A ONU alertou, nesta segunda-feira, que as reservas alimentares para o Sudão se esgotam em Outubro e a ajuda económica será suspensa em Setembro, caso não receba financiamento imediato, o que deixará 1,5 milhões de pessoas sem apoios.
Segundo o último relatório do Programa Alimentar Mundial (PMA), a organização necessita urgentemente de 288 milhões de dólares para manter os seus níveis mínimos de assistência durante os próximos seis meses, sem ser obrigada a reduzir as rações nem a excluir beneficiários.
No entanto, para operar na escala necessária e cumprir o plano anual completo no país africano, o orçamento necessário ascende a 624 milhões de dólares, indicou a agência da Organização das Nações Unidas (ONU).
Apesar do défice financeiro e dos crescentes obstáculos no terreno, o PAM conseguiu prestar assistência, em Julho, a 3,7 milhões de pessoas em todo o país, atingindo, assim, o seu nível de cobertura mensal mais elevado desde o início do ano.
Deste número, um milhão de beneficiários recebeu alimentos em zonas classificadas como estando em risco iminente de fome, enquanto 1,3 milhões de pessoas beneficiaram de ajudas económicas directas para adquirir alimentos em mercados locais que ainda se mantêm em funcionamento.
As operações humanitárias continuam gravemente prejudicadas pelo recrudescimento do conflito armado – que inclui ataques com drones e confrontos entre comunidades em Darfur (região fronteiriça a oeste) e no Cordofão (centro-sul) –, bem como pelos graves obstáculos burocráticos e pelo impacto da estação das chuvas torrenciais.
No estado do Cordofão do Norte, os combates em torno de Al-Obeid – cidade estratégica que liga Cartum e o centro do país a Darfur – continuam a provocar deslocações em massa da população, enquanto nas regiões de Kassala, Gedaref, Nilo Branco e Nilo Azul, as graves inundações danificaram infra-estruturas essenciais e bloquearam a passagem de comboios.
A estes obstáculos junta-se o bloqueio de dezenas de camiões com milhares de toneladas de alimentos retidos nas estradas do interior.
Apesar disso, a agência conseguiu reativar vários postos fronteiriços essenciais, alargar a assistência médica e nutricional a mulheres e crianças e retomar a distribuição de alimentos nas escolas após a sua reabertura.
A guerra no Sudão entre o Exército e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) causou dezenas de milhares de mortos desde o seu início, em 15 de Abril de 2023, e forçou o êxodo de cerca de 14 milhões de pessoas na pior crise de deslocamento e fome do mundo, segundo a ONU.
Há testes rápidos de diagnóstico de malária e HIV ou sífilis, vitaminas e xaropes para mulheres grávidas, espalhados nas farmácias privadas, unidades sanitárias e hospitais do País sem qualidade para o uso e consumo humano. Por isso, a Autoridade Nacional Reguladora de Medicamento suspendeu a comercialização destes produtos e orientou a sua retirada do País.
A Autoridade Nacional Reguladora de Medicamento suspendeu e mandou retirar das prateleiras das farmácias privadas, unidades sanitárias e hospitais, em todo o território nacional, cinco marcas de testes rápidos de diagnóstico usados para triagem de malária e HIV ou sífilis, fabricados na Índia, pela fabricante Meril Diagnostics Pvt. Ltd.
O alerta foi emitido a 8 de Julho passado e a ANARME explica que os dispositivos chegavam a diagnosticar erradamente.
“Os testes devem ser capazes de determinar resultados que sejam confiáveis para aquela condição clínica que se pretende diagnosticar. E, se se deparar que, durante o uso, o desempenho não é adequado, está abaixo do limite especificado, também determina o seu recolhimento. E esta recolha dos testes não foi motivada apenas pela questão do baixo desempenho, mas também por se ter verificado que o fabricante não cumpre com o sistema de gestão de qualidade adequado, apropriado para esse tipo de produtos”, explicou Caciano João, porta-voz da instituição.
Caciano disse ainda que a medida resultou do processo de fiscalização dos produtos na esfera pública.
“A medida foi tomada após a constatação de não conformidades detectadas pelo laboratório do Instituto Nacional de Saúde nos testes de malária, bem como pela observação de que o Sistema de Gestão da Qualidade do fabricante Meril Diagnostics Pvt. Ltd apresenta não conformidades críticas, detectadas durante as actividades de inspecção em boas práticas realizadas pela Organização Mundial da Saúde, que podem representar risco para a segurança dos pacientes.”
Igualmente são de consumo proibido produtos como vitaminas, spray nasal, gotas de ouvido e xaropes, cujas características de produção põem em risco a saúde do consumidor.
“De acordo com as acções de fiscalização, a ANARME verificou que alguns medicamentos apresentavam características diferentes das condições aprovadas, especificamente, indicavam na sua rotulagem fabricantes que não foram aprovados para aquele produto. Portanto, se a ANARME aprovou e avaliou o medicamento de um determinado fabricante, significa que conhece as condições em que aquele produto foi produzido, assegura que as boas práticas foram seguidas, daí que há garantia de qualidade. A partir do momento em que a entidade que colocou esses produtos altera os fabricantes, passa a não haver garantias por parte da autoridade.”
Embora sem apresentar dados, a ANARME diz que já está em curso a recolha dos produtos sob alerta, bem como a investigação dos contornos da violação.
“Os produtos foram autorizados com determinadas especificações, mas no curso da fiscalização é que identificamos essas não conformidades. Então, como eu dizia, ainda estão a decorrer algumas diligências para se apurar de que forma esses produtos foram introduzidos no Sistema Nacional de Saúde”, disse.
A ANARME garante estar em contacto com toda a rede de distribuição, para garantir a retirada dos fármacos e a devida devolução aos respectivos fornecedores.
O sector da Saúde na província de Tete reforçou as medidas de vigilância epidemiológica e de resposta para prevenir a eventual entrada do vírus do Ébola no país, numa altura em que alguns países da região africana registam novos casos da doença.
Embora Moçambique continue sem registar qualquer caso de Ébola, as autoridades sanitárias classificam Tete como uma das províncias de maior risco, devido à sua localização estratégica e ao intenso movimento transfronteiriço de pessoas e mercadorias, através dos corredores que ligam o país aos Estados vizinhos.
No âmbito do reforço da capacidade de resposta, o Ministério da Saúde promoveu, na terça-feira, um exercício de simulação na fronteira de Cuchamano, no distrito de Changara, que faz ligação com o Zimbabwe. O exercício teve como objectivo avaliar o nível de prontidão das equipas responsáveis pela vigilância e resposta a emergências de saúde pública.
Durante a simulação foram testados os procedimentos de detecção, isolamento e encaminhamento de um caso suspeito de Ébola, bem como os mecanismos de coordenação entre os profissionais de saúde, os serviços de migração e outras instituições que intervêm na gestão de emergências sanitárias.
Segundo o representante do Ministério da Saúde, Fino Massalambane, este tipo de exercícios permite identificar eventuais fragilidades no sistema e fortalecer a capacidade operacional das equipas destacadas nos pontos de entrada do país.
Por sua vez, o médico-chefe provincial de Tete, Helder Dombole, assegurou que a província dispõe de equipas preparadas para responder a uma eventual ocorrência da doença, salientando que a aposta continua centrada na vigilância activa, na rápida identificação de casos suspeitos e na sensibilização das comunidades.
Além de Tete, as províncias de Cabo Delgado e Niassa também se encontram em estado de alerta, devido ao elevado risco de introdução do vírus, por manterem fronteiras ou ligações com países onde foram confirmados casos de Ébola.
Moçambique e a China pretendem reforçar a cooperação económica e empresarial nas áreas da agricultura, tecnologia e turismo. A intenção foi reafirmada, esta terça-feira, em Maputo, durante um encontro entre empresários moçambicanos e uma delegação empresarial da China Continental e da Região Administrativa Especial de Macau.
A sede da Câmara de Comércio de Moçambique acolheu, esta terça-feira, um encontro entre empresários nacionais e uma delegação empresarial da China Continental e de Macau. Durante cerca de uma hora, o encontro permitiu identificar áreas estratégicas de cooperação, com destaque para a agricultura, a tecnologia, o turismo e outros sectores com elevado potencial de crescimento.
O presidente da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), Lucas Chachine, reafirmou o compromisso da instituição com o fortalecimento das pequenas e médias empresas, por considerar que estas constituem o principal motor do desenvolvimento da economia nacional. Segundo o dirigente, esta visão está alinhada com as prioridades definidas pelo Presidente da República, Daniel Chapo, nomeadamente o aumento da produção nacional, a industrialização e a criação de emprego.
“Assumimos o compromisso de trabalhar para fortalecer as pequenas e médias empresas, por acreditarmos que elas constituem o verdadeiro motor do desenvolvimento da economia, alinhados com a visão de Sua Excelência o Presidente da República, Daniel Chapo, de promover o aumento da produção nacional, a industrialização e a criação de emprego em prol do desenvolvimento da economia moçambicana. A Câmara de Comércio definiu este como um dos focos para os quatro anos de mandato que agora iniciamos”, afirmou Lucas Chachine, presidente da CCM.
A iniciativa enquadra-se nos esforços de aproximação entre os sectores privados de Moçambique e da China, com o objectivo de promover o investimento, dinamizar as trocas comerciais e criar mais oportunidades de emprego e desenvolvimento económico.
Na ocasião, Lucas Chachine propôs a criação de um fórum das Câmaras de Comércio dos países da SPALOC, com o apoio da Câmara de Comércio de Macau, como forma de reforçar a cooperação, facilitar a troca de experiências e potenciar as capacidades de cada país para responder aos desafios comuns do desenvolvimento.
“Queremos propor a criação de um fórum das Câmaras de Comércio da SPALOC, também com o apoio da Câmara de Macau, que mantém a ligação à língua portuguesa, para podermos criar um espaço de troca de experiências e aproveitar as capacidades que cada país possui, de modo a resolver, num curto espaço de tempo, os problemas que caracterizam os nossos países como menos desenvolvidos”, propôs Chachine.
Por sua vez, o líder da delegação empresarial da China Continental e de Macau reiterou a disponibilidade dos empresários chineses para estabelecer novas parcerias com empresas moçambicanas.
“A CCM, enquanto nosso parceiro na expansão de mercado, tem também contribuído activamente para o fortalecimento da cooperação económica e comercial entre a China Continental, Macau e Moçambique”, afirmou Sam Lei, líder da delegação empresarial.
O encontro terminou com a entrega de uma carta de reforço da parceria entre os empresários moçambicanos e as delegações empresariais da China Continental e de Macau. O documento formaliza o compromisso de aprofundar a cooperação empresarial e impulsionar novas iniciativas de investimento e comércio entre os dois mercados.
A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos Lucas, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Emigração e Expatriados Egípcios, Badr Abdelatty, manifestaram o compromisso de reforçar a cooperação económica entre Moçambique e o Egipto, durante as primeiras Consultas Políticas bilaterais realizadas no Cairo, capital egípcia.
No final do encontro, realizado na segunda-feira, 20 de Julho, os dois governantes falaram em conferência de imprensa conjunta, ocasião em que Maria Manuela Lucas afirmou que as delegações procederam à avaliação do estado da cooperação bilateral em diversos domínios e definiram estratégias para elevar a parceria económica ao nível das relações políticas já existentes entre os dois países.
Segundo a chefe da diplomacia moçambicana, a visita que o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, deverá efectuar à República Árabe do Egipto, bem como a realização da terceira sessão da Comissão Mista Bilateral, constituirão momentos importantes para o aprofundamento da cooperação em sectores considerados estratégicos, nomeadamente agricultura, comércio, saúde, educação, transporte marítimo, logística e formação técnico-profissional.
Maria Manuela Lucas destacou igualmente o apoio prestado pelo Governo egípcio aos esforços desenvolvidos por Moçambique no combate ao terrorismo. Neste âmbito, os dois países acordaram reforçar a capacitação técnica das Forças de Defesa e Segurança, com vista a fortalecer a resposta a um fenómeno que classificaram como uma ameaça de dimensão internacional.
A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação esteve acompanhada, durante a visita ao Egipto, pelo Embaixador de Moçambique naquele país, Sérgio Nathú Cabá, e pelo Director para África e Médio Oriente no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Hermenegildo Caetano.
A Presidente da Assembleia da República, Margarida Adamugi Talapa, iniciou esta terça-feira uma visita oficial de trabalho à República de Angola, onde vai dirigir a 15.ª Sessão Intercalar da Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (AP-CPLP). O encontro reúne representantes dos parlamentos dos nove Estados-membros para debater matérias ligadas à governação democrática, segurança e reforço das instituições.
A sessão decorre entre os dias 21 e 25 de Julho, subordinada ao lema “Governação Democrática, Segurança e Integridade: Fortalecendo a Resiliência Institucional na CPLP”, numa altura em que Moçambique assegura a presidência da AP-CPLP, cargo que exerce desde Julho de 2025. O país desempenha igualmente as funções de Secretariado Permanente da organização, reforçando o seu papel na promoção da cooperação parlamentar entre os Estados da comunidade lusófona.
Segundo um comunicado da Assembleia da República, antes da realização da sessão intercalar terá lugar a Conferência dos Presidentes dos Parlamentos Nacionais, acompanhada por reuniões das comissões permanentes responsáveis pelas áreas de Política, Estratégia, Legislação de Circulação, Economia, Ambiente e Cooperação, bem como da Comissão de Língua, Educação e Cultura.
O programa contempla ainda encontros da Rede de Mulheres Parlamentares da CPLP e da Rede de Jovens Parlamentares da CPLP, consideradas plataformas importantes para incentivar uma participação mais inclusiva no processo legislativo.
À margem dos trabalhos, Margarida Talapa deverá reunir-se com o Presidente da Assembleia Nacional de Angola, Adão de Almeida, para analisar o estado da cooperação entre os dois órgãos legislativos e identificar novas oportunidades de parceria institucional, legislativa e de intercâmbio.
A delegação moçambicana é composta por deputados que integram o Grupo Nacional junto da AP-CPLP, pelo Secretário-Geral da Assembleia da República, pelo Secretário Permanente da AP-CPLP e por técnicos do Secretariado-Geral. A participação de Moçambique nesta reunião visa consolidar a sua liderança na diplomacia parlamentar e fortalecer os mecanismos de concertação política entre os países da comunidade.
Espera-se que os debates resultem em recomendações destinadas a reforçar a governação democrática, a integridade das instituições e a cooperação parlamentar, numa conjuntura em que os Estados da CPLP enfrentam desafios comuns relacionados com a estabilidade política, a segurança e o desenvolvimento sustentável.
A reunião de Luanda constitui, assim, uma oportunidade para aprofundar a articulação entre os parlamentos da CPLP e promover respostas conjuntas para matérias de interesse estratégico da comunidade.
O Governador da Província defendeu o aproveitamento da terra ociosa como uma das principais estratégias para responder à crescente procura de parcelas para habitação, agricultura e investimento, considerando que a existência de extensas áreas ocupadas, mas sem qualquer exploração, representa uma oportunidade para acelerar o desenvolvimento económico e social.
Durante a sua intervenção, o governante afirmou que o aumento da procura de terra contrasta com a existência de vastas áreas improdutivas, situação que, segundo disse, deve ser encarada como uma oportunidade para a criação de novos assentamentos humanos devidamente planificados, para o desenvolvimento de uma agricultura moderna e para a atracção de investimentos de grande escala.
Acrescentou que o aproveitamento dessas áreas permitirá aumentar a produção e a produtividade, criar postos de trabalho, sobretudo para os jovens, e gerar rendimentos para as famílias, contribuindo para o crescimento sustentável da província.
O Governador sublinhou que a concretização destes objectivos depende de uma actuação organizada da administração pública, baseada numa planificação rigorosa, acompanhamento permanente e maior presença das autoridades no terreno.
Referindo-se ao crescimento urbano, manifestou preocupação com a ocupação desordenada de terrenos, particularmente na cidade da Matola, onde, segundo afirmou, continuam a surgir bairros sem qualquer ordenamento territorial. Defendeu, por isso, uma mudança de abordagem, de forma a garantir um crescimento urbano mais organizado e sustentável.
Outro aspecto apontado como preocupação prende-se com a demora na emissão dos títulos de uso e aproveitamento da terra (DUAT). O Governador considerou inaceitável que cidadãos permaneçam um, dois ou mais anos à espera da documentação necessária para implementar projectos de investimento ou construir as suas habitações.
Na sua perspectiva, a morosidade nos processos administrativos favorece as ocupações ilegais de terra, alimenta conflitos fundiários, gera instabilidade socioeconómica e compromete o ritmo de desenvolvimento da província.
Perante este cenário, apelou aos serviços competentes para imprimirem maior celeridade na tramitação dos processos, assegurando que o acesso legal à terra decorra de forma mais eficiente e contribua para a promoção do desenvolvimento sustentável.
O antigo presidente da Câmara de Manchester, o trabalhista Andy Burnham, foi ontem nomeado primeiro-ministro britânico, o culminar de um percurso político marcado por uma forte ligação ao norte de Inglaterra.
Aos 56 anos, Burnham chega ao cargo após ter regressado há apenas um mês ao parlamento como deputado, condição essencial para disputar a liderança trabalhista e assumir a chefia do Governo.
Após ter renunciado à liderança de Manchester, disputou em Junho o mandato de deputado em Makerfield e a vitória eleitoral significativa face ao avanço da direita populista, num contexto de desgaste do executivo liderado pelo também trabalhista Keir Starmer, reforçou a percepção interna de que Burnham seria capaz de alargar o eleitorado do ‘Labour’ (Partido Trabalhista), incluindo em zonas tradicionalmente mais conservadoras.
Analistas e apoiantes destacam a sua capacidade de comunicação e de empatia com os eleitores, pontos fracos do antecessor.
Defensor de um “socialismo pró-negócios”, tem-se afirmado como uma alternativa dentro do partido, com uma linha política mais interventiva do que a da anterior liderança.
Nos últimos anos, criticou medidas de contenção social e posicionou-se contra o que classificou como “desregulação, privatização, austeridade e ‘Brexit’ [a saída britânica da União Europeia]”.
Em intervenções nas últimas semanas, prometeu uma política de descentralização com três prioridades: reforma dos serviços públicos, reindustrialização e regeneração territorial.
Burnham defende maior controlo público sobre sectores como água, habitação e transportes para reduzir custos para famílias e empresas, valorização dos negócios britânicos nos contratos públicos e formação profissional para os jovens.
A medida mais distintiva será a criação de um gabinete de primeiro-ministro em Manchester para promover a redistribuição do poder.
Burnham ganhou projecção nacional durante a pandemia de covid-19, período em que liderou a contestação a medidas governamentais consideradas insuficientes para apoiar empresas e trabalhadores no Norte de Inglaterra, o que lhe valeu o epíteto de “rei do Norte”.
À frente da Câmara da Grande Manchester desde 2017, cargo para o qual foi reeleito por larga margem, destacou-se pela reforma dos transportes públicos, com a integração de autocarros, eléctricos e comboios numa rede articulada com tarifas acessíveis.
Natural de Liverpool, Andrew Murray Burnham nasceu a 07 de Janeiro de 1970 e cresceu entre esta cidade e Manchester, sendo conhecido universalmente pelo diminutivo “Andy”, que figura inclusivamente nos registos oficiais.
Filho de um técnico de telecomunicações e de uma recepcionista de um centro de saúde, aderiu ao Partido Trabalhista aos 14 anos, influenciado pela greve dos mineiros de 1984-85.
Licenciado em Inglês pela Universidade de Cambridge, foi eleito deputado por Leigh em 2001, mandato que exerceu até 2017.
Durante os governos trabalhistas, desempenhou vários cargos, incluindo ministro da Cultura e ministro da Saúde entre 2005 e 2010.
Burnham tentou por duas vezes liderar o Partido Trabalhista, tendo sido derrotado nas eleições internas de 2010, por Ed Miliband, e de 2015, por Jeremy Corbyn.
Pelo menos uma pessoa morreu e 120 estão desaparecidas após dois acidentes ao largo da costa da Mauritânia registados no fim-de-semana com barcos onde viajavam migrantes, anunciaram ontem as autoridades locais.
Segundo avançou nas redes sociais o Ministério das Pescas do país, a primeira operação de busca e salvamento foi iniciada após ter sido recebido um pedido de socorro de uma embarcação com “aproximadamente 160 pessoas a bordo” que tinha partido de Banjul, capital da Gâmbia, e se dirigia para as ilhas Canárias, em Espanha.
“A embarcação teve um problema e ficou sem combustível, ficando à deriva em águas internacionais antes de entrar em águas territoriais mauritanas”, explicou o ministério.
Neste caso, as equipas de busca resgataram 37 pessoas – 22 senegaleses, sete gambianos e oito guineenses – além de terem recuperado um corpo no mar.
A embarcação, adiantou o ministério, “passou cerca de 25 dias no mar”, tendo os sobreviventes relatado terem estado “à deriva durante cerca de 10 dias”.
Todos disseram também que ficaram sem água e comida, o que os obrigou a beber água do mar.
“Suportaram condições extremamente difíceis”, lamentou o ministério mauritano, garantindo que as buscas pelos passageiros desaparecidos continuam.
As autoridades referiram ainda que os sobreviventes já foram levados para terra, especificamente para o porto de Nouadhibou, de onde sete foram transferidos “de urgência” para um hospital para “receberem os cuidados médicos necessários”.
Além disso, sublinhou o ministério, uma segunda operação foi realizada no fim de semana, tendo sido resgatadas 179 pessoas – 168 senegaleses, cinco ganeses, quatro gambianos e dois malianos –, algumas das quais também tiveram de ser levadas para um hospital para tratamento, embora não tenham sido adiantados pormenores sobre a gravidade do seu estado de saúde.
A Mauritânia é um país de trânsito central e ponto de partida crucial da Rota da África Ocidental (ou Rota do Atlântico).
Migrantes oriundos de países subsaarianos (como o Senegal e a Gâmbia), muitas vezes com o auxílio de redes de tráfico humano, utilizam a costa do país para realizar travessias marítimas até às ilhas Canárias, o que representa uma distância oceânica que varia entre 100 km e 1600 km.
A travessia é feita em embarcações precárias e superlotadas, conhecidas localmente como pirogas.
Esta rota migratória é considerada uma das mais letais do mundo, devido aos fortes ventos, correntes marítimas adversas e à fragilidade das embarcações, o que resulta com frequência em naufrágios e desaparecimentos.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) refere no seu ‘site’ que cerca de 6600 pessoas morreram ou desapareceram nesta rota desde 2014, um número inferior apenas ao registado na rota do Deserto do Saara – que ligação para os migrantes da África Subsaariana que tentam chegar ao Norte de África e, posteriormente, à Europa através do mar Mediterrâneo ou do oceano Atlântico –, onde foram documentadas mais de 7100 mortes e desaparecimentos.
O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu hoje, em Maputo, uma delegação do Grupo Pamesa Cerámica, num encontro de seguimento das conversações iniciadas recentemente em Lisboa com o presidente do grupo espanhol, Fernando Roig, tendo as partes avançado na definição de acordos de cooperação que poderão incluir a criação de 10 escolas de formação desportiva em Moçambique, através do Villarreal Club de Fútbol, e iniciativas na área da energia.
No final do encontro, o Director de Aprovisionamento, Compras e Energia do Grupo Pamesa, Javier Portalés, explicou que a visita a Moçambique resulta do convite formulado pelo Presidente da República durante a sua recente Visita Oficial à República Portuguesa,
onde foram discutidas oportunidades de parceria entre o Estado moçambicano, a Pamesa Cerámica e o Villarreal CF.
“Acabámos de ter uma recepção com o excelentíssimo Presidente de Moçambique”, afirmou Javier Portalés, acrescentando que a reunião permitiu dar continuidade às discussões iniciadas em Lisboa. “Viemos por convite do Presidente, que nos fez em Lisboa na quinta-feira passada, e avançámos nos acordos comerciais que estamos a propor realizar entre o Estado moçambicano, a Pamesa Cerámica e o Villarreal Club de Fútbol”, declarou.
O responsável do grupo espanhol disse haver expectativa de que os entendimentos possam ser formalizados brevemente, através de um instrumento que estabeleça os termos da cooperação entre as partes. “Portanto, pensamos que nestes dias podemos assinar algum memorando que feche estes acordos e estas relações tão importantes que podem surgir entre Espanha e Moçambique”, afirmou.
No domínio da formação de jovens, Javier Portalés revelou que a proposta em análise prevê a criação de centros de formação desportiva inspirados no modelo do Villarreal CF, com abrangência nacional e uma forte componente educativa e social.
“Estamos em condições de arrancar com várias escolas, concretamente. Já estudámos que poderiam ser 10 escolas em Moçambique, distribuídas por todo o país, para começar a formar jovens no futebol e, sobretudo, a nível social, a nível educativo, e que possam ser futebolistas ou formar-se como pessoas”, explicou.
Para sustentar a experiência do clube espanhol nesta área, o Director de Aprovisionamento, Compras e Energia do Grupo Pamesa destacou o contributo da academia do Villarreal para o desenvolvimento de talentos. “A título de exemplo, tenho a dizer-vos que ontem a selecção espanhola ganhou o Mundial e há quatro jogadores da selecção espanhola que se formaram em escolas do Villarreal Club de Fútbol”, disse.
A possibilidade de cooperação entre Moçambique e o Grupo Pamesa começou a ser desenhada durante o encontro entre o Presidente
Daniel Chapo e Fernando Roig, em Lisboa, no qual o empresário espanhol manifestou interesse em estabelecer uma parceria estratégica com o país nas áreas de energia, incluindo o gás natural liquefeito (GNL), e na formação de jovens.
Na ocasião, Fernando Roig explicou que a experiência empresarial do Grupo Pamesa, o maior grupo cerâmico da Europa, aliada ao percurso do Villarreal CF na formação de atletas, poderia contribuir para novas oportunidades de cooperação com Moçambique, tendo as partes acordado prosseguir com contactos para concretizar as iniciativas discutidas.
“Estamos prontos para arrancar”, concluiu Javier Portalés, reafirmando a disponibilidade da empresa para avançar com os projectos em preparação no âmbito da parceria com Moçambique.