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As Organizações Sem Fins Lucrativos negam que estejam envolvidas em crimes de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. Por isso, exigem um tratamento diferenciado diante dos bancos comerciais e das autoridades públicas ligadas à matéria.

Por constarem da lista dos suspeitos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo há cerca de dois anos, nesta quinta-feira decidiram sentar-se à mesma mesa com o Governo e os bancos comerciais para limpar o seu nome e exigir também um tratamento menos asfixiante.

Num evento que contou com a participação da secretária permanente do Ministério das Finanças, as organizações queixaram-se de estar a enfrentar problemas sérios para abrir contas bancárias e para receber dinheiro de doadores externos para os seus projectos.

“O doador manda o recurso e o banco informa, às vezes depois de duas a três semanas, que recebeu uma transferência e começa a pedir uma série de documentos. Muitas vezes, esses documentos já foram entregues, às vezes não é um contrato novo. É uma transferência para implementar imediatamente. O tempo demora tanto, às vezes dois a três meses. Em alguns casos, há organizações que reportaram que não conseguem receber esse dinheiro e acabam perdendo o recurso. Por exemplo, se é uma resposta a uma emergência, como cheias ou outra coisa, depois de três a quatro meses torna-se irrelevante”, defende a activista social Paula Monjane, representante do Movimento para a Liberdade de Associação.

Diante das constatações, as organizações consideram inaceitável que cumpram os requisitos exigidos pelos bancos para gerir uma conta bancária e que, mesmo assim, os seus processos não corram. Acusam os bancos de ignorar as recomendações das autoridades oficiais.

“As nossas recomendações são: primeiro, que a avaliação sectorial de risco seja uma ferramenta de uso dos bancos e do sistema financeiro para definir as medidas proporcionais. Segundo, que as boas práticas do GAFI também sejam consideradas no processo de definição de medidas baseadas no risco. Terceiro, que haja um diálogo permanente entre o Governo, o sector financeiro e a sociedade civil. Quarto, que as medidas sejam proporcionais, de tal forma que não levem as organizações a abandonar o sistema financeiro formal para começarem a usar um sistema informal, no qual não vai ser possível encontrar e controlar operações suspeitas”, detalha a activista social Quitéria Guirengane.

Contudo, as organizações sem fins lucrativos exigem um tratamento tendo em conta o risco de cada uma delas. “O que nós exigimos como sociedade civil, sobretudo como CESC, é que essa lista das organizações que supostamente foram detectadas na avaliação fosse entregue aos bancos, no sentido de que, na altura das transacções financeiras, fosse a esse tipo de organizações que se devia demandar mais documentação. Não faz sentido, por exemplo, uma organização pequena, ao nível de Cabo Delgado, que precisa de receber fundos para poder implementar os seus pequenos projectos de desenvolvimento para alavancar o desenvolvimento local, não ter acesso a fundos porque, supostamente, as organizações da sociedade civil são susceptíveis de abuso, mesmo que não haja evidências sobre isso”, considera Domingos do Rosário, gestor do CESC, uma organização da sociedade civil.

Por sua vez, os bancos comerciais dizem estar a trabalhar com listas oficiais de suspeitos e com base na legislação, motivo pelo qual exigem melhor organização aos queixosos.

“Temos um sistema de identificação de entidades nacionais relacionadas com o financiamento do terrorismo, e isso consta de umas listas que são publicadas também ao nível nacional e enviadas aos bancos para que adoptem medidas proporcionais ou medidas de mitigação relativamente a essas entidades. Agora, identificar casos em concreto não seria o momento para trazer aqui. O que se pretende mesmo é que as instituições estejam preparadas para evitar que estes riscos de facto se concretizem e que haja de facto este uso do sector para o financiamento do terrorismo”, explicou aos jornalistas Edgar Fortes, da área de anti-branqueamento de capitais do Banco de Moçambique.

Por seu turno, Samir Zacarias, representante da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), explica que os bancos têm métricas específicas para medir os riscos das organizações. “Tendo em conta o resultado, a documentação que é solicitada pode divergir em alguns pontos. Quando nós calculamos o nível de risco de uma associação, há associações que operam em áreas de alto risco. Vou dar um exemplo de Cabo Delgado, que é uma área assolada pelo terrorismo. Há outras que não operam numa área de alto risco. Evidentemente, o resultado do nível de risco dessas duas associações pode ser diferente”, explicou.

Na última avaliação, as confissões religiosas apareciam com maior risco. Mas há trabalhos em curso para melhorar a situação e, em breve, haverá uma nova avaliação.

“68% das confissões religiosas foram apontadas com algum nível de risco. Elas estão identificadas na avaliação nacional de risco. Nós temos dados que apontam para as confissões religiosas, é preciso que se retenha o que se está a dizer. E quais são esses riscos? Não há contas bancárias, (…) há uma série de elementos que contrariam a Lei 14 do Branqueamento de Capitais”, destaca Luís Cezerilo, coordenador nacional de políticas de prevenção ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e proliferação de armas.

Espera-se que a reunião que teve lugar ontem em Maputo produza consensos entre os bancos, as organizações sem fins lucrativos e as autoridades do Governo, sem prejuízo das partes.

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Os Presidentes dos municípios estão a ser capacitados em Chimoio para reforçar os mecanismos de protecção social face aos choques climáticos. A formação pretende preparar as autarquias para identificar as populações mais vulneráveis e responder de forma rápida às famílias afectadas por ciclones, cheias, secas e outros eventos extremos.

Os choques climáticos deixaram de ser apenas uma questão ambiental. Em Moçambique, ciclones, cheias e secas afetam diretamente as famílias, destruindo habitações, culturas e fontes de rendimento.
É neste contexto que os municípios estão a ser preparados para reforçar a resposta através dos mecanismos de protecção social.

O ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa explicou que a capacitação pretende dotar as autarquias de conhecimentos para identificar as famílias em situação de maior vulnerabilidade e melhorar a coordenação da assistência em situações de emergência.

No últmo choque climático havido na provincia, o município de Gaza foi um dos pontos mais afectados na provincia. A edil diz estar agora, coma a capacitação, preparada para enfrentar eventos climáticos extremos, mas diz que ainda existem marcas das inundações no município.

Com a formação, espera-se que os municípios estejam em melhores condições para planificar intervenções, identificar atempadamente os grupos vulneráveis e garantir que o apoio chegue às famílias afectadas de forma rápida e coordenada.

O Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, Alvaro Massingue, defende uma maior participação das empresas moçambicanas nos grandes projectos públicos adjudicados a empresas estrangeiras.

Alvaro Massingue entende que estes projectos devem assegurar espaço para a subcontratação de empresas nacionais, transferência de tecnologia, desenvolvimento de competências e capitalização do empresariado moçambicano.

Para o Presidente da CTA, a participação das empresas nacionais não deve ser encarada como uma simples preferência, mas como um investimento na capacidade produtiva do país. Defende, por isso, que cada grande obra realizada em Moçambique deve contribuir para deixar empresas nacionais mais fortes, quadros mais qualificados e maior capacidade tecnológica.

Outra preocupação levantada por Alvaro Massingue está relacionada com os atrasos nos pagamentos das obras públicas, que, segundo afirma, continuam a afectar a tesouraria, a capacidade operacional e a sustentabilidade financeira das empresas.

O Presidente da CTA explica que a execução de obras exige investimentos avultados em matérias-primas, equipamentos, mão-de-obra e financiamento. Quando os pagamentos são excessivamente atrasados, os empreiteiros ficam obrigados a suportar custos financeiros adicionais, comprometendo a execução dos contratos e a sobrevivência das próprias empresas.

No sector da habitação, Massingue defende ainda uma maior intervenção do sector privado para responder à crescente procura por habitação acessível, sobretudo entre os jovens.

O Presidente da CTA reconhece a iniciativa presidencial Terra Infraestruturada, mas considera fundamental a participação dos privados na massificação da construção de habitação. Defende que a disponibilização de terra, água, energia e outros serviços básicos pelo Estado pode criar condições para atrair investidores privados.

Massingue apela igualmente ao empresariado para prestar maior atenção ao sector dos recursos hídricos, considerando que as mudanças climáticas estão a transformar a água num desafio social, económico e de segurança.

O Presidente da CTA conclui que Moçambique não precisa apenas de construir mais infraestruturas, mas de garantir que esses projectos contribuam para o fortalecimento das empresas nacionais, através do reforço do conteúdo local e da criação de oportunidades para que pequenas e médias empresas possam crescer e acumular experiência.

Um indivíduo de 38 anos está detido e outros três encontram-se em fuga, na sequência do abate de um rinoceronte no Parque Nacional do Kruger, ocorrido no passado dia 20.

A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Gaza, diz ter esclarecido o caso após uma operação que culminou com a apreensão de quatro armas de fogo, um machado e duas viaturas, no distrito de Massingir.

O chefe do Departamento de Relações Públicas da PRM em Gaza, Carlos Macuácua, revelou, esta sexta-feira, que as buscas pelos suspeitos começaram depois do abate do rinoceronte, tendo a Polícia trabalhado em coordenação com os fiscais da reserva.

“Feita a diligência, chegámos a estes senhores. Chegados à residência de um dos indiciados, eles puseram-se em debandada. A Polícia perseguiu-os, tendo neutralizado este”, explicou Macuácua.

Durante a operação, as autoridades apreenderam quatro armas de fogo, um machado e duas viaturas que estariam na posse dos suspeitos.

Os três indiciados que conseguiram escapar estão na condição de procurados. A PRM garante que prosseguem as diligências com vista à sua localização e posterior encaminhamento à Justiça.

“A qualquer momento, a Polícia vai localizar e entregar-lhes à Justiça”, afirmou o responsável.

Este é o segundo caso de caça furtiva registado este ano na província de Gaza e esclarecido pelas autoridades. Segundo a PRM, o primeiro caso também foi esclarecido.

 

Um tribunal sul-africano adiou para 8 de Setembro a audiência de extradição de um cidadão britânico de ascendência zimbabueana, acusado de assassinar a esposa e as duas filhas no Reino Unido.

Ndodana Mkhanyisi Tshuma, de 45 anos, compareceu quinta-feira perante um tribunal em Joanesburgo, onde enfrenta um pedido de extradição para a Grã-Bretanha e acusações relacionadas com a posse ilegal de arma de fogo.

Tshuma foi detido em Joanesburgo no mês passado, na sequência de uma operação de busca internacional. Segundo as autoridades britânicas, o homem terá deixado o Reino Unido com destino ao Zimbabwe, antes de seguir para a África do Sul.

A defesa pediu mais tempo para consultar o seu constituinte e preparar os próximos passos do processo. O advogado Chrispin Machingura explicou que ainda não conseguiu obter todas as instruções necessárias do acusado.

“Fui consultá-lo ontem, mas ele não estava em condições de me atender”, afirmou o advogado, acrescentando que a falta de instruções está a atrasar o processo.

Machingura alertou igualmente para a possibilidade de as acusações relacionadas com armas de fogo interferirem com o processo de extradição. Segundo o advogado, caso Tshuma seja condenado na África do Sul, poderá cumprir uma pena de prisão antes de ser entregue às autoridades britânicas.

A audiência de extradição foi, assim, remarcada para 8 de Setembro, enquanto a sessão relativa à acusação de posse ilegal de arma de fogo está marcada para 10 de Setembro.

Tshuma é procurado no Reino Unido pela morte da sua esposa, Zandile, e das duas filhas, Natalie, de 15 anos, e Nala, de cinco anos. Os corpos das três vítimas foram encontrados na residência da família, em Bedfordshire, no início de Julho.

Um inquérito realizado no Reino Unido concluiu que as vítimas morreram em consequência de traumatismos contundentes.

Após as mortes, os corpos foram trasladados para o Zimbabwe, onde milhares de pessoas participaram nos funerais realizados a 4 de Agosto.

 

A tensão em Ceuta, enclave espanhol no Norte de África, agravou-se na quinta-feira, com confrontos entre a Polícia e manifestantes contrários à presença de migrantes, um mês depois da chegada em massa de pessoas provenientes de Marrocos.

Os confrontos ocorreram numa praia onde centenas de migrantes permanecem instalados em condições precárias. Segundo imagens divulgadas pela televisão pública espanhola, um grupo de manifestantes entrou na zona onde os migrantes dormiam, tendo alguns dos seus pertences sido incendiados durante os distúrbios.

Horas antes, dezenas de pessoas tinham participado numa manifestação pacífica para impedir temporariamente a entrada de viaturas da Cruz Vermelha na praia, onde seriam distribuídos alimentos aos migrantes. Munidos de bandeiras espanholas, os manifestantes gritavam palavras de ordem como «Eles deveriam ir embora» e “Fora com a Cruz Vermelha”, antes de serem dispersados pela Polícia.

Na noite de quarta-feira, as autoridades já tinham recorrido a gás lacrimogéneo para evitar confrontos entre manifestantes e migrantes acampados na mesma zona.

A situação agravou-se ainda mais na madrugada de quinta-feira, quando um veículo militar que transportava quatro soldados foi atacado por cerca de 70 migrantes. De acordo com um porta-voz da Polícia, o grupo lançou pedras e outros objectos contra a viatura, obrigando os militares a abandonar o local e a pedir auxílio policial.

Doze migrantes, todos de nacionalidade marroquina, foram detidos. Um dos soldados sofreu ferimentos ligeiros depois de ser atingido por uma pedra. As autoridades ainda não esclareceram as razões que terão estado na origem do ataque.

Os habitantes de Ceuta, território com apenas 18 quilómetros quadrados, têm realizado manifestações regulares, alegando problemas de segurança e higiene associados à permanência de milhares de migrantes nas ruas.

“A tensão na cidade de Ceuta está muito alta”, afirmou à rádio SER Kissy Chandiramani, conselheira de Finanças da cidade autónoma. A responsável considerou que existe uma sensação de abandono por parte das autoridades centrais, mas apelou à calma, advertindo que o aumento da hostilidade não contribuirá para resolver a crise.

 

GOVERNO PROMETE REFORÇAR RESPOSTA

Mais de 70 mil migrantes chegaram a Ceuta no final de Julho, atravessando a fronteira com Marrocos a nado ou a pé. O fluxo migratório provocou dezenas de mortes e reacendeu o debate sobre a política migratória da União Europeia.

Embora a maioria tenha regressado a Marrocos poucas horas depois da chegada, milhares continuam em Ceuta, muitos deles a viver nas ruas e em condições precárias.

O Governo espanhol estima que permaneçam no território entre 3.500 e 7.000 migrantes, enquanto as autoridades locais, lideradas pela direita, apontam para pelo menos 10 mil pessoas.

O ministro da Justiça, Félix Bolaños, apelou à serenidade e garantiu, perante os deputados em Madrid, que as autoridades estão a trabalhar “sem descanso” para restabelecer a normalidade em Ceuta.

Nos últimos dias, o Governo espanhol anunciou medidas para aumentar a capacidade dos centros de acolhimento e acelerar os procedimentos destinados a determinar quais os migrantes que podem ser devolvidos a Marrocos.

O Ministério do Interior anunciou igualmente o envio de efectivos adicionais para apoiar a identificação dos migrantes. O Conselho de Ministros aprovou ainda um financiamento extraordinário de 25 milhões de euros para reforçar o apoio a menores não acompanhados, abrangidos por protecção legal especial.

Na terça-feira, o Governo criou também um «comando único» para coordenar a resposta à crise em Ceuta, sob liderança do ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres.

 

CRISE AGRAVA DIVISÃO POLÍTICA

A situação em Ceuta está igualmente a aprofundar as divisões políticas em Espanha, numa altura em que o país se prepara para eleições gerais previstas para o próximo ano.

Os partidos conservadores e de extrema-direita exigem o regresso de todos os migrantes a Marrocos. O Governo, contudo, defende que cada pessoa deve ser identificada individualmente para determinar se reúne condições para pedir asilo ou se pode ser deportada.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, tem sido alvo de críticas por parte das autoridades locais e dos moradores de Ceuta, que consideram que Madrid demorou a reagir à chegada em massa de migrantes.

Sánchez também foi criticado por ter mantido as suas férias de Verão enquanto a crise se agravava e por ter convocado o Conselho de Segurança Nacional apenas depois do seu regresso a Madrid.

O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, acusou o Governo de abandonar os habitantes de Ceuta.

“Os habitantes de Ceuta estão a suportar isto sozinhos há um mês”, escreveu Feijóo na rede social X, acrescentando que «nada foi feito para impedir a invasão» nem para travar a crise de ordem pública, que, segundo afirmou, «piora a cada dia».

 

A administração da Organização Internacional do Trabalho (OIT) vai realizar uma reunião extraordinária em Setembro para analisar um pedido de autorização do director da agência para reduzir 120 postos de trabalho, devido à ausência de contribuições financeiras dos Estados Unidos da América (EUA).

De acordo com o Jornal de Negócios português, este é o único tema previsto para a reunião agendada para 7 de Setembro, segundo o documento com a ordem de trabalhos do encontro da agência da Organização das Nações Unidas (ONU). Tal como outros organismos da ONU, as finanças da OIT estão a ressentir-se dos cortes no financiamento dos EUA.

A agência liderada por Gilbert Houngbo precisa de poupar cerca de 22 milhões de dólares, tendo indicado que já não tem outra forma de reduzir despesa além da relacionada com o pessoal, escreve o Jornal de Negócios.

Os Estados-membros têm de contribuir para o orçamento da OIT, mas os EUA encontram-se com pagamentos em atraso, devendo 173,5 milhões de francos suíços (185 milhões de euros), correspondentes a contribuições relativas a 2024 e 2025.

A contribuição deste ano, de 83,2 milhões de francos suíços (88,7 milhões de euros), ainda não se encontra em incumprimento. No entanto, se for considerada em conjunto com as anteriores, o valor total dos pagamentos pendentes dos EUA totaliza 257,5 milhões de francos (275 milhões de euros).

As contribuições obrigatórias dos Estados Unidos correspondem a 22% do orçamento da OIT. Seguem-se a China (20%), Japão (7%), Alemanha (5,6%) e França (3,8%), enquanto Espanha representa 1,9%, de acordo com o orçamento de receitas para 2026-2027.

A crise no financiamento da OIT acontece nas vésperas da abertura do concurso para o cargo de director-geral. O actual director, Gilbert Houngbo, antigo primeiro-ministro do Togo e responsável máximo da OIT desde 2022, espera ser reeleito em Novembro, tendo como concorrente a vice-presidente e ministra do Trabalho e Economia Social de Espanha, Yolanda Díaz.

O Conselho de Administração da OIT confirmou, na reunião de Junho, que Houngbo deveria proceder à aplicação de “medidas de contingência”, o que implicava levar a cabo um “processo justo e transparente para identificar os cargos suscetíveis de serem suprimidos”, segundo o Jornal de Negócios.

O Grupo Jinan Yuxiao, por intermédio das suas subsidiárias locais, concluiu um conjunto de acções de responsabilidade social em duas províncias de Moçambique, visando responder a necessidades urgentes e estruturais das comunidades locais.

As iniciativas, realizadas em Cabo Delgado e na Zambézia, envolveram a distribuição de 30 toneladas de arroz a famílias deslocadas pela violência armada, bem como a construção de uma escola primária e de um mercado coberto para a venda de produtos alimentares.

Na província de Cabo Delgado, a Africa Great Wall Mining Development Co., Lda. entregou, a 31 de maio de 2022, um total de 1.200 sacos de arroz, equivalente a 30 toneladas, na Zona de Reassentamento de Upajo, distrito de Montepuez. A ação, coordenada com o Governo local, teve como alvo famílias oriundas de Quissanga, Mocímboa da Praia, Palma e Macomia, que fugiram dos conflitos no norte do país e perderam os seus meios de subsistência. A logística da operação envolveu o transporte do cereal desde a aquisição até à descarga no local de reassentamento.

Na província da Zambézia, a Mozambique Heavysand Company, Lda. concentrou os seus esforços no povoado de Arijuane, distrito de Chinde. Em julho de 2021, foi entregue à comunidade a Escola Primária Completa do 1.º e 2.º Graus Josina Machel de Arijuane, cuja construção foi concluída em maio do mesmo ano. A cerimónia de entrega contou com a presença do Administrador do Distrito de Chinde e de outros membros do governo local.

Paralelamente, a empresa construiu e entregou um mercado coberto na mesma localidade. A infraestrutura, que dispõe de cobertura e bancas fixas, visa substituir a venda informal de produtos alimentares diretamente no chão, proporcionando um ambiente mais adequado e protegido para vendedores e consumidores.

As intervenções, realizadas em momentos distintos, refletem uma abordagem prática de responsabilidade social empresarial, focada na identificação de carências específicas e na mobilização de recursos para oferecer respostas concretas. Enquanto a doação de arroz em Cabo Delgado atendeu a uma urgência humanitária imediata, as infraestruturas na Zambézia foram concebidas para contribuir para a educação das crianças e para o fortalecimento da atividade económica diária das famílias.

Com estas ações, o Grupo Jinan Yuxiao demonstra o seu compromisso com as comunidades moçambicanas, aliando o apoio em situações de emergência ao investimento em projetos que sustentam o desenvolvimento a longo prazo.

A Electricidade de Moçambique faz hoje 49 anos da sua fundação. Para celebrar a data e lançar as comemorações de meio século, a empresa promoveu um workshop para reflectir os ganhos alcançados, no qual foi desafiada a adoptar medidas face aos desafios climáticos.

Criada em contexto de guerra, 1977, a Electricidade de Moçambique completa esta quinta-feira, 49 anos de existência. Para marcar as celebrações e lançar a marcha para meio século, juntou antigos trabalhadores, governo e academia para  reflectir os ganhos alcançados.

O Presidente do Conselho de Administração, Joaquim Ou-chim, usou o momento festivo para anunciar “uma nova era e inovação tecnológica na empresa, na qual a ciência é uma aliada indispensável para o progresso.”

Para Ou-chim, “Completar 50 anos não pode ser visto como um ponto de chegada, pelo contrário, deve ser sempre um novo ponto de partida para aprimorar nosso desempenho, fortalecer a confiança e consolidar os resultados alcançados até agora.”

Mais de 46 milhões de dólares foram gastos nos últimos 8 anos para repor infraestruturas de energia destruídas por ciclones, por isso, o governo através do Secretário Permanente do Ministério dos recursos Minerais e Energia, António Manda, desafiou a empresa a adaptar-se ao clima.

Pascoal Bacela, Antigo Director Nacional de Energia a dependência de apoios externos para o alcance das metas de electrificação universal até 2030, pode ser perigosa.  

“Estamos planear os próximos 50 anos, a questão é: os próximos 50 anos continuarão dependendo de doações e subsídios? Isso pode ser muito complicado.” Alertou

Em um outro painel, sobre 50 anos de História e Transformação, Ernesto Fernandes, Antigo Administrador EDM defendeu a manutenção da natureza pública da EDM.

“A EDM deve continuar sendo uma empresa pública estatal, verticalmente integrada e responsável pelas diversas cadeias de valor de fornecimento de energia, transporte e comercialização em todo o território nacional. Só vamos conseguir eletrificar todo o país se a empresa manter-se de natureza nacional” Concluiu.

Partilhando sua experiência de 35 anos na empresa, Fátima Artur, também Antiga Administradora, disse ter conhecido pessoas dedicadas no trabalho, “

Os antigos administradores, desafiam os actuais gestores a concluir o ciclo de meio século da empresa com demonstração de transparência na gestão.

Também conheci pessoas que precisam ser expostas a processos de integridade.” Concluiu.

A Hidroeléctrica de Cahora Bassa, que também fez representar-se no evento, defendeu trabalho coordenado entre as duas empresas públicas para prossecução da ambição de eletrificar Moçambique até 2030.

A antiga basquetebolista Clarisse Machanguana critica a gestão do basquetebol moçambicano e aponta a falta de investimento como uma das causas do fraco desenvolvimento da modalidade. A antiga internacional, que fez história como a primeira e única moçambicana a jogar na WNBA, diz que os interesses pessoais de alguns dirigentes comprometem os objectivos desportivos.

Clarisse Machanguana foi convidada da Grande Entrevista da Stv desta semana, onde, durante uma hora, revisitou o seu percurso desportivo e a experiência adquirida nas grandes ligas mundiais, com destaque para a WNBA.

Machanguana começou por criticar a situação actual do basquetebol, que, segundo afirma, tem sido condicionada pela existência de agendas pessoais de alguns dirigentes desportivos.

“O que a Federação faz e tem feito,  não está a resultar e que as pessoas que lá estão, infelizmente, têm agendas, que nem sempre a modalidade é prioridade e que às vezes comprometem o resultado da própria instituição.  Mas quem tem que exigir este resultado somos nós, os moçambicanos, mas não só quem está nas lideranças, mas também  os moçambicanos.”, critica Machanguana.

Para Clarisse, a sua candidatura à presidência da Federação Moçambicana de Basquetebol serviu de escola e permitiu-lhe perceber melhor os problemas que afectam a modalidade no país.

“Eu diria que o meu processo a essa candidatura foi uma das melhores escolas de aprendizagem do porquê as coisas não funcionam em Moçambique, porquê os nossos resultados vão abaixo daquilo que se pretende e porquê continuamos a repetir os mesmos erros. Foi esse o maior aprendizado e também reforçou a consciencialização minha de que não preciso de um título para fazer o bem, não preciso de um título para passar o meu conhecimento, não preciso de um título para contactar universidades ou equipas profissionais e para fazer com que um jovem que tem talento, que tem fome, que é disciplinado vá lá fora. Portanto, não preciso esperar que Moçambique acredite em mim para fazer ou que veja a necessidade de usar o meu “know-how” para passar para os jovens. Foi esse o aprendizado.”,   explica a antiga basquetebolista.

A antiga atleta e actual empreendedora social critica também o actual modelo de financiamento do desporto, defendendo maior investimento nas infra-estruturas e na formação de pessoas com capacidade para liderar.

“Sem infra-estruturas faz-se um desporto com muita deficiência, faz-se um desporto em que não se pode atingir o máximo nível porque faltam elementos importantes. Mas eu comecei a jogar basquete há, se calhar, 40 anos e as infra-estruturas já não eram boas. Esse não é o único cancro que impede que os resultados que tanto sonhamos sejam conquistados. Eu diria que é a liderança, é o modelo desse núcleo, desse processo. O investimento político teria, se calhar, de ser em estudar como são eleitas essas pessoas, qual é a finalidade das pessoas que lá vão e como é que se exige resultados, como é que se avalia os resultados e como é que se substitui imediatamente quem não está a produzir. Se o cancro está na liderança, tudo o resto que vem não fará sentido”, anota. 

Machanguana afastou-se do desporto para se dedicar a outras questões sociais, entre elas a problemática da qualidade da educação.

“Mas enquanto os alunos que saírem do ensino do liceu, do ensino secundário, não estarem à altura de produzir para uma sociedade melhor, significa que houve falhas no processo, seja de ensinamento, seja de falta de cadernos, seja de falta de práticas de ensino, qualquer que seja a natureza, a verdade é que o maior cancro está no que aprendemos, porque se não aprendemos, não somos capazes de ter as qualidades ideais para nós melhorarmos. A educação que bebemos e que se transforma naquilo que vemos em casa e que se transforma naquilo que queremos ser na sociedade e que parte de um primeiro professor, que se diz a palavra errada já me condiciona, tanto a educação, sem margem de dúvida.”, conclui. 

A antiga basquetebolista critica ainda o que considera ser um tratamento privilegiado ao futebol, em detrimento de outras modalidades, e defende maior equilíbrio na distribuição dos investimentos no desporto.

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