O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitiu, moedas de 1 dólar com a efígie do Presidente Donald Trump, constituindo este o mais recente passo de uma campanha, sem precedentes, do multimilionário republicano para imprimir a sua marca pessoal nas instituições nacionais. As moedas foram cunhadas para assinalar o 250.º aniversário da fundação dos Estados Unidos, celebrado no corrente ano.
Um rolo com 25 moedas de 1 dólar encontrava-se disponível para venda por 61 dólares, um agravamento de 144% em relação ao seu valor facial, ao passo que um saco contendo 100 moedas custava 154,50 dólares.
Quando o Departamento do Tesouro anunciou o plano, não se afigura claro se as peças teriam valor monetário ou se seriam de caráter puramente comemorativo; contudo, a Casa da Moeda dos EUA afirmou, que as moedas se encontram, efectivamente, em circulação.
A decisão de colocar a efígie de Trump numa moeda com curso legal contraria a lei federal que proíbe que qualquer Presidente vivo surja na numismática americana.
Ao longo do seu segundo mandato, Trump tem desafiado agressivamente precedentes e contestações judiciais na sua tentativa de reformular as instituições americanas, tendo, entre outras medidas, atribuído o seu nome ao Kennedy Center for the Arts e ordenado a demolição da Ala Leste da Casa Branca para dar lugar a um novo salão de baile.
A nova moeda ostenta o rosto de Trump numa das faces, acompanhado pelas palavras “Liberdade” e “Em Deus Confiamos”.
Exibe ainda as datas 1776-2026, assinalando os 250 anos da independência dos Estados Unidos. O reverso da moeda apresenta uma versão do selo presidencial, representando uma águia que segura setas e um ramo de oliveira, sobreposta por um escudo com a inscrição “250”.
Esta iniciativa surge na sequência de outros esforços da administração Trump para estampar o seu nome e rosto na moeda americana. Em Maio, o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, revelou que o seu departamento estudava um plano para emitir uma nova nota de 250 dólares com a efígie de Trump.
Bessent admitiu, na altura, que tal medida exigiria que o Congresso alterasse a legislação vigente, que proíbe que figuras vivas apareçam nas notas de banco.
O Departamento do Tesouro dos EUA não respondeu, até ao momento, a um pedido de esclarecimento sobre se a nova moeda de 1 dólar viola a referida lei. Em Março, o Tesouro anunciou que as notas de papel dos EUA passariam a exibir a assinatura de Trump mais uma estreia para um Presidente americano em exercício.
A Universidade Pedagógica de Maputo lançou oficialmente, esta terça-feira, o curso “Empreendedorismo Social Feminino I”, uma iniciativa inserida no Projecto ÍMPAR, Empoderar a Mulher na África Subsaariana como Promotora da Economia Social, financiado pelo programa Erasmus+.
O lançamento decorreu na Faculdade de Economia e Gestão da instituição e reuniu representantes académicos e parceiros internacionais envolvidos no projecto, que visa reforçar as competências empreendedoras das mulheres e promover a inclusão económica e o desenvolvimento sustentável na África Subsaariana.
Com duração de um mês e certificação internacional, o curso conta com a participação de 20 jovens mulheres, com idades compreendidas entre os 18 e os 20 anos, seleccionadas após um processo competitivo que envolveu perto de 200 candidaturas.
A iniciativa resulta de uma parceria internacional que integra o Instituto Politécnico de Lisboa, a Universidade de Cabo Verde, a Universidade do Mindelo, a Universidade Técnica de Angola, a Universidade Independente de Angola e a Universidade Eduardo Mondlane, entre outras instituições académicas e parceiras africanas e europeias.
Durante a cerimónia de abertura, dirigida pela directora da Faculdade de Economia e Gestão da UPM, Arlete Ferrão, foi sublinhado o compromisso das instituições parceiras na criação de oportunidades de capacitação académica e profissional para mulheres empreendedoras.
Segundo os promotores, a formação aposta numa abordagem prática e multidisciplinar, orientada para o desenvolvimento de iniciativas sustentáveis, liderança feminina, gestão de negócios sociais e criação de impacto positivo nas comunidades.
A coordenação-geral do projecto é assegurada por Dina Soeiro, enquanto a coordenação local, na UPM, está a cargo de Herieta Massango.
O partido Podemos afirma que o Governo tomou uma medida insuficiente ao decidir pagar subsídios aos transportadores de passageiros, para responder aos custos dos combustíveis. O partido sugere compensações às gasolineiras e redução do IVA.
O Porta-voz do Podemos começou por recordar que o agravamento do custo dos combustíveis não afecta somente os transportadores de passageiros, por isso, considera a medida do Governo de subsidiá-los insuficiente.
“ O problema do combustível não afeta apenas os transportes de passageiros, afeta toda a economia nacional. Reconhecemos que o Governo procurou adotar algumas medidas de mitigação face ao agravamento internacional do preço dos combustíveis, incluindo o apoio ao transporte público de passageiros, tratando-se de um reconhecimento importante de que o aumento dos combustíveis possui impacto social sobre o custo de vida dos moçambicanos. (4:47) Contudo, consideramos que as medidas anunciadas continuam insuficientes, limitadas e incapazes de responder à dimensão real das dificuldades enfrentadas pelas famílias, pelos trabalhadores, pelos transportadores, pelos pequenos negociantes e pela juventude”, explicou Duclésio Chico.
Entre as medidas a tomar, o Podemos sugere que as compensações recaiam sobre as gasolineiras e a redução do IVA.
“O Podemos defende uma abordagem mais ampla, equilibrada e socialmente responsável. O Estado deve partilhar o peso da crise com os cidadãos, reduzindo temporariamente parte da carga fiscal e dos custos administrativos que incidem sobre os combustíveis.Neste sentido, o Podemos propõe a redução temporária do IVA sobre combustíveis de 16% para uma faixa entre 10% e 12% durante o atual período de pressão inflacionária. A revisão extraordinária da taxa sobre combustíveis, com redução mínima de 30% sobre os valores atualmente aplicados. A redução das taxas e custos administrativos ligados ao manuseamento portuário, armazenamento e logística de distribuição. A revisão das margens excessivas de intermediação e distribuição no setor. A criação de um mecanismo transparente de estabilização de preços que permita amortecer choques internacionais sem transferir integralmente o impacto para o consumidor final. E a implementação de incentivos à produção nacional e ao transporte coletivo, reduzindo a dependência estrutural da economia em relação aos custos dos combustíveis. ”
O Podemos também reagiu ao assassinato do membro do partido Analmola, Anselmo Vicente, ocorrido na província de Manica.
“Moçambique não pode transformar-se num Estado onde o medo substitui a confiança e onde a impunidade encoraja o crime. É imperioso restaurar a autoridade da justiça, reforçar a segurança pública e devolver aos cidadãos a confiança nas instituições do Estado. Neste momento de dor, o Podemos endereça as suas mais sentidas condolências à família enlutada, ao Partido Anamola e a todos os amigos e companheiros do malogrado que encontrem força, união e conforto para enfrentar esta irreparável perda”.
O porta-voz do partido falava, esta quarta-feira, numa conferência de imprensa, na cidade de Maputo.
O recém-eleito presidente do Conselho Nacional das Religiões em Moçambique (COREM), Moisés Chiziane, promete transformar a promoção da paz, da reconciliação e da moralização social nas principais bandeiras da nova liderança da organização, numa altura em que o país continua confrontado com desafios sociais, económicos e de convivência comunitária.
Falando após a sua eleição pela Assembleia Geral da organização, realizada esta semana, o reverendo afirmou que a nova direção assume o compromisso de trabalhar para fortalecer o papel das igrejas e confissões religiosas na construção da estabilidade social e da unidade nacional.
“Os desafios estão lá. Nós sabemos que temos de promover a paz e esta paz vai incidir-se em todas as partes da sociedade, mesmo na Igreja”, afirmou Moisés Chiziane.
O líder religioso reconheceu igualmente o trabalho desenvolvido pela direção cessante, assegurando que a nova equipa pretende dar continuidade às ações já iniciadas, mas com maior aproximação às comunidades e às famílias.
“Nós estamos prontos e também agradecer aos líderes cessantes pelo trabalho que fizeram e nós vamos dar a continuidade”, disse.
Durante o seu discurso, Moisés Chiziane destacou o papel das instituições religiosas na preservação dos valores morais e na promoção da reconciliação entre os moçambicanos, defendendo que a paz começa dentro das famílias.
“Primeiro temos de ter esta paz no nosso seio para depois termos a moralização. A família é o pilar de tudo e a Igreja tem um papel muito importante nesta área”, apontou.
A eleição marca uma nova etapa no Conselho Nacional das Religiões em Moçambique, instituição que não realizava eleições há cerca de 16 anos. No mesmo processo eleitoral, Albino Mussui foi reconduzido ao cargo de secretário-geral, enquanto Teresa Coana foi eleita para presidir o Conselho Fiscal.
Com esta renovação, José Guerra e Sheik Amuniddin deixam a liderança da organização após 16 anos à frente do órgão.
Ao longo dos anos, o Conselho Nacional das Religiões tem desempenhado um papel relevante na mediação social, na promoção da convivência pacífica entre diferentes crenças religiosas e no apoio a iniciativas humanitárias, sobretudo em momentos de crise social e de tensão política.
Num país marcado por desafios ligados ao extremismo violento, pobreza, violência doméstica, criminalidade juvenil e degradação de valores sociais, analistas entendem que as organizações religiosas continuam a ser uma das estruturas mais próximas das comunidades, podendo contribuir para a educação cívica, reconciliação nacional e prevenção de conflitos.
Entre os principais desafios da nova liderança está o reforço da presença da organização nas comunidades, a aproximação com os jovens, o combate à intolerância religiosa e a criação de plataformas permanentes de diálogo com o Governo e a sociedade civil.
A nova direção do Conselho Nacional das Religiões defende ainda maior envolvimento das igrejas e confissões religiosas na educação moral da juventude, na promoção da cultura de paz e no fortalecimento da família, considerada pela organização como a base da estabilidade social.
Transportadores de passageiros do Albasine paralisaram actividades na manhã de hoje para protestar contra o mecanismo do Governo para subsidiar o transporte. Os chapeiros dizem que a forma correcta seria ajudar a converter o sistema para o gás
A manhã deste segunda-feira começou com mobilidade condicionada do bairro Albasine, na periferia da cidade de Maputo, para o centro da capital. Condutores de viaturas de 15 lugares, que suprem boa parte da necessidade de transporte urbano, estavam com viaturas parqueadas, as motivações: novos preços dos combustíveis. O impacto recaiu sobre os estudantes numa semana de avaliações trimestrais
Esta quarta-feira iniciou-se o processo de licenciamento de transportadores não reconhecidos. Segundo os motoristas, o problema não está nas licenças, e desprestigiam o mecanismo que o Governo pretende usar para financiar os transportes
Além de subsidiar as gasolineiras, os transportadores dizem que o Governo deve identificar outras formas de sair da dependência da gasolina e do gasóleo.
O transporte de passageiros no Albasine foi assegurado pelos autocarros, incluindo articulados, mas a procura era maior que a oferta.
Os governantes militares do Burkina Faso intensificaram a sua repressão sobre ONGs e grupos da sociedade civil nesta terça-feira, anunciando a suspensão de mais 247 associações. As instituições são acusadas pela junta de espionagem de fazerem acordos com jihadistas que lutam contra o exército.
A suspensão de 247 Associações neste país da África Ociental anunciada esta terça-feira eleva para mais de 900 o número de organizações encerradas ou dissolvidas pela junta desde o mês passado.
Os impactados pelo mais recente decreto ministerial incluem associações sediadas no Burkina que actuam nos sectores da saúde, educação, direitos das mulheres, agricultura, ambiente, cultura e desporto.
Em julho de 2025, o líder da junta, Ibrahim Traoré, assinou uma lei que restringe o funcionamento de grupos de direitos e sindicatos.
As ONGs internacionais e instituições de caridade que recebem doações estrangeiras são regularmente acusadas pela junta de espionagem ou conluio com jihadistas que lutam contra o exército.
Tanto a Amnistia Internacional como a Human Rights Watch expressaram a sua preocupação com os movimentos que reforçam ainda mais o controlo da junta sobre a sociedade civil.
A Amnistia descreveu no mês passado a dissolução de associações como inconsistente com a constituição do Burkina Faso, que, segundo a organização, garante a liberdade de associação e de sindicato.
A repressão surge um mês depois de o governo militar ter emitido um decreto que dissolve todos os partidos políticos.
Os governantes militares do Burkina Faso intensificam a repressão sobre grupos da sociedade civil
O Observatório da Mobilidade e Transportes de Moçambique defende que a actual política de subsídio aos transportadores de passageiros não constitui uma solução sustentável para a crise do transporte público, marcada pela subida dos preços dos combustíveis e pela pressão crescente sobre a mobilidade urbana.
A posição surge num contexto em que o Governo tem vindo a implementar medidas de apoio ao sector dos transportes, incluindo subsídios directos aos operadores, com o objectivo de aliviar o impacto da crise energética global, influenciada por tensões internacionais e pela instabilidade no Médio Oriente.
No entanto, o Observatório alerta que o País corre o risco de repetir experiências anteriores sem resultados duradouros. O analista do sector, Constâncio Machanguana, recorda que políticas semelhantes já foram testadas no passado com eficácia limitada.
“Antes de 2016, o Governo fez uma experiência de introduzir o subsídio aos combustíveis para os transportadores, um esforço para reduzir os custos que existiam com o transporte público. Nessa medida, alguns anos depois, mais ou menos dois anos depois mostrou-se que não é eficaz”, afirmou Machanguana.
Segundo o especialista, a experiência anterior revelou fragilidades estruturais na gestão do subsídio, incluindo casos de abuso e fraca fiscalização. “Alguns operadores não pagavam mais do que deviam prestar o subsídio. Houve nessa altura até alguns operadores que beneficiavam do subsídio sem mesmo fazer o transporte de passageiros porque usando a licença que eles tinham mas para viaturas que já estavam até parqueadas há bastante tempo”, explicou.
Apesar das críticas, Machanguana reconhece que a medida em curso não deve ser descartada, mas sim melhor desenhada e ajustada à realidade do sector. “Desta vez, eu não acho que a medida seja má ou incorrecta, no entanto, é que tem que pensar na forma como a medida vai ser feita e para que essa medida vai beneficiar”, sublinhou.
O Observatório chama atenção para a complexidade do sistema de transportes na Área Metropolitana de Maputo, onde coexistem operadores formais e uma forte rede de transporte informal, responsável por grande parte da mobilidade diária da população.
“A maior parte deles são completamente informais, sem nenhuma licença, com o carro completamente danificado, mas que fazem o trabalho de transporte de passageiros”, referiu Machanguana, destacando que estes operadores, apesar da informalidade, desempenham um papel essencial no funcionamento da economia urbana.
A instituição alerta ainda que a actual política de subsídio pode não abranger este segmento dominante, criando desigualdades na distribuição dos benefícios e limitando o impacto da medida na mobilidade real da população.
Outro ponto de preocupação levantado prende-se com a recente introdução de cerca de 190 autocarros na região metropolitana de Maputo, medida vista como positiva, mas ainda insuficiente para responder à procura crescente.
Para o Observatório, a integração destes autocarros no sistema deve ser acompanhada por políticas de gestão eficiente, manutenção rigorosa e melhor articulação com os operadores existentes, sobretudo os informais.
Machanguana defende que a solução para a crise do transporte não pode basear-se apenas em subsídios, mas sim numa abordagem integrada. “O subsidiar em si não resolve o problema”, afirmou, acrescentando que é necessário combinar várias intervenções estruturais.
Entre as medidas propostas, destacam-se a requalificação das vias de acesso, a abertura de novas estradas, a melhoria da manutenção rodoviária e o reforço da fiscalização do sector.
“É preciso juntar-se à medida de subsidiação dos transportes, à requalificação das vias, à abertura de novas vias e, sobretudo, ao melhoramento das vias existentes”, defendeu o analista, alertando que a degradação das infra-estruturas aumenta significativamente os custos operacionais.
O Observatório acrescenta ainda que a política de subsídio deveria considerar as diferenças regionais e operacionais, uma vez que o custo do combustível e as condições de circulação variam entre províncias e rotas, o que torna difícil a aplicação de um único modelo.
“O Governo tinha de encontrar aqui um meio termo… olhando para cada província, é preciso lembrar que as cidades têm desafios e potencialidades diferentes”, referiu Machanguana.
Por fim, a instituição defende que qualquer política pública no sector deve ser sustentada por estudos técnicos aprofundados e consultas com especialistas, operadores e académicos, de forma a garantir maior eficácia e inclusão.
O Observatório da Mobilidade e Transportes de Moçambique conclui que o desafio da mobilidade urbana no País exige soluções de longo prazo, capazes de integrar o sector formal e informal, reduzir desigualdades e assegurar um sistema de transportes mais eficiente, acessível e sustentável.
A petrolífera norte-americana ExxonMobil garante estar nos ajustes finais para a tomada da Decisão Final de Investimento (FID) do projecto Rovuma LNG, em Cabo Delgado, ainda neste ano. A informação foi avançada nesta segunda-feira, na Cidade de Maputo, pelo director-geral da multinacional em Moçambique, Arne Gibbs.
Depois de sucessivos adiamentos, começam a surgir sinais concretos sobre o avanço do projecto de gás natural liquefeito da Área 4 da Bacia do Rovuma, considerado um dos maiores empreendimentos energéticos de África. Com capacidade prevista para produzir 18 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano, o Rovuma LNG deverá posicionar Moçambique entre os principais exportadores mundiais de GNL.
Segundo Arne Gibbs, decorrem actualmente negociações finais com empreiteiros e parceiros financeiros, numa fase considerada decisiva para o arranque do investimento.
“Neste momento, estamos a fazer os negócios finais com os contratadores, então ainda não temos o número final, mas posso dizer com certeza que, no fim do dia, as riquezas deste projecto vão para o País. O Governo vai receber mais de 150 mil milhões de dólares durante a vida do projecto”, afirmou o responsável da ExxonMobil Moçambique.
O dirigente explicou ainda que, após a aprovação definitiva do investimento, serão necessários cerca de cinco anos para a construção das infra-estruturas, o que aponta para o início da produção em 2031.
O projecto Rovuma LNG é desenvolvido pela ExxonMobil em parceria com a Eni e outras concessionárias da Área 4, em coordenação com a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), representante do Estado moçambicano no empreendimento.
Paralelamente ao desenvolvimento industrial, a ExxonMobil e a ENH anunciaram um investimento de 40 milhões de dólares para a criação de um centro de formação técnico-profissional destinado à capacitação de moçambicanos para o sector de petróleo e gás.
O avanço do Rovuma LNG acontece numa altura em que Moçambique procura consolidar a confiança dos investidores internacionais, após os impactos da instabilidade armada em Cabo Delgado, que condicionaram alguns megaprojectos energéticos nos últimos anos.
Moçambique é a Nação da África Subsaariana que registou o maior número de deslocações devido a catástrofes, segundo o “Relatório Global sobre Deslocações Internas 2026” publicado nesta terça-feira e citado pelo Notícias ao Minuto.
De acordo com o relatório publicado pelo Centro de Monitorização das Deslocações Internas (IDMC), uma Organização Não-Governamental (ONG) que faz parte do Conselho Norueguês para os Refugiados, os desastres desencadearam quase 2,9 milhões de deslocações na África Subsaariana em 2025 e Moçambique registou 669 mil deslocações.
“O ciclone Dikeledi desencadeou 167.000 deslocações na província de Nampula, no norte de Moçambique, no início de Janeiro, e 20.000 em Mayotte [arquipélago francês entre Moçambique e Madagascar] apenas algumas semanas depois de o ciclone Chido ter provocado mais de 536.000 e 142.000 deslocações, respectivamente”, contextualiza o documento.
Por sua vez, o ciclone Jude seguiu-se, em Março, desencadeando 493 mil movimentos em Moçambique, afectando muitas das mesmas populações, refere.
De acordo com o documento, a costa leste da África Austral está exposta a ciclones todos os anos entre Outubro e Março, levando frequentemente a deslocações repetidas.
“A temporada 2024-2025 ilustrou este padrão. Ciclones de alta intensidade em sucessão rápida desencadearam 826.000 movimentos em 2025, o segundo valor mais elevado numa década”, frisa.
“Os choques repetidos sublinharam a exposição do País [Moçambique] a vários perigos enquanto recuperava dos impactos persistentes da seca em 2024”, de acordo com a investigação.
Por outro lado, segundo a mesma fonte, “após anos de deslocações significativas por seca no Corno de África e na África Austral, registaram-se menos movimentos deste tipo em 2025”, em parte devido à elaboração de menos relatórios.
“Sismos e incêndios florestais, por outro lado, desencadearam alguns dos números mais elevados de deslocações registados para tais perigos na região”, acrescenta.
O aumento das deslocações por incêndios florestais, que faz parte de uma tendência global, realça a diversificação do risco de desastres na região, bem como a melhoria da monitorização, considera.
Por seu turno, Moçambique registou também 339 mil deslocações em 2025 devido ao terrorismo na província de Cabo Delgado, no Norte, acrescenta.
“Após uma redução significativa nas deslocações por conflito na província de Cabo Delgado entre Junho de 2024 e Junho de 2025, os combates (…) eclodiram novamente na segunda metade do ano”, contextualiza.
Por sua vez, um terço das deslocações registadas no país em 2025 devido ao conflito, o valor mais elevado desde 2020, ocorreu apenas no mês de Novembro, salienta.
De forma geral, a região da África Subsaariana registou 17,3 milhões de deslocações ao longo de 2025, um número inferior ao de 2024 devido, em grande parte, “ao resultado de uma redução significativa nas deslocações por desastres”, conclui.
O Grupo Yuxiao de Jinan, empresa privada chinesa, atua há 20 anos, está a levar a cabo vários projectos na área de educação na província da Zambézia, no centro do país. O projectos beneficia mais de 200 jovens moçambicanos.
Moçambique, parceiro importante da China, tem cerca de 33 milhões de habitantes e idade média de apenas 17 anos, sendo um dos países mais jovens do continente. Contudo, a taxa nacional de conclusão do ensino secundário ronda os 40%, gerando escassez crónica de mão‑de‑obra qualificada.
No contexto do Fórum de Cooperação China-África de 2024 e da visita oficial do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, à China em 2025, empresas privadas chinesas adotam a “educação como elo” para implementar projetos de capacitação local.
Entre 2015 e 2026, o Grupo Yuxiao e suas três subsidiárias em Moçambique — Africa Great Wall Mining, Cronus Minerals e Mozambique Heavysand, passaram a oferecer bolsas de estudo e formação técnico‑profissional a jovens moçambicanos.
Na sua actuação, a empresa lidera três níveis de investimento: Estratégico (desde 2015), que faz o financiamento integral de 10 jovens para estudarem 5 anos na Universidade de Geociências da China (Pequim), tendo a primeira turma ter graduado em 2020 e até Julho de 2025, nove regressaram a Moçambique, integrando as equipas locais do grupo.
No Médio‑técnico (Junho de 2025), a Mozambique Heavysand financiou 30 jovens do distrito de Chinde para um curso anual de formação profissional no centro IFPELAC de Morrumbala.
Já no que diz respeito à Ampliação (Março de 2026), as três subsidiárias assinaram memorando com o IFPELAC para financiar integralmente 160 jovens de todos os 22 distritos da Zambézia em cursos como eletricidade, mecânica, refrigeração, contabilidade e gastronomia.
Na cerimónia, o Secretário de Estado da província, Avelino Pinto Muchine, declarou: “Este é um voto de confiança no potencial dos jovens da Zambézia.”
O diretor do IFPELAC em Quelimane, Jo Augusto Pililao, classificou a parceria como “um passo decisivo para o desenvolvimento da formação técnico‑profissional”.
O evento ganhou destaque como “exemplo de cooperação público‑privada”.
De 2015–2026, cerca de 200 jovens beneficiados pelo projecto. A escala da formação técnico‑profissional cresceu de 30 para 190 acumulados em apenas nove meses (expansão de cerca de seis vezes), e a cobertura passou do distrito de Chinde para os 22 distritos da Zambézia.
O presidente do Grupo Yuxiao, Wu Tao — que desde 2006 montou a primeira tenda na costa de Chinde — afirma: “Aonde o navio chega, a responsabilidade chega.” O grupo traduziu assim o compromisso de responsabilidade social em vias concretas de ascensão profissional para uma geração de jovens da Zambézia, tornando a cooperação educativa o elo mais duradouro da “Conexão entre os Povos” e a expressão concreta, em solo moçambicano, da “Comunidade de Destino Comum China‑África de todas as horas e da nova era”.