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A província de Cabo Delgado regista, em média, cinquenta casos de corrupção por ano, envolvendo, sobretudo, funcionários dos sectores da saúde e da educação. Entre os crimes mais frequentes destacam-se o desvio de fundos públicos, o suborno e outras práticas ilícitas relacionadas com a administração do Estado.

Apesar do elevado número de denúncias recebidas, a Procuradoria Provincial de Cabo Delgado revela que uma parte significativa dos processos acaba por ser arquivada, devido à insuficiência de provas que permitam sustentar a acusação em tribunal.

Os funcionários públicos continuam a liderar a lista dos arguidos, sendo os sectores da saúde e da educação apontados como os mais vulneráveis à prática de actos de corrupção.

Segundo a Procuradoria, o suborno para obtenção de serviços públicos ou de benefícios estatais de forma ilegal figura entre as modalidades de corrupção mais recorrentes na província.

Com o objectivo de aproximar a justiça dos cidadãos e incentivar a denúncia de práticas ilícitas, a Procuradoria Provincial tem vindo a promover campanhas denominadas “Tendas da Justiça”, uma iniciativa que permite recolher preocupações e denúncias da população fora do ambiente formal das instituições judiciais, reforçando a participação dos cidadãos no combate à corrupção.

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O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu, na abertura de um evento em Pequim, que o actual sistema de governação global “já não reflete a diversidade que habita a Terra”.

Lula da Silva lamentou ainda as distorções no comércio internacional, referindo-se à guerra comercial desencadeada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, e defendeu a “redução das assimetrias entre os países”, escreveu Notícias ao Minuto.

O chefe de Estado brasileiro falava durante a abertura do fórum China-CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e das Caraíbas), a decorrer na capital chinesa.

“É essencial que a colaboração entre a CELAC e a China contribua para fortalecer a indústria e a inovação na região”, referiu Lula da Silva.

O Presidente brasileiro acrescentou que “as situações de crise mostram que a prosperidade a longo prazo exige trocas equilibradas e economias diversificadas”.

“Só através de uma maior coordenação entre nós poderemos aproveitar plenamente o potencial de cooperação entre a China e a região da América Latina e Caraíbas, isto é especialmente evidente na área das infraestruturas”, declarou Lula da Silva, que realçou que o apoio chinês é decisivo nesta área.

O político brasileiro destacou também a importância do “amplo acesso a tecnologias de energia limpa” para a América Latina e Caraíbas.

Segundo Lula, “a América Latina, as Caraíbas e a China podem mostrar ao mundo que é possível conter as alterações climáticas, sem abdicar do crescimento económico e da justiça social”.

Também durante a abertura do fórum, o Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, apelou a uma diplomacia “livre de autoritarismo e imperialismo, uma troca de iguais entre civilizações”.

Petro lamentou ainda que “a descarbonização não avance” porque “a crise climática está a ser negada” devido a “ideologias que obscurecem o coração, a alma e a mente”.

Já o Presidente do Chile, Gabriel Boric, afirmou que “a soberania não reside apenas no respeito pelas fronteiras físicas, mas na decisão livre e soberana de decidir com quem e quando comercializar”.

O fórum avaliará as relações da China com a América Latina, após o regresso ao poder nos Estados Unidos de Donald Trump, que lançou uma guerra comercial e tem pressionado os países americanos a reduzirem ou romperem os seus laços com Pequim.

Após a abertura do fórum, Lula da Silva deverá reunir-se com o homólogo chinês, Xi Jinping, e assinar acordos para ampliar a cooperação bilateral.

Além de serem membros do G20, Brasil e China, juntamente com Rússia, Índia e África do Sul, são fundadores do bloco BRICS.

O Brasil ocupará a presidência anual do BRICS em 2025 e será o anfitrião da próxima cimeira, pelo que se espera que Xi Jinping visite o Brasil nos próximos meses.

Um bébe de 5 meses esteve em risco de perder a vida devido à  falta de corrente eléctrica no Hospital Provincial de Xai-Xai. A situação, que teve a duração de seis horas, colocou dezenas de doentes em pânico neste domingo. 

A Direcção do hospital diz que o problema deveu-se à avaria do gerador central há dois meses e que ainda não há datas para a sua reposição. 

É à luz de lanternas de telemóveis que os profissionais de Saúde trabalharam das 5 horas até quase 11 horas, deste Domingo, na maior unidade hospitalar da província de Gaza. “Estamos a trabalhar mal desde a madrugada, não temos outra saída com esta situação de falta de energia”, confirmou um técnico de Saúde.

Por volta das 6 horas, uma mulher de 35 anos de idade deu entrada nos serviços de urgência do hospital provincial de Xai-Xai, e trazia aos braços o seu filho de apenas 5 meses, acometido por um quadro agravado de evaginação intestinal. “Entristece-me bastante. Regista aumento da temperatura corporal, dores de estômago e defeca sangue, peço solução, ou mesmo a reposição da energia para que possam intervir e salvar a vida do meu filho”, disse Cecília Balane.

A crise exigia uma intervenção cirúrgica urgente, mas devido à falta de corrente, não foi possível o que deixou os pais do menor em desespero. Mário Timane questionou a ausência de uma intervenção rápida por parte das autoridades do hospital para salvaguardar a vida do seu filho  face ao apagão que perdurou por seis horas. 

“O meu filho precisa de uma intervenção cirúrgica, entretanto, tem de ser transferido para Maputo devido à falta de energia”, lamentou.

O médico clínico, Manuel Inácio explicou que a menor teve “dois episódios de vômito e diarreia com sangue. Precisava de uma operação de urgência, mas que a nossa unidade sanitária, o nosso hospital, não poderia oferecer. Não tinha condição de ser operário. Por falta de corrente. E era corte geral”.

Com o hospital totalmente às escuras, o pânico tomou conta do ambiente e de todos doentes que procuravam por atendimento, de tanto aguardar, alguns cederam ao cansaço buscando conforto no chão frio. Imagens captadas mostram momentos em que os profissionais de Saúde tentavam controlar a situação.

“No dia de ontem, 12, 10 doentes ficaram a espera de atendimento. Por critério de urgência, os doentes não tinham. Poderiam esperar. Não tinha que ter urgência. A corrente elétrica apareceu por volta das 10h43, se a memória não me falha” acrescentou.

“Temos tido vários cortes, mas é uma sessão inevitável.Há dois meses, simplesmente, o nosso gerador não está a funcionar por conta desta TS. A situação é do conhecimento do Ministério de Saúde, a obra Construções, o Serviço Provincial de Saúde, e estamos aguardando mesmo a reposição. Porque este instalado já não pode funcionar”, disse a administradora do hospital.

Elisa Fuel diz que para já não há dinheiro para resolver o problema e garantir a funcionalidade hospitalar perante cortes de corrente eléctrica tal como sucedeu neste domingo.

A primeira-secretária da Frelimo em Inhambane, Adélia Macucule, presidiu, nesta segunda-feira, na cidade de Inhambane, à abertura das celebrações dos 63 anos do partido Frelimo e dos 50 anos da Independência de Moçambique. Com um tom de determinação e um apelo à união nacional, Macucule reforçou o papel histórico e contemporâneo da Frelimo na construção de um Moçambique forte, inclusivo e próspero.

Perante uma audiência composta por pessoas de todas as faixas etárias, Adélia Macucule começou por enaltecer os sacrifícios e as conquistas do partido ao longo de mais de seis décadas. “Hoje é um dia de celebração, mas, acima de tudo, um dia de renovação do nosso compromisso com Moçambique. Estes não são apenas números. São anos de sacrifício, de luta, de conquistas e de desafios superados em nome da liberdade, da paz e do progresso do nosso povo”, afirmou, com veemência, enquanto os presentes aplaudiam calorosamente.

O lema deste ano, “50 anos de independência: consolidando a unidade nacional, a paz e o desenvolvimento sustentável”, foi destacado como um chamado à acção. Macucule sublinhou que a frase transcende o simbolismo e se torna um grito de responsabilidade. “É um grito que ecoa em cada canto do nosso país, em cada lar, em cada coração moçambicano”, enfatizou, convocando todos os cidadãos a abraçarem este compromisso com renovada energia.

Adélia Macucule explorou o conceito de unidade como uma força motriz que sustenta a diversidade cultural, linguística e tradicional de Moçambique. “Moçambique é um mosaico de culturas, línguas e tradições. A nossa diversidade é a nossa riqueza, mas é a unidade que transforma essa diversidade em força”, afirmou. A líder destacou que a verdadeira unidade nacional se manifesta em momentos de crise, como os ciclones que devastaram a costa do país e as ameaças terroristas no Norte. “Foi a unidade nacional que nos manteve de pé”, declarou, reforçando a necessidade de práticas diárias de solidariedade e compromisso colectivo.

Macucule fez uma defesa enfática da paz como um dos pilares fundamentais do desenvolvimento. Para ela, a paz não é apenas a ausência de conflito, mas sim um estado que garante segurança, educação e a possibilidade de sonhar com um futuro melhor. “A paz exige vigilância. Não podemos tolerar actos de violência que procuram dividir-nos como povo. Não podemos permitir que o discurso de ódio tenha espaço na nossa sociedade”, alertou, apelando à responsabilidade de todos em proteger este bem precioso.

O desenvolvimento sustentável foi outro tema central do discurso. Macucule destacou os esforços de Inhambane para equilibrar o crescimento económico com a preservação ambiental e cultural. Ela apontou o gás de Temane como um exemplo de recurso que, se gerido com transparência, pode transformar a vida das comunidades locais. “Este recurso deve ser gerido com responsabilidade, para que não apenas contribua para o crescimento económico, mas também melhore a vida das comunidades locais”, sublinhou. No sector do turismo, a primeira-secretária defendeu uma abordagem equilibrada que valorize a cultura e proteja o meio ambiente, enquanto atrai investimentos.

Com uma visão para o futuro, Adélia Macucule enfatizou que as celebrações deste ano são um compromisso renovado para erradicar a pobreza extrema, combater a corrupção e assegurar que o desenvolvimento chegue a todas as regiões do país. “Unidade, paz e desenvolvimento sustentável não são apenas palavras. São os pilares sobre os quais construiremos o Moçambique que sonhamos”, afirmou, encerrando o discurso com um apelo à acção colectiva.

A primeira-secretária aproveitou a ocasião para lembrar a todos do papel central da Frelimo na história de Moçambique. “A Frelimo é mais do que um partido; é a alma desta nação. Foi a Frelimo que liderou a luta pela independência, que trouxe a paz e que continua a ser a força motriz do desenvolvimento de Moçambique”, declarou, arrancando aplausos emocionados da audiência.

Enquanto os 63 anos do partido são celebrados com orgulho, Macucule destacou que os próximos 50 anos exigirão ainda mais dedicação e coragem para consolidar as conquistas alcançadas. “Este é o momento de enfrentar os desafios com determinação, consolidar as nossas conquistas e construir um país onde ninguém seja deixado para trás”, disse, olhando para o futuro com esperança e determinação.

O discurso de Adélia Macucule não apenas celebrou o passado do partido, mas também lançou desafios claros para o futuro. Com uma mensagem de união, resiliência e compromisso com o desenvolvimento sustentável, a primeira-secretária inspirou a audiência a trabalhar incansavelmente por um Moçambique inclusivo e próspero.

Foi inaugurado, esta segunda-feira, na cidade de Chimoio, província de Manica, o novo Centro de Formação Profissional, uma infra-estrutura estratégica que visa capacitar jovens com competências técnicas e impulsionar o auto-emprego na região.

O centro, com capacidade para formar até 1.100 jovens por ano, dispõe de uma área administrativa, quatro salas de aula, oficinas de Electricidade Instaladora, Serralharia Civil e Soldadura, além de um pavilhão oficinal e residência para o diretor. Está ainda equipado com sistema de abastecimento de água e um grupo gerador, garantindo autonomia operacional.

Durante um comício popular em Chimoio, o Chefe de Estado destacou a formação técnica e profissional como resposta directa às preocupações da juventude no que diz respeito ao emprego. A nova infraestrutura representa um passo decisivo nos esforços do Governo para descentralizar o ensino técnico, adaptando-o às realidades locais e promovendo o crescimento económico inclusivo.

A estratégia passa por dotar os jovens de competências práticas nas áreas de carpintaria, electricidade, construção civil e serralharia, com o objetivo de facilitar o acesso ao mercado de trabalho e fomentar o empreendedorismo.

Foi ainda anunciado a criação de um novo Fundo de Desenvolvimento local, inspirado no antigo programa dos “7 Milhões”, que irá operar em todos os distritos da província de Manica. O fundo pretende mitigar as dificuldades de acesso a financiamento enfrentadas por jovens empreendedores.

A iniciativa sublinha também a importância da paz e da estabilidade como pilares fundamentais para o sucesso dos projectos de desenvolvimento e inclusão económica no país. O centro de Chimoio junta-se assim a um esforço nacional para oferecer oportunidades concretas de formação e melhorar as condições de vida da juventude moçambicana.

A empresa Hidroeléctrica de Cahora Bassa vai realizar no dia 21 de Maio corrente uma conferência Internacional alusiva aos seus 50 anos. A conferência vai abordar dentre vários temas a  gestão de barragens no contexto de mudanças climáticas.

O evento insere-se nas cerimônias de celebração dos 50 anos da Hidroeléctrica de Cahora Bassa que vão continuar até o fim do ano. O ponto mais alto das celebrações será o dia 23 de junho, data do aniversário da empresa, mas antes está marcada uma conferência Internacional para o dia 21 de Maio, que vai abordar, dentre várias temáticas, a gestão de barragens no contexto de mudanças climáticas.

O painel será composto por individualidades de grande incidência nas matérias, sendo que foram elencados aqui alguns tópicos, nomeadamente um primeiro painel que visa discutir o papel das centrais elétricas no desenvolvimento das economias da região, teremos um segundo painel que é o painel da gestão das hidroelétricas no contexto das mudanças climáticas geradoras de eventos extremos, agora aqui estamos a falar de cheias e secas e particularmente agora nós estamos a falar das secas, pretendemos neste painel discutir como é que as centrais hidroelétricas neste contexto das secas estão a gerir as suas barragens, como é que elas estão a se adaptar às mudanças climáticas.” Explicou Mariano Quinze,  Director de Comunicação da HCB.

Subordinado ao lema “HCB: Ontem, Hoje e o Futuro,Empresa Estruturante e Estratégica”, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa quer envolver entidades da região austral de África e não só na discussão e busca de soluções dos desafios actuais dos sector.

“Contamos que para além dessas empresas que participam neste painel, contamos aqui com um conjunto de convidados, nomeadamente empresas do setor energético nacional e regional que vão estar presentes, aquelas que fazem parte da SAPP, que é a Southern Africa Pool, que é o pool de energia da região, contamos também com académicos, políticos, opinion makers, entusiastas do setor energético nacional e regional. Pensamos que com esta conferência nós podemos estar a dar aqui o nosso contributo na massificação e na disseminação de informação sobre como é que essas empresas do setor energético operam na região” disse.

As actividades de celebração do jubileu HCB vão até o fim do ano e há várias atividades programadas. Com duração de dois dias, são esperadas mais de trezentos participantes e o evento terá lugar na cidade de Maputo.

Depois disso e como forma de continuidade das cerimónias de celebração dos 50 anos da companhia, estão marcadas actividades desportivas e desenvolvimento de projectos de responsabilidade social em todas as regiões do país.

A escritora Virgília Ferrão encontra-se a organizar o terceiro volume da antologia “Espíritos Quânticos”. Para o efeito, são convidados os escritores portugueses, com ou sem obra publicada, a submeter um conto para o projecto, desde que escreva (ou seja traduzido) para a língua portuguesa. 

Na chamada aberta a 1 de Maio, vigorando até dia 30 de Julho, serão seleccionados entre quatro a seis autores portugueses, os quais irão juntar-se a outros autores moçambicanos contemplados na iniciativa.

Os contos submetidos devem ser inéditos, em formato word, com o máximo de 10 (dez) páginas, em A4, Times New Roman 12, espaço 1.5. Os contos podem ser escritos em qualquer género ou subgénero literário, desde que contenham elementos da ficção especulativa, podendo incluir ou misturar, não se limitando, os géneros da fantasia, ficção científica, terror sobrenatural, história alternativa, afrofuturismo, utopias e distopias, cyberpunk, black-tech, entre outros.

A análise das submissões será conduzida por uma equipa do blog literário Diário de uma Qawwi e os autores seleccionados serão contactados por email até 15 de Agosto. O resultado da seleçcão será igualmente divulgado no blog do Diário de uma Qawwi, que, igualmente, vai editar a antologia, a ser comercializada em Moçambique e em Portugal.

Cada autor seleccionado terá direito a um honorário simbólico correspondente a 12 euros e a um exemplar grátis da antologia. Os exemplares poderão ser levantados pelos autores nos locais em Moçambique e em Portugal, a serem indicados aquando do lançamento da antologia, previsto para o ano de 2026.

O Diário de Uma Qawwi é um blog literário moçambicano criado em 2018 e registado em 2021, como editora independente.

Desde a sua criação, o blog tem-se dedicado a apoiar o desenvolvimento de novas formas de produção literária, com especial ênfase na ficção especulativa. A antologia “Espíritos Quânticos” nasceu com o intuito de mostrar que o continente africano também é lugar de futuros imaginados, mundos fantásticos, tecnologias avançadas, sociedades utópicas e distópicas, com narrativas contadas a partir de uma linguagem e identidade cultural próprias. 

A antologia conta até o momento com dois volumes e perto de quarenta e cinco nomes da literatura africana, incluindo Carlos dos Santos, Déborah Cardoso Ribas, Lucílio Manjate, José Luís Mendonça, Nick Wood, Mélio Tinga, Mia Couto, Vera Duarte, Wole Talabi e Zukiswa Wanner.

O projecto sempre quis se expandir para além do continente africano. “Acreditamos que a língua portuguesa é um território fértil para este género e, finalmente, temos a oportunidade de concretizar esta aspiração. ‘Espíritos Quânticos Volume 3: Ficção Especulativa Moçambique – Portugal’ pretende unir vozes de autores destes dois países, criando um diálogo intercontinental que enriqueça este género literário”.

O Presidente da República iniciou, esta segunda-feira, a sua primeira visita à província de Manica, com um discurso de apelo à paz, tolerância e  desenvolvimento inclusivo, num comício popular que marcou o  arranque de uma jornada de três dias dedicada à auscultação dos  cidadãos, promoção do diálogo e valorização do potencial local. 

Durante o seu discurso, Daniel Chapo reafirmou o compromisso  do Governo com uma governação participativa e próxima do 

cidadão. “Queremos trabalhar para avaliar como é que o nosso  Governo está a trabalhar com o nosso povo em Manica. Quando  tomámos posse dissemos que iriamos trabalhar mais próximos da  população. É por isso que estamos aqui em Chimoio”, disse. 

O estadista sublinhou que a visita é um gesto concreto do  compromisso com o povo, acompanhado de um vasto programa de  trabalho, que inclui a realização, esta terça-feira, da sessão ordinária  do Conselho de Ministros na cidade de Chimoio, facto que, segundo  afirmou, transforma temporariamente a cidade na capital do país. 

Apontou a inauguração, hoje, do Centro de Formação Profissional de  Chimoio como resposta directa às preocupações da juventude com o  desemprego.  

Com o país a viver o rescaldo das tensões pós-eleitorais de 2024, o  Presidente da República condenou os actos de violência que  resultaram na destruição de infra-estruturas públicas. “A violência gera  violência, o ódio gera ódio. É uma lei da natureza. Cada um costuma  colher o que planta. Se você quer colher o amor, tem que plantar o  amor”, alertou, acrescentando que na política “não há inimigos, só há  adversários”. 

A população local, através de uma mensagem dirigida ao Presidente Chapo, elogiou a governação nos primeiros 100 dias, destacando a resposta clara às suas preocupações e os esforços de diálogo com  todas as forças vivas da sociedade. Entre as principais reivindicações,  pediram mais escolas, hospitais, esquadras e sistemas de água, ao  mesmo tempo que se comprometeram a preservar as conquistas e  evitar acções de instabilidade. 

O Presidente da República abordou também a questão do garimpo  ilegal e da poluição ambiental, confirmando a suspensão das  actividades de cinco empresas e aplicação de multas. “Vamos  organizar os jovens e lhes ensinar a trabalharem como deve ser, sem  riscos”, disse, deixando aos líderes locais a responsabilidade de  garantir uma actividade mineira mais segura e regulamentada. 

Ao abordar os 50 anos da independência nacional, o governante  rejeitou a ideia de que houve poucos avanços desde 1975. Destacou  que, actualmente, há universidades espalhadas por todo o país e que,  ao contrário do cenário da independência, quando 97 por cento da  população era analfabeta, essa realidade já foi superada. Ainda  assim, reconheceu que há muito por fazer. 

Esta terça-feira, quando forem 19 horas, os realizadores Melchior Ferreira e Bill Boy vão lançar o filme ‘Vândalos’. 

O documentário a ser apresentado no auditório do Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo, é um pretexto para expor, com honestidade brutal e beleza visual, as camadas invisíveis da juventude urbana moçambicana.

Produzido de forma independente, com uma equipa comprometida e apaixonada, o filme nasce da colaboração entre dois criadores que estão a transformar a cena artística moçambicana: Melchior Ferreira, director criativo, realizador e storyteller, e Bill Boy (Américo Bila), realizador e storyteller visual.

‘Vândalos’ dá voz a uma juventude marginalizada, mas resiliente. A história acompanha Lembranço, um jovem vendedor ambulante, ou “chips boy”, que vive diariamente o estigma de ser considerado um “molwene” – um vândalo sem futuro. Mas por detrás dos rótulos, esconde-se um jovem com talento, esperança e ambição.

 A curta-metragem de 15 minutos é um retrato íntimo da sua luta por dignidade e mudança, numa sociedade que tantas vezes vira o rosto àqueles que mais precisam de ser ouvidos.

“O que começou como uma ideia solta transformou-se num filme que me desafiou profundamente. Quis contar uma história real, visceral, sobre quem somos e quem tantas vezes é deixado para trás”, destaca Mechior Ferreira, acrescentando que ‘Vândalos’ é sobre os nossos jovens, os nossos sonhos e as nossas dores. “É um espelho do presente, mas também uma janela para um futuro possível”, realça.

Depois da apresentação, a equipa tem em perspectiva a exibição do filme em festivais internacionais e locais de cinema independente, criar impacto social através de exibições comunitárias e debates pós-filme, bem como estabelecer parcerias com plataformas de ‘streaming’, imprensa e instituições com o objectivo de estimular o diálogo sobre exclusão social e juventude moçambicana.

“Vândalos” é um filme da autoria de Melchior Ferreira produzido pela Codeclife e Panic Station e conta com o apoio da Create Moçambique. Antes mesmo da sua estreia oficial, o curta-metragem já foi seleccionado para cinco festivais de cinema internacionais e venceu o prémio de Melhor Filme de Curta-metragem no Cinalfama Film Oservatory, em Portugal.

 

Por: Elídio Vilanculo

 

Hoje é dia de festa, não me vai embaraçar a notificação remetida pelo mensageiro da madrugada, selada pelas acusações da consciência. Quero ver os arbustos estacados no solo das minhas gengivas a desabrocharem, satisfeitos com a tritura dos nacos de carne que fenecem. Quero ver os meus beiços afogados na espuma da cevada, turbinada pelas invisíveis lombrigas estomacais do álcool, que trepam-me, enrolando as suas caudas nos galhos do meu cérebro.

Prefiro esta compensa de iguarias, não me move o pudor da penitência do mendigo que arrasta os seus farrapos de esperança no pedestre da penúria – à busca de nacos de pão.

Não me interessa, vou debicar primeiro estes grãos de migalhas até que as botas fiquem desprovidas de solas de tanto lambida a poeira.

Hoje é dia de festa, serei a boca do rio que engole sapos, escarros e berros vomitados pelo esgoto, serei isto só, só isto por esta noite para matar as serpentes peçonhentas que me mordem o estômago repentinamente. É por isto que me mantenho horas e horas, imóvel, agarrado com todas as minhas forças à praça dos vadios, para servir de contentores de lixo dos condomínios apetrechados de glamour.

Prefiro assim sobreviver, rodeado de túmulos dos mil alvos que tombam nas matas, nos campos e na fuga dos seus medos, estes que saciam o celeiro dos órgãos humanos decepados. Mesmo que cresça o tumulto dos gritos no rio que transporta os ossos caiados, directamente para o íntimo dos tormentos.

Hoje é dia de festa, festa de inauguração da retaliação, simplesmente me vou fechar; esta frágil garganta que engasga ao engolir a raiva misturada na saliva, pois a tesoura já está posta na fita da garganta e, conseguintemente, não me apetece beber o vinho da festa com a boca da garganta, como aquele atrelado de Chaimite que dançara ao ritmo da música de agonia.

Prefiro beber deste barril para enveredar ao sol que me vigia. Dêem-me agora aquela garrafa de vidro transpirando o cheiro aguçado de álcool, para corroer a ferrugem da vergonha, de remorsos e de arrependimentos permeados pela esponja da minha consciência, quiçá, estas breves gotas levem consigo o peso da gordura dos nacos e o álcool das bebidas usufruídas às escuras.

 

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