Transformar o Conselho Constitucional em Tribunal Constitucional, criar um Tribunal de Contas, garantir autonomia financeira ao poder judicial e reforçar a justiça eleitoral, bem como o combate à corrupção, são algumas das principais propostas constantes no Pacto pela Justiça e Estado de Direito Democrático.
O documento foi apresentado durante o Congresso da Justiça, realizado recentemente na cidade de Maputo, tendo o seu texto final sido tornado público esta sexta-feira pela Procuradoria-Geral da República.
Para responder aos desafios enfrentados pelo sector, o Segundo Fórum da Justiça, realizado há uma semana na capital do País, recomendou um conjunto de reformas estruturais consideradas essenciais para o fortalecimento do sistema judicial.
Entre as principais propostas destacam-se a transformação do Conselho Constitucional em Tribunal Constitucional, a conversão do Tribunal Administrativo em Supremo Tribunal Administrativo e a criação de um Tribunal de Contas.
Para além destas alterações institucionais, o documento de 18 páginas defende igualmente o reforço da independência dos tribunais, com enfoque na autonomia administrativa e financeira do poder judicial.
O pacto propõe ainda a constitucionalização da fixação de uma percentagem do Orçamento do Estado destinada ao sector da Justiça, de forma a garantir uma autonomia financeira efectiva e progressiva.
No capítulo eleitoral, o documento sublinha que a credibilidade dos resultados constitui uma condição essencial para a paz e estabilidade no País, alertando que Moçambique não deve continuar a enfrentar crises pós-eleitorais evitáveis através da implementação de reformas estruturais.
“O País não pode continuar a assistir a crises pós-eleitorais evitáveis, quando existem reformas que estão ao alcance do Estado”, refere o documento.
O Pacto pela Justiça dedica igualmente atenção ao combate à corrupção no sistema judicial, classificando o fenómeno como uma das mais graves ameaças ao Estado de Direito.
“A corrupção no sistema de justiça é a mais grave das traições ao Estado de Direito, porque subverte o único árbitro que os cidadãos têm para defender os seus direitos”, lê-se no documento.
Para enfrentar este problema, são propostas medidas como a criação de canais confidenciais de denúncia, o reforço da fiscalização das declarações patrimoniais dos magistrados e uma maior cooperação entre as instituições de justiça e a sociedade civil.
O Presidente da República reiterou esta quinta-feira, em Maputo, o compromisso do Governo com o fortalecimento das pequenas e médias empresas (PMEs), defendendo um maior envolvimento do sector privado no desenvolvimento económico e na melhoria do ambiente de negócios no país.
O posicionamento foi assumido durante uma audiência concedida à Associação de Pequenas e Médias Empresas (APME), num encontro dedicado à discussão dos principais desafios enfrentados pelas empresas nacionais, sobretudo as micro, pequenas e médias empresas.
Falando à imprensa no final da audiência, o presidente da APME, Pedro Silva, afirmou que a organização procurou auscultar as orientações do Chefe do Estado sobre mecanismos de apoio ao empresariado nacional.
“Hoje tivemos a honra de ser recebidos por Sua Excelência Presidente da República, Daniel Chapo. Viemos receber os seus aconselhamentos para que possamos melhor defender os interesses de Moçambique e principalmente das nossas PMEs”, declarou.
Segundo Pedro Silva, o Presidente da República demonstrou envolvimento directo na criação de condições favoráveis para o crescimento das pequenas e médias empresas, consideradas essenciais para a geração de emprego e dinamização da economia nacional.
“As PMEs são um motor de desenvolvimento da economia e Sua Excelência deixou bem frisado que está envolvido em apoiar o crescimento das PMEs”, afirmou.
Durante o encontro, Daniel Chapo terá lançado desafios à associação ligados ao fortalecimento do tecido empresarial, promoção do empreendedorismo e melhoria do ambiente de negócios.
Pedro Silva assegurou que a associação acolheu as recomendações com sentido de responsabilidade e compromisso institucional.
“Abraçamos esses desafios e prometemos, com todo o comprometimento, apoiar no desenvolvimento e na melhoria do ambiente de negócios para as PMEs”, sublinhou.
As pequenas e médias empresas representam uma parcela significativa do sector empresarial moçambicano e desempenham um papel importante na criação de postos de trabalho, inclusão económica e expansão da produção nacional.
Entretanto, o sector continua confrontado com desafios ligados ao acesso ao financiamento, carga fiscal, burocracia administrativa, limitações de infra-estruturas e dificuldades de acesso aos mercados.
O presidente da APME garantiu que a associação continuará empenhada na defesa dos interesses das empresas nacionais, visando contribuir para o crescimento económico sustentável do país.
O encontro decorreu numa altura em que o Executivo procura reforçar o diálogo com o sector privado, considerado estratégico para acelerar o investimento, aumentar a produção nacional e estimular a competitividade da economia moçambicana.
A Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi, desafiou esta quinta-feira os novos dirigentes nomeados pelo Conselho de Ministros a imprimirem maior eficiência, transparência e foco em resultados nas instituições públicas, numa altura em que o país enfrenta desafios económicos e sociais considerados complexos.
Falando durante a cerimónia de tomada de posse, a governante afirmou que os dirigentes assumem funções num contexto exigente, mas igualmente repleto de oportunidades para o desenvolvimento nacional.
“É fundamental a existência de instituições públicas fortes, eficientes e orientadas para resultados em benefício do cidadão”, declarou Maria Benvinda Levi, acrescentando que a nomeação dos novos quadros representa “o reconhecimento das vossas competências técnicas e percurso profissional”.
Foram empossados Jorge Vidigal Fole para o cargo de Director-Geral do Instituto de Amêndoas de Moçambique (IAM), Armindo Tomás Mutimba como Director-Geral do Instituto Nacional de Exames, Certificação e Equivalências (INECE), Ângela Anifa Aly para Directora-Geral Adjunta do INECE, Telma Odete Comé para Directora-Geral Adjunta da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX) e Maria Teresa Martins para Directora-Geral Adjunta do Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNOQ).
Durante o discurso, a chefe do Governo destacou o papel estratégico do recém-criado Instituto de Amêndoas de Moçambique, apontando o sector do caju e de outras amêndoas como áreas prioritárias para a diversificação da economia nacional.
Segundo a Primeira-Ministra, o Executivo pretende revitalizar a indústria nacional de processamento do caju, expandir a investigação agrícola e melhorar os mecanismos de recolha de dados através da Plataforma Connect Caju.
“A implementação destas acções permitirá resgatar a posição que já foi ocupada pelo nosso país”, afirmou.
Moçambique figura entre os produtores africanos de castanha de caju, cultura que emprega milhares de famílias nas zonas rurais e constitui uma importante fonte de rendimento e exportação. Nos últimos anos, o Governo tem vindo a defender a industrialização local como forma de aumentar o valor acrescentado do produto.
No sector da educação, Maria Benvinda Levi sublinhou a necessidade de reforçar a credibilidade dos exames nacionais e dos processos de certificação académica, defendendo maior transparência e redução da burocracia no funcionamento do INECE.
“Quando um certificado é emitido com transparência, um exame é organizado com confiabilidade e uma equivalência é decidida com clareza, fortalece-se a justiça social”, frisou.
Relativamente à APIEX, a governante reiterou que a instituição deve assumir-se como facilitadora do investimento privado, defendendo maior celeridade administrativa e acompanhamento efectivo dos projectos aprovados.
“O investidor deve encontrar na APIEX uma instituição que acolhe, orienta, facilita e acompanha, e não uma entidade que complica ou retarda os processos”, advertiu.
Dados do Banco de Moçambique indicam que o país continua a apostar na captação de investimento estrangeiro nos sectores da agro-indústria, energia, infra-estruturas e recursos minerais, considerados estratégicos para o crescimento económico.
Já no domínio da normalização e qualidade, a Primeira-Ministra defendeu o reforço dos mecanismos de certificação e fiscalização, numa altura em que o acesso aos mercados internacionais exige maior observância de padrões de qualidade.
“Sem qualidade, não há competitividade; sem competitividade, não há acesso a mercados”, afirmou.
Na ocasião, Maria Benvinda Levi apelou ainda à coordenação entre os dirigentes empossados, defendendo uma cultura institucional baseada na ética, inovação, responsabilização e prestação de contas.
A governante aproveitou igualmente a ocasião para reconhecer o trabalho desenvolvido pelos quadros cessantes nas instituições abrangidas pelas nomeações.
O Presidente da República nomeou Mukhtar Mamade Abdulcarimo para o cargo de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Moçambique junto do Reino da Arábia Saudita, através de Despacho Presidencial.
A nomeação foi anunciada esta quinta-feira e, segundo a Presidência da República, enquadra-se na dinâmica de gestão e renovação da representação diplomática moçambicana no exterior, com vista ao reforço da cooperação bilateral e da acção diplomática do país.
No mesmo Despacho Presidencial, o Chefe do Estado exonerou Faizal Faquir Cassam do cargo de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Moçambique junto do Reino da Arábia Saudita.
Novo trabalho de Juliana de Sousa transforma Jangamo num palco de celebração cultural e resgata um dos cantos populares mais simbólicos da tradição Bitonga
Há músicas que se escutam. E há músicas que se sentem. “Gigadagada” pertence à segunda categoria.
O novo videoclipe da cantora moçambicana Juliana de Sousa, com estreia marcada para o dia 29 de Maio, transforma o distrito de Jangamo num território de encontro entre culturas, memórias e identidades, numa produção profundamente ligada às raízes da cultura Bitonga.
Mas “Gigadagada” não é apenas música. É um manifesto artístico sobre pertença, ancestralidade e liberdade. É uma obra que mistura poesia, tradição oral, dança e emoção para contar uma história construída entre duas mulheres, dois continentes e duas formas de olhar o mundo.
De um lado está a alma Bitonga de Moçambique. Do outro, a sensibilidade italiana de Anna Di Lorenzo, voluntária europeia que mergulha numa experiência marcada pelo contacto íntimo com os costumes, os ritmos e os símbolos culturais do sul de Moçambique.
O resultado é um videoclipe que vai muito além da estética visual. “Gigadagada” procura transformar um canto popular tradicional num património emocional contemporâneo, recriando memórias colectivas através da linguagem artística da música.
O título da obra, entretanto, carrega um simbolismo tão profundo quanto provocador.
Segundo Juliana de Sousa, “Gigadagada” possui um duplo sentido dentro da tradição oral dos Bitongas. Literalmente, refere-se à chapa onde se torra farinha. Mas o significado metafórico varia de região para região dentro da cultura Bitonga.
Em alguns contextos, explica a artista, “Gigadagada” representa o corpo feminino, particularmente associado à sexualidade da mulher. Noutras interpretações, o termo remete à figura de uma mulher que já não consegue regressar ao lar depois de determinadas experiências da vida.
A cantora sublinha que os cantos tradicionais dos Bitongas possuem forte carga erótica, simbólica e metafórica, sendo frequentemente interpretados de formas diferentes dependendo do contexto social e cerimonial em que são cantados.
“É um canto popular dos Bitongas. Cada contexto tem uma interpretação própria”, explica Juliana.
Longe de reduzir o tema à provocação, a artista usa exactamente essa riqueza interpretativa como matéria-prima criativa para construir uma obra que dialoga com identidade, feminilidade, memória e tradição.
A origem do projecto nasce também de um encontro improvável.
Segundo Juliana de Sousa, Anna Di Lorenzo aproximou-se inicialmente com o desejo de aprender a cantar “como africana” e ter aulas de música. A cantora admite que nunca se considerou professora musical, mas diz que entre as duas surgiu uma ligação imediata, quase como se já se conhecessem há muito tempo.
Foi a partir dessa conexão que nasceu a construção artística de “Gigadagada”.
Juliana conta que já trabalhava num poema dedicado à mãe quando decidiu incorporar o canto popular Bitonga e recriá-lo dentro da composição musical. Anna Di Lorenzo, por sua vez, também acabou por inserir na música uma dimensão pessoal e íntima.
Na sua estrofe, a italiana fala da relação com a própria mãe e do conflito emocional provocado pela sua paixão por viajar pelo mundo, conhecer culturas e explorar novos lugares, mesmo sabendo que isso frequentemente significa distância e saudade.
A música transforma-se assim numa ponte emocional entre duas mulheres de universos diferentes, mas ligadas por sentimentos universais como pertença, liberdade, memória e afecto materno.
Mais do que um simples exercício artístico, “Gigadagada” apresenta-se como um esforço consciente de preservação cultural.
Juliana de Sousa explica que decidiu recriar este canto popular como forma de “imortalizar traços identitários” da cultura Bitonga através da música. O objectivo, segundo a artista, é garantir que elementos culturais profundamente presentes no quotidiano das comunidades não desapareçam com o tempo.
O coro usado na música faz parte dos cantos tradicionais entoados em contextos de celebração, festas comunitárias, cerimónias e momentos pós-colheita, ambientes onde música, dança e oralidade sempre desempenharam papel central na preservação da memória colectiva.
É precisamente essa dimensão ancestral que o videoclipe tenta capturar.
Gravado em Jangamo, o trabalho mergulha em cenários naturais, expressões culturais e práticas tradicionais da região, transformando o território num personagem silencioso da narrativa visual.
A produção aposta numa estética emocional, intimista e identitária, onde cada imagem procura dialogar com os elementos centrais da cultura Bitonga. O mar, a dança, os tecidos, os gestos, os cânticos e os olhares não aparecem apenas como decoração visual, mas como fragmentos vivos de uma herança cultural que continua presente no quotidiano das comunidades.
Ao juntar uma artista moçambicana e uma voluntária italiana num mesmo universo simbólico, “Gigadagada” também desafia fronteiras culturais e propõe uma reflexão sobre a forma como povos diferentes podem encontrar-se através da arte sem apagar as respectivas identidades.
Num tempo em que grande parte da produção musical global tende à homogeneização cultural, Juliana de Sousa escolhe o caminho contrário: aprofundar as raízes locais para dialogar com o mundo.
E talvez seja exactamente aí que reside a força de “Gigadagada”.
O videoclip não tenta internacionalizar a cultura Bitonga tornando-a menos Bitonga. Pelo contrário. Assume os seus códigos culturais, os seus símbolos, os seus silêncios e as suas ambiguidades como parte da sua autenticidade artística.
Ao fazê-lo, transforma um canto tradicional numa experiência contemporânea capaz de atravessar geografias e tocar públicos muito diferentes.
A estreia oficial acontece no dia 29 de Maio em todas as plataformas digitais. Mas antes mesmo do lançamento, “Gigadagada” já começa a afirmar-se como muito mais do que um videoclip musical.
É um encontro entre passado e presente. Entre tradição e reinvenção. Entre Moçambique e Itália. Entre mães e filhas. Entre memória e liberdade.
E talvez seja precisamente por isso que “Gigadagada” não se limita a ser ouvido.
“Gigadagada” sente-se.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, formalizou um aumento da cota anual de refugiados admitidos no país, elevando o limite de 7.500 para 17.500 vagas. A decisão inclui a reserva de até 10.000 vagas para africânderes da África do Sul.
A decisão surge num contexto de forte endurecimento da política migratória norte-americana e de crescente tensão diplomática entre Washington e Pretória.
Desde 2025, o governo norte-americano já havia reduzido significativamente o limite de admissão de refugiados para 7.500, em contraste com os 125.000 registados no ano anterior, passando a priorizar a entrada de candidatos brancos sul-africanos.
A comunidade tem uma reserva de 10 mil vagas para entrar no território norte-americano, numa altura em que o país abre espaço para receber 17.500 refugiados.
Segundo os Estados Unidos da América, trata-se de uma “situação de emergência”, alimentada por uma suposta “incitação à violência com motivação racial” por parte de políticos sul-africanos.
A situação agrava as tensões entre os Estados Unidos e a África do Sul que se estendem ao plano económico e diplomático, com a imposição de tarifas de 30% sobre produtos sul-africanos e o boicote da administração norte-americana à cúpula do G20 realizada em Joanesburgo.
O Uganda fechou a sua fronteira com a República Democrática do Congo (RDC), na quarta-feira, numa tentativa de conter o surto de Ébola, que atingiu o país vizinho.
O país da África Oriental registou sete casos da cepa Bundibugyo do vírus Ébola desde que o surto foi identificado na República Democrática do Congo em 15 de Maio.
“Uganda está a fechar temporariamente a fronteira com a República Democrática do Congo com efeito imediato”, disse a secretária permanente do Ministério da Saúde, Diana Atwine, a repórteres.
“As únicas excepções são para equipas autorizadas de resposta ao Ébola, operações humanitárias, transporte de alimentos e cargas e segurança, sob rigorosos protocolos de triagem e monitoramento de saúde”, disse ela.
O Ministério da Saúde do Uganda também anunciou uma quarentena de 21 dias para qualquer pessoa que chegue da República Democrática do Congo, sob a supervisão do Ministério da Saúde e das equipas de vigilância distrital, além de verificações regulares para alunos em escolas próximas à fronteira.
Na República Democrática do Congo, foram registradas mais de 220 mortes suspeitas e 900 casos suspeitos, segundo dados oficiais, situação que a Organização Mundial da Saúde declarou como emergência internacional.
Ao completar 21 anos de existência, o jornal O País celebra mais do que uma marca temporal. Celebra uma história construída com coragem e compromisso inabalável com a verdade. São duas décadas e um ano de caminhada firme, num percurso feito de desafios, conquistas, reinvenções e, acima de tudo, de uma profunda responsabilidade perante os moçambicanos.
Num contexto em que o jornalismo enfrenta pressões económicas, transformações tecnológicas aceleradas e desafios constantes à credibilidade da informação, chegar aos 21 anos representa maturidade. Representa a capacidade de resistir, adaptar-se e continuar relevante. O País chega a esta data consciente do seu papel, orgulhoso do caminho percorrido e determinado a continuar a servir a sociedade com rigor, independência e qualidade editorial.
Ao longo destes anos, estivemos presentes nos grandes debates nacionais, acompanhámos os momentos mais marcantes da vida do país, demos voz às preocupações dos cidadãos e procurámos sempre informar com responsabilidade e equilíbrio. Fizemo-lo convictos de que a informação é uma ferramenta poderosa para o exercício da cidadania, para a consolidação da democracia e para o fortalecimento da consciência colectiva.
Este percurso nunca foi fácil. Houve momentos de incerteza, dificuldades próprias da evolução do sector da comunicação social e desafios que exigiram coragem para continuar. Mas foi precisamente nas adversidades que encontrámos razões para persistir. Cada obstáculo reforçou a nossa convicção de que um jornal comprometido com a verdade continua a ser indispensável para uma sociedade participativa.
Celebrar 21 anos é também olhar para o futuro. O mundo mudou, os hábitos de consumo de informação transformaram-se e os leitores tornaram-se mais exigentes, mais conectados e mais imediatos. O País acompanhou essas mudanças e prepara-se para dar novos passos que irão melhorar significativamente a experiência do leitor no consumo dos nossos conteúdos.
Em breve, os nossos leitores testemunharão mudanças importantes, alinhadas com as tendências tecnológicas e as novas dinâmicas da comunicação contemporânea. Estamos a investir na inovação e modernização das plataformas, com o objectivo de garantir uma experiência mais interactiva, acessível e próxima das preferências do público. Queremos continuar a ser um jornal, atento às transformações do mundo e às expectativas dos nossos leitores.
Porém, nenhuma história se constrói sozinho. Este aniversário é também um momento de gratidão. Agradecemos aos nossos leitores, que ao longo destes 21 anos confiaram no nosso trabalho e fizeram d’O País uma referência no panorama mediático nacional. Agradecemos aos parceiros, anunciantes e instituições que acreditaram na força do jornalismo sério e contribuíram para a sustentabilidade deste projecto. E reconhecemos, com profundo respeito, todos os profissionais que fizeram e fazem parte desta história e que, com dedicação e profissionalismo, ajudam diariamente a manter vivo este compromisso com a informação.
Os 21 anos d’O País não representam um ponto de chegada. Representam renovação e reafirmação de um propósito: continuar a informar com verdade, independência, responsabilidade e qualidade.
Seguiremos firmes, conscientes da nossa missão e inspirados pela confiança de quem nos lê. Porque acreditamos que sociedades mais informadas são sociedades mais fortes, mais livres e mais preparadas para construir o futuro.
Hoje celebramos 21 anos. Celebramos com orgulho e confiança no futuro.
O Chefe do Estado, Daniel Chapo, recebeu, nesta quarta-feira, em Maputo, o embaixador da Alemanha em Moçambique, Ronald Münch, para um encontro de despedida que marcou o fim da missão diplomática do representante alemão no País.
De acordo com uma nota da Presidência da República, a audiência serviu igualmente para fazer o balanço dos 50 anos de relações diplomáticas entre Moçambique e a Alemanha, uma cooperação considerada estratégica desde os primeiros anos da independência nacional.
Em declarações à imprensa, Ronald Münch classificou a parceria entre os dois países como “muito forte, muito fiável e de longa prazo”.
O diplomata destacou o apoio alemão em vários sectores de desenvolvimento, com destaque para energia, infra-estruturas, educação e formação profissional.
“Projectos de grande relevância para a nossa parceria, no sector da energia, no sector de infra-estrutura, no sector de educação, formação profissional”, afirmou, segundo escreve a Presidência da República.
Segundo Münch, o futuro da cooperação deverá concentrar-se no fortalecimento e diversificação do sector privado moçambicano, através do envolvimento de mais empresas nas iniciativas bilaterais.
Neste contexto, destacou o Programa de Financiamento Inovativo para o Agronegócio, FINOVA, destinado ao apoio de pequenas empresas agrícolas, bem como o compromisso da Alemanha com a FACIM e outras iniciativas económicas.
O embaixador referiu ainda a importância do Global Gateway Business Forum, promovido em parceria com Moçambique e a União Europeia.
Durante o encontro, as partes abordaram igualmente questões ligadas ao diálogo nacional inclusivo e às reformas destinadas à melhoria do ambiente de negócios no país.
“A Alemanha está sempre ao lado de Moçambique para facilitar este processo soberano”, afirmou o diplomata, referindo-se ao diálogo político em curso.
Ronald Münch descreveu a audiência com o Chefe do Estado moçambicano como um encontro marcado pela abertura, cordialidade e transparência. “Foi um diálogo entre parceiros”.
No final, o diplomata destacou a importância das relações entre os povos, defendendo que a cooperação entre Moçambique e Alemanha deve ir além da esfera governamental e envolver também a sociedade civil.
O Ministério da Saúde (MISAU) garantiu, esta terça-feira, que continua a acompanhar com atenção a evolução do surto de Ébola que afecta actualmente a República Democrática do Congo (RDC) e a República do Uganda, sublinhando que Moçambique permanece sem registo de casos da doença.
Segundo o comunicado do MISAU, o surto foi inicialmente declarado na RDC a 15 de Maio de 2026, tendo posteriormente sido identificados casos no Uganda. Dois dias depois, a 17 de Maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a situação como Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional.
Os dados mais recentes apontam para cerca de 906 casos e 223 óbitos. Destes, 899 casos e 222 mortes foram registados na RDC, enquanto o Uganda contabiliza sete casos e um óbito.
Apesar de Moçambique ser considerado um país de baixo risco, as autoridades sanitárias afirmam que estão a intensificar as medidas de prevenção e prontidão, em coordenação com parceiros regionais e internacionais.
O MISAU destaca que o Instituto Nacional de Saúde dispõe de capacidade laboratorial para a testagem e isolamento do vírus, reforçando assim a capacidade de resposta nacional perante uma eventual ameaça.
Entre as principais medidas em curso figuram o reforço da vigilância nas unidades sanitárias, comunidades e pontos de entrada no País, bem como o treino de equipas provinciais para a recolha, processamento e transporte seguro de amostras.
As autoridades sanitárias anunciaram igualmente a realização de exercícios de simulação nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Tete, consideradas estratégicas devido à sua proximidade com corredores regionais de mobilidade.
Paralelamente, profissionais de saúde estão a beneficiar de actualizações técnicas sobre o maneio da doença, numa acção destinada a garantir maior prontidão em caso de necessidade.
No comunicado, o Ministério da Saúde apela ainda à população para que procure informação apenas através dos canais oficiais, evitando a propagação de rumores e desinformação.
As autoridades recomendam igualmente o reforço das medidas de prevenção, incluindo a lavagem frequente das mãos, evitar contacto com pessoas doentes ou fluidos corporais e procurar imediatamente assistência médica em caso de febre, vómitos, diarreia ou hemorragias, sobretudo após viagens para zonas afectadas pelo surto.

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