Os pilotos moçambicanos voltaram a demonstrar o seu talento além-fronteiras ao alcançarem resultados de destaque na 3.ª prova do Campeonato Rotax Northern Regions, disputada no circuito de VKC, em Vereeniging, África do Sul. Em representação de Moçambique, do Automóvel & Touring Clube de Moçambique (ATCM) e da equipa Rasteirinho Racing, Teresa Bettencourt, Tiane Resende e Daniel Resende enfrentaram alguns dos melhores pilotos sul-africanos, deixando boas indicações sobre o crescimento do karting nacional.
O grande destaque da jornada foi Teresa Bettencourt, da Rasteirinho Racing, que brilhou na sua estreia no exigente circuito sul-africano. A jovem piloto qualificou-se na sétima posição entre 13 concorrentes da categoria Micro Max, ficando a apenas 0,645 segundos da pole position. Ao longo das três mangas, evidenciou um ritmo competitivo e consistente, terminando a primeira e a segunda corridas no quarto lugar e alcançando um excelente segundo lugar na derradeira manga, a apenas 153 milésimos de segundo da vitória.
A prestação confirmou a evolução da piloto moçambicana, que competiu pela primeira vez naquele traçado e conseguiu discutir os lugares cimeiros com alguns dos principais pilotos da categoria. O desempenho reforça o estatuto de Teresa Bettencourt como uma das maiores promessas do karting moçambicano. A piloto voltará a representar Moçambique e o ATCM no próximo dia 29 de Agosto, na última prova do Campeonato Nacional disputado em território sul-africano.
Na categoria Bambino, Tiane Resende também esteve em evidência ao terminar a prova no quinto lugar da classificação geral. Integrando uma grelha composta por 13 pilotos, o vice-campeão moçambicano começou por concluir a primeira manga na sétima posição, melhorou significativamente na segunda corrida ao subir para o quarto lugar e encerrou a competição em sexto na terceira manga. A regularidade demonstrada permitiu-lhe assegurar um lugar no Top 5 da classificação final.
Além da boa prestação em Vereeniging, Tiane Resende continua a liderar o Campeonato CKA, principal competição de karting de Moçambique, promovida pelo ATCM, mantendo-se focado na quarta prova da temporada, agendada para 19 de Setembro, no Kartódromo do ATCM.
Já Daniel Resende enfrentou um fim de semana particularmente exigente na categoria Mini Max. O piloto competiu pela primeira vez no circuito de Vereeniging, depois de um período de férias afastado dos treinos, o que condicionou o seu ritmo competitivo.
Apesar das dificuldades, Daniel demonstrou determinação ao longo da prova. Na segunda manga, apresentou melhorias no desempenho, mas um incidente em pista comprometeu o resultado, relegando-o para a última posição. Na terceira corrida, foi desclassificado, devido a uma irregularidade relacionada com o peso do kart, situação posteriormente atribuída a uma diferença de cerca de um quilograma na balança utilizada para as verificações técnicas. Sem pontuar na última manga, terminou a prova na última posição da classificação geral.
As prestações dos três pilotos evidenciam a crescente competitividade do karting moçambicano e reforçam a capacidade dos jovens talentos nacionais em competir com sucesso nas principais provas da região, representando com mérito Moçambique e o Automóvel & Touring Clube de Moçambique.
O sector de saúde, em Niassa, intensifica campanhas sobre a saúde sexual e reprodutiva para travar elevado índice de gravidezes precoces.
O facto tem como causas o fraco poder económico de algumas famílias, aliado às condições físicas e psicológicas que propiciam o aliciamento das menores.
De Janeiro a esta parte, por exemplo, cerca de quinhentas raparigas de catorze aos quinze anos de idade contraíram gravidezes precoces, facto que preocupa as autoridades de saúde nesta parcela dos pais.
O director dos Serviços provinciais de saúde no Niassa, José Manuel, referiu que, para minorar o problema, o sector de saúde está criar comités de protecção de crianças, através do programa multissectorial do Banco Mundial para a saúde, educação e protecção social.
José Manuel reitera o apelo à população para incrementar acções de educação sexual e reprodutiva, como forma de chamar a razão as comunidades em relação aos riscos que correm ao iniciar a actividade sexual precocemente.
Funcionários da fábrica de açúcar orgânico no distrito de Chemba, em Sofala, estão há três meses sem salários.
A companhia atravessa uma crise sem precedentes, que se arrasta desde o ano passado.
São mais de 800 trabalhadores que não recebem os seus ordenados desde Março. Já foram realizadas várias reuniões entre a massa laboral e a direcção da empresa para se ultrapassar o problema, mas nada mudou.
O secretário do Comité Sindical na Fábrica de açuda orgânico de Chemba, Gabriel Sina Cossa, disse que o patronato havia prometido no último encontro pagar os salários em atraso até à semana passada , o que não aconteceu.
Gabriel Sina Cossa fez saber que não está, para já, prevista uma paralisação, mas deixa claro que pode ser convocada uma greve.
O Governo de Espanha diz que o Tribunal Penal Internacional (TPI) é independente na tomada de decisões. O TPI solicitou mandados de captura contra o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu e líderes do grupo islamita palestiniano Hamas.
A posição do governo espanhol face à actuação do TPI foi apresentada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros que defendeu o seu compromisso com o tribunal e com a sua independência e imparcialidade.
“O seu trabalho crucial deve ser realizado livremente e sem interferência“, sublinhou a diplomacia espanhola, numa mensagem publicada na rede social X (antigo Twitter).
O procurador do TPI, Karim Khan, solicitou na segunda-feira mandados de captura contra Netanyahu e o seu ministro da Defesa, Yoav Gallant, bem como contra três líderes do Hamas: Yahya Sinwar, Ismail Haniyeh e Mohamed Deif.
Khan pediu aos juízes do TPI permissão para emitir mandados de captura contra estes cinco dirigentes por alegados crimes de guerra durante os ataques do Hamas de 07 de outubro, em solo israelita, que deixou acima de 1.100 mortos e cerca de 250 pessoas levadas como reféns, e a subsequente ofensiva israelita na Faixa de Gaza.
Em retaliação, Israel empreendeu desde então uma ofensiva em grande escala no território palestiniano, que já fez mais de 35 mil mortos, na maioria civis, segundo o Governo do Hamas, e provocou uma grave crise humanitária.
Entre os crimes pelos quais o procurador-geral responsabiliza os dois responsáveis israelitas estão o uso da fome como “método de guerra” contra civis e o “assassinato intencional”, enquanto responsabiliza os líderes do Hamas pela morte de centenas de civis israelitas.
Israel não faz parte desta instituição, tal como os Estados Unidos, pelo que não é obrigado a seguir as suas ordens.
No entanto, todos os países da União Europeia (UE) ratificaram o Estatuto de Roma, pelo que, se as ordens forem emitidas, o governante israelita não poderá atravessar as fronteiras europeias.
O jornalista Francisco Mandlate defende que Moçambique deve trabalhar de forma a melhorar questões de segurança, inteligência e outros aspectos para detectar o movimento de criminosos estrangeiros no país. Em entrevista ao Programa Noite Informativa, o analistas explicou que a facilidade de movimento estrangeiro pode representar risco para a soberania de Estado.
Depois da tentativa falhada de Golpe de Estado na República Democrática do Congo, descobriu-se os líderes desta tentativa são sócios de uma empresa mineira registada em Moçambique. trata-se de dois cidadãos americanos que viviam na cidade de Maputo e um congolês que vivia nos Estados Unidos da América.
Francisco Mandlate diz que os vários casos já registados de criminosos no país são preocupantes e demostram certa fragilidade na segurança. “Os dados mostram que Moçambique realmente tem acolhido criminosos. Mandlate lembrou de alguns casos já registado como o dos indivíduos que vivendo viveram em Moçambique, mas que estiveram envolvidos num atentado gingatesco num país europeu, assim como o caso do traficante Fuminho que esteve foragido por vários anos, acusado de crimes hediondos, mas foi encontrado numa zona nobre em Maputo”.
“Tudo isso tem que nos preocupar e nos tirar sono, não por acolher essas pessoas, mas pela nossa segurança. É a nossa sobrevivência como Estado, é a garantia da nossa soberania. Fora a isso, temos situações de pessoas que circulam, via aérea ou terestre, centenas de pessoas a virem do interior de África e a terem uma vida normal, sem que nós sequer saibamos quem são essas pessoas. Temos fragilidade ao nível da segurança que permite que tenhamos esse movimento todo”, explicou.
Uma outra amostra de fragilidade na segurança a que se fez referência durante o programa, foi o facto de alguns relatórios da Procuradoria da República mostrarem que Moçambique foi, algumas vezes, usado como corredor de drogas.
Sobre o assunto, o analista,diz ser uma clara amostra que temos um défice e é fundamental melhorar a questão da segurança. “Nós damos uma passarela vermelha a qualquer um que venha a Moçambique, basta que alguém queira abrir um negócio o faz facilmente. É preciso saber com quem estamos a lidar, está a ser recorrente ter pessoas de conduta duvidosa a terem acesso até a instituições sensíveis do nosso país”.
O jornalista disse ainda que embora estejamos num contexto em que, a luz do Pacote de Medidas de Aceleração Económica, Moçambique decidiu reduzir o nível de Burocracia como forma de atrair maior investimento estrangeiro, é importante filtrar, saber que vem a Moçambique vem realmente investir e vai seguir as regras do país, e filtrar de modo a saber questões de legalidade.
“Então não é para proibir o investimento estrangeiro, mas proteger o nosso Estado, porque hoje aconteceu com Congo, mas pode acontecer com Moçambique”, encerrou.
Cerca de mil pacientes morreram em 21 dias da greve no Sistema Nacional de Saúde, segundo a Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM). O organismo não avança, no entanto, os hospitais e as respectivas províncias onde as mortes ocorreram.
Na conferência de imprensa denominada “Ponto de Situação Relativo à Greve dos Profissionais de Saúde”, o presidente da agremiação, Anselmo Muchave, considerou “inconcebível, volvidos 49 anos da Independência Nacional (…)” que os profissionais de saúde paralisem o sector para garantir que “mais de 95% da população” não tenha falta de “um simples paracetamol”, entre outros serviços básicos.
“Neste momento, por falta de atendimento nas nossas unidades sanitárias, houve quase mil óbitos”, disse Anselmo Muchave.
Apesar da greve, Muchave avançou que as negociações prosseguem com o Governo. “Ontem (domingo) estávamos para terminar os acordos”, mas houve “impasse”, afirmou sem especificar de que tipo de impasse se trata.
A classe luta por melhores condições de trabalho, pagamento de horas extras e subsídio de riscos inerentes ao ofício. “Alertamos o Governo” para o facto de que também “queremos e temos direito ao enquadramento definitivo”.
A APSUSM queixa-se de ameaças aos grevistas e de falta de combustível para transportar doentes de um hospital para o outro.
“Buscam-nos das nossas casas para o trabalho nas mesmas viaturas que são necessárias para transportar pacientes. Mas quando é para transportar pacientes dizem que não há combustível. Como atenderei, eu, pacientes sem luvas? Como suturar uma ferida sem álcool para desinfectar as mãos? (…)”, questiona a classe.
Parte dos indivíduos envolvidos na tentativa do golpe de Estado na República Democrática do Congo, domingo, 19 de Maio, são sócios da empresa mineira Bantu Mining Company, registada em Moçambique e com sede no Município da Matola.
Trata-se de dois cidadãos americanos que residiam na Cidade de Maputo e um congolês que vivia nos EUA. O primeiro foi identificado como Cole Patrick Ducey, solteiro, natural de Califórnia, nos Estados Unidos da América, portador de Passaporte n.º 584250165, emitido a 26 de Setembro de 2018, e que residia no bairro do Alto-Maé, na Cidade de Maputo.
O segundo, por sua vez, chama-se Benjamin Reuben Zalman Polun, solteiro, natural de Maryland, Estados Unidos da América, de nacionalidade americana, portador de passaporte n.º 720156243, emitido a 21 de Março de 2022, residente na Cidade de Maputo, também no bairro do Alto-Maé.
Christian Malanga, cidadão congolês, presidente e fundador do Partido Congolês Unido, foi morto pelas forças congolesas durante a rebelião, e um dos dois cidadãos americanos encontra-se detido.
Em Chimoio, Christian Mahlanga e Benjamim e Benjamim Reuben registaram, no dia 21 de Setembro de 2022, a empresa Global Solutions Moçambique. Zeferino Caito, do departamento das Relações Públicas no Cartório Notarial de Manica, confirmou ao “O País” a existência da referida empresa.
Malanga tinha publicado vários vídeos na sua página na rede social Facebook que mostravam um grupo de homens armados em uniforme militar no átrio e nos jardins do palácio.
“Desfrutem da libertação do nosso novo Zaire”, gritou Malanga em inglês, enquanto os atacantes queimavam bandeiras da RDC e carregavam bandeiras do Zaire, o antigo nome da RDC durante a ditadura de Mobutu Sese Seko.
Os atacantes afirmaram ser da diáspora e estar a lutar para expulsar Tshisekedi do poder, segundo a imprensa local.
Por volta das 05h30 de Maputo, homens armados invadiram também a residência de Kamerhe, causando pelo menos três mortes, entre os quais dois polícias encarregados da segurança do político e um dos atacantes.
Num vídeo divulgado nas redes sociais, ontem, Christian Malanga é visto a conversar com Alberto Chipande, antigo ministro da Defesa, combatente da Luta de Libertação Nacional e membro da Comissão Política da Frelimo.
O Presidente da República desafia a Polícia a ter uma actuação exemplar durante as eleições gerais de 9 de Outubro. Filipe Nyusi falava, esta segunda-feira, no âmbito da saudação da PRM, por ocasião dos 49 anos da corporação, e depois de empossar o novo reitor da ACIPOL.
Oficiais-generais do topo da Polícia estiveram na Presidência da República, esta segunda-feira, para uma saudação pela passagem dos 49 anos da criação da PRM.
“Reafirmamos ainda a nossa prontidão em cumprir com zelo e responsabilidade a nossa missão de garantia da ordem, segurança e tranquilidade públicas aos moçambicanos, sem precondição. Sua Excelência, Presidente da República, comandante-chefe das Forças de Defesa e Segurança, nós, membros da PRM, estamos prontos a cumprir as orientações e instruções que irão sair nesta saudação e prometemos transformá-las em matrizes do cumprimento obrigatório”, disse Bernardino Rafael, comandante-geral da PRM.
E as ordens não tardaram. Filipe Nyusi felicitou a PRM pela passagem da data, celebrada a 17 de Maio, mas também lançou, entre outros, o desafio de garantia da ordem e tranquilidade públicas face às eleições que se aproximam.
“Como sempre nos habituaram, os moçambicanos esperam que este evento decorra num ambiente ordeiro de paz e harmonia, como resposta à franca e certeira actuação policial, que tem vislumbrado o respeito dos moçambicanos. Numa sociedade cosmopolita como a nossa, onde se encontram pessoas de diferentes raças, cores e etnias, diferentes religiões e inclinações partidárias, a postura da Polícia é fundamental para que diferenças de opinião ou de actuação sejam respeitadas e contribuam para enriquecer o tecido democrático”, disse o chefe de Estado.
Por isso, disse Nyusi, a efeméride que se assinala deve servir para a introspecção, sobre o cumprimento das atribuições da Polícia.
Ora, na mesma ocasião, o comandante-chefe das Forças de Defesa e Segurança, Filipe Nyusi, conferiu posse ao novo reitor da Academia de Ciências Policiais, ACIPOL, Custódio Zandamela. É general na reserva e docente na instituição que passa a dirigir.
“Temos a plena certeza de que, pela sua vida e competência profissional, provada e comprovada, o reitor Zandamela será um elemento decisivo para o cumprimento exitoso da missão que lhe acabamos de conferir. O facto de conhecer bem a casa e a equipa que passará a dirigir permitirá uma mais fácil integração, bem como uma melhor compreensão dos desafios em presença e, consequentemente, a adopção de soluções adequadas ao contexto”.
Mas não deixou de felicitar o que foi substituído, José de Jesus Mateus Pedro Mandra.
“Ao seu antecessor, José Mandra, que dirigiu os destinos da ACIPOL nos últimos nove anos – por dever coincidiu com a minha presidência na governação – vão as nossas palavras de apreço. Foram momentos muito difíceis em que dirigiu a ACIPOL, e uma das coisas que me marcaram foi ter dirigido a instituição, no período da COVID-19, sem nenhum caso registado.”
O recém-empossado reitor tem como um dos primeiros objectivos rever o currículo da Academia de Ciências Policiais, para, segundo defende, ter os oficiais lá formados em condições de combater os crimes actuais, que sofrem mutação a cada dia.
“É necessário que haja um estudo desses fenómenos, e a Academia de Ciências Policiais deve, neste sentido, ter dupla missão. Por um lado, formar comandantes (…) para lutarem contra esses males sociais. Por outro lado, comparticipar, através de investigação e pesquisa, para encontrar as raízes mais profundas sobre algumas tipologias criminais.”
Zandamela defende que é preciso reforçar, na actual geração da Polícia, os valores de patriotismo e comprometimento, para acabar com o envolvimento da Polícia em actos criminais. O novo reitor da ACIPOL substitui José Mandra, que deixa o cargo nove anos depois.
“Como reitor, tenho, também, essa missão de criar, nas novas gerações de comandantes da Polícia, o espírito de bem servir, o espírito patriótico, ganhar a cultura do profissionalismo, ganhar as tradições criadas e desenvolvidas pelos fundadores da polícia.”
Analistas do Noite Informativa defendem que o Banco de Moçambique precisa ser mais transparente em relação aos problemas que são de interesse público. Moisés Mabunda, Fernando Lima e Samuel Simango foram unânimes em dizer que o Banco Central tem uma postura impositória e de não prestação de contas.
Há algumas semanas, os Bancos Comerciais foram afectados por apagões nas suas redes, provocando falhas nas suas transações, entretanto, o Banco Central não deu nenhum pronunciamento em relação ao assunto.
Fernando Lima diz que o Banco de Moçambique não é um bom exemplo como regulador e deve tomar como exemplo alguns bancos internacionais. “Eu acompanho os posicionamentos do Banco de Reserva dos Estados Unidos, do Banco Reserva da África do Sul, eles não fazem pronunciamentos todos os dias, mas fazem sempre que há um assunto que deve ser tornado público ou que deva ser comentado, para garantir que haja estabilidade no mercado”.
Lima disse ainda não acreditar que a responsabilidade do sistema eletrónico das transações da banca moçambicana seja culpa dos bancos comerciais. “Nós Falamos com os Bancos ao nível dos seus conselhos de administração, e eles não estão nada confortáveis com as acusações feitas pelo Banco Central. Inclusivamente, os Bancos Comerciais neste momento põem em causa se o sistema da Euronet é o melhor, e se tem a capacidade para fazer todas as transações dos bancos comerciais e as transações de telefonia móvel”.
O analista falou ainda das diversas humilhações a que os bancos comerciais são submetidos, visto que, todos os meses, os bancos têm de reportar negações em termo de confirmação dos seus administradores.
Fernando Lima não parou por aí, fez menção também ao Black Out de 48 horas e a intervenção de dois dirigentes, um do Standard Bank e outro do BCI, que foram “pesadamente sancionados”, depois de intervir para resolver a situação. Por esta razão, Lima considera que há problemas graves nas sanções que o Banco Central tem aplicado aos bancos comerciais.
Moisés Mabunda, partilhando do mesmo pensamento, acrescentou que o Banco Central tem apresentado uma grande falta de abertura. Mabunda fez menção ao encontro entre o Banco de Moçambique e os bancos comerciais, no qual se esperava que fossem tratados assuntos ligados aos problemas dos bancos comerciais, o que não aconteceu.
A série de problemas que assolou os bancos comercias resulta, segundo Mabunda, de falta de comunicação. “Creio que seja falta de comunicação. E parece-me que é uma postura habitual do Banco Central, tanto é que tem um clima tenso com a Assembleia da República”.
Samuel Simango explicou que o Banco Central carece de monitória para que possa servir aos interesses dos moçambicanos.
“O Banco de Moçambique é o banco dos moçambicanos, não é privado, visa, acima de tudo, garantir que os dinheiros da economia moçambicana, as políticas monetátrias sejam salvaguardadas, para que tenhamos um banco pujante, um banco capaz de ser útil para a economia nacional, entretanto, para que isso aconteça, há necessidade de serem buscadas formas de fazer a monitoria deste banco. sendo um banco de todos nós, este banco precisa prestar conta aos moçambicanos, e o melhor lugar para isso é na Assembleia da República”.
Disse ainda que o Banco de Moçambique deve adoptar a postura dos vários bancos centrais que fazem a prestação de contas. “Temos a experiência dos outros bancos que comunicam muito mais as suas sociedades, inclusive, temos a questão do Banco Central Europeu que presta contas ao poder representativo da Europa”.
“Eu acredito que a Assembleia da República precisa de fazer algo para obrigar o Banco Central a ser o banco dos moçambicanos, não quero com isso dizer que banco deva aparecer todos os dias a falar das suas estratégias, mas das comunicações que de facto preocupam as pessoas”, encerrou Simango.
Venâncio Mondlane anunciou, este domingo, que vai concorrer às eleições presidenciais de 09 de Outubro próximo se o povo assim o desejar. Na visão dos analistas Samuel Simango, Moisés Mabunda e Fernando Lima, é um desejo que se pode realizar, mas há risco de problemas para a sustentabilidade da candidatura, hostilidades por parte do partido no poder, entre outros.
O membro da Renamo que foi impedido, não só de aceder ao VII Congresso do seu partido em Alto Molocué, aterrou no Aeroporto de Mavalane com um novo caminho para ser Presidente do país. Contudo, para alcançar o seu desiderato, precisa de pelo menos 100 mil assinaturas para sustentar a sua candidatura.
Na sua perspectiva optimista, Venâncio Mondlane não só vai conseguir conquistar 100 mil assinaturas, mas 110 mil, sendo 10 mil em cada província, incluindo a Cidade de Maputo. Para os analistas do programa Noite Informativa, da STV Notícias, edição de domingo, é possível que Venâncio consiga fazer frente a Daniel chapo, Lutero Simago e, sobretudo, Ossufo Momade.
Moisés Mabunda antevê dificuldades na capacidade organizacional, estrutural e financeira de dirigir um partido, caso Venâncio Mondlane consiga as assinaturas. “Se passarmos por aspectos logísticos, financeiros, organizacionais, se conseguir tudo isto, ele é uma figura política a considerar.”
A justificação de Mabunda sobre a possibilidade da candidatura de Venâncio Mondlane é que a sua “força política” foi testemunhada aquando das autárquicas. “As marchas que protagonizou depois das eleições autárquicas mostram que tem uma aceitação no meio político nacional”, mas alerta que “nem sempre um bom jogador pode ser bom montador de equipas”.
Em acréscimo, Mabunda diz que “a presença de Venâncio é uma mancha muito grande e caberá à Renamo encontrar estratégias fortes para abafar qualquer entusiasmo da juventude, uma vez que Venâncio vai também direcionar o seu pedido de voto ao grosso número de jovens da Frelimo que estão frustrados. Os novos votantes verão em Venâncio uma figura em ascensão, por ter uma popularidade muito grande”.
Fernando Lima também concorda que Venâncio Mondlane seria um obstáculo nas eleições, não só para a Renamo (seu partido), mas também para a Frelimo e para o MDM. Também concorda que “haverá muitas barreiras legais para Venâncio Mondlane concorrer”, mas diz que a prioridade, agora, é correr contra o tempo, uma vez que os partidos já submeteram as suas candidaturas e o calendário eleitoral não espera por ninguém. Venâncio deve decidir se será candidato de um partido ou vai optar por uma coligação de partidos políticos”, defendeu.
Lima recordou que Daviz Simango, o falecido antigo presidente do MDM, também começou a sua eleição em circunstâncias semelhantes. “Daviz Simango, na sua primeira candidatura na Beira, foi como independente e teve problemas na própria cidade que o elegeu, porque não tinha grupo na Assembleia Municipal, por isso é importante que Venâncio Mondlane equacione as possibilidades a pensar em ter, politicamente, um grupo de apoio”, alertou.
O analista Samuel Simango, que prevê o mesmo cenário, diz que caso Mondlane consiga lograr as suas intenções, o partido Renamo, sobretudo o seu presidente, serão os primeiros a ressentirem-se das suas decisões. “A primeira candidatura que irá sentir a presença de Venâncio como candidato será Ossufo Momade, porque tudo indica que as declarações dos delegados no congresso não são totalmente verdadeiras, pois há-de haver apoiantes do próprio Congresso”, reflectiu.
Sobre a postura do partido Renamo face aos exercícios legais levados a cabo por Venâncio Mondlane, o último que o obrigava a participar no Congresso Nacional, Fernando Lima diz que era previsível que houvesse impedimentos. “Seria muito difícil para Ossufo Momade e para a Renamo acolher Venâncio depois de todas as batalhas judiciais a que os sujeitou. Os sapos que Mondlane distribuiu foram tantos e tão volumosos que o próprio Ossufo Momade teria uma indigestão ao engolir”, referiu.
E, apesar das confusões no congresso, nem tudo foi mal. Para Samuel Simango, houve também bons exemplos. O primeiro é que “foi boa a ideia de se realizar o congresso no distrito. Foi louvável. De alguma forma, transferiu algum fluxo da economia. O segundo diz respeito às intervenções dos delegados provinciais, que, além de saudações, incluíam alguns posicionamentos políticos”, acrescentou.