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A Fundação Joaquim Chissano quer afirmar-se como uma plataforma de reflexão, diálogo e construção de consensos para contribuir na resposta aos principais desafios de Moçambique. A instituição pretende reunir Governo, sector privado, academia, sociedade civil, parceiros internacionais e cidadãos na procura de soluções para questões relacionadas com a paz, o desenvolvimento sustentável, a governação, a inclusão social e a produção de conhecimento, num contexto em que considera que os problemas actuais exigem respostas colectivas e não acções isoladas.

Esta visão está consagrada no Plano Estratégico 2026-2035, documento que orientará a actuação da Fundação durante os próximos dez anos e que parte da convicção de que Moçambique enfrenta uma nova realidade, marcada por profundas transformações políticas, económicas, tecnológicas e sociais. A instituição entende que os desafios nacionais estão cada vez mais ligados às mudanças que ocorrem no mundo, desde os efeitos das alterações climáticas até à rápida evolução da inteligência artificial, passando pelos conflitos armados, violência, criminalidade transnacional e crescentes exigências da juventude africana por oportunidades, participação e dignidade.

Perante este cenário, a Fundação considera que é necessário criar espaços permanentes de diálogo, reflexão e produção de conhecimento que permitam aproximar diferentes sensibilidades e construir soluções sustentáveis para o desenvolvimento do país.

“Nenhuma tarefa desta envergadura pertence, por exemplo, exclusivamente ao Governo, ao sector privado ou à sociedade civil em separado. Pelo contrário, as respostas a estes desafios são responsabilidades partilhadas”, defendeu o presidente do Conselho de Administração da Fundação, Joaquim Chissano, sublinhando que apenas uma actuação articulada permitirá alcançar resultados relevantes para o país.

A estratégia da Fundação assenta precisamente nessa lógica de complementaridade. A organização deixa claro que não pretende assumir funções que competem ao Estado, mas contribuir para fortalecer o ambiente de diálogo e cooperação entre os diferentes actores nacionais.

“Não procuramos substituir o Estado. Queremos complementá-lo. Não pretendemos falar em nome da sociedade. Queremos trabalhar com ela, para ela e por ela”, afirmou Joaquim Chissano, acrescentando que a ambição da instituição passa por criar condições para que os cidadãos participem activamente na construção de um ambiente pacífico e democrático.

O plano identifica igualmente o capital humano como o principal recurso estratégico de Moçambique. Para a Fundação, o futuro do país dependerá menos da abundância de recursos naturais e mais da capacidade de valorizar as pessoas e criar oportunidades para o seu desenvolvimento.

“O nosso maior activo estratégico não são os nossos recursos minerais, nem o gás, nem a posição geográfica, mas sim são as pessoas”, afirmou Joaquim Chissano, destacando o papel desempenhado pelos jovens, mulheres, professores, profissionais de saúde, agricultores, empreendedores, trabalhadores do sector informal, funcionários públicos e membros das forças de defesa e segurança na construção do país.

Segundo o antigo Chefe de Estado, será precisamente este capital humano que estará no centro da intervenção da Fundação ao longo da próxima década, procurando reforçar a paz, estimular o desenvolvimento e consolidar uma cultura de participação e inclusão.

A construção da paz constitui, aliás, um dos principais eixos estratégicos do documento. A Fundação manifesta preocupação com o crescimento da violência em diferentes dimensões da sociedade, com especial incidência sobre mulheres e raparigas, considerando que este fenómeno representa uma ameaça ao desenvolvimento e à democracia.

No seu discurso, Joaquim Chissano defendeu que a violência baseada no género deve deixar de ser encarada como um problema exclusivamente das vítimas, apelando a uma mobilização colectiva para a sua erradicação.

“Chega! Precisamos de sair do lugar do problema e ir para o lugar da solução”, afirmou, acrescentando que “a paz é o maior investimento para o desenvolvimento e o bem-estar de todas as cidadãs e de todos os cidadãos”.

O antigo Presidente fez igualmente questão de sublinhar que a instituição deve ser entendida como um património colectivo e não como um projecto pessoal.

“A Fundação Joaquim Chissano não é de Joaquim Chissano. É uma Fundação com o nome dele. A Fundação é vossa”, declarou perante os convidados, apelando para que todos assumam a organização como um espaço de participação e construção colectiva.

Estas posições foram apresentadas esta quinta-feira, em Maputo, durante a cerimónia de lançamento do Plano Estratégico 2026-2035 da Fundação Joaquim Chissano, realizada sob o lema “Congregar sinergias para um mundo de paz”, que reuniu representantes do Governo, corpo diplomático, sector privado, academia, organizações da sociedade civil e parceiros de cooperação.

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A Crise humanitária na Faixa de Gaza agravou-se desde que Israel começou a incursão terrestre em Rafah. A Organização das Nações Unidas avisa que o sistema de saúde de Gaza está fragilizado e suspende entregas de ajuda.

Yasmina Guerda, do Gabinete da ONU para a Coordenação dos Assuntos Humanitários, disse que o sistema de saúde de Gaza está “de rastos”, pois, dos 36 hospitais na Faixa de Gaza, apenas 12 estão parcialmente funcionais, um número reduzido para as necessidades de milhares de palestinianos feridos na guerra, que precisam de assistência e de cuidados.

“Muitos palestinianos perderam os membros, têm lesões cerebrais traumáticas, e milhares perderam a audição devido às explosões constantes. Milhares de pessoas também estão à espera para serem retiradas de Gaza porque precisam de outros níveis de cuidado que não conseguem ter aqui, porque o sistema de saúde está de rastos”, disse Guerda.

O funcionário da ONU disse ainda que tem havido ataques constantes a estabelecimentos de saúde, hospitais em particular, numa “violação direta da lei humanitária internacional”

O Porto de Pemba será reabilitado. Para o efeito, o Governo aprovou, ontem, por resolução, a concessão directa da infra-estrutura à Pemba Bulk Terminal Limitada, uma sociedade comercial constituída por duas empresas. A entidade deverá executar obras e gerir o terminal portuário logístico.

A concessão do Porto de Pemba, em ajuste directo ao consórcio Pemba Bulk Terminal Limitada, constituído pela CD Properties e Portos de Cabo Delgado, visa dar lugar a obras de reabilitação da infra-estrutura portuária, em terra e no plano das águas. Numa fase inicial, serão investidos 14 mil milhões de Meticais.

“A infra-estrutura vai beneficiar de um investimento adicional de cerca de 14 mil milhões de Meticais, que irá incluir a contínua reabilitação das infra-estruturas de cais de base, que têm a capacidade de 115 metros de atracagem e também outras actividades relativas ao pontão flutuante de 49,5 mil milhões de Meticais”, disse Lodovina Bernardo, porta-voz da sessão.

O Governo entende que a infra-estrutura é estratégica para prestar suporte aos projectos em curso no sector petrolífero, pelo que poderá receber investimentos adicionais em fases subsequentes.

“Entretanto, devido à necessidade de assegurar a continuidade do projecto e suporte às operações petrolíferas, para além dos investimentos iniciais, serão realizados outros investimentos adicionais, de cerca de 90 milhões de dólares americanos. É uma infra-estrutura pertinente, que que vai prestar suporte a outros projectos da província de Cabo Delgado”, explicou.

A conceção acontece num contexto em que o Porto de Pemba tem estado a registar um fraco desempenho, tendo a sua facturação passado de mais de 21 milhões de dólares por ano para seis milhões, em 2023.

Na conferência de imprensa, o Governo foi questionado sobre o atraso na distribuição do livro escolar. A porta-voz disse que a matéria não foi tratada na sessão, mas assegura que há acções em curso para resolver o problema.

Na conferência de imprensa, os jornalistas questionaram a porta-voz sobre o facto de alguns investidores no sector da mineração em Cabo Delgado terem sido citados como autores do golpe de Estado na República Democrática do Congo. O Governo disse que esta matéria não foi abordada.

João Chissano foi apresentado, ontem, como novo treinador do Textáfrica de Chimoio, histórico clube que conquistou o primeiro campeonato nacional de futebol sob batuta de Mário Coluna.

Depois de um curto período “sabático” de seis meses, João Chissano volta ao activo no comando de um conjunto do primeiro escalão do futebol indígena. Chissano vai suceder a Abdul Omar no comando técnico do Textáfrica de Chimoio, oficializou esta terça-feira a colectividade nas suas plataformas digitais.

Omar foi afastado do cargo depois de perder com a União Desportiva do Songo, por 2-0, em duelo inserido na jornada 2 do Moçambola.

Igual a si mesmo, Omar acusou, depois desta partida, a direcção dos “fabris do planalto” de alegadamente ter permitido apenas um dia de estágio nas vésperas do encontro com a UD Songo, bem como da equipa somente ter almoçado às 12h00 no dia da referida partida.

Omar exigiu, depois, que o Textáfrica de Chimoio fizesse o pagamento de  dois meses de salários em atraso, bem como dos restantes meses até ao fim de Novembro, período em que cessava o seu contrato.

João Chissano encontra um Textáfrica de Chimoio na cauda da tabela classificativa do Moçambola-2024 sem nenhum ponto, tendo, por isso, uma missão espinhosa neste clube.

Segunda-feira, em jogo da jornada 5 do campeonato nacional de futebol, o Textáfrica de Chimoio foi goleado pelo Costa do Sol, por 4-1.
Com larga experiência, Chissano levou em 2022 o Ferroviário de Maputo à conquista da Taça de Moçambique, segunda maior prova do calendário futebolístico moçambicano.

O técnico foi campeão nacional pelo Costa do Sol, em 2007, ano em que fez a dobradinha ao conquistar  também a Taça de Moçambique.

Chissano conta ainda com passagens pelo Têxtil de Púnguè e Ferroviário da Beira, para além de ter sido seleccionador nacional de futebol.

Aliás, em 2014, conduziu os Mambas ao apuramento, pela primeira vez na sua história, ao CHAN, competição que teve lugar  na África do Sul.

Quatro países da SADC pretendem integrar a iniciativa de desenvolvimento de turismo lançada em 2009 por Moçambique, eSwatini e África do Sul, denominada Triland.

Trata-se do Zimbabwe, Botswana, Namíbia e Seychelles, entusiasmados pela iniciativa  Triland, que visa a atracção de investimentos e a promoção do turismo regional.

A adesão do quarteto ao Triland está nas mãos dos ministros de Turismo de Moçambique, eSwatini e África do Sul, este através da província de Mpumalanga.

Ao que apuramos, em caso de admissão do Botswana, Zimbabwe, Namíbia e Seychelles, a iniciativa vai passar a ostentar a designação de Triland Plus Four, ou seja Triland Mais Quatro.

O director-geral do Instituto Nacional de Turismo, Richard Baulene, que avançou estas informações, revelou ainda que Moçambique, eSwatini e África do Sul estão a projectar, para este ano, mais uma edição de excursão de familiarização com operadores turísticos e comunicação social.

A expedição ainda não tem data, mas é certo que vai decorrer num formato diferente do adoptado em 2022.

Há dois anos, Moçambique integrou na excursão de familiarização como destinos o Parque Nacional de Maputo, Ilha da Inhaca, Ilhas Portuguesas e Ponta de Ouro. Richard Baulene diz que, para a edição deste ano, o país vai apresentar outros destinos.

Moçambique aproveitou a recente presença na Feira Africana de Turismo, em Durban, para convidar os países da região, e não só, a participarem na edição deste ano da FIKANI, considerada o mais elevado e prestigiado ponto de negócios e de encontro entre empresas e instituições turísticas.

Os membros e simpatizantes do partido Renamo, na cidade de Quelimane, marcharam, ontem, em repúdio às decisões tomadas durante o congresso da formação política, evento que teve lugar em Alto Molócuè, na província da Zambézia.

O congresso do partido Renamo, realizado entre os dias 15 a 16 de Maio corrente, na província da Zambézia, continua a alimentar debates na sociedade e, acima de tudo, a mexer com os seus membros e simpatizantes.

O facto é que, cinco dias depois do magno encontro da “perdiz” que reconduziu Ossufo Momade à presidência da Renamo, alguns membros e simpatizantes desta força política saíram à rua, na cidade de Quelimane, para contestar as deliberações feitas.

Dentre várias reclamações dos membros, está a recondução de Ossufo Momade ao cargo de presidente da Renamo, com 383 dos 674 votos dos delegados do partido.
“O nosso candidato não é Ossufo Momade. Aquele congresso foi comercial. Os votos não saíram dos membros da Renamo. Podemos dizer que o congresso foi organizado e armadilhado”, acusam os simpatizantes.

Durante a manifestação, os mesmos apresentaram uma suposta lista dos “pecados” cometidos no interior da tenda que acolheu o Congresso.

“Não entendemos os porquês da agressividade que houve naquele encontro. Até o presidente do Município, Manuel de Araújo, foi agredido. O mesmo que aconteceu com Venâncio Mondlane, que foi impedido de participar no Congresso por razões que não estão claras”, lamentou um dos membros, que disse que “acreditamos que houve um sistema montado para impedir a participação daqueles que são os pensadores para a libertação da nação moçambicana”.

Sem poder decisório, os membros dizem que vão continuar com as marchas e acções de repúdio sem cessar, até que o partido tome a decisão de recuar nas decisões do congresso.

Movimentos similares têm vindo a tomar espaço em outros cantos do país. O “O País” sabe que há grupos que estão a organizar marchas contra o Congresso da Renamo em Maputo e Chiúre, em Cabo Delgado.

O país poderá melhorar a capacidade de investigação geológica, através do uso de métodos modernos a serem implementados pelo Instituto Karpinsky, uma organização russa que vai formar estudantes e pesquisadores moçambicanos, no Museu Nacional de Geologia.

É o início de uma parceria que vai dotar os estudantes moçambicanos de técnicas mais avançadas para a pesquisa de minérios no país.
Para o efeito, foi assinado ontem um memorando de entendimento no qual o Instituto russo Karpinsky se compromete a formar estudantes moçambicanos em matéria de investigação geológica.

A directora nacional de Geologia e Minas, Luísa Mahocha, considera que “nós olhamos para esta parceria como sendo aquela que vai trazer melhor capacidade para o uso de instrumentos na área geológica, e esperamos que as classes que vão ser formadas nesta parceria sejam capazes de replicar o conhecimento e fazer colectas representativas para a exposição aqui, no Museu Nacional de Geologia”.

Por sua vez, os especialistas russos comprometem-se a trazer os modelos mais avançados de ensino sobre minérios para o país.

“No âmbito do projecto das classes Karpinsky, ofereceremos aos estudantes e especialistas de Moçambique os resultados das mais recentes pesquisas de cientistas excepcionais do Instituto, mostrando modelos metodológicos e a esfera das tecnologias de informação”, garantiu Pavel Khimchenko, responsável do Instituto Russo Karpinsky.

O Museu Nacional de Geologia diz ainda que os conhecimentos russos, a serem partilhados com estudantes e pesquisadores moçambicanos, respondem às necessidades da instituição na busca de mais visibilidade de recursos minerais existentes no país.

Por outro lado, os estudantes, presentes no acto, louvaram a iniciativa e esperam poder ajudar o país a saber mais sobre as suas riquezas. “É gratificante ter essas novas oportunidades, por isso vai ajudar a catapultar os nossos conhecimentos. Será uma boa oportunidade para complementar os nossos conhecimentos em algumas cadeiras, como é o caso dos métodos de pesquisa”, destacaram.

Para além de capacitar alunos e pesquisadores, segundo os intervenientes, a assinatura do memorando, com duração de dois anos simboliza a fortificação dos acordos bilaterais entre a Rússia e Moçambique, nas diversas áreas de cooperação.

 

O analista político Agostinho Zacarias diz que Moçambique está a transformar-se num país fértil para a circulação de criminosos, porque, defende, as estruturas de segurança não exercem devidamente o seu papel. Zacarias reagia ao facto de os responsáveis pela tentativa do golpe de Estado na República Democrática do Congo, domingo último, terem vivido e aberto empresas em Moçambique. Enquanto isso, o partido no poder na RDC acusa Moçambique, Ruanda e Estados Unidos da América de apoiarem os golpistas.

Não é de hoje que se regista a presença de pessoas de conduta duvidosa ou criminosos em Moçambique e, num caso que está a criar um embaraço ao país, foi confirmado que  os responsáveis pela tentativa de golpe de Estado na República Democrática do Congo viveram na Cidade de Maputo e abriram empresas em Moçambique.

O analista político Agostinho Zacarias não tem dúvidas de que, actualmente, o nosso país se apresenta como um terreno fértil para a circulação de criminosos.

“Eu penso que é um terreno fértil, sim, porque as estruturas do sector de segurança não estão a exercer bem o seu trabalho. Se olharmos para as ruas,  a Polícia de Trânsito e a Polícia de Protecção usam a legalidade para se beneficiarem a si próprios. Então, se isto chega às fronteiras, temos uma situação de corrupção generalizada”, disse Zacarias.

Sobre o facto de o líder do grupo que tentou um golpe de Estado na RDC ter negócios em Moçambique e estar ligado a algumas figuras influentes – conforme foi avançado – o partido de Félix Tshisekedi, actual presidente da República Democrática do Congo, acusa Moçambique, Congo Brazzaville, Ruanda e os EUA de terem armado e apoiado os  golpistas.

A formação política anunciou uma marcha em repúdio à tentativa de golpe de Estado.

A passagem por Moçambique dos acusados de tentativa de golpe de Estado segue-se a outros casos de cadastrados que escalaram o país.

Em Dezembro de 2023, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) deteve, na Cidade de Maputo, um cidadão  angolano que era procurado desde 2019, por crimes de tráfico internacional de drogas.

Em 2020, o famigerado traficante brasileiro conhecido pelo nome “Fuminho” foi capturado na zona nobre da Cidade de Maputo.

Outrossim, há relatos de a família do considerado maior narcotraficante do Brasil, Pablo Scobar, ter residido em Moçambique.

“Sim, o Estado moçambicano tem de se distanciar, mas ao mesmo tempo, é preciso fazer qualquer coisa para que situações dessa natureza não se repitam”, advertiu Agostinho Zacarias,  que falava no programa “Noite Informativa” da STV Notícias.

Uma nota publicada pelo Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil (CESC) indica que, para o ano lectivo de 2024, o Governo encomendou 21 043 900 livros da 1ª à 6ª classe, dos quais 19 722 500 são de ensino monolingue (em uma língua), 604 150 são do ensino bilíngue, 5250 escritos em braille (para crianças com necessidades especiais), 422 700 são destinados à alfabetização de adultos e 289 300 são manuais e guiões de professores para facilitar o processo de lecionação.

Há quase um semanas, o Governo disse, na Assembleia da República, que os livros escolares da 1ª, 2ª e 3ª classes já tinham chegado aos portos de Maputo, Beira e Nacala, e a sua distribuição pelos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia havia iniciado.

Por outras palavras, o Governo foi ao Parlamento confirmar que o livro escolar de distribuição gratuita ainda não tinha chegado às mãos das crianças que frequentam o ensino primário do SNE, quando faltavam menos de duas semanas para o término do primeiro trimestre.

O mais grave ainda é que os livros que estão a ser transportados dos portos (Maputo, Beira e Nacala) para os Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia não são de todas as classes do ensino primário, mas apenas da 1ª, 2ª e 3ª classes. Não se sabe quando é que os livros da 4ª, 5ª e 6ª classes irão chegar a Moçambique, situação que aumenta os receios de as crianças que frequentam essas classes passarem o segundo trimestre sem aquele instrumento essencial na construção do saber científico e cultural.

A chegada tardia do livro escolar às mãos das crianças também se verificou no último ano lectivo. Até Agosto de 2023, o Governo ainda tinha por alocar um total de 1 617 863 livros aos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia das províncias de Niassa e Cabo Delgado. Isto é, dos 13 892 900 livros planificados, tinham sido alocados aos distritos 12 274 497 livros, o correspondente a uma execução de 93%.

Se até Agosto de 2023 ainda decorria o transporte do livro escolar de Nacala para os distritos de Niassa e Cabo Delgado, significa que há crianças que entraram para o terceiro e último trimestre do ano lectivo sem o livro escolar de distribuição gratuita.

“Enquanto o livro escolar não for colocado às escolas em tempo útil, a qualidade do ensino fica comprometida, pois o livro é essencial no processo de ensino-aprendizagem. A chegada tardia do livro nas escolas compromete, igualmente, a plena efectivação do direito à educação, consagrado no artigo 88 da Constituição da República de Moçambique, incluindo o princípio de acesso universal à educação gratuita e de boa qualidade”, lê-se na nota do CESC.

 

 

SERVIÇOS DISTRITAIS DE EDUCAÇÃO NÃO TÊM ORÇAMENTO PARA FAZER CHEGAR LIVROS ÀS ESCOLAS
O processo de distribuição de livros obedece a um esquema em que o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH) é responsável por alocar os manuais aos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia, cabendo a estes serviços fazer chegar os livros às escolas. Nas capitais provinciais, onde há facilidades de circulação, os livros são levados às escolas pelo MINEDH.

Sucede que os Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia, que têm a missão de fazer chegar os livro às escolas, muitas delas localizadas em zonas de difícil acesso, não dispõem de orçamento suficiente para fazer a distribuição do manuais.

Por isso, os livros que já chegam tarde aos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia – normalmente no fim do primeiro trimestre – levam mais tempo ainda para chegar às escolas, sobretudo aquelas que estão mais distantes das sedes distritais e/ou em locais de difícil acesso.

As crianças que frequentam as escolas localizadas em zonas rurais de difícil acesso acabam por ser as mais penalizadas, sendo que muitas chegam a entrar para o terceiro e último trimestre sem o livro escolar, como se verificou no ano lectivo de 2023 em algumas escolas de Niassa e Cabo Delgado.

Enquanto o livro não chega para todas as crianças que estão no ensino público, a Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE) detectou, em todo o país, 224 escolas privadas que usavam o livro escolar de distribuição gratuita. Esta situação revela que, além dos problemas na cadeia de produção e distribuição do livro escolar, o MINEDH enfrenta o desvio de manuais para as escolas privadas.

Por isso, o CESC defende a alocação directa de meios financeiros às Direcções Provinciais de Educação e aos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia para a distribuição do livro às escolas, bem como a descentralização da contratação de empresas que transportam o livro escolar dos portos para os Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia (neste momento as empresas são contratadas a nível central).

A observância rigorosa de todas as etapas de provisão dos manuais de ensino, desde a edição até à distribuição, com envolvimento activo de todos os actores relevantes (Governo central, provincial e distrital) é outra medida defendida pelo CESC para garantir que o livro chegue em tempo útil e em quantidade e qualidade desejada.

Para combater o desvio de manuais de distribuição gratuita, a organização apela à introdução de medidas concretas de segurança nos locais de armazenamento e em toda a cadeia de distribuição. “É preciso incluir no calendário do ano lectivo o período de distribuição do livro escolar, de modo a evitar que as aulas se iniciem sem que as crianças tenham recebido a material”.

O partido Frelimo carrega uma vantagem nas eleições presidenciais, devido as victórias sucessivas e o sistema não transparente de eleições que caracteriza o contexto moçambicano. Esta opinião foi partilhada pelos analistas Borges Nhamire e Hélder Jauana, durante o programa Noite Informativa da STV.

Borges Nhamire explicou que as eleições em Moçambique não obedecem o processo padrão, mas são caracterizadas por dois mecanismos. O Primeiro é a “fráude”, caracterizada por “enchimento de urnas, manipulação das listas, pessoas que chegam para votar e os cadernos eleitorais não têm os nomes, polícia que invade a Assembleia de voto para carregar as urnas e aparecer depois de dois dias”.

O segundo é o “campo de disputa política desnivelado, a nível da Frelimo”, visto que, segundo Nhamire, os funcionários públicos, os polícias e até os juízes são obrigados a apoiar a Frelimo.
A título de exemplo, trouxe a figura do candidato da Frelimo para as eleições presidenciais, Daniel Chapo, que durante o seu percurso político foi chefe em círculos da Frelimo.

“Eu vi um currículo, não sei se é oficial, que mostrava o trabalho político que Chapo já fez. Este trabalho político é chefe do círculo no lar onde ele morrou, depois chefe do círculo na conservatória onde ele trabalhou em Nacala, Chefe do círculo da Frelimo na administração do local onde ele trabalhou, e isso é um assumir que nas instituições públicas, pessoas que seguem o papel de servidor público lideram círculos da Frelimo”.

Helder Jauana, por sua vez, explica que o processo democrático em Moçambique pode ser visto como “uma democracia de partido dominante”, e justifica: “a Frelimo é que tem vencido todas as eleições gerais, significando que o facto de ser uma bancada parlamentar maioritária permite que tenha benefícios que os minoritários não têm (…) Moçambique é uma democracia de partido dominante como é o ANC, na África do Sul e MPLA,em Angola”.

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