A 61.ª edição da Feira Agro-Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM), que encerra já este domingo, tem na exposição da pecuária um dos seus pontos de maior destaque. O certame serviu de palco para o anúncio, por parte do Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, da importação de 800 touros com o objectivo de melhorar a raça de gado bovino no país.
O certame, que decorre desde segunda-feira, permitiu aos criadores exibir exemplares de genética melhorada, animais de crescimento precoce e elevada qualidade de carne. Este esforço colectivo tem como meta estratégica reduzir a dependência das importações e fortalecer a soberania alimentar.
O Governo reiterou, na ocasião, que acompanha de perto o movimento, garantindo que esta iniciativa será acompanhada pela transferência de tecnologia e pela implementação de boas práticas junto dos produtores.
Para os pecuaristas, que aproveitaram o leilão realizado no sábado para transaccionar os seus melhores animais, começa a consolidar-se uma mudança de paradigma. A consciência de criar gado de corte, vocacionado para o mercado, ganha terreno face ao modelo tradicional de acumulação de cabeças de gado por longos períodos.
O apelo aos investidores nacionais é claro: existe um vasto mercado por explorar, uma vez que a oferta interna se revela ainda deficitária face às necessidades de consumo.
A modernização estende-se, igualmente, a outros sectores. Além dos bovinos, a feira exibiu aves de elevada produtividade, demonstrando que a procura pela qualidade se alastra a toda a produção pecuária.
Moçambique enfrenta agora o desafio de fazer crescer os efectivos exponencialmente, aproveitando as oportunidades de negócio que a FACIM, uma vez mais, evidenciou como motores para o desenvolvimento económico do país.
O presidente da Federação Moçambicana de Futebol, Feizal Sidat, disse que há uma possibilidade da selecção nacional de futebol, os Mambas, realizar um estágio curto antes de chegar à fase final do Campeonato Africano das Nações do Marrocos, em Dezembro próximo. A possibilidade foi deixada numa entrevista concedida ao jornal Esférico.
Ainda com seis meses de antecedência, a Federação Moçambicana de Futebol já prepara a participação dos Mambas na fase final do CAN do Marrocos, naquela que será a sua segunda participação consecutiva e a sexta na história.
Numa entrevista prestada ao jornal Esférico, Feizal Sidat deixou ficar a possibilidade de a selecção nacional de futebol cumprir um estágio pré-competitivo de 12 dias em Marrocos, antes do arranque do Campeonato Africano das Nações que vai acolher.
Para Sidat, o estágio iria ajudar a selecção a adaptar-se às temperaturas marroquinas, numa época de muito frio. “Temos o plano de estar em Marrocos 12 dias antes do arranque do Campeonato Africano das Nações, para poder fazer um estágio pré-competitivo. Lá faz muito frio em Dezembro e Janeiro, e acreditamos que esse período poderá ajudar a selecção nacional a se adaptar”, referiu Feizal Sidat ao Esférico.
O plano de estágio em Marrocos enquadra-se nas relações existentes entre as federações de futebol dos dois países, tendo em conta as visitas que o timoneiro da Casa do Futebol efectuou no ano passado.
Caso se concretize o referido estágio, o campeonato nacional de futebol, Moçambola, deverá terminar mais cedo, ou seja, em Novembro, para permitir que o seleccionador nacional possa fazer as suas escolhas que vão compor a convocatória e, assim, fazerem parte do estágio em Marrocos, numa altura em que os jogadores que actuam na Europa poderão chegar mais tarde devido aos compromissos que tem com os seus clubes.
Outro aspecto relacionado ao estágio em Marrocos é o facto de a selecção nacional poder realizar jogos de controlo com outras selecções qualificadas para o CAN, tal como aconteceu em 2023, quando se preparava para a prova da Costa do Marfim, ou mesmo com equipas locais que são conhecidas pela sua boa performance e prestação em provas continentais, com um histórico de conquistas, o que seria de mais-valia para o seleccionador nacional.
Na entrevista ao Esférico, Feizal Sidat falou ainda das possíveis nacionalizações de jogadores que actuam na Europa para fazerem parte do quadro de jogadores dos Mambas, nomeadamente Diogo Calila, jogador do Santa Clara, e Rúben Lameiras, avançado do Al-Sailiya do Qatar, mas formado no Tottenham da Inglaterra.
Sidat garantiu que os dois processos estão quase concluídos.
Relativamente a outros dois jogadores convidados a naturalizarem-se para também fazerem parte dos Mambas, nomeadamente Francisco Chissumba, do SC Braga, e Armindo Sieb, emprestado pelo Bayern de Munique ao Mainz, Feizal Sidat disse que recusaram os convites da Federação Moçambicana de Futebol.
“Francisco Chissumba agradeceu o convite e disse que está à espera de ser chamado para representar a selecção portuguesa. O mesmo aconteceu com o Armindo Sieb que espera pela selecção alemã”, disse Sidat ao Esférico.
Para já, a maior concentração da Federação Moçambicana de Futebol em relação aos Mambas são os jogos de qualificação para o Mundial de Futebol, já na data-FIFA de Agosto e Setembro, onde vão receber o Botswana e visitar Uganda.
Poderão ser parte da preparação do combinado nacional para a fase final do Campeonato Africano das Nações, prova que terá lugar no Marrocos, de 21 de Dezembro de 2025 a 18 de Janeiro de 2026.
Recorde-se que Moçambique estará integrado no grupo F da fase final, juntamente com Costa do Marfim, actual campeão em título, Camarões e Gabão.
Centenas de trabalhadores de várias agências das Nações Unidas manifestaram-se em frente à sede europeia da ONU para protestar contra os cortes de pessoal que muitas das organizações internacionais estão a sofrer.
Sob o lema “O pessoal da ONU não é mercadoria” e “Defendemos a humanidade”, a manifestação contou com a participação da Public Services International (PSI), da Federação das Associações Internacionais de Funcionários Públicos (Ficsa) e do Comité Coordenador dos Sindicatos e Associações da ONU (Ccisua).
“Estamos numa situação muito difícil e infeliz, em que não são apenas os governos do mundo que estão a ser atacados, mas também a ONU e as suas agências”, afirmou o secretário-geral da PSI, Daniel Bertossa, na manifestação de protesto.
Segundo a agência EFE, a situação está a ser agravada pela retirada de grande parte da ajuda do seu principal contribuinte, o governo dos Estados Unidos.
“Não somos uma mercadoria, mas seres humanos que têm direito a boas condições de trabalho e ao respeito pela nossa dignidade”, acrescentou a presidente do sindicato dos trabalhadores da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Severine Deboos.
Muitas das agências da ONU já estavam a sofrer crises orçamentais antes da chegada de Donald Trump, mas o regresso à Casa Branca do Presidente dos Estados Unidos, com uma atitude hostil ao multilateralismo, exacerbou os problemas e causou graves cortes no pessoal.
Na sequência do corte drástico na ajuda dos EUA, a Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) e o Programa Alimentar Mundial (PAM) reduziram o pessoal em todo o mundo em cerca de 30%, enquanto a OIT cortou 10% dos seus postos de trabalho, de acordo com os organizadores da manifestação.
Outras agências, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Organização Internacional para as Migrações (OIM), a ONUSIDA e o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) também foram obrigados a reduzir milhares de postos de trabalho, enquanto o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) viu o seu orçamento diminuir em 20%.
“Não são apenas estatísticas, por detrás delas estão milhares de pessoas que levam ajuda humanitária, asseguram o acesso à água potável, alimentos e cuidados de saúde, protegem os refugiados e as pessoas deslocadas, mantêm as crianças na escola, previnem o trabalho forçado e defendem os direitos humanos”, afirmaram as dirigentes da Ccisua e da Ficsa, Nathalie Meynet e Cristina Pierini.
Trabalhadores por toda a Ásia assinalaram o 1.º de Maio com marchas e protestos que evidenciaram o crescente desconforto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o receio de instabilidade económica global
O feriado, também conhecido como Dia Internacional dos Trabalhadores ou Dia do Trabalho, homenageia as lutas e conquistas dos trabalhadores e do movimento trabalhista.
Foram realizadas diversas manifestações em todo o mundo, incluindo na Europa e nos Estados Unidos.
Em vários países asiáticos, a agenda de Trump foi citada como uma fonte de preocupação.
Em Taiwan, o Presidente Lai Ching-te referiu-se às novas tarifas impostas por Trump ao promover uma proposta de lei de despesas destinada a estabilizar o mercado de trabalho e a apoiar os meios de subsistência.
Nas Filipinas, o líder do protesto, Mong Palatino, avisou que “as guerras tarifárias e as políticas de Trump” ameaçavam as indústrias locais.
No Japão, houve quem dissesse que as políticas de Trump pairavam sobre o dia como uma sombra, segundo a agência de notícias norte-americana Associated Press (AP).
Um camião da marcha de Tóquio ostentava um boneco parecido com o Presidente dos Estados Unidos.
As exigências dos participantes nas marchas no Japão iam desde salários mais altos e igualdade de género a cuidados de saúde, ajuda em caso de catástrofe, um cessar-fogo em Gaza e o fim da invasão russa na Ucrânia.
“Para que os nossos filhos possam viver com esperança, os direitos dos trabalhadores têm de ser reconhecidos”, disse Junko Kuramochi, membro de um grupo de mães em Tóquio.
Tadashi Ito, um trabalhador sindicalizado da construção civil, disse estar preocupado com o aumento dos preços das matérias-primas importadas.
“Toda a gente está a lutar por trabalho e, por isso, os contratos tendem a ir para onde os salários são mais baratos”, afirmou, citado pela AP.
“Pensamos que a paz está em primeiro lugar. E esperamos que Trump erradique os conflitos e as desigualdades”, acrescentou.
Sob um céu nublado, cerca de 2.500 sindicalistas marcharam em Taipé, representando sectores que vão das pescas às telecomunicações.
Os manifestantes alertaram que as tarifas de Trump podem custar postos de trabalho em Taiwan. “É por isso que esperamos que o governo possa propor planos para proteger os direitos dos trabalhadores”, disse o líder sindical Carlos Wang.
Um sindicato de trabalhadores do sector automóvel exibiu um carro recortado com uma fotografia de Trump.
Em Manila, milhares de trabalhadores filipinos marcharam perto do palácio presidencial, onde a polícia bloqueou o acesso com barricadas. Os manifestantes exigiram salários mais elevados e uma maior proteção dos empregos e das empresas locais.
Na Indonésia, o Presidente Prabowo Subianto saudou milhares de trabalhadores que o aplaudiram no Parque do Monumento Nacional de Jacarta. “O governo que lidero vai trabalhar para eliminar a pobreza da Indonésia”, disse Subianto à multidão.
De acordo com o presidente da Confederação dos Sindicatos Indonésios, Said Iqbal, cerca de 200.000 trabalhadores terão participado nas marchas do 1.º de Maio na maior economia do Sudeste Asiático.
Na Turquia, a data serviu não só para os direitos laborais, mas também para apelos mais alargados à defesa dos valores democráticos, uma vez que os manifestantes planeavam protestar contra a prisão do presidente da câmara de Istambul, Ekrem Imamoglu.
A prisão do opositor do regime, em Março, desencadeou os maiores protestos do país em mais de uma década, e o feriado desta quinta-feira ofereceu a perspectiva de novas manifestações contra o governo.
As autoridades bloquearam o acesso ao centro de Istambul e fecharam as vias de trânsito.
Uma associação de advogados afirmou que mais de 200 manifestantes foram detidos perto da Praça Taksim, um ponto de encontro simbólico há muito vedado às concentrações do 1.º de Maio.
A Fundação Moreira Chonguiça celebrou, neste 30 de Abril, em parceria com o Hospital Central de Maputo, o Dia Internacional do Jazz. O patrono da Fundação Moreira Chonguiça passou a manhã no Hospital Central de Maputo.
Primeiro, Moreira Chonguiça visitou e interagiu com os pacientes da Oncologia. Depois realizou um concerto de aproximadamente uma hora para os médicos, pacientes e outros profissionais da saúde.
Eugênia Macassa, Directora da Pediatria, em representação da irecção do hospital disse que a presença do Moreira Chonguiça e sua banda é um acto de extrema importância, dada a utilidade da música como terapia. “Há bons anos que temos o privilégio de ter o Moreira aqui no hospital. Tem nos ajudado bastante não só nos doentes da Oncologia, assim como noutros. Esta boa parceria permite conexão com a equipa médica do hospital. A musicoterapia tem um papel importante nos nossos pacientes e temos visto resultados, por isso expandimos para outros pacientes. Esperamos continuar juntos por mais anos e que o hospital receba mais iniciativas destas. Estamos numa profissão stressante a música ajuda-nos a relaxar”.
Moreira Chonguiça dirigiu-se aos presentes dizendo: “A interacção que tive é de privilégio, por poder partilhar o que sei fazer com eles. O primeiro activo da cultura é o ser humano. Sinto-me honrado por puder conversar e tocar para esta classe que são nossos Embaixadores, numa data especial no mundo. Estar aqui rodeado por médicos, pacientes internados é um privilégio, pois partilhamos a moçambicanidade, celebrando as nossas diferenças. Parafraseei naquilo que eles fazem, por isso disse obrigado por nunca nos abandonar, pelo esforço que fazem pois esta classe é que protege o país”.
Por sua vez, a Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, disse que as artes, e por extensão a cultura, devem ser o pilar estratégico para a consolidação da Unidade Nacional e para a promoção do desenvolvimento do país. “Ao fazer a celebração do dia do Jazz no hospital, mais do que celebrar o dia, o acto traz esperança, promove a cura emocional e transmite a mensagem de que estamos todos juntos, apesar das adversidades de saúde que os nossos doentes enfrentam neste momento”.
Por fim, o representante da UNESCO em Moçambique, Michael Croft, disse não ter entendido logo à primeira a razão do convite para celebrar o jazz no hospital. “Mas
agradecemos pela escolha atenciosa pois no coração do jazz está a inclusão. A UNESCO celebra o jazz exactamente porque ele não tem barreiras ou fronteiras. O
jazz une as pessoas através de fronteiras que as separam. Neste momento de desafios vamos nos unir como seres humanos, pelo jazz que fala aos nossos corações”.
“Frisar que Moreira Chonguiça foi o primeiro músico moçambicano a participar no All-Star lineup para o International Jazz Day Global Concert (concerto global do Dia Internacional do Jazz), realizado em 2024, em Tangier, Morrocos”, adianta o comunicado de imprensa.
A cerimónia de celebração e visita ao Serviço de Oncologia do Hospital Central de Maputo, vem seguindo uma tradição criada pelo etnomusicólogo e activista social, Moreira Chonguiça, desde 2019. Nesta edição, contou com a presença de parceiros, Corpo Diplomático, convidados, entre outros.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) designou oficialmente o dia 30 de Abril como Dia Internacional do Jazz, a fim de destacar o jazz e seu papel diplomático de unir as pessoas em todos os cantos do globo. O International Jazz Day é presidido e liderado por Irina Bokova, antiga Directora-Geral da UNESCO, e pelo lendário pianista e compositor de jazz Herbie Hancock, que é Embaixador da UNESCO para o Diálogo Intercultural e Presidente do Herbie Hancock Institute of Jazz.
Moreira Chonguiça é parceiro da UNESCO, desde 2016, para a concepção e produção das celebrações do Dia Internacional do Jazz em Moçambique a 30 de Abril; e também é parceiro do Herbie Hancock Institute of Jazz em New York, Estados Unidos da América, no âmbito das celebrações do Dia Internacional do Jazz.
A fase piloto da quimioprofilaxia da malária em Inhambane está a mostrar resultados animadores, com uma redução significativa dos casos da doença na província, em cerca de 37%, segundo apresentados pelo Director Provincial de Saúde
A província de Inhambane, localizada no sul de Moçambique, tem sido historicamente uma das regiões mais impactadas pela malária, uma doença endêmica que afeta milhões de moçambicanos anualmente. Caracterizada por condições climáticas favoráveis à proliferação do mosquito vetor *Anopheles* Inhambane enfrentava, até recentemente, desafios significativos no controlo da doença. No entanto, os esforços concentrados nos últimos anos estão a trazer resultados positivos.
De acordo com a Director Provincial de Saúde, Carlos Estêvão, em 2023 foram registados cerca de 925 mil casos de malária na província, o que representava uma alta taxa de incidência em relação à população. Nesse mesmo ano, 15 pessoas perderam a vida devido à doença. Já em 2024, o cenário apresentou uma melhoria considerável: os casos caíram para 613 mil, com apenas 6 óbitos reportados. Este avanço, que representa uma redução de quase 37% no número de diagnósticos e uma diminuição acentuada na mortalidade, é fruto de um conjunto de estratégias integradas de prevenção, diagnóstico e tratamento, além da cooperação ativa das comunidades locais.
Apesar dos progressos, as autoridades sublinham que a malária continua a ser uma ameaça e que o objetivo final permanece ambicioso: a eliminação total da doença. “Ainda não podemos descansar. Nosso objetivo é atingir o marco de ‘malária zero’, e isso exige um esforço contínuo e integrado”, afirmou Carlos Estêvão, Diretor Provincial de Saúde de Inhambane.
Entre as estratégias mais eficazes no combate à malária, destaca-se o uso de redes mosquiteiras impregnadas com inseticida. Desde 2022, o governo, em parceria com organizações internacionais, distribuiu milhares de redes para famílias em comunidades urbanas e rurais.
As redes, impregnadas com inseticidas de longa duração, funcionam como uma barreira física e química contra os mosquitos transmissores da doença, especialmente durante a noite, quando o risco de picadas é maior. Estudos realizados nas comunidades beneficiadas indicam que o uso regular das redes reduz a exposição ao mosquito vetor em até 70%. Contudo, para alcançar esses resultados, é fundamental que as famílias sejam sensibilizadas sobre o uso adequado. “Houve um esforço significativo de comunicação social para educar as famílias sobre como e por que usar as redes”, explicou Estêvão.
Além das redes, a pulverização intradomiciliar é uma medida complementar que tem mostrado resultados consistentes. Esta técnica, que consiste na aplicação de inseticidas nas paredes internas das habitações, interrompe o ciclo de vida do mosquito, reduzindo sua população dentro e ao redor das casas. Iniciada em 2021 como parte de uma estratégia de longo prazo, a campanha de pulverização tem metas ambiciosas: cobrir pelo menos 90% das habitações até 2030.
Um dos desafios enfrentados é garantir que as comunidades permitam o acesso dos técnicos às suas casas. Para isso, foram implementados programas de sensibilização liderados por ativistas de saúde, que explicam os benefícios da pulverização e desfazem mitos sobre os possíveis riscos dos inseticidas. “A aceitação da pulverização melhorou muito nos últimos dois anos, e isso foi crucial para a redução dos casos de malária que observamos agora”, destacou o diretor provincial.
Outro destaque nas estratégias de combate à malária em Inhambane é a quimioprofilaxia sazonal, uma intervenção inovadora que foi introduzida em 2023 no distrito de Massinga. Este programa piloto, realizado em colaboração com o Centro de Investigação de Saúde de Manhiça, visa proteger crianças, um dos grupos mais vulneráveis à malária.
A quimioprofilaxia consiste na administração de medicamentos antimaláricos de forma preventiva, geralmente durante os meses de maior transmissão da doença. Em Massinga, foram selecionadas crianças com idades entre 6 meses e 5 anos para participar da iniciativa. Os resultados preliminares são promissores: as comunidades envolvidas registaram uma redução de até 70% nos casos de malária entre as crianças.
Devido ao impacto positivo da intervenção, uma proposta foi submetida ao Ministério da Saúde para incluir a quimioprofilaxia no Calendário Nacional de Vacinação. A expectativa é de que, se aprovada, a medida seja ampliada para outras regiões do país. “Estamos confiantes de que esta abordagem terá um impacto profundo na saúde infantil, especialmente em áreas endémicas como Inhambane”, afirmou Estêvão.
Os medicamentos utilizados no programa são altamente eficazes e têm sido aprovados pela OMS para uso em programas de prevenção da malária. Contudo, a logística para a implementação em larga escala envolve desafios, como garantir o abastecimento contínuo de medicamentos, treinar profissionais de saúde e monitorar possíveis efeitos adversos.
Além disso, a colaboração das famílias é essencial para o sucesso da quimioprofilaxia. “É importante que os cuidadores levem as crianças para as unidades de saúde nos momentos indicados e sigam as orientações dos profissionais”, explicou o diretor.
Os impactos das estratégias implementadas em Inhambane são amplamente visíveis e trazem novas esperanças na luta contra a malária. A redução de quase 37% nos casos da doença e de mais de 60% nas mortes em apenas um ano é um indicador claro de que as medidas preventivas, quando bem executadas e combinadas, podem transformar significativamente a realidade de uma população afetada por doenças endémicas.
Além dos números, os avanços refletem uma melhoria na qualidade de vida das comunidades. A malária, sendo uma das principais causas de absentismo escolar e laboral, prejudica diretamente o desenvolvimento socioeconómico das famílias e da província como um todo. A redução dos casos permite que mais crianças frequentem a escola regularmente e que os adultos mantenham suas atividades produtivas, criando um ciclo positivo para o crescimento económico e social da região.
Contudo, os desafios persistem. Inhambane ainda ocupa uma posição preocupante. É a que regista o maior número de casos na região Sul de Moçambique e está também entre as províncias mais afetadas pela malária no país, ficando atrás de Nampula, Zambézia e Sofala, províncias que enfrentam contextos semelhantes devido à elevada densidade populacional e às condições climáticas favoráveis à proliferação do mosquito *Anopheles*. Para alcançar o objetivo de “malária zero”, será necessário intensificar e diversificar as ações existentes, ao mesmo tempo que se enfrentam barreiras logísticas e culturais.
Entre as prioridades estabelecidas pelas autoridades de saúde está a expansão das campanhas de pulverização intradomiciliar para áreas que ainda não foram abrangidas. Para isso, serão necessários investimentos adicionais em recursos humanos, materiais e logística. Além disso, pretende-se reforçar as ações de monitorização e avaliação para garantir que os inseticidas utilizados mantenham sua eficácia ao longo do tempo.
Mais de 100 criadores amotinaram-se, esta quinta-feira, defronte ao comando distrital da Polícia, para exigir da detenção dos autores dos roubos de gado e assassinatos, em Chongoene. Além de mais 2000 mil cabeças gados saqueadas, o suposto líder do grupo tem feito ameaças recorrentes às vítimas em Nhacutse.
O grupo especializado no roubo de gado semeia terror em oito comunidades da localidade de Nhacutse, distrito de Chongoene, em Gaza. Supostamente armados, actuam no silêncio da noite, arrastando o gado da zona residencial para as machambas.
Mas vamos por partes. Comecemos pela última operação dos malfeitores. Há quatro semanas, o grupo entrou em cena e deixou de rasto, pelo menos, sete criadores, dos bairros 4 e 5. Entretanto, o prejuízo maior recaiu sobre Marcos Paulo, criador de 47 anos de idade, que, numa só noite, perdeu o esforço de toda vida.
“Afinal o que está a acontecer, estamos a ser mortos um por um. Mas o ladrão continua livre e bem. Contabilizando, chegam a sete residências. Roubaram-me cerca de 50 cabeças, sucede que atualmente está pior, já não roubam quatro cabeças, mas, de uma só vez, levam 10”, disse.
Na lista das vítimas segue Constantino Simbine, de 56 anos de idade, que, de uma só vez, perdeu mais de 20 cabeças de gado.
“Neutralizamos os malfeitores e os entregamos à Polícia. O trabalho da polícia em Nhancutse não se faz sentir. Continuam os roubos. Recentemente, roubaram 23 cabeças de gado, mas a Polícia ainda não deteve os ladrões, o que revela que em Nhacutse não temos autoridades”, reclamou.
Contas feitas, em menos de cinco meses, o grupo já roubou quase duas mil cabeças, mas a cada dia somam-se mais casos e vítimas, refere a população, questionando o posicionamento das autoridades distritais.
Em conexão com os crimes, a população deteve um indivíduo de 52 anos de idade, a quem acusam de ser o líder do grupo que ali actua. Sucede que tal indivíduo foi restituído à liberdade, causando, desta forma, agitação e revolta no seio da comunidade.
“Neutralizamos um ladrão e o entregamos à polícia, mas para a nossa surpresa, ele está de regresso a comunidade de Nhacutse. O gado é morto, por exemplo, na zona de Mahiganheta e só apanhamos os restos”, conclui um morador de Nhacutse.
A população dirigiu-se esta quinta-feira ao comando distrital da PRM em Chongoene para exigir esclarecimentos em torno do assunto. Os criadores exigem que os autores dos crimes sejam detidos com urgência, para desencorajar o crime frequente naquelas comunidades.
“Eles roubam em todos currais, mais de 26 habitantes aterrorizados por uma só pessoa. Queremos activar a vigilância comunitária em todos os sete bairros”.
O governo do distrito diz ter conhecimento do assunto, mas remete esclarecimentos às autoridades da Polícia, que também promete reação em momento oportuno.
A Organização dos Trabalhadores de Mocambique, Central Sindical delegação de Cabo Delgado, denunciou suposto impedimento de criação de sindicatos nas empresas de capital estrangeiro, que operam na província.
“Condenamos atitudes antissindicais de algumas entidades empregadores, que impedem o livre exercício da actividade do diálogo social. Algumas empresas, especialmente as de capitais estrangeiro, continuam a impedir a criação de estruturas sindicais de base e ignoram o diálogo social”, denunciou André Zacarias, Delegado da OTM-CS em Cabo Delgado.
Outra preocupação da organização está relacionada com o despedimento massivo de trabalhadores supostamente sem justa causa. “No período de Maio de 2024 até este ano 2025, dois mil duzentos e trinta e oito trabalhadores viram seus contratos rescindidos, sem justa causa, e sem indemnizações devidas, com argumento de estarem a fazer reestruturação das empresas, para se adequar aos actuais desafios económicos que o país enfrenta”, revelou André Zacarias.
As denúncias da OTM-CS em Cabo Delgado foram feitas durante as comemorações de 1 de Maio, Dia internacional dos Trabalhadores, que foram marcadas por uma deposição de coroa de flores, marcha pelas ruas da cidade e terminaram com um comício.
O executivo provincial de Inhambane e a Câmara do Comércio Moçambique-Grécia assinaram um Memorando de Entendimento, nesta quarta-feira, em Maputo, que marca o início de um esforço conjunto para transformar a província num destino turístico de excelência.
Participaram da cerimónia figuras como Francisco Pagula, governador de Inhambane e Gerry Marketos, Cônsul Geral Honorário da Grécia em Moçambique. Na ocasião, Pagula destacou a importância da parceria para atrair investimentos, capacitar recursos humanos e criar empregos.
Segundo o governador, a província de Inhambane apresenta condições favoráveis ao desenvolvimento do turismo, com potencial para gerar benefícios económicos e sociais significativos.
“Acreditamos que esta parceria pode transformar a realidade de Inhambane, tornando-a num exemplo de sucesso no setor turístico”, afirmou Pagula, para depois sublinhar que o memorando prevê investimento estrangeiro e também o fortalecimento da infra-estrutura e a valorização dos recursos humanos locais.
Gerry Marketos, representante da Câmara do Comércio Moçambique-Grécia, reforçou o compromisso dos investidores gregos com o desenvolvimento sustentável da província.
“Inhambane tem um potencial turístico único, que pode atrair investimentos de grande escala. A nossa experiência no setor do turismo será utilizada para criar um modelo adaptado às necessidades locais”, explicou. Para si, a iniciativa inclui acções voltadas para a promoção de intercâmbios culturais e económicos.
Uma das prioridades do Memorando é a formação profissional, especialmente para jovens, preparando-os para integrar o mercado de trabalho no setor do turismo. O governador provincial detalhou que estão previstos programas de capacitação para guias turísticos, gestores e pequenos empreendedores.
“A formação é o alicerce para garantir que os benefícios do turismo sejam duradouros e inclusivos”, acrescentou Pagula.
Por outro lado, Marketos salientou que a inclusão das comunidades locais é um dos pilares do projecto. “Queremos garantir que todos, desde os artesãos locais até os grandes operadores turísticos, possam tirar proveito deste desenvolvimento”, afirmou. A ideia é criar um ecossistema turístico que envolve diferentes actores sócio-económicos, promovendo a sustentabilidade.
Apesar do optimismo, o governador reconheceu que ainda existem desafios significativos a serem enfrentados, como a melhoria das infra-estruturas e o aumento da acessibilidade às principais áreas turísticas. Apontou ainda que a construção e reabilitação de estradas, a expansão da rede eléctrica e a melhoria dos serviços de saúde e segurança serão cruciais para atrair investidores.
Para Marketos, a experiência da Grécia em superar desafios semelhantes poderá contribuir significativamente. Diz que os investidores gregos já estão preparados para trabalhar em projectos que combinam inovação e responsabilidade social, garantindo que as soluções propostas tenham um impacto positivo e duradouro.
Inhambane é amplamente conhecida pelas suas praias como Tofo, Barra e Vilankulo, que atraem turistas de várias partes do mundo. Além disso, a província possui património histórico e cultural rico, com forte influência árabe e portuguesa, que pode ser explorado para diversificar a oferta turística. A iniciativa visa posicionar a província como um destino de referência não apenas para turismo de lazer, mas também para ecoturismo e turismo cultural.
Segundo Pagula, “o objetivo é transformar Inhambane numa referência no mercado internacional, destacando não apenas as suas belezas naturais, mas também a hospitalidade e a cultura das suas comunidades”. Para isso, estão previstas campanhas de promoção em mercados internacionais e a criação de parcerias com operadores turísticos globais.
O Memorando de Entendimento pretende também gerar impactos significativos na economia local, com a criação de centenas de empregos directos e indiretos. Estima-se que, com a implementação dos projectos previstos, o setor do turismo em Inhambane poderá dobrar a sua contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) da província nos próximos cinco anos.
Além disso, a parceria busca aumentar o número de visitantes estrangeiros, diversificar a oferta de serviços turísticos e promover práticas sustentáveis que respeitem o meio ambiente e as comunidades locais. A expectativa é que, com a consolidação das acções previstas, Inhambane se torne um exemplo de desenvolvimento integrado, capaz de inspirar outras regiões de Moçambique.
O referido Memorando é tido como um compromisso conjunto para transformar o sector do turismo em Inhambane, como forma de melhorar a qualidade de vida das comunidades locais e fortalecer a economia regional.
O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, está a criar uma comissão judicial de inquérito, para determinar se houve tentativas de impedir a investigação ou o julgamento de crimes, que ocorreram durante o apartheid.
A informação é avançada pela revista Reuters. A medida é resultado de discussões sobre um acordo em um processo judicial movido por famílias de vítimas de assassinatos e desaparecimentos político,s ocorridos há décadas, que dizem que os governos pós-apartheid nunca investigaram adequadamente esses crimes.
“Alegações de influência indevida no atraso ou na obstrução da investigação e do processo de crimes da era do apartheid persistem em governos anteriores”, disse a presidência em um comunicado, citado por Reuters.
“Por meio desta comissão, o Presidente Ramaphosa está determinado a que os fatos verdadeiros sejam apurados e o assunto levado a uma conclusão”, lê-se.
Após o fim do apartheid em 1994, a África do Sul criou uma Comissão da Verdade e Reconciliação (TRC), para ajudar a descobrir violações de direitos humanos perpetradas pelo governo da minoria branca. No entanto, segundo a Reuters muitos dos casos não foram resolvidos.
Os 25 familiares e sobreviventes que entraram com o caso em um tribunal de Pretória em Janeiro buscam também por cerca de 167 milhões de rands do Estado, devido a todos os danos.
O Governo vai solicitar a suspensão do pedido até as conclusões da comissão, informou a presidência. Não foi definido um prazo.
A Fundação para os Direitos Humanos, uma ONG que apoia as famílias, disse que recebeu com satisfação a criação de uma comissão de inquérito, mas se opôs à decisão do presidente de adiar a decisão sobre o pedido de indenização.