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Comerciantes instalados no interior do Mercado Central de Inhambane decidiram levar os produtos para fora em protesto contra as bancas improvisadas que ocupam a área reservada aos transportadores, alegam perda de clientes e dizem que sucessivas reclamações à gestão não produziram qualquer solução.

Cerca de dois anos depois de entrar em funcionamento com a promessa de organizar o comércio na cidade de Inhambane e oferecer melhores condições aos vendedores, o Mercado Central enfrenta um problema que começa a colocar em causa o propósito para o qual foi concebido, isto porque parte do espaço exterior reservado aos transportadores de passageiros está ocupado por comerciantes que montaram bancas improvisadas e vendem diariamente diferentes produtos, uma situação que há algum tempo provoca descontentamento entre aqueles que receberam lugares no interior e que esta quinta-feira decidiram transformar a insatisfação em protesto, retirando os seus produtos das bancas e levando-os para o exterior para disputar directamente a clientela com os vendedores cuja presença contestam.

O cenário revela duas realidades que se confrontam à porta da mesma infra-estrutura, pois enquanto os comerciantes instalados no interior reclamam que as bancas improvisadas lhes retiram clientes e tornam cada vez mais difícil manter os negócios, aqueles que vendem no exterior garantem que não escolheram voluntariamente ocupar o espaço destinado aos transportadores e justificam a permanência naquele local com a alegada falta de lugares suficientes dentro do Mercado Central. Albertina, uma das vendedoras que exerce a actividade do lado de fora, diz que a necessidade de garantir o sustento da família acaba por falar mais alto do que os riscos associados à ocupação de um espaço que não foi concebido para a venda, reconhecendo que existem perigos, mas insistindo que abandonar o local sem uma alternativa significaria perder a única possibilidade que tem de conseguir algum rendimento. “Sabemos que pode haver perigo, mas não temos para onde ir. Estamos à procura do pão. Ninguém pode viver com fome”, explica a comerciante, numa declaração que expõe o lado social de um problema que já ultrapassa a simples organização física do mercado.

Mas para quem recebeu uma banca no interior da infra-estrutura, a explicação apresentada pelos vendedores de fora não elimina aquilo que consideram ser uma situação de concorrência desigual, porque os consumidores que chegam ao Mercado Central encontram primeiro os produtos expostos no exterior e muitos acabam por fazer ali mesmo as compras, sem necessidade de entrar no edifício. Foi perante este cenário que, esta quinta-feira, vários comerciantes decidiram retirar os produtos das respectivas bancas e instalá-los igualmente do lado de fora, não por alegada falta de espaço, mas como forma de protesto e de pressão sobre os responsáveis pela gestão do mercado, numa tentativa de mostrar que não estão dispostos a continuar dentro de uma infra-estrutura onde dizem ter cada vez menos compradores enquanto a actividade comercial cresce à sua porta.

Laura, uma das vendedoras que aderiu ao protesto, explica que a decisão de sair resulta da queda da clientela e daquilo que considera ser a falta de resposta das autoridades às reclamações apresentadas ao longo do tempo, defendendo que todos os comerciantes deveriam estar sujeitos às mesmas regras e exercer a actividade dentro dos espaços definidos para o efeito. “Estamos aqui porque lá dentro não entram clientes devido ao outro mercado que está fora. O que estamos a pedir neste momento ao nosso município é que retire aquelas pessoas que estão fora e que elas também entrem no mercado”, afirma, deixando claro que o objectivo dos manifestantes não é abandonar definitivamente a infra-estrutura, mas pressionar para que seja encontrada uma solução capaz de devolver clientes às bancas interiores.

A situação está a transformar a área exterior num concorrente directo do próprio Mercado Central, porque quanto maior é a quantidade de produtos disponíveis nas bancas improvisadas, menor é a necessidade de os consumidores entrarem no edifício e, consequentemente, menor é o volume de vendas de quem permanece nas bancas formais. Benilde, uma das comerciantes que continua a trabalhar no interior, conta que há dias em que passa praticamente toda a jornada à espera de compradores, vendo do seu posto de venda o movimento concentrar-se no exterior, onde diferentes produtos são comercializados antes mesmo de os clientes atravessarem as portas da infra-estrutura, uma realidade que, segundo afirma, está a provocar perdas e a tornar cada vez mais difícil sobreviver exclusivamente do negócio instalado no interior.

Para os comerciantes, não se trata apenas de uma questão de preferência dos consumidores, mas de localização e facilidade de acesso, porque quem chega à zona encontra primeiro os vendedores instalados na área exterior e pode adquirir os produtos sem entrar no Mercado Central, enquanto aqueles que cumprem a orientação de permanecer nas bancas atribuídas ficam numa posição menos favorável para disputar os mesmos clientes. “Lá fora está cheio de pessoas a vender e aqui no mercado ninguém entra”, lamenta Benilde, descrevendo dias em que o rendimento obtido fica muito abaixo das expectativas e mal permite compensar o tempo e os custos associados à actividade comercial.

O fenómeno começa, desta forma, a produzir um efeito contrário ao pretendido com a construção da nova infra-estrutura, pois o mercado criado para concentrar e ordenar a actividade comercial enfrenta agora uma dinâmica em que permanecer no interior pode representar uma desvantagem económica, enquanto vender no exterior permite contacto imediato com os compradores. É precisamente esta percepção que levou comerciantes formalmente instalados dentro do mercado a adoptar a mesma estratégia daqueles que criticam, criando um ciclo difícil de interromper: quanto mais vendedores saem, mais produtos ficam disponíveis no exterior, quanto mais produtos existem do lado de fora, menos razões os consumidores encontram para entrar e, quanto menor é a clientela no interior, maior se torna a pressão para que outros comerciantes façam exactamente o mesmo percurso.

A revolta desta quinta-feira, contudo, não nasceu de um problema identificado apenas nos últimos dias, uma vez que os vendedores garantem ter apresentado várias vezes as suas preocupações aos responsáveis pela gestão do Mercado Central e dizem ter recebido promessas de intervenção que, até agora, não se traduziram numa solução visível. Laura afirma que os comerciantes aguardam há algum tempo por uma resposta concreta e que a ausência de uma data para a resolução do problema aumentou a indignação entre quem continua a acumular prejuízos, explicando que “já falámos várias vezes, dizem que vão mandar uma equipa e nunca mais”, razão pela qual alguns vendedores decidiram que permanecer no interior à espera de uma solução deixou de ser uma alternativa economicamente sustentável.

A posição dos manifestantes é agora mais dura e alguns garantem que só pretendem regressar às bancas quando houver uma intervenção que coloque todos os vendedores em condições semelhantes de concorrência. “Nós vamos sair se virmos aquela gente que está aí fora dentro do mercado”, afirma Laura, numa declaração que aumenta a pressão sobre a administração do Mercado Central e sobre o Conselho Municipal de Inhambane, porque qualquer intervenção terá de encontrar uma saída para os comerciantes que alegam não dispor de lugares no interior sem, ao mesmo tempo, prejudicar aqueles que aceitaram instalar-se nos espaços formais e que agora reclamam estar a pagar o preço por respeitarem a organização definida.

É neste ponto que o problema deixa de ser apenas uma disputa entre vendedores e passa a colocar questões sobre a própria gestão do comércio urbano, uma vez que retirar os comerciantes instalados no exterior sem lhes apresentar uma alternativa poderá simplesmente deslocá-los para outros pontos da cidade, enquanto permitir que permaneçam no espaço destinado aos transportadores poderá continuar a reduzir a clientela no interior e incentivar novos vendedores a abandonar as bancas. A situação exige, por isso, uma solução capaz de conciliar a necessidade de ordenamento com uma realidade económica incontornável: para muitas destas famílias, a venda diária não é uma actividade complementar, mas a principal ou única fonte de rendimento.

A reportagem de O País procurou ouvir a administração do Mercado Central para perceber como pretende responder à revolta dos comerciantes, esclarecer a alegada falta de espaço no interior, explicar por que razão a área reservada aos transportadores continua ocupada por vendedores e indicar que medidas estão previstas para impedir que a saída dos comerciantes instalados nas bancas formais agrave ainda mais a desorganização, mas, no momento em que a equipa se deslocou ao local, o edifício onde funciona a administração encontrava-se encerrado e não foi possível obter qualquer pronunciamento dos responsáveis pela gestão até ao fecho desta reportagem.

O impasse deixa o Mercado Central de Inhambane perante uma contradição cada vez mais difícil de ignorar, porque uma infra-estrutura moderna que entrou em funcionamento para organizar o comércio começa a assistir à transferência da actividade das suas bancas para o espaço exterior que deveria permanecer livre para outras funções, ao mesmo tempo que vendedores que inicialmente cumpriram as regras sentem-se agora prejudicados por aqueles que comercializam fora e decidem responder fazendo exactamente o mesmo.

Enquanto a gestão não apresenta uma solução, o protesto desta quinta-feira deixa uma mensagem clara sobre a dimensão do problema: quando os comerciantes entendem que permanecer dentro de um mercado formal significa perder clientes e que colocar os produtos na rua aumenta as possibilidades de vender, a discussão já não pode limitar-se à disciplina de quem ocupa irregularmente os espaços, devendo também questionar a capacidade de organização, fiscalização e gestão da própria infra-estrutura. O Mercado Central foi criado para trazer ordem ao comércio de Inhambane, mas o desafio que agora se coloca é impedir que a luta diária pela sobrevivência transforme o seu exterior num segundo mercado e empurre para a rua precisamente aqueles vendedores que deveriam encontrar dentro dele melhores condições para trabalhar.

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Um jovem de 29 anos de idade morreu, após ser baleado, na última quinta-feira, no bairro das Mahotas, alegadamente, pela polícia, quando se encontrava sentado e em frente à sua casa.

Segundo testemunhas, o jovem de nome Jonas Tembe foi alvejado por dois tiros, um na cintura e outro que entrou pelas costas e saiu pelo pescoço, tendo morrido no local.
“Veio um carro e desceram pessoas armadas, foram até ao Jonas e ele levantou-se e correu, mas foi atingido aqui (na cintura). Continuou a correr, saltou o muro, mas foi alvejado nas costas e a bala saiu pelo pescoço e ele caiu naquela casa”, contou, Sónia Sitoe, a mãe da vítima.

Conforme explicou Sónia, a polícia, que estava à paisana, não deu nenhuma explicação sobre os motivos, o que gerou revolta popular, e houve necessidade da intervenção de mais agentes, mas desta vez, fardados.

“Chegaram aqui, os colegas, num Mahindra e, vinham tirar eles, daqui, mas não deixamos, exigimos que tirassem o corpo e que os outros ficassem até explicarem porque mataram meu filho, só que eles entraram no carro a força e saíram em alta velocidade e atropelaram o meu outro filho”, relatou a Sónia.

Seu filho atropelado é Jaime Tembe, que parou em frente ao carro para impedir que os agentes fossem embora. Ele teve ferimentos nas costas e nas pernas. Agora, locomove-se com dificuldades e fala de dores no peito, que dificultam a sua respiração.

A família agora pede justiça e diz que, por várias vezes, foi à polícia, mas nenhuma resposta em concreto teve. Jonas será enterrado esta quarta-feira.

Enquanto nas Mahotas acontecia isto, no bairro da Maxaquene, Avenida Milagre Mabote, Bruno, nome fictício, foi alvejado por cinco balas, nas pernas e na nádega. Contou ao “O País” que, durante a manifestação, houve um desentendimento com a polícia, tendo ele e algumas pessoas se refugiado no interior de um quintal, naquele bairro.

“A polícia entrou lá, lançou gás lacrimogêneo e começou a disparar, foram vários tiros, eu senti as balas perfuraram o meu corpo, pensei que não fosse sobreviver. Mas depois pedimos ajuda aos militares, que levaram-nos ao hospital”, recordou.

Bruno contou que, no carro em que foi transportado, havia mais de 10 feridos.

No Hospital Central de Maputo, naquele dia, houve 66 entradas, todas elas vítimas das manifestações. Dessas, segundo o director do Serviço de Urgências do Hospital Central de Maputo, Dino Lopes, 57 foram vítimas de baleamento.

Houve três óbitos, dois que chegaram já sem vida e um que, devido à gravidade, morreu enquanto era atendido.

Além dessas vítimas, quatro feridos estavam em estado grave e dois foram levados aos cuidados intensivos.

O Ministério Público já abriu 208 processos-crime no quadro das manifestações pós-eleitorais. A Procuradoria diz que busca responsabilizar os autores morais e materiais de crimes como homicídios, incitamento à desobediência colectiva e conspiração para a prática de crime contra a segurança do Estado. Além de responsabilização, o Ministério Público abriu processos cíveis para que o Estado seja ressarcido pelos danos causados.

É um dos primeiros pronunciamentos públicos do Ministério Público sobre as manifestações pós-eleitorais que se vivem no país desde o passado dia 21 de Outubro.

Através de um comunicado, começa por informar em termos numéricos quantos processos estão em curso no quadro das manifestações pós-eleitorais.

“O Ministério Público, no âmbito das suas competências constitucionais e legais, tem estado a instaurar processos judiciais, visando a responsabilização criminal dos autores (morais e materiais) e cúmplices destes actos, tendo sido desencadeados, até ao momento, 208 processos-crime, nos quais se investiga homicídios, ofensas corporais, danos, incitamento à desobediência colectiva, bem como a conjuração ou conspiração para prática de crime contra a segurança do Estado e alteração violenta do Estado de direito”.

Mas não se pretende apenas responsabilização criminal. A Procuradoria quer que o Estado seja ressarcido pelos danos causados. “A par dos procedimentos criminais e em defesa do interesse público foram instaurados processos cíveis, com vista ao ressarcimento do Estado pelos danos causados”.

Isto é em relação a tudo que já aconteceu. Sobre o futuro, a procuradoria deixa o aviso de que está atento a todos que praticarem violência. “Serão efectuadas todas as diligências cabíveis para identificar, responsabilizar e levar à justiça aqueles que se envolvem em actos de violência e divulgam mensagens de intimidação, assegurando que a lei seja cumprida, com imparcialidade e transparência.”

De forma geral, o Ministério Público considera ilegal convocar manifestações sem comunicar às autoridades sobre data, hora e cortejo. Fala ainda de instigação ao não cumprimento da lei. “Agrava, ainda, o facto de nessas convocações, expressamente, se incitar a mais violência, quando se refere que a fase seguinte deve ser mais violenta que a anterior, mesmo estando ciente das consequências que as mesmas tiveram e dos efeitos nefastos para a sociedade. É exemplo disso os apelos a tomada, bloqueio e destruição de infra-estruturas estratégicas do Estado, como é o caso de fronteiras, pontes, portos e caminhos-de-ferro, bem como a insurreição armada”.

A maior agência de viagens do país, a Cotur, diz que as manifestações já estão a causar cancelamentos de reservas para o natal e de fim de ano. Além dos actuais prejuízos, a Cotur antevê que a continuidade das manifestações vai retrair os turistas e, por consequencia, será difícil recuperar a boa imagem do país.

A apenas um dia para o começo da referida “quarta fase das manifestações nacionais” e depois de, praticamente duas semanas em que foram realizadas as outras três primeiras fases, o sector do turismo diz que já está a registar uma redução das reservas nos hotéis, uma vez que tem sido frequente a paralisação de quase todas as actividades de produção e produtividade no país.

“Infelizmente temos já registado muitos pedidos de cancelamento, temos, também, registado muitos pedidos de informação naquilo que é a situação do país e naquilo que poderá ser um futuro breve, se esta situação vai se manter ou se será rapidamente resolvida, portanto, há este tipo de pergunta por parte das operadoras internacionais que, efectivamente, emitem turistas para o nosso país e isso é preocupante”, diz Muhammed Abdullah, director executivo da Cotur.

Os cancelamentos não são apenas de reservas para esta época como também o futuro começa a ser hipotecado.

“Aqui, é preciso salientar que estamos à porta da época alta do turismo em Moçambique, que é a passagem do ano e a época festiva. Tínhamos hotéis já reservados, com um overbooking, com bastante procura e agora registam-se cancelamentos”, referiu.

A considerar as consequências em razão das manifestações, Muhammed Abdullah concorda com o direito à manifestação mas adverte que tem de ser dentro dos limites constitucionais.

“As manifestações, são sim senhora, um direito constitucional, mas, quando são praticadas dentro das suas regras e dentro daquilo que é a sua essência e efectivamente aquilo que a Constituição prevê. A partir do momento em que começam a acontecer actos de vandalismo, violência, crimes associados a este tipo de situação, e muitas vezes, fora daquilo que é o âmbito das manifestações”, apelou.

Neste sentido, o director diz que é preciso evitar a continuidade das manifestações e, de forma violenta, como está a ser noticiado internacionalmente, porque, “a partir do momento que o turista internacional começa a interiorizar que Moçambique está a passar por esta situação de violência, de instabilidade política, de actos que acontecem fora do controlo das autoridades e daquilo que é normal acontecer num país seguro, depois deixa sequelas e será difícil recuperar e ter-se-á de se fazer um trabalho muito grande para recuperar a imagem do país”.

Recordando que o país viveu ressentemente várias situações que impactaram negativamente o turismo, apelou para que “nao prejudiquemos o país e sabemso que o turismo vem de uma situacao do Covid, depois a situação da insurgencia, da guerra e do terrorismo em Cabo Delgado, e agora, se temos a esta situacao pode se tornar complicado voltar a crescer e a recuperar o índice de confianca no turista internacional”, apelou.

As únicas zonas que, por enquanto, estão com o ambiente normal são as ilhas, pois ainda não foram registadas manifestações violentas.

A Editorial Fundza vai receber, entre os dias 25 e 30 deste mês, originais para publicação ao longo do próximo ano.

A iniciativa, enquadrada na quarta chamada literária da Fundza, pretende seleccionar infanto-juvenis, romances, crónicas, poesias e contos inéditos.

Os autores interessados em participar na quarta chamada literária da Editorial Fundza deverão enviar um projecto de livro em word, uma sinopse de 10 linhas desse mesmo texto e uma biografia de cinco linhas para a editorial.fundza@gmail.com.

Para a organização, o objectivo principal da chamada literária é abrir e ampliar o espaço para a democratização do acesso à publicação de obras literárias no país, o que inclui a participação de autores de todas as províncias.

“A iniciativa tem vindo a revelar novas vozes na literatura moçambicana. Desde 2022, já foram publicados mais de 40 novos autores de todo o país. Entre as publicações, encontram-se Pétalas negras ou a sombra do inanimado (poesia), de Belmiro Mouzinho; Estórias trazidas pela ventania (conto), de Adelino Albano Luís, O encanto da poesia (poesia), de Assane Cadry; O ardina dos sapatos gastos (contos), de Alerto Bia; O dicionário da sobrevivência (contos), de Francisco Raposo; A rapariga sem reflexo (motivacional), de Clévia Guivala; Insiste em ignorar-me (motivacional), de Argentina Banze; O amor que há em ti (romance), de Larsan Mendes; As máscaras da verdade (romance), de Almeida Cumbane; O Príncipe Suehtam e a Aruella no Tulipix (infanto-juvenil), de Andreia Edna da Silva; O peixe que sonhava comprar um barco (infanto-juvenil), de Japone Arijuane; e Makhalelo (crónicas), de Adriano Félix”, avança a nota de imprensa da Editorial Fundza.

Os originais submetidos à chamada literária da Fundza são seleccionados por um júri competente identificado pela editora.

Antes de serem publicados, todos os originais passam por um cuidadoso processo editorial. Garante a editora.

Faltam depósitos de lixo nos pontos de recolha da Cidade da Maxixe e, sem alternativas, os munícipes chegam a usar trelas de viaturas. Além deste problema, o edil revelou igualmente, que faltam meios circulantes e pessoal para gestão de resíduos sólidos.

A fragilidade na recolha do lixo, é uma realidade em vários pontos de recolha na Cidade da Maxixe. O problema é que faltam depósitos e, sem alternativas, os munícipes passaram a descartar o lixo no chão ou até usam-se trelas de viaturas.

Issufo Francisco, edil da Maxixe, reconhece o problema e diz que a edilidade tem, também, défice de meios circulantes e pessoal para gestão dos resíduos sólidos.

Enquanto a edilidade não compra os depósitos para os pontos de recolha de resíduos sólidos, tem recebido apoio de alguns munícipes da Maxixe para o tratamento de lixo.

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Uma idosa de 82 anos foi brutalmente assassinada com golpes de um pau de pilar, no bairro Matundo, província de Tete. O crime foi cometido pelo próprio neto, sob acusação de feitiçaria.

Confesso, o neto de trinta e dois anos, desferiu cinco golpes na cabeça da sua avó com um pau-de-pilar, para segundo ele, pôr fim ao impedimento de prosperar, que teria sido causado pela vítima.

Uma das netas da vítima disse estar chocada com a crueldade do primo. Explica, por outro lado,  o que viu e alega que o primo  nunca demonstrou comportamento desviante perante familiares e amigos.

O indiciado é agente de uma empresa de segurança privada.

O crime ocorreu no passado dia 19 de Outubro, e, no momento, o Serviço Nacional de Investigação Criminal em Tete confirma diz que foi aberto um processo crime contra o indiciado.

Este é o primeiro caso do género,  este ano, reportado pelas autoridades em Tete.

As infecções por vírus Mpox na região da República Democrática do Congo (RDC), onde uma nova variante, mais infecciosa, foi detectada pela primeira vez, parecem estar a “estabilizar”,  segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo o relatório da Agência de Saúde das Nações Unidas, citado por Lusa, o número de infeções “mostra uma tendência geral de aumento”, mas que pode ter estabilizado na província de Kivu do Sul, onde a forma mais infecciosa foi identificada pela primeira vez.

 A OMS reconheceu que os testes ainda não estão generalizados, o que dificulta a compreensão da forma exata como o vírus se está a propagar.

Segundo a agência da ONU, os casos deste vírus estão ainda a aumentar nos vizinhos Burundi e Uganda.

De acordo com os dados da semana passada, a RDC registou menos de 100 casos de Mpox confirmados em laboratório, contra quase 400 em julho.

Os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC África) calculam serem necessárias três milhões de vacinas para travar o surto.

Na semana passada, o diretor do CDC África, Jean Kaseya, disse que o continente estava “ainda na fase aguda” desta epidemia, com 19 países afetados e avisou que, sem mais recursos, o vírus poderia tornar-se uma ameaça global.

Segundo a OMS, o surto no Burundi está também a ser provocado pela variante mais recente, que causa sintomas menos graves, o que significa que as pessoas infectadas podem não se aperceber de que estão a espalhar o vírus.

A polícia em Inhambane confirma a detenção de dois dos seus agentes surpreendidos a vender seis quilos de droga, na Cidade de Maputo. A droga foi desviada de um lote apreendido no distrito de Inhassoro, em Fevereiro deste ano.

Um vídeo amador enviado a um comprador de drogas foi feito por um agente da polícia, afecto ao comando distrital de Inhassoro, no qual mostrava que tinha droga para venda.

No vídeo, aparecem apenas dois quilos da droga, mas, na verdade, os agentes da polícia desviaram seis quilos de metanfetamina e pretendiam vendê-los por 170 mil Meticais, na Cidade de Maputo, mas o cliente final estava na África do Sul.

Foi durante um processo de venda da droga que os agentes acabaram detidos pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal.

Contactada sobre o assunto, a porta-voz do comando da polícia em Inhambane confirma a detenção, mas não dá detalhes.

O jornal O País sabe que os agentes já foram pronunciados pelo Tribunal Judicial de Inhambane e o julgamento deverá acontecer ainda este ano.

Há cada vez mais casos de cancro da mama em Moçambique e, apesar de haver mais consciência para o rastreio, a falta de serviços de quimioterapia e radioterapia acaba por levar algumas pacientes a desenvolverem casos complicados da doença.

Um dos exemplos de mulher afectada pelo cancro da mama é Nazalda Manuel Lassido, que, até 2014, era uma jovem saudável e alegre. Depois disso, foi diagnosticada com cancro da mama. Fez o tratamento hospital e foi-lhe sugerido pelo médico que, apesar do tratamento, devia dar atenção ao controlo. Devido a vários constrangimentos logísticos e de mobilidade, a jovem nem sempre conseguiu aproximar-se ao hospital.

Com o passar do tempo, o nódulo reapareceu na mama, em 2023, muito maior, o que levou à cirurgia.

A amputação da mama aconteceu no Hospital Geral de Lichinga, na província de Niassa. Nessa fase, a paciente teve informação de que se tratava do cancro da mama. Em casos do género, depois da cirurgia de retirada da mama, a paciente deve ter consultas de seguimento para fazer sessões de quimioterapia ou radioterapia para eliminar todas as células cancerígenas no organismo, mas não foi o que aconteceu com ela. Nazalda não teve quimioterapia em Niassa.

Um ano depois, em Outubro deste ano, foi transferida para a cidade de Nampula, com um estágio avançado de propagação do cancro no organismo.

O médico cirurgião-geral, António Carlos, foi quem recebeu a paciente no Hospital Central de Nampula e explicou que se a situação da paciente tivesse evoluído bastante, até ao nível 3.

A demora no início da quimioterapia por falta de condições, na cidade de Lichinga, foi determinante para o agravamento do cancro da mama de Nazalda Manuel Lassido.

Sérgio Ferrão é o médico oncologista que é responsável pela quimioterapia recomendada à paciente. A escolha desse tratamento, diz o médico, depende de vários factores.
Quando a entrevista com o médico Sérgio Ferrão foi gravada, Nazalda tinha feito a primeira sessão de quimioterapia. A jovem mãe sente-se mais optimista, apesar da agressividade do tratamento.

Porém, para o sucesso desta fase, ela precisa de ter um nível de sangue no organismo capaz de suportar as necessidades decorrentes da natureza do tratamento.

Nazalda luta pela cura através da quimioterapia, mas há tantas outras mulheres e homens com os diversos tipos de cancro que estão na incerteza se terão ou não a possibilidade de ter um tratamento através da radioterapia, outra forma de tratamento.

No entanto, neste momento, a única máquina de radioterapia que existe no país, em concreto no Hospital Central de Maputo, está, desde Março, avariada, ou seja, há quase nove meses. Os cerca de 50 pacientes com diferentes tipos de cancro que são atendidos, por dia, estão sem fazer esse tratamento que é essencial para a cura do paciente.

A referida máquina, que começou a operar em 2019, após a inauguração do serviço de radioterapia no Hospital Central de Maputo, é de vital importância para o tratamento da doença. No país, por exemplo, é a única existente, sendo que atende pacientes de todo Moçambique e de países vizinhos.

Ao público, nenhuma informação em concreto foi dada e, pelo que apurámos, não há previsões de quando voltará a funcionar, por se tratar de uma avaria grossa, o que obriga os pacientes a recorrerem a países como Malawi e África do Sul para o tratamento, e aqueles que não têm condições para o efeito ficam largados à sua própria sorte.

Além desse problema da avaria da máquina, sabe-se que há outros, relacionados com a falta de material, como o caso de máscaras que são usadas durante o tratamento para pacientes com cancro de pescoço e de cabeça, obrigando os mesmos a comprarem fora do hospital a valores que rondam entre os 10 e os 15 mil Meticais, uma vez que sem elas, não tem como fazer o tratamento.

Este jornal está há mais de dois meses em contacto com o gabinete de comunicação e imagem do Hospital Central de Maputo e nunca teve sucesso para a gravação de uma entrevista de esclarecimento do que pode estar a acontecer, de que avaria se trata e qual é a dificuldade para resolver o problema.

De Janeiro a Setembro deste ano, a província de Nampula diagnosticou 1475 mulheres com nódulos mamários. Grande número incide em mulheres jovens.

Zambézia não fica atrás, por isso a secretária de Estado, Cristina Mafumo, pede que as mulheres sejam mais atentas aos sintomas.

De acordo com dados oficiais, são diagnosticados por ano cerca de cinco mil cancros da mama no país, sendo três mil deles letais.

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