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A Prime Rate do sistema financeiro moçambicano está fixada em 15,50% para Novembro, mas o custo do crédito varia significativamente entre as instituições financeiras e as modalidades de financiamento. No crédito à habitação, o Standard Bank apresenta o spread mais baixo entre os bancos comerciais, de 1%, colocando a taxa indicativa em 16,50%. Já no crédito ao consumo, o First Capital Bank apresenta a margem mais elevada, de 12%, enquanto nas instituições de microfinanças os juros indicativos podem atingir 60,95%.

Os dados constam do Comunicado n.º 10/2026 da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), de 30 de Outubro, que estabelece as margens de crédito a aplicar durante Novembro. A Prime Rate resulta da soma do Indexante Único, fixado em 9,30%, com o Prémio de Custo, de 6,20%, e constitui a taxa de referência para operações de crédito com juros variáveis.

Na modalidade de financiamento à habitação, o Standard Bank apresenta o spread mais baixo, de 1%, seguido do Millennium BIM, com 1,20%. Em sentido contrário, o Vista Bank e o First Capital Bank apresentam margens de 6%. Considerando a Prime Rate de Novembro, as taxas indicativas para esta modalidade variam entre 16,50% e 21,50%.

No crédito ao consumo, destinado ao financiamento de bens e serviços como viaturas, electrodomésticos e mobiliário, o First Capital Bank apresenta a margem mais elevada, de 12%, seguido do ABSA, com 10,75%, e do FNB, com 10%. O Millennium BIM regista o spread mais baixo, de 3,91%. Neste segmento, as taxas indicativas variam entre 19,41% e 27,50%.

Para as empresas, os custos de financiamento também apresentam diferenças em função do prazo e da finalidade do empréstimo. Nos créditos de curto prazo, até um ano, os spreads dos bancos comerciais variam entre 2% e 5%, correspondendo a taxas indicativas de 17,50% a 20,50%. Estes financiamentos destinam-se sobretudo à aquisição de meios circulantes e à cobertura de necessidades de tesouraria.

Já nos empréstimos de longo prazo, acima de um ano, as margens oscilam entre 1% e 6%, colocando as taxas indicativas entre 16,50% e 21,50%. Esta modalidade destina-se principalmente ao financiamento de investimentos empresariais, podendo o prazo de reembolso atingir sete anos.

É, contudo, no segmento das microfinanças que se encontram os encargos mais elevados. Para empréstimos ao consumo, os spreads variam entre 14% e 45,45%, dependendo da instituição e do prazo de reembolso. Com a aplicação da Prime Rate de 15,50%, as taxas indicativas podem chegar a 60,95%.

A MyBucks Mozambique apresenta uma margem de 45,45% nos empréstimos com prazos de seis e 12 meses, enquanto a Socremo pratica um spread de 44,50% nas mesmas maturidades. O Banco Letshego apresenta uma margem de 14% em todos os prazos de crédito ao consumo divulgados.

Nas operações de financiamento às empresas através das microfinanças, as diferenças também são expressivas. A MAIS – Microbanco de Apoio aos Investimentos apresenta spreads de 4% nos empréstimos de curto prazo e 4,25% nos de longo prazo. A Socremo regista margens de 20,10% e 20,50%, respectivamente, enquanto o Banco Letshego apresenta 19% nas duas modalidades.

ACESSO AO CRÉDITO EXIGE GARANTIAS

Para além dos juros, o acesso ao financiamento está condicionado ao cumprimento de requisitos definidos pelas instituições. Nos bancos comerciais, os clientes devem ter uma relação bancária de pelo menos seis meses, apresentar histórico de transacções e não possuir incidentes por regularizar na Central de Registo de Crédito do Banco de Moçambique. É igualmente exigida uma livrança em branco.

No crédito à habitação, os bancos estabelecem um prazo máximo de 20 anos e exigem uma hipoteca do imóvel com cobertura de 120% do valor financiado. A prestação mensal não pode ultrapassar 30% do rendimento líquido do mutuário, sendo também obrigatórios o seguro de vida e o seguro do imóvel.

Para o crédito ao consumo, o prazo máximo é de cinco anos. O requerente deve ter contrato de trabalho por tempo indeterminado e apresentar uma declaração da entidade empregadora que confirme as suas funções e rendimentos. A prestação também não pode exceder 30% do rendimento líquido mensal.

No financiamento empresarial, os bancos exigem garantias com cobertura mínima de 120% do valor do crédito pretendido, bem como contas auditadas dos últimos três anos ou, no caso dos empréstimos de longo prazo, um plano de negócios.

O comunicado estabelece ainda condições para operações de leasing, modalidade utilizada para financiar a aquisição de activos como máquinas, veículos e imóveis. No leasing mobiliário, os spreads dos bancos comerciais variam entre 2,50% e 5%, enquanto no imobiliário os valores divulgados oscilam entre 0% e 4,50%. O financiamento pode cobrir até 90% do valor de avaliação do bem.

A Prime Rate é calculada com base em dois componentes. O Indexante Único é determinado mensalmente pelo Banco de Moçambique, tendo em conta a média ponderada das operações de liquidez realizadas no Mercado Monetário Interbancário para o prazo de um dia útil. O Prémio de Custo é calculado trimestralmente pela AMB e considera factores como a classificação de risco do país, o crédito em incumprimento, o crédito saneado e o coeficiente de reservas obrigatórias.

O modelo resulta do Acordo sobre o Indexante Único do Sistema Bancário Moçambicano, que procura reforçar a transparência na fixação dos juros variáveis e melhorar a transmissão da política monetária ao mercado. A divulgação dos spreads permite aos clientes comparar as condições oferecidas pelas instituições, embora a taxa final dependa sempre da avaliação de risco e das condições específicas de cada operação.

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A Primeira-Dama de Moçambique, Gueta Chapo, procedeu, nesta quarta-feira, na cidade de Nampula, o lançamento oficial do programa Empodera, uma iniciativa do Ministério do Trabalho, Género e Acção Social que visa fortalecer a resposta à violência baseada no género e promover o empoderamento e a resiliência das raparigas.

A iniciativa Empodera visa criar oportunidades para que as mulheres e raparigas possam desenvolver plenamente o seu potencial e contribuir activamente para o progresso social, económico e cultural das suas comunidades.

A cerimónia de lançamento do programa de empoderamento da mulher e da rapariga, Empodera, foi orientada pela Primeira-Dama da República de Moçambique, Gueta Selemane Chapo, e a iniciativa será implementada em 63 distritos do país, entre 2025 e 2029.

Na sua intervenção, a Primeira-Dama de Moçambique começou por deixar um apelo à sociedade em relação ao sofrimento invisível que continua a marcar a vida de milhares de mulheres e raparigas.

“Só no primeiro semestre de 2025, foram registados mais de nove mil casos de violência baseada no género, dos quais cerca de 85% tiveram como vítimas mulheres e raparigas. Estes números representam vidas marcadas por dor. São apenas a face visível de uma realidade que é ainda mais ampla”, afirmou.

Gueta Chapo destacou os avanços registados no campo legislativo e institucional, ainda que não sejam suficientes para proteger a mulher e a rapariga, sublinhando que a mudança de comportamento é condição indispensável para erradicar a violência. “Há muita mulher, há muita rapariga ainda a sofrer. Por isso, não podemos limitar-nos a punir os agressores. Precisamos de transformar mentalidades, educar comunidades e cultivar o respeito e a empatia”, disse.

Com o lançamento do programa Empodera, que também visa fortalecer os serviços de prevenção e resposta à violência baseada no género, melhorar a coordenação entre as instituições e ampliar o acesso das vítimas ao apoio que merecem, Gueta Chapo quer resultados mais visíveis desta luta.

“Até 2029, queremos ver 24 mil provedores de serviços treinados, 51 centros de atendimento digitalizados, 13 mil sobreviventes assistidas e 10 milhões de pessoas sensibilizadas”, frisou.

No seu discurso, Gueta Chapo apelou a todos os sectores para que se mantenham firmes e coordenados nesta missão. “Exorto as instituições de saúde, acção social, polícia, justiça e as organizações da sociedade civil a continuarem firmes. Mas precisamos também que cada moçambicano seja um agente de mudança, nas famílias, nas escolas, nas igrejas, nas comunidades”, destacou.

O lançamento do Empodera contou com a presença de representantes governamentais, parceiros de cooperação, organizações da sociedade civil e centenas de mulheres, jovens e líderes comunitários. Num gesto simbólico, a Primeira-Dama fez os presentes repetirem em uníssono o compromisso: “Não à violência baseada no género”.

A Fundação MUSIARTE,  em parceria com o Conselho Municipal de Maputo, dá arranque com a 2ª fase da iniciativa CULTURA e CIDADANIA. No âmbito da iniciativa Cultura e Cidadania, iniciaram-se, em 25 de outubro, as obras da 2ª fase do projeto de requalificação da Rua da Catembe, na Baixa da Cidade, que ganhará uma nova imagem através da arte urbana

A primeira fase incluiu a Travessa Tenente Valadim, enquanto a segunda abrange a Rua da Catembe, contando com a participação de artistas moçambicanos, como Sebastião Coana, e das artistas italianas Barbara Migliaccio e Sara Zecchino.

No espírito da inclusão social, a iniciativa envolve nas suas acções os jovens moradores de rua da baixa da cidade, para que se apropriem e sintam-se responsáveis pelo zelo da cidade enquanto cidadãos. 

Criada em 2023, a iniciativa tem como objetivo promover a utilização das artes como veículo de desenvolvimento social, contribuindo para a valorização e requalificação dos patrimónios culturais e históricos da capital, bem como para a organização de eventos culturais que enriqueçam a qualidade de vida dos munícipes.

A iniciativa Cultura e Cidadania pretende continuar a juntar esforços de todas as entidades situadas na baixa da cidade, quer sejam culturais, económicas, estatais, turísticas, entre outras, para a melhoria das condições das infraestruturas, do saneamento do meio, segurança e do aspecto visual desta parte da cidade. 

Cheias, inundações e  seca ameaçam mais de 240 mil pessoas nas zonas ribeirinhas e mais a norte da província de Gaza. A previsão é do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), que necessita de 14 milhões para as acções de emergências.

São ao todo 248 mil pessoas que poderão sofrer efeitos combinados de eventos climáticos extremos, na província de Gaza. 

“Fizemos um mapeamento daquilo que poderá ser a população em risco, que, neste caso, se situa em 248 mil pessoas, cerca de 16% da população da província, olhando para o censo de 2020”, avançou o porta-Voz do Instituto de Gestão do Risco de desastres em Gaza, Bonifácio Cardoso.

Para a época chuvosa em curso, prevê-se a ocorrência de três cenários, caracterizados por cheias, inundações, seca, que podem assolar  os distritos costeiros do interior e os atravessados pelo rio Limpopo.

“Este plano de contingência olha para três prováveis cenários.O primeiro cenário é de ocorrência de inundações urbanas, seca nas cidades, tanto seca e inundações urbanas em algumas cidades e vilas. Para este cenário se prevê que fique afectada uma população de 129 mil habitantes. Para o segundo cenário, que é o primeiro cenário acrescido ao risco de cheias, estamos  a prever 245 mil habitantes. E o último cenário, que é o cenário mais gravoso, que é o segundo cenário, acrescido ao risco de sismos, sobretudo na zona de Massangena, devido à proximidade com a província  de Manica, que é a província com maior actividade sísmica no nosso país, o número passa para  248 mil”, explicou.

Neste momento, a preocupação é com a seca, que pode agravar a insegurança alimentar nos próximos meses.

“Nós temos aquilo que é um kit padrão de assistência humanitária que foi estabelecido  pelas Nações Unidas. São cerca de 60 mil famílias que poderão precisar de assistência face a alguma insegurança alimentar e nós vamos procurar seguir aqueles que são os grupos mais vulneráveis desse universo todo”. 

O INGD necessita de 14 milhões para acções de emergências, derivadas de desastres projectados para os três cenários.

“Sob o ponto de vista de orçamento para intervenções, buscas e assistência, durante as primeiras 72 horas, o orçamento indicativo é de 14 milhões de meticais. Temos 18 embarcações à nossa disponibilidade, 16 do governo através do INGD, e duas de parceiro, no caso do cruzamento. Temos também, a nível do armazém, neste momento, 45 toneladas de feijões e estamos à espera de 180 toneladas de cereais, nomeadamente 90 toneladas de arroz e 90 toneladas de farinha de milho, que a qualquer momento poderão estar no nosso armazém” garantiu.

Foram instalados em  dois distritos sistemas de aviso prévio activos mais de 200 comités de gestão e redução do risco de desastres.

“Ainda na semana última, fizemos a instalação de sensores comunitários da aviso prévio em número de cinco, nos distritos de Chokwé e Guijá. Temos estado a realizar actividades como a preparação dos comitês locais que estão em situação de risco de desastres. Na nossa província temos 282 comitês locais que estão em prontidão para acções de resposta a eventuais cenários extremos” concluiu.

A província de Gaza registou três vagas de inundações, que  assolaram 87 mil pessoas, além de  devastar 45 mil hectares de diversas culturas, entre Janeiro e Março deste ano.

Dois agentes da polícia estão detidos, indiciados de assassinar uma pessoa, numa prospecção de minas, no distrito de Chifunde, em Tete. O Comando Provincial da PRM em Tete alega desconhecer o caso, no entanto, a Procuradoria Provincial confirma o sucedido e a detenção dos agentes implicados no caso.

O caso deu-se no passado dia 9 de Outubro, quando a vítima estava a exercer actividade de garimpo, próximo a uma prospecção de mina da empresa Mule Mule, pertencente a um grupo de cidadãos de nacionalidade inglesa.

O “O País” contactou o Comando Distrital da PRM em Tete, mas o Chefe de Relações Públicas alegou desconhecer o caso e prometeu pronunciar-se oportunamente. Contactamos igualmente a procuradoria provincial de Tete, também sem gravar entrevista, o seu porta-voz confirmou o barramento de uma pessoa e a detenção dos agentes implicados. 

Fez saber ainda que o processo com o número 118/2025, envolvendo os agentes implicados no caso, está em instrução preparatória na procuradoria distrital de chifunde, seguido das audições com vista a apurar as razões que levaram os mesmos a atirar contra a vítima de trinta e quatro anos, que em vida respondia pelo de Jacala Daison.

A Electricidade de Moçambique (EDM) lançou, nesta quarta-feira, na cidade de Maputo, o aplicativo móvel e-EDM e o canal oficial no WhatsApp. As duas plataformas vão permitir que mais de três milhões de clientes possam comprar energia eléctrica e aceder a informações sobre a empresa de forma rápida e segura.

Com uma base de 3,8 milhões de clientes, dos quais 90% usam o sistema pré-pago Credelec, a EDM marca mais um passo importante na modernização dos seus serviços, como resposta às tendências globais de digitalização e aproximando-se ainda mais dos consumidores.

“O aplicativo de tecnologia avançada vai permitir ao cliente adquirir energia através da carteira móvel, visualizar os seus dados, reduzir custos de deslocação e facilitar o atendimento”, explicou Joaquim Ou-Chim, Presidente do Conselho de Administração (PCA) da EDM.

Segundo Ou-Chim, o canal oficial no WhatsApp surge como uma nova via de comunicação e interacção com os clientes e parceiros, garantindo respostas mais rápidas e uma maior conectividade.

“Através do canal oficial da EDM no WhatsApp, pretendemos fortalecer a ligação com os nossos clientes e parceiros, promovendo uma comunicação mais próxima e eficiente”, acrescentou o PCA.

A empresa, que em média faz 1.500 novas ligações por dia, acredita que estas inovações vão melhorar significativamente a experiência do consumidor, tornando o processo de aquisição de energia mais ágil e acessível.

“Com o e-EDM e o canal do WhatsApp, reforçamos o nosso compromisso de oferecer um serviço moderno, eficiente e centrado no cliente, acompanhando o ritmo da transformação digital que o país vive”, concluiu Joaquim Ou-Chim.

Com o lançamento destas plataformas digitais, a EDM reafirma o seu compromisso de continuar a investir em soluções tecnológicas que promovam a inclusão e acesso à energia.

 

A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) vai aumentar, até 2034, a capacidade máxima de produção de energia, dos actuais 2075 Megawatts para 4 mil Megawatts. A iniciativa enquadra-se no projecto de reabilitação e modernização da central, que vai durar 10 anos. 

Pela primeira vez, em 50 anos de existência a HCB está a implementar, desde 2022, uma série de reformas nos seus equipamentos, alguns deles já obsoletos. 

Sem avançar os custos do investimento, o administrador executivo da HCB, José Munice, assegura que até o fim de 10 anos da vigência do Capex Vital, a empresa poderá duplicar a capacidade de produção eléctrica, ou seja, transitar dos actuais 2075 Megawatts para 4 mil Megawatts. 

A cada ano do capex, um grupo-gerador estará fora de uso e para compensar o défice será implantada, no distrito de Changara, uma central fotovoltaica igual a esta, porém com uma capacidade maior. 

Desde o seu arranque, em 2022, já houve intervenções na subestação de Songo, com a reabilitação de transformadores e decorrem procedimentos para reabilitação da estação conversora.  Com iniciativa, prevê-se a criação de mais de 300 novos postos de emprego.

 

O ex-Presidente de Madagáscar, Andry Rajoelina, perdeu a sua nacionalidade depois de ter fugido do país no início deste mês, no meio de protestos generalizados liderados por jovens.

A notícia foi divulgada após a detenção do seu ex-assessor, o empresário Maminiaina Ravatomanga, nas Maurícias, por suspeita de branqueamento de mais de 160 milhões de dólares com activos no país.

Ravatomanga, que fugiu para as Maurícias depois de Rajoelina ter deixado Madagáscar, estava sob custódia da polícia e de funcionários da Comissão de Crimes Financeiros (FCC) numa clínica privada onde se tinha dirigido para procurar tratamento em Port Louis, disse um porta-voz da comissão. O porta-voz, que não quis ser identificado, afirmou que a detenção de Ravatomanga estava relacionada com a lavagem de 163 milhões de dólares com bens nas Maurícias.

A cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) arranca nesta semana na Coreia do Sul, com as atenções focadas no encontro entre Donald Trump e Xi Jinping e nos esforços para travar uma nova escalada comercial entre Washington e Pequim. O encontro entre os Presidentes dos Estados Unidos e da China está previsto para quinta-feira, à margem da cimeira que vai decorrer em Gyeongju, Coreia do Sul.

Donald Trump chegou a deixar em dúvida a realização deste encontro, num contexto de tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, mas afinal irá acontecer, e será o primeiro a nível bilateral desde 2019.

Washington e Pequim voltaram a trocar tarifas punitivas e medidas de controlo às exportações nos últimos meses, alimentando receios de uma nova vaga de tensão entre as duas maiores economias do mundo.

A Casa Branca (presidência norte-americana) impôs taxas sobre bens chineses e limitou as exportações de semicondutores, enquanto Pequim retaliou com taxas e anunciou amplas restrições à exportação de metais raros.

Nas vésperas do encontro, os dois países chegaram a um entendimento preliminar em áreas como comércio agrícola, terras raras, fentanil, a aplicação de tarifas e o futuro da aplicação TikTok, de origem chinesa.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, descreveu as conversações como “construtivas, profundas e com alcance alargado”.

Disse também que os dois lados estabeleceram uma “base muito positiva” para o encontro entre os chefes de Estado.

A delegação chinesa, liderada pelo vice-primeiro-ministro He Lifeng e pelo negociador comercial Li Chenggang, descreveu o diálogo com Bessent e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, como “franco, profundo e construtivo”, segundo um comunicado do Ministério do Comércio da China.

A guerra comercial entre China e Estados Unidos remonta a Janeiro de 2018, quando durante o seu primeiro mandato presidencial, Donald Trump começou a impor tarifas e outras barreiras comerciais à China com o objectivo de forçar Pequim a alterar práticas comerciais consideradas desleais por Washington e reequilibrar a balança comercial.

O regresso de Trump à Casa Branca no início deste ano resultou numa rápida escalada das disputas, com a imposição de tarifas significativas por ambas as partes.

Em Março passado, os Estados Unidos estabeleceram uma tarifa de 145% sobre produtos chineses, enquanto a China respondeu com uma tarifa de 125% sobre produtos norte-americanos.

Os dois países adoptaram então uma trégua e reduziram parcialmente as taxas, visando encetar negociações que duram há meses.

Durante as últimas negociações, a China terá concordado em adiar por um ano a entrada em vigor de algumas das suas novas licenças de exportação de terras raras e em reavaliar o regime.

A administração Trump, por sua vez, sinalizou o prolongamento da actual trégua tarifária, que expira a 10 de Novembro.

Os Estados Unidos indicaram que nas negociações que antecederam o encontro entre Trump e Xi a China concordou em retomar compras “substanciais” de soja norte-americana, após ter praticamente suspendido as importações este ano.

O sector agrícola, especialmente os produtores de soja, representa uma das bases eleitorais de Trump.

Em paralelo, Washington e Pequim anunciaram que chegaram a um acordo final sobre a estrutura accionista do TikTok. Trata-se do único resultado concreto das negociações realizadas no mês passado, em Madrid.

Entretanto, Trump tem aproveitado a sua primeira visita à Ásia desde o regresso à Casa Branca para reforçar alianças e lançar novas parcerias comerciais.

Na Malásia, presidiu à assinatura de acordos com Phnom Penh e Banguecoque e reivindicou ter intermediado um cessar-fogo entre Camboja e Tailândia, após confrontos fronteiriços ocorridos no verão.

 

O Seleccionador nacional de futebol, Chiquinho Conde, é a partir desta terça-feira Doutor Honoris Causa em Ciências de Desporto. A cerimónia de outorga ao título foi feita pela Universidade Púnguè, em Manica, e contou com a presença do Ministro da Juventude e Desportos, Caifadine Manasse, que avançou que a distinção é merecida, uma vez que Chiquinho Conde desde a adolescência trabalhou para elevar o desporto moçambicano.

De 60 anos de idade, Francisco Queirol Conde Júnior, mais conhecido por Chiquinho Conde iniciou a carreira de futebol em 1986, aos 21 anos pelo Clube de Desportos da Maxaquene, onde foi campeão por três anos consecutivos: 1986, 1987 e 1988.

Foi em 1986 que estreia-se como jogador da selecção nacional, tendo inclusive disputado o primeiro Campeonato Africano das Nações, CAN, que Moçambique disputou, no Egipto.

Depois rumou a Portugal onde jogou em clubes principais como Belenenses, Sporting de Braga, Vitória de Setúbal e Sporting Clube de Portugal, mas foi nos minhotos onde mais se evidenciou, embora nos “leões” também tenha tido alguma história para contar.

Voltando ao país, Conde foi treinador em vários clubes da primeira divisão, com destaque Maxaquene, Costa do Sol, União Desportiva de Songo, Desportivo de Maputo, entre outros, com os quais conquistou três campeonatos, duas Taças de Moçambique e outras duas Supertaças nacionais.

Antes de assumir o comando da selecção nacional de futebol, Chiquinho Conde regressou a Portugal onde treinou a equipa sub-23 do Vitória de Setúbal, sem clube de coração, por duas temporadas.

Já como seleccionador dos Mambas, ainda neste mês de Outubro, Chiquinho Conde tentou concretizar o sonho colectivo dos moçambicanos de chegar ao Mundial de Futebol. Só a derrota diante da Guiné-Conacry, em casa, por 1-2, matou o sonho.

A olhar para os seus feitos, a Universidade Púnguè decidiu, esta terça-feira, atribuir ao seleccionador nacional de futebol o título de Doutor Honoris Causa, em reconhecimento ao seu contributo para o desporto moçambicano como jogador e treinador.

“Ao conceder este título, a Universidade não apenas presta homenagem a um campeão, mas também afirma a sua missão de reconhecer saberes que ultrapassam os mundos físicos da academia”, disse Emília Nhalevilo, Reitora da Unipúnguè.

O título foi concedido devido ao seu percurso no desporto, tanto enquanto jogador quanto como treinador de futebol em Moçambique e no estrangeiro.

Mergulhado num banho de lágrimas, Chiquinho Conde não conseguiu conter tamanha alegria e disse ser um reconhecimento da sua carreira, tanto como jogador, como treinador.

“Foram décadas dedicadas a formar jovens, inspirar atletas, orientar profissionais e defender o mérito e a ética. A ética, a obediência ao que não é obrigatório. Vai além do cumprimento das leis, pois envolve agir de forma boa, justa e respeito pelo interesse do colectivo”, disse Chiquinho Conde.

Para o governo, a distinção é merecida para quem dedicou a sua carreira em prol do desporto.

“Nós exaltamos os feitos de Chiquinho Conde, um moçambicano altamente patriota, que deu de si no desporto desde a sua nascença, nos primeiros anos, até hoje, a elevar a carreira do desporto moçambicano. Chiquinho Conde levou os Mambas até patamares de sonharmos ir ao Mundial. Significa que fez uma carreira altamente brilhante e aqui temos que reconhecer a UniPúnguè por ter dado este privilégio de reconhecimento a este nosso grande homem, Chiquinho Conde”, disse Caifadine Manasse, Ministro da Juventude e Desporto.

O evento contou com a presença de académicos, governantes, estudantes, corpo docente da UniPúnguè entre outros extractos.

O grau de Doutor Honoris Causa é um título académico honorífico concedido a personalidades que se destacam em áreas como cultura, ciência, artes e humanidade, sem a exigência de um trajecto académico formal.

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