A província de Cabo Delgado regista, em média, cinquenta casos de corrupção por ano, envolvendo, sobretudo, funcionários dos sectores da saúde e da educação. Entre os crimes mais frequentes destacam-se o desvio de fundos públicos, o suborno e outras práticas ilícitas relacionadas com a administração do Estado.
Apesar do elevado número de denúncias recebidas, a Procuradoria Provincial de Cabo Delgado revela que uma parte significativa dos processos acaba por ser arquivada, devido à insuficiência de provas que permitam sustentar a acusação em tribunal.
Os funcionários públicos continuam a liderar a lista dos arguidos, sendo os sectores da saúde e da educação apontados como os mais vulneráveis à prática de actos de corrupção.
Segundo a Procuradoria, o suborno para obtenção de serviços públicos ou de benefícios estatais de forma ilegal figura entre as modalidades de corrupção mais recorrentes na província.
Com o objectivo de aproximar a justiça dos cidadãos e incentivar a denúncia de práticas ilícitas, a Procuradoria Provincial tem vindo a promover campanhas denominadas “Tendas da Justiça”, uma iniciativa que permite recolher preocupações e denúncias da população fora do ambiente formal das instituições judiciais, reforçando a participação dos cidadãos no combate à corrupção.
Por Lídia Mathe
Directora de campanha, do Luís Cezerilo
Luís Cezerilo é o candidato dos jovens escritores para secretário-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos
Há silêncios que doem mais do que as palavras mal ditas. O silêncio dos livros não publicados. O silêncio dos escritores que desistem. O silêncio das bibliotecas que viraram arquivos mortos. E é contra esses silêncios que levantamos a voz – não como heróis, mas como um do nosso povo. Um dos que ainda acredita que escrever é um acto de fé.
Candidatamos ao cargo de Secretário-Geral da AEMO o confrade Luís Cezerilo, porque não podemos mais aceitar que a literatura seja tratada como um detalhe. Num país que enfrenta desafios tão profundos, a palavra pode ser ferramenta de reconstrução. Pode curar feridas, resgatar memórias, inspirar futuros. Mas para isso, ela precisa ser ouvida, lida, sentida – não apenas nos salões de prémios, mas nas salas de aula, nas feiras de bairro, nas vozes de quem nunca publicou nada, mas carrega o dom.
A nova dinâmica que defendemos é um projecto, ou seja, um convite indispensável para a mudança de postura.
Literatura como prática quotidiana
A AEMO precisa sair do pedestal e descer à rua. Levar a literatura às escolas, aos mercados, às estações, às aldeias. Criar pequenas e grandes bibliotecas populares, rodas de leitura informais, encontros literários ao ar livre. A palavra tem que circular.
Tem que entrar na vida real.
Salientar que que em lugares como Gaza, como Zambézia , Cabo-Delgado e tantos outros pontos, em tempo remoto, também jovens e velhos se reuniam em volta da Fogueira/lareira…
Mais escuta, menos burocracia
Precisamos parar de tratar os escritores como números ou cargos. Cada autor é um universo. Queremos que AEMO se transforme num espaço onde se escuta mais do que se manda. Onde se serve mais do que se exige. A escuta e o conselho serão o centro da nossa atuação.
Nós os jovens escritores da AEMO, candidatamos o Confrade LUÍS CEZERILO, para SG da AEMO, pelo facto deste ter mostrado desde sempre a sua abertura, para apoiar, trabalhar com a Juventude…!
Literatura moçambicana é património
É preciso exigir do Estado o reconhecimento formal da produção literária como bem cultural essencial. Que haja linhas de financiamento permanentes, políticas de incentivo à leitura e subsídios reais para publicar. Nenhum país cresce de costas viradas para a sua própria palavra.
Devemos lutar pela Internacionalização contínua dos Escritores, sobretudo a camada jovem que é quem busca mais oportunidades.
Tecnologia a serviço da criação
Vamos criar uma plataforma digital acessível, onde qualquer escritor, de qualquer província, possa publicar, divulgar e encontrar apoio técnico. A descentralização passa também pelo digital
Desconstruir os muros, abrir as janelas
A AEMO precisa abrir-se ao novo. Trazer vozes jovens, autores, escritores em línguas nacionais, narrativas femininas. Não podemos continuar a reproduzir um modelo elitista e fechado. A literatura moçambicana é múltipla – e deve ser representada como tal.
Mais do que administrar, queremos criar oportunidades. Mais do que dirigir, queremos deixar legado. Mais do que planejar, queremos sentir o que pulsa, o que falta, o que já não se diz.
Queremos uma AEMO que não tenha medo de mudar. Que não tema incomodar. Que não se limite a organizar eventos, que se envolva na formação de leitores, na luta
contra o analfabetismo cultural, na defesa de uma literatura viva, crítica, transformadora.
Porque escrever, no nosso contexto, é um acto político. Um gesto revolucionário e de resistência. E a associação que nos representa precisa estar à altura desse gesto.
Buscamos apresentar a classe e não só, um Secretário Geral que caminha com os pés na terra e o ouvido voltado para o país real, um militante da palavra.
Com coragem, afecto e responsabilidade.
Um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), apresentado hoje em Maputo, revela que cerca de 13 milhões de crianças moçambicanas, num total de mais de 16 milhões, vivem em situação de pobreza, evidenciando desigualdades profundas no país.
Apesar de avanços em algumas áreas, a pobreza infantil continua a atingir níveis alarmantes. “Cerca de 77% das crianças enfrentam pobreza, seja ela de caráter monetário, multidimensional ou ambos”, afirmou Yannick Brand, representante adjunto da Unicef em Moçambique, durante o lançamento do relatório.
Brand destacou que existem desigualdades territoriais e estruturais marcantes em Moçambique, resultando em condições de vida muito mais desfavoráveis para algumas crianças. A pobreza nas zonas rurais, por exemplo, é aproximadamente três vezes superior à das áreas urbanas.
“A pobreza infantil vai além da simples ausência de recursos financeiros. Ela prejudica o acesso à educação, saúde, nutrição adequada, proteção e ao direito de viver uma infância plena, comprometendo assim o desenvolvimento sustentável do país”, explicou.
De acordo com os dados do relatório, das cerca de 16,4 milhões de crianças em Moçambique, 70,3% vivem com privação de consumo e 41,3% sofrem privações em diversas dimensões essenciais ao seu bem-estar. Além disso, uma em cada três crianças enfrenta pobreza simultaneamente em várias dessas dimensões.
A crise provocada pelas dívidas ocultas, a pandemia da covid-19, desastres naturais e conflitos são apontados como alguns dos principais fatores que agravaram a pobreza infantil no país.
Diante desse cenário, o representante da Unicef defende uma resposta integrada que acompanhe a criança desde os primeiros anos de vida até a adolescência. Ele ressaltou a importância de reforçar os mecanismos de proteção social, aumentar a resiliência diante de choques e fortalecer a produção e o uso de dados como base para o planejamento e monitoramento de políticas públicas voltadas para as crianças.
Uganda suspendeu oficialmente toda a cooperação militar com a Alemanha, acusando o embaixador alemão Matthias Schauer de se envolver em “actividades subversivas” e apoiar grupos antigovernamentais.
As Forças de Defesa Popular de Uganda fizeram o anúncio após relatórios de inteligência, marcando uma forte escalada nas tensões diplomáticas.
A UPDF alega que o Embaixador Schauer estava envolvido com os chamados elementos “negativos e traidores” em Uganda, alegações que decorrem de uma reunião privada com o irmão do Presidente Museveni. Durante essa reunião, Schauer teria criticado o comportamento online do General Muhoozi Kainerugaba, filho de Museveni e chefe do exército.
A Alemanha, que ainda não se pronunciou publicamente, há muito tempo apoia Uganda com logística militar e assistência técnica. O comércio bilateral entre os dois países atingiu mais de 335 milhões de dólares em 2023.
Essa repercussão repentina ameaça uma parceria de décadas e ressalta o crescente desconforto internacional com o ambiente político de Uganda antes das eleições presidenciais de 2026. A medida também reflete a resistência mais ampla de Uganda à suposta interferência estrangeira em assuntos internos.
O município da Beira em coordenação com os vendedores do Mercado do Goto já criaram a comissão AD HOC, que vai substituir a comissão eleita pelos vendedores. A mesma tem trinta dias para encontrar as melhores plataformas de cobranças de taxas de limpeza, que gerou polêmica quando houve um aumento de três para cinco meticais.
Há cerca de 10 dias a comissão de gestão do maior mercado informal da cidade da Beira, o mercado de Goto, decidiu de forma unilateral, sem comunicar aos vendedores e nem o Conselho municipal da Beira, aumentar a taxa de recolha de limpeza de três para cinco meticais.
O facto irritou os cerca de dois mil vendedores que lá trabalham e estes decidiram afastar a comissão e nomear uma outra, liderada por um antigo vendedor.
A comissão demitida ficou zangada e gerou uma polêmica, que terminou no gabinete do edil da Beira, que para solucionar o problema, sugeriu a criação de uma comissão AD HOC.
A Comissão já foi criada e é composta por cinco membros, escolhidos pelos vendedores, que fazem parte das duas comissões em desavença.
A principal missão dos membros da comissão AD HOC é encontrar solução para actualizar a taxa de limpeza, que actualmente é de três meticais.
A comissão irá de banca em banca fazer o levantamento dos problemas ligados à limpeza no mercado e ao mesmo tempo ouvir possíveis soluções, elaborar propostas que depois serão discutidas com vereação de mercados e feiras.
Cresce cada vez mais a circulação de sementes falsas na província de Manica, o que tem afectado negativamente a produtividade agrícola. Maior parte de sementes que são vendidas são de origem duvidosa, muitas vezes falsificadas por comerciantes que as pintam para enganar os agricultores
A presente campanha agrária fracassou para maior parte dos produtores na província de Manica, o que pode comprometer a segurança alimentar. É que estes adquiriram sementes nos mercados, sem saber que eram falsas.
As empresas provedoras de sementes dizem estar a somar prejuízos com esta prática. “Acaba também afastando e quebrando a confiança com os agricultores (…) Há uma quebra de confiança extremamente alta, fora a perda de receitas da empresa e do próprio Estado, o que compromete também a subsistência do próprio Estado”, disse Aly Baraza Júnior, Director da Seed-Co.
E porque a falsificação de sementes tem contornos criminais, o caso já está a caminho do Tribunal. Pelo menos duas empresas flagradas a comercializar semente falsa deverão ser ouvidas nos próximos dias.
O Laboratório Regional de Sementes baseado em Manica reconhece haver o problema e diz que já está a trabalhar para desmantelar a rede.
Estudos disponíveis indicam que 90% das sementes comercializadas nas províncias de Manica, Sofala e Tete são falsas.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau garantiu, hoje, que todos os preparativos estão em curso para receber a XV Cimeira da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) a 18 de Julho.
O país é o anfitrião do evento que culmina com a reunião dos chefes de Estado, a 01 de Julho, mas que arranca a 13 de Julho com reuniões de várias entidades e outras iniciativas, e que será também o momento da passagem da presidência da CPLP para a Guiné-Bissau.
Durante uma semana, entre as várias reuniões programadas constam o habitual conselho dos ministros dos Negócios Estrangeiros da CPLP, escreve Notícias ao Minuto.
A Guiné-Bissau assumirá nesta cimeira a presidência rotativa da CPLP por dois anos, sucedendo São Tomé e Príncipe.
A última cimeira decorreu em Agosto de 2023 em São Tomé e Príncipe, país que sucedeu a Angola na presidência da organização.
Além da Guiné-Bissau, são Estados-membros da CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
O Presidente da República, Daniel Chapo, inicia hoje uma visita de trabalho de três dias à província de Gaza. A visita abrange a cidade de Xai-Xai e os distritos de Chongoene, Chókwè, Guijá e Bilene.
Durante a sua estadia, o Chefe do Estado vai visitar o sistema de regadio, orientar a Sessão Ordinária do Conselho de Ministros e participar na Sessão Extraordinária do Conselho Executivo Provincial, alargada ao Conselho dos Serviços de Representação do Estado, Administradores Distritais e Presidentes dos Conselhos Autárquicos.
Estão igualmente previstas reuniões com órgãos locais do Estado, com jovens, produtores, agentes económicos e agricultores, bem como a realização de comícios populares.
Pelo menos 46 pessoas morreram, na Faixa de Gaza, 31 das quais numa escola que foi transformada em abrigo, no bairro de Al Daraj, no leste do território, segundo informaram hoje as autoridades de saúde.
O chefe do serviço de emergência da Defesa Civil de Gaza adiantou que a escola foi atingida três vezes enquanto as pessoas dormiam. As equipas de socorro conseguiram controlar o fogo resultante dos ataques israelitas à escola Fahmi Al Jarjawi, no bairro de Al Daraj.
Os militares israelitas disseram que atacaram um centro de comando e controlo militante dentro da escola que o Hamas e a Jihad Islâmica usavam para recolher informações para os ataques.
Israel culpa o Hamas pelas mortes de civis porque a organização opera em zonas residenciais.
No domingo, o Comité Internacional da Cruz Vermelha (ICRC, na sigla em inglês) em Khan Younis, sul da Faixa de Gaza, indicou que Israel matou dois trabalhadores da organização.
O chefe do Estado-Maior israelita, Eyal Zamir, afirmou no domingo, durante uma visita às tropas destacadas na Faixa de Gaza, que o exército está a intensificar os ataques no enclave, onde, segundo as autoridades de Saúde de Gaza, já foram mortas cerca de 53.900 pessoas, no âmbito da nova ofensiva lançada a 17 de maio para assumir o controlo daquele território.
O Presidente da República, Daniel Chapo, dirige, hoje, a cerimónia de abertura do III Seminário Nacional do Protocolo do Estado, na cidade de Maputo. Realizado sob o lema “Por um Protocolo do Estado Padronizado e Dinâmico”.
O Seminário constitui uma plataforma de diálogo, reflexão e partilha de experiências entre profissionais do Protocolo do Estado e outras entidades, com o objectivo de promover as melhores práticas no domínio do protocolo institucional.

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