O Tribunal Judicial da Cidade de Quelimane condenou Telma Gonçalves da Silva Viegas e Zacarias Inácio Moé pelo crime de denúncia caluniosa contra o presidente do Conselho Autárquico de Quelimane, Manuel de Araújo, pondo termo ao processo relacionado com alegadas falsas acusações apresentadas na sequência das eleições autárquicas de 2023.
Na sentença, a juíza Priscila Briz considerou provado que os arguidos não conseguiram sustentar, em tribunal, as acusações formuladas contra o edil, concluindo que a sua honra, reputação e bom nome foram lesados.
Telma Gonçalves acusava Manuel de Araújo de ter mobilizado simpatizantes da Renamo para se deslocarem à sua residência e ao seu local de trabalho, onde alegadamente a insultavam, chamando-lhe “ladra de votos”. Por sua vez, Zacarias Inácio afirmava que apoiantes do autarca o intimidaram a si e à sua família através da exibição de cartazes. As denúncias foram apresentadas ao Ministério Público, mas o tribunal concluiu que não foram produzidas provas que as sustentassem.
Perante essa situação, Manuel de Araújo intentou uma acção por denúncia caluniosa, reclamando uma indemnização de dois milhões de meticais pelos danos causados à sua imagem e reputação.
Na decisão, o tribunal condenou cada um dos arguidos à pena de um ano e dois meses de prisão pela prática do crime de denúncia caluniosa, previsto no artigo 402.º do Código Penal. Contudo, a pena de prisão foi substituída por multa, nos termos da lei.
No âmbito do pedido de indemnização, o tribunal julgou a acção parcialmente procedente, condenando os arguidos a pagarem, individualmente, 100 mil meticais a Manuel de Araújo por danos não patrimoniais. Foram igualmente condenados ao pagamento das custas judiciais.
À saída do tribunal, Manuel de Araújo afirmou que a decisão representa o restabelecimento da sua honra e uma vitória da justiça. O autarca lamentou, porém, a demora na tramitação do processo, iniciado em 2023, defendendo uma justiça mais célere, proporcional e eficaz.
Segundo Araújo, o objectivo da acção nunca foi financeiro, mas sim pedagógico, visando desencorajar denúncias falsas e reforçar a responsabilização de titulares de cargos públicos e de todos os cidadãos.
Os arguidos abandonaram o edifício do tribunal sem prestar declarações à comunicação social.
A decisão ainda não transitou em julgado e poderá ser objecto de recurso, nos termos da lei.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) convocou, ontem, uma reunião de emergência para debater sobre a epidemia da Varíola dos Macacos, no continente africano, actualmente designada por Mpox.
A reunião decorre na cidade suíça de Genebra, pouco tempo depois do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC África) ter declarado “emergência de saúde pública”, face à epidemia da Varíola dos Macacos.
O Director-Geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, convocou a reunião, dado o surgimento de uma nova variante da doença denominada “clade 1b” em 2023, na República Democrática do Congo, que, só neste ano, infectou mais de 14 mil pessoas e causou 500 mortes.
O responsável da Organização Mundial da Saúde afirma que a nova variante é mais perigosa que a anterior, denominada “clade 2b”.
A Varíola dos Macacos, actualmente conhecida por Mpox, é uma doença viral que se propaga dos animais para os seres humanos, mas também é transmitida por contacto físico com uma pessoa infectada com o vírus.
O Mpox foi descoberto pela primeira vez em seres humanos em 1970, na República Democrática do Congo.
Esta epidemia tem maior insidência nos países da África Ocidental e Central, onde os doentes são geralmente infectados por animais possuíndo o vírus.
Por: Gilberto Matusse
Em meados da década de 1980, Aldino Muianga, um dos mais proeminentes membros do grupo da Charrua, a revista que deu voz e visibilidade a uma geração de jovens escritores de então, muitos deles, hoje, escritores renomados, assinava os seus contos como Khambira Khambiray.
A história do pseudónimo, contada pelo próprio autor, começa com a sua primeira colocação como prático, em 1978, no Hospital Provincial de Chimoio. Numa das suas viagens a um campo de refugiados e combatentes da luta de libertação do Zimbabwe, conheceu um paciente, um guerrilheiro, que sofria de uma infecção pulmonar grave. Tendo levado esse paciente do campo para o Hospital Provincial, acabou estabelecendo com ele uma relação de amizade muito particular. Numa certa ocasião, o paciente, que mostrava muita curiosidade pelos livros e apontamentos do seu médico, teria dito o seguinte: “Se eu soubesse ler e escrever, encheria livros com muitas histórias”. Em resposta, o médico prometeu: “Se eu escrever um livro, um dia, usarei o teu nome”. Khambira Khambiray era o nome de guerra do jovem guerrilheiro. E Aldino honrou a promessa, ao assinar com o nome do seu paciente o seu primeiro conto publicado, “A Vingança de Macandza”.
Vem esta história a propósito da dupla condição de Aldino Muianga, a de “clinicador” e a de contador de histórias, a que ele próprio refere como as “carreiras médica e de escritor”. Nada mais ilustrativo desta condição do que este livro que agora sai: Hospital (Contar Clinicando).
O livro é composto por 15 narrativas autónomas, em que o laço que as conecta é o hospital – a instituição, não um certo estabelecimento hospitalar – e os procedimentos clínicos que lá ocorrem. Diz-se aqui instituição porque, de facto, contam-se eventos que se deram em diferentes hospitais, em diferentes locais de dois países: Moçambique e Zimbabwe. Nas narrativas, relatam-se episódios “reais, vividos como o foram no quotidiano”, ora acontecidos com o próprio autor, ora acontecidos com outros clínicos. São experiências extremas – e, de outro modo, não seriam dignas de ser contadas –, que desafiam em grande medida os limites da nossa imaginação e levantam dúvidas sobre a sua factualidade. Não fosse a garantia acima expressa nas palavras do autor, o leitor comum julgá-las-ia ficcionais. Por essa via, diz ainda o autor, na sua nota introdutória, contá-las visa “franquear a porta de acesso ao universo mítico da profissão médica, aos desafios de cada momento, aos dilemas e dúvidas nas decisões, às frustrações, à angústia diante da impotência de corresponder às expectativas de salvar vidas e de mitigar o sofrimento dos enfermos.” Mas, na verdade, pela porta deste livro, acede-se a bem mais.
É no espírito deste desígnio que desfilam narrativas como a que abre o livro, “Eutanásia”, título irónico para um relato em que a dedicação, a entrega, o zelo dos profissionais, acabam por se transformar numa “hipercorrecção”, resultando num incidente em que se escreve torto por linhas direitas. De resto, o livro povoa-se destes incidentes, em que alguma distracção, algum erro, algum procedimento menos adequado, alguma inexperiência, desagua num desfecho trágico. E, neste ponto, é preciso dizê-lo, Hospital (Contar Clinicando) não traz histórias com finais felizes. Estes, só em alucinação, como a da Elsa Venância, a jovem que “tinha apenas dezanove anos de idade, uma cabeça cheia de projectos e sonhos de ser uma distinta magistrada, esposa e mãe de muitos filhos”, que, à hora da morte, “via a imagem do seu pai a segurá-la pela mão, escoltá-la ao altar para ofertá-la em matrimónio ao noivo, o senhor Ricardo Quelhas”. Hospital (Contar Clinicando) pinta uma realidade cruel, trágica, com finais, no geral, marcados por mortes e amputações de membros e de sonhos.
Se a realidade é cruel para os pacientes, não o é menos para os clínicos, frustrados e angustiados com a sua impotência ou enfrentando dilemas como o do Dr. Andrew Nomitenda, incapaz de decidir se extrai o objecto perfurante espetado no abdómen do paciente para controlar a hemorragia, arriscando, nesse processo, a laceração de órgãos vitais, ou se o deixa no local, usando o seu efeito de tamponamento. É idêntico o drama do Dr. Lukas Tishome, que tem que operar uma parturiente que dá o seu consentimento para a cirurgia, mas não para que o clínico retire o colar de missangas que traz debaixo do umbigo, procedimento sem o qual a cirurgia não poderá ser feita.
Aos incidentes causados por erros nos procedimentos ou os dramas de quem tem que tomar decisões, somam-se intromissões de profissionais de outros campos (quando tanto!). Hospital (Contar Clinicando) recorda-nos também episódios, que não são inéditos, de impostores, como o do Dr. Sharif Khan, o cirurgião do Hospital Distrital de Karói, ou de Altos-Comissários que se vão encarregando de lembrar que “todos os porcos são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros”.
Ao franquear as portas de acesso ao mundo mítico da profissão médica, com os seus desafios, dramas e dilemas, este Contar Clinicando de Aldino Muianga faz-se também o lugar aonde desembocam outros dramas, os que circulam pelos becos e labirintos de uma sociedade de homens e mulheres que, entre encontros e desencontros, se buscam a si próprios e buscam também a recomposição dos sonhos que a adversidade desmanchou.
Aos corredores do hospital, ao gabinete do clínico ou à sala de operações, efectivamente, o que chega é o drama pessoal da menina que “vivia dias e noites de pesadelos”, apesar da “sua formosura [que] entontencia os magalas e remetia-os a disputas de favores e atenções”, atormentada pela impossibilidade de uma convivência normal por causa dos quelóides que lhe deformam os lóbulos das orelhas. É também “à busca do milagre que restituiria a tranquilidade à família e traria novas perspectivas à vida do filho” que os pais do menino Porfírio, que, por causa das pernas varas, tinha frequentes episódios de depressão, era vítima de abusos dos colegas, que o alcunhavam de “Gorila”, incapaz de uma sã interacção com os menino seus pares na escola e na rua, decidem viajar da cidade da Beira até ao Hospital Provincial de Chinoyi, no Zimbabwe, após tomarem conhecimento das habilidades do ortopedista Dr. Nicolay “o Vitorioso”.
A infertilidade, tema amiúde retratado na literatura (e não só) moçambicana, muitas vezes com a factura a fazer recair o seu peso sobre a mulher, tem também a sua desembocadura neste Hospital. É o que acontece com Ana Brígida, cujo caso chegará ao hospital na sequência das voltas e reviravoltas que dá, depois de um dia ela ter saído acabrunhada e frustrada no cortejo que a devolve à casa dos pais para ser tratada contra a sua incapacidade de gerar filhos, dois anos depois da sua recepção com “ululações festivas” ao lar conjugal.
Numa prosa fluida, a um tempo apimentada e açucarada, rebuscando uma raridade vocabular, um sugestivo adjectivo, uma ironia a convocar o cómico – não o da gargalhada a bandeiras despregadas, mas o que chama um ligeiro sorriso –, Aldino Muianga traz-nos a vasta temática da falsidade nas relações pessoais e sociais. “Um caso de vaginismo” chega ao hospital, atraindo os estarrecidos olhares dos mirones. Aliás, já o vinha fazendo, desde o cubículo alugado no Zimpeto, onde o Pastor Gumende, “estimado e admirado [na sua congregação] pelas suas alocuções no púlpito, onde mobiliza os crentes para o alinhamento e persistência nos cultos e práticas da Fé cristã”, pratica as suas sessões de meditação transcendental, bem como ao longo de todo o itinerário da improvisada ambulância de caixa aberta em direcção aos Serviços de Urgência. Com este caso chega a temática da hipocrisia e da falsidade. Chegam também a traição e o adultério, “confessados” pela imprudência de um delírio pós-operatório, induzido, talvez, por algum anestésico; “denunciados” por um insólito caso de gémeos que nascem como uma disparidade de raças, sendo um negro e o outro “com marcados sinais de mestiçagem”. Na mesma esteira, um intricado caso de multifacetadas e cruzadas traições, chegará, em “Priapismo”, à Clínica Privada de Mutare, com o senhor Milton Gwanyanya, “um bon vivant que se não coibia em exibir as posses e o prestígio que detinha”.
Maputo, 5 de Julho de 2024
Durante o primeiro semestre de 2024, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) diz que registou pelo menos 15 raptos, porém, poucos foram esclarecidos. À margem do Economic briefing, Agostinho Vuma, presidente da CTA, mostrou-se insatisfeito com o nível de resposta aos raptos.
“Registamos, com profunda preocupação, que desde o surgimento deste fenómeno no ano de 2011, houve um cumulativo de mais de 250 casos de raptos e sequestros, maioritariamente, para empresários e os seus parentes, dos quais poucos foram esclarecidos”, disse Agostinho Vuma.
Sobre a exportação de capitais do presidente da CTA diz que não se tem mostrado uma saída viável, visto que, “a maioria das vítimas, apesar da sua origem asiática, são moçambicanos de gema, portanto, sem opções, nem interesse em abdicar da sua nacionalidade ou mesmo dos seus investimentos no país”.
Devido a situação de raptos, segundo avançou, o CTA tem desenvolvido, junto com o Governo, acções de advocacia, “, juntando todas as associações empresariais com interesse directo nesta matéria, o que resultou na produção de uma série de propostas de solução para erradicar este grande mal no seio da nossa sociedade”.
Das soluções propostas, o presidente do CTA destacou a imperiosidade do reforço de medidas estratégicas e do sistema de Segurança Nacional, aliado ao reforço de medidas táticas e operativas, particularmente, unidades especiais das Forças de Defesa e Segurança.
De referir que, na manhã de hoje, o SERNIC apresentou uma quadrilha, encabeçada pela ex-sogra de Nini Satar que estaria por trás dos raptos, na mesma operação, duas vítimas foram resgatadas e voltaram ao convívio familiar.
O antigo bastonário da Ordem dos Advogados, Gilberto Correia, diz que o ministro do Interior, Pascoal Ronda, foi infeliz ao desafiar a Comunidade Islâmica a apresentar provas de que há governantes envolvidos nos raptos. Correia entende que deve haver vontade política para acabar com o crime.
O antigo bastonário da Ordem dos Advogados começou por explicar que os pronunciamentos do ministro do Interior, Pascoal Ronda, desvalorizam a preocupação de um grupo que se sente inseguro com o agravamento dos raptos sem quaisquer esclarecimentos.
“Para mim, foram declarações muito infelizes de um político que tem responsabilidades na área de investigação e protecção de crimes, sobretudo os graves, e, de alguma forma, ele tenta desvalorizar algo que devia ser levado a sério, à semelhança de muitas outras percepções que, depois, foram confirmadas”, disse Gilberto Correia, defendendo que Pascoal Ronda não devia orientar a Comunidade Islâmica a apresentar provas de que há governantes envolvidos nos raptos, mas sim garantir segurança e esclarecer os casos havidos.
“Para situações desta natureza, os cidadãos não têm de apresentar provas, mas sim a sua percepção sobre o que se está a passar. O ministro devia ter dito que valoriza e que irá abrir uma investigação para averiguar se há envolvimento de governantes moçambicanos no crime de raptos. Porém, o senhor ministro sabe que há pessoas que têm essas provas, mas que têm medo, porque não confiam na polícia que ele dirige.”
Para Gilberto Correia, não restam dúvidas de que o aumento dos raptos se deve à falta de vontade política.
“Houve situações em que era possível trazer tecnologia de fora, chamar a cooperação internacional. Sentiu-se que o Governo não quis, não facilitou, porque, provavelmente, há conflitos internos e que podem levar a descobertas que colocam em causa todo o poder político. O poder político tem de decidir de uma vez por todas que combater os raptos, com todos os meios ao seu alcance, é uma prioridade do Estado moçambicano.”
O antigo bastonário da Ordem dos Advogados sugere que se busque, igualmente, ajuda externa para combater os raptos.
A Lei Eleitoral, revista na semana passada pelo Parlamento, obriga a presença de observadores e da comunicação social em todo o processo de apuramento de resultados do escrutínio. Os resultados na mesa de voto só podem ser validados na presença de todos os membros da mesa.
Na última quinta-feira, as bancadas da Frelimo e Renamo decidiram unir forças para um propósito em comum: retirar da Lei Eleitoral anteriormente aprovada por consenso, porém devolvida para reexame pelo Presidente da República, a atribuição aos tribunais de distrito do poder de mandar recontar votos, em caso de comprovada existência de ilícito eleitoral.
Afinal, que novidades traz a nova Lei Eleitoral?
Foram, ao todo, 33 artigos revistos, que, entre outros, determinam a obrigatoriedade do uso de urnas transparentes, consultar os membros da mesa antes de chamar a polícia no posto de votação e a obrigatoriedade de fixação de edital no local de votação.
O número dois do artigo 52, por exemplo, determina que a validação da votação e dos resultados do escrutínio (…) tem lugar quando os demais membros não tiverem sido excluídos, expulsos pela força policial com a finalidade de impedir a presença dos demais membros da mesa, salvo nos casos expressamente previstos na presente lei.
Para garantir a transparência do processo, a lei obriga, no artigo 54, que “as urnas a serem utilizadas no processo de votação devem ser transparentes, com uma ranhura que permite a introdução de um único boletim de voto por eleitor”.
No processo de contagem dos votos, também há novidades. O artigo 101, por exemplo, autoriza a presença de observadores e da comunicação social durante o acto de apuramento dos resultados.
Mas não é tudo. As irregularidades detectadas na mesa de votação, que foram razão de conflitos também beneficiaram de inovações, tal como se pode ler no artigo 232, que determina que “o membro da mesa da assembleia de voto que, injustificadamente, se recusar a receber reclamações, protestos ou contraprotestos escritos pelo delegado de candidatura da respectiva mesa, é punido com pena de prisão até um ano e multa de quatro a cinco salários nacionais.
Ademais, o artigo 236 desta lei determina que “aquele que impedir a entrada ou saída de qualquer mandatário ou delegado das candidaturas na mesa da assembleia de voto ou que, por qualquer modo, tentar opor-se a que eles exerçam todos os poderes que lhes são conferidos pela presente lei, é punido com pena de prisão de até seis meses e multa de três a seis meses de salários mínimos nacionais”.
Espera-se que estas alterações melhorem o tratamento dos ilícitos eleitorais que forem registados no dia 9 de Outubro.
Vive-se uma crise de confiança em Moçambique, sobretudo em relação às instituições do Estado. O alerta é de analistas, que sugerem estudos específicos para compreender melhor o problema.
Não é de hoje a denúncia de falta de confiança nas instituições do Estado no país. Porém, nos últimos dias, essas reclamações subiram de tom, e o principal alvo têm sido as instituições ligadas à justiça.
Em menos de um mês, foram três as intervenções de membros da Comunidade Islâmica, principal grupo afectado pela onda de raptos no país. O grupo reclamou da falta de soluções para o problema, mas, sobretudo, da “falta de vontade” por parte das autoridades de justiça para estancar o fenómeno, o que gerou insegurança e desconfiança.
Além disso, falta confiança até nas instituições financeiras, facto que tem incentivado alguns empresários a manterem elevadas somas de dinheiro fora do sistema bancário nacional.
O comentador Hélder Jauana não tem dúvidas de que se vive uma crise de confiança no país, e com sérias consequências. “Cria-se uma situação de caos total, mas a sociedade, qualquer que seja, democrática ou não, faz-se de confiança. Quando não há confiança, tu tens uma situação que vai gerar um Estado de natureza, em que o mais forte vai fazendo e desfazendo, vai humilhando, vai tirando tudo o que pode e aquele que é mais fraco sucumbe.”
Jauana entende que uma das saídas para que se saia da crise passa por reconhecer a existência da crise, para depois resolver o problema, e este deve ser o papel do Governo.
O também comentador Borges Nhamirre acrescenta que fazer estudos para medir o nível de satisfação e confiança nos moçambicanos também pode ajudar a resolver o problema da confiança entre quem governa e quem é governado.
“O Governo deve assumir o problema e instituições como o INE deve tomar a dianteira e fazer estudos para ver qual e o nível de confiança que há no ensino superior, qual e o nível de confiança que o mercado tem com estudantes formados no ensino superior público em Moçambique, qual é o nível de confiança que o cidadão tem na saúde pública convencional, até para garantir que as pessoas vão ao hospital quando estão doentes e não recorram a medicina tradicional”, explicou Nhamirre.
Os comentadores falavam no programa Noite Informativa desta segunda-feira.
A segunda série da Temporada de Música Clássica 2024 decorre nos dias 16, 17, 18 e 22 deste mês de Agosto, na Cidade de Maputo, concretamente no Centro Cultural Moçambique-China, Montebelo Indy Congress Hotel e Biblioteca Nacional de Moçambique.
Nesta segunda edição, o Xiquitsi contará com a participação do renomado Quarteto de Cordas de Matosinhos, que visita Moçambique pela primeira vez e junta-se à Orquestra Xiquitsi para interpretar obras de F.Mendelssohn, F. Schubert ,Vila – Lobos e Benjamin Britten.
Nesta série, a talentosa Maya Egashira promete, segunda uma nota de imprensa, emocionar a todos com a sua interpretação única. Além disso, os alunos do Xiquitsi, Alexandre Munguambe e Khanyile Dimande também trarão toda a sua paixão e dedicação à música para partilhar com o público.
Assim, nos dias 16 e 17 de Agosto, às 19:00 horas, acontecerá a “Noite Clássica”, dois concertos com repertório diferente, no Centro Cultural Moçambique-China.
No dia 18 de Agosto, está marcado o interactivo “Concerto para Pais e Filhos”, às 16:00 horas, no Montebelo Indy Congress Hotel. A entrada será gratuita, proporcionando a oportunidade de desfrutar da música clássica em família.
E para encerrar com chave de ouro, está programada a “Noite Fora de Série”, a 22 de Agosto, às 19:00 horas, na Biblioteca Nacional de Moçambique. Este será um evento de Latin Jazz com entrada livre e uma oportunidade imperdível para apreciadores deste género musical.
Refira-se que o Xiquitsi ambiciona levar o ensino da música para todo o país e isso já está a acontecer através do projecto “Cantate”, nas províncias de Nampula, Cabo Delgado e a seguir em Niassa.
O escritor Eduardo Quive vai participar numa iniciativa pan-africana, entre 12 e 22 deste mês de Agosto, em Abauri, no Gana. O evento é liderado pela escritora Chimamanda Ngozi Adichie.
De acordo com uma nota de imprensa, a Canex Creative Writing Workshop convidou o escritor e jornalista Eduardo Quive a participar da iniciativa pan-africana que reúne criativos e investidores do continente a fim de criar um ecossistema sustentável para as indústrias culturais e criativas.
“Liderada por Chimamanda Ngozi Adichie, a oficina vai reunir cerca de 20 escritores de origem africana e caribenha que vão integrar o workshop de escrita criativa que vai incluir profissionais da área jurídica e empresarial que fornecerão informações valiosas sobre os aspectos jurídicos e comerciais da profissão de escritor”, lê-se no comunicado de imprensa.
Na mesma fonte, lê-se que Eduardo Quive encontra-se entusiasmado em integrar a equipa de escritores: “este workshop tem a profundidade de incluir a componente que nós, os escritores, não gostamos: encarar a escrita como trabalho e, como tal, termos de ser remunerados de alguma forma. E a forma clássica de remuneração, na escrita, são os direitos autorais, os contratos editoriais. Isso leva-nos para outras questões relacionadas ao próprio livro e tudo o que se pode desenvolver à volta. Penso que é por isto, sobretudo, que tenho a vontade de estar neste encontro. E depois vem outro elemento importante, a ligação com o nosso continente. São poucas oportunidades que nos juntam entre africanos, na nossa diversidade e complexidade. Vai ser bom encontrar e conhecer autores africanos e por via disso traçar possíveis rotas de mobilidade para as nossas obras”, disse.
Canex é uma plataforma de apoio às indústrias culturais e criativas africanas (ICC), um programa criado pelo Banco Africano de Exportação e Importação, Afreximbank, em apoio às ICC, em África, que foi especificamente concebido para os criadores africanos, para lhes permitir rentabilizar os seus conteúdos no panorama digital.
O Workshop de Escrita Criativa da Fábrica de Livros Canex colabora com a Fundação James e Grace Adichie e com a Narrative Landscape Press Limited para oferecer este workshop dedicado à arte da prosa. Como parte da iniciativa mais ampla da Fábrica de Livros Canex que se dedica a destacar a cadeia de valor do livro em África, o workshop irá apoiar e desenvolver o talento literário em África e na sua diáspora bem como se tornar um espaço de partilha, discussão e troca de soluções para incentivar os criativos a encontrar formas inovadoras de melhorar os seus rendimentos e fazer crescer as suas carreiras.
Os distritos de Guro, Vandúzi e Tambara, em Manica, receberam, recentemente, ambulâncias para facilitar o acesso aos serviços de saúde e transporte de doentes. Na ocasião, Francisca Tomás, governadora da província, prometeu, sem avançar datas, entregar ambulâncias também aos distritos de Macate e Báruè.
Além de ambulâncias, os três distritos receberam, cada um, uma motorizada. Já as restantes nove foram alocadas aos distritos de Macate, Manica, Báruè, Gondola, Mossurize, Sussundenga, Machaze e cidade de Chimoio.
A governadora de Manica, que fez a entrega, apelou para o bom uso dos meios e reiteirou que são para a servir “exclusivamente” as comunidades.
“Os meios vêm reforçar a frota de viaturas existentes na província, com o objectivo de prover melhor assistência sanitária à população. Queremos que saibam que estes meios resultam dos esforços do Governo e que deverão ser usados para os fins a que estão destinados. Conservem os meios e façam a devida manutenção, sempre que necessário, disse Francisca Tomás.
Inês Boane, directora de Saúde em Guro, assegurou que a ambulância e motorizada recebidas no seu distrito já eram necessárias, uma vez que tinahma apenas uma que não era suficiente.
“Tinhamos uma que usavamos para transfeirir os pacientes. Mas assim que temos a segunda ambulância, vai fazer face as nossas actividades”, referiu.
Amadeu Mpuana, director de saúde em Gondola, também disse que os meios serão importantes, sobretudo nas zonas mais longínquas. “Vai ajudar o nosso serviço de campo, sobretudo na prevenção de doenças, com maior enfoque para as doenças diareicas e a malária, e vai ajudar na deslocação para as zonas mais recônditas”.
Nos próximos dias, mais duas ambulâncias serão alocadas a dois hospitais distritais de Macate e Báruè.
A província de Manica conta com um universo de 2,4 milhões de habitantes e tem 146 hospitais, seis dos quais são distritais.