O Governo orientou os ministérios e demais instituições do Estado a cumprirem, de imediato, a nova idade de reforma obrigatória dos funcionários e agentes do Estado, fixada em 65 anos, contra os anteriores 60 anos.
A medida resulta da alteração do Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado, aprovada pela Assembleia da República em Abril de 2026 e promulgada pelo Chefe do Estado em Junho último.
Através de um ofício, o Ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, orienta as instituições a accionarem o processo de reforma de todos os funcionários que já tenham completado 65 anos de idade.
A nova legislação, contudo, prevê excepções. O Estatuto permite a prorrogação do limite de idade de reforma até aos 70 anos para determinadas carreiras, nomeadamente diplomatas, docentes e assistentes universitários, médicos especialistas, magistrados e investigadores, entre outras.
Os funcionários abrangidos por estas carreiras dispõem de um prazo de 45 dias, contado a partir de 14 de Agosto, para requerer a extensão do limite de idade de reforma.
A legislação prevê igualmente uma excepção por razões devidamente fundamentadas de interesse público. Assim, os funcionários e agentes do Estado que, à data da entrada em vigor da nova lei, já tenham atingido os 65 anos podem permanecer em funções, desde que a sua continuidade seja considerada indispensável ao normal funcionamento do serviço.
Nestes casos, o pedido deve ser apresentado pelo dirigente máximo da instituição ao ministério que superintende a área da função pública, até 27 de Setembro de 2026, nos termos previstos na lei.
Com a entrada em vigor do novo regime, o processo de aposentação passa também a ser automático, cabendo às instituições desencadear os procedimentos administrativos correspondentes para os funcionários que atinjam o limite legal de idade.
A Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidade Moçambicana no Exterior, Maria de Fátima Simão Manso, participa, esta quarta-feira, em Díli, Timor-Leste, na 31.ª Sessão do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), onde irá reafirmar o compromisso de Moçambique com os princípios e objectivos da organização.
A reunião, que será dirigida pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Timor-Leste, Benedito dos Santos Freitas, decorre sob o lema “A Consolidação do Estado de Direito Democrático e os Desafios para a CPLP”.
Na sua intervenção, Maria de Fátima Simão Manso deverá destacar a importância do multilateralismo, da cooperação e da solidariedade entre os Estados-membros, reiterando o empenho de Moçambique no fortalecimento da CPLP enquanto espaço privilegiado de diálogo e concertação política.
A participação moçambicana surge igualmente como uma oportunidade para contribuir para a reflexão sobre os desafios comuns da comunidade, com particular enfoque na promoção da paz, prevenção de conflitos, boa governação, desenvolvimento sustentável e reforço da cooperação económica e empresarial entre os países lusófonos.
A reunião do Conselho de Ministros constitui, assim, um momento de concertação entre os Estados-membros e de reafirmação do papel da CPLP na promoção de valores partilhados e na resposta colectiva aos desafios actuais.
À margem da sessão, a Secretária de Estado Manso será recebida em audiência pelo Presidente da República Democrática de Timor-Leste, José Ramos-Horta, encontro que deverá contribuir para o aprofundamento das relações de amizade e cooperação entre Moçambique e Timor-Leste.
A presença de Moçambique em Díli reforça, deste modo, o seu envolvimento activo na agenda da CPLP e o compromisso do país com a consolidação de uma comunidade assente na paz, no diálogo, na cooperação e no desenvolvimento sustentável.
Mais de 33 mil crianças foram vacinadas contra o sarampo no distrito de Nacarôa, província de Nampula, durante uma campanha de bloqueio do surto que alcançou 33.457 crianças dos seis aos 59 meses, correspondentes a 108% da meta inicialmente estabelecida.
A campanha, realizada de 7 a 11 de Agosto, foi promovida pela Universidade Lúrio (UniLúrio), em parceria com a Amref Health Africa e as autoridades de saúde, no âmbito do projecto Strengthening Vaccine Delivery Systems (VDS) in Mozambique, financiado pela Pfizer Foundation.
A iniciativa contou com a coordenação estratégica da UniLúrio e da Amref Health Africa, em parceria com a Direcção Provincial de Saúde de Nampula e o Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social de Nacarôa. A meta inicial era vacinar 31.040 crianças, tendo sido superada em 2.417 crianças.
Para assegurar uma maior cobertura territorial, foram mobilizadas 67 equipas de vacinação, distribuídas por sete áreas de saúde. As equipas recorreram a postos fixos, brigadas móveis e brigadas porta a porta, levando a vacinação às unidades sanitárias e a vários espaços comunitários, entre os quais escolas, creches, igrejas, mesquitas e feiras.
No primeiro dia da campanha foram vacinadas 6.847 crianças. O número cresceu progressivamente até atingir 33.457 crianças no quinto e último dia, permitindo alcançar uma cobertura de aproximadamente 108%.
Para além da vacinação, a campanha permitiu identificar 50 crianças que nunca tinham sido vacinadas e alcançar 32.899 pessoas através de acções de mobilização social e educação em saúde.
Durante os cinco dias da campanha, não foram registados Eventos Adversos Pós-Vacinação, enquanto a taxa de desperdício vacinal se manteve em níveis reduzidos.
A UniLúrio participou no acompanhamento das actividades no terreno, bem como na gestão e implementação da campanha, em articulação com a Amref Health Africa, a DPS-Nampula e o SDSMAS-Nacarôa.
A intervenção ocorreu num contexto de preocupação com o avanço do sarampo na província. Em Julho de 2026, Nampula contabilizava 801 casos de sarampo, dois óbitos e oito distritos em situação de surto activo, situação que levou ao reforço da vacinação e da vigilância epidemiológica e à identificação de Nacarôa como uma das áreas prioritárias de intervenção.
O alcance de 33.457 crianças vacinadas representa, assim, um resultado acima da meta definida e reforça a resposta das autoridades de saúde e dos parceiros ao surto de sarampo no distrito de Nacarôa.
Moçambique e a Índia reafirmaram, esta terça-feira, o compromisso de reforçar e consolidar a sua Parceria Estratégica Bilateral, bem como a cooperação no âmbito da parceria Índia-África e no contexto do Sul Global.
O compromisso foi assumido durante a terceira sessão de Consultas Políticas entre a República de Moçambique e a República da Índia, realizada em Maputo, no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.
A delegação moçambicana foi chefiada pelo Embaixador José Matsinha, Director da Direcção para Ásia e Oceânia, enquanto a delegação indiana foi liderada por Janesh Kain, Secretário Adjunto (Joint Secretary) para África Austral no Ministério das Relações Exteriores da Índia.
Na sessão de abertura, os dois chefes de delegação destacaram as excelentes relações de amizade, solidariedade e cooperação existentes entre os dois países, reiterando a necessidade de aprofundar os laços bilaterais e consolidar a Parceria Estratégica entre Moçambique e Índia.
Durante as Consultas Políticas, as duas delegações trocaram informações sobre a situação política, de segurança e socioeconómica nos respectivos países, tendo igualmente discutido mecanismos destinados ao reforço das relações de amizade, cooperação e Parceria Estratégica bilateral, bem como questões multilaterais de interesse mútuo.
As duas partes acordaram continuar a trabalhar conjuntamente para fortalecer a cooperação bilateral, identificando como áreas prioritárias o domínio político-diplomático, defesa, combate ao terrorismo, segurança marítima, segurança pública, educação, energia, mineração, agricultura, saúde, comunicação e transformação digital, transportes e logística, indústria farmacêutica, indústria têxtil, comércio e investimento.
No âmbito do aprofundamento do diálogo bilateral, Moçambique e Índia acordaram ainda realizar, em Nova Deli, a VI Sessão das Consultas Políticas de Cooperação Bilateral, em data a ser acordada entre as duas partes.
A sessão decorreu num ambiente de abertura e franqueza, assente no conhecimento mútuo e nos fortes laços de amizade e irmandade que unem os dois povos e países.
A participação da juventude em processos decisórios continua aquém do desejado em Moçambique, e a continuidade desse paradigma pode conduzir ao prolongamento e continuidade de conflitos. A constatação e o alerta são de um documentário do Instituto para Democracia Multipartidária.
O Instituto para Democracia Multipartidária (IMD) iniciou, nesta terça-feira, um ciclo de apresentações de um documentário sobre a paz e a reconciliação em Moçambique. Produzido com todos os actores da sociedade, o documentário alerta para mais atenção com a juventude.
“De acordo com aquilo que é o retrato que temos no nosso documentário, vemos que a questão da inclusão e participação do cidadão nos processos da governação, particularmente os jovens, está aquém do que devia”, disse Fidália Maculuve do IMD, apelando que “haja uma força única, que de facto dê a voz a diferentes intervenientes que possam ser ouvidos”.
Um dos oradores do evento, Rodrigues Dambo aponta as desigualdades sociais como a maior das causas de conflitos.
“Claro que nunca teremos uma sociedade igual, mas a desigualdade sempre existirá. O que é necessário é que nós tenhamos mentes desarmadas para que esta desigualdade não seja refúgio de actos que atentem contra a paz. É evidente que o maior problema é o nível da desigualdade, então, temos de, cada um de nós, contribuir para reduzir este nível da desigualdade.”
O documentário foi apresentado na Universidade Joaquim Chissano. O presidente do Centro de Estudos Estratégicos daquela instituição, Énio Chingotuane, referiu que o País está a ignorar lições do passado que levaram a conflitos.
“O problema não é a existência do conflito em si, mas se nós não conseguimos geri-los e deixamos que eles se tornem violentos. O que nós verificamos hoje no cenário moçambicano é que parece que as lições que nós tivemos do passado, dos conflitos anteriores, não estão necessariamente a ser absorvidas para os conflitos actuais”, referiu.
O pesquisador entende que tal ignorância explica o prolongamento do conflito de Cabo Delgado até hoje sem caminhos para o diálogo e a negociação. O documentário será apresentado em todo o País, com a juventude como público prioritário.
A Água e Saneamento de Maputo, SA (SAAS-Maputo) vai realizar, no dia 22 de Agosto, uma intervenção de manutenção preventiva programada na Estação de Tratamento de Água do Umbeluzi e no Centro Distribuidor de Chamanculo.
Segundo um comunicado da empresa, a intervenção deverá provocar restrições no abastecimento de água no dia 23 de Agosto, afectando vários bairros da cidade de Maputo e da Matola.
Entre as zonas abrangidas estão Matola Rio, Chinonanquila, Djuba, Djonasse, Central “A” e “B”, Maxaquene “A” e “B”, Polana Caniço “A” e “B”, Sommerschield, Coop, Urbanização, Alto Maé “A” e “B”, Malanga, Mikadjuine, Munhuana, Jardim, Unidade 7, Nsalene, Inhagoia “A”, Xipamanine e Aeroporto “A” e “B”.
Face à interrupção prevista, a SAAS-Maputo recomenda aos consumidores que façam, antecipadamente, reservas de água suficientes para assegurar o consumo doméstico durante o período de restrições.
A empresa lamenta os transtornos que a intervenção poderá causar e apela à compreensão e colaboração dos seus clientes e do público em geral.
A manutenção enquadra-se nos trabalhos programados para garantir a continuidade e a qualidade do serviço de abastecimento de água.
O analista de política internacional Rui Newmem considera que Moçambique tem reduzido espaço de manobra para responder às novas medidas dos Estados Unidos sobre a concessão de vistos, defendendo, por isso, uma estratégia de diversificação das relações externas e de redução da dependência em relação a Washington.
Para Rui Newmem, uma eventual resposta de reciprocidade, através da imposição de restrições semelhantes aos cidadãos norte-americanos, teria pouco efeito prático, tendo em conta o desequilíbrio existente nos fluxos migratórios.
O analista explica que são muito mais numerosos os cidadãos dos países africanos que procuram deslocar-se aos Estados Unidos, por motivos de turismo, negócios ou estudos, do que os norte-americanos que viajam para esses países.
Segundo Rui Newmem, a imposição de medidas de retaliação seria pouco vantajosa para Moçambique e para os restantes países afectados. Por isso, defende que a resposta deverá passar por uma redução da dependência em relação aos Estados Unidos e pelo reforço das relações com outros parceiros internacionais.
“O método, mais do que a solução, será reduzir a dependência que existe dos Estados Unidos e orientar-se para outros Estados”, defende Rui Newmem, apontando a China, Turquia, Rússia, Índia e os países da União Europeia como parceiros que podem assumir maior importância.
O analista considera que Moçambique deve, sobretudo, redinamizar as relações já existentes com os países europeus, procurando ampliar as alternativas económicas, políticas e diplomáticas.
Relativamente aos moçambicanos que vivem nos Estados Unidos e noutros países, Rui Newmem sublinha que a sua situação depende do estatuto que possuem nos respectivos países de acolhimento.
O analista lembra que os cidadãos estrangeiros devem respeitar as leis dos países onde residem, desde que estas não violem os princípios consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Já os moçambicanos que tenham adquirido a nacionalidade dos países de acolhimento dispõem de outros instrumentos de participação. Rui Newmem entende que estes podem envolver-se na vida política, social e cívica dos respectivos países, contribuindo para influenciar políticas migratórias e promover relações específicas com os seus países de origem.
O analista chama igualmente atenção para a situação dos imigrantes nos Estados Unidos, no actual contexto da política “America First”, defendida pela Administração Trump. Segundo Rui Newmem, tanto os imigrantes em situação regular como os que se encontram em situação irregular vivem num ambiente de maior incerteza, marcado pelo receio de expulsões e deportações.
Quanto à possibilidade de uma futura administração norte-americana, eventualmente democrata, alterar as actuais medidas, Rui Newmem mostra-se céptico.
Na sua perspectiva, a decisão está também relacionada com questões económicas e com a necessidade de reduzir as despesas da rede consular norte-americana em África. A redução da presença consular, explica, representa uma diminuição significativa de custos, o que poderá dificultar uma reversão completa da medida.
Ainda assim, admite que possam existir negociações e alguma flexibilização para determinadas categorias de vistos, uma vez que existem diferentes modalidades, incluindo vistos de imigração, estudantes, negócios, residência e reagrupamento familiar.
Para Rui Newmem, poderá haver alguma abertura em casos específicos, mas não se deverá esperar uma alteração profunda da actual política.
O analista considera, assim, que a medida norte-americana poderá permanecer durante algum tempo e causar transtornos aos cidadãos moçambicanos que pretendam viajar para os Estados Unidos.
Rui Newmem recorda, por outro lado, que a concessão de vistos é uma prerrogativa soberana dos Estados e que, na perspectiva defendida pela actual Administração norte-americana, o visto não constitui um direito, mas um privilégio concedido pelo país de destino.
A posição foi apresentada pelo analista de política internacional Rui Newmem, em reacção às recentes medidas da Administração norte-americana que afectam a emissão e o processamento de vistos para cidadãos moçambicanos.
A Estrada Nacional Número 6 (EN6), que liga o Porto da Beira, na província de Sofala, à fronteira de Machipanda, em Manica, apresenta sinais de degradação em algumas secções, cerca de sete anos após a sua inauguração, em Novembro de 2019.
Com uma extensão aproximada de 290 quilómetros, a EN6 constitui uma das principais vias de ligação entre o Porto da Beira e os países do interior da África Austral, sendo igualmente uma importante rota para o transporte de mercadorias.
O director da Rede Viária de Moçambique (REVIMO) em Manica, assegura que estão em curso trabalhos de manutenção e melhoramento da estrada, alguns dos quais já se encontram na fase final. Segundo o responsável, as intervenções estão a ser realizadas de forma pontual, tendo em conta a aproximação da época chuvosa.
“A estrada está a apresentar algumas patologias e, para fazer face a isso, temos empreitadas que vão continuando. O empreiteiro já está cá mobilizado e vamos fazendo intervenções, porque não queremos correr o risco de intervir e, a seguir, termos chuvas”, explicou.
O director acrescentou que a estratégia passa por realizar intervenções pontuais antes do início das chuvas, de modo a evitar que os problemas existentes se agravem e comprometam a circulação rodoviária.
A EN6 é considerada uma via estratégica para o escoamento de mercadorias provenientes do Porto da Beira para os países do interior da região. Estima-se que cerca de dois mil camiões de carga circulam diariamente pela estrada, reforçando a necessidade de assegurar a sua manutenção e boas condições de transitabilidade.
O Presidente da Zâmbia, Hakainde Hichilema, foi reeleito com cerca de 60 por cento dos votos nas eleições realizadas na semana passada, anunciou, esta terça-feira, a Comissão Eleitoral da Zâmbia.
A vitória de Hichilema, no poder desde 2021, era amplamente esperada, numa eleição disputada por 13 candidatos. O principal adversário foi Brian Mundubile, antigo ministro provincial e candidato pela primeira vez à Presidência, que obteve cerca de 38 por cento dos votos.
Segundo a presidente da Comissão Eleitoral da Zâmbia, Mwangala Zaloumis, cinco dos 226 círculos eleitorais ainda não tinham sido contabilizados. Contudo, a responsável afirmou que os resultados em falta não deverão alterar de forma significativa o resultado final.
As eleições de 13 de Agosto, realizadas num país da África Austral rico em cobre, ficaram marcadas por acusações de fraude apresentadas pela oposição e pela suspensão inédita da contagem de votos em todo o território, depois de ataques contra funcionários eleitorais e do roubo de boletins de voto já marcados.
Antes da votação, partidos da oposição e organizações da sociedade civil haviam denunciado o alegado estreitamento do espaço político e apontado restrições às actividades de campanha.
Missões de observação eleitoral, nacionais e internacionais, consideraram que as condições registadas durante o processo contribuíram para uma disputa desigual.
A tensão aumentou depois da votação, com as autoridades a deterem cerca de uma dúzia de pessoas, incluindo dirigentes da oposição, numa operação que envolveu troca de tiros. O Governo alegou que os detidos estavam ligados a actividades de milícias ou a uma suposta insurgência relacionada com as eleições. As acusações foram rejeitadas pelo partido NRPUP, de Brian Mundubile.
A eleição foi amplamente encarada como um referendo ao primeiro mandato de Hakainde Hichilema, durante o qual a economia zambiana retomou o crescimento, depois de vários anos marcados por dificuldades orçamentais e fiscais.
A reeleição garante a Hichilema um novo mandato à frente da Zâmbia, num contexto em que o Governo terá pela frente o desafio de consolidar a recuperação económica e responder às críticas sobre o ambiente político e eleitoral.
Forças nacionais da Somália entraram, na segunda-feira, em confronto com tropas leais ao antigo líder do Estado do Sudoeste, Abdiaziz Hassan Mohamed Laftagareen, pelo controlo da cidade de Baidoa, num novo episódio de tensão entre o Governo Federal e administrações regionais.
Segundo o Governo somali, combatentes leais a Laftagareen atacaram, por volta das cinco horas da manhã, posições do Exército na capital do Estado do Sudoeste, alegadamente com o apoio de elementos do grupo islamista Al-Shabaab. O Executivo afirmou que os atacantes utilizaram veículos carregados de explosivos e que cerca de 30 militantes foram mortos durante a resposta das forças governamentais.
Um porta-voz da administração de Laftagareen afirmou que as suas forças chegaram a controlar algumas zonas de Baidoa. Testemunhas, contudo, disseram à AFP que os combatentes foram posteriormente expulsos e que as tropas federais retomaram o controlo da cidade.
O residente Adan Nurey descreveu à AFP combates intensos em várias zonas de Baidoa, com troca de tiros nas ruas durante várias horas. Segundo o morador, as forças leais a Laftagareen acabaram por retirar-se.
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), que mantém instalações na cidade, confirmou a ocorrência de confrontos e informou que várias vítimas deram entrada no hospital. A organização não avançou números, mas indicou que os combates ocorreram em duas frentes.
Outro residente, Salad Ali, relatou a existência de mortos, feridos e pessoas detidas durante os confrontos. Segundo o testemunho, foram observados vários corpos nas estradas, embora não tenha sido possível determinar o número exacto de vítimas.
A crise insere-se num contexto de profundas divisões políticas e administrativas na Somália. Em Março, o Governo Federal enviou tropas para afastar Laftagareen da liderança do Estado do Sudoeste. O antigo dirigente tentou recuperar o controlo da região em Maio, mas a operação fracassou.
O Presidente Hassan Sheikh Mohamud enfrenta igualmente uma prolongada insurgência do Al-Shabaab, grupo islamista que mantém sob seu controlo extensas áreas da região central do país.
O chefe de Estado tem defendido uma transição para eleições democráticas, com o objectivo de substituir o actual sistema baseado na escolha de representantes através de anciãos dos clãs. Contudo, o processo tem sido alvo de críticas devido à extensão do mandato presidencial e aos reduzidos progressos na preparação de eleições de âmbito nacional.
As divisões entre clãs rivais, a fragilidade das instituições e a persistente ameaça do Al-Shabaab continuam a dificultar os esforços para consolidar a estabilidade política e de segurança na Somália