Comerciantes instalados no interior do Mercado Central de Inhambane decidiram levar os produtos para fora em protesto contra as bancas improvisadas que ocupam a área reservada aos transportadores, alegam perda de clientes e dizem que sucessivas reclamações à gestão não produziram qualquer solução.
Cerca de dois anos depois de entrar em funcionamento com a promessa de organizar o comércio na cidade de Inhambane e oferecer melhores condições aos vendedores, o Mercado Central enfrenta um problema que começa a colocar em causa o propósito para o qual foi concebido, isto porque parte do espaço exterior reservado aos transportadores de passageiros está ocupado por comerciantes que montaram bancas improvisadas e vendem diariamente diferentes produtos, uma situação que há algum tempo provoca descontentamento entre aqueles que receberam lugares no interior e que esta quinta-feira decidiram transformar a insatisfação em protesto, retirando os seus produtos das bancas e levando-os para o exterior para disputar directamente a clientela com os vendedores cuja presença contestam.
O cenário revela duas realidades que se confrontam à porta da mesma infra-estrutura, pois enquanto os comerciantes instalados no interior reclamam que as bancas improvisadas lhes retiram clientes e tornam cada vez mais difícil manter os negócios, aqueles que vendem no exterior garantem que não escolheram voluntariamente ocupar o espaço destinado aos transportadores e justificam a permanência naquele local com a alegada falta de lugares suficientes dentro do Mercado Central. Albertina, uma das vendedoras que exerce a actividade do lado de fora, diz que a necessidade de garantir o sustento da família acaba por falar mais alto do que os riscos associados à ocupação de um espaço que não foi concebido para a venda, reconhecendo que existem perigos, mas insistindo que abandonar o local sem uma alternativa significaria perder a única possibilidade que tem de conseguir algum rendimento. “Sabemos que pode haver perigo, mas não temos para onde ir. Estamos à procura do pão. Ninguém pode viver com fome”, explica a comerciante, numa declaração que expõe o lado social de um problema que já ultrapassa a simples organização física do mercado.
Mas para quem recebeu uma banca no interior da infra-estrutura, a explicação apresentada pelos vendedores de fora não elimina aquilo que consideram ser uma situação de concorrência desigual, porque os consumidores que chegam ao Mercado Central encontram primeiro os produtos expostos no exterior e muitos acabam por fazer ali mesmo as compras, sem necessidade de entrar no edifício. Foi perante este cenário que, esta quinta-feira, vários comerciantes decidiram retirar os produtos das respectivas bancas e instalá-los igualmente do lado de fora, não por alegada falta de espaço, mas como forma de protesto e de pressão sobre os responsáveis pela gestão do mercado, numa tentativa de mostrar que não estão dispostos a continuar dentro de uma infra-estrutura onde dizem ter cada vez menos compradores enquanto a actividade comercial cresce à sua porta.
Laura, uma das vendedoras que aderiu ao protesto, explica que a decisão de sair resulta da queda da clientela e daquilo que considera ser a falta de resposta das autoridades às reclamações apresentadas ao longo do tempo, defendendo que todos os comerciantes deveriam estar sujeitos às mesmas regras e exercer a actividade dentro dos espaços definidos para o efeito. “Estamos aqui porque lá dentro não entram clientes devido ao outro mercado que está fora. O que estamos a pedir neste momento ao nosso município é que retire aquelas pessoas que estão fora e que elas também entrem no mercado”, afirma, deixando claro que o objectivo dos manifestantes não é abandonar definitivamente a infra-estrutura, mas pressionar para que seja encontrada uma solução capaz de devolver clientes às bancas interiores.
A situação está a transformar a área exterior num concorrente directo do próprio Mercado Central, porque quanto maior é a quantidade de produtos disponíveis nas bancas improvisadas, menor é a necessidade de os consumidores entrarem no edifício e, consequentemente, menor é o volume de vendas de quem permanece nas bancas formais. Benilde, uma das comerciantes que continua a trabalhar no interior, conta que há dias em que passa praticamente toda a jornada à espera de compradores, vendo do seu posto de venda o movimento concentrar-se no exterior, onde diferentes produtos são comercializados antes mesmo de os clientes atravessarem as portas da infra-estrutura, uma realidade que, segundo afirma, está a provocar perdas e a tornar cada vez mais difícil sobreviver exclusivamente do negócio instalado no interior.
Para os comerciantes, não se trata apenas de uma questão de preferência dos consumidores, mas de localização e facilidade de acesso, porque quem chega à zona encontra primeiro os vendedores instalados na área exterior e pode adquirir os produtos sem entrar no Mercado Central, enquanto aqueles que cumprem a orientação de permanecer nas bancas atribuídas ficam numa posição menos favorável para disputar os mesmos clientes. “Lá fora está cheio de pessoas a vender e aqui no mercado ninguém entra”, lamenta Benilde, descrevendo dias em que o rendimento obtido fica muito abaixo das expectativas e mal permite compensar o tempo e os custos associados à actividade comercial.
O fenómeno começa, desta forma, a produzir um efeito contrário ao pretendido com a construção da nova infra-estrutura, pois o mercado criado para concentrar e ordenar a actividade comercial enfrenta agora uma dinâmica em que permanecer no interior pode representar uma desvantagem económica, enquanto vender no exterior permite contacto imediato com os compradores. É precisamente esta percepção que levou comerciantes formalmente instalados dentro do mercado a adoptar a mesma estratégia daqueles que criticam, criando um ciclo difícil de interromper: quanto mais vendedores saem, mais produtos ficam disponíveis no exterior, quanto mais produtos existem do lado de fora, menos razões os consumidores encontram para entrar e, quanto menor é a clientela no interior, maior se torna a pressão para que outros comerciantes façam exactamente o mesmo percurso.
A revolta desta quinta-feira, contudo, não nasceu de um problema identificado apenas nos últimos dias, uma vez que os vendedores garantem ter apresentado várias vezes as suas preocupações aos responsáveis pela gestão do Mercado Central e dizem ter recebido promessas de intervenção que, até agora, não se traduziram numa solução visível. Laura afirma que os comerciantes aguardam há algum tempo por uma resposta concreta e que a ausência de uma data para a resolução do problema aumentou a indignação entre quem continua a acumular prejuízos, explicando que “já falámos várias vezes, dizem que vão mandar uma equipa e nunca mais”, razão pela qual alguns vendedores decidiram que permanecer no interior à espera de uma solução deixou de ser uma alternativa economicamente sustentável.
A posição dos manifestantes é agora mais dura e alguns garantem que só pretendem regressar às bancas quando houver uma intervenção que coloque todos os vendedores em condições semelhantes de concorrência. “Nós vamos sair se virmos aquela gente que está aí fora dentro do mercado”, afirma Laura, numa declaração que aumenta a pressão sobre a administração do Mercado Central e sobre o Conselho Municipal de Inhambane, porque qualquer intervenção terá de encontrar uma saída para os comerciantes que alegam não dispor de lugares no interior sem, ao mesmo tempo, prejudicar aqueles que aceitaram instalar-se nos espaços formais e que agora reclamam estar a pagar o preço por respeitarem a organização definida.
É neste ponto que o problema deixa de ser apenas uma disputa entre vendedores e passa a colocar questões sobre a própria gestão do comércio urbano, uma vez que retirar os comerciantes instalados no exterior sem lhes apresentar uma alternativa poderá simplesmente deslocá-los para outros pontos da cidade, enquanto permitir que permaneçam no espaço destinado aos transportadores poderá continuar a reduzir a clientela no interior e incentivar novos vendedores a abandonar as bancas. A situação exige, por isso, uma solução capaz de conciliar a necessidade de ordenamento com uma realidade económica incontornável: para muitas destas famílias, a venda diária não é uma actividade complementar, mas a principal ou única fonte de rendimento.
A reportagem de O País procurou ouvir a administração do Mercado Central para perceber como pretende responder à revolta dos comerciantes, esclarecer a alegada falta de espaço no interior, explicar por que razão a área reservada aos transportadores continua ocupada por vendedores e indicar que medidas estão previstas para impedir que a saída dos comerciantes instalados nas bancas formais agrave ainda mais a desorganização, mas, no momento em que a equipa se deslocou ao local, o edifício onde funciona a administração encontrava-se encerrado e não foi possível obter qualquer pronunciamento dos responsáveis pela gestão até ao fecho desta reportagem.
O impasse deixa o Mercado Central de Inhambane perante uma contradição cada vez mais difícil de ignorar, porque uma infra-estrutura moderna que entrou em funcionamento para organizar o comércio começa a assistir à transferência da actividade das suas bancas para o espaço exterior que deveria permanecer livre para outras funções, ao mesmo tempo que vendedores que inicialmente cumpriram as regras sentem-se agora prejudicados por aqueles que comercializam fora e decidem responder fazendo exactamente o mesmo.
Enquanto a gestão não apresenta uma solução, o protesto desta quinta-feira deixa uma mensagem clara sobre a dimensão do problema: quando os comerciantes entendem que permanecer dentro de um mercado formal significa perder clientes e que colocar os produtos na rua aumenta as possibilidades de vender, a discussão já não pode limitar-se à disciplina de quem ocupa irregularmente os espaços, devendo também questionar a capacidade de organização, fiscalização e gestão da própria infra-estrutura. O Mercado Central foi criado para trazer ordem ao comércio de Inhambane, mas o desafio que agora se coloca é impedir que a luta diária pela sobrevivência transforme o seu exterior num segundo mercado e empurre para a rua precisamente aqueles vendedores que deveriam encontrar dentro dele melhores condições para trabalhar.
Muitas escolas estiveram a leccionar, nesta quarta-feira, apesar da convocação de manifestações. Os gestores garantem continuar a trabalhar até o fecho do ano lectivo, que será no dia 15 de Novembro, enquanto houver segurança.
Um dos principais sectores que é fortemente afectado, sempre que há manifestação ou paralisação de actividades é o da Educação, que se vê obrigado a alterar o calendário Escolar.
No entanto, nesta quarta-feira (13) o cenário foi diferente. Muitas escolas, primárias e secundárias, estiveram abertas para lecionar, na cidade de Maputo.
A Escola Primária Completa de Polana caniço A, por exemplo, localizada no coração do bairro com mesmo nome, que tem sido um dos principais focos de manifestações violentas, ignorou o receio e recebeu alunos que pretendiam realizar provas finais atrasadas.
“A gente estava aqui às 7 horas, os alunos estavam aqui, quase todos, para fazer as avaliações. Todos os professores estavam aqui, quase todos os professores, só havia três professores que não apareceram, mas porque vivem longe da escola. Os alunos, quase todos eles estavam aqui para fazer as últimas avaliações. Estamos a falar, no ensino secundário, de cerca de 420 alunos, aproximadamente, que estiveram aqui, submetidos às provas”, garantiu Absalao Munguambe, Director Pedagógico da Escola Primária Completa Polana Canico A.
A Direcção da escola reconhece o receio dos professores em ir à escola, face aos últimos acontecimentos, porém garante que não vai fechar as portas do estabelecimento.
“Amanhã estaremos aqui, toda semana estaremos aqui, para acompanhar essa situação. Todos os alunos serão avaliados, não haverá nenhum aluno que não será avaliado. Levando em consideração que o último dia de aula é dia 15, sexta-feira é nosso último dia, e nós estaremos aqui”, referiu o gestor, mas fez questão de recordar que tal só será possível caso haja condições.
“A menos que saibamos que aqui, em Polana Caniço, há uma situação que possa nos levar a não estar aqui. Mas, em condições normais, nós estaremos aqui”.
No ensino secundário também assistiu-se ao mesmo cenário, outra chance de avaliação para os alunos que faltaram na semana passada.
A nossa redacção passou pelas escolas secundárias de Laulane, Força do Povo e Eduardo Mondlane. Em todas elas o cenário era igual: salas ocupadas por alunos que pretendiam fazer as últimas avaliações.
Azarias Mangave é gestor pedagógico da Escola Secundária Eduardo Mondlane. diz que a avaliação decorreu até à última segunda-feira. Grande parte dos alunos foram avaliados.
“Numa disciplina podem ter faltado 50 alunos, num universo de 1.050 alunos. Então, praticamente, tivemos uma adesão total semana passada. Em uma ou outra disciplina, tivemos falta de 50 ou 30 alunos. Então, consideramos isso uma situação normal.”
Maputo e Matola estiveram calmas na manhã de quarta-feira
O que também foi normal, para um dia de paralisação, foi a circulação de pessoas e bens, nas cidades de Maputo e Matola.
Apesar de alguns comerciantes terem preferido manter as portas fechadas, outros tantos saíram à rua, para comprar, vender, sobretudo os do sector informal, um grupo bastante lesado sempre que há paralisações.
Mas houve quem não se alegrava com tanta circulação…
No período da manhã, os manifestantes, no bairro Malhazine, ao longo da avenida Lurdes Mutola, bloquearam a passagem de transporte de passageiros e mandaram descer as pessoas, e explicam a razão.
“Temos que parar um pouco, porque a manifestação é para todos, não é para um grupo pequeno, é para todos nós, moçambicanos. E quando circulam é como se não tivessem nada a ver com o que está acontecendo no país. Como somos todos moçambicanos, temos que nos manifestar de forma pacífica, certo? Mas quando os outros vão trabalhar é como se estivessem se dividindo.”
Questionamos aos manifestantes se é pacificidade obrigar pessoas a desembarcar antes do seu destino. A resposta foi peremptória.
“Quando mandamos eles descerem, eles estão desobedecendo a ordem. Temos que demonstrar. Por exemplo, eu venho do Benfica e quero ir ao Monumento de Malhazine. Vou a pé. Há chapas, mas como estou a manifestar, vou a pé. Eles também podem andar, não tem problema.”
Não há problema para eles, porque a polícia, que esteve no terreno, entendeu que tinha que intervir e evitar que munícipes fossem impedidos de viajar.
Porém, nem todos tiveram a mesma sorte. E só restou isso. carregar a sua trouxa.
Diante da realidade, os transportadores preferem parquear os carros.
“Foram quatro ou cinco pessoas que mandaram descarregar o carro em Malhazine. Preferi não colocar o carro lá, só porque tinha mandado os outros colegas descarregarem. Seria arriscado eu entrar. Assim é difícil para o patrão pagar o salário. O patrão também não paga o salário porque não conseguimos fechar a receita”, desabafou Lucas, motorista de transporte que faz a rota Museu-Malhazine.
O resultado foi a falta de transporte, obrigando os cidadãos a regressarem a casa a pé.
E foi assim com muitos outros munícipes de Maputo e Matola.
O presidente da Associação Sul-africana de Futebol (SAFA), Danny Jordaan, foi detido esta-quarta feira, por alegado desvio de 1,3 milhões de rands dos fundos da agremiação, para fins pessoais.
O considerado chefe do futebol sul-africano é conhecido por ter ajudado a levar para África do Sul, o primeiro campeonato do mundo da FIFA ao continente africano em 2010.
A detenção do presidente da Associação de Futebol da África do Sul resulta de um processo de investigações levadas a cabo pela Unidade Especial de Investigação do país, no escritórios da agremiação, no mês de março.
Com o valor de 1,3 milhões de rands correspondentes a 4,5 milhões de meticais, Jordan teria segundo as autoridades sul-africanas, contratado uma empresa de relações públicas e uma empresa de segurança privada a seu favor.
Esta quarta-feira, o presidente da SAFA, compareceu ao Tribunal de Palm Rigdge, em Joanesburgo, uma instância judicial especializada em crimes comerciais.
Em termos de datas, os crimes de corrupção no seio da agremiação que dirige há mais de 10 anos, contando apartir de 28 de setembro de 2013 quando foi eleito presidente, teriam acontecido entre os anos 2014 e 2018, de acordo com o porta-voz da polícia sul-africana, Katlego Mogale.
O Presidente da República e Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança, Filipe Nyusi, dirigiu, hoje, a Reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Defesa e Segurança. No encontro, o CNDS condenou o envolvimento de crianças nas manifestações, vandalização de bens públicos e privados, e limitação de circulação de pessoas e bens.
No comunicado enviado ao “O País”, Conselho Nacional de Defesa e Segurança diz ter notado com “satisfação a evolução do combate ao terrorismo no Teatro Operacional Norte, facto que contribui para a consolidação da segurança e progressiva retoma da vida das populações.”
Sobre as manifestações, o órgão reconhece o direito consagrado na Constituição da República e nos demais instrumentos legais.
Contudo, “deplora nos termos mais veementes o envolvimento de crianças e a tentativa velada de subversão da ordem democrática legitimamente instituída e de colocar entraves ao funcionamento das instituições, à livre circulação de pessoas e bens, com consequências desastrosas sobre a economia nacional.”
O órgão, lê-se no documento, “endereçou sentidas condolências às famílias que perderam os seus ente queridos, como resultado das manifestações e solidariza-se com os empresários cujos empreendimentos foram vandalizados e/ou saqueados. Neste contexto, as autoridades competentes foram instadas a identificar os responsáveis pelos actos em alusão para a devida responsabilização.”
O CNDS apreciou, ainda, o relatório da Comissão de Inquérito que investigou o acidente de viação que vitimou Bernardo Constantino Lidimba, Director-geral do Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE), ocorrido a 2 de Novembro de 2024, no distrito de Mapai, Província de Gaza e “lamentou a perda de um alto dirigente do Estado cuja vida foi dedicada ao serviço dos interesses supremos do povo moçambicano. Nestes termos, foram apresentadas condolências à família do malogrado e aos colegas da instituição que serviu com muito zelo e dedicação.”
O CNDS saudou, ainda, as Forças de Defesa e Segurança pela postura e sentido de Estado demonstrados durante as manifestações, facto que concorreu para o restabelecimento de segurança e tranquilidade públicas. No entanto, apelou para que as Forças de Defesa e Segurança continuem a privilegiar o diálogo com a população e que a sua actuação priorize a protecção da vida e dos bens dos moçambicanos.
A província da Zambézia, no centro do país, registou onze óbitos por naufrágios nos meses de Setembro e Outubro. Dos casos registados, cinco pessoas perderam a vida na praia de Zalala, sendo que as restantes mortes foram nos distritos de Chinde, Luabo e Pebane.
Os dados foram divulgados numa altura em que Zambézia estava a registar redução de casos de naufrágios. No entanto, com a entrada da época quente e chuvosa, os números tendem a subir e preocupam as autoridades.
No distrito de Luabo, por exemplo, uma jovem de 19 anos foi atacada brutalmente por um crocodilo, no dia passado dia 4 de Novembro.
Já em Pebane e Chinde, foram registados cinco casos de pescadores que morreram por naufrágio.
Uso de colete salva vidas e necessidade de cautela por parte da população sempre que for ao rio para lavar e buscar água são, dentre vários, os apelos que as autoridades têm estado a passar para as comunidades locais.
Na província de Nampula, trabalhadores de algumas empresas estão a responder a processos disciplinares devido à ausência nos respectivos postos de trabalho, alegadamente por temer violência no âmbito das manifestações das últimas semanas.
É uma informação confirmada à Rádio Moçambique pelo secretário provincial interino da Organização dos Trabalhadores OTM-Central Sindical, em Nampula, Rodrigues Júnior, a propósito do anúncio para mais uma onda de manifestações, esta quarta-feira, pelo candidato presidencial, Venâncio Mondlane, supostamente em protesto contra os resultados eleitorais de Outubro passado.
Rodrigues Júnior diz que as manifestações no país são ilegais, daí que a ausência dos trabalhadores nas unidades de produção, está a afectar sobremaneira o ritmo produtivo das empresas e, consequentemente, retrai a economia do país.
Segundo o Secretário provincial interino da Organização dos Trabalhadores OTM-Central Sindical, em Nampula, os trabalhadores alegam que não vão aos postos de trabalho, porque as ruas ficam ameaçadas e ocupadas pelos manifestantes.
Na Cidade da Beira, o ambiente foi calmo e a vida está a decorrer dentro de um ambiente calmo. Contudo, o movimento de camiões que saiam e entravam no porto da Beira foi quase nulo.
O primeiro dos três dias de manifestações pós-eleitorais, convocadas por Venâncio Mondlane, candidato presidencial do PODEMOS, foi caracterizado pela tranquilidade, na cidade da Beira.
Pessoas circularam normalmente, sem registo de qualquer que fosse o incidente. Um número muito reduzido de comerciantes não abriu os seus estabelecimentos por temer que fossem vandalizados.
“A nossa cidade está calma. Não temos razões de queixa. A nossa cidade está sem turbulência e problemas”, descreveu Inácio Mostiço, munícipe beirense.
Uma opinião compartilhada por Elias Paulino, automobilista, que considerou o ambiente calmo e favorável para o trabalho.
Disse ainda, quando abordado pelo “O País”, que não temia que a sua viatura fosse vandalizada porque “este é o meu trabalho e não tenho como ficar em casa.”
O movimento de camiões que saíam e entravam no Porto da Beira foi quase nulo. Aliás, em dias normais, há registo de uma fila de camiões numa das vias que dá acesso ao Porto da Beira.
Dado o ambiente normal que se vive na cidade da Beira, a polícia não teve a necessidade de se fazer à rua para garantir a ordem e segurança públicas.
“É uma situação muito diferente da habitual. Em condições normais, estaríamos aqui a assistir a um certo congestionamento na entrada do Porto da Beira. Refiro-me a EN6. Estamos a trabalhar, praticamente, a meio gás”, disse Elcídio Madeira, Secretário Executivo da Associação dos Transportes Rodoviários.
Contudo, um camião foi incendiado e outro vandalizado no para-brisa, em Tete, por indivíduos até agora desconhecidos. A Associação dos Transportes Rodoviários acredita não que não sejam manifestantes a protagonizar este acto, mas sim um grupo de malfeitores que se pretendia aproveitar da situação para roubar.
Manifestantes formaram uma barreira humana para impedir o trânsito de veículos na Fronteira de Ressano Garcia. Vários camiões, que tentam fazer o sentido Moçambique-África do Sul estão estacionados ao longo da EN4.
Logo nas primeiras horas, a via foi bloqueada por dois camiões, pois os manifestantes retiraram as chaves aos motoristas, porque não queriam que nenhum carro entrasse ou saísse. Depois que a via foi desbloqueada os manifestantes fizeram uma barreira humana, para impedir o trânsito de veículos.
Os manifestantes dizem que a fronteira deve-se manter encerrada, pois eles estão a manifestar e nenhum carro deve passar. No local, é notável a presença de agentes das Forças de Defesa e Segurança.
A terceira Secção criminal do Tribunal Judicial do Distrito Municipal de Kamubukwana na cidade de Maputo, condenou o cidadão Enoque André Mondlane a uma pena efectiva de quatro anos de prisão e pagamento de uma multa correspondente a dezasseis meses, a uma taxa de 5% do salário mínimo.
A informação foi publicada na página oficial do Hospital Central de Maputo (HCM), dando conta que o arguido vai ser condenado a pagar as custas judiciais e uma indemnização fixada em duzentos mil meticais, a favor da vítima de nome Chabane Branquinho Rafael, pelo agravamento do seu estado de saúde.
O Tribunal acusou Enoque André Mondlane pelo tipo legal de crime de exercício ilícito de funções públicas, corrupção passiva, uso de nomes falsos e falsificação de documentos, todos previstos no código penal.
O indivíduo em causa foi neutralizado no dia nove de Abril do corrente ano, nas Urgências de Adultos (SUR) (Banco de Socorros) do Hospital Central de Maputo – HCM, quando se pretendia fazer passar por Médico.
“As falhas de comunicação, movimentação estranha e deficiente articulação com a equipa de saúde local levantaram fortes suspeitas por parte de outros funcionários”, segundo a informação avançada pelo HCM, através das suas redes sociais, que imediatamente averiguaram a real identidade do indivíduo, o que culminou com a detenção do indivíduo, pela força policial anexa ao hospital.
Quando neutralizado, o falso médico encontrava-se uniformizado e trazia consigo carimbo, livro de receitas e um estetoscópio, instrumento utilizado por alguns profissionais de saúde.
Na ocasião, fazia-se acompanhar por uma das suas vítimas, que segundo se apurou, prometeu-lhe uma consulta de urologia, após o atender numa unidade sanitária da periferia, onde de forma insistente vinha operando.
Perante as autoridades, disse ser um sonho de infância exercer a profissão médica e que todos os equipamentos que trazia foram produzidos no mercado local.
O líder espiritual da Comunhão Anglicana global e chefe da Igreja da Inglaterra, Justin Welby, renunciou, esta terça-feira, ao cargo. A renúncia deve-se ao facto do líder ter omitido abusos físicos, sexuais e espirituais, em série, cometidos por um líder voluntário, segundo revelou uma investigação.
A decisão foi tomada após mais de 3.600 pessoas assinarem uma petição electrónica, coordenada por membros da assembleia da comunhão maioritária no Reino Unido, pedindo a demissão imediata de Justin Welby, por alegada falta de accão, após descoberta de crimes cometidos ao longo de décadas pelo falecido advogado canadiano John Smyth.
“Acredito que me afastar é do melhor interesse da Igreja da Inglaterra, que eu amo profundamente e que tive a honra de servir”, disse o arcebispo de Canterbury em uma declaração nesta terça-feira.
O clamor mais forte veio das vítimas de John Smyth, um advogado famoso que usou uma bengala para espancar adolescentes e jovens em acampamentos de verão cristãos, na Grã-Bretanha, Zimbábue e África do Sul, ao longo de cinco décadas.
O relatório divulgado mostra que Smyth usou uma bengala para punir os campistas por pecados que incluíam orgulho, fazer comentários sexuais, masturbação ou, em um casos, olhar para uma menina por muito tempo.
As vítimas e Smyth estavam pelo menos parcialmente, se não completamente, nuas, durante as torturas.
As torturas consistiam em espancamentos de 100 pancadas por masturbação, 400 por orgulho e um de 800 pancadas por algum outro pecado não revelado, ilustra o relatório. O relatório de 251 páginas conclui que Welby não denunciou Smyth às autoridades, quando foi informado dos abusos, em Agosto de 2013, logo após ele se tornar arcebispo de Canterbury.
Refira-se que a Igreja Anglicana tem mais de 85 milhões de membros em 165 países.