Skip to main content

O País – A verdade como notícia


ÚLTIMAS

Destaques

NOTÍCIAS

O partido PODEMOS pretende reforçar a sua implantação em todo o território nacional até 2027, com a criação e consolidação de estruturas em todos os distritos, postos administrativos e bairros do País. O objectivo foi reiterado durante uma sessão do Conselho Político, considerada pela direcção como decisiva para a definição das prioridades do partido para os próximos seis meses.

Na abertura dos trabalhos, a liderança do PODEMOS defendeu que o fortalecimento da organização interna constitui um requisito essencial para que o partido possa responder às expectativas dos moçambicanos e concretizar os objectivos políticos a que se propõe.

Segundo o dirigente, a sessão irá aprovar o plano de actividades para o segundo semestre do ano, definindo as linhas de actuação dos órgãos centrais, provinciais e distritais, bem como os mecanismos de coordenação e monitoria das acções do partido.

A direcção explicou que a planificação semestral permite avaliar a execução das actividades, corrigir eventuais falhas e ajustar as estratégias em função dos resultados alcançados. Neste contexto, considerou positiva a avaliação do plano anterior e defendeu a necessidade de aprofundar o processo de capacitação das estruturas distritais para assegurar uma maior presença do partido junto das comunidades.

O PODEMOS reafirmou igualmente a intenção de consolidar a sua organização de base, sustentando que a implementação das orientações políticas depende da existência de estruturas activas em todos os níveis da administração territorial.

Durante a intervenção, a liderança saudou o desempenho da bancada parlamentar, destacando o trabalho de fiscalização desenvolvido na Assembleia da República, e enalteceu igualmente o papel das estruturas distritais na interpretação e resposta aos desafios políticos.

Reconhecendo tratar-se de um partido ainda jovem, a direcção admitiu a existência de dificuldades próprias do processo de crescimento, mas defendeu que os desafios enfrentados devem servir de aprendizagem e contribuir para o amadurecimento da organização.

A liderança manifestou confiança de que o PODEMOS continuará a consolidar-se como uma das principais forças políticas do País, apelando aos membros para manterem o espírito de unidade, reforçarem os mecanismos internos de trabalho e prosseguirem o processo de implantação das estruturas em todo o território nacional.

Vídeos

NOTÍCIAS

Um grupo de enfermeiros do Hospital Central de Maputo (HCM) paralisou as suas actividades em reivindicação do pagamento do décimo terceiro salário. Os grevistas dizem que só vão retomar as actividades quando receberem o que lhes é devido.

“Devíamos estar a trabalhar, mas não podemos ficar de fora do que está a acontecer com os funcionários públicos. Nós também fazemos parte da função pública. Então, é o nosso dever e direito acompanhá-los”, disse Calminosa, uma das enfermeiras, acrescentando que apenas os chefes dos sectores e alguns médicos é que estão a trabalhar.

A fonte diz ainda que estão a decorrer negociações com o director do hospital e se aguarda resposta para decidir sobre os próximos passos.

“Neste momento, em todas as unidades sanitárias, não estão a trabalhar, mas o hospital central está, pelo menos, ainda a receber os doentes. Não trancámos as portas. Os primeiros cuidados, nós vamos ter, só não vamos ter os cuidados integrais para todos”, acrescentou a enfermeira.

Rui Muniz, também grevista, explicou que a sua reivindicação se deve ao facto de o décimo terceiro ser um direito e não ter sido dado um aviso prévio sobre o não pagamento.

“Nós fizemos dívidas à espera do dinheiro do décimo terceiro”, acrescentou.

O Benfica recebe o Barcelona nesta terça-feira, às 22h00 de Maputo, na 7.ª jornada da fase de liga da Champions League. É o regresso da liga milionária ao Estádio da Luz e a 4.ª competição que os encarnados disputam no presente mês de Janeiro, após a conquista da Taça da Liga, diante do Sporting, a passagem aos quartos de final da Taça de Portugal com a vitória (1-3) no terreno do Farense, e, na sexta-feira, 17 de Janeiro, o derradeiro compromisso para a Liga Betclic, diante do  Famalicão (4-0), referente à 18.ª jornada da prova. Segue-se a Champions!

E este é mais um embate entre antigos campeões europeus. Desta feita, o Benfica, com 10 pontos e um saldo de 10-7 entre golos marcados e sofridos, defronta um Barcelona que conta no seu pecúlio com 15 pontos e um balanço de 21 golos obtidos e 7 encaixados, factos que colocam os dois emblemas na 15.ª e 2.ª posições, respectivamente, na fase de liga da prova.

As “águias” encontram-se em zona de acesso à fase de play-off, enquanto equipa cabeça-de-série, já os blaugrana figuram entre os que seguem directamente para os oitavos-de-final da competição, pelo que um triunfo pode ser decisivo para os objectivos imediatos de cada uma das formações face à posição que ocupam.

Até ao momento, o Benfica conquistou quatro pontos em casa, resultantes da vitória diante do Atlético de Madrid (4-0) e um empate com o Bolonha (0-0), e averbou seis fora de portas, nos triunfos frente a Estrela Vermelha (1-2) e Mónaco (2-3).

Já o Barcelona começou a sua caminha na renovada Liga dos Campeões com uma derrota no terreno do Mónaco (2-1), vencendo consecutivamente os adversários que encontrou pela frente: Young Boys (5-0), Bayern Munique (4-1), Estrela Vermelha (2-5), Brest (3-0) e Borússia Dortmund (2-3).

Será o 10.º embate entre as duas equipas, e o histórico é ligeiramente favorável à formação espanhola. O Benfica venceu dois jogos e empatou quatro, duelos nos quais apontou 7 golos e sofreu 8. Porém, diga-se que, nos últimos três desafios realizados, o Benfica não sofreu golos, empatou dois e venceu um (3-0), concretamente a 29 de Setembro de 2021, no Estádio da Luz, na fase de grupos da Liga dos Campeões 2021/22.

Para esta terça-feira, estão ainda reservados os embates Atalanta vs Sturm Graz, Monaco vs Aston Villa, S. Bratislava vs Stuttgart, Club Brugge vs Juventus, Atletico vs Leverkusen, Liverpool vs Lille, Bologna vs B. Dortmund e Crvena Zvezda vs PSV Eindhoven.

O Ferroviário de Maputo já trabalha para a temporada futebolística 2025, numa primeira fase em que a equipa técnica liderada por Carlos Manuel tem a concentração virada para a readaptação de esforços.

Sexta-feira passada foi o primeiro dia de trabalhos, no campo da Liga Desportiva de Maputo, na Matola Hanyane, local onde foram realizados treinos bidiários até esta segunda-feira.

Os “locomotivas” cumpriram, na primeira semana de treinos, unidades de treino até ontem, segunda-feira, sendo que o dia de hoje, terça-feira, está reservado para o descanso, mas também para a viagem para um curto estágio em Xai-xai, capital provincial de Gaza, onde vão continuar com o processo de preparação.

Os trabalhos dos vencedores da Taça de Moçambique, neste ponto do país, serão efectuados no campo do Ferroviário de Gaza e Municipal Marien Ngouabi durante dez dias, antes do retorno à capital do país, para a terceira fase, antes do arranque do Campeonato Provincial, ao nível da Cidade de Maputo.

Para esta fase inicial, Caló e seus adjuntos trabalham na readaptação de esforços, tendo em conta que os jogadores vêm de um defeso, para depois iniciar os trabalhos com bola, nomeadamente nos aspectos técnicos-tácticos.

Recorde-se que, para a presente época, os “locomotivas” da capital já asseguraram as contratações de Elias Macamo, segundo maior marcador do Moçambola do ano passado, vindo do Desportivo de Nacala, e Telinho, que representou o homónimo de Nampula.

Em sentido contrário, estão confirmadas as saídas de António Sumbana, para a Black Bulls, e Maxweel Boakye, para o AS Douanes, do Burkina Faso.

Esta segunda-feira foi a vez do Ferroviário da Beira de abrir as oficinas, sendo que esta terça-feira está reservada para o Costa do Sol começar a trabalhar.

O internacional moçambicano, Edmilson Dove, já retomou os trabalhos no Kaizer Chiefs após ter ficado muito tempo lesionado. O defesa moçambicano, que contraiu a lesão no início da pré-época, no ano passado, vai tentar lutar por um lugar na equipa, assim como na selecção nacional.

A recuperação de Edmilson Dove foi confirmada pelo próprio jogador, que tem usado as suas redes sociais para dar a conhecer aos que acompanham a sua carreira os passos que dá na recuperação da lesão.

É uma lesão contraída aquando da pré-época do Kaiser Chiefs, efectuada na Turquia, com o moçambicano a sofrer uma entorse no tornozelo, que o levou a regressar à África do Sul para tratamento e início processo de recuperação.

Vale dizer que o internacional moçambicano perdeu toda a primeira volta da liga sul-africana, a Premier Soccer League, devendo procurar, agora, uma recuperação física para poder lutar pelo lugar no onze dos Amakhosi, nesta segunda volta.

Por conta das constantes lesões, o emblema sul-africano chegou a equacionar a possibilidade de rescindir o contrato com o jogador. Sucede que, à última hora, os Amakhosi desistiram da ideia.

Com a actual temporada a aproximar-se da metade, o Kaizer Chiefs terá tomado uma decisão importante sobre o futuro do internacional moçambicano Edmilson Dove, que podia assinalar o fim da sua passagem pelo clube.

O facto é que, sem Edmilson Dove disponível, os Amakhosi mudaram o foco para outras opções no lado esquerdo da defesa, incluindo Bradley Cross e Thatayaone Ditlhokwe. Segundo fontes internas, o contrato de Dove, que vai até Junho de 2025, provavelmente não será renovado.

Fontes do clube, citadas pelo The South African, sugerem que o Kaizer Chiefs já está a planear uma vida sem Dove. A luta agora é a contratação de Fawaaz Basadien, lateral-esquerdo do Stellenbosch FC, para a posição do moçambicano.

“Em algum momento, havia esperança de que as coisas pudessem dar certo para ele, mas, neste momento, o seu futuro no Chiefs chegará ao fim no final da temporada, quando o seu contrato expirar”, disse uma fonte citada pelo The South African.

A fonte revelou que o Chiefs comunicou a sua decisão a Edmilson Dove, que ainda está em fase de recuperação da lesão.

Iniciada a carreira em Tavene, Xai-xai, e depois transferido para o Ferroviário de Maputo, em 2013, o jogador de 30 anos de idade jogou nos “locomotivas” da capital do país até 2016, transferindo depois para o Cape Town City até 2021.

Após perder lugar nos sul-africanos, Dove regressou ao país para relançar a sua carreira na União Desportiva de Songo, onde disputou apenas seis jogos, suficientes para agradarem ao Kaiser Chiefs, que chamou o jogador na temporada 2022/23.

Dove ainda teve passagem curta pelo Chicken Inn do Zimbabwe, no ano passado, por empréstimo do Kaiser Chiefs, sem conseguir singrar, regressando aos sul-africanos para a pré-época, onde se lesionou.

 

A Associação Black Bulls encerrou, no domingo, a sua participação na Taça CAF com uma derrota, em Alexandria, diante do Al Masry do Egipto. Em seis jogos, o representante moçambicano somou uma vitória, um empate, quatro derrotas e foi a equipa que mais golos sofreu no Grupo D: 13. É uma experiência que serve para preparar a próxima participação, na edição 2025/26.

Um fim inglório de uma participação que esteve perto de ser perfeita, não fosse a derrota na última jornada, num jogo em que dependia de si para se qualificar para os quartos-de-final da Taça CAF, também conhecida como Taça Nelson Mandela.

A Black Bulls esteve perto de fazer história na sua primeira aventura na fase de grupos, ainda que tenha sido a segunda viagem africana na sua bagagem. É que, à entrada para a última jornada, os “touros” ainda estavam na luta pela qualificação, tal como outras duas equipas, o Al Masry do Egipto, seu adversário, e o Enyimba da Nigéria, que jogava também no Egipto, com o já apurado Zamalek.

Uma vitória do campeão nacional e um empate ou derrota do Enyimba colocavam a equipa moçambicana na fase do “mata-mata”, mas debalde. Três golos de Ben Youssef na primeira parte (22, 42 e 45 minutos) ditaram um resultado que não tinha nada de proveito, ainda que Rume tenha reduzido aos 57 minutos.

Vale dizer que o Zamalek ainda tentou ajudar, vencendo o Enyimba da Nigéria, mas em nada a valer para as contas da Black Bulls, que termina a fase de grupos na última posição, com quatro pontos, a um ponto do Enyimba da Nigéria, que terminou na terceira posição.

As duas equipas do Egipto (Zamalek, líder com 14 pontos e invicto, e Al Masry, segundo com nove pontos) garantiram presença nos quartos-de-final da prova.

Participação quase perfeita, mas inglória

Foi a segunda aventura da Associação Black Bulls nas competições africanas num intervalo de dois anos. Se na primeira terminou na primeira eliminatória, nesta o representante moçambicano pelo menos conseguiu chegar à fase de grupos da prova, em que conseguiu amealhar uma vitória e um empate.  

Porém a participação dos “touros” na prova não foi de todo positiva, tendo em conta que a equipa liderada por Hélder Duarte não conseguiu garantir o apuramento para os quartos-de-final. 

As quatro derrotas sofridas, duas diante do Zamalek, uma diante do Al Masry, ambas equipas do Egipto, e mais uma diante do Enyimba da Nigéria, condicionaram a presença do clube moçambicano noutra fase da competição.

A Black Bulls foi a equipa que mais golos sofreu no Grupo D, com um total 13, contra sete marcados. Só nos últimos três jogos os “touros” sofreram 10 golos e marcaram três.

Foram marcadores dos sete golos da Black Bulls: Ejaita (nas derrotas diante do Enyimba e Zamalek), Rume (um na vitória sobre o Enyimba e outro na derrota diante do Al Masry), Nené (no empate diante do Al Masry), Fidel, Ayuba (ambos na vitória sobre o Enyimba).

Vale dizer que os “touros” marcaram em cinco dos seis jogos disputados, falhando apenas no jogo inaugural, diante do Zamalek, em que perderam por duas bolas sem resposta.

Durante a participação na prova, a Black Bulls foi obrigada a realizar um dos três jogos caseiros fora de casa, ainda que na condição de anfitriã, devido à interdição do Estádio Nacional do Zimpeto.

Recorde-se que os “touros” voltarão a representar o país nas competições africanas, desta feita na Liga do Campeões, a partir de Agosto de 2025, para a edição 2025/26.

A experiência desta edição vai colocar alguns desafios aos “touros”, mas também as equipas moçambicanas nas afrotaças, agora também o Ferroviário de Maputo, na Taça CAF, entre eles a gestão do plantel, tendo em conta as épocas diferentes, do Moçambola e da CAF, e a questão do campo em condições para jogos internacionais.

Stellenbosch e Simba salvam região austral

Na Taça CAF, duas equipas salvaram a honra da região, nomeadamente o Stellenbosch da África do Sul e o Simba da Tanzânia.

Os tanzanianos lideraram o grupo A da fase de grupos com 13 pontos, somados graças a quatro vitórias, um empate e uma derrota, tendo marcado oito golos e sofrido quatro.

A antiga equipa de Luís Miquissone continua a mostrar-se grande ao nível do continente, chegando a várias fases do “mata-mata” ao longo dos últimos anos.

CS Constantine da Argélia terminou na segunda posição do grupo A, com 12 pontos, relegando o Bravos de Maquis de Angola, equipa treinada pelo moçambicano Almiro Lobo, na terceira posição com sete pontos.

Já o Stellenbosch da África do Sul terminou em segundo lugar no grupo B, com nove pontos, fruto de três vitórias e igual número de derrotas, tendo marcado seis golos e sofrido 10.

Os sul-africanos ficaram atrás do RS Berkane do Marrocos, líder com 16 pontos, a maior pontuação da fase de grupos.

Pelo grupo C, qualificaram-se o USM Argel da Argélia, líder com 14 pontos, e o ASEC Mimosas da Costa do Marfim, em segundo com oito pontos, ainda que os mesmos do ASC Diaraf do Senegal, mas vantagem no confronto directo.

Já no grupo D, em que estava inserida a Black Bulls, Zamalek e Al Masry, ambos do Egipto, foram as equipas qualificadas.

Vale dizer que vão ao sorteio dos quartos-de-final da Taça CAF, duas equipas do Egipto (Zamalek e Al Masry), duas da Argélia (USM Argel e CS Constantine), uma do Marrocos (RS Berkane), uma da Costa do Marfim (ASEC Mimosas), uma da Tanzânia (Simba SC) e outra da África do Sul (Stellembosch).

 

PRESTAÇÃO DA BLACK BULLS NA TAÇA CAF

RESULTADOS 

Zamalek 2-0 Black Bulls

Black Bulls 1-1 Al Masry

Black Bulls 3-0 Enyimba

Enyimba 4-1 Black Bulls

Black Bulls 1-3 Zamalek

Al Masry 3-1 Black Bulls

 

CLASSIFICAÇÃO

EQUIPA J P

Zamalek Egipto 6 14

Al Masry Egipto 6 9

Enyimba Nigéria 6 5

BLACK BULLS 6 4

O Papa Francisco diz ter esperanca que o novo Presidente norte-americano, Donald Trump, contribua para uma sociedade sem ódio, discriminação ou exclusão.

“Inspirado pelos ideais da nação, uma terra de oportunidades e de acolhimento para todos, espero que, sob a sua liderança, o povo norte-americano prospere e se empenhe na construção de uma sociedade mais justa, na qual não haja lugar para o ódio, a discriminação ou a exclusão”, escreveu Francisco numa mensagem divulgada a poucas horas da posse de Trump.

A mensagem do chefe da Igreja Católica dirigida a Trump foi divulgada pelo Vaticano, segundo a agência francesa AFP.

No domingo, numa crítica velada, o Papa disse que seria lamentável se Trump prosseguisse com o plano de deportação em larga escala de imigrantes sem documentos.

Trump, que inicia hoje um segundo mandato depois de ter sido Presidente entre 2017 e 2021, comprometeu-se a adoptar uma posição intransigente em relação aos cerca de 11 milhões de imigrantes sem documentos nos Estados Unidos.

Prometeu levar a cabo “a maior operação de deportação da história americana”, embora qualquer programa de deportação tenha de enfrentar possíveis desafios legais e a recusa potencial de alguns países em aceitar os deportados.

Francisco, que recebeu Trump no Vaticano em 2017 para um encontro de meia hora, já o tinha criticado pelas posições contra os migrantes e por querer construir um muro na fronteira com o México.

Um grupo de homens munidos de catana está a bloquear a Estrada Nacional Número Um (EN1), no troço Ligonha a Alto-Molocué, na província de Zambézia. Os automobilistas são obrigados a pagar para poderem passar pelo local.

Até quinta-feira, em 50 km de estrada, havia três barricadas. Automobilistas partilharam com “O País”, os momentos de terror que viveram.   Vídeos publicados nas redes sociais ilustram um dos pontos da EN1, com barricadas, especificamente, no troço Ligonha a Alto-Molocué. Nas mesmas imagens são visíveis homens com catanas nas mãos, enquanto exigiam valores monetários, para permitir que a viagem continue. 

“Quando a gente sai de Alto-Molocué, logo antes da subida da cerimónia, encontramos barricadas. Então, descemos todos, porque era uma bicha de camiões, descemos e removemos as barricadas. O segundo sítio, foi em Alto Ligonha, em Alto Ligonha, estavam jovens que arremessaram pedras contra o camião. Os polícias estavam a nossa trás, então eu buzinei e os polícias chegaram alí e dispararam”, contou um condutor. 

E só com os disparos da polícia é que se conseguiu conter os jovens que arremessavam pedras. O condutor conta ainda que depois do episódio, a polícia propôs que o camião seguisse a viatura da PRM, por questões de segurança. 

“Encontramos mais barricadas, mas no primeiro sítio em que encontramos barricadas, tinha um camião queimado (…) é assustador, eu agora carreguei, mas não posso sair porque o caminho está mal”. 

A polícia na Zambézia confirma a ocorrência de casos e assegura que está a trabalhar no terreno, para repor a transitabilidade. “Após a tomada de conhecimento, por parte da Polícia da República de Moçambique, tomamos medidas profiláticas, no sentido de repelir aqueles comportamentos. Agora que me refiro, há em toda a Estrada Nacional Número Um e outras subjacentes à livre circulação de pessoas e bens (…) a polícia está a intensificar medidas para a ressarcir todo o comportamento que tende a perturbar a ordem pública”, avançou Miguel Caetano do Comando Provincial da Zambézia.

Já em Nampula, a Associação dos Transportadores manifesta preocupação à volta do assunto. Além de cobrar valores monetários, os manifestantes exigem bens, aterrorizando deste modo os que usam aquela a única via por terra que liga o país. 

O fotógrafo Mário Macilau será um dos participantes da aclamada exposição colectiva “Of Africa”, que será inaugurada na C/O Berlin, no próximo dia 01 de Fevereiro. 

A exposição, que ficará aberta até 7 de Maio deste ano, segundo uma nota de imprensa, reúne uma selecção de fotógrafos e cineastas contemporâneos e oferece uma visão profunda e multifacetada da África, desafiando as representações estereotipadas e destacando as diversas realidades e os potenciais do continente no contexto global.

Com seu trabalho profundamente sensível e crítico, Macilau se junta a um grupo de artistas

internacionais cujas obras abrem novas perspectivas sobre a África, explorando questões de identidade, memória, tradição e transformação. A exposição está estruturada em três secções temáticas: “Identidade e Tradição”, “Contrahistórias” e “Futuros Imaginados”, permitindo uma imersão no passado, presente e futuro especulativo do continente.

A participação de Mário Macilau, na exposição, não só reforça sua trajectória como um dos principais nomes da fotografia contemporânea africana, mas também amplia a compreensão sobre a complexidade da África, longe das narrativas simplistas e coloniais. 

As suas obras, que revelam histórias de vidas, paisagens e mudanças sociais, convidam o espectador a um olhar mais atento e empático sobre o continente.

Segundo o artista, “Participar nesta exposição colectiva vai além de simplesmente mostrar o

meu trabalho; é um gesto de ampliação do diálogo. Cada obra se insere numa conversa mais ampla, onde diferentes perspectivas se entrelaçam, criando uma rede de significados que se reforçam mutuamente. Nesse espaço, a arte torna-se um veículo de troca, não apenas de ideias, mas também de experiências e reflexões que transcendem o individual e abrem caminho para o colectivo”.

“Esta participação também é um acto de resistência”, continua Macilau. “Ao dar visibilidade a histórias marginalizadas, oferecemos uma plataforma para narrativas frequentemente silenciadas, revelando as realidades daqueles que foram esquecidos pela história. Representar os sem voz é um compromisso ético e político, um esforço para reescrever as histórias que a sociedade escolheu ignorar”.

O artista ainda destaca que “Tenho a honra de expor ao lado de artistas que considero irmãos, amigos e colegas, com os quais compartilho não apenas o ofício da arte, mas também a missão de afirmar em Berlim que a arte tem o poder transformador de iluminar aqueles que costumam viver à sombra. A arte, neste momento, se torna uma força colectiva de mudança, capaz de amplificar as vozes invisíveis e redefinir as narrativas sociais e culturais de maneira profunda e impactante”.

O trabalho de Mário Macilau se caracteriza por sua intensidade emocional e por uma profunda conexão com as questões sociais e culturais que moldam a realidade moçambicana e africana. As suas imagens evocam um sentido de urgência e contemplação, transformando o cotidiano em algo monumental e, ao mesmo tempo, íntimo. 

Com uma abordagem única, Macilau utiliza a fotografia não apenas como um meio de documentar, mas como uma ferramenta para promover a reflexão sobre identidade, memória e transformação social. A sua arte vai além da superfície, tocando as camadas mais profundas da experiência humana, enquanto desmantela os estigmas e desafios frequentemente impostos à África.

Ainda segundo a nota de imprensa, a exposição “Of Africa” oferece uma oportunidade única de reimaginar o continente africano e as suas múltiplas histórias. Com a participação de artistas renomados como Kelani Abass, Atong Atem, Malala Andrialavidrazana, Edson Chagas, Kudzanai Chiurai, Hassan Hajjaj, Aïda Muluneh, entre outros, a mostra explora como a arte africana contemporânea pode redefinir as narrativas globais, quebrando estereótipos e destacando o dinamismo e a diversidade das realidades africanas.

A exposição ficará em cartaz num dos mais prestigiados espaços dedicados à fotografia e à arte contemporânea na Europa.

SOBRE MÁRIO MACILAU

Mário Macilau é um dos fotógrafos mais proeminentes de Moçambique, reconhecido por sua sensibilidade única e abordagem crítica às questões sociais e culturais de seu país e do

continente africano. A sua fotografia, muitas vezes poética e imersiva, vai além da simples

documentação, criando uma narrativa visual que desafia o espectador a repensar as histórias e representações convencionais da África. Com obras que têm sido exibidas

internacionalmente, Macilau é uma voz vital na arte contemporânea africana, explorando a

complexidade da identidade e da transformação social no contexto africano.

O distrito de Katembe, na Cidade de Maputo, tem uma nova forma de transporte: o mototáxi. Vários jovens fogem do desemprego e tentam colmatar a falta de transporte que há quando chega a noite.

É o momento de desembaralhar a vida dos passageiros. De dia, os autocarros e os semi-colectivos são a solução de mobilidade. Mas termina aí, de dia. Não vai para além disso.

“O negócio está a crescer sim. Há clientes, não a toda hora, mas há, principalmente de noite”, disse Boaventura Alberto, Mototaxista.  

É um daqueles negócios que cresce mais, respondendo a uma cada vez maior oferta do que necessariamente procura. É um refúgio ao desemprego. Boaventura Alberto, por exemplo, juntou-se, há um ano, a esta praça. Na altura, havia dez motorizadas, agora ultrapassam trinta, só neste ponto. 

“Perdi o emprego. Tinha um amigo chamado Takeaway que sempre fazia esse trabalho de Moto-Táxi, então, eu negociei com ele e ele meteu-me nesta vida de moto-táxi”, conta Boaventura. 

E desde então, tem sido essa a fonte de renda para si e sua família, que está em Namacurra, na Zambézia, de onde é natural. A única de que sente falta é a regulação. 

“Há muitos casos de acidente, porque muitos ainda não aprenderam, mas querem fazer moto-táxi”.  

Ainda em Chamissava, há mais uma praça. Também esta é o reflexo de dois problemas: desemprego e falta de transporte à noite. 

“Não tenho como (…) aquele pouco que apanho consigo sustentar a minha família”, contou Miro Armindo, também mototaxista. 

Mas também reclama de dias maus, em que apenas consegue cem meticais para abastecer a sua Moto. “Já tenho que lutar com aquele cem meticais, e tenho que pagar receita de motorizada, que são 300 meticais”

E pior, há uns que saem sempre e há outros cujas motos não se deslocam.

“O que complica aqui é que os clientes querem ser conduzidos pelos motoristas que conhecessem”, reclamou Miro Armindo. 

Outra complicação são as vias de acesso, que devido às chuvas está cheia de água. 

Hélio também Mototaxista levou-nos a uma viagem na história do mototaxismo na Katembe. Conta que é uma iniciativa que surgiu como forma de ajudar a população local a deslocar-se, durante a noite. 

“É uma iniciativa de alguns jovens locais, de levar as suas próprias motorizadas para trabalhar e ajudar essa população a nível local. Surgiu no âmbito de ajudar a população na calada da noite, que não conseguia chegar até o seu destino”.  

E muitos aderiram à iniciativa. Ah! A praça da rotunda é mãe de todas as outras.

+ LIDAS

Siga nos

Galeria