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Renamo na Zambézia rejeita declarações de Muchanga sobre estatutos do partido 

A delegação provincial da Renamo na Zambézia contestou as declarações recentemente proferidas por António Muchanga sobre os mecanismos de sucessão na liderança do partido, sustentando que a interpretação apresentada não corresponde ao conteúdo dos estatutos vigentes à época a que se refere.

A reacção foi manifestada por Inácio Reis, delegado político provincial da Renamo na Zambézia, que rejeitou a alegação de que os estatutos de 2006 previam a substituição automática do presidente do partido pelo presidente da Mesa do Conselho Nacional em caso de morte ou incapacidade permanente.

Segundo Reis, o dispositivo referido por Muchanga não constava dos estatutos então em vigor, tendo sido introduzido posteriormente no âmbito das alterações efectuadas para colmatar lacunas identificadas na organização interna do partido.

“O estatuto de 2006, que está a ser invocado, não dizia que, em caso de morte ou incapacidade permanente do presidente do partido, o cargo seria ocupado pelo presidente da Mesa do Conselho Nacional. Essa norma surgiu mais tarde, precisamente para responder a situações dessa natureza”, afirmou.

O dirigente explicou ainda que a revisão dos estatutos constitui uma das matérias centrais a serem discutidas no próximo congresso da Renamo, encontro que, para além da eleição do presidente do partido, deverá analisar a adequação de diversas normas e órgãos internos à actual dinámica política da organização.

Entretanto, Inácio Reis denunciou a existência de divisões internas na província da Zambézia, alegando que algumas delegações e estruturas políticas distritais do partido continuam ocupadas por membros que considera ilegítimos.

O responsável acusou igualmente o Governo e os órgãos de administração da justiça de não actuarem para repor a legalidade nas instalações ocupadas, afirmando que as autoridades têm assistido passivamente à situação.

Segundo Reis, os grupos que ocupam algumas sedes do partido têm ligações à antiga Junta Militar liderada por Mariano Nhongo, acusação que, segundo disse, explica a continuidade das disputas em torno do controlo de estruturas do partido na província.

Apesar das tensões internas, o delegado político provincial garantiu que a perdiz dispõe actualmente de uma nova sede política na cidade de Quelimane, já em pleno funcionamento, a partir da qual pretende prosseguir as suas actividades políticas e organizativas.

As declarações surgem numa altura em que o partido se prepara para importantes decisões internas, incluindo a realização do congresso que deverá redefinir a sua liderança e rever instrumentos fundamentais de organização e funcionamento.

 

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