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As comunidades reassentadas devido à exploração mineira acusam a empresa Dinsheng de incumprir as promessas feitas aquando da sua instalação, exigindo a conclusão do processo de reassentamento e o regresso às suas terras de origem.

Segundo os residentes, a empresa comprometeu-se a criar postos de trabalho, construir infra-estruturas sociais, como escolas e estradas, e melhorar as condições de vida das populações. Contudo, afirmam que nenhuma destas promessas foi concretizada.

Os moradores denunciam ainda as precárias condições das habitações construídas para o reassentamento, alegando que as casas apresentam graves problemas estruturais e não oferecem protecção durante a época chuvosa.

Além das dificuldades habitacionais, as comunidades queixam-se da perda das suas machambas e dos meios de subsistência, situação que, segundo afirmam, agravou as condições de vida de centenas de famílias. Entre as principais preocupações destacam-se a falta de alimentos, o desemprego e as dificuldades enfrentadas por idosos e crianças.

Em resposta às reivindicações, o administrador distrital explicou que o Governo está a trabalhar em conjunto com a empresa Dinsheng e com os representantes das comunidades para concluir o processo de reassentamento e de compensações.

Segundo a mesma fonte, parte das indemnizações acordadas já foi paga, embora persistam divergências que continuam a atrasar a conclusão do processo. O dirigente revelou que decorrem negociações entre o Governo e a empresa para responder às exigências da população e garantir a defesa dos seus interesses.

Por seu turno, o Governador da Província de Zambézia defendeu que a exploração dos recursos minerais não deve prejudicar as populações afectadas, sublinhando que estas têm direito a uma compensação justa pelas terras e árvores de que foram privadas para dar lugar à actividade mineira.

O governante explicou que, após analisar o contrato mineiro celebrado entre o Estado e a empresa, constatou que a Dinsheng está obrigada a investir cerca de 15 milhões de dólares norte-americanos, ao longo de dez anos, em projectos de desenvolvimento comunitário.

Face ao incumprimento desta cláusula, o Governo provincial afirma ter trabalhado com a empresa na definição de um plano de desenvolvimento destinado a promover a criação de emprego, reforçar os meios de subsistência das comunidades e financiar projectos de capacitação local.

Segundo o Governador, apesar de alguns constrangimentos registados durante o processo, as iniciativas deverão arrancar brevemente, uma vez que a empresa manifestou disponibilidade para cumprir os compromissos assumidos.

As autoridades acreditam que a implementação destes projectos poderá contribuir para reduzir o clima de tensão que se verifica entre a empresa mineira e as comunidades afectadas pelo reassentamento.

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Moçambique vai participar na Expo 2025, evento a realizar-se em Osaka, no Japão, entre 13 de Abril e 13 de Outubro. A participação do país estará focada na inteligência artificial e robótica.

Durante seis meses, em Osaka, o país vai exibir as suas potencialidades, as quais retratam a diversidade agrária, mineral, cultural e turística. 

“Educação e Trabalho, utilizando a Inteligência Artificial e Robótica” é o lema escolhido por Moçambique, que vai procurar soluções para estimular o uso da inteligência artificial no contexto do desenvolvimento sustentável em curso no país.

“O que se pretende trazer é a eficácia e eficiência dos processos. É a simplificação dos processos, que são muito mais complexos, que podem custar mais dinheiro, esforço humano. Podem custar uma série de ônus, para a nossa perspectiva vivencial, que podem ser simplificados. Por exemplo, Nós temos uma iniciativa, um projecto de um barco robô”, avançou Larsen Vales, curador do Pavilhão. 

A participação de Moçambique no evento é vista também como uma oportunidade para estabelecer parcerias que possam trazer benefícios para a economia nacional.

“Como vantagem de participação na Expo, ia enumerar duas: a oportunidade de promover a imagem do país e suas potencialidades e mobilizar parcerias estratégicas, para catapultar o desenvolvimento sócio-económico do nosso país. Espera-se que esta Expo seja presenciada, temos fios por 28 milhões de visitantes e, a nível mundial, 200 milhões de forma virtual”, Riduan Adamo, Comissário-geral da Expo Moçambique. 

A Confederação das Associações Económicas, CTA, que vai participar da Expo 2025, no Japão,  através de várias iniciativas empresariais, pretende alargar a sua área de actuação.

“Nós, como empresários, podemos aprender onde estão a ir os outros países, podemos fazer parcerias (…) podemos também apresentar Moçambique como oportunidade de investimento estrangeiro. Ainda mais, o Japão sempre foi um investidor em Moçambique, mas através da Expo pode conhecer outras áreas de Moçambique que podem investir, sobretudo, com as necessidades que temos, nas várias áreas da sociedade”, explicou Simone Santi, empresário. 

A participação de Moçambique terá o ponto mais alto no dia 16 de Junho, data escolhida para a máxima projecção da imagem do país

Entre esta sexta-feira e domingo, a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, capital portuguesa, acolhe a terceira Mostra de Artistas Residentes PROCULTURA, um programa de dança contemporânea que reúne os artistas Pak Ndjamena, Mai-Júli Machado e Francisca Mirine (Moçambique) e Nuno Barreto, Djam Neguin e Rosy Timas (Cabo Verde).

Segundo pode-se ler no site da Fundação Calouste Gulbenkian, serão apresentadas criações recentes, que resultam do trabalho realizado nas residências promovidas pelo programa de mobilidade de artistas PROCULTURA, que, em geral, abrange artistas dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor Leste.

“Este é um programa vibrante, que dá a conhecer um conjunto de práticas coreográficas de artistas africanos, no cruzamento entre tradição e dança contemporânea. A mostra promove um espaço de apresentação e partilha destas criações e o diálogo com outros contextos de criação contemporânea, incentivando a circulação internacional dos artistas participantes”, avança o site da Fundação Calouste Gulbenkian.

A partir das 18h30 desta sexta-feira, na Sala 1, na Fundação Calouste Gulbenkian, Francisca Mirine vai apresentar “Reflexos”, uma peça de dança que aborda questões sociais, reflectindo sobre o comportamento humano face às dificuldades de sobrevivência em sociedade.

A coreógrafa e bailarina Francisca Mirine examina o funcionamento do pensamento humano perante situações adversas, tendo em conta a actualidade moçambicana.

Francisca Mirine é uma bailarina freelancer, intérprete, professora de dança e coreógrafa moçambicana. Tem vindo a trabalhar com artistas nacionais e estrangeiros e a participar em festivais, workshops, criações de dança e residências artísticas e em programas de intercâmbio. Desenvolve as suas próprias criações de dança e escreve os seus projectos.

No domingo, a partir das 17:30, no estúdio do Centro de Arte Moderna Gulbenkian, Pak Ndjamena vai apresentar “dEUs nOS aCudI”, um espectáculo de dança criado pelo artista, que reflecte sobre as sociedades de consumo e o lugar do corpo na actualidade.

“O corpo contemporâneo é livre ou controlado? Original ou imitado? A experiência do corpo é influenciada pelo padrão cultural no qual está inserido? Partindo destas questões, ‘dEUs nOS aCudI’ procura também investigar a forma como a religiosidade secularizada, as crenças, as divindades, os rituais e os mitos estão interligados no quotidiano. O artista questiona como estes podem ser utilizados como estratégia de controlo social, afectando directamente os corpos e a sociedade, através de regras e padrões”.

Pak Ndjamena, natural de Maputo, é um artista multifacetado. Bailarino, coreógrafo, professor de dança contemporânea, actor, realizador de filmes de dança contemporânea e músico. Tem vindo a desenvolver um conjunto de técnicas de dança híbrida. Coreografou e interpretou mais de 20 peças e foi o vencedor do Mozal Arts & Culture Award 2019, na categoria de dança, em Maputo. Tem levado a cabo as oficinas de Tremuria Project, uma nova terapia através do corpo dançante em África, Europa e América do Sul. Já se apresentou em vários festivais internacionais de renome.

Ainda no domingo, no caso, a partir das 19 horas, no Palco Grande Auditório, Mai-Júli Machado vai apresentar “AMELLE”, uma performance que aborda histórias sobre experiências e processos de desenvolvimento corporal, psicológico e espiritual partilhados pelas mulheres, constrangidas por questões fisiológicas, sociais e políticas relacionadas com padrões predefinidos.

AMELLEAtitude, Maturidade, Elegância, Legado, Liberdade e Esperança – é um ritual passado de geração em geração, atravessado por memórias comuns, vivências do passado, presente e futuro próximo. Com esta criação, Mai-Júli Machado invoca memórias de passagem de menina a mulher e denuncia as restrições impostas às mulheres cujos ideais não cabem em normas definidas pela sociedade. Neste pequeno ritual, a artista convida-nos a despertar a AMELLE que reside dentro de nós”, adianta a o site da Gulbenkian.

Mai-Júli Machado começou a dançar como profissional na Companhia Municipal de Canto e Dança Tradicional da Matola. Teve formação em técnicas de dança contemporânea na Casa da Cultura, em Maputo, e na Culturarte, com o coreógrafo Panaibra Canda. Em 2022, a sua primeira peça de dança foi apresentada no Festival Kinani, seleccionada e financiada pelo Instituto Francês. Em 2023, participou da peça da coreógrafa francesa Mathilde Monnier, intitulada “Black Lights” e foi seleccionada para representar Moçambique na competição de dança contemporânea no Burquina Faso.

 

O escritor e editor Dany Wambire vai participar na 62ª edição da Feira do Livro Infantil de Bolonha , que decorre entre 31 de Março e 3 de Abril, em Itália.

De acordo com o comunicado de imprensa da Editorial Fundza, no evento, Dany Wambire vai reunir-se com agentes literários e editores de livros infanto-juvenis de alguns países, com o objectivo de divulgar o catálogo de obras infanto-juvenis da sua editora e adquirir direitos para publicação de obras do mesmo género em Moçambique.

Em Bolonha, além de comprar e vender direitos, Dany Wambire, que também é curador do principal festival literário para a camada infanto-juvenil em Moçambique, o Festival do Livro Infantil da Kulemba (FLIK), espera “colher experiências e estabelecer parcerias que agreguem valor acrescido” ao evento que se realiza anualmente na Cidade da Beira.

“A Feira do Livro Infantil de Bolonha é o maior evento literário dedicado ao público infanto-juvenil e fazer parte desta feira é uma oportunidade ímpar para aprender modos de pensar e fazer uma festa literária para crianças”, considerou Dany Wambire, citado no mesmo comunicado de imprensa.

Além da Feira do Livro Infantil de Bolonha, no mesmo período e na mesma cidade, serão realizadas duas actividades paralelas, designadamente, Bologna BookPlus (BBPlus), uma extensão dedicada à publicação comercial geral; e a Bologna Licensing Trade Fair/Kids (BLTF/Kids), um evento de licenciamento da BCBF para direitos subsidiários de marcas e propriedades para crianças, adolescentes e jovens adultos.

A participação de Dany Wambire na Feira do Livro Infantil de Bolonha conta com o apoio e a colaboração da Agência Italiana de Comércio, baseada em Maputo.

Dany Wambire nasceu em 1989. É mestre em Comunicação e licenciado em Ensino de História. É escritor e fundador da Editorial Fundza. “A adubada fecundidade e outros contos”, seu livro de estreia, foi distinguido com menção honrosa no Prémio Internacional José Luís Peixoto (2013). Também publicou “O curandeiro contratado pelo meu edil” (2015), “Quem Manda na Selva” (2016), “A mulher sobressalente” (2018), “O Toninho e a vaca letreira” (2020), e “A arte de pilar medos” (2024).

 

O Governo diz que está a rever a estratégia de gestão da dívida pública 2022-2025, por forma a desenhar um novo plano para tornar a actual dívida sustentável. A ministra das Finanças, Carla Louveira, diz que está em curso a reestruturação da dívida  através de uma nova emissão de títulos. 

Em 2022, o Governo aprovou uma estratégia de gestão da dívida pública, com o objectivo de tirar a dívida dos anteriores 113% do Produto Interno Bruto para 60%, até 2025, conforme garantiu o então ministro da Economia e Finanças, Max Tonela.

Findo o período, a dívida pública continua acima dos 60% e o Governo diz estar ciente, estando em curso, por isso, o processo de revisão da estratégia 2022-2025, com o objectivo de tornar a dívida sustentável.

Na quarta-feira, a ministra das Finanças falou sobre as actividades em curso.

“Estamos a reflectir sobre que acções adicionais o Governo pode tomar, para assegurar a sustentabilidade  da nossa dívida.  Conforme nós sabemos, estamos numa trajectória de crescimento da dívida, que poderá colocar em questão aquilo que é o Orçamento do Estado, pelo que carece de fazermos uma revisão dessa estratégia, que está plasmada inclusivamente na nossa Lei do E-SISTAFE, a revisão de tempos em tempos da nossa estratégia da dívida.O que nós estamos a fazer no período corrente é, essencialmente, o que já está plasmado na estratégia vigente, que é esta estratégia de 2022-2025, que já prevê alguns instrumentos que o Governo tem, para se refinanciar”, explicou Carla Loureiro. 

A governante disse ainda que Há alguns Bilhetes do Tesouro, BTs, que foram emitidos no passado, e o prazo expira este ano. Daí caberia ao Governo decidir pelo simples encerramento, pagamento ou renovação, mas “a estratégia que está vigente neste momento até 2025 prevê aquilo que nós chamamos de leilões de troca. Neste momento, o que está a acontecer é um leilão de troca dos BTs que foram emitidos  no passado, para um período subsequente.  Todas as novas acções, com vista o repensar da sustentabilidade da dívida, vão constar dessa estratégia que vai vigorar nos próximos quatro anos”.

Louveira garantiu também que a revisão da estratégia 2026-2029 será pública.

“Isso será um processo inclusivo em termos de socialização, sobretudo com o sistema  financeiro, o Banco Central, portanto, as partes afins em matéria de dívida pública. Também estamos a trabalhar com os nossos consultores em matéria de dívida, nós temos consultores vindos do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional, entre outras entidades que também apoiam na matéria relativa à dívida do nosso país”.

Pagamento das horas extras está a 50%

Falando à margem da abertura da primeira sessão da Assembleia da República, a governante comentou ainda sobre o estágio do pagamento das horas extras.

O sector da Educação e Saúde são os que mais casos registam, sendo o da saúde o que mais pressão faz ao Governo, aliás é só recordar que os enfermeiros ameaçam retomar a greve a partir de 31 de Março, caso suas exigências não sejam satisfeitas. 

A ministra diz estar em curso o pagamento, pelo menos, das horas extraordinárias para este sector. 

“O sector da saúde, em particular, a dívida de horas extras foi paga na íntegra até 2023.

Existem pequenos casos pontuais referentes a 2023, que ainda carecem de validação de dados bancários, NUIT e outras características que dizem respeito ao próprio funcionário,  mas é residual. E também um grupo específico de 2023, que diz respeito a profissionais estrangeiros cujo pagamento será feito por via da embaixada para o seu país de origem.  Portanto, no nível da saúde em particular, a dívida que ainda reconhecemos que deve ser paga diz respeito ao ano de 2024. Neste momento, está a decorrer a validação pela Inspeção Geral de Finanças”. 

No sector da Educação também há pagamentos em curso.

“Foi pago na íntegra a dívida até 2022. Em 2023 fizemos um apuramento da dívida do sector da educação, num montante de 3,2 mil milhões de meticais e a estratégia prevê pagamento em três tranches de mil milhões de meticais cada. E o que se fez foi, na primeira tranche de mil milhões foi pago na íntegra. Portanto, até inícios deste ano, início de Janeiro, foi pago na íntegra mil milhões de meticais a todo o país. A segunda tranche de 1,1 mil milhões de meticais foi incluída no plano de 100 dias de governação, portanto, neste momento, estamos a assegurar o pagamento dentro deste plano de 100 dias de governação e estamos com um nível de realização de 50% até ao presente momento. Vamos continuar a trabalhar para fechar esta segunda tranche”, explicou a ministra.

A terceira tranche do valor poderá ser incluída no Orçamento de Estado de 2025.

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, criticou, hoje, o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, dizendo que Trump “não é o xerife do mundo” e ameaçou reagir com “reciprocidade” às tarifas dos EUA sobre as importações de aço brasileiro.

Numa conferência de imprensa, esta quinta-feira, em Tóquio, durante a sua visita de Estado, Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil tem “duas decisões a tomar” em resposta às tarifas de 25%, que entraram em vigor este mês: a primeira é recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e, se isso não funcionar, “recorrer a outras ferramentas”.

Lula mencionou especificamente a opção de “aumentar as tarifas sobre os produtos americanos” importados pelo Brasil, o que definiu como “pôr em prática a lei da reciprocidade”.

“Estou muito preocupado com a política do Governo americano, por causa dessas tarifas sobre todos os produtos de todos os países”, disse ainda Lula à imprensa em Tóquio, no final da sua visita, quando questionado sobre as novas tarifas de 25% sobre todos os automóveis importados pelos EUA a partir de 02 de abril, anunciadas na véspera por Trump.

“Estou preocupado porque o livre comércio é que está a ser prejudicado, porque o multilateralismo está a ser derrotado, e estou preocupado porque o Presidente americano não é o xerife do mundo, é apenas o Presidente dos Estados Unidos”, sublinhou o líder de esquerda.

Em vez de impor “medidas unilaterais”, Lula considera que seria mais adequado “conversar com outros líderes”, para chegar a um acordo sobre políticas de preços benéficas para todas as partes.

“Sinceramente, não sei qual é o benefício de aumentar em 25% as tarifas sobre os carros comprados no Japão”, disse o líder brasileiro sobre o país asiático, segundo cita Lusa. 

Lula chegou ao Japão na segunda-feira, para uma visita de Estado de quatro dias, que termina hoje, antes de seguir para o Vietname, onde deverá encontrar-se com o primeiro-ministro vietnamita, Pham Minh Chinh, e com o Presidente vietnamita, Luong Cuong, a partir de sexta-feira.

Numa cimeira realizada na véspera com o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, os dois líderes concordaram em lançar iniciativas conjuntas de descarbonização e reforçar os laços comerciais, com um futuro acordo de comércio livre entre o país asiático e o Mercosul no horizonte e no atual contexto de guerra comercial e negacionismo climático.

Durante a visita, o Presidente brasileiro sublinhou a mensagem de que a democracia, o comércio livre e o multilateralismo estão em perigo a nível mundial perante o aumento do protecionismo, do autoritarismo e da “nova guerra fria” entre os Estados Unidos e a China.

O Presidente do Burundi diz que o Ruanda está a planear atacar o seu país. Évariste Ndayishimiye também disse que Ruanda tentou lançar um golpe há uma década no Burundi, semelhante ao “que está a fazer na República Democrática do Congo” agora. 

Ruanda já reagiu, chamando os comentários do Presidente de “surpreendentes” e insistindo que os dois vizinhos estão cooperando em planos de segurança para sua fronteira compartilhada, que está fechada há mais de um ano. 

Apesar das extensas evidências da ONU, Ruanda sempre negou armar e apoiar o grupo rebelde M23, que recentemente tomou grandes partes do leste da RD do Congo junto com as tropas ruandesas. Ruanda também negou ligações com o ressurgente grupo rebelde Red Tabara, que o presidente Ndayishimiye diz ser uma força proxy semelhante ao M23 e está sendo apoiado por Ruanda para desestabilizar o Burundi. 

“Eles diriam que é um problema interno quando é Ruanda quem é o problema. Sabemos que ele [o presidente de Ruanda, Paul Kagame] tem um plano para atacar Burundi”, acrescentou Ndayishimiye, garantindo ter informações confiáveis da inteligência. 

Ndayishimiye acrescentou: “Estamos a pedir aos nossos vizinhos que respeitem os acordos de paz que fizemos. “Não há necessidade de entrarmos em guerra. Queremos o diálogo, mas não ficaremos parados se formos atacados”, disse o Presidente, em declarações à BBC. 

Agentes da Polícia da República de Moçambique tentaram impedir   a entrada no Tribunal Judicial da Província de Sofala, de cerca de 100 trabalhadores da empresa Cimentos da Beira, que têm estado nos últimos dois meses, a amotinar-se, todos os dias naquelas instalações para exigir o fim do processo de insolvência.

O processo de insolvência especial da Fábrica de Cimentos da Beira, decretada em Outubro do ano passado, pelo Tribunal Judicial da Província de Sofala,  e com prazo de 90 dias, que expirou em Janeiro passado, está longe de ser encerrado e, neste momento, a empresa está paralisada e os trabalhadores estão há cerca de três meses sem salários. 

Cansados de esperar por uma decisão de quem decretou a insolvência, os trabalhadores têm estado todos os dias amotinados no tribunal para exigir a celeridade do processo. Mas desta vez encontraram uma barreira para aceder às instalações do tribunal. 

Os trabalhadores  emitiram um ofício em finais de Outubro passado a exigir o desbloqueio das contas da empresa a fim de poderem comprar matéria-prima para produção de cimento, pagamento de dívidas e de salários, mas há dois meses que não obtêm resposta. 

Segundo os trabalhadores, o Tribunal disse que o processo do desbloqueio das contas está em curso desde Janeiro passado.

Amainados os ânimos os trabalhadores foram atendidos pelo Juiz presidente do Tribunal Judicial de Sofala, António Charles que, segundo eles, afirmou que  ao trabalhadores interpretaram mal o prazo da insolvência.   

Quatro pessoas morreram na semana passada quando tentavam atravessar o rio Lalaua, em busca de alimentos. A vila de Ribáuè está sem água potável há duas semanas porque a represa onde era feita a captação foi destruída pelo ciclone Jude. Nampula está com muitos distritos isolados da capital provincial.

O ciclone Jude já se foi, mas ainda contam-se histórias dramáticas devido à destruição de estradas e pontes nas principais vias da província de Nampula. A ligação entre os distritos de Ribáuè e Lalaua está cortada porque há duas pontes que foram arrastadas. 

Em entrevista na vila-sede de Ribáuè, o administrador de Lalaua falou das dificuldades que a população está a passar há já duas semanas. A vila municipal de Ribáuè está sem água potável desde a passagem do ciclone.

Só no distrito de Ribáuè, há 11 mil pessoas que foram directamente afectadas pelo ciclone, tendo visto suas casas e culturas destruídas.

As populações mais pobres são as mais expostas aos efeitos dos eventos extremos. Sem nada, a ajuda de empresas, instituições do Estado e organizações não governamentais é preciosa neste momento.

No total são 30 toneladas de produtos alimentares que foram doados por esta empresa de telefonia móvel.

O Presidente da República enalteceu o contributo de João dos Santos  Ferreira para a luta de libertação nacional e o desenvolvimento do  país, durante as cerimónias fúnebres do veterano, realizadas hoje. O  estadista descreveu o veterano como “um combatente da primeira  linha” e destacou o seu papel na defesa da soberania e na promoção  da sustentabilidade ambiental. 

João dos Santos Ferreira, um dos destacados membros da Associação  dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLLIN), faleceu  no último domingo, na Cidade de Maputo, vítima de doença. Durante  a sua trajectória, desempenhou várias funções de relevo, incluindo os  cargos de ministro da Agricultura e deputado da Assembleia da  República por duas décadas.

Na sua intervenção, Daniel Chapo recordou a coragem  de Ferreira desde jovem, ao fugir da tropa colonial a partir do  aeródromo de Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado,  rumo a Dar es Salaam, na Tanzânia, acompanhado pelo general  Jacinto Veloso. 

“Já jovem esteve na tropa colonial, mas jovens muito corajosos, dois,  um deles está aqui dentro desta sala, o general Jacinto Veloso. E ele [João dos Santos Ferreira, junto do general], através de um avião da  tropa colonial, fugiram a partir do aeródromo de Mocímboa da Praia  para Dar es Salaam, na Tanzânia, porque estavam como jovens  imbuídos dos ideais da luta de libertação nacional”, explicou. 

A fuga levou Ferreira a percorrer um longo caminho até integrar as  fileiras da luta armada. Inicialmente não reconhecido como exilado  político na Tanzânia, recebeu apoio do Egipto, deslocando-se depois  para a Argélia, onde se juntou a outros combatentes. Posteriormente,  seguiu para a França e para Cuba, onde se formou em engenharia,  regressando à Tanzânia antes da proclamação da independência de  Moçambique. 

Após a independência nacional, Ferreira teve um papel determinante  no desenvolvimento do sector agrícola, assumindo cargos como  ministro da Agricultura e Secretário de Estado do Algodão. “Mesmo  reformado, nunca deixou de contribuir para a sua pátria”, sublinhou o  Chefe de Estado, ressaltando ainda o compromisso ambiental do  veterano. 

O Chefe de Estado destacou o papel de Ferreira na promoção da  exploração sustentável da madeira e na criação de associações  voltadas à protecção ambiental. “Era um conservador ambiental de excelência, por isso lutou bastante para a criação de várias  associações ligadas à protecção ambiental”, afirmou. 

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