O Governo de Moçambique lançou a primeira pedra para a construção do Centro Cirúrgico Nacional, uma infra-estrutura de referência que deverá reforçar a capacidade do país na realização de cirurgias especializadas e reduzir a necessidade de transferência de doentes para o estrangeiro.
A obra, financiada pelo Governo da República Popular da China, representa um investimento de cerca de 40,5 milhões de dólares norte-americanos, destinado à construção e apetrechamento da nova unidade hospitalar.
A infra-estrutura será erguida no recinto do Hospital Central de Maputo e deverá estar concluída em 24 meses. O projecto contempla um edifício de oito pisos, com capacidade para 475 camas, incluindo unidades de cuidados intensivos, além de 14 salas de operações e serviços de urgência, imagiologia, laboratório e outras áreas de apoio.
No acto de lançamento da primeira pedra, o Presidente da República, Daniel Chapo, destacou a importância do projecto para a consolidação do Sistema Nacional de Saúde, defendendo que os moçambicanos devem ter acesso, no próprio país, a tratamentos médicos e cirúrgicos de elevada complexidade.
O Chefe do Estado afirmou que, durante décadas, cidadãos que necessitavam de procedimentos especializados foram obrigados a procurar tratamento no estrangeiro, sobretudo na África do Sul, Portugal e Índia, através de juntas médicas, uma prática que acarreta elevados custos para as famílias e para o Estado.
Segundo o Presidente, o Centro Cirúrgico Nacional pretende inverter esta realidade e permitir que os médicos moçambicanos formados e especializados no exterior encontrem, no país, condições tecnológicas adequadas para aplicar os conhecimentos adquiridos.
“Queremos que os moçambicanos sejam tratados em Moçambique”, afirmou o Presidente, defendendo que o investimento representa também um passo para o reforço da soberania sanitária, da capacidade científica e tecnológica do país.
O projecto prevê salas operatórias modernas equipadas com tecnologia de última geração, áreas de recuperação pós-anestesia, serviços avançados de esterilização, sistemas de controlo de infecções e equipamentos de monitorização permanente.
O Presidente sublinhou, entretanto, que a qualidade da nova unidade não dependerá apenas da tecnologia, mas também da valorização dos profissionais de saúde. Nesse sentido, destacou a necessidade de continuar a investir na formação e capacitação de médicos, enfermeiros, anestesiologistas, técnicos e outros profissionais.
A nova infra-estrutura deverá ainda contribuir para o desenvolvimento da investigação médica, inovação clínica e formação de novas gerações de especialistas.
O Chefe do Estado anunciou igualmente a construção de um Centro Nacional de Trauma, enquadrando os dois projectos numa estratégia mais ampla de fortalecimento do Sistema Nacional de Saúde.
Para o Presidente, o investimento na saúde deve ser encarado não apenas como uma despesa pública, mas como um investimento no capital humano, na produtividade e no desenvolvimento económico e social do país.
A construção do Centro Cirúrgico Nacional resulta da cooperação entre Moçambique e a República Popular da China. O projecto deverá tornar-se numa das maiores infra-estruturas de saúde do país e reforçar significativamente a capacidade nacional de prestação de cuidados cirúrgicos especializados.