Residentes dos bairros Patrice Lumumba e Praia, na cidade de Xai-Xai, denunciam o recrudescimento de esquemas de venda múltipla de terrenos, por valores que variam entre 20 e 50 mil meticais, e apontam o alegado envolvimento de algumas autoridades locais. Os moradores exigem medidas para travar o fenómeno. O presidente do município revela que há cerca de 20 casos em investigação e anuncia a prorrogação do prazo de regularização de terrenos até ao final de agosto.
Moradores dos bairros Patrice Lumumba e Praia, na cidade de Xai-Xai, voltam a denunciar alegados esquemas de venda ilegal de terrenos, envolvendo suspeitas de participação de algumas autoridades locais. Segundo os denunciantes, a mesma parcela chega a ser comercializada para duas ou três pessoas diferentes, com valores que variam entre 20 e 50 mil meticais.
Os residentes afirmam que a prática tem gerado conflitos entre compradores e disputas pela posse de terrenos, um problema que, segundo dizem, persiste há vários anos sem uma solução definitiva. Perante o cenário, exigem uma intervenção mais firme das autoridades para travar o fenómeno e responsabilizar os envolvidos.
“Há pessoas que compram um espaço, pagam o dinheiro, começam a construir e depois aparece outra pessoa com documentos a dizer que também comprou o mesmo terreno. Isso tem criado muitos problemas nos bairros”, denuncia um morador.
Confrontado com as acusações, o chefe do Posto Administrativo de Patrice Lumumba, Pedro Sitoe, reconhece que a venda ilegal de terrenos é uma preocupação das autoridades locais. Segundo explica, quatro indivíduos já foram neutralizados no âmbito das ações de combate a esta prática.
“Nós temos conhecimento dessas situações e estamos a trabalhar para travar este fenómeno. Já conseguimos neutralizar quatro indivíduos envolvidos na venda ilegal de terrenos. Em relação ao suposto envolvimento de líderes locais, até ao momento não temos elementos que confirmem essas acusações, mas qualquer denúncia será investigada”, esclarece Pedro Sitoe.
Também chamado a pronunciar-se sobre o assunto, o presidente do Conselho Municipal de Xai-Xai, Ossemane Adamo, revela que a autarquia acompanha cerca de 20 processos relacionados com conflitos de terrenos.
“Temos cerca de 20 casos em investigação e estamos a seguir os procedimentos administrativos e legais para responsabilizar quem estiver envolvido. A população deve continuar a denunciar situações de ocupação e comercialização ilegal de terrenos”, afirma o edil.
Face à persistência dos conflitos fundiários, o município decidiu prolongar por mais 30 dias o prazo para a regularização de cinco mil terrenos considerados ociosos. Segundo Ossemane Adamo, terminado o período, as parcelas que permanecerem sem regularização poderão reverter para o património municipal.
“Estamos a dar mais uma oportunidade aos titulares para regularizarem a situação. Depois deste prazo, os terrenos que continuarem sem qualquer procedimento de regularização serão tratados de acordo com a legislação em vigor”, explica.
Até ao momento, pelo menos 1.800 parcelas já foram regularizadas, de um universo de cinco mil abrangidas pelo processo. As autoridades municipais apelam aos titulares para concluírem a regularização até ao final de agosto, alertando que o incumprimento poderá resultar na perda do direito sobre os respetivos terrenos.
Oito jovens estão a responder criminalmente no distrito de Pebane, na Zambézia, por crimes de extorsão, danos, roubos, incêndio e violação de domicílio. Os indivíduos em causa terão invadido as instalações da mineradora Tazeta Resources.
A invasão ocorreu no dia 11 de Dezembro passado, tendo causado à mineradora prejuízos acima de 20 milhões de dólares. A situação levou brigadas da Secretaria de Estado, do Conselho Executivo e da Justiça a sentarem-se à mesma mesa, junto da mineradora, para produzir protocolos de responsabilidade social, exigidos pela população.
O director-adjunto da empresa, Romesh da Silva, disse que a situação constituiu uma surpresa para a empresa, que, alegadamente, tem cumprido as suas obrigações.
“Temos levado a cabo obrigações, no âmbito da responsabilidade social, para a melhoria de vida das comunidades. Fomos surpreendidos pela população furiosa, que, ao chegar às nossas instalações, começou a arremessar pedras para as janelas e viaturas. De seguida, partiu para a vandalização do nosso armazém, de onde retirou quantidades de bens alimentares e não alimentares, numa acção criminosa para um Estado de Direito que se pretende que acarinhe o investimento público e privado”, disse.
O comandante distrital da PRM, Nolito Ualuto, fez saber que a população, antes de partir para a vandalização, solicitou a permissão para marchar, alegando não estar a conseguir dialogar com a firma. Entretanto, Ualuto diz que as comunidades já tinham dialogado e que faltava apenas fechar alguns detalhes.
“Aquele grupo que organizou a marcha que culminou com o saque foi advertido para não sair à rua para o bem da estabilidade do distrito. Saíram desobedecendo as autoridades e foram retirar bens da mineradora. Para além de partir vidros das instalações e viaturas, roubaram 15 motorizadas, bens alimentícios, entre outros”, disse o comandante, adiantando que estão a ser responsabilizados criminalmente na justiça.
Edgar Reis, procurador distrital de Pebane, fez saber que, ao nível da justiça, correm oito processos-crime contra os autores dos roubos e danos.
“Houve registo de crimes, como de roubo, danos, violação de domicílio, fogo posto, que culminaram com a queima de algumas propriedades e instigação ao crime”, disse o procurador, adiantando que algumas pessoas queriam exigir dinheiro de forma ilegal, no valor de um milhão de Meticais, para não se avançar com a marcha.
Uma equipa multissectorial, composta pelo Conselho de Representação de Estado e Conselho Executivo Provincial esteve em reunião com actores da comunidade local e a empresa para compreender as causas da invasão. No final, a empresa e a comunidade produziram e assinaram protocolo de responsabilidade social, para o restabelecimento da harmonia entre as partes.
Tazetta Resources opera no distrito de Pebane, na província da Zambézia, com capitais na ordem de 16 milhões de dólares, e vai explorar anualmente 150 mil toneladas até 2041. Só em 2023, contribuiu em impostos a favor do Estado no valor de cerca de 176 milhões de Meticais. Trata-se da maior empregadora e contribuinte fiscal da província. Tem maior investimento de plano de responsabilidade social acima de dois milhões de dólares.
Já existe uma calendarização para a época futebolística 2023/2024, que iniciou em Dezembro do ano passado e vai até Dezembro deste ano. Em termos práticos o Campeonato Nacional de Futebol, o Moçambola 2024, inicia a 20 de Abril e vai até 10 de Novembro, numa maratona de 22 jornadas. A supertaça nacional terá lugar entre os dias 13 e 14 de Abril deste ano
A época futebolística 2023/2024 já decorre e as datas das principais provas já foram definidas. A maior prova futebolística do país inicia em Abril e termina em Novembro.
Em termos de datas, a Federação Moçambicana de Futebol definiu o dia 20 de Abril para o arranca do Moçambola que deve ter 22 jornadas, segundo a calendarização da FMF, ainda que sem o aval da Liga Moçambicana de Futebol, que vai a eleições a 31 de Janeiro corrente, e a última jornada agendada para decorrer no dia 10 de Novembro.
Ou seja, nessa data é suposto ser conhecido o campeão nacional que pode ser o Ferroviário da Beira a revalidar o título, ou outra equipa que vai substituir os “locomotivas” de Chiveve.
Ao longo deste período da disputa do Moçambola haverão jogos das fases provinciais e regionais da Taça de Moçambique, cuja a final está prevista para os dias 23 e 24 de Novembro, sem nenhuma indicação da possível disputa da final four (meias-finais e final) na mesma cidade, tal como aconteceu em 2022 e 2023.
Com a época futebolística prevista para terminar a 15 de Dezembro deste ano, a Federação Moçambicana de Futebol prevê que em Novembro terminem os campeonatos provinciais da segunda divisão, nomeadamente até 3 de Novembro, devendo as finalíssimas das três regiões disputarem-se entre os dias 10 e 17 de Novembro, a primeira e segunda mãos, respectivamente.
Nessa altura serão conhecidos os vencedores das três regiões, que vão ascender ao Moçambola 2025, em substituição das três equipas que serão despromovidos na presente época.
Dezembro, no início, estão agendados os campeonatos nacionais das camadas de formação, nomeadamente juniores e juvenis, em masculinos, e séniores femininos, ainda sem local da sua realização.
ÉPOCA INICIA COM OS “PROVINCIAIS” E A SUPERTAÇA
Entretanto, a época futebolística vai iniciar com provas provinciais, que arrancam já em Fevereiro, que serão disputadas pelos clubes e equipas filiadas a cada uma das 11 associações provinciais, que disputam o Moçambola, a segunda divisão e o campeonato provincial.
Em Abril, uma semana antes do arranque do Moçambola 2024 será disputada a Supertaça Mário Esteves Coluna, uma partida a uma mão, num campo neutro, e disputada pelo campeão nacional da época passada, o Ferroviário da Beira, e o vencedor da Taça de Moçambique, a Associação Black Bulls.
Esse jogo da Supertaça Nacional será disputada entre os dias 13 e 14 de Abril, sábado e domingo. A FMF ainda não definiu em qual dessas datas vai marcar este jogo, nem o local que vai acolher a partida.
O vencedor vai substituir a União Desportiva de Songo, que no ano passado venceu o Ferroviário de Maputo pod duas bolas a uma, no campo Municipal da Maxixe, a 11 de Março, à margem da inauguração do referido recinto desportivo.
Para já, sabe-se que as provas internas serão interrompidas para dar lugar aos jogos da selecção nacional, os Mambas, como por exemplo em Março, com a disputa de jogos de controlo inseridos na data-FIFA.
Já com o Moçambola em andamento haverão mais cinco interrupções, nomeadamente em Junho para os jogos da terceira e quarta jornadas de qualificação ao Mundial 2026, em Julho para o torneio regional do Cosafa, em Setembro, Outubro e Novembro, para os jogos da fase de grupos de qualificação ao CAN-2025.
ÁRBITROS VÃO A TESTES EM MARÇO E ABRIL PRÓXIMOS
Os árbitros moçambicanos vão ser submetidos aos testes físicos, tendo em vista a preparação da época 2024. Segundo uma nota do Comissão Nacional dos Árbitros de Futebol, CNAF, o primeiro teste será efectuado nos meses de Março e Abril.
Os árbitros deverão ser novamente submetidos ao teste no fim da primeira volta do Moçambola, em Julho.
O terceiro teste será em Setembro, desta feita para a inscrição dos juízes para a FIFA 2025. Os referidos testes serão coordenados, ainda de acordo com mesma nota, pelos instrutores físicos da Federação Moçambicana de Futebol.
O Instituto Nacional de Meteorologia prevê chuvas moderadas a fortes devido à influência da Zona de Convergência Intertropical na região Norte do país, nas províncias de Niassa, Nampula e Cabo Delgado.
Em Niassa, serão afectados os distritos de Muembe, Marrupa, Chibonila, Ngauma, Massangulo, Mandimba, Mecanhelas, Insaca, Cuamba, Metarica, Maúa, Nipepe, Mecula e cidade de Lichinga; em Nampula serão os distritos de Malema, Ribáuè, Lalaua, Mecuburi, Mossuril Mogincual, Meconta, Nacaroa, Monapo, Memba e cidades Nacala de Nampula; já em Cabo Delgado serão os distritos de Montepuez, Balama, Chiúre, Mecufi, Metuge, Quissanga e cidade de Pemba.
Face à ocorrência de chuvas moderadas a fortes e trovoadas, o INAM recomenda a
tomada de medidas de precaução e segurança.
Medicamentos contrafeitos, e de baixa qualidade, contra a malária matam mais de 267 mil pessoas por ano na África Subsariana, comunicou ontem o Instituto de Estudos de Segurança.
Ao longo dos anos, os medicamentos antipalúdicos, que eram amplamente recomendados e fornecidos na África Ocidental – cloroquina e sulfadoxina-pirimetamina – perderam a sua eficácia, por isso governos da África Subsariana seguiram uma recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e mudaram para terapias combinadas à base de artemisinina (ACT), segundo o comunicado do ISS ontem divulgado, citado pelo Notícias ao Minuto.
Devido à sua eficácia e utilização generalizada, os medicamentos contra a malária, especialmente os ACT, estão entre os medicamentos contrafeitos mais comuns no mundo, de acordo com o comunicado do ISS escrito pelo coordenador regional do Observatório da Criminalidade Organizada da África Ocidental, Feyi Ogunade.
A nível mundial, a China e a Índia são os principais produtores de ACT, assim como de outros medicamentos. Os Emirados Árabes Unidos, Singapura e Hong Kong “funcionam como centros de trânsito na cadeia de abastecimento global”, segundo o ISS.
Um relatório de 2023 da Comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) identifica a África Ocidental, em especial a Guiné-Conacri e o Burkina Faso, como pontos críticos para a venda de medicamentos falsificados.
O Governo reconhece o papel do músico Chico António na promoção de Moçambique além-fronteiras e no desenvolvimento artístico nacional. A Ministra da Cultura e Turismo diz que se calou a voz de um património nacional, que deixa um grande vazio na cultura nacional. Familiares, amigos, fãs e público em geral renderam, hoje, uma última homenagem ao astro da música moçambicana.
“Baila Maria”, uma das criações musicais de Chico António, foi interpretada por Tomás Vieira Mário, no último adeus ao músico, esta terça-feira, no salão nobre do Conselho Municipal de Maputo.
Uma despedida, aliás, celebração da vida e obra de um músico que marcou gerações e deixou marcas para a cultura moçambicana e, por isso, o Governo diz que se calou a voz de um património nacional.
“Calou-se para sempre a voz de um instrumentista, flautista, um guitarrista, um trompetista. Calou-se a voz de um cantor, um verdadeiro artista, multifacetado, patriota, pai, irmão, amigo e companheiro. Calou-se a voz de um património nacional. A partida eterna de Chico António abre um grande vazio, difícil de preencher no seio da família das artes e cultura moçambicana. Desferiu um golpe profundo no panorama cultural e criativo, porque falamos de um compatriota íntegro, forjado nas artes que engrandecem e elevam bem alto a imagem e prestígio de Moçambique numa altura em que o seu legado estava ainda em ascensão aos olhos de todos nós”, diz Eldevina Materula, Ministra da Cultura e Turismo.
Os elogios destacam a figura do cantor que uma vez foi menino de rua, mesmo assim soube encontrar o caminho daquilo que definiu para seguir na vida: a música. A Ministra da Cultura e Turismo conta que visitou Chico António no Hospital e partilha a última conversa com o músico.
“Entre tantas coisas, Chico disse: ‘Por mais que queiram, não irão dar tudo o que precisamos, mas teremos essa responsabilidade em cada um de nós, porque a amizade e o espírito de colaboração, sim, nos levarão à vitória’. Estas foram das últimas palavras que o Chico me dirigiu e disse: ‘Vocês continuam com a batalha, vocês continuam com a batalha’. Pediu-nos que fizéssemos uma fotografia e aqui sentimos que Chico se estava a despedir”.
Já Mário Cuna, amigo do malogrado, conta também como foram passados os últimos dias antes da morte. Cuna chegou a ficar emocionado ao narrar os episódios vividos por ambos pouco antes de o músico dar entrada no HCM.
“Eu ligo para ele no domingo: ‘Estás bem, Chico?’ Ele respondeu: ‘Não, não estou bem, está a doer-me o estômago’. Eu disse ‘okay, vou aí’. Quando cheguei ao Hospital, não reconheci o Chico, foi assustador, nunca chorei tanto ver o Chico em cadeira de rodas. Questionei-me: ‘O que está a acontecer?’ Eu volto a Manhiça na sexta-feira, acordo de manhã, recebo uma mensagem muita curta da Otília e dizia: ‘Morreu…'”.
Chico António tem um álbum gravado e, para este ano, segundo Mário Cuna, esperava gravar uma nova obra discográfica e concluir a Escola de Música que estava a construir no Município da Manhiça. Mário Cuna diz que há músicas escritas, mas não estão gravadas, outras têm título, e há possibilidade de serem gravadas, porém, quanto à construção da escola, pode o projecto ficar parado com a morte do cantor.
Em mensagem, através de um representante, o filho de Chico António agradeceu os ensinamentos e o companheirismo do pai.
“Hoje, sinto-me privilegiado por ter compartilhado esses momentos consigo, meu amigo, companheiro, melhor exemplo de disciplina, perseverança e autenticidade que eu pude ter. Sim, houve desafios, desentendimentos, afinal, somos os dois teimosos e impacientes praticamente a mesma pessoa, mas, apesar de tudo, o vínculo que compartilhamos foi uma expressão de amor e experiências que moldaram quem hoje eu sou.”
Várias personalidades renderam homenagem ao músico e destacaram as suas qualidades humanas e artísticas.
Licínio Azevedo produziu e realizou o filme “O grande bazar”, que tem, no elenco, o músico Chico António, que, para além de produzir a trilha sonora, participou como actor. Licínio Azevedo diz que a morte do artista é uma perda para o país, de modo geral, e para a cultura, em particular.
“Toda a homenagem será sempre pequena para uma pessoa como Chico António. O que tenho a dizer é que os homens bons morrem cedo demais, o exemplo disso é Chico António, que era uma pessoa maravilhosa, um dos maiores músicos moçambicanos, melhor músico de todos os tempos, cantor, compositor e intérprete. Trabalhei com Chico, ele fez músicas para vários filmes meus. Mas tem um filme especial que ele teve um papel muito relevante, que foi feito em 2006, O Grande Bazar, gravado no mercado Vulcano, que retrata um lenhador que perdeu a sua família vítima da guerra”, lembrou Licínio Azevedo.
Chico António contribuiu com o seu saber para a academia, por isso a Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) garante valorizar o seu legado.
“A universidade tem a oportunidade para continuar a recriar e a reviver essas que são as grandes figuras da nossa sociedade e, sobretudo, da nossa cultura. Em devido tempo, nós pensaremos em algo, levaremos aos orgãos colegiais e tomaremos as decisões. Mas o Chico estará sempre presente porque ele faz parte das nossas paredes, nossas portas, nossas janelas, nossas memórias, nossos livros e de todas as músicas e dos filmes que alguma vez a universidade produziu”, enalteceu Jorge Ferrão, reitor da UP-Maputo.
Familiares e amigos destacaram a personalidade do músico Chico António. A família Bucuane, de onde a sua esposa é proveniente, destaca que o músico era de carácter limpo e inofensivo.
A Rádio Moçambique, na qual Chico teve projecção artística, agradece pelo seu contributo.
A Associação dos Músicos Moçambicanos também teceu elogios ao seu membro. Lena Baule, da nova Escola de Música Moçambicana, também falou do contributo de Chico na cultura moçambicana e defende que o seu legado deve ser imortalizado.
Os restos mortais de Chico António foram cremados, esta terça-feira, no Cemitério de Lhanguene.
As famílias, cujas casas ficaram parcialmente destruídas depois de terem sido projectadas por pedras, durante o desmonte de rochas na mina de Moatize, em Tete, na semana passada, dizem não estar a receber apoio das autoridades e pedem celeridade na reconstrução das suas casas.
No passado dia 05 do mês corrente, pedras projectadas de uma mina durante uma operação de desmonte de rochas, na mina de Moatize, na Província de Tete, teriam alegadamente causado danos às comunidades vizinhas das operações, tendo deixado dezenas de casas e bens parcialmente destruídos. Entretanto, famílias cujas casas ficaram afectadas dizem-se preocupadas porque, até ao momento, nada foi feito.
A população diz-se, ainda, cansada e pede celeridade na reconstrução das suas casas.
No entanto, o Governo distrital de Moatize reitera que o caso foi entregue à edilidade. Refere também que o relatório decorrente das investigações feitas no local do incidente será concluído ainda nesta semana.
De acordo com as autoridades, o número de casas afectadas subiu de cinco para vinte e uma.
Os Mambas tiveram duas partes distintas diante do Egipto, com uma primeira parte de nervosismo inicial, com algumas falhas defensivas e um ataque perdulário.
São muitos jogadores dos Mambas que mereceram destaque no jogo diante do Egipto, desde o guarda-redes Ernan, que mais uma vez mostrou segurança entre os postes, tanto a jogar com as mãos, como com os pés.
Uma defensiva que, apesar das tremedeiras iniciais, conseguiu acertar o passo e a dupla de centrais soube muito bem coordenar nas dobras. Aliás, Mexer, nas bolas aéreas, e Edmilson, nas bolas por baixo, foram exímios nos cortes. Reinildo nem parecia aquele jogador que ficou quase um ano sem jogar: que grande recuperação. Macandza mostrou que merece jogar noutros campeonatos e esta pode ser a porta de saída.
O meio campo esteve muito compacto na primeira parte, mas Guima e Alfonso mostraram que estão na selecção nacional e são titulares por mérito próprio. Uma boa combinação entre os dois. Aliás, Guima acabou por ser considerado o homem do jogo pelo trabalho que fez, tanto a defender como a atacar, a jogar sem se cansar e a mostrar muita frieza nos momentos cruciais. Um prémio merecido, tal como podia ser se tivesse ido para Witti, que muito fez pelos Mambas no jogo de domingo.
Domingues foi o mais castigado, pelo adversário, pela pressão e pela idade, mas que teve uma boa primeira parte do jogo, tal como Gildo, Ratifo e todos outros que entraram na segunda parte.
Clésio mostrou ser uma arma secreta bastante valiosa e a ter em conta nos próximos jogos. Uma boa salvação para os Mambas.
Com a distinção de melhor jogador em campo, Guima lamentou apenas o empate, que teve sabor agridoce. “O resultado deixa um sabor amargo, um sabor de que a vitória podia ser nossa. Feliz pelo um ponto, pela prestação da equipa, mas é como digo, deveríamos ter conseguido a vitória e fazermos um marco histórico para a nossa selecção. Infelizmente, não conseguimos, mas estamos aqui, faltam três pontos para matematicamente estarmos qualificados, e é para isso que vamos trabalhar”, disse Guima que dedicou o prémio à sua família, aos adeptos moçambicanos e a toda a delegação dos Mambas na Costa do Marfim.
Sobre o jogo da próxima sexta-feira diante do Cabo Verde, Guima diz que é preciso pensar positivo e entrar com o pensamento na vitória. “Vamos preparar-nos da mesma forma que nos preparamos para este e lá está, vamos todos, vamos juntos, é o nosso lema e é o que demonstramos aqui hoje”, disse o homem do jogo.
Clésio Baúque e Ernan Siluane também se mostram satisfeitos com as suas exibições e confiantes numa boa campanha.
O autor do segundo golo dos Mambas, Clésio, diz que a equipa fez de tudo para vencer o jogo, mas lamenta o golo sofrido no fim. Entretanto, era um homem feliz pelo golo que marcou, uma vez que “esse golo é para indicar ao povo moçambicano que este é o meu trabalho, sou avançado e vivo de golos. Vamos continuar a trabalhar para podermos alcançar os nossos objectivos”.
Vem agora Cabo Verde e é preciso maior concentração, segundo Clésio. Uma concentração que vai permitir “fazermos um bom jogo para vermos se conseguimos alcançar a próxima fase. Estamos todos felizes. Agora é só levantar a cabeça e pensar no próximo jogo”.
Já Ernan, guarda-redes dos Mambas, fala de um balneário motivado. “Não foi um jogo fácil, tentámos dar o nosso máximo, infelizmente, não conseguimos ganhar. Continuaremos a dar o melhor de nós no próximo jogo frente a Cabo Verde. O balneário está muito bem, estamos satisfeitos com a nossa exibição. Temos de agradecer o apoio dos moçambicanos, estamos aqui a lutar pelo país, é uma honra representar a nação e daremos o nosso máximo”, disse Ernan.
FILIPE NYUSI ENALTECE ESFORÇO DOS JOGADORES
O Presidente da República, Filipe Nyusi, felicitou a selecção nacional pelo empate a duas bolas diante do Egipto, na estreia do CAN Costa do Marfim 2023. Para Filipe Nyusi, “o empate não é o nosso resultado, mas temos de aceitar”.
Aliás, Nyusi lamenta a intervenção do VAR nos instantes finais do jogo que acabou por retirar a vitória dos Mambas. “Se não fosse o VAR, teríamos vencido o jogo. Parabéns aos Mambas. Não somos quaisquer. Continuaremos a trabalhar, apoiando esta juventude, mesmo em momentos difíceis”, referiu Nyusi.
Para além de enaltecer o foco dos Mambas na partida, Nyusi agradeceu ao povo moçambicano pelo apoio e carinho depositado na selecção nacional, com o principal destaque aos adeptos que se fizeram presentes nas bancadas do estádio que acolheu o jogo. E diz mais: “Não podemos deixar-nos levar pelo empate com o Egipto. Temos de continuar a fazer o nosso jogo. O nosso objectivo é ganhar, caso não, não devemos perder”, concluiu Filipe Nyusi.
Especialista diz que o consumo de álcool e drogas pode estar associado ao comportamento do agente que matou a esposa com recurso a martelo na província de Maputo. A ser provado que o autor é doente mental pode não ser responsabilizado.
O caso deu-se a quatro dias no bairro de Kumbeza, no distrito de Marracuene.
Um agente afecto a Polícia da República de Moçambique matou a sua esposa com recurso a um martelo, com o qual desferiu vários golpes na cabeça, por motivos, segundo a polícia, passionais.
Para o psicólogo Mário Nngulele, é preciso olhar para vários factores, como por exemplo, o perfil pessoal do autor do crime.
“Porque pode ser uma pessoa que para além da profissão que teve nos treinos, como agente da polícia, potenciou-se a agressividade, tendo em conta que também é um portador de arma, legalmente. Temos que olhar também, para o tipo de personalidade anti-social caracterizado pela agressividade, pelo uso da força e pelo supremacia na tomada de decisões, disse Mário Ngulele, acrescentando que é preciso perceber se a pessoa passava por algum consumo de álcool e outras drogas psicoativas, embora quem declara é apenas o médico. “Mas o consumo de drogas associado a características anti-sociais podem ter conduzido, após uma discussão por casos passionais se calhar”, avançou.
A família da vítima invocou o incumprimento do lobolo como sendo a origem do problema, no entanto para o especialista, nada disso justifica.
“É preciso perceber que o ser humano tem capacidade para controlar os seus impulsos, há uma situação em que está a ocorrer dentro da família, é preciso regularmos as nossas emoções e saber tomar decisões de acordo com aquilo que estamos a vivenciar”, explicou.
Para o jurista Damião Cumbane, a ser provado que o autor do crime sofre de problemas mentais poderá ser inimputável do crime.
“Se se provar que o agente cometeu o crime naquele momento que estava privado da capacidade de querer e entender, aí pode cair na situação de inimputabilidade, ou seja, deixa de ser responsabilizado criminalmente”, defendeu o jurista Damião Cumbane.
Damião Cumbane disse ainda que há um outro elemento que pode agravar a responsabilização, do agente que tem haver com o tipo de instrumento usado para fazer a execução poderá contribuir para a aplicação da sanção.
“Tudo indica que se esteja diante de um caso de homicídio agravado e pode levar até 24 anos de prisão, no entanto vai depender daquilo que será apurado em sede da instrução preparatória que é da responsabilidade do ministério público.
A Polícia da República de Moçambique prometeu pronunciar-se esta segunda-feira sobre o caso, mas quando a nossa reportagem se fez ao local, a porta-voz da Polícia na província de Maputo disse que não podia falar e aconselhou a contactar o chefe do Gabinete das Relações Públicas, que, entretanto, até a manhã desta segunda-feira, estava incontactável.
O custo de vida agravou-se na ordem dos 5,3 por cento durante o ano de 2023. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, a maior subida de preços foi registada nos produtos alimentares e nas bebidas não alcoólicas.
O ano de 2023 foi semelhante aos anteriores no que diz respeito ao custo de vida. O nível geral de preços dos bens e serviços aumentou na ordem de 5,3 por cento, situando-se, assim, abaixo de dois dígitos, isto é, abaixo de 10 por cento.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, a cidade de Quelimane teve a maior subida de preços que rondou 8,1 por cento, seguida da cidade de Tete com 7,13 por cento e província de Inhambane com 6,45 por cento, isso em termos acumulados.
No que diz respeito aos produtos, o Instituto Nacional de Estatística diz ter havido maiores subidas de preços do peixe seco, do milho em grão, do tomate, das refeições completas em restaurantes, do feijão nhemba, do peixe fresco e de cervejas para o consumo fora de casa.
Os dados foram recolhidos em Dezembro último, nas cidades de Maputo, Beira, Nampula, Quelimane, Tete, Chimoio, Xai-xai e província de Inhambane.