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A população reclusória da Cadeia Central da Beira  considera a liberdade provisória após o cumprimento de três quartos da pena, uma medida excessiva e  pedem ajuda às autoridades judiciais para acelerar processos que estão parados há anos.  

Os condenados e detidos que estão na cadeia central da Beira mostraram-se preocupados  nesta terça-feira,  às autoridades judiciais, em relação à entrada em vigor do instrumento relativo a benefícios de liberdade provisória após o cumprimento de três quartos da pena.

Para eles, a medida é pesada e deveria ser aplicada em casos específicos. Os detidos e condenados que se  dirigiam ao Procurador-geral da República, durante uma visita a estas instalações, no âmbito da visita de monitoria que efectua em Sofala, pediram por outro lado ajuda para as autoridades judiciais acelerarem os processos de liberdade provisória. 

O procurador-geral prometeu analisar as preocupações apresentadas, começando por fazer o levantamento de todos os processos aparentemente duvidosos.  

Os reclusos  esperam agora por respostas que possam aliviar a sua situação processual. A cadeia central da Beira tem capacidade para 190 pessoas, mas neste momento estão aqui 650 pessoas, entre elas 360 condenados e 290 detidas.

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Os protestos pós-eleitorais registados no país desde o mês de Outubro do ano passado afectaram negativamente o desempenho económico de 2024, com maior impacto no último trimestre, em que apresentou uma redução em cinco pontos percentuais no Índice de Robustez Empresarial nacional, face ao terceiro trimestre, saindo de 30% para 25%.

A avaliação é dos empresários moçambicanos que estiveram reunidos nesta quinta-feira, em Maputo, na 18ª edição do Economic Briefing, que juntou o sector público e privado. Segundo as projecções dos “patrões” o sector do comércio foi o mais afectado, sendo que as perdas totais e o impacto no PIB totalizaram cerca de 24,8 mil milhões de Meticais, cerca de 2,2% do PIB. Por esse motivo, as projecções do crescimento económico de 2024 passaram a situar-se em 3,3%, bem abaixo dos 5,5% da previsão inicial.

De forma directa, as paralisações durante a quadra festiva, nomeadamente nos dias 23, 24 e 25 de Dezembro, resultaram em perdas estimadas em 7,4 mil milhões de Meticais, sendo que 56% destas perdas resultaram das vandalizações e as restantes 44% das constantes paralisações e redução da procura.

Apesar das incertezas, a CTA afirma que os factores macroeconómicos que afectam os custos das empresas permaneceram estáveis.

No que diz respeito à receita, observou-se um aumento nos preços de mercadorias primárias de origem agrícola, pecuária e mineral, entre os trimestres em foco, com uma subida de cerca de 4,8 pontos percentuais. O índice passou de 113,6 para 118,4, o que pode impactar positivamente a receita das commodities exportadas por Moçambique.

“Durante o período em análise, registou-se uma redução do desempenho empresarial, o que se traduziu na deterioração da situação financeira das empresas, tendo em consideração que o nível de prejuízos passou de 200,37 Meticais por unidade para 564,84 Meticais por unidade. Esta situação reflecte uma redução do volume de receitas acima do observado no custo de produção”, explicou Agostinho Vuma.

A economia nacional regrediu em cerca de 4,9% no quarto trimestre do ano passado, contrariando a tendência crescente de Janeiro a Setembro de 2024. Trata-se de uma queda justificada, fundamentalmente, pelo impacto das tensões pós-eleitorais e pelos efeitos dos choques climáticos na maior parte dos sectores de actividade.

Combustíveis: economistas questionam a fórmula de fixação de preços de produtos petrolíferos no país.

Hollard Moçambique registou lucro líquido total de 337,4 milhões de Meticais em 2024, apesar de desafios ligados à redução das taxas de juro e ao aumento das reservas obrigatórias. Índice de robustez empresária reduziu de 30% (terceiro trimestre) para 25% (quarto trimestre), alertou ontem a Confederação das Associações Económicas de Moçambique. 

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) entende que a redução do preço do combustível, anunciado pelo Governo, é insignificante e não resolve o problema dos moçambicanos. O partido  reitera a necessidade de redução do IVA às gasolineiras para 10%.

O MDM chamou a imprensa, nesta sexta-feira, para reagir em torno da recente redução do preço do combustível e falar sobre outros assuntos na ordem do dia. 

O partido considera que a redução do preço do combustível não é suficiente, disse Ismael Nhacucue, Porta-voz do MDM.  

Em relação a desobediência no pagamento das portagens, o partido defende a redução na infra-estrutura sob gestão da TRAC. 

 

Por Jorge de Oliveira

 

O desafio de escrita de um Policial é um enigma em si, por um lado, porque se quer saber até que ponto o escritor tem o tato, a habilidade e a sabedoria, para um Género tão exigente (sem se pretender dizer que os outros géneros não são exigentes, este encerra em

si o mistério), que vive do Suspense, e sobrepõe a incógnita à história, exalta-se mais pela curiosidade em saber «quem fez»; por outro lado, ao lado (passe a repetição) do estilo e do músculo, o leitor é chamado a participar como parte da obra, ao longo do texto, transforma-se em detetive, vai igualmente forjando os seus palpites, faz os seus prognósticos.

Neste livro, a curiosidade nasce logo com o título, «Zero sobre Zero – O Espião que veio de Kigali», pois no vocábulo «espião» assenta a justificação e vontade de ler a construção até ao fim, e ajuda sempre a atiçar o leitor, visto que qualquer pessoa se sente atraída onde se fala em «Segredo» ou «Mistério» ou «Espionagem»: é o reflexo natural, a ponta do iceberg que arrasta as multidões que querem destapar o véu, ver o grand finale.

Sobre isto, importa ouvir Agata Christie quando avisa que «a melhor receita para um romance policial é o detetive nunca saber mais que o leitor», ideia que se materializa ao longo desta narrativa, na qual, afinal, determinada personagem 

« – É testemunha-chave contra o Reverendo! – disse Bachiro a pousar carinhosamente a mão no ombro de Joseph – Encontrei-o semi-morto naquele anexo da casa. Mantenham-no vivo. Nós vamos sair e voltamos com reforço em dois tempos!

– Corremos o risco de ser emboscados à saída! – disse Morito.

Enquanto os polícias e os dois espiões conversavam, One Shot voltava a si, decidido a vingar-se da coronhada que o derrubara. O relampejado de fogo cuspido da pistola sacada da cintura pegou de surpresa os circunstantes.

Como um tronco de bananeira decepada pela base, Joseph tombou sobre o soalho. Um botão vermelho de sangue adornava-o a testa.»

 

E o que é que traz, então, este «Zero sobre Zero», uma operação aritmética que, no fim da estrada, tem como resultado a nulidade? O serviço da Polícia, os enigmas que o seu dia a dia procura desvendar (caso contrário, não seria empreitada policial), os espiões, os espiões dos espiões e a corrupção que sempre grassa na relação entre agentes e criminosos (haverá outra forma destes dois se relacionarem que não seja envenenada pela

improbidade?).

 

A nossa sociedade é corrupta, e, de tão podre que estamos, aceitamos que essa corrupção

– forma de ser e estar – faz parte da nossa cultura, hábitos e costumes, incluindo evidentemente dos detetives, neste caso, ao serviço do Estado. Como resultado, quando se

escreve um romance policial no nosso país a corrupção tem uma palavra a dizer, ajuda-nos

a entender uma ínfima fatia do sub-mundo com o qual vivemos (o crime), presente onde está presente o homem, mas que tentamos ignorar. Dói-nos saber que existe alguém que faz do crime a sua actividade normal, e lá vamos nós seguindo o enigma que é relacionado/provocado pelo espião junto com a descoberta de oficiais corruptos, o que resulta do tratamento das pistas que vão surgindo.

O Género Policial, a acção, a aventura, o crime, sempre cativam o leitor, o telespectador, o ouvinte, porque se quer os polícias a vencerem os ladrões, mesmo quando o malfeitor é simpático ou por qualquer razão ganha a indulgência do destinatário, como neste livro em que se tem um padre envolvido, e, só por isso, se supunha ser límpido nas palavras, nos actos e no coração. Pode-se, aqui, pedir emprestado o ditado, e, no lugar de chorar, relembrar o quanto de carne e osso se faz qualquer um, pois é, no melhor homem cai a nódoa, quer seja filho de Deus ou diabo, jante com um com outro.

Aonde quer chegar este texto? Será que transporta o leitor para a beleza da literatura? Cada um chegará às suas conclusões, mas pelo menos, não foi envenenado pela tentação do uso abusivo de terminologia/cientificidade do mundo da investigação criminal, tocou ao de leve nos formalismos da ciência policial e, quando o fez com maior profundidade, soube fugir ao texto didático/científico/académico – livrou-se dos «pedregulhos», por exemplo, lembrando o equipamento de espionagem, canetas que tiram fotos ou papéis que se auto-destroem, ou narrando factos ligados à investigação, apontando-se aqui a interceptação de um diário com informação de utilidade para a investigação ou a desmontagem de um Cubo de Rubik:

 

«No 2 o andar do prédio do DEOPE, através do intercomunicador, Lioste ditava um texto de e-mail a Marta. Vinheta calculava as horas que seguiam na asa do tempo desde que tomara conhecimento da presença, em Maputo, do espião de Kigali. Rememorou as convicções do reverendo Candanga sobre a necessidade de o continente africano abolir o visto de entrada. «Até os brancos que inventaram a Conferência de Berlim para dividir África já aboliram as fronteiras dos próprios países. Mas nós, os pretos, escolhemos continuar aqui, enjaulados na nossa própria terra»».

 

Zero sobre Zero é um espião, sim, procurado pela Polícia, dentro de uma trama que vai até

ao terrorismo em Cabo Delgado, passa pelos refugiados e emigrantes clandestinos, grupos

numerosos que, nas últimas décadas, chegam a Moçambique com cada vez mais frequência.

 

Dos enfeites da narrativa

É bela e cativante a colocação de provérbios na literatura moçambicana, «Não é preciso uma grande isca para um grande animal», «O rio segue sempre na mesma direção», «Não é o anzol que apanha o peixe», segue-se o Mestre Saramago e faz-se muito bem. Quando surgem no momento certo e lugar adequado mostram elegância, vitalidade e profundidade.

A descrição dos espaços é minuciosa (escritório – rectangular, divisórias pintadas de branco, focos de Led que estrelavam o tecto do cubículo), com marcas profundas do texto dramático – escrita de detalhe e bastante pormenorizada, visto que é lavrado para ser encenado, escrito sem sequer pensar nos leitores – destino ao qual o autor não consegue fugir, por ser a veia de dramaturgo a que serve de fundação da sua prosa e aquela a que mais se afeiçoou e melhor aperfeiçoou como escritor. A narrativa decorre com tiques dramatúrgicos, conta-se de um modo tão detalhado quanto fílmico (de filme – para ser encenado ou feito Sétima Arte),

 

«Lioste passeou vagaroso o olhar pelo perímetro do escritório, um rectângulo que o fazia sentir-se de corpo confinado nas paredes e de espírito subjugado pela inacção. Para afastar a sensação de clausura, disparou o interruptor e as divisórias pintadas de um branco algo desmaiado ressuscitaram para uma tonalidade bastante viva ao foco da luz que jorrava de quatro focos de Led que estrelavam o tecto do cubículo. Em vista panorâmica, de quando em vez, detinha o olhar para fazer uma levíssima pincelada de pestanas na textura dos móveis, com delicadeza de borboleta que voltea pétalas de um arbusto encalhado no jardim».

 

Junte-se a sua marca como cronista, também escreveu crónicas, e ter-se-á um escritor de cento e oitenta graus, qualidade exigível a quem escreve um policial, pois segundo Sherlock

Holmes, «para uma mente ampla, nada é pequeno», o que aqui se encontra, por exemplo,

quando se conta que determinada personagem

 

«Não admitiria que Jofrice saísse sem pagar mais trinta mil do agenciamento. O sangue buliu-lhe na cabeça. O fel da raiva amargou-o na boca e ninguém viu de onde sairia a navalha que Jaguar empunhou para decepar o pénis de Jofrice. No dia da leitura da sentença, na qual o juiz condenou Jaguar a oito anos de cárcere, o castrado estremeceu na língua de rancor ao ameaçar: – Eu sou de Mambone, morrerás morto pelas tuas próprias mãos, Jaguar».

 

Escritor fundamental integrado num momento geracional da literatura moçambicana, a Geração Oásis, neste Zero sobre Zero, Aurélio Furdela conta a história de vários crimes (uma sucessão, incluindo remessas (retroativas) para momentos anteriores àquele em que  se desenrola), apresentando uma antologia de passos de criminosos, escondidos ao longo da narrativa, quando, junto com a explosão da botija de gás, se desfaz o novelo que envolvera polícias, refugiados, imigrantes e mensageiros de Deus, incluindo o mistério em volta da identidade do bandido. Que vilão mais inusitado! O reverendo molda-se num perfil psicológico marcadamente criminoso, com a crença de que o crime compensa ou de que é uma pessoa intocável, mentalidade normalmente presente nos bandidos que capturaram o Estado (que Estado mais frágil!!!).

 

Furdela demarca-se do campo magnético que o obrigaria a escrever lugares comuns, produz uma narrativa que empurra para a compreensão da dinâmica do emaranhado na prosa policial, aponta os pilares que a compõem, 1) Vítimas – o motorista da furgoneta, o jovem do ginásio e do jaguar, 2) Crime – extorsão e corrupção, 3) Investigação – Operação Lucas 12 e na tentativa de descobrir quem é e ao que veio o espião, podendo-se, se quisermos, incluir mais um 4) Culpado ou culpados, descobertos ao cair do pano. Vê-se, ao

longo do texto, o ambiente no qual os inspectores trabalham, «Pilhas de processos mantinham ocupados os agentes visíveis nas cadeiras, trajados de blazeres e gravatas coloridas. Ao passar pelos agentes, Bachiro mastigou um bom dia e, em cinco passos, entrou na sala de trabalho partilhada no dia a dia com Morrito. No edifício central, mesmo ao lado, funcionava o gabinete do Comandante Jane e o do Chefe das Operações, para além da secretaria e, ao fundo, duas celas para onde atiravam detentos.

– Ainda bem que chegas… Operação Lucas 12, sabes de alguma coisa disso?

– Não mais do que tu próprio sabes. – ripostou Bachiro de olhos postos na bíblia que Morrito folheava – Uma operação secreta para investigar e purificar fileiras!»

Habitada por um perfume tocado pela espionagem, com um criminoso internacional, uma máfia e até o envolvimento de detetives, esta narrativa leva-nos a seguir pistas, tentar descobrir o que está à vista mas os olhos não conseguem ver, assim se construindo o policial, uma obra de alegria trágica, tendo o suspense como ponto central, inclusive quando

há um espião que chegou misturado entre a gentalha, facto que não escapou aos “radares” da polícia. No lugar de se manter passiva, a Polícia preferiu a perseguição, afinal, os fora da

lei deixam sempre um rasto, ou se não o deixam o pessoal da secreta inventa, desde que, no fim da linha, pelo farejar qual cão pisteiro se chegue a esses camuflados que colocam o Estado em risco. O que é pôr o Estado em risco? É assunto para outro livro, até porque o nosso não está em risco, há muito que se eclipsou. E segue o livro, sucedem-se as surpresas e a escrita assustadora, quando «Bachiro desejava sair daquele esconderijo que o mantinha com a pele perfurada pelos espinhos. A passos de lã, e resguardado de olhares, caminhou em direcção às dependências da casa. Ao entrar numa delas, sentiu que reinava uma escuridão de breu. Um odor calcinante, quase de queimar as entranhas, cortou-lhe momentaneamente a respiração.»

 

Zero sobre Zero é uma cruzada cujos líderes são polícias/detetives que montam peças soltas até ao desvendar de um negócio de uma máfia igual a tantas e tantas por esse mundo fora. Calhou neste caso que essa criminalidade se tenha vindo instalar em Maputo, local chamado ao texto por algumas das suas avenidas e pelo Portugália, mítico bar incrustado no coração do bairro Central, referência da capital moçambicana.

 

Aurélio Furdela faz o texto singrar por múltiplas vias, com efeito, onde entra a Polícia, vive-se sempre uma situação desagradável, devido sobretudo àqueles que não estão em conformidade com as leis que os humanos seguem. O fluir do texto não desperdiça as técnicas narrativas e permite que mesmo quem não é profissional também possa aprofundar as linhas de investigação rumo ao ponto final.

É gratificante passear no interior deste romance policial, onde a escrita substitui a já batida e muitas vezes esbatida sétima arte, procurando respostas ao mesmo tempo que se tenta satisfazer a curiosidade que este género suscita. Pois. Se Agatha Christie defende que «a evolução é um processo lento», seguindo as coordenadas desta estória, encontra-se um escritor constante, que tem corrido ao longo das últimas duas décadas, e cujo livro conduz ao desdobramento da investigação, fio condutor que apresenta, nos últimos momentos da narrativa, um cair do pano feito à medida.

Não se pede nem exige que este seja o maior e o melhor livro policial escrito em Moçambique, não se pretende, aqui, transformá-lo no best-seller da literatura moçambicana

ou universal, assume-se, tão somente, o texto de um autor que, sendo inicial neste género,

mostra que sabe por que linhas se cose o romance policial, e que, se por esse caminho for,

certamente alcançará o que de melhor este tipo de texto nos pode oferecer.

De Edgar Allan Poe, pai do romance policial, a quem é atribuída a figura dos eyes like windows – mais ou menos, os olhos são o espelho da alma, lembramo-nos ao ler este romance policial, que não deixa de ser um jogo de espelhos, uma convivência com sombras, um vulto de mistérios, porque o um que não existe, por ser zero sobre zero, tem pelo menos duas dimensões:

– um número trinta (30) que é trinta e um (31), ou

– um número trinta e um (31) que é trinta (30).

Afinal, o que é a vida senão um mistério sobre o que será o amanhã?

Cansados que estamos de ver desfilar, em vermelhas passerelles, um marginal que, não se aguentando ele próprio, arma-se em carapau de corrida, qual promotor artístico, e coloca em si próprio uma coroa de nome importado e anglicizado, ainda somos obrigados a  admitir a utilização do nosso belo e profundo MOZ por um qualquer macaco de imitação, sem simbolismo, significado ou validade.

Apesar da coroação da mediocridade e do embrutecimento generalizado, Edgar Allan Poe pode ficar descansado, em Moçambique, a sua arte está bem entregue.

* Título original do texto: A CAMINHO DO DESCONHECIDO

 

A obra “Um Umbigo Arde na Boca”, de M. P. Bonde será lançada no dia 27 de Fevereiro, às 17h30, no Business Lounge by NedBank, Cidade de Maputo

 

No dia 27 do mês em curso, a Gala-Gala Edições vai lançar o livro “Um Umbigo Arde na Boca”, do poeta  M. P. Bonde.

Trata-se de uma obra literária constituída por 60 páginas, com os   cadernos “Margem” e “Porções do Tempo”.

Para Gala Gala, o que melhor define a obra em prosa poética e estrofes é a intensidade e a autenticidade.

O docente universitário Albino Macuácua, que assina o prefácio, escreve: “Este livro é a manifestação de um elevado grau de consciência sobre uma ‘poesia poética e prosaica’ […]”.

Para Macuácua, citado na nota de imprensa da Gala Gala, “Um Umbigo Arde na Boca” representa uma evocação mais do que simbólica do passado, em que o poeta critica uma tendência quase que mórbida e patogénica de se querer construir um presente e também um futuro sem se conhecerem as referências que perfazem e enformam o passado.

Um Umbigo Arde na Bocaintegra a colecção Biblioteca de Poesia Rui de Noronha da Gala-Gala Edições.

A apresentação do livro estará a cargo do Professor e Ensaista Francisco Noa. Sérgio Miambo e Salésio Massango abrilhantarão a tarde com música e poesia, respectivamente.

Sobre o autor

M. P. Bonde nasceu em Maputo. Foi membro do Projecto Jovens e Amigos da Cultura (JOAC) e do colectivo Arrabenta Xithokozelo. Lançou a sua primeira obra literária, Ensaios Poéticos, em 2017. No mesmo ano, foi vencedor da 1.ª edição do Prémio Literário Fernando Leite Couto, com Descrição das Sombras. Publicou ainda Aroma Fóssil (2022) e o e-book pintando a mudez na pele da língua (2024). Tem textos publicados em jornais, revistas electrónicas e bloguesnacionais e estrangeiros. Em 2018, obteve o 2.º lugar no 14.º Prémio Escriba de Poesia (São Paulo). É membro da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO).

Para mais informações, por favor, não hesite em contactar-nosatravés dos seguintes meios:

Na quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025, a pacata Vila de Homoíne, na província de Inhambane, foi abalada por manifestações intensas que reflectiram o crescente descontentamento da população, face ao elevado custo de vida e outras questões sociais. O que começou como um protesto pacífico rapidamente escalou para episódios de violência e vandalismo, deixando marcas na comunidade local.

Fontes locais indicam que os tumultos foram desencadeados por três factores principais:

A inflação dos preços dos bens essenciais tornou-se insustentável para grande parte da população, que já não consegue suprir as necessidades básicas.

Na Escola Secundária Joaquim Chissano de Homoíne, os alunos eram obrigados a pagar taxas adicionais para a segurança (dinheiro do guarda) e a adquirir uniformes escolares exclusivamente na instituição, ao preço de 1 500,00 Meticais, valores considerados exorbitantes pelos encarregados de educação.

A imposição de aquisição dos uniformes na própria escola gerou revolta entre os pais, que viam na prática uma forma de exploração económica.

A insatisfação culminou quando um grupo de manifestantes se dirigiu à Escola Secundária Joaquim Chissano de Homoíne, para exigir a devolução das taxas pagas e a revisão das políticas de uniformes. Perante a recusa das autoridades escolares, os ânimos exaltaram-se, resultando no incêndio da viatura do diretor da instituição. O veículo, adquirido recentemente através de um financiamento bancário, foi completamente consumido pelas chamas, simbolizando a fúria e o desespero dos manifestantes.

Paralelamente, outros grupos de protestatários concentraram-se no centro da vila, onde invadiram o edifício do Conselho Municipal local. As autoridades, incluindo o Administrador, foram obrigadas a abandonar as instalações e a procurar refúgio, temendo pela sua integridade física. A sede distrital do partido Frelimo também não escapou à onda de vandalismo, reflectindo a extensão do descontentamento popular.

Na quinta-feira, 20 de fevereiro, o cenário comercial de Homoíne sofreu alterações drásticas. Após um frente a frente entre a população e os comerciantes, especialmente os armazenistas de origem indiana, houve uma redução significativa nos preços dos produtos de primeira necessidade. Inicialmente, os comerciantes resistiram às exigências populares, mas perante ameaças de saque e destruição dos seus estabelecimentos, cederam e ajustaram os preços. Por exemplo, o saco de 25 kg de arroz, que anteriormente custava entre 1 600,00 e 1 700,00 Meticais, passou a ser vendido por valores entre 890,00 e 1 300,00 Meticais. O feijão-manteiga, cujo preço era de 150,00 Meticais por quilograma, foi reduzido para 80,00 Meticais.

Estas reduções provocaram uma afluência massiva de consumidores aos estabelecimentos comerciais, com centenas de pessoas a enfrentar longas filas, mesmo sob condições meteorológicas adversas, na esperança de adquirir produtos a preços mais acessíveis.

No entanto, os comerciantes alertam para a insustentabilidade desses preços reduzidos, indicando que vender abaixo do custo poderia levar ao desabastecimento e eventual falência dos negócios locais.

Depois de conquistar a Taça de Moçambique na época passada, na condição de um “out-sider”, após um arranque titubeante no Moçambola, o Ferroviário de Maputo apresentou, nesta quinta-feira, o seu plantel para a presente temporada futebolística. 

É um Ferroviário renovado em ideias e perspectivas, de tal sorte que em 2025 vai se apresentar com uma nova imagem, através de uma  linhagem de equipamentos para os treinos, jogos e estágios. 

Primeiro clube a abrir as “oficinas” e, por isso mesmo, já na segunda fase de preparação tendo em vista atacar a época que já vai começar no dia 15 do próximo mês, quando enfrentar a Associação Black Bulls na Supertaça, o Ferroviário de Maputo apresentou um plantel com uma mescla de jogadores, desde novas caras, antigas e aqueles que espreitam o escalão máximo pela primeira vez. 

Já sem muito provar e com as credenciais devidamente autenticadas, Telinho é um dos jogadores que se junta aos “locomotivas”da capital do país, após uma passagem de memórias frescas pelo homónimo de Nampula onde alinhou por duas épocas. 

É dos reforços sonantes mesmo na perspectiva de o clube alcançar outras conquistas maiores, numa lista em que salta, também, a vista o nome de Elias Macamo, nada mais nada menos que o segundo melhor marcador da edição passada do Moçambola com 12 golos, apenas superado pelo capitão da Black Bulls, Kadre, com 14 tentos. 

Da sua canteira de formação, o Ferroviário de Maputo foi buscar cinco jogadores, defesas, médios e avançados, os quais vão procurar um lugar ao sol na equipa de Carlos Manuel. 

O defesa central e capitão do emblema verde e branco, Jeitoso, continua sendo a “velha raposa” do Ferroviário, com 12 anos a vestir a camisola do clube, com um intervalo no meio para uma experiência no estrangeiro, mais concretamente no Cape Town City, bem na porta ao lado (África do Sul).  

 

CONQUISTAR TODAS AS PROVAS  

Apresentação feita com requintes, sonhos e objectivos. Mesmo nessa senda de objectivos, a direcção do Ferroviário deposita confiança na estrutura que montou e, nesse sentido, exige que a equipa conquiste todas as provas nacionais, com destaque para o Moçambola, competição que não vence desde 2015 e revalidar o título da Taça de Moçambique. 

“Entendemos que o clube Ferroviário tem capacidades e tem um plantel, como puderam ver, que nos garante a conquista dessas provas. Renovamos, por exemplo, com a equipa técnica por entendermos que foi desenvolvido um bom trabalho no ano passado. É nossa responsabilidade manter essa equipa ganhadora”, desafiou o presidente do clube, Arnaldo Manjate. 

Mais do que vencer as provas nacionais nas quais o clube estará envolvido, a direcção liderada por Arnaldo Manjate entende que o Ferroviário tem a responsabilidade de manter o desporto moçambicano vivo. 

Esse compromisso, tal como explicou Manjate, passa por representar condignamente o país nas Afrotaças, no caso na Taça Nelson Mandela, na qualidade de vencedor da Taça de Moçambique. 

“Provavelmente, se o tempo permitir nos próximos meses, possamos fazer mais contratações para potenciar esta equipa olhando para a participação nas afrotaças”. Esse facto, segundo Arnaldo Manjate, vai depender do aproveitamento que a equipa demonstrar ao longo dos próximos dias, ou seja, antes do arranque da disputa da Taça CAF. 

A equipa técnica, que continua liderada por Carlos Manuel, está ciente dos objectivos traçados para a presente temporada e, por isso mesmo, garante muito trabalho.

“Pode-se esperar por um Ferroviário de Maputo trabalhador. Trabalhador para atingir os objectivos do clube, que passam pela conquista do Moçambola, revalidação da Taca de Mocambique e quiçá chegar a fase de grupos da Taça CAF”, garante Caló, por sinal técnico responsável pelo último título do Moçambola pelo Ferroviário de Maputo, em 2015. 

Para Calo há muitos elementos que lhe indiquem o caminho do sucesso, um deles é a qualidade do plantel que, como se regozija, possui jogadores escolhidos a dedo.

“É um plantel formado minuciosamente, por isso sentimos que há garantias para atingirmos os objectivos preconizados para esta temporada”, regozija-se Caló, que conta também com a garantia dos jogadores dada pelo respectivo capitão, Jeitoso. 

 

O Brera FC definitivamente desistiu do Moçambola 2025. O clube já enviou uma carta à Liga Moçambicana de Futebol, em que explica as razões que precipitaram a decisão, com destaque para a incapacidade financeira que enfrenta motivada pela retirada do principal patrocinador. 

A direcção do Brera liderada por Simão Cossa já havia lançado sinais no mês passado sobre uma possível desistência caso não conseguisse um parceiro. O clube, que foi criado há três anos, desiste do Moçambola um após a sua ascensão à prova. 

Assim, a Liga Moçambicana de Futebol deverá encontrar uma equipa para substituir este emblema na principal prova futebolística nacional.  

Diversos supermercados da cidade de Tete não tem produtos para venda devido a sua escassez, o que provoca alguma agitação da população, que procura adquirir algo para o seu consumo diário.

O frango e o peixe são dos produtos mais procurados e que não são encontrados nos frigoríficos dos supermercados, o que deixa os consumidores queixosos devido a dificuldades para encontrar o produto.

“Tenho que procurar outros meios. Ontem fui lá no oceano, no fresco, vi que não tinha frango. Só tinha aquelas galinhas cafreal e acabei deixando também”, disse uma consumidora.

Para além do frango nacional congelado, algumas lojas e supermercados também estão a registrar uma redução no stock de carapau. Augusto Dias foi a uma loja bastante concorrida no centro da cidade para comprar carapau, mas para sua surpresa, teve que regressar à casa de mãos vazias por falta de peixe. 

“Eu só queria comprar peixe carapau, mas não tem. Vou procurar couve para conseguir comer”, contou Augusto Dias.

Os potenciais revendedores dizem que a situação tem cerca de duas semanas, mas alegam não ter culpa, uma vez que dependem dos seus fornecedores. Entretanto, o único frango congelado disponível nas arcas frigoríficas dos supermercados é importado, segundo disse um fornecedor. 

“O frango, já tem duas semanas sem termos. O peixe começou esta semana a escassear. Semana passada, sexta-feira, já não havia mais peixe carapau”, contou.

Outro fornecedor disse que o peixe só chega a cidade da Beira na próxima semana, uma vez que o navio que o transporta está na Namíbia. 

Sobre o assunto, a nossa equipa de reportagem contactou Abílio Antunes, um dos maiores produtores e fornecedores de frangos. Sem gravar entrevista, os responsáveis da empresa confirmaram a escassez do produto e submeteram-nos ao patronato, na província de Manica, para mais detalhes.

Contactamos igualmente o Director Provincial de Indústria e Comércio, mas Ofélio Jeremias nega que haja escassez e explica que a alegada falta de frango congelado e carapau é fruto de fraca capacidade de gestão dos revendedores. 

“Em relação ao depósito da Abílio Antunes, já vai-se garantir a sua reposição e para garantir a distribuição nos outros sectores. Mas não significa que este produto está completamente escasso. Não! Existe em outros estabelecimentos”, explicou Ofélio Jeremias.

Jeremias garantiu ainda que nos locais onde há falta, a reposição será feita em poucos dias. “Naturalmente pode acontecer que em um ou outro estabelecimento não tenha este produto, mas pensamos que dentro de pouco tempo em todos os estabelecimentos que vendem este produto terão à sua disposição. Portanto, queremos aproveitar essa oportunidade para alertar os agentes econômicos para sempre assegurar a reposição de stocks. Não esperar que os stocks se esgotem completamente para depois procurá-los. Portanto, é uma questão de gestão”, sensibilizou.

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