A província de Cabo Delgado regista, em média, cinquenta casos de corrupção por ano, envolvendo, sobretudo, funcionários dos sectores da saúde e da educação. Entre os crimes mais frequentes destacam-se o desvio de fundos públicos, o suborno e outras práticas ilícitas relacionadas com a administração do Estado.
Apesar do elevado número de denúncias recebidas, a Procuradoria Provincial de Cabo Delgado revela que uma parte significativa dos processos acaba por ser arquivada, devido à insuficiência de provas que permitam sustentar a acusação em tribunal.
Os funcionários públicos continuam a liderar a lista dos arguidos, sendo os sectores da saúde e da educação apontados como os mais vulneráveis à prática de actos de corrupção.
Segundo a Procuradoria, o suborno para obtenção de serviços públicos ou de benefícios estatais de forma ilegal figura entre as modalidades de corrupção mais recorrentes na província.
Com o objectivo de aproximar a justiça dos cidadãos e incentivar a denúncia de práticas ilícitas, a Procuradoria Provincial tem vindo a promover campanhas denominadas “Tendas da Justiça”, uma iniciativa que permite recolher preocupações e denúncias da população fora do ambiente formal das instituições judiciais, reforçando a participação dos cidadãos no combate à corrupção.
A cidade de Inhambane, conhecida pela tranquilidade das suas praias e pelo calor humano da sua gente, esconde, por detrás de paisagens idílicas, um drama que afeta milhares de famílias: a diabetes. Uma doença silenciosa que não apenas altera vidas, mas também transforma o quotidiano de comunidades inteiras. Entre os rostos que dão vida a esta estatística está Eduardo Lichucha, um homem que, aos 44 anos, carrega na voz uma história de luta, dor e resiliência, que começou há cinco anos, quando ouviu pela primeira vez o diagnóstico que mudou para sempre a sua forma de viver.
Era um dia comum em 2020, e Eduardo, então com 39 anos, estava a gerir um pequeno bar em Inhambane. A sua vida parecia normal, mas os sinais já se faziam sentir: sede excessiva, fome constante e pernas inchadas. Contudo, como ele próprio confessa, a negligência falou mais alto. “Eu achava que era normal. Talvez por causa de uma bebedeira da noite anterior ou por estar a trabalhar muito.” Mas foi numa conversa inusitada com um cliente habitual, um médico atento aos detalhes, que Eduardo começou a entender que algo estava errado.
“Aquele cliente olhava para mim sempre que vinha ao bar. Um dia, chamou-me de lado e disse que precisávamos de conversar. Não ali, mas no hospital. Senti um frio na barriga, mas decidi ir.” Na segunda-feira, Eduardo dirigiu-se ao Hospital Provincial de Inhambane. Ao ser examinado, o diagnóstico foi devastador: estava numa fase crítica de diabetes, com uma glicemia de 27 mmol/L. O choque foi tão grande que ele mal conseguia processar as palavras do médico. “Foi como se o chão tivesse desaparecido debaixo dos meus pés.”
Os meses seguintes foram um turbilhão. Eduardo, que pesava 98 quilos na altura do diagnóstico, viu o seu corpo definhar. Em menos de três meses, perdeu quase metade do peso, chegando aos 53 quilos. “Todos olhavam para mim com espanto. As pessoas perguntavam o que se passava, mas eu não tinha forças para explicar. Sentia-me um fardo para a minha família.”
A rotina de internações tornou-se constante. Em 2021, Eduardo esteve internado 11 vezes no Hospital Provincial, lutando contra complicações que pareciam não ter fim. “Os diabéticos não podem ter feridas, mas eu tinha abscessos seguidos. Mal uma ferida fechava, outra abria. Era como um ciclo interminável. Bastava uma pequena infeção para a glicemia disparar.”
Determinado a mudar a sua realidade, Eduardo virou-se para a internet. “Comecei a pesquisar sobre diabetes, alimentação e cuidados. Foi aí que percebi que a ignorância era a minha maior inimiga.” Contudo, as mudanças não foram imediatas. Ele enfrentou erros e acertos no percurso. Uma das situações mais marcantes aconteceu quando descobriu que os alimentos integrais, que consumia religiosamente, estavam a piorar o seu estado. “Foi uma senhora que encontrei na fila do ATM que me abriu os olhos. Disse-me para pesquisar melhor sobre a alimentação para diabéticos. Quando experimentei parar com os integrais, a minha glicemia estabilizou.”
A adaptação não foi fácil, especialmente para a família. Eduardo recorda com emoção o apoio incondicional que recebeu. “Os meus filhos e a minha esposa sacrificaram os seus próprios hábitos para me apoiar. Em casa, as refeições mudaram. Foi difícil, mas necessário. Hoje, não comemos nada sem saladas e evitamos óleo comum. Foram mudanças bruscas, mas salvaram-me a vida.”
Hoje, cinco anos depois, Eduardo olha para trás com uma mistura de arrependimento e gratidão. Ele reconhece que ignorar os sinais foi um erro, mas também valoriza as lições aprendidas. “A diabetes ensinou-me a valorizar a vida e a saúde. Não espero mais até que algo piore para procurar ajuda. Aprendi que a prevenção é o melhor remédio.”
A sua história é um reflexo do desafio enfrentado por milhares de moçambicanos que vivem com diabetes. Em Inhambane, onde o apoio médico e a informação ainda são escassos, casos como o de Eduardo são uma janela para a urgência de ações concretas. A luta contra esta doença silenciosa vai além do indivíduo, exigindo o envolvimento de toda a sociedade.
Enquanto a paisagem de Inhambane continua a encantar turistas e moradores, histórias como a de Eduardo são um lembrete de que há batalhas sendo travadas longe dos olhares. A diabetes não é apenas uma condição médica; é um desafio social que demanda atenção e cuidado. Para Eduardo, a sua luta diária é um testemunho de que, mesmo diante das adversidades, é possível encontrar esperança e superação. “Hoje, sou uma pessoa diferente. Valorizo cada dia e agradeço por estar aqui para contar a minha história.”
Maria Helena: Uma luta de amor, perda e resiliência Contra a diabetes

Na pacata província de Inhambane, entre paisagens de coqueiros e o murmúrio constante do mar, a história de Maria Helena emerge como um retrato vivo das lutas que milhares de moçambicanos enfrentam diariamente contra um inimigo silencioso: a diabetes. Em 2023, Maria Helena perdeu o marido, vítima de complicações da doença, após nove anos de uma batalha intensa e extenuante que envolveu toda a família.
Maria Helena, uma mulher de voz doce e firme, relembra com olhos marejados os momentos que marcaram essa jornada. “Foi difícil para nós encararmos essa doença, porque tivemos que mudar completamente a nossa maneira de viver. Todos os hábitos que tínhamos, passamos a ter uma vida de alimentação integral, a medicação diária… Todos em casa tínhamos que estar comprometidos a isso, ajudando-o a controlar a doença”, conta, enquanto segura uma fotografia do marido, o sorriso dele agora apenas uma memória.
Durante quase uma década, a rotina da família girou em torno da saúde do marido. As viagens em busca de cuidados médicos tornaram-se frequentes, por vezes levando-os até Maputo e, em outras ocasiões, até à África do Sul. “As maiores dificuldades foram os tratamentos, porque, primeiro, não havia medicamentos no hospital. Tínhamos que fazer arranjos, às vezes encomendar medicamentos de fora”, explica Maria Helena, descrevendo o esforço conjunto que a família fazia para garantir que nada faltasse. Até mesmo o arroz integral, ausente nas prateleiras locais, precisava ser encomendado.
Nos últimos dias de vida do marido, a intensidade dos cuidados aumentou. A transição para a insulina trouxe novas responsabilidades para a família. “Ele tinha que tomar insulina duas vezes ao dia, e era injetada. Tínhamos que estar sempre ao lado dele para ajudar”, relembra Maria Helena, a voz carregada de dor. “Mesmo com todos os esforços, a perda dele deixou um vazio enorme na nossa vida. Até hoje, ainda não conseguimos nos adaptar.”
No Hospital, nem sempre há tempo para vencer

A realidade enfrentada por Maria Helena é partilhada por muitos pacientes e famílias que procuram assistência no Hospital Provincial de Inhambane. Ali, a diabetes é mais do que uma estatística; é uma batalha diária. Médicos e enfermeiros lutam contra o tempo para salvar vidas, muitas vezes diante de pacientes que chegam em estágios avançados da doença.
David Maposa, médico internista no hospital, descreve a complexidade do cenário. “A grande maioria dos pacientes vem com complicações crônicas, como problemas de visão, coração, rins e sistema nervoso. Muitos só procuram ajuda quando a situação já é crítica”, lamenta. Para ele, um dos grandes desafios é a falta de diagnósticos precoces.
A diabetes não controlada afecta os vasos sanguíneos, comprometendo a circulação e danificando órgãos vitais. “Os pacientes entram com neuropatia, insuficiência renal e, muitas vezes, já dependem de tratamentos mais complexos. O diagnóstico precoce poderia evitar essas complicações”, reforça Maposa. Ele destaca ainda a crescente prevalência de diabetes entre jovens e crianças. “A diabetes tipo 1, associada à falta total de insulina, está a manifestar-se cada vez mais cedo. Já a tipo 2, frequentemente relacionada com obesidade e resistência à insulina, também é um problema crescente.”
Em 2024, Moçambique registou 16.644 novos casos de diabetes. Zambézia, Tete e Sofala lideram em número de diagnósticos, mas a realidade de Inhambane não é menos alarmante. Foram contabilizados 950 novos casos, somando-se a mais de 3.334 pacientes já em seguimento.
No entanto, o verdadeiro desafio está no subdiagnóstico. Segundo o *Relatório Nacional de Prevalência e Fatores de Risco para Doenças Crônicas, 92,9% da população inquirida nunca fez um teste de glicemia. “Ainda há muitos diabéticos que não sabem que têm a doença. Quanto mais expandimos o rastreio, mais casos descobrimos, mas isso não significa que sejam novos casos. São pessoas que já viviam com a doença sem saber”, explica Maposa.
A alimentação desempenha um papel crucial na prevenção e no controlo da diabetes, mas em Moçambique, a falta de informação leva a escolhas alimentares prejudiciais. “Temos alimentos locais que podem fazer a diferença, mas falta conscientização. Muitas vezes, as pessoas optam por alimentos processados ou ricos em açúcar, sem perceberem os danos que podem causar”, alerta um nutricionista do hospital, que preferiu não ser identificado.
Maria Helena confirma essa realidade. Durante os nove anos em que cuidou do marido, foi necessário ajustar drasticamente os hábitos alimentares da família. “Tivemos que aprender a cozinhar de forma diferente, a escolher os alimentos certos. Foi uma mudança para todos nós”, relata.
Para o médico internista, a mensagem é clara: prevenir é sempre melhor do que remediar. Ele encoraja todos, especialmente aqueles com histórico familiar de diabetes ou fatores de risco como obesidade e hipertensão, a fazerem check-ups regulares. “O diagnóstico precoce pode salvar vidas. E para quem já tem a doença, é fundamental seguir o tratamento e as orientações médicas”, sublinha Maposa.
Enquanto isso, Maria Helena continua a lutar para encontrar sentido na nova realidade da sua família. “A vida nunca mais foi a mesma, mas eu quero que a nossa história sirva de exemplo. A diabetes não é uma sentença de morte, mas exige cuidado, união e muita força”, conclui, com a voz embargada pela emoção.
A história de Maria Helena e de tantas outras famílias moçambicanas reflete a necessidade urgente de maior acesso a diagnósticos, medicamentos e informação. A diabetes não é apenas uma batalha pessoal; é um desafio de saúde pública que demanda atenção e ação imediata. Em Moçambique, onde tantas vidas estão em jogo, cada esforço conta.
O poder de escolhas que salvam vidas

No mercado central de Inhambane, entre o som dos mercados repletos de vida e as vozes das mães que negociam preços para o sustento diário, encontramos Artemisa Mazevila, uma experiente nutricionista, que abriu o coração e partilha as suas observações sobre esta batalha contra a diabetes. “As pessoas, infelizmente, estão a consumir cada vez mais alimentos processados e ricos em gorduras. Frituras,salsichas, embutidos… Tudo isso tem contribuído para o aumento dos casos de diabetes,” explica, com a voz firme, mas carregada de preocupação.
Mazevila, que já acompanhou centenas de pacientes, enfatiza que, muitas vezes, os moçambicanos escolhem alimentos processados acreditando que são mais práticos ou, paradoxalmente, mais saudáveis. “Alguns até pensam que alimentos caros são sinónimo de saúde. Mas é possível escolher opções simples, como batata-doce, mandioca e milho, que não só são acessíveis como também mais saudáveis,” destaca, gesticulando com intensidade enquanto fala.
Num dos bairros periféricos de Inhambane, onde o aroma das frituras invade as ruas estreitas, é comum encontrar pequenos estabelecimentos que vendem bolinhos de mandioca e batata frita, opções que, embora deliciosas, são um convite ao excesso de gordura. Para muitas famílias, alimentos frescos e locais, como a mandioca ou o inhame, são vistos como desatualizados, enquanto o pão integral e os cereais processados ganham espaço nas mesas, mesmo que a preços elevados.
“Existe este mito de que comer saudável é caro,” afirma Mazevila, abanando a cabeça com um sorriso quase triste. “Mas, se olharmos bem, alimentos como banana, batata-doce e mandioca, que são produzidos localmente, são mais baratos e muito mais acessíveis do que os industrializados. A questão é reeducar as pessoas para valorizarem o que têm à sua disposição.”
A nutricionista partilha ainda um dado surpreendente: muitos casos de diabetes poderiam ser prevenidos ou controlados apenas com mudanças nos hábitos alimentares. “Em casos de diagnóstico precoce, é possível controlar a diabetes sem medicamentos. Uma alimentação equilibrada e uma rotina estruturada, com refeições a cada três horas, fazem toda a diferença,” explica.
A manhã de um diabético não precisa ser um desafio. Mazevila pinta um cenário otimista ao descrever como um pequeno-almoço saudável pode ser a base para o controle da doença. “Em vez de um chá com açúcar, o paciente pode optar por chá verde ou folhas de limão. Acompanhar com carboidratos integrais, como batata-doce ou inhame, e adicionar uma salada ou verduras para equilibrar. É simples, mas transformador.”
O mesmo princípio aplica-se ao lanche. Frutas locais, batata-doce e uma dose de criatividade podem ser a combinação perfeita para manter os níveis de glicemia estáveis. Mazevila destaca ainda que a combinação de alimentos é essencial. “Não adianta comer apenas batata-doce por ser saudável. É preciso juntar verduras para criar um equilíbrio e assegurar que o açúcar no sangue se mantenha controlado,” reforça.
O apelo da nutricionista vai além dos diabéticos. Para ela, a educação alimentar deve começar cedo e incluir toda a comunidade. “Com ou sem diabetes, é importante procurar um nutricionista. Não se trata apenas de tratar doenças, mas de prevenir. A alimentação saudável é um investimento para o futuro, e não deve ser encarada como um luxo, mas sim como uma necessidade básica,” afirma com convicção.
Enquanto Artemisa Mazevila fala, é impossível não imaginar o impacto que estas mudanças poderiam ter. Em Moçambique, onde a saúde pública enfrenta desafios diários, a prevenção da diabetes não é apenas uma questão de saúde individual, mas de economia e sustentabilidade social.
À medida que os casos de diabetes continuam a crescer, a mensagem de Artemisa ecoa com urgência. A luta contra esta doença não precisa ser solitária, e pequenas mudanças podem salvar vidas. “A diabetes não é o fim. Com diagnóstico precoce, escolhas alimentares conscientes e apoio adequado, é possível viver uma vida plena,” conclui, com um brilho de esperança no olhar.
Esta é a história de milhares de moçambicanos que, todos os dias, enfrentam desafios entre o prato e a saúde. É um convite à reflexão, à ação e à solidariedade. Porque, no fim, a luta contra a diabetes é uma luta de todos nós.
A cantora Lenna Bahule lança o novo álbum intitulado “Kumlango”, uma experiência sensorial que a liga às raízes, memórias e recorda a rica herança cultural africana.
O novo disco, que estará disponível a partir do dia 30, nas principais plataformas digitais, significa “portal”, em jaua, língua de um dos principais grupos étnicos e linguísticos da província moçambicana do Niassa, também língua materna da mãe de Lenna Bahule.
“Kumlango” é uma trilogia intercultural, marcada por sons tradicionais de Moçambique e de outras culturas afro, cantados em diferentes línguas como jaua, xitswa, chope, tswa-hlengwe e crioulo da Ilha da Reunião. Mas há também interpretações na língua nómada, autêntica, fruto da criatividade de Lenna para inventar palavras musicais. Baseando-se na música e cultura tradicionais.
O disco ainda explora diferentes texturas sonoras orgânicas e electrónicas para criar uma paisagem de ritmos enraizada no passado, mas olhando para o futuro.
Na sua nova proposta, Lenna Bahule inspira-se na experiência humana universal dos ciclos da vida que repetidamente convidam a passar do mundano e material ao místico, seguindo a vocação. “Portanto, o álbum é uma ode à procura de respostas, ao trabalho árduo e às sincronicidades necessárias para processar e, eventualmente, ao momento de atravessar o portal para um estado de êxtase, euforia e realização”, adianta uma nota de imprensa.
Dividido em três EPs, o disco celebra uma jornada da alma, da ignorância à iluminação, do mundano ao místico. Uma viagem que liga o passado ao presente reconhecendo a herança ancestral, lidando com as questões levantadas e o trabalho envolvido na busca pela realização e, finalmente, atravessando o portal para a alegria da transcendência.
A primeira parte do projecto intitulado Kwisa, saiu em Junho 2024 e representa, claro, o início de uma jornada, a inocência no começo de um ciclo de vida, de uma busca por significado e a reunião para a invocação dos ancestrais, encontrando conexão e orientação através do processo de introspecção e devoção, fortalecendo a alma para a jornada ao desconhecido.
Em Outubro de 2024, a artista lançou o segundo capítulo desta trilogia musical, Nadawi, no qual se encontra meio ao processo de lidar com as questões e respostas que foram levantadas anteriormente. “É uma fase confusa e catártica dos ciclos da vida, quando você sente que não consegue ver o fim do túnel. Até que o façamos. Este é o tempo necessário para processar, rezar, curar e realizar o trabalho interno e externo que nos permite estabelecer uma conexão profunda com nós mesmos e com a nossa ancestralidade. É um momento precioso para nos recolhermos à introspecção, buscando compreender nossas próprias jornadas. É através deste processo de autorreflexão e cura que fortalecemos os nossos laços com a nossa essência mais profunda e com a sabedoria transmitida de geração em geração. É uma jornada de autodescoberta e reconexão, essencial para nutrir nosso crescimento pessoal e espiritual”, adianta ainda a nota de imprensa.
O último EP, Mate, que chegou às plataformas em Março 2025, resume a euforia de finalmente descobrir a felicidade plena, onde as respostas se alinham sem esforço. “É uma sensação semelhante a voar alto, onde as preocupações se dissipam e reina uma paz suprema. Imagine rituais de colheita, onde a abundância da terra é celebrada com reverência e as bênçãos da chuva são recebidas com gratidão. Neste estado de euforia, cada respiração soa como uma sinfonia e cada batimento cardíaco ressoa com o ritmo do universo. É um momento de alegria pura e desenfreada, onde as fronteiras entre o mundano e o extraordinário se confundem, deixando apenas um profundo sentimento de admiração e encantamento”.
Neste momento, Lenna Bahule prepara um concerto para 14 de Junho, em Maputo.
Organizações e hospitais no Haiti alertam para uma crise iminente no tratamento de pacientes com HIV/AIDS, após os EUA cortarem drasticamente a ajuda externa da USAID. A decisão de Donald Trump eliminou mais de 90% do financiamento, afectando directamente instituições que dependem desse apoio.
Mais de 150 mil haitianos vivem com HIV, mas especialistas acreditam que o número real é maior. A fundadora da ONG CHOAIDS, Marie Denis-Luque, que cuida de órfãos soropositivos em Cap-Haïtien, diz que os medicamentos só duram até julho.
O fim do financiamento de mais de 165 mil dólares por ano deixou essas unidades sem alternativa. Manifestações recentes em Porto Príncipe reuniram dezenas de pessoas com HIV, que pedem ação urgente do governo. Especialistas temem um aumento das infecções num contexto já agravado pela violência e pobreza.
O alto-comissário de Moçambique no Malawi defende que a 35 feira internacional de comércio que decorre naquele país, deve servir para expositores do nosso país, buscar parcerias no capítulo de comércio regional. As províncias da Zambézia, Tete e Sofala estão a representar o país no evento.
A 35ª Feira Internacional de Negócios do Malawi decorre em Blantyre, e Moçambique marca a presença com uma delegação robusta, composta por representantes governamentais e empresariais das províncias da Zambézia, Tete e Sofala.
O Alto Comissário de Moçambique no Malawi, Alexandre Manjate, destacou a importância estratégica do evento, sublinhando que a participação moçambicana representa uma oportunidade para consolidar trocas comerciais e parcerias, aproveitando a proximidade geográfica entre os dois países.
A delegada provincial da APIEX na Zambézia, Maira Trindade, realçou a diversidade da oferta moçambicana e o interesse já demonstrado por investidores malawianos nos produtos nacionais.
Já o expositor Raul Paruque enalteceu o intercâmbio cultural e empresarial, mas defendeu maior investimento em logística e valorização da cultura e turismo.
Para a directora provincial da Indústria e Comércio da Zambézia, Regina Ngonde, a feira é também uma plataforma para reforçar o papel do Porto de Quelimane como corredor logístico essencial para o comércio com o Malawi.
Com negócios em andamento, contactos estabelecidos e a ambição de parcerias sólidas, Moçambique encerra mais um capítulo de presença ativa no comércio regional.
O Estádio do Jamor recebe, este domingo, às 18h15 de Maputo, mais uma final da Taça de Portugal. Sporting e Benfica lutam pelo troféu num dérbi eterno que vai acontecer pela quarta vez esta temporada.
Os Leões procuram a dobradinha, que foge há mais de 20 anos, e o Benfica tenta amenizar a perda do campeonato para o grande rival.
Esta será a nona final entre as duas equipas de Lisboa. A última aconteceu há 29 anos, no célebre jogo do very light que vitimou um adepto do Sporting.
Leões e encarnados protagonizam no Jamor uma partida que não acontecia há quase 30 anos.
O Bandirmaspor da segunda liga Turquia, equipa onde actua o internacional moçambicano Mexer Sitoe, qualificou-se para a final do play-off de acesso à primeira liga daquele país asiático.
Para chegar ao jogo decisivo, a equipa de Mexer venceu o Boluspor por 1-0 no jogo da segunda mão das meias-finais do play-off, fixando o agregado da eliminatória em 5-1.
Assim, a equipa de Mexer Sitoe vai defrontar o Karagumruk na final do play-off, a disputar-se na próxima quinta-feira. Em caso de vitória, Mexer vai disputar a primeira liga turca na próxima temporada, feito falhado na época passada, quando perdeu nas meias-finais do play-off.
Ferroviário da Beira e Costa do Sol protagonizam o jogo de destaque da segunda jornada do Moçambola-2025, este domingo no caldeirão do Chiveve. O Ferroviário de Maputo vai a Maxixe defrontar a Associação Desportiva de Vilankulo. Os treinadores dizem ser deslocações difíceis, mas vão para somar os três pontos.
A segunda jornada do Moçambola já rodou dois jogos, um na sexta-feira e outro este sábado. No derby de Nacala, o Desportivo venceu o Ferroviário por duas bolas sem resposta, alcançando a primeira vitória na prova. Já este sábado, Textáfrica do Chimoio e Chingale de Tete terminaram sem golos.
Este domingo, a jornada terá três jogos, nomeadamente: Ferroviário da Beira vs Costa do Sol, Associação Desportiva de Vilankulo vs Ferroviário de Maputo e Baía de Pemba vs Black Bulls.
Os treinadores das equipas forasteiras estão cientes das dificuldades, mas assumem o desejo de regressarem com os três pontos.
Com 75 anos de idade, uma bibliotecária reformada empurra, todas as semanas, um carrinho-de-mão cheio de livros, que leva para as crianças do bairro Mafalala, na Cidade de Maputo, lerem. Enquanto faz isso, Cecília Mate, sonha com uma biblioteca comunitária com seu nome e livros para todas as crianças do bairro.
Maputo ainda era Lourenço Marques, quando a paixão pelos livros tomou Cecília Mate, ou melhor a vovó Cecília, como todos a chamam em Mafalala.
Havia poucos livros de leitura lúdica e quase nenhuma biblioteca.
Em 1978, fez parte de um curso que formou os primeiros bibliotecários de Moçambique pós-independente, o que aumentou a sua conexão com os livros.
Em 2014, a avó Cecília tomou uma decisão que terminaria com a sua foto na capa do jornal “O País”. Aos 65 anos, a bibliotecária teve uma ideia: com um carrinho de mão, de beco em beco, a tornar o acesso aos livros possível e fácil para quem não tem condições de os comprar.
Os livros ficam num depósito, antigo quarto dos seus pais, na casa da família. Ali, a avó Cecília estima ter mais de 500 livros.
Com 65 anos, José Mate, irmão da avó Cecília, fala mais de três idiomas e escreve poemas. Diz que tudo tem a ver com o gosto pela leitura que tem desde a infância, por isso aplaude a iniciativa da sua irmã.
Casada, com 4 filhos, 12 netos e 4 bisnetos, a avó Cecília sempre teve apoio da sua família sobre a biblioteca móvel. No entanto, fora de casa, a ideia não foi bem recebida no princípio.
Há 10 anos que a avó Cecília leva livros para os seus netos adotados na Mafalala. Estima que, em média, 70 crianças leiam na sua biblioteca móvel.
Estima-se que existam, em Moçambique, pouco mais de 40 bibliotecas públicas para cerca de seis milhões de estudantes, um número que não satisfaz as necessidades de leitura.
A avó Cecília começou a biblioteca com livros próprios. Agora recebe doações, como a que resulta de uma campanha de um mês feita pela Fundação Fernando Leite Couto.
Cecília Mate nasceu, cresceu e ainda vive em Mafalala. A bibliotecária reformada sonha com “A Biblioteca Comunitária Avó Cecília”, sem notar que ela é uma biblioteca viva do histórico bairro de Mafalala.
Todas as obras de estradas do projecto Move, no município da Matola, estão atrasadas. A edilidade aponta as manifestações, o incumprimento de alguns procedimentos por parte do empreiteiro chinês e o acidente de trabalho como algumas das razões por trás da demora.
Em Agosto do ano passado, foi lançada a primeira pedra para a construção de três estradas, na cidade da Matola, no contexto do Projecto Move.
São, ao todo, cerca de 11,4 quilômetros de estradas que seriam construídas num prazo máximo de nove meses. Entretanto, já quase no fim do prazo estabelecido, nada foi além do que está escrito nestas placas.
O empreiteiro está a agilizar o processo, mas os munícipes estão impacientes e queixam-se de estar a inalar poeiras. E estas obras forçaram, também, a interdição de algumas vias, o que deixa revoltados os munícipes, que não conseguem meter carros nas suas próprias casas e estabelecimentos.
Além da dificuldade para terem acesso às suas casas, conduzir pelas vias cujas obras estão atrasadas tem sido um exercício difícil e revoltante, segundo dizem os munícipes. E quem não conhece as vias alternativas para ter acesso à estrada passa por muitos transtornos.
Os condutores reclamam e pedem celeridade das obras. Para o caso do troço Intaka-Boquisso, os moradores contam que os trabalhos estão parados desde sábado, dia em que um trabalhador chinês perdeu a vida num acidente laboral.
Já o Município da Matola reconhece que as obras estão atrasadas e aponta as manifestações pós-eleitorais como uma das causas.
Passada esta fase, o empreiteiro das três obras teve outras situações que forçaram a suspensão das obras. Um acidente de trabalho e constrangimentos com planos de gestão ambiental.
Com os primeiros prazos já vencidos, a edilidade da Matola acordou novas datas com a China Jiangxi International Economic and Tecnical Cooperation.
O Projecto Move também atribui a culpa pelo atraso das estradas da Matola às manifestações pós-eleitorais.
Financiadas pelo Banco Mundial no valor de 1,4 milhões de dólares, as estradas da Matola, nomeadamente: Khongolote-Molumbela, Intaka-Boquisso e Matlemele-Matibwana, foram atribuídas ao empreiteiro China Jiangxi International Economic and Tecnical Cooperation.
A adjudicação destas obras aos chineses foi contestada pela Federação Moçambicana de Empreiteiros, que denunciava uma série de irregularidades no processo de contratação, como, por exemplo, viciação do mapa de quantidades e o facto de estarem a concorrer duas empresas distintas, sem que se tenha formado um consórcio.
Aliás, o então Ministério dos Transportes e Comunicações tinha sido comunicado sobre a existência de duas empresas no mesmo projecto e posicionou-se:
“Na tomada de decisão pelo júri, foram desconsiderados totalmente os documentos apresentados pela empresa moçambicana (China Jiaxing Cooperation for International Economic and Technical Cooperation-Mozambique, Limitada) por entender que a mesma não faz parte do concurso e, apesar de na proposta constarem as duas [empresas], foi assumido não se tratar de um consórcio. Somente foram considerados documentos da China Jiaxing Internacional Technical Cooperation CO. Limitada”, lê-se no documento.
E a agremiação dos empreiteiros submeteu todas essas queixas à Procuradoria-Geral da República, através de um ofício de Janeiro deste ano.

| Cookie | Duração | Descrição |
|---|---|---|
| cookielawinfo-checbox-analytics | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics". |
| cookielawinfo-checbox-functional | 11 months | The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional". |
| cookielawinfo-checbox-others | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other. |
| cookielawinfo-checkbox-necessary | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary". |
| cookielawinfo-checkbox-performance | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance". |
| viewed_cookie_policy | 11 months | The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data. |