O Governador da Província defendeu o aproveitamento da terra ociosa como uma das principais estratégias para responder à crescente procura de parcelas para habitação, agricultura e investimento, considerando que a existência de extensas áreas ocupadas, mas sem qualquer exploração, representa uma oportunidade para acelerar o desenvolvimento económico e social.
Durante a sua intervenção, o governante afirmou que o aumento da procura de terra contrasta com a existência de vastas áreas improdutivas, situação que, segundo disse, deve ser encarada como uma oportunidade para a criação de novos assentamentos humanos devidamente planificados, para o desenvolvimento de uma agricultura moderna e para a atracção de investimentos de grande escala.
Acrescentou que o aproveitamento dessas áreas permitirá aumentar a produção e a produtividade, criar postos de trabalho, sobretudo para os jovens, e gerar rendimentos para as famílias, contribuindo para o crescimento sustentável da província.
O Governador sublinhou que a concretização destes objectivos depende de uma actuação organizada da administração pública, baseada numa planificação rigorosa, acompanhamento permanente e maior presença das autoridades no terreno.
Referindo-se ao crescimento urbano, manifestou preocupação com a ocupação desordenada de terrenos, particularmente na cidade da Matola, onde, segundo afirmou, continuam a surgir bairros sem qualquer ordenamento territorial. Defendeu, por isso, uma mudança de abordagem, de forma a garantir um crescimento urbano mais organizado e sustentável.
Outro aspecto apontado como preocupação prende-se com a demora na emissão dos títulos de uso e aproveitamento da terra (DUAT). O Governador considerou inaceitável que cidadãos permaneçam um, dois ou mais anos à espera da documentação necessária para implementar projectos de investimento ou construir as suas habitações.
Na sua perspectiva, a morosidade nos processos administrativos favorece as ocupações ilegais de terra, alimenta conflitos fundiários, gera instabilidade socioeconómica e compromete o ritmo de desenvolvimento da província.
Perante este cenário, apelou aos serviços competentes para imprimirem maior celeridade na tramitação dos processos, assegurando que o acesso legal à terra decorra de forma mais eficiente e contribua para a promoção do desenvolvimento sustentável.
Trabalhadores do cemitério Chali, em KaTembe, denunciam uma suposta vala comum e péssimas condições de trabalho. A denúncia é feita através de um vídeo que circula nas redes sociais. A situação preocupa os moradores.
A denúncia é feita através de um vídeo amador que circula nas redes sociais e que mostra muitos sacos de objectos hospitalares, um deles contendo a perna de uma pessoa morta, sendo mostrados por dois funcionários do cemitério. “Só para você ter noção do que está a acontecer aqui, no terreno, as coisas todas estão aqui”, dizia um dos funcionários do cemitério, no referido vídeo amador.
Além de estranhar os supostos corpos, os trabalhadores falam de péssimas condições de trabalho. A indignação é também dos moradores do quarteirão 10, nas imediações do cemitério Chali, no bairro com o mesmo nome, na KaTembe.
“O que nós estamos a chorar é por causa dessas pessoas que estão aqui, enterradas de qualquer maneira e que provocam um cheiro nauseabundo aqui. Não sabemos se amanhã vamos tomar chá no quintal ou termos o almoço à vontade, ou se a noite vamos dormir em paz”, disse um residente do bairro Chali.
Uma residente do mesmo bairro, também falando em anonimato, disse que tudo aconteceu na sexta-feira e “eu só vi meus vizinhos a dizerem que no cemitério deitaram coisas estranhas, vamos lá ver. Quando chegámos lá, acabavam de enterrar, mas só tentaram fechar um pouco, e aquele coveiro disse que eram cerca de 60 plásticos”.
Também em anonimato, outra cidadã conta a sua versão dos factos. “Meus irmãos estavam a brincar, estavam no muro do cemitério, porque eles gostam de brincar ali em cima. Depois viram uma ambulância chegar ali. Começou a retirar os corpos, muitos corpos nos plásticos, transparentes, pretos, rosa. Deitaram ali mesmo. Depois, meu irmão ficou assustado. Chegou à casa e disse-me o que estava a acontecer. Eu saí, chamei minhas tias, chamámos os vizinhos, fomos lá espreitar o que eles estavam a ver. De facto, aquelas crianças que foram enterradas ali, quase nem foram enterradas, colocaram num plástico, depois começaram a tapar com areia, e depois chamámos o chefe de quarteirão”, contou.
Entre as denúncias está também uma suposta perseguição por parte da polícia aos moradores responsáveis pela gravação dos vídeos que circulam nas redes sociais. Duas moradoras denunciaram perseguições e ameaças de agentes do SERNIC.
“Depois da situação que houve aqui, no cemitério, no mesmo dia, um agente do SERNIC chamou-me, puxou-me para o lado, disse que era para eu entregar o vídeo que tenho, senão me mataria. Disse que o SERNIC não leva tempo para matar. Eu disse que não tinha nenhum vídeo, e, de facto, eu não tinha nenhum vídeo. Apenas vi o vídeo aqui, assisti, porque o meu telefone não tinha carga. Daí fiquei, voltei para casa, e tive medo, porque ele me ameaçou de morte. Saí, fugi, fui-me esconder com as minhas irmãs na cidade”, contou.
Contactada pela equipa do “O País”, a Direcção de Saúde da KaTembe rebate a reclamação dos moradores e diz que não se trata de restos mortais, tal como disse Francisco Mucavel, director distrital de Saúde da KaTembe.
“Não se trata de restos mortais, mas sim de placentas, placentas que são membranas que ligam o bebê à mulher durante a gravidez e após o parto, esta mesma membrana expulsa e necessita de algum tratamento especial. Tratando-se de material biológico com potencial contagioso, não pode ser depositado em contentores de lixo comum. E o lugar mais indicado para o tratamento deste tipo de material geralmente são os cemitérios. Olhando também para o perfil das unidades sanitárias do Distrito de KaTembe, que não tem capacidade cirúrgica, não é possível produzir lixo anatómico como, por exemplo, membros como perna, braços, entre outros, mas sim placentas. Importa também salientar que o distrito da KaTembe tem duas maternidades que concorrem para a produção deste tipo de material”, revelou Francisco Mucavel.
Até à saída da nossa equipa de reportagem do local, o cemitério de Chali estava com os portões fechados.
Na 97ª edição dos Oscars, o filme “Anora” foi o grande vencedor da noite, coleccionando os Oscars de Melhor Filme, Melhor Realizador (Sean Baker) e Melhor Actriz (Mikey Madison). Adrien Brody ganhou a estatueta de Melhor Actor pelo seu papel em “O Brutalista”, e o filme brasileiro “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, foi o Melhor Internacional
Não faltaram surpresas na grande noite dos Oscars, que se realizou este domingo em Hollywood, Los Angeles, nos Estados Unidos. Durante o evento anual, “Anora” destacou-se diante de alguns fortes candidatos, como “O brutalista” e “Emilia Pérez”, e conquistou galardões importantes, como Melhor Filme. Na verdade, a realização de Sean Baker foi a grande vencedora da noite, levando para casa cinco Oscars. Além da mais apetecida, coleccionou ainda as importantes estatuetas de Melhor Realizador (Sean Baker) e Melhor Actriz (Mikey Madison), a que juntaram os Óscares de Melhor Argumento Original e Melhor Montagem.
Adrien Brody ganhou o Oscar de Melhor Actorc pelo seu papel em “O Brutalista”, filme que acabou por ser o grande derrotado da gala no Dolby Theatre, apresentada por Conan O’Brien. Realizado por Brady Corbet, venceu em apenas três categorias. Cumprindo as expectativas mais realistas, o filme brasileiro “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, foi o Melhor Internacional, representando, assim, o universo de língua oficial portuguesa.
Abaixo, segue a lista dos vencedores em todas as categorias:
Melhor Filme, Anora; Melhor Realizador, Sean Baker (Anora); Melhor Actor Principal, Adrien Brody (O Brutalista); Melhor Actriz Principal, Mikey Madison (Anora); Melhor Actor Secundário, Kieran Culkin (A Verdadeira Dor); Melhor Actriz Secundária, Zoe Saldaña, (Emilia Pérez); Melhor Filme Estrangeiro, Ainda Estou Aqui; Melhor Argumento Original,
Anora; Melhor Argumento Adaptado, Conclave; Melhor Documentário, No Other Land; Melhor Caracterização, A Substância; Melhor Guarda-Roupa, Wicked; Filme de Animação,
Flow; Melhor Banda-Sonora Original, O Brutalista; Melhor Canção Original, El Mal, de Emilia Pérez; Melhor Fotografia, O Brutalista; Melhores Efeitos Visuais, Duna: Parte Dois; Melhor Som, Duna: Parte Dois; Melhor Montagem, Anora; Melhor Design de Produção, Wicked; Melhor Documentário de Curta-Metragem, The Only Girl In The Orchestra; Melhor Curta-Metragem, I’m Not A Robot; e Melhor Curta-Metragem de Animação, In The Shadow Of The Cypress.
Uma criança de quatro anos se tornou a segunda pessoa a morrer de Ébola em Uganda, desde que o surto anunciado no final de Janeiro, informou a Organização Mundial da Saúde.
A morte da criança é vista como um revés para as autoridades de saúde de Uganda, que esperavam que a doença altamente infecciosa tivesse sido contida depois que oito pessoas se recuperaram após o tratamento.
A criança perdeu a vida no Hospital Mulago, na capital Kampala, a única unidade do país a lidar com casos de Ebola.
A primeira vítima foi um enfermeiro, que morreu um dia antes do surto ser declarado, a 30 de Janeiro.
Os sintomas da doença frequentemente fatal incluem febre, dores de cabeça, dores musculares e sangramento. O vírus é transmitido por meio do contacto com fluidos corporais e tecidos infectados.
A OMS doou à Uganda pelo menos três milhões de dólares para apoiar sua resposta ao Ébola, mas há preocupações sobre a ajuda após a decisão do governo dos EUA de cortar o financiamento à USAID.
O último surto em Uganda, descoberto em Setembro de 2022, matou pelo menos 55 pessoas antes de ser declarado encerrado em Janeiro de 2023.
Mais de 15 mil pessoas morreram de Ébola em África, nos últimos 50 anos. A doença foi descoberta em 1976, em surtos simultâneos no Sudão do Sul e no Congo, onde ocorreu em uma vila perto do Rio Ébola, que deu nome à doença.
Na última terça-feira, autoridades de saúde de Uganda confirmaram que o país registou 10 infecções pela cepa sudanesa do vírus.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, manifestou disponibilidade para se reunir novamente com o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, com vista a assinar o acordo sobre minerais, que ficou por rubricar depois da discussão da última sexta-feira, na Casa Branca
Em entrevista a vários jornalistas britânicos, antes de deixar o Reino Unido, onde participou numa cimeira com líderes internacionais, o presidente ucraniano considerou que o desentendimento com Donald Trump e com o vice-presidente, JD Vance, não trouxe nada de positivo para a paz.
Volodymyr Zelensky explicou que apenas queria que a posição da Ucrânia fosse ouvida, não queria que a sua posição fosse ambígua, escusando-se a responder sobre se considera ter sido “emboscado” pelos líderes dos Estados Unidos.
Zelensky insistiu que voltará a falar com o presidente dos EUA se for convidado a resolver os problemas reais e garante estar pronto para assinar o pacto mineral.
Acerca do plano de paz franco-britânico que o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, apresentou aos aliados europeus, Zelensky considerou que dará frutos nas próximas semanas.
Questionado sobre a trégua de um mês nas infra-estruturas aéreas, marítimas e energéticas da Ucrânia proposta pelo plano e anunciada pelo Presidente francês, Zelensky referiu apenas estar “ciente de tudo”.
Rejeitou ainda que em hipotéticas negociações de paz com a Rússia o seu país concordasse em desistir dos territórios ocupados pelos russos, uma vez que isso seria uma separação forçada e uma coerção, o que implicaria o risco de novas hostilidades no futuro.
O Município de Tete falhou o prazo de colocação de sinais de trânsito nas principais ruas e avenidas da cidade. As obras deveriam terminar em Junho do ano passado, mas até aqui nada de concreto está a ser feito.
Em 2024, a edilidade, através do então vereador para área de Infraestruturas e Trânsito, prometeu sinalizar devidamente as ruas e avenidas do Município de Tete até ao mês de Junho. No entanto, volvidos cerca de cerca de oito meses, a edilidade ainda não concluiu os trabalhos e parte das estradas já intervencionadas apresentam problemas nas pinturas das faixas laterais e centrais.
A sinalização insuficiente ou inadequada das rodovias, aliada à ausência das autoridades reguladoras de trânsito, são apontadas como presumíveis causas de acidentes. Os munícipes, sobretudo crianças, arriscam suas vidas no meio de carros e motorizadas.
Sobre o assunto, o edil de Tete diz que os trabalhos não foram concluídos no período previsto por causa da falta de meios, mas assegura que os trabalhos deverão retomar, assim que a chuva abrandar.
De acordo com as autoridades, pelo menos uma pessoa morreu, vítima de atropelamento a cada três meses na província de Tete.
Quatro pessoas morreram em vários ataques israelitas na Faixa de Gaza, após ter expirado a primeira fase do acordo de cessar-fogo.
De acordo com o Notícias ao Minuto, duas pessoas morreram num ataque com drones à cidade de Beit Hanoun, no norte da Faixa de Gaza. Por outro lado, uma mulher foi morta num outro ataque em Khan Yunis (no sul) e um jovem foi atingido por um atirador israelita quando estava no telhado da sua casa, em Rafah, no extremo sul do enclave.
As autoridades de saúde contabilizam ainda 12 feridos na sequência dos ataques, que acontecem depois de ter terminado, este sábado, a primeira fase do cessar-fogo e de as negociações para a segunda fase não terem ainda começado.
Enquanto isso, o Hamas exigiu, hoje, a implementação da segunda fase do cessar-fogo na Faixa de Gaza, criticando a proposta norte-americana de uma trégua até meados de Abril, uma proposta que foi aceite por Israel.
Os operadores turísticos da Ponta D´Ouro queixam-se da falta de clientes, desde o início dos protestos no país, que também se fazem sentir naquele ponto turístico do país, com tumultos e bloqueios nas vias com o objectivo de obrigar a redução dos preços dos produtos.
Segundo a Presidente do Conselho Empresarial de Matutuine, Celma Issufo, nenhum estabelecimento foi vandalizado ou saqueado, mas a situação que se vive tem retraído a presença de visitantes naquele local.
Não há clientes, nem das instituições que, para lá se deslocam para realizar as suas conferências e nem os que vão para fazer turismo, que geralmente, tem ido para lá aos fins de semana.
“O cliente não vai se deslocar para uma instância sem saber se vai regressar para casa ou se terá algum bloqueio na rua, ou se seu carro será vandalizado e nesta situação entendemos que ninguém vai usar os seus fundos para ir fazer turismo, porque com tudo isto a acontecer não sabemos como será o dia de amanhã”, lamentou a Celma Issufo.
Com as praias vazias, restaurantes sem clientes e hoteis sem hóspedes, nem o pequeno negócio flui, como a venda de artigos de artesanato e muito menos os grandes negócios, o que já se faz sentir nas contas dos operadores turísticos, que dizem já estar a ter dificuldades para pagar os salários dos seus funcionários, e outras despesas correntes.
“O que nos aflige mais é o salário. Estamos a fazer manobras para tirar dinheiro de onde não existe, porque não podemos nem recorrer a fundos de curto prazo para pagar salários, porque não é sustentável. Agora o pagamento das nossas despesas básicas até tentamos ver como gerir e negociar com os nossos fornecedores, mas a situação não está boa”, disse.
Por conta da situação, a presidente do Conselho Empresarial de Matutuine, revelou que alguns estabelecimentos têm optado em fechar as portas por um ou dois dias, por semana, como forma de conter os custos.
Com a situação assim, a esperança, agora é que as coisas se tranquilizem, nos próximos dias para que na páscoa possam ter algum fluxo de clientes.
O Egipto rejeitou as tentativas de formação de um governo paralelo no Sudão por parte do grupo paramilitar das Forças de Apoio Rápido (RSF), em conjunto com outros 23 grupos políticos e militares.
“A República Árabe do Egito exprime a sua rejeição de qualquer tentativa de ameaçar a unidade, a soberania e a paz nos territórios do irmão Sudão, incluindo a tentativa de formar um governo sudanês em paralelo”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Egito em comunicado citado pela agência France-Presse (AFP).
No dia 22 de Fevereiro, os grupos políticos e militares sudaneses, sob uma Aliança Fundadora do Sudão, assinaram uma carta política na qual acordavam os princípios e as bases para a construção de “um novo Sudão” e que permitia a “autodeterminação” em áreas controladas pelas RSF.
No entender do ministério egípcio, este passo “complica o cenário no Sudão, dificulta os esforços em curso para unificar as visões entre as forças políticas sudanesas e agrava a situação humanitária”.
A tentativa de formar um governo paralelo surge num contexto em que as RSF têm perdido território para o Exército, especialmente nos estados de Cartum e Al Jazira, sendo que as Forças Armadas também têm conseguido penetrar no Cordofão do Norte e recuperado o controlo de localidades estratégicas.
Há três anos que mais de 50 mil idosos aguardam pelo subsídio social na província de Gaza. Além da fome, muitos queixam-se de problemas de saúde.
O governo alega défice orçamental para o pagamento integral dos 6 mil milhões em dívida.
“É triste o que vivo, estou há seis dias sem comer. Para poder comer dependo da caridade dos vizinhos. Todos os dias tenho que pedir esmola, por exemplo, hoje as panelas estão assim vazias”, lamentou José Manuel, beneficiário do programa Subsídio Social Básico.
E, nas comunidades, encontramos histórias de pessoas que atravessam dias difíceis, na sequência da deficiente canalização do subsídio na província. A idosa Catarina Samuel, de 86 anos de idade, revela estar a passar por adversidades e dificuldades alimentares até porque “ desde que prometeram pagar nunca mais ouvimos nada”
Fazem parte do programa subsídio social básico (PSSB) idosos com mais 60 anos de idade, pessoas com deficiência permanente. E, a fixação do valor ajusta-se ao número do agregado familiar: Uma Pessoa recebe 540 meticais, para duas pessoas chega a 640 meticais, 740 meticais para três pessoas, 840 meticais para quatro, e mil meticais para um agregado de cinco pessoas.
De acordo com os critérios de fixação de valores por agregados familiares, Joana Nhampossa, com seis dependentes devia receber mil meticais, por mas até os 415 meticais que recebia, diz que foram cortados há três anos.
“Cortaram o valor. Recebia 415 meticais e meu esposo perdeu a vida em 2006. Depois disso fiquei a minha sorte. Tenho seis filhos” , disse uma beneficiária.
E, porque não tem quem garanta o sustento da sua família,Joana Nhampossa acorda cedo todos dias. Superando a sua condição física, marca passos lentos, mas firmes. Debaixo do sol ardente, moscas à mistura de cheiro insuportável, é lá está a mulher vasculhando o lixo para escapar da fome. “-Não tens medo de ficar doente?-Às vezes fico doente, mas a vida está difícil”, respondeu.
É uma jornada diária de mais de 10 horas. Mas reservou parte do seu tempo para a falar ao “País”.
“Sim, todos dias trabalho com fome.Consigo algum valor, com qual compro dois ou três quilogramas de arroz para alimentar os meus filhos
José Manuel, com lágrimas nos olhos, conta a sua história. Não bastasse o cansaço físico, acumulado após anos de trabalho pesado, o idoso de 89 anos enfrenta dias de intensa solidão e incerteza resultante do abandono da sua esposa e filhos.
“Prefiro a morte que viver assim. Sofri um acidente de trabalho e fui hospitalizado por alguns meses, quando voltei para casa a minha mulher levou meu filhos e foi embora”, lamentou.
O facto sucedeu há 3 anos, após contrair uma lesão grave nos membros inferiores fruto de um acidente de trabalho Uma situação que requer cuidados de saúde, entretanto, a sua condição financeira não permite.
“Estou há três anos sem receber o valor do subsídio social básico, por conta disso, tenho dificuldades para cuidar da minha saúde. Estou a sofrer, talvez se pagassem um ou três meses compraria pelo menos um saco de farinha” , referiu.
Pascoal Nhalivilo, de 77 anos de idade, outro beneficiário do subsídio social básico que se diz privado de acesso a medicamentos, incluindo pagamento de despesas básicas. “Sinto dores nas costas devido a tensão, e a culpa disso não é minha. Estou a sofrer a minha casa, também, está destruída.”
É porque o subsídio governamental garante a compra de produtos básicos para alimentação, o idoso diz estar a passar fome.
“Não tenho alimentos,por isso, tenho passado mal, e não tenho sequer um grão de comida. Pelo menos se pagassem os meses referentes aos três anos isso poderia ajudar-me.”
A directora do serviço provincial de assuntos sociais, Siana Daúde esclareceu que, devido à conjuntura económica do país, não há disponibilidade financeira para pagamento integral dos subsídios.
“Mas já começámos a fazer alguns pagamentos em Chibuto, Mandlakazi e Bilene, mas estamos a aferir noutros distritos. Mas para o caso dos outros meses a situação tem que ver com a crise que estamos a viver. E, o governo central vai saber como fazer a distribuição, mas que ficou em conta por se pagar acreditamos que sim”, admitiu.
O programa subsídio social Básico abrange quase 60 mil agregados familiares na província de Gaza