascidos não sobrevivem aos primeiros dias de vida.

Perante este cenário, destacou o papel dos Agentes Polivalentes de Saúde, dos líderes comunitários, activistas e parteiras tradicionais, que asseguram cuidados primários de saúde em comunidades onde o acesso aos serviços públicos continua a ser limitado. Segundo a governante, estes profissionais desempenham uma missão essencial na promoção da saúde e na prevenção de doenças junto das populações.

A Primeira-Ministra reiterou, igualmente, o compromisso do Executivo de melhorar as condições de trabalho dos Agentes Polivalentes de Saúde, expandir as infra-estruturas comunitárias, reforçar os mecanismos de referência e contra-referência e modernizar os sistemas de informação e acompanhamento dos pacientes.

Entre as prioridades do Governo figuram, igualmente, a expansão da rede sanitária nacional, o aumento do número de profissionais de saúde, o reforço das consultas pré-natais, a promoção do parto seguro, a ampliação do acesso aos serviços de saúde sexual e reprodutiva e o alargamento da cobertura vacinal.

Durante o encontro, foi igualmente lançada a Aliança Nacional para a Aceleração da Redução da Mortalidade Materna, Neonatal e Infantil, iniciativa que visa reforçar a coordenação entre o Governo, parceiros de cooperação, organizações da sociedade civil, instituições académicas e comunidades religiosas na implementação de políticas de saúde materno-infantil.

A governante alertou ainda para os desafios que a saúde global enfrenta actualmente, marcados pela redução do financiamento internacional, pelas mudanças climáticas, pelos conflitos armados e pelas emergências sanitárias, factores que exigem novas formas de cooperação e mobilização de recursos para garantir o acesso universal aos cuidados de saúde.

Ao encerrar a sua intervenção, Maria Benvinda Levi agradeceu o apoio dos parceiros internacionais e declarou oficialmente aberto o Fórum Internacional sobre o Subsistema Comunitário de Saúde e Redução da Mortalidade Materna, Neonatal e Infantil, reafirmando o compromisso de Moçambique com a melhoria dos indicadores de saúde e com a construção de um sistema mais inclusivo, resiliente e centrado nas necessidades das comunidades.

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