A população reclusória da Cadeia Central da Beira considera a liberdade provisória após o cumprimento de três quartos da pena, uma medida excessiva e pedem ajuda às autoridades judiciais para acelerar processos que estão parados há anos.
Os condenados e detidos que estão na cadeia central da Beira mostraram-se preocupados nesta terça-feira, às autoridades judiciais, em relação à entrada em vigor do instrumento relativo a benefícios de liberdade provisória após o cumprimento de três quartos da pena.
Para eles, a medida é pesada e deveria ser aplicada em casos específicos. Os detidos e condenados que se dirigiam ao Procurador-geral da República, durante uma visita a estas instalações, no âmbito da visita de monitoria que efectua em Sofala, pediram por outro lado ajuda para as autoridades judiciais acelerarem os processos de liberdade provisória.
O procurador-geral prometeu analisar as preocupações apresentadas, começando por fazer o levantamento de todos os processos aparentemente duvidosos.
Os reclusos esperam agora por respostas que possam aliviar a sua situação processual. A cadeia central da Beira tem capacidade para 190 pessoas, mas neste momento estão aqui 650 pessoas, entre elas 360 condenados e 290 detidas.
O Presidente dos EUA Donald Trump assinou, sexta-feira, uma ordem executiva para pôr fim à assistência financeira à África do Sul, acusando o Governo do país de “discriminação racial injusta” contra os africânderes. Além disso, o chefe de Estado dispõe-se a oferecer asilo a esta minoria étnica branca.
Num documento intitulado “Addressing Egregious Actions of The Republic of South Africa” (“Abordagem às Ações Irresponsáveis da República da África do Sul”), Trump critica uma lei recentemente promulgada pelo Governo sul-africano que permite a expropriação de terrenos, disponibilizando poucas ou nenhumas compensações em alguns casos.
Para os EUA, esta medida serve para atacar “minorias étnicas africânderes”, fazendo parte de uma campanha de “ódio e de acções governamentais, que alimentam uma violência desproporcionada contra proprietários de terras racialmente desfavorecidos”.
Além disso, Trump critica o papel da África do Sul no Tribunal Internacional de Justiça ao ser o país a acusar Israel por genocídio na Faixa de Gaza nesta instância legal.
Pelo menos 52 pessoas ficaram desempregadas, devido ao encerramento do maior supermercado da Macia, em Bilene, província de Gaza, vandalizado e saqueado por populares, no auge dos protestos pós-eleitorais. O Governo de Bilene diz que há sete estabelecimentos que fecharam definitivamente as portas e o total do número de desempregados ultrapassa 60.
Há menos de dois meses, no dia 24 de Dezembro do ano passado, populares invadiram 16 estabelecimentos comerciais em Bilene, entre eles, o maior supermercado da vila municipal de Macia, que foi vandalizada e saqueada.
“Foi uma surpresa, porque estivemos a trabalhar e, no dia seguinte, ficamos espantados com o nível de destruição. Estava tudo de qualquer maneira, tudo estragado foi muito triste”, lamentou Jorgina Matuka.
Jorgina Matuka trabalhava no supermercado Shoprite, na Macia, antes do estabelecimento fechar as portas, 14 anos depois da sua instalação. “A vida está muito complicada, eu não esperava que de uma noite para o dia eu poderia acordar sem saber o que dar aos meus filhos”, disse.
Os danos da invasão popular foram graves, e as consequências também. De acordo com dados avançados pelo Governo distrital, “pelo menos 60 pessoas perderam o emprego com encerramento de empreendimentos comerciais, no distrito de Bilene”, avançou Gracinda Carlos, directora dos Serviços de Actividades Económicas/Bilene.
Nada sobrou, aliás, restou o nome e a imponência de um edifício comercial que não passa despercebido ao longo da estrada nacional número 1. Mas, quanto a condições e garantia de trabalho restam memórias, aliás, tornadas amargas. Quem viveu e vive na pele revela a dor de dormir empregado e acordar no desemprego.
“Na verdade perdi tudo e não sei como e para onde ir com esta situação, pedimos ajuda”, disse Alcina Mateus.
O drama começa bater à porta das famílias…Em declarações carregadas de emoção, com lágrimas à mistura, Nilza Massingue, de 56 anos de idade, revela estar a atravessar dificuldades financeiras. E teme que a falta de dinheiro afecte os cuidados de saúde do seu filho. “Eu não sei como irei levá-lo ao hospital, assim como sei, também como farei para comprar os seus medicamentos”, disse.
Para Alcina Matias o desemprego é como perder o rumo no meio do percurso. Para ela o desespero é por conta da saúde da sua mãe que luta contra uma doença grave há 10 anos.
Já Jacob Nhambanga compara a perda de emprego à situação de luto … que chegou sem avisar…. Jacob diz que mantinha a esperança de que o supermercado voltaria a abrir as portas…mas o que tanto temia aconteceu…, e, agora… “Não tenho para onde ir, eu estou no chão na verdade eu só confiava na Shoprite, assim que fechou eu não sei como foi sustentar os meus filhos” lamentou.
Ao todo, são 52 pessoas que ficaram desempregadas com o encerramento da Shoprite na Macia e o governo do distrito do Bilene confirma o fecho de portas deste supermercado. Gracinda Carlos diz que a situação é preocupante, pois “mais 60 pessoas ficaram sem emprego, em resultado do encerramento definitivo de 7 estabelecimentos de um total de 16 saqueados”, durante os protestos pós-eleitorais.
O impacto do encerramento do supermercado e outros estabelecimentos faz-se sentir no sector informal, bem como na vida dos munícipes da vila da Macia. Azarias Mathe vende castanha há 12 anos à entrada do supermercado e fala da redução de vendas desde o encerramento do estabelecimento.
Na macia, os prejuízos decorrentes do saque popular são estimados em mais de 36 milhões de meticais.
Os moradores de quase todos os bairros da vila da Macia, no distrito de Bilene, em Gaza, queixam-se da falta de água potável. O problema existe há anos e o presidente do município promete soluções, mas não avança prazos.
A falta de água assola os seis bairros da vila de Macia, em Bilene, província de Gaza. São mais de 45 mil munícipes que se queixam deste problema.
“A pessoa que tem água tem dinheiro para comprar. Mas, se não tem dinheiro, é obrigada a ficar com mau cheiro. Além disso, 25 litros de água custam cinco meticais cada”, avançou Catiana Samo, residente do sexto bairro.
A cada dia a batalha para se ter água potável gera indignação. Crianças, jovens, adultos e idosos lutam por, pelo menos, um bidão de 25 litros do precioso líquido. Passam já seis meses que a água não jorra nas torneiras, deixando os munícipes sem alternativa.
“Neste exato momento, não temos água. Há bastante tempo que não jorra água nas nossas casas. Para ter água, temos que levar bidons de um lado para outro, ou então activar os fornecedores privados’’ lamentou Carlos Paulo, residente do segundo bairro.
São mais de 16 mil famílias do primeiro, segundo e sexto bairros da vila que diariamente enfrentam a escassez de água. “Hoje não tenho dinheiro para comprar água, só posso ficar suja”, queixou-se Maísa Tivane.
Maria Timane, por sua vez, afirma que o sofrimento da falta de água atenua-se nos dias de chuva, uma vez que aproveita esses dias para lavar a roupa.
Aldana Malaquias e Marcos Tivane vivem no bairro 2, contam que vezes sem conta os seus filhos vão à escola sem tomar banho, porque a pouca água que se consegue deve ser racionalizada.
“Já vão seis meses que não temos água aqui. É muito difícil depender dos fornecedores privados e não temos condições. É muito doloroso ver meus filhos irem para escola sem fazer banho, o que vão pensar os outros alunos”.
O sexto bairro é outro ponto da Macia assolado pela crise de água. Argentina Matías diz que, por conta da situação, ela e outros moradores caminham mais de cinco quilómetros.
“Temos que coordenar com transportadores de Txova para ajudar no transporte da água para as casas. Mensalmente, chegamos a pagar mais de mil meticais” e “Temos que caminhar muitos quilómetros para o poço, que não tampa, e é um risco de doenças, mas não temos outra alternativa”, lamentou.
O presidente da vila municipal da Macia, Ramal Mussagy, reagiu ao assunto nos seguintes termos: “A capacidade que nós temos para abastecimento de água é para 15 mil pessoas, restando 45 mil pessoas por abastecer” revelou o edil.
Ramal Mussagy não tem datas concretas para retomada das obras de construção do sistema de abastecimento, paralisado há anos. “As obras estão paralisadas por conta da exiguidade de fundos a nível central, mas há um trabalho que está a ser feito para conclusão deste sistema, porque o nível de execução é de 70 por cento”, concluiu o presidente do conselho autárquico da vila da Macia, em Gaza.
Na Cidade de Inhambane os moradores queixam-se da falta de recolha de lixo nos bairros fora da zona cimento. O edil de Inhambane reconhece o problema e diz que tal acontece por insuficiência de meios.
No centro da Cidade, os homens dão de tudo na recolha do lixo, para manter a cidade limpa. Mas, não muito longe dali, fora da cidade cimento, o lixo acumula-se a cada dia, para a indignação de quem tem a obrigação de conviver com ele.
“Este é meu caminho, porque eu gosto de fazer ginástica, mas depois comecei a ver isto (lixo). E estou a ver que daqui a nada, isto vai atingir um nível em que os carros nem poderão passar aqui”, reclama Tomás Mafuiane, residente da cidade de Inhambane
É lixo que se acumula diante dos olhos de quem deveria cuidar do saneamento do meio. No bairro Chalambe, também perto do centro da Cidade, o lixo é deitado perto de um canal natural, que serve de escape das águas do mar ou em dias de chuva. Os moradores do local negam que sejam eles os que descartam lixo no local.
“Nós púnhamos lixo aqui, mas o município depois nos proibiu (…) depois disso, recolheu-se todo o lixo. No entanto, uma semana depois, estamos a ver carros do Conselho Municipal com lixo podre, bem podre para vir deixar aqui. Nós que estamos a viver aqui, passamos por aqui para ir ao mercado e as nossas crianças usam o mesmo caminho”, partilhou Gildo Almeida, residente do bairro de Chalambe
Por estar numa zona baixa, o lixo mistura-se com água e a população diz que vive dias difíceis. O edil de Inhambane reconhece o problema, que segundo ele acontece por falta de meios.
“Brevemente, vamos apresentar novos equipamentos adquiridos, um camião, com respectivos 12 contentores para o depósito de lixo e também temos o grande desafio de entrar nos bairros de expansão. Agora, estamos a trabalhar no bairro cimento, assim como estamos a trabalhar na via principal, refiro-me à Estrada Nacional Número cinco, refiro-me também à Avenida dos Combatentes”, disse Benedito Guimino, edil de Inhambane.
Em todos os bairros da chamada cidade mais limpa do país não há contentores para o depósito de lixo. O município de Inhambane trabalha com quatro associações e uma empresa, contratada para fazer a recolha de lixo.
A situação do lixo está controlada, na Cidade de Maputo. A informação é avançada pelo director Municipal de Salubridade, que revela que o Município está a comprar meios próprios para a recolha de resíduos sólidos na capital do país. A edilidade diz, ainda, que voltará a montar básculas na Lixeira de Hulene para controlar a quantidade de lixo recolhida pelas empresas contratadas.
Depois de muitos dias com lixo espalhado pela cidade, o Município de Maputo diz que a situação já está controlada. No período de pico da produção de lixo na Cidade de Maputo, os empreiteiros foram chamados a “dar uma mão” na recolha de resíduos sólidos e nisto constataram haver lacunas na fiscalização.
Uma das empresas contratadas para a recolha de lixo na Cidade de Maputo, a ECO LIFE, reagiu e afirma que tem feito o controlo da quantidade de resíduos que leva para a Lixeira de Hulene. Entretanto, por estes dias, a báscula não está a funcionar na Lixeira de Hulene e o Município baseia-se no histórico das empresas para controlar as quantidades recolhidas.
Porque este risco é sempre iminente, a Edilidade de Maputo já conta os dias para voltar a ter báscula na Lixeira de Hulene. O Conselho Municipal de Maputo está, também, a reforçar os meios para situações de emergência na recolha de lixo.
Os comboios voltaram a circular na linha de Ressano Garcia, na província de Maputo, após cinco dias de paralisação, devido ao descarrilamento de uma locomotiva.
O incidente ferroviário ocorreu no último domingo, na zona de Chanculo, no distrito da Moamba, envolvendo um comboio de mercadorias que seguia na direcção Ressano Garcia-Maputo.
A locomotiva, segundo escreve a Rádio Moçambique, era composta por cinquenta vagões que transportavam cromo, sendo que destes, seis descarrilaram, dois tombaram completamente e quatro desorientaram-se.
O director das Operações ferroviárias na empresa Portos e caminhos de ferro de Moçambique, na região sul do país, Arnaldo Manjate, citado pela RM, explica que informações preliminares indicam o calor intenso, como a causa do descarrilamento.
Israel começou, na manhã deste sábado, a libertar os 183 presos palestinianos que estavam previstos para hoje.
Os primeiros prisioneiros libertados foram vistos a sair de um autocarro da Cruz Vermelha que chegou a Ramallah, na Cisjordânia, de acordo com o Notícias ao Minuto.
Os 183 prisioneiros, que serão libertados ao longo do dia, incluem 111 capturados pelas forças israelitas na Faixa de Gaza e 72 prisioneiros que foram detidos em anos anteriores.
Entre os prisioneiros deste último grupo, 42 vivem na Cisjordânia, três em Jerusalém e 27 na Faixa de Gaza, segundo a Comissão dos Assuntos dos Detidos da Autoridade Palestiniana.
Segundo a fonte, os libertados vão ser observados por equipas médicas, segundo a agência espanhola EFE.
Os palestinianos foram libertados no âmbito da quinta troca de reféns do Hamas por prisioneiros de Israel prevista na trégua em vigor desde 19 de janeiro, que interrompeu 15 meses de guerra na Faixa de Gaza.
A Federação Angolana de Basquetebol refuta as acusações da Federação Moçambicana de Basquetebol segundo as quais a selecção nacional foi submetida a maus tratos chegando a não disponibilizar transporte durante a janela de qualificação para o Afrobasket 2025, e classifica de falsas e injuriosas. Em resposta, a FMB reitera o seu posicionamento e promete submeter o caso à FIBA-África, na segunda-feira.
Após o regresso de Angola, onde participou da janela de qualificação para o Afrobasket 2025, a FMB convocou a imprensa, na última quinta-feira, para repudiar supostos maus tratos por parte da federação angolana. O organismo acusou a similar angolana de não ter disponibilizado transporte para a delegação nacional.
Através de uma nota de repúdio, a Federação Angolana de Basquetebol refuta todas as acusações e classifica de falsas e injuriosas. A FAB esclarece que disponibilizou transporte.
“Foi, portanto, com surpresa que a Federação Angolana de Basquetebol foi confrontada com notícias que imputavam a FAB falta de cuidado na organização da competicao e insinuações de que sujeitou a delegação moçambicana deslocar-se a pé para o pavilhão”, esclarece
Nesse sentido, avança a mesma nota: “particularmente, a FAB repudia veementemente as acusações do presidente da Federacao Mocambicana de Basquetebol que de forma leviana e despropositada acusou a FAB de sabotagem da selecção moçambicana, num comportamento que traduz uma acusação falsa e injuriosa que é indigna de um presidente de uma federação de um país irmão”.
Reagindo em exclusivo a Stv, o presidente da Federação Moçambicana de Basquetebol reiterou o seu posicionamento. A FMB fala ainda dos episódios que aconteceram durante o último jogo, que ditou a qualificação da Angola e promete submeter o caso à FIBA, na segunda-feira.
A federação angolana acusa a FMB de ter uma dívida referente ao AFROCAN de 2022. Mazivila assume a dívida e explica que o assunto está fora do contexto.
Recorde-se que Moçambique e Angola foram os únicos países a disputar a janela de qualificação para o Afrobasket a nível da África Austral.
A cerimónia fúnebre do príncipe Karim al Hussaini, que morreu na terça-feira, aos 88 anos, decorreu este sábado, no Centro Ismaili, em Lisboa.
Aga Khan teve uma cerimónia de acordo com as tradições ismaelitas, como a dos demais crentes, simples e centrada em orações que são, em grande parte, recitações de versículos do Corão.
Segundo escreve o jornal português Expresso, além da família, o evento esteve aberto apenas a convidados, que podiam apresentar condolências aos familiares e desfilar junto à urna numa última apresentação de cumprimentos.
Estiveram presentes centenas de pessoas, entre as quais líderes da comunidade ismaelita espalhada pelo mundo e da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento, assim como representantes das autoridades portuguesas e dignitários estrangeiros.
Aga Khan nasceu a 13 de Dezembro de 1936 na Suíça, cresceu e estudou no Quénia e nos Estados Unidos, e tem ligações ao Canadá, Irão e França, além de Portugal, local onde morreu.
Como sucessor escolheu o seu filho mais velho, o príncipe Rahim, agora Aga Khan V, escreve o Expresso.
No domingo realiza-se o funeral, com uma cerimónia fúnebre privada durante a qual Aga Khan IV será sepultado em Assuão, no Egipto, local onde se encontra o mausoléu do seu antecessor e avô, Maomé Aga Khan III.

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