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O Presidente chinês, Xi Jinping, chegou terça-feira ao Egipto para a sua primeira visita ao país desde 2016, numa altura em que Cairo e Pequim celebram 70 anos de relações diplomáticas e procuram aprofundar a cooperação em novas áreas.

A visita ocorre num momento de crescente aproximação entre os dois países, cuja parceria deixou de estar centrada apenas no comércio e nas grandes infra-estruturas, passando a abranger sectores como tecnologia, defesa e cooperação estratégica, com implicações para a região.

Desde a última deslocação de Xi Jinping ao Cairo, vários dos grandes projectos financiados ou executados com participação chinesa passaram a integrar a paisagem egípcia.

Entre os principais exemplos está o distrito central de negócios da Nova Capital Administrativa do Egipto, cuja construção contou com a participação da China State Construction Engineering Corporation. O complexo é constituído por 20 arranha-céus e inclui a Iconic Tower, com 385,8 metros de altura, considerada o edifício mais alto de África.

A cooperação entre os dois países também se estendeu aos transportes. Um sistema de metro ligeiro, construído com participação chinesa, liga a periferia oriental do Cairo aos novos centros urbanos.

Perto do Canal do Suez, a zona industrial China-Egipto acolhe actualmente mais de 200 empresas. Dados chineses indicam que o empreendimento já permitiu criar mais de 10 mil empregos directos, enquanto os meios de comunicação chineses estimam o investimento total em mais de 4,7 mil milhões de dólares, equivalentes a cerca de 4,05 mil milhões de euros.

Agora, Pequim e Cairo procuram alargar ainda mais a cooperação económica e estratégica.

A inteligência artificial, a produção avançada e a transferência de tecnologia assumem um peso crescente na agenda bilateral. Paralelamente, a área da defesa ganha também destaque, com aviões de combate chineses e egípcios a participarem em exercícios conjuntos, estando em curso o segundo exercício aéreo combinado entre os dois países.

Pequim define a relação com o Cairo como uma “parceria estratégica abrangente”, sinalizando a intenção de aprofundar a presença chinesa no Egipto e de reforçar a cooperação num contexto de crescente importância estratégica do país no Médio Oriente e em África.

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O Ministro da Saúde, Ussene Isse, desafia a liderança da Comissão Multi-institucional de Fiscalização da Investigação em Saúde Humana a encontrar soluções para os vários desafios que o país enfrentar na área de investigação em saúde humana, apesar da redução do financiamento para a saúde a nível global.

A tomada de posse, nesta quarta-feira em Maputo, dos membros do órgão, marca um importante passo e vem responder aos desafios do país na componente de investigação em saúde humana. A efectivação deste projecto acontece dois anos depois da aprovação da Lei de Investigação em Saúde Humana em Moçambique.

Para o Ussene Isse, a investigação em saúde humana constitui um pilar essencial para a definição de políticas de saúde, tomada de decisão e planificação. 

Nesse sentido, o governante entende que torna-se urgente definir os mecanismos para assegurar que a obtenção da evidência siga os melhores padrões de qualidade e princípios de ética em saúde humana. 

O Ministro da Saúde assegura que, com a criação desta comissão, o país cumpriu com o dever de garantir melhor qualidade nos resultados de evidências científicas.

“Asseguramos desta forma a segurança de todos os participantes de estudos científicos. Assim, o Ministério da Saúde dá um passo importante de modo a contribuir para o avanço do conhecimento científico para enfrentar os principais desafios de saúde pública no país, na região e no mundo”, disse Ussene Isse.

Isse adverte à liderança da comissão que o contexto em que assumem as pasta é atípico devido a redução do financiamento à saúde a nível global e no país, em particular. Ainda assim, entende que esta é oportunidade para a identificação de fórmulas cientificamente comprovadas para a promoção da sustentabilidade dos sistemas de saúde. 

A Comissão Multi-institucional de Fiscalização da Investigação em Saúde Humana é composta por especialistas provinientes de instituições académicas da área de saúde, sociedade civil e organizações não-governamentais. 

A Primeira-Dama da República foi elogiada esta terça-feira, em Nova Iorque, pela sua dedicação à promoção da saúde, educação e protecção da criança, durante um encontro com a Presidente da Save the Children dos EUA, Janti Soeripto.

O encontro decorreu no âmbito da Terceira Edição da Global First Partners Academy, promovida pela Fundação Ford, que reúne Primeiras-Damas e parceiros de vários países para debater liderança resiliente e acções sociais transformadoras.

Janti Soeripto destacou que as prioridades de Gueta Chapo estão alinhadas com a missão global da Save the Children e manifestou entusiasmo em reforçar a colaboração com o seu gabinete e o governo moçambicano.

Na ocasião, a Primeira-Dama partilhou os pilares da sua agenda social, com foco no combate à desnutrição infantil, uniões forçadas e casamentos prematuros, bem como na melhoria do acesso à educação e saúde para as crianças.

A Save the Children, que trabalha em Moçambique há mais de 40 anos, reafirmou o compromisso de apoiar o país através de parcerias com instituições locais e nacionais. O encontro reforçou o interesse mútuo em aprofundar essa colaboração estratégica.

Teresa Bettencourt tornou-se na primeira rapariga moçambicana a conquistar um 2.º lugar no African Open na categoria Bambino, numa prova disputada no passado sábado no circuito de Zwartkops, na vizinha África do Sul.
A jovem piloto da equipa Rasteirinho Racing, em estreia nesta prestigiada competição, demonstrou talento e determinação desde o início. Logo na qualificação, Teresa lançou-se na luta pelos lugares cimeiros, assegurando o 2.º lugar na grelha de partida.
Ao longo das mangas, manteve-se firme, consistente e competitiva, conquistando com mérito o 2.º lugar final, numa grelha de 15 pilotos, elevando bem alto a bandeira de Moçambique no karting africano.
Para além do pódio, Teresa registou ainda a 2.ª volta mais rápida da corrida, com um tempo impressionante de 1:00.071 minuto.
Este resultado representa não só uma conquista pessoal para a piloto, como também um marco para o Automóvel e Touring Clube de Moçambique (ATCM), que viu uma das suas representantes brilhar entre os melhores da região.
Na edição de 2025 do African Open, Moçambique contou com uma forte representação, com oito pilotos distribuídos pelas categorias Bambino, Mini Max e DD2 Masters, todos eles com prestações dignas e empenhadas em representar com orgulho as cores nacionais.
Na classe DD2 Masters, o piloto internacional moçambicano, Cristian Bouché, também colocou Moçambique em destaque ao conquistar o 3º lugar, depois de ter enfrentado uma disputa renhida com os seus adversários directos. O experiente piloto moçambicano do ATCM qualificou-se em 2º lugar na sua categoria e se notabilizou ao longo da corrida, o que permitiu que conquistasse com mérito o 3º lugar para o país no African Open nos DD2 Masters.
Na classe Mini Max, Moçambique teve maior número de pilotos em pista, e o destaque vai para Igor Esteves que terminou a sua participação em 14º lugar na geral.
Entretanto, o piloto internacional moçambicano Eduardo Campos enfrentou vários problemas mecânicos no seu Karting, mas conseguiu assegurar com mérito o 16º lugar numa grelha de 33 pilotos em pista.
Por seu turno, Daniel Resende terminou a competição em 20º lugar, e o internacional moçambicano André Bettencourt Jr. terminou a sua participação em 27º lugar no African Open.

O Chelsea é a primeira equipa a qualificar-se à final do Mundial de Clubes que decorre nos Estados Unidos da América, após vitória sobre o Fluminenses por 2-0 na primeira meia-final. O segundo finalista será conhecido esta quarta-feira, quando PSG e Real Madrid se defrontarem, a partir das 21h00.

Fluminense e Chelsea era mais do que um jogo das meias-finais. Era a disputa entre América e Europa por um lugar na final da prova mundial de clubes. Os ingleses sempre se mostraram superiores em campo, por isso não surpreendeu a vantagem no marcador.

João Pedro Jesus foi o herói londrino. Aos 18 minutos enviou uma bomba de fora da área, que só parou no fundo das malhas de Fábio.

A falta de sorte acompanhava os tricolores, que ainda viram Cucurella salvar o Chelsea na linha do golo, ainda na primeira parte. Os brasileiros ainda viram o árbitro assinalar uma grande penalidade, mas após consulta do VAR, a decisão foi revertida.

Na segunda parte o Fluminense até espreitou a baliza do Chelsea, mas foi João Pedro Jesus, novamente numa bomba, desta feita na área, a sentenciar o resultado final. Pediu desculpas, afinal é brasileiro, mas o golo foi festejado.

O Chelsea só não marcou mais porque a defensiva esteve atenta e a pontaria de Nkunku não foi afinada.

O Chelsea garante a sua primeira final no Mundial de clubes, que será disputada entre duas equipas do velho continente.

O funcionário da Direcção Provincial de Plano e Finanças, de 54 anos de idade, foi encontrado morto na noite desta terça-feira no interior da sua residência, em Chinunguine B, na praia de Xai-Xai, em Gaza.

O guarda e autoridades do bairro suspeitam que seja uma morte por envenenamento, uma hipótese levantada na sequência da presença de uma mulher desconhecida, na tarde de domingo, último dia em que o malogrado foi visto com vida.

“Encontrei uma moça dentro desse carro aqui ao lado, depois de 30 minutos perguntou-me, afinal o seu patrão ainda não voltou. O patrão não atendeu, acabei dispensando aquela moça, naquela hora das 18h10” explicou o guarda.

Familiares dizem que estado em que se encontrava o corpo, com sinais de agressão nos órgãos genitais, sugere envolvimento de terceiros.

“Está muito dilatado, então já arrebentou uma parte ali assim, na parte do anus, arrebentou e está a sangrar, escorreu um bocadinho de sangue”, disse um membro da família. 

Outra testemunha disse que a morte abalou o bairro e causou estranheza. “É muito estranho, uma morte estranha mesmo, não sei explicar. Talvez a equipa de saúde poderá, a partir dessa prestações feita aqui, conclusões, no entanto, como pessoa não estamos a conseguir. Estamos muito abalados com este acontecimento. A única comunicação que eu tive com ele foi exatamente na quinta-feira que trocamos mensagem. Precisamos mesmo de saber as razões da morte dele. Nós até então achamos que a morte é muito estranha e dói muito isso”.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal e a Medicina Legal estiveram no local para a averiguação, tendo de imediato autorizado a sepultura.

Autoridades locais dizem ser esta a terceira morte na zona de Chinunguine em menos de dois meses. Entretanto, autoridades da polícia prometem reagir nos próximos dias. 

Por: Albino Macuácua

 

Todos os textos lato sensu dialogam uns com os outros ou, como afirmam as autoras Graça Paulino, Ivete Walty e Maria Zilda Cury, “[…] cada produção humana dialoga necessariamente com as outras” (PAULINO; WALTY & CURY, 1995, p. 13), o que não é diferente da literatura. Esta asserção é, no fundo, a extensão ou paráfrase do clássico conceito de intertextualidade pelo qual Julia Kristeva é bastante conhecida que diz que “todo o texto se constrói como um mosaico de citações, todo o texto é absorção e transformação de um outro texto” (KRISTEVA, 1974, p.64).

Esta breve introdução justifica o título que atribuí a esta também breve apresentação com a qual gostaria, sobretudo, de partilhar a minha experiência ao ler Canção de Setembro para Zamuzaria Maria, de Rafael da Câmara, e os diálogos para os quais me apelavam os vários poemas deste livro. O pressuposto fundamental que orientou a minha leitura é o de que os vários diálogos que esta Canção de Setembro… estabelece com os autores e as obras que vou apresentar concorrem para a construção das diferentes temáticas cultivadas nesta obra.

O primeiro autor – não pela ordem de aparição, mas pela reconhecida grandeza – que entremeia os poemas desta Canção de Setembro… é José Craveirinha, poeta em grande medida transversal à inteireza da obra –, por um lado pelas características temáticas absorvidas e, por outro lado, pela invocação de outras figuras e autores que Da Câmara faz, mas “retirados” de certa poesia do nosso poeta maior. Craveirinha surge aqui como que a sustentar ou reforçar o retrato da condição humana que, segundo a filósofa alemã, Hannah Arendt, é diferente da natureza humana. A natureza humana corresponderia ao conjunto de elementos sem os quais a existência do homem deixaria de ser humana, e a condição humana é explicada pela autora ao afirmar que “[o]s homens são seres condicionados: tudo aquilo com o qual eles entram em contacto torna-se imediatamente uma condição de sua existência” (ARENDT, 2007, p. 17), o que significa que a condição humana é resultado das circunstâncias em que o homem vive e, por essa razão, é influenciada pelas coordenadas tempo e espaço (o cronótopo). O retrato da condição humana em Craveirinha recai, com a devida empatia e até identidade, quase sempre sobre figuras/personagens que povoam os seus poemas como, por exemplo, a prostituta e a criança, ambas igualmente presentes nesta Canção de Setembro…, o carregador, a dançarina do cabaré, o magaíza, etc. Em Da Câmara, não só recai sobre diferentes figuras/personagens, marcadas por diversos circunstancialismos, como também sobre os sujeitos poéticos da obra, imersos nos diferentes dramas que matizam o “nosso” tecido social que, não obstante, e nisso Craveirinha e Da Câmara são parecidos, levam os referidos sujeitos poéticos a questionar a prevalência, por exemplo, das desigualdades sociais, da indigência, do sofrimento, da guerra, da governação, da violação dos direitos humanos, da corrupção, etc. Para exemplificar, podemos citar poemas como “Moscas gémeas de Bié” (p.13): “Certa vez/Na boca da noite/Sob as asas negras/Vi pela janela duas moscas gémeas/Lambendo merdas bem perto da casas ao lado/Duas moscas gémeas tímidas e parecidas/Riam-se das vozes que vinham do outro lado”; “Aqui ninguém morreu” (p. 43): “[…]//Nossa cidade pintada a cores/Negro e branco e amarelo/O projéctil aceso e lustro/Vem rente a cabeça dos meninos de Bié/E zás!…//Recolheram a arma do crime?/Os bandidos foram caçados e calcinados?/Os marginais foram julgados e presos? […]”; “Partido Político da Oposição” (p. 58): “Baixa esse machado de guerra traidor/Filho da puta!/Senta-te à mesa/Junta-te aos bons/Mesmo o Judas Iscariotes sentou-se à mesa na última ceia/Apesar da traição com trinta dinheiros/Vem…/Puxa a cadeira e senta/Os nossos parceiros já assinaram o cheque/Revemos a Constituição?/Revogamos o mandato (sic) de captura? Fomos todos amnistiados?”; e ainda o poema “Um 25 de Junho estilo a besta que pariu” (p. 70): “E a tocha vem aí/[…] Tende infinita piedade senhor: porque deles só esperamos vozes desquitadas/Vomitando cólera e parindo desilusão!//E a tocha vem aí/Faça frio faça sol/A mágica magia da chama vermelha/Vem aí…/Vem aí…/Vem aí…”

Alguns poemas desta Canção de Setembro… – como sejam “Cantiga para o meu país” (p.17), “Carcaça de tractor numa concha de caracol” (p. 18) –, remetem também para Craveirinha, quando Da Câmara invoca artistas (músicos, em particular) como, por exemplo, Daíco e Fany Mpfumo.

Um outro autor é Luís Bernardo Honwana, com o texto “Papá, cobra e eu”, título parecido com o título do primeiro poema do livro de Da Câmara, “A papaia, o menino e o cão”(p. 11). E por que me lembrei do conto de Luís Bernardo Honwana? Justamente por causa da personagem infantil, cuja construção, neste conto, é revestida de grande complexidade, distante da ingenuidade que se esperaria de uma criança, muitas vezes tomada como simples. Ginho, protagonista da história (que também é narrador), só a título exemplificativo, faz perguntas e afirmações ao pai que tacitamente questionam a não acção de Deus quando o seu pai, o Sr. Tchembene, faz a sua oração, após o episódio em que é enxovalhado pelo Sr. Castro que exige dele uma indeminização pelo cão morto, após ter sido picado por uma cobra que andava na capoeira da casa do Ginho. O pai do Ginho procura, em conversa com o filho, passar a ideia de que tal acontecimento só houve porque Deus assim o quis, mas Ginho desresponsabiliza Deus, dizendo que ele podia ter evitado que o cão do Sr. Castro fosse mordido. Podemos afirmar que Da Câmara revisita, através do poema “A papaia, o menino e o cão”, a complexidade a que me refiro no retrato e construção da personagem infantil, ao colocar a criança como força centrípeta (que atrai para si) e força centrífuga (que tira para fora de si) reflexões inimagináveis, aparentemente banais, mas que, no caso concreto, se relacionam com o conhecimento sobre a essência das coisas e dos seres/entes e sobre a Natureza enquanto entidade suprema:

[…]

De repente, não sei porquê, lembrei-me

Da história da papaia

Do menino e do cão

Estavam juntos sentados à mesma mesa

Estavam divertidíssimos

Conversavam de coisas banais

Diziam, por exemplo

Que todas as papaias maduras são amarelas

Que o cão quando é cachorro

É amigo dos meninos

Os meninos adoram cachorros e papaias.

 

Certa vez!

Aprendi que quando os meninos

Estão sentados à mesma mesa

Devem saber cantar e

Contar histórias

Do nascer e do pôr-do-sol

Que se um menino achar um búzio na praia

Deve dizer que é casa de um bichinho entre os milhões que vivem no mar

Equinodermes, Plâncton, Sirénios, Crustáceos, Celenterados

[…] (p. 11)

 

Eugénio de Andrade, poeta português, também parece presente nesta Canção de Setembro para Zamuzaria Maria. O poema de Da Câmara, dedicado a Sebastião Alba, que me lembrou o poeta português tem como título “Carcaça de tractor numa concha de caracol” (p.18):

Sabe: gosto dos meus amigos

Modelam a vida sem interferir

Gosto deles quando cantam e encantam

Inventam canções de embalar a alma

E sabem que também é branca a luza da madrugada

[…]

Sabe: gosto dos meus amigos

Aqueles que pintam interiores e modelam a ferrugem

Almas insípidas no exílio à luz da cidade nocturna

Onde marulham outras águas

Outras caças no sorriso irónico (p. 18)

 

Este retrato eufórico (e carregado de lirismo) da amizade que até, num outro viés, lembraria o “Poemazinho eterno” de Craveirinha, lembra o poema “Os amigos”, de Eugénio de Andrade, sobretudo no que à partilha de amor e alegrias diz respeito: Os amigos amei/despido de ternura/fatigada/ uns iam, outros vinham,/a nenhum perguntava/porque partia,/porque ficava;/era pouco o que tinha,/pouco o que dava,/mas também só queria/partilhar/a sede de alegria —/por mais amarga.

Como já dissemos, a construção de considerável parte das temáticas da obra de Da Câmara está ligada às intersecções que ela estabelece com vários outros textos, conscientemente ou não, e, neste domínio, podemos alagar tais intersecções referindo-nos, por exemplo, ao livro de poemas de Filimone Meigos, Globatinol – Antídoto – Ou o Garimpeiro do Tempo, presente no poema “Chamadas telefónicas (ii)”, (p. 23) que funciona, como o próprio poeta afirma, como um oráculo de Muxúngue, remetendo, por conseguinte, para os ataques armados nesta região do país, iniciados em 2013, e autorizados, teórica e paradoxalmente, por um “garimpeiro do tempo” ou, se quisermos, um dos garimpeiros da nossa história.

Com De Medo Morreu o Susto, de Aurélio Furdela, em particular com o conto “A minha morte”, o diálogo é estabelecido através do poema “Epitáfio” (p. 26), em que a morte é descrita sobretudo como um estado de sensações: “Só sei que já parti/E que vou chegando devagar/Singrando na fuligem melancólica/Sobre a planície verde com espigas de bronze/A densa madrugada tamborilando as sete balas vazias”. Além disso, o poema “Fim de citação” (p. 28) revela, por um lado, um diálogo com Chitlango, Filho do Chefe, de Chitlango Khambane e André-Daniel Clerc, precisamente com o capítulo primeiro deste livro, denominado “O escorpião dentro do pilão” e tal se pode ver pela epígrafe “Um escorpião dentro do pilão”. Por outro lado, e isto mostra a preocupação do poeta com temáticas mais universais, há um subtil diálogo com o filósofo austro-britânico, Karl Popper, a quem o poema é dedicado, cuja reflexão sobre a tolerância – conhecida como o paradoxo da tolerância – na sua obra A Sociedade Aberta e os Seus Inimigos, já foi usadas para analisar a guerra entre Israel e Palestina que, no poema em causa, se resumiria na questão “A guerra próxima: o próximo judeu?”, em que, tal como o protagonista de Chitlango, Filho do Chefe esmaga um escorpião no pilão, esta seria provavelmente uma analogia do que a história nos legou até agora sobre esta guerra.

Temos ainda, neste livro, o “Let my people go” que nos lembra Noémia de Sousa (e também o Livro de Êxodo, da Bíblia Sagrada e até a canção de Louis Armstrong), “inserido” num poema intitulado “Maçanica para uma mulher de Misrata” (p. 38) que fala sobre a cidade líbia, Misrata. No poema é criticada a acção do Ocidente que muito bem se revela numa metáfora que gera uma ironia que atinge o sarcasmo nos versos seguintes: “O tanque subtil do diabo-mor ocidental/Toca piano no centro da cidade de Misrata”.

Os diálogos são vastos. Há outros com escritores e músicos que não podem ser desenvolvidos nem explicada a sua natureza e papel nesta Canção de Setembro… (como, por exemplo, diálogos com escritores como Rui Knopfli, Eduardo White, João Paulo Borges Coelho, com o músico Alexandre Langa, etc.). O importante talvez seja compreender a poesia de Da Câmara como que revestida de subtilezas diversas e de uma certa dose de lirismo, mas também de uma contundência (esta que se vê em Craveirinha), ao, por exemplo, abordar questões sociais actuais, desde problemas da maioria anónima do nosso país às atitudes e posturas reprováveis dos nossos governantes que mantêm este estado de coisas, e é provavelmente por estas e outras razões que o poeta afirma num poema com cujo título termino esta apresentação: “Sinto que este momento presente me assassina” (p. 67-68). No fundo, os momentos presentes que vivemos assassinam-nos a todos, todos os dias.

Muito obrigado pela atenção!

Fundação Fernando Leite Couto, aos 3 de Julho de 2025

 

Referências bibliográficas

ANDRADE, Eugénio. (1956). Até amanhã. Lisboa: Guimarães Editores.

ARENDT, Hannah. (2007). A Condição Humana. 10.ª ed. Trad. Roberto Raposo. Rio do Janeiro: Forense Universitária.

CÂMARA, Rafael da. (2023). Canção de Setembro para Zamuzaria Maria. Maputo: Gala-gala edições.

KRISTEVA, Julia. (1974). Introdução à Semanálise. Trad. Lúcia Helena França Ferraz. São Paulo: Perspectiva.

PAULINO, Graça; WALTY, Ivete & CURY, Maria Zilda. (1995). Intertextualidades: teoria e prática. Belo Horizonte: Editora Lê.

 

O Director adjunto do Gabinete Central de Combate a Corrupção defende que o  fim da corrupção no país depende da mudança de mentalidade e envolvimento de todos, e não na aprovação de leis que, apesar de necessárias, são insuficientes para resolver o problema. Nazimo Mussá fez o apelo à mudança durante a sua visita a Cabo Delgado. 

Para o Director adjunto do Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), as leis aprovadas pelo Estado são necessárias para controlar a corrupção no país, mas a solução do problema está na própria sociedade. Nazimo Mussá diz que é preciso resgatar a ética. 

O diretor adjunto do Gabinete Central de Combate a Corrupção defende ainda  mudanças na administração da justiça.

Nazimo Mussá está de visita a Cabo Delgado, uma província que se prepara para acolher as cerimónias centrais do dia africano de combate à corrupção que se assinala no próximo dia 11 de Julho.

O Internacional moçambicano, Reinildo Mandava, diz que é o realizar de um sonho jogar na liga inglesa, e promete dar 120% de si para ajudar o Sunderland a alcançar os seus objectivos. Mandava foi apresentado esta terça-feira no clube inglês.

Dúvidas dissipadas. O adeus à Espanha e a chegada a Inglaterra foi confirmada com a apresentação de Reinildo Mandava no recém-promovido Sunderland. Para Reinildo Mandava é a realização de um sonho disputar a Premier League.

“Para mim, é um sonho. É um sonho realizado porque é meu sonho jogar na Premier League. É um sonho jogar no maior clube da Inglaterra. Então, é um prazer para mim estar aqui hoje. Estou muito feliz”, começou por dizer Reinildo na primeira entrevista com a camisola do clube inglês.

O internacional moçambicano contou ainda que já falava de jogar na Inglaterra desde criança e que chegado a Europa, não escondeu esse sonho. “É um sonho realizado porque quando eu era criança, sempre vivemos o futebol no meu país. Então, quando cheguei à Europa, eu disse: meu sonho é jogar na Premier League”, realçando que “o Sunderland me deu essa oportunidade”.

Disse estar “muito animado” e que não pode esperar para estar com o resto do plantel, “lutar, dar tudo de mim pelo clube”.

O lateral esquerdo torna-se, assim, no primeiro moçambicano a jogar na Premier League e quer aproveitar a oportunidade para mostrar suas valências no maior campeonato europeu.

“Para mim, é uma oportunidade, é mais uma oportunidade de mostrar às pessoas como fazer história. É outro campeonato, é outra maneira de jogar. Tive uma óptima oportunidade de representar um grande clube como o Sunderland, então estou feliz, vou agarrá-la como uma oportunidade”, frisou.

Mandava diz mesmo que ama a Premier League, embora nunca antes tenha jogado num clube inglês.

Com o Sunderland, Reinildo Mandava assinou um contrato válido por duas épocas e aos adeptos garante que chegou para mandar, até porque “eu sou a pessoa que trabalha 120% todos os dias, dou tudo em campo pelo meu clube, pelos meus colegas”.

Para já, o Rei que chegou para mandar no Sunderland espera que os adeptos apoiem a equipa até ao fim, porque “lutaremos até ao fim pelo clube e pelos adeptos, por todos”. 

O lateral esquerdo, que vezes sem conta tem sido utilizado como central na selecção nacional, falou das suas ambições na sua nova aventura, pela Inglaterra. “Em primeiro lugar, é ajudar a equipa, o clube, a atingir seu objectivo, jogar mais, aproveitar a Premier League, aproveitar com meus colegas, trabalhar duro todos os dias e vencer os jogos”.

Este é o sétimo clube de Reinildo Mandava na Europa, depois das passagens pelo Benfica B, Fafe, Sporting Covilhã, B SAD, Lille e Atlético Madrid, onde disputou 257 jogos, apontou nove golos e fez três assistências.

O Presidente da República manifestou hoje o  seu comprometimento com o Diálogo Público-Privado, com vista  a acelerar as reformas e melhoria do ambiente de negócios no  país. 

O Chefe do Estado falava durante uma audiência concedida à Confederação das Associações Económicas (CTA), com o objectivo a apresentação do novo corpo directivo da  agremiação, bem como dos pelouros que constituem os grupos  

de Trabalho Sectoriais já em pleno funcionamento. 

Na ocasião, Daniel Chapo expressou a abertura do  Governo em colaborar com o sector privado na agenda de reformas para atrair investimentos, aumentar a produção nacional  e impulsionar as exportações. 

Chapo exortou a CTA a apresentar propostas  de reformas concretas, de acordo com as dificuldades que  enfrentam no seu dia-a-dia. 

Durante a apresentação do novo corpo directivo do agremiação, o Presidente do CTA, Álvaro Massinga, fez saber que a agenda de  trabalho da equipa recentemente formada está ancorada num  Manifesto estruturado em cinco áreas estratégicas, nomeadamente, a Promoção de Reformas Económicas  Estruturantes; Promoção do Desenvolvimento Associativo e  Institucional, Participação Activa do Sector Privado nas Infra estruturas e Serviços Públicos; Participação Activa do Sector  Privado nas Infra-estruturas e Serviços Públicos e; Desenvolvimento do Capital Humano e Promoção do Conteúdo Local. Álvaro Massinga fez saber, igualmente, a realização ainda este  mês do Conselho de Monitoria do Ambiente de Negócios (CEMAN), a ser liderado pela Primeira-Ministra e da Conferência do  Sector Privado (CASP), entre os meses de Outubro e Novembro,  evento tradicionalmente presidido pelo Chefe do Estado. 

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