O Conselho de Segurança das Nações Unidas debateu, na terça-feira, a deterioração da situação de segurança na África Ocidental e no Sahel, tendo ouvido um alerta do representante das Nações Unidas para a região sobre a crescente expansão da ameaça terrorista e a necessidade de reforçar a cooperação internacional.
Na apresentação do mais recente relatório sobre a região, o representante do Escritório das Nações Unidas para a África Ocidental e o Sahel (UNOWAS), Leonardo Santos Simão, afirmou que os grupos armados terroristas e outros actores não estatais continuam a representar uma séria ameaça, sobretudo no centro do Sahel e no norte da Nigéria, estendendo progressivamente a sua acção aos Estados costeiros do Golfo da Guiné.
Segundo o responsável, estes grupos têm vindo a adaptar as suas tácticas, recorrendo cada vez mais a tecnologias avançadas, como drones, sistemas modernos de comunicação e criptomoedas para apoiar as suas operações.
Apesar do agravamento da insegurança, Leonardo Santos Simão destacou sinais positivos na região, apontando para um renovado impulso do diálogo político, da cooperação regional e dos progressos registados no domínio da governação democrática. Salientou, igualmente, o papel da União Africana na promoção do diálogo entre os Estados e na coordenação dos esforços de paz e estabilidade.
Durante a sessão, representantes de vários países africanos defenderam uma resposta concertada aos desafios de segurança. Em nome da Libéria, da República Democrática do Congo e da Somália, o embaixador Lewis G. Brown II reiterou que não existe uma solução exclusivamente militar para as crises que afectam a região, defendendo uma abordagem centrada no combate às causas profundas da instabilidade, como a pobreza, a exclusão social, as fragilidades da governação, o endividamento e as alterações climáticas.
Por seu turno, o embaixador da Costa do Marfim, Tiémoko Moriko, defendeu o reforço da cooperação regional, através da partilha de informações, da coordenação transfronteiriça e do financiamento sustentável dos mecanismos africanos de segurança.
Já o representante do Burkina Faso, Saïdou Zongo, reafirmou o compromisso da Aliança dos Estados do Sahel com o diálogo e manifestou abertura para apoiar todas as iniciativas de mediação, incluindo as promovidas pelo Togo, pela União Africana e pelo UNOWAS.
No final da reunião, Leonardo Santos Simão sublinhou que a África Ocidental e o Sahel têm demonstrado uma assinalável capacidade de resistência perante os desafios de segurança, advertindo, contudo, que a região dificilmente alcançará uma paz duradoura sem um apoio consistente e continuado da comunidade internacional.