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Adélia Macucule defende soluções adaptadas às mudanças climáticas para reforçar a produção de alimentos e desafia jovens a transformarem a agricultura numa fonte sustentável de rendimento.

A Primeira Secretária do Comité Provincial da Frelimo em Inhambane, Adélia Macucule, defendeu esta quarta-feira, no distrito de Funhalouro, uma mudança de paradigma na produção agrícola, sustentando que o combate à insegurança alimentar passa pela adopção de soluções inteligentes, resilientes e ajustadas às novas condições climáticas que afectam a província.

A dirigente falava durante o encontro que marcou o arranque da sua visita de trabalho ao distrito, uma das zonas mais vulneráveis aos efeitos das secas cíclicas e da irregularidade das chuvas, fenómenos que, nos últimos anos, têm condicionado a produção agrícola e agravado a vulnerabilidade de milhares de famílias.

Perante dirigentes locais do partido e membros do Governo distrital, Adélia Macucule defendeu que a agricultura em Funhalouro deve evoluir para um modelo mais adaptado às características agroecológicas do território, privilegiando culturas compatíveis com o tipo de solo, a disponibilidade de água e o comportamento climático da região.

Na sua intervenção, considerou que a produção de alimentos deve deixar de depender exclusivamente dos modelos tradicionais de cultivo e passar a incorporar práticas agrícolas mais resilientes, capazes de garantir colheitas mesmo em períodos marcados pela escassez de precipitação.

Para a dirigente, a resposta aos desafios impostos pelas mudanças climáticas exige inovação, capacidade de adaptação e um maior aproveitamento das potencialidades locais, transformando a agricultura numa actividade economicamente sustentável e suficientemente robusta para assegurar o sustento das famílias.

Um dos eixos centrais da mensagem de Adélia Macucule foi dirigido à juventude. A Primeira Secretária apelou aos jovens para que encarem a agricultura como uma oportunidade de criação de emprego e geração de rendimento, defendendo o aproveitamento sustentável dos recursos naturais disponíveis no distrito.

Segundo afirmou, o auto-emprego continua a representar uma das respostas mais eficazes para reduzir o desemprego juvenil, sobretudo em distritos predominantemente rurais como Funhalouro, onde a terra permanece como um dos principais activos económicos.

A dirigente incentivou igualmente os jovens a desenvolverem iniciativas inovadoras ligadas ao sector agrário, apostando na diversificação da produção, na adopção de tecnologias apropriadas e na valorização das cadeias de valor agrícolas, como forma de aumentar o rendimento das famílias e dinamizar a economia local.

A visita de trabalho enquadra-se na estratégia da Frelimo de reforçar o acompanhamento político e social das comunidades, através do contacto directo com a população e as estruturas locais do partido.

Durante a sua permanência em Funhalouro, Adélia Macucule deverá manter encontros de auscultação com diferentes grupos sociais, líderes comunitários e outras personalidades influentes do distrito, com o objectivo de recolher preocupações, identificar os principais desafios enfrentados pelas comunidades e acompanhar a implementação das políticas públicas ao nível local.

Espera-se que os encontros permitam recolher contribuições para o reforço das estratégias de desenvolvimento do distrito, com particular incidência sobre a produção agrícola, a segurança alimentar, a criação de oportunidades para a juventude e a adaptação das comunidades aos efeitos cada vez mais severos das mudanças climáticas.

A aposta numa agricultura resiliente surge numa altura em que Funhalouro continua a enfrentar desafios estruturais relacionados com a variabilidade climática, tornando cada vez mais necessária a adopção de práticas agrícolas capazes de garantir produção sustentável e maior resistência aos períodos de seca que afectam regularmente aquela região do interior da província de Inhambane.

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Situada em 435,6 mil milhões de Meticais, um aumento de 20,1 mil milhões face a Dezembro do ano passado, O Banco de Moçambique alerta que a dívida pública está, neste momento, num nível muito elevado e precisa de ser controlada, sob risco de se agravar e atingir uma fasquia insustentável. Porém, as reservas internacionais mantêm-se em níveis confortáveis. 

Segundo o governador da instituição, Rogério Zandamela, a quitação da dívida que o país tem no exterior vai depender do comportamento da actividade económica, neste momento descrita como de incertezas, devido aos protestos pós-eleitorais eleitorais que se registam no país há três meses, responsáveis pela devastação de bens públicos e privados.

Zandamela afirma que a retoma da normalidade só pode ser possível “se a economia crescer de uma maneira razoável, aumentado receitas, com uma certa forma de controlo da situação fiscal”, não obstante a necessidade de adequação de políticas cruciais para o impulsionamento da economia.

“Estamos a falar da necessidade de reformas profundas na área do ambiente de negócios, investimentos, de toda uma série de entraves que impedem a economia de arrancar e crescer ao seu potencial. Com certeza, quando essas coisas acontecerem, podemos, com uma certa segurança, afirmar que a economia vai começar a crescer e acelerar”, afirmou Rogério Zandamela.

Para o alcance deste desiderato, o trabalho deve ser multisectorial e abrangente, afirma o dirigente, que aponta o Governo como o guia. Para este, “o controlo da economia é uma agenda ampla, complexa e difícil. Por isso, não só depende do Banco de Moçambique”.

Sobre o impacto dos protestos pós-eleitorais na economia nacional, o Banco de Moçambique não apresenta números, uma vez que a avaliação dos impactos ainda está em curso em várias instituições, mas afirma que o sector em particular foi muito castigado. Os bancos comerciais tentam, neste momento, reerguer-se após a destruição das infra-estruturas.

“É difícil para qualquer um de nós saber como é que vamos sair disso. O que posso dizer é que tudo depende de nós, colectivamente, e, de forma colegial, devemos trabalhar para que essa seja uma realidade do passado. Essas coisas não se resolvem também de um dia ou outro,  porque são, pela sua natureza, de diálogo, de entendimento”, explica Zandamela.

Como resultado das destruições e vandalização de empresas, o banco central não tem dúvidas de que vários bancos irão sofrer devido a créditos mal parados, originados pelo facto de que muitas empresas fecharam as portas e dispensaram boa parte da sua massa laboral.

“Com as danificações da infra-estrutura, não só da actividade, os bancos sofreram muito, é preciso dizer isso. Balcões danificados, ATM que foram severamente danificados, em alguns casos, até algumas viaturas deles foram danificadas, não foram poupadas dessa tensão pós-eleitoral. Então, a crise pode ser muito mais abrangente do que nós pensamos. O crédito malparado vai começar a indicar que há problemas, empresas, famílias, que normalmente pagavam o seu crédito e já não estão em condições de honrar esses compromissos.  Alguns, até conhecemos, têm cara, são coisas abstractas”, concretizou a fonte, afirmando que a inflação pode disparar nos próximos dias.

Rogério Zandamela falava na segunda-feira, em Maputo, durante o evento de anúncio da redução da taxa de juros da Política Monetária, onde o Banco de Moçambique decidiu reduzir a taxa MIMO de 12,75% para 12,25%, uma redução de 0,50% do custo de dinheiro nos bancos comerciais para empresas e famílias.

De acordo com o banco, “a decisão decorre da manutenção das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo, não obstante o aumento dos riscos e incertezas associados às projecções, com destaque para os decorrentes da tensão pós-eleitoral, o risco fiscal e os choques climáticos.”

Para além desta medida, o Comité de Política Monetária decidiu reduzir os coeficientes de reservas obrigatórias para os passivos em moedas nacionais, de 39% para 29%, uma redução de 10 pontos percentuais. Em moeda estrangeira, a redução foi de 39,50%  para 29,50%. As mexidas vão possibilitar a facilitação e a disponibilidade de mais liquidez para apoiar a economia na reposição da capacidade produtiva e da oferta de bens e serviços.

No encontro, que contou com a presença de quadros do bancos e representantes dos bancos comerciais, o Governo deu a conhecer os níveis de inflação. “As perspectivas da inflação mantêm-se em um dígito no médio prazo. Em Dezembro de 2024, a inflação anual aumentou para 4,15%, depois de 2,84% em Novembro, a reflectir a redução da oferta de bens e serviços decorrente da tensão pós-eleitoral.”

Entretanto, as incertezas associadas às projecções da inflação aumentaram. De acordo com o banco “destacam-se, como factores de aumento da inflação, no médio prazo, os impactos da tensão pós-eleitoral, dos choques climáticos e do agravamento da pressão sobre a despesa pública, num contexto de reduzida capacidade de financiamento”. A instituição explica que o ritmo e a magnitude continuarão a depender das perspectivas da inflação, bem como da avaliação dos riscos e incertezas subjacentes às projecções do médio prazo.

“Patrões” felizes com reduções, mas apontam pecados

Em relação às mexidas da taxa MIMO e reservas obrigatórias em moeda nacional e estrangeira, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, diz que as medidas vão facilitar o acesso a empréstimos pelo empresariado. Os “patrões” dizem, entretanto, que o banco central deveria obrigar a banca a estender o prazo para cobrar juros de mora devido ao contexto de crise pós-eleitoral.

Falando em conferência de imprensa, os “patrões” afirmam que a medida é acertada, porém deve ser acompanhada por várias acções e medidas. “Apesar de se tratar de uma medida positiva, que vem trazer algum alívio ao mercado e recuperar, paulatinamente, a confiança, ela peca por ser bastante conservadora, diferentemente da postura assumida no momento da subida da mesma, onde duplicou, e atendendo ao fundamento do Banco de Moçambique para manter as taxas directoras altas, segundo o qual existe um elevado nível de liquidez no mercado”, disse Paulo Oliveira, do pelouro da informação na CTA.

O sector privado, que afirma que esta foi a única medida por enquanto atendida no universo do quadro proposto ao Governo em Novembro passado, acusa o banco central de nada ter feito para melhorar a economia. Segundo o sector privado, “o Banco de Moçambique sugou moeda externa do mercado através das reservas obrigatórias estimadas em 1,8 milhões de dólares. Adicionalmente, o banco central sugou cerca de 286 milhões de dólares através de compras diversas de divisas no mercado.”

De acordo com a CTA, o banco central, em coordenação com o Governo, deve, de forma urgente, arranjar mecanismo de facilitação de pagamentos das dívidas que muitas empresas têm para com os bancos centrais, à margem da queda do ambiente normal dos negócios no país.

“Actualmente no mercado, temos muitas empresas com facturas de importação não pagas há mais de 9 meses e com os respectivos termos de compromisso em aberto. Estes constrangimentos de liquidez em moeda estrangeira poderão afectar o processo de importação de equipamentos e acessórios das empresas afectadas pelas manifestações pós-eleitorais, atrasando, assim, a retoma das actividades produtivas pelas mesmas”, explicou Oliveira. 

Sobre a suspensão de projectos financiados pelos Estados Unidos da América, a CTA e o Banco de Moçambique divergem em observações. Enquanto o sector privado afirma categoricamente que a medida vai penalizar o ambiente de negócios durante o primeiro trimestre do presente ano, o banco central diz ser prematuro fazer tais projecções, uma vez que a notificação dos EUA não contém detalhes suficientes.

Para o director-executivo da CTA, Eduardo Sengo, “sem dúvidas, as actuais medidas decretadas pelos EUA vão afectar a entrada de divisas via projectos paralisados que estavam em curso e que tinham financiamento directo do país hoje liderado por Donald Trump. Reconhecemos que estes projectos também faziam parte da fonte de entrada de divisas e que alimentam as reservas nacionais.”

Tal como o Banco de Moçambique, a CTA tem dificuldades em fazer projecções do crescimento económico a curto e longo prazo devido às incertezas face à onda de protestos no país, porém são unânimes na visão de que as decisões do actual Governo liderado por Daniel Chapo visam implementar políticas urgentes para o aprimoramento da economia bastante lesada pelos protestos-pós eleitorais.

O economista Edgar Chuzi diz que o Banco de Moçambique apareceu no momento certo para reduzir a taxa de juro de política monetária (taxa MIMO) e as reservas obrigatórias dos bancos comerciais, dado que milhares de empresas do sector privado já se encontravam de rastos e a precisar de recuperação após saques e vandalização no âmbito dos protestos pós-eleitorais, mas também algumas sequelas deixadas pela COVID-19.

O banco central anunciou, no passado dia 27, mais uma redução da taxa MIMO, tendo desta vez saído dos anteriores 12,75% para 12,25%, a primeira do ano 2025 após ter feito três reduções graduais no ano passado (2024), mas também anunciou a redução do coeficiente de reservas obrigatórias, de 39% para 29%, a primeira desde Setembro do ano 2023, medidas que aparecem como lufada de oxigénio na economia nacional, bastante fragilizada pelos adventos da situação sociopolítica do país e pelas mudanças climáticas.

Em entrevista exclusiva ao “O País Económico”, o economista Edgar Chuzi saudou a decisão anunciada pelo governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, por entender que se abre espaço para aliviar o serviço da dívida pública e maior circulação da moeda.

“Ora, temos aqui a redução das reservas obrigatórias numa percentagem que eu acho que, numa primeira fase, é aceitável. Isto cria a disponibilidade de recursos financeiros na banca para poder se ceder a terceiros. Ou seja, estas duas medidas não podiam ter sido tomadas num momento melhor que este, altura em que o sector empresarial está a necessitar de recuperação face, primeiro, àquilo que são as vandalizações que conhecemos nos últimos meses, dos protestos pós-eleitorais, mas também sem nos esquecermos que o sector empresarial ainda não se tinha refeito da crise da pandemia da COVID-19, que levou anos sem fim para que pudéssemos conhecer uma recuperação económica propriamente dita”, disse Edgar Chuzi. 

Defende ainda que o banco central tomou a medida certa em relação aos pontos percentuais reduzidos, tendo em vista os riscos oferecidos pelo ambiente político do país.  

“É preciso ver o lado do risco associado. Se a redução fosse muito acentuada, por exemplo, de 2, 3 ou 4 pontos percentuais, havia de existir uma demanda acelerada na busca de créditos que não seriam apenas para revitalizar a actividade económica como em si, mas para pagar outros serviços de dívidas ou despesas ou dívidas internas com trabalhadores, fornecedores, com o risco de não gerar fluxos financeiros para poder cumprir com o serviço da dívida. Não digo que foi apenas esta a razão que ditou esta redução um pouco mais baixa em relação à última redução que nós conhecemos, mas é preciso precaver-se de algumas situações”, explicou o economista.

Edgar Chuze avança ainda que os próximos dias podem ser de bonança para os empreendedores.

“É um ambiente muito positivo para o sector privado, mesmo para as micro, pequenas e médias empresas, porque o custo do dinheiro estará relativamente baixo, e a disponibilidade do mesmo será elevada dentro das instituições financeiras”, avançou.

Uma outra boa nova, segundo o economista, é que, apesar de elevada a dívida pública interna, com maior disponibilidade de dinheiro no sector financeiro, poderão ser concedidos mais créditos ao Estado, para dinamizar as despesas públicas.

“Neste momento, com maior disponibilidade, eu penso que há condições de ceder a ambos os sectores, seja o público, seja o sector privado”, apontou.

Em relação às empresas destruídas no âmbito dos protestos pós-eleitorais e que provavelmente tenham créditos parados, Chuzi entende que a banca e os seus clientes devem renegociar as dívidas e ponderar a possibilidade de ajudar esses empresários a revitalizarem os seus negócios, para que a posterior possam conseguir pagar as suas obrigações, pois, se os empreendimentos não voltarem a fluir, não haverá outra forma de saldar as contas a não ser penhorar as garantias mutuárias.

Apesar de haver maior disponibilidade de dinheiro nos bancos, Edgar Chuzi alerta que as famílias e as empresas devem ter cautela ao contrair créditos, sobretudo os de consumo e explica: “Devemos, sim, demandar fluxos financeiros ou crédito bancário, com projectos bem estruturados, que sabemos que vão gerar fluxos na sua implementação, vão gerar fluxos financeiros para o retorno de alguma actividade. Não aconselharia muito ao crédito de consumo, porque, como vimos, muitas famílias ficaram fora dos seus empregos e têm problemas para poder fazer face às suas obrigações. Uma oportunidade é uma oportunidade. Se eu vir que há uma oportunidade de ter dinheiro a um custo barato e o dinheiro está disponível, é de demandar, mas preciso de reflectir primeiro se terei condições de cumprir com o serviço da dívida, antes de ter a apetência de demandar este crédito”, aconselhou.

Por outro lado, Edgar Chizi recomenda ao governo liderado por Daniel Chapo que olhe para todos os sectores da economia de igual forma, no âmbito da revitalização, mas sem esquecer quais é que foram mais afectados pela vandalização, pilhagem, e ausência de turistas, no caso das estâncias turísticas.

De olhos lançados ao futuro, o analista pauta por uma ideia de diversificação.

“Nós temos de começar desde a agricultura, mas não a agricultura de subsistência. Uma agricultura industrial, um agronegócio que seja sustentável. É um sector que nós sabemos que temos condições climáticas e terras aráveis, mas também temos o sector da indústria, todos esses precisam de ser alavancados para que deixemos de depender pura e simplesmente, ou na maior parte, da questão de extracção mineira. Nós temos de primeiro potenciar o nosso sector privado para que possa concorrer em pé de igualdade com essas grandes economias que fez referência, a China, a América, entre outros”, sugeriu e acrescentou que “o sector privado deve ser um sector robusto, que terá capacidade de gerar rendimentos e pagar o justo imposto, só assim estaremos aí para aquele resultado final que o presidente da república referiu na sua investidura, a independência económica e financeira.”

Refira-se que esta medida do banco central já foi saudada pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), apesar de considerar que é conservadora, especialmente quando comparada com a postura mais arrojada adoptada aquando do aumento da taxa.

Uma filha do antigo Presidente sul-africano Jacob Zuma foi detida, hoje, e compareceu num tribunal acusada de incitamento ao terrorismo e à violência pública.

Em causa estão publicações nas redes sociais antes e durante os tumultos que abalaram o país há quatro anos e causaram mais de 350 mortos.

Duduzile Zuma-Sambudla, que é deputada, foi libertada sob aviso, que é semelhante a uma fiança sem necessidade de depósito de dinheiro, enquanto o seu caso foi transferido para um tribunal superior para continuar em março.

O seu advogado, citado pela Lusa, afirmou que esta fez publicações nas redes sociais sobre os motins de Julho de 2021, mas negou que tenham incitado à violência.

Os motins, desencadeados pelo facto de Jacob Zuma ter sido enviado para a prisão por desrespeito ao tribunal por se recusar a testemunhar num inquérito sobre a corrupção generalizada do Governo durante o período em que foi Presidente, de 2009 a 2018, foram alguns dos piores distúrbios civis a que a África do Sul assistiu desde o fim do sistema de ‘apartheid’ da minoria branca em 1994.

Durante mais de uma semana, multidões enfurecidas envolveram-se em pilhagens generalizadas de lojas e armazéns, fogo posto e destruição de propriedade e mais de 5.000 pessoas foram detidas.

Um indivíduo de 25 anos de idade está detido, suspeito de matar a esposa de 18 anos, na cidade de Tete. Presume–se que o crime tenha sido motivado por ciúmes.

O crime ocorreu após uma uma discussão entre o casal, alegadamente porque a vítima estava a consumir bebidas alcoólicas numa barraca, supostamente com um amante. Entretanto, depois de ter assassinado a esposa, o suspeito teria permanecido com o corpo da vítima  no interior da casa por dois dias.

O indiciado, confessa o crime e diz estar arrependido. “Um amigo saudou- me  e perguntou-me se sabia o paradeiro da minha esposa, mas eu disse que não sabia. Ele disse-me que a  viu com um homem numa barraca a consumir bebidas alcoólicas  e levou-me até ao local, mas  quando lá cheguei, o homem com quem ela estava fugiu. De seguida, arrastei-a até  a nossa casa  e comecei a bater”, disse.

De acordo com  a porta-voz do SERNIC, Celina Roque,  o casal vivia constantemente em discussões e no dia do crime, o indiciado usou um cinto para asfixiar a esposa até a morte.

Ainda nesta quinta-feira, o Serviço Nacional de Investigação Criminal, apresentou dois jovens, indiciados de agressão física na via pública, também motivados por ciúmes.

O chefe da brigada de assistência a província de Sofala, Eneas Comiche, reafirma que as manifestações continuam a ameaçar a paz e inviabilizam o processo de desenvolvimento socioeconómico do país. Comiche apela à vigilância popular em todos os locais de residência e de trabalho.

Em visita de trabalho a Sofala, Eneas Comiche reuniu-se, na quinta-feira, com os órgãos sociais para discutir a saúde do partido e reforçar as mensagens de paz. A actual situação política do país marcada por manifestações pós-eleitorais foi a nota dominante do encontro. 

Além de constituírem uma clara ameaça à paz, Comiche entende que as manifestações obstruem as vias de acesso, instalando, assim, um clima de insurgência social e desordem popular no seio dos moçambicanos. Nesse sentido, alerta para o reforço das medidas de segurança, a fim de evitar mais danos.

“Apelamos à agudização popular em todos os locais de residência e locais de trabalho, em estreita articulação com as Forças  de Defesa e Segurança e com as estruturas administrativas de base, como chefes das casas, de quarteirão, unidades e secretários dos bairros”, apela Eneas Comiche. 

Apesar de reconhecer o clima de insegurança no país, o Chefe da Brigada considera que a província de Sofala tem registado uma relativa calma, facto que se verifica devido ao trabalho de sensibilização levado a cabo pelas estruturas locais. 

O Presidente da República, Daniel Chapo, nomeou Mateus da Cecília Feniasse Saize para o cargo de Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, fechando as nomeações para a composição do executivo moçambicano. Saize era, até à sua nomeação, Juiz Conselheiro do Conselho Constitucional.

Mateus da Cecília Feniasse Saize nasceu a 04 de Março de 1969 e conta com 56 anos de idade.

Saize tem o grau de Doutor em Direito, pela Universidade Eduardo Mondlane desde 2016, e já exerceu vários cargos.

Foi Presidente da Comissão Provincial de Eleições de Sofala, em 1999, mesmo período em que foi Delegado Provincial do IPAJ, de 1998 a 2000.

De 2003 a 2007 foi Docente nas cadeiras de Introdução ao Estudo do Direito e Direito Bancário na UEM, Docente do Direito Bancário e dos Seguros na Universidade Católica de Moçambique e Docente do Direito das Sociedades, Regulação do sector Financeiro e Direito das Instituições Financeiras na Unizambeze, entre 2013 a 2014.

O novo Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos foi Membro da Assembleia Municipal da Beira nos mandatos 2005-2009 e 2010-2014, onde foi Presidente da Assembleia Municipal do primeiro mandato.

Foi também Jurista do Banco de Moçambique afecto na Filial Regional Centro entre 1995 a 2014.

Até à data da sua nomeação para dirigir o ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize era Juiz Conselheiro do Conselho Constitucional desde 12 de Setembro de 2014.

O antigo secretário de Estado do Desporto, Carlos Gilberto Mendes, passou as pastas do sector do desporto ao novo ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Manasse, tendo dito que sai satisfeito pelas conquistas alcançadas e com a certeza de que o que foi construído está em boas mãos. Mendes espera que a nova liderança do desporto moçambicano continue a “sonhar grande” e a “elevar sempre as fasquias”.

Fim da linha para Gilberto Mendes e uma despedida ao sector do desporto, em que desempenhou as funções de secretário de Estado do Desporto, no segundo mandato de Filipe Nyusi.

Na quarta-feira, fez a passagem do testemunho ao novo timoneiro no retomado Ministério da Juventude e Desportos, Caifadine Manasse.

Na hora da despedida, o antigo secretário de Estado do Desporto disse, através de uma nota, que foi “um período de grandes desafios e, acima de tudo, de conquistas inesquecíveis”.

Na Nota de Despedida, Gilberto Mendes elogiou a equipa de trabalho da SED, que definiu como “um grupo de profissionais dedicados e comprometidos”, que mostraram, a cada dia de trabalho, “o que significa superar adversidades”.

“Com criatividade, esforço e espírito de equipa, ultrapassamos barreiras e alcançamos resultados que nos enchem de orgulho”, escreve Mendes, destacando ainda que o sucesso alcançado foi “reflexo de competência, mas também de grande amor pelo que fazemos”.

Gilberto Mendes destaca ainda que “mudamos juntos o ‘mindset’ do desporto nacional e passamos a pensar positivo nesta paixão que nos arrebata”, onde “de uma nação negativista passamos a um povo confiante nos seus atletas”.

Na hora da despedida, Mendes diz que sai do cargo “satisfeito e com a certeza de que o que construímos está em boas mãos”, agradecendo a cada um dos colaboradores pela dedicação, paciência e parceria inestimável. “Levarei comigo as lições, as memórias e a inspiração que recebi de todos vocês”, escreve Mendes.

Ao novo dirigente, que agora junta o Desporto à Juventude, Gilberto Mendes deseja o melhor na caminhada que se segue, realçando que “continuem a sonhar grande, trabalhar com paixão e a transformar dificuldades em vitórias, elevando sempre as fasquias que temos de transpor”.

Entretanto, Gilberto Mendes sai da Secretaria de Estado do Desporto, onde deixa uma dívida com os atletas que conquistaram medalhas nas competições internacionais desde 2017, em valores acima dos 15 milhões de Meticais.

No ano passado, no aproximar da sua despedida, os atletas pressionaram a direcção de Gilberto Mendes, sem conseguirem os seus intentos, depois de promessas de pagamento das premiações aos que conquistaram medalhas em nome do país.

Caifadine Manasse encontra uma casa que, a nível do desporto, se debate com vários desafios, com destaque para a viabilização da participação das equipas e atletas nacionais nas competições internacionais, a gestão e a manutenção do Estádio Nacional do Zimpeto, as dívidas com os atletas, entre outras.

Os protestos contra o pagamento de portagens começa a atingir outros níveis. Se nos dias passados a reclamação terminava com o bloqueio das vias, buzinadas e violação das cancelas, esta quarta-feira as acções foram mais longe. 

Indivíduos vandalizaram e incendiaram, na noite de ontem, a portagem da Bela-Vista, localizada no distrito de Matutuine, em causa estão os protestos contra o pagamento de portagens. 

A acção aconteceu por volta das 19 horas, com a colocação de pneus em chama nas cabines. 

A acção teve lugar depois de na manhã do mesmo dia, por volta das 10 horas, um grupo ter se dirigido aos escritórios da TRAC, na zona da Casa Branca, onde quando lá chegou vandalizou e incendiou duas viaturas. 

Embora a quarta-feira tenha sido agitada, neste ponto e, com o trânsito interrompido por quase 10 horas, esta quinta-feira a situação voltou ao normal. 

Na portagem de Maputo, os carros voltaram a passar, algumas pistas cobravam a taxa, mas noutras os carros passavam livremente. 

Os professores e enfermeiros decidiram suspender a greve de reivindicação do pagamento do décimo terceiro salário. Entretanto, os profissionais exigem que os valores sejam pagos até 28 de Fevereiro, para que não voltem a paralisar as actividades.

Cerca de duas semanas após a paralisação das actividades, os professores decidiram suspender a greve e retornar aos seus postos de trabalho.

Em conferência de imprensa conjunta realizada nesta quarta-feira, o porta-voz do encontro, Raul Piloto, explicou que a decisão se deve ao anúncio do pagamento de pelo  menos 50 por cento do décimo terceiro salário aos funcionários e agentes do Estado.

“O nosso objectivo nunca foi a greve, mas em algum momento nós vemos isso como um mecanismo de reivindicar para que os nossos direitos sejam observados.”

Os funcionários explicam que a suspensão é um voto de confiança que a classe decidiu dar ao Governo, para que cumpra a sua promessa.

“Optamos por, em gesto de sensibilidade e boa-fé, restabelecer a confiança de que o Governo cumprirá a sua palavra.”

Os profissionais pedem que o Governo seja mais aberto ao diálogo e anule as faltas marcadas durante os dias de paralisação das actividades.

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