Cerca de uma em cada quatro mulheres grávidas no distrito de Quelimane, província da Zambézia, não recebeu com satisfação a confirmação da gravidez, segundo um estudo do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), que aponta as adolescentes e a falta de apoio dos parceiros como alguns dos principais factores associados a essa realidade.
A investigação concluiu que 24,5% das 1.546 mulheres inquiridas afirmaram não se ter sentido felizes quando souberam que estavam grávidas. Entre as adolescentes, essa percentagem ascendeu a 42,2%, enquanto entre as mulheres cujos parceiros manifestaram insatisfação com a gravidez atingiu 74,5%. Já entre aquelas que não mantinham diálogo com os companheiros sobre questões reprodutivas, a proporção foi de 48,9%.
O estudo analisou dados recolhidos entre 2023 e 2024 através do Sistema de Vigilância de Gravidezes (PregSurv), implementado no âmbito da Plataforma de Vigilância Demográfica e de Saúde de Quelimane.
Segundo os investigadores, as principais razões apontadas pelas mulheres para a falta de satisfação com a gravidez foram o facto de esta não ter sido planeada (30,2%), tratar-se de uma gravidez indesejada (26,5%) e o receio das consequências que poderia trazer para as suas vidas (17,7%). Foram ainda referidos o curto intervalo entre gravidezes e a decisão de não querer ter mais filhos.
Entre as participantes que afirmaram ter recebido a notícia com felicidade, as razões mais frequentes foram o desejo de ter um filho (34,1%), a percepção da gravidez como uma bênção ou uma boa surpresa (28,5%) e a vontade de aumentar a família (24,7%).
O estudo avaliou igualmente a reacção dos parceiros. Cerca de 16,9% das mulheres indicaram que os companheiros não ficaram satisfeitos com a gravidez. Nestes casos, as razões mais apontadas foram tratar-se de uma gravidez indesejada (30,2%), não planeada (29,0%) ou ocorrer pouco tempo após uma gravidez anterior (3,4%).
Entre os parceiros que acolheram positivamente a gravidez, 43% manifestaram o desejo de ter um filho, 21,8% afirmaram querer aumentar a família e 12% preparavam-se para ser pais pela primeira vez.
Apesar de 97,3% das mulheres referirem que os parceiros aceitaram a gravidez, o estudo identificou situações de rejeição. Entre os companheiros que recusaram assumir a gravidez, 39% não quiseram aceitar responsabilidades parentais e 34,2% alegaram não ser os pais da criança. Cerca de 26,2% das mulheres abandonadas durante a gravidez afirmaram desconhecer os motivos dessa decisão.
Para Ariel Nhacolo, os resultados evidenciam a necessidade de reforçar intervenções dirigidas não apenas às mulheres, mas também aos seus parceiros, promovendo uma abordagem centrada no casal.
“A comunicação entre os parceiros, o apoio emocional e o envolvimento de ambos nas decisões relacionadas com a gravidez são factores determinantes para melhorar a saúde materna e infantil”, refere o investigador.
A investigação identificou igualmente as adolescentes como o grupo mais vulnerável, apresentando níveis mais elevados de gravidezes não intencionais, menor conhecimento sobre métodos contraceptivos modernos e menor comunicação com os parceiros sobre planeamento familiar.
Os autores defendem que uma melhor compreensão da forma como as mulheres vivem emocionalmente o início da gravidez poderá contribuir para o reforço dos programas de saúde materna e infantil, recomendando uma maior participação dos parceiros nas consultas pré-natais e nas acções de aconselhamento, bem como uma atenção reforçada às adolescentes e às mulheres em situação de maior vulnerabilidade.
O estudo foi desenvolvido no âmbito da Rede CHAMPS, financiada pela Fundação Gates através da Universidade Emory, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica BMC Pregnancy and Childbirth. Além do CISM, participaram investigadores do Instituto Nacional de Saúde, do ISGlobal, do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, da Universidade de Barcelona, da Universidade de Washington e de outras instituições parceiras.
Os presidentes da Rússia e da Turquia reúnem-se esta segunda-feira na cidade russa de Sochi para discutir a guerra na Ucrânia e o restabelecimento do acordo de exportação de cereais pelo Mar Negro.
Este será o primeiro encontro presencial entre Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan após Moscovo ter suspendido a participação na iniciativa do Mar Negro, um acordo firmado no verão de 2022, também com Kiev, com apoio da Turquia e da ONU.
A Turquia está a tentar reavivar o acordo original na esperança de o utilizar como trampolim para negociações de paz mais amplas entre Kiev e Moscovo, escreve a RTP.
A última reunião presencial entre os dois líderes aconteceu em Outubro do ano passado, em Astana, mas Erdogan e Putin têm mantido contactos regulares, sendo que o último ocorreu no início de agosto.
Erdogan tem sido um interlocutor frequente junto de Putin, que se encontra quase totalmente isolado a nível internacional desde o conflito em curso na Ucrânia.
Quatro jogos, quinze golos e semi-finalistas definidos. Em suma, a Taça de Moçambique ZAP proporcionou, fim-de-semana, grandes emoções aos amantes do futebol moçambicano.
A festa de futebol começou sábado, com as cidades de Maputo e Chimoio a testemunharem momentos de alegria e tristeza.
Enfim, uns exultaram com a qualificação às meias-finais, e outros simplesmente lamentaram o “desaire”.
Em Hanhane, na Matola, a Liga Desportiva de Mapuo jogou olhos nos olhos com a Associação Desportiva de Vilankulo. Pelo menos, no arranque da primeira parte em que as duas formações foram simplesmente previsíveis.
Mas, num lance de bola parada, e de total desatenção da sua defensiva, a Liga Desportiva de Maputo viu Parquim saltar mais alto e enviar a bola para o fundo das malhas.
Na segunda parte, na marca dos onze metros, Victor Malino aumentou a contagem para 2-0. Papel quimíco do primeiro golo, Parquim saltou mais alto na área da Liga Desportiva de Maputo para ficar o resultado final em 3-0.
Pelo segundo ano consecutivo, a Associação Desportiva de Vilankuko qualificou-se para às meias-finais da segunda maior prova do calendário futebolístico moçambicano. Agora, o céu é o limite.
No outro extremo do país, ou seja, na cidade de Chimpoio, o Mini Mundo de Inchope bem tentou causar sensação diante da União Desportiva do Songo. Resistiu até q ue a os campeões nacionais “desataram o nó” e, qual rajada, marcaram quatro golos da autoria de Abedy (58 78”), Reginaldo Faite (62′) e Dário Melo (65′).
FESTIVAL DE GOLOS NO TCHUMENE
O Campo da Associação Black Bulls testemunhou, sábado, um bom espectáculo de futebol. Black Bulls e Costa do Sol travaram argumentos, num duelo que gerou enormes expectativas e produziu, para o gaúdio do público, um total de sete golos.
Os “touros”, com melhor circulação de bola, preenchimento dos espaços e intensidade, entraram melhor no jogo. Mas, contra a corrente do jogo, sofreram um golo aos 7′ num lance em que Isac Carvalho, com um remate a meio da rua, viu Teixeira fazer má abordagem e contribuir (involuntariamente) para o um a zero.
A Black Bulls, tal como lhe competia, reagiu e, aos 10’, chegou mesmo ao golo. Livre batido por Stephen, com o guarda-redes Victor Guambe a socar a bola para frente a meia altura, tendo esta tabelado no seu colega Mexer e ido parar no fundo das redes.
Embalados, os “touros” jogavam a seu belo prazer. O Costa do Sol, ou melhor, o meio campo dos “canarinhos” não chegava para o tridente montado no miolo do terreno por Inácio Soares: Kadre, Ahmed e Stephen eram mais astutos. E, num lance em que defensiva do Costa do Sol voltou a meter “água”, Ejaita aproveitou para bater Victor.
A bola ainda bate no corpo de um defensa do Costa do Sol antes de se anichar na baliza. O Costa do Sol revelava-se um conjunto sem ideias. E, porque a Black Bulls não estava para brincadeiras, sofeu o terceiro golo. Centro de Fidel para Kadre que, na tentativa de desvio, viu Ossama marcar na própria baliza. Perto do final da primeira parte, o Costa do Sol chegou mesmo a meter a bola na baliza da Black Bulls, mas a equipa de arbitragem anulou o lance por pretenso fora de jogo de Mbulu, servido muito bem por Chester.
A segunda metade começa tal como terminou a primeira: com o Costa do Sol a pressionar o seu adversário. E, na transformação de uma grande penalidade,Isac Carvalho reduziu para 3-2. Os “canarinhos” partiram para cima do seu adversário, mas sofreram golo contra a corrente do jogo. Pouco depois de entrar para o lugar de Mexer, Alex marcou na sua própria baliza.
A Black Bulls aproveitou-se, uma vez mais, do mau posiciomento da defensiva “canarinha” para fixar o resultado final em 5-2 com um tento da autoria de Danilo.
Os jogos das meias-finais serão definidos num sorteio a realizar-se nos próximos dias na sede social da Federação Moçambicana de Futebol.
O jornalista e filósofo Jessemusse Cacinda estreia-se na prosa narrativa com o livro Kwashala Blues, a ser lançado esta segunda-feira, às 17h, na Galeria do Porto de Maputo, com a apresentação do Prof. Doutor Lourenço do Rosário e da Profa. Doutora Stélia Muianga.
Conforme avança a nota de imprensa sobre a cerimónia de lançamento, Jessemusse Cacinda já era um cultor da crónica que roçava o território ficcional, agora publica o seu primeiro livro, no qual os géneros se misturam e encontram uma outra via da escrita num realismo mágico com fortes inspirações na oralidade e cultura popular. “Kwashala Blues”, editado pela Ethale Publishing, junta a crónica, o conto e o romance num só livro.
A professora e ensaísta brasileira da Universidade Federal da Paraíba, Vanessa Pinheiro, após ter lido, entendeu que “Kwashala Blues revela camadas interpretativas que o leitor descobre aos poucos, embevecido. O leitmotiv é a morte do pai do protagonista, que desencadeia memórias afectivas narradas em curtos relatos. Estes relatos são sintetizados por Cacinda pela metáfora musical do ritmo popular moçambicano kwashala que, assim como a vida mimetizada na trama, tem oscilações e nuances.”
Já a prefaciadora do livro analisa que Kwashala Blues convida o leitor para uma viagem, desde Maputo até a Nampula, por sinal, onde nasce e cresce o autor da obra. E, a partir daí, indica, “se a capital moçambicana acaba sendo um contraponto vibrante de Nampula, essa cidade assume contornos mais definidos à medida em que viajamos pela vida dos seus habitantes, entre Muahivire e Namicopo. As marcas da ocupação colonial no Índico ainda assombram os dias tranquilos de um professor, dos estudantes e, também, a vida do jovem em luto pela morte do pai. Em Iapala, a história familiar entrecruza-se com a do caminho dos sacos de sal e açúcar em trânsito para o Malawi, tanto ouvido nas histórias dos mais velhos.” O prefácio é assinado por Noemi Alfieri, professora da Universidade Bayreuth da Alemanha.
Jessemusse Cacinda nasceu em Nampula, Moçambique. É fundador da editora Ethale Publishing, vocacionada na promoção da literatura e do pensamento africano.
Foi jornalista na Rádio Moçambique, onde venceu o prémio “Qualidade” nas categorias, “Melhor Crónica” (2012) e “Melhor Reportagem Temática” (2013) e Co-Director do Festival Fim do Caminho (Nampula, Moçambique).
Coordenou as antologias “O Hamburguer que matou Jorge” (Ethale Publishing, 2017) e “Nampula: Antologia de his-es-tórias de uma cidade vibrante” (Ethale Publishing, 2022). Participou na antologia “Contos e crónicas para ler em casa II” (Literatas, 2020). Publicou o livro de entrevistas “Pensar Africa” (Ethale Publishing/Literatas, 2021). Participou como autor de capítulos nos livros “Desafios da Comunicação no sec XXI” (Década de Palavras, 2018), “Moçambique Neoliberal” (Ethale Publishing/Editora Educar, 2019), “Do Quarto ao Quinto Homem” (Ethale Publishing, 2021) e “Caderno de Música Moçambicana” (Kuphaya, 2023), e coordenou o livro “Moçambique: Emergência, Reconstrução e Resiliência” (Ethale Publishing/AMEA, 2022). Tem textos publicados nas revistas Índico e Literatas, e na Doeck Literary Magazine. Trabalha como redactor de radionovelas, documentários, reportagens, relatórios e manuais.
Estudou Filosofia, Jornalismo, Sociologia do Desenvolvimento e Gestão de Projectos.
A escritora e editora sul-africana Zukiswa Wanner lança, esta terça-feira, às 18h, no Cine-Teatro Sacala, em Maputo, o seu romance de consagração As Madames, uma edição da Ethale Publishing e da editora Kacimbo.
Segundo a Ethale, Zukiswa Wanner é das mais importantes escritoras da actualidade na África do Sul, publicada em vários países africanos, chegando em língua portuguesa em Moçambique, numa tradução feita pelo jornalista e tradutor José Sá.
Livro que marcou o início de carreira da escritora Zukiswa Wanner, As Madames (2006) foi indicado em 2007 para o prémio K.Sello Duiker Memorial, da África do Sul, a mais importante distinção literária na África do Sul, na categoria de autores com menos de 40 anos de idade.
Em Maputo, o livro que já está disponível, terá a apresentação feita pelo filósofo José Castiano e pela escritora Virgília Ferrão, que aliás, já conhece o trabalho literário da autora. “Pelas linhas da sua escrita tão acessível quanto elegante, Zukiswa Wanner brinda-nos com narrativas que contemplam o nosso quotidiano, a nossa existência humana, com humor, beleza e profundidade incontornáveis. Com certeza uma das vozes mais vibrantes da literatura Africana”, afirma Virgília Ferrão, na nota de imprensa da Ethale.
Sobre a tradução do seu romance para língua portuguesa, Zukiswa, disse ter sido relevante o facto de ser traduzida por uma editora africana. “Muitas obras africanas são traduzidas fora do continente. E isso interfere na originalidade. O português de Moçambique caminha com
as expressões e os hábitos culturais locais. Não será o mesmo em Portugal. A minha preocupação tem que ver com a acessibilidade das minhas estórias pelo povo moçambicano. Sentirem o ambiente e os enredos de acordo com os seus hábitos culturais.”
Por sua vez, o editor Jessemusse Cacinda: “Esperamos que os moçambicanos, sobretudo as mulheres se inspirem com o livro, o conhecimento e o engajamento da Zukiswa Wanner que sem dúvidas, é um farol da literatura africana. As Madames é um livro que demonstra o poder das mulheres, a sua capacidade de transformar o mundo, mas denuncia a pretensão que algumas mulheres têm de explorar outras. Esperamos que Moçambique seja uma verdadeira capital da literatura africana e aumente a cobiça de vários autores africanos em ver seus livros traduzidos e publicados em Moçambique”.
As Madames conta uma história fora do comum numa África do Sul feita de diferenças extremadas, também uma herança da segregação racial do regime do Apartheid. As Madames, levanta um novo cenário de vida para as mulheres e na relação entre as suas ocupações ou representação social em função das raças.
A crítica considerou o livro como uma verdadeira demostração em como a literatura pode ser usada como uma ferramenta revolucionária para imaginar uma nova sociedade e propor a revisão de injustiças sociais do passado. “Wanner demonstra que a divisão de cores cruzou
uma nova ponte, resultando em novas oportunidades, novas relações e novos olhares para a figura feminina. Isso, portanto, fornece novos insights para entender o lugar da figura feminina na África do Sul do século 21 e na literatura africana em geral”, analisou a professora de literatura africana Colômbia Kaburi Muriungi, da Chuka University, no Quénia.
Esta é a quarta tradução de uma obra importante da literatura africana. A Ethale Publishing já trouxe para os leitores moçambicanos os clássicos do nigeriano Nobel de Literatura, Wole Soyinka, do queniano Ngũgĩ wa Thiong’o e da senegalesa minata Sow Fall.
“A Ethale foi pioneira na tradução literária em 2017. Quando começamos notamos que o intercâmbio entre africanos precisa de uma intermediação da Europa. O que de certa forma perpetuava a nova dependência criativa. Usando das tecnologias, rede de transporte e
capacidade logística que se desenvolve no continente para tirar dividendos culturais. O continente pode ser culturalmente dinâmico se nós os africanos nos emprenharmos”, considera o co-fundador da editora, Jessemusse Cacinda.
Zukiswa Wanner já se encontra desde dia 28 de Agosto em Maputo a participar de várias actividades. Entre elas, um encontro com artistas na Incubadora de Negócios Criativos, X-HUB e um encontro com estudantes da Escola de Comunicação e Artes da Universidade
Eduardo Mondlane. Em ambos encontros, a mensagem forte da escritora foi para a necessidade de uma acção conjunta entre os fazedores de arte para uma indústria criativa sustentável.
“Precisamos de ser criativos para encontrar formas de nos traduzir e nos lermos uns aos outros. E é preciso que os artistas independentemente da sua área de actuação participem nos trabalhos de todos, fazendo despertar a todos os públicos o interesse pelas artes.”
Afirmou Zukiswa, que dirigindo-se directamente aos estudantes de licenciatura nos cursos de Teatro e Música especialmente aconselhou “Mergulhem na arte na sua plenitude, não fiquem numa ilha. Conheça outros fazedores de arte para criar conexões, saber como
funcionam as outras artes e acima de tudo criar laços”.
Autora, ensaísta, editora e curadora, Zukiswa Wanner nasceu em Lusaka, na Zâmbia, filha de um sul-africano exilado e de uma zimbabweana. Cresceu no Zimbabwe e formou-se em jornalismo na Hawai’i Pacific University no Havai, EUA.
Em 2018, fundou a editora Paivapo, que assina a antologia de contos infantis africanos Story Story, Story Come (2019) traduzida para isiXhosa, tshivenda, kiswahili e shona, de forma a chegar ao maior número de crianças.
Em 2020, fundou e fez a curadoria do primeiro festival virtual Afrolit Sans Frontieres, no qual entrevistou autores brasileiros e a levou a editar a sexta edição da revista Periferias “Raça, Racismo, Território e Instituições” (2021). Também em 2020, Wanner foi a primeira mulher africana a receber a Medalha Goethe, pela sua actividade e contribuição ao intercâmbio cultural internacional. No mesmo ano, foi considerada Pessoa Literária do Ano pelo blog literário Brittle Paper, além de ter sido nomeada uma das 100 personalidades africanas mais influentes pela revista pan-africana New African.
Sinopse de As Madames
Lauren, é uma académica branca, liberal e moderna. Siz, nascida em berço de ouro decorado com missangas, tem um coração generoso, assinado por roupas de designers. E Thandi, desempenha com excelência os seus papéis de mãe, filha, esposa, dona de casa e Directora
Executiva no Soweto. Mas chegou a hora de enfrentar a dura realidade: a sua capa de Super-Mulher está a pesar demais – ela precisa de ajuda. Ela precisa de contratar uma empregada.
A chegada de Marita, a nova empregada doméstica de Thandi, uma ex-reclusa branca, desencadeia um efeito dominó na vida das madames. Fazendo estremecer as fundações da sua amizade quando os seus papéis são confrontados pelas suas suposições sobre raça e classe social.
Afinal, os brancos também servem para ser empregados dos negros? Serão realmente as empregadas consideradas membros da família das patroas? E o que se sabe, realmente, sobre o que acontece entre quatro paredes na casa dos vizinhos? Quantos segredos caberão dentro dessa amizade? E quem são, realmente, os homens que dormem com as madames? As Madames, originalmente publicado em 2006, é o romance de estreia da autora sul-africana Zukiswa Wanner. Um livro que faz questionar o lugar das dinâmicas familiares, a nossa vulnerabilidade e a necessidade de (nem sempre) manter as aparências.
Este é um livro para se ler e reler em diferentes momentos da vida. Daqueles que desejamos partilhar com amigos ou familiares e com quem mais tarde se senta para debater as personagens e o enredo.
Um autocarro que transportava peregrinos para a cidade iraquiana de Karbala capotou no norte de Bagdade e matando 18 pessoas,
De acordo com as autoridades, as vítimas foram 15 homens e três mulheres, 10 dos quais eram iranianos, dois iraquianos e seis tinham nacionalidade desconhecida, disseram as autoridades, citadas pela imprensa internacional.
Milhões de crentes convergem para a cidade todos os anos para a peregrinação xiita de Arbaeen, considerada uma das maiores concentrações públicas anuais do mundo, acompanhadas por actos de autoflagelação dos crentes junto das mesquitas sagradas.
Os peregrinos são provenientes de várias partes do Iraque, bem como do Irão e dos países do Golfo, e muitos deles dirigem-se para Karbala a pé.
Arbaeen marca o aniversário do 40.º dia de luto após a morte, no século VII, do neto do profeta Maomé Hussein e do seu irmão Abbas, às mãos califado omíada na batalha de Karbala, durante o primeiro século da história do Islão.
O novo líder do Gabão prometeu esta sexta-feira reorganizar as instituições para torná-las mais democráticas. O general prometeu uma nova Constituição e um novo código eleitoral.
Brice Oligui Nguema discursou esta sexta-feira perante o corpo diplomático e com transmissão na televisão pública.
No seu primeiro discurso como novo líder do Gabão, o general afirmou que a dissolução das instituições decretada na última quarta-feira durante o golpe é temporária.
“Trata-se de reorganizá-las, para torná-las ferramentas mais democráticas e mais alinhadas aos padrões internacionais em termos de respeito aos direitos humanos, às liberdades fundamentais, à democracia e ao Estado de Direito”, disse.
Dirigindo-se aos representantes da sociedade civil, Nguema prometeu uma nova Constituição e um novo código eleitoral. Também ameaçou os empresários envolvidos em casos de corrupção e pediu-lhes compromisso para desenvolver o país.
O ex-Presidente, Ali Bongo, foi deposto na última quarta-feira por membros do Exército, pouco depois de as autoridades eleitorais terem anunciado a sua reeleição para um terceiro mandato, após 14 anos no poder.
A Renamo acusa a Frelimo de instruir os chefes de quarteirão a recolher cartões de eleitores nos bairros do município de Maputo. O partido diz que a Frelimo quer manipular os resultados das eleições autárquicas. Esta é a segunda acusação, depois da que foi feita pelo MDM na Matola.
Falando em conferência de imprensa, esta sexta-feira, a Renamo acusou a Frelimo do que chamou de corrupção eleitoral, por alegadamente obrigar os chefes de quarteirão a recolher cartões de eleitores, na Cidade de Maputo.
“Os chefes dos quarteirões com base nos cadernos ilegais tem obrigação de fazer recolha de dados e dos cartões de eleitores dos cidadãos inscritos sob alegação de que não vão precisar se deslocar aos postos de recenseamento no dia da votação, visto que vão receber nas suas residências os boletins de voto para exercer o direito cívico antes dos demais e antes da data e hora legalmente normada na lei”, disse Paulo Chiburre, mandatário do partido Renamo na Cidade de Maputo.
Paulo Chiburre foi mais longe, ao afirmar que há secretários dos bairros na posse de cópias de cadernos eleitorais.
“A posse indevida e não autorizada de cópias autenticadas dos cadernos de recenseamento eleitoral pelos secretários dos bairros da Cidade de Maputo constitui uma clara afronta à lei eleitoral e aos princípios democráticos. Esta prática pode levar a distorções graves no processo de votação e na identificação dos eleitores, comprometendo a lisura do processo eleitoral como um todo. Além disso, esta conduta gera uma desvantagem injusta para as outras forças políticas, prejudicando a igualdade de oportunidades e ferindo os pilares essenciais de um processo eleitoral transparente e equitativo”.
Segundo Chiburre, as informações chegaram a Renamo através dos membros da Frelimo que se tinham reunido, para supostamente organizar fraude eleitoral.
A Renamo exige por isso uma investigação rigorosa e urgente pelos órgãos da justiça e da administração eleitoral.
Lembre-se que, na quarta-feira, o MDM na Matola também acusou a Frelimo de, por via de chefes de quarteirão, recolher cartões de eleitores para preparar fraude eleitoral.
A Primeira-dama e a sua homóloga da República do Gana, Rebeca Akufo-Addo, efectuam uma visita ao “Centro Mulher”, no distrito de Boane, província de Maputo.
As Primeiras-Damas de Moçambique e Gana irão visitar, o Mercado de Peixe, na cidade de Maputo- Refere um comunicado enviado ao O País.
As visitas serão realizadas no âmbito da visita de Estado que o presidente da República do Gana, Nana Addo Akufo-Addo efectua ao país, bem como nas iniciativas de responsabilidade social dirigidas pelos respectivos gabinetes.
74 pessoas na sala. Glória Hotel. Cidade de Maputo. Entre os convidados, 62 almas acompanham, sentadas, a cerimónia organizada pela Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) em parceria com a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB). As outras 12 esmeram-se nas filmagens, a reposicionar os microfones ou a afinar o som, sempre em constantes movimentos à busca da perfeição.
Em algum lugar da sala, autores, editores e jornalistas sussurram palavras quase ininteligíveis: Quem será? Escutamos ao mesmo tempo que reparamos nos eventuais candidatos ao Prémio José Craveirinha. A resposta vem de um repórter que, depois de um raio x a cada autor presente, conclui que adivinhar não é assim tão difícil, quando a palavra mérito faz todo sentido…
Marcelo Panguana. Sentando mais ou menos na quinta fila, do lado esquerdo da sala, do lado esquerdo também tem a sua esposa Helena Cumbe.
Enquanto o evento acontece, com a competente mestre-de-cerimónia que é Julieta Mussanhane, os convidados vão-se cumprimentando como podem. Geralmente à distância, entre olhares e sorrisos. Detrás da sala, vimos tudo e ainda mergulhamos na expectativa das pessoas. De vez em quando, os celulares saem do bolso ou da bolsa para a carga ser avaliada, afinal, no derradeiro instante, ninguém quer ficar para trás.
Enquanto a cerimónia avança, com os habituais discursos protocolares, que, nesses casos, parecem truques para prolongar a ansiedade, de vez em quando as pessoas vão mudando de lugar como quem pretende o melhor ângulo para a fotografia. Claro, nas primeiras filas é que não há nada disso, pois a família Craveirinha (bem representada pelo filho do poeta), o representante da HCB e a presidente do júri cumprem o protocolo de estarem serenos e quietos.
Avaliamos então o suspeito da noite. No mesmo lugar, com a perna direita cruzada sobre a esquerda, está ali um maronga gingão fino, bem a lembrar-nos o Cabaço. Aparentemente, Marcelo fingi que não sabe o que vai acontecer dentro de instantes. Sereno e com ar de boa gente como marca, vai acompanhando a cerimónia feito um sujeito da reconciliação, conforme diria Castiano. Às vezes, apreciando a esposa num de gesto de amor manifesto em silêncio. Helena Cumbe não é ingénua. Aquela mulher, com quem se conversa facilmente, compreende o que o esposo pretende transmitir e ela retribui com a mesma intensidade no olhar. Até aí, entretanto, ambos evitam contactos físicos e, talvez, assim conseguem ficar invisíveis à maioria (mas não ao jornalista que escreve esta crónica).
Palavreados à parte. Perto das 18 horas deste 31 de Agosto, o dia em que a AEMO celebrou 41 anos de existência, finalmente, Julieta Mussanhane convida a presidente do júri do Prémio José Craveirinha para anunciar o autor laureado nesta edição. Os operadores de câmara precipitam-se a encontrar o melhor lugar para filmar e as conversas, de repetente, cessam em toda a sala. É obviamente o momento mais aguardado…
Sara Jona Laisse, uma 7 de Abril gira e que transborda elegância, levanta-se e dá uns 10 passos até ao pódio. No entanto, mal começa a falar, tem de esquecer a acta por alguns minutinhos, pois o Governo de Moçambique não quer perder o momento. A ensaísta anuncia a entrada de Sua Excelência Eldevina Materula, que, naquele passo acelerado típico dos governantes, entra pela sala sorridente e ainda pisca-nos um olho a cumprimentar com simpatia. – Remédios, como estás? Os ajudantes de campo não cedem muitos espaços e só conseguimos retribuir com o mesmo afecto estampado no rosto. – Estamos bem! Isso já não foi possível dizer.
A Ministra chega à zona nobre da sala, onde também se encontra o Secretário-Geral da AEMO, Carlos Paradona. Senta-se e, com todo o protocolo observado, os convidados também imitam o gesto. Por isso, Sara Jona Laisse começa a ler a acta do júri, em alguns momentos, meio em jeito de defesa, quiçá porque a coisa dos prémios em Moçambique é complexa:
– A atribuição de um prémio literário acarreta sempre um elevado grau de subjectividade e a esperança de recolha de unanimidade é uma utopia.
Disse Sara Jona Laisse, acrescentando que, entretanto, o júri teve o privilégio de sair do primeiro encontro de trabalho com uma espécie de consenso em relação ao autor a ser laureado. Assim, no dia 24 de Agosto, o júri decidiu atribuir, por unanimidade, o Prémio Carreira José Craveirinha de Literatura a… (Sara Jona Laisse ainda provoca uma pausa de suspense): Marcelo Panguana.
Aí os celulares saem da cartola. Num gesto de mágica, poetas, escritores, editores, leitores, incluindo os velhotes que até antes de ontem não sabiam atender uma chamada num smartphone, poem-se a filmar, atrapalhados porque também batem palmas. Portanto, as filmagens e as fotografias não devem ter sido grande coisa. Claro, Sara Jona Laisse interrompe a leitura da acta por uns três minutos. A sala está muito alegre. O júri tinha feito justamente o que os presentes, aparentemente, queriam.
Calor humano. Marcelo Panguana imita o gesto e também bate palmas com algum fervor. Sentado. Com a perna cruzada de um maronga gingão. Depois, a cereja em cima do bolo. Vira-se para a esposa e beija-a várias vezes. Contagiante. Só falta kulungwanas, mas os escritores parece que são péssimos quanto aos exercícios com a língua. Tudo resume-se às mãos. Então aumenta a intensidade das palmas, deixando Marcelo Panguana constrangido. Tenta disfarçar, todavia não consegue. A presidente do júri, com efeito, salva o autor de Como um louco ao fim da tarde porque volta a ler a acta, apontando para os argumentos da escolha:
– Na escolha do júri e, para além dos critérios regulamentados, indicadores como humanismo, activismo e associativismo, produção jornalística e editorial, apadrinhamento de escritores, participação em causas e projectos sociais e respeito pelo ser humano, foram tidos em conta e com igual peso dos critérios do regulamento.
E o júri (Sara Jona Laisse, Jorge Ferrão, Manuel Tomé, Aíssa Mithá e Frederico Jamisse) ainda acrescenta:
– Marcelo Panguana constitui, para o júri do Prémio Carreira José Craveirinha, edição 2023, um dos maiores e completos e complexos expoentes da literatura moçambicana tendo já publicado nos géneros e formas como poesia, conto, crónica, romance, literatura infantil, entrevista e ensaio.
Dito isso, Marcelo Panguana é chamado ao palco. Levanta-se. Beija novamente a esposa. Caminha vagarosamente. Passa por vários amigos que filmam… Entre eles, Juvenal Bucuane e Ídasse. Chega ao pódio atrapalhado. Já está diante do microfone, mas não sabe o que dizer. Atrapalha-se ainda mais. Agora está a transpirar. Pensa tirar o casaco preto, mas lembra-se que ali se encontra a Ministra da Cultura e Turismo. Então o jornalista é o único que sabe dessa precaução.
Fala. Não diz nada de concreto. Mas a voz é boa de se ouvir. Mesmo quando não diz nada de grandioso, Marcelo é um homem fino, fácil de amar e respeitar. Algumas jovens bonitas apreciam o escritor com um olhar feroz! Se não for pela elegância e inteligência que transparece, o que não fazem 25 mil dólares, minhas senhoras e meus senhores?
Marcelo, entretanto, não pensa no dinheiro. Agradece a Deus pelo dom da vida e pelas bênçãos; agradece à AEMO e à HCB; agradece aos seus confrades e, sobretudo, à sua esposa, “a mais bela entre todas as coisas!”. Ela não é distraída. Marca presença na sala, agora, levantando a mão direita, como quem diz: Se ainda não perceberam, sou eu a esposa dele.
Palmas. Fotos. Filmagens. Neste instante, Marcelo Panguana deve estar a ouvir Stairway to heaven, dos Led Zeppelin. O Olimpo é seu. Improvisa e acerta. Depois, tenta ir sentar-se. Qual sentar qual quê… Os amigos e confrades de sempre abraçam o homem com entusiamos e etc. De ciúmes não estamos a tratar. Poderiam ter dito.
Celebração total.
A Ministra da Cultura e Turismo começa a intervir. Percebe que tem de esperar. É atenta. Um político aparvalhado continuaria a falar ou a ler mesmo sem condições para isso. Eldevina Materula, habituada ao meio artístico, ajuda a colorir a festa mantendo os holofotes em Marcelo Panguana.
Ao fim de uns quatro minutos depois de abandonar o pódio, o escritor abraça com paixão a esposa. A Ministra logo remata: Fotógrafos, não percam esse momento. Não perdem. Registam o abraço até que o laureado volta a sentar-se. É então que a Ministra defende a necessidade de se celebrar Marcelo Panguana. Os convidados concordam. Tanto que, no final da cerimónia, já em voz audível, repetem: Fez-se justiça! Parece que as coisas estão a mudar!