A Prime Rate do sistema financeiro moçambicano está fixada em 15,50% para Novembro, mas o custo do crédito varia significativamente entre as instituições financeiras e as modalidades de financiamento. No crédito à habitação, o Standard Bank apresenta o spread mais baixo entre os bancos comerciais, de 1%, colocando a taxa indicativa em 16,50%. Já no crédito ao consumo, o First Capital Bank apresenta a margem mais elevada, de 12%, enquanto nas instituições de microfinanças os juros indicativos podem atingir 60,95%.
Os dados constam do Comunicado n.º 10/2026 da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), de 30 de Outubro, que estabelece as margens de crédito a aplicar durante Novembro. A Prime Rate resulta da soma do Indexante Único, fixado em 9,30%, com o Prémio de Custo, de 6,20%, e constitui a taxa de referência para operações de crédito com juros variáveis.
Na modalidade de financiamento à habitação, o Standard Bank apresenta o spread mais baixo, de 1%, seguido do Millennium BIM, com 1,20%. Em sentido contrário, o Vista Bank e o First Capital Bank apresentam margens de 6%. Considerando a Prime Rate de Novembro, as taxas indicativas para esta modalidade variam entre 16,50% e 21,50%.
No crédito ao consumo, destinado ao financiamento de bens e serviços como viaturas, electrodomésticos e mobiliário, o First Capital Bank apresenta a margem mais elevada, de 12%, seguido do ABSA, com 10,75%, e do FNB, com 10%. O Millennium BIM regista o spread mais baixo, de 3,91%. Neste segmento, as taxas indicativas variam entre 19,41% e 27,50%.
Para as empresas, os custos de financiamento também apresentam diferenças em função do prazo e da finalidade do empréstimo. Nos créditos de curto prazo, até um ano, os spreads dos bancos comerciais variam entre 2% e 5%, correspondendo a taxas indicativas de 17,50% a 20,50%. Estes financiamentos destinam-se sobretudo à aquisição de meios circulantes e à cobertura de necessidades de tesouraria.
Já nos empréstimos de longo prazo, acima de um ano, as margens oscilam entre 1% e 6%, colocando as taxas indicativas entre 16,50% e 21,50%. Esta modalidade destina-se principalmente ao financiamento de investimentos empresariais, podendo o prazo de reembolso atingir sete anos.
É, contudo, no segmento das microfinanças que se encontram os encargos mais elevados. Para empréstimos ao consumo, os spreads variam entre 14% e 45,45%, dependendo da instituição e do prazo de reembolso. Com a aplicação da Prime Rate de 15,50%, as taxas indicativas podem chegar a 60,95%.
A MyBucks Mozambique apresenta uma margem de 45,45% nos empréstimos com prazos de seis e 12 meses, enquanto a Socremo pratica um spread de 44,50% nas mesmas maturidades. O Banco Letshego apresenta uma margem de 14% em todos os prazos de crédito ao consumo divulgados.
Nas operações de financiamento às empresas através das microfinanças, as diferenças também são expressivas. A MAIS – Microbanco de Apoio aos Investimentos apresenta spreads de 4% nos empréstimos de curto prazo e 4,25% nos de longo prazo. A Socremo regista margens de 20,10% e 20,50%, respectivamente, enquanto o Banco Letshego apresenta 19% nas duas modalidades.
ACESSO AO CRÉDITO EXIGE GARANTIAS
Para além dos juros, o acesso ao financiamento está condicionado ao cumprimento de requisitos definidos pelas instituições. Nos bancos comerciais, os clientes devem ter uma relação bancária de pelo menos seis meses, apresentar histórico de transacções e não possuir incidentes por regularizar na Central de Registo de Crédito do Banco de Moçambique. É igualmente exigida uma livrança em branco.
No crédito à habitação, os bancos estabelecem um prazo máximo de 20 anos e exigem uma hipoteca do imóvel com cobertura de 120% do valor financiado. A prestação mensal não pode ultrapassar 30% do rendimento líquido do mutuário, sendo também obrigatórios o seguro de vida e o seguro do imóvel.
Para o crédito ao consumo, o prazo máximo é de cinco anos. O requerente deve ter contrato de trabalho por tempo indeterminado e apresentar uma declaração da entidade empregadora que confirme as suas funções e rendimentos. A prestação também não pode exceder 30% do rendimento líquido mensal.
No financiamento empresarial, os bancos exigem garantias com cobertura mínima de 120% do valor do crédito pretendido, bem como contas auditadas dos últimos três anos ou, no caso dos empréstimos de longo prazo, um plano de negócios.
O comunicado estabelece ainda condições para operações de leasing, modalidade utilizada para financiar a aquisição de activos como máquinas, veículos e imóveis. No leasing mobiliário, os spreads dos bancos comerciais variam entre 2,50% e 5%, enquanto no imobiliário os valores divulgados oscilam entre 0% e 4,50%. O financiamento pode cobrir até 90% do valor de avaliação do bem.
A Prime Rate é calculada com base em dois componentes. O Indexante Único é determinado mensalmente pelo Banco de Moçambique, tendo em conta a média ponderada das operações de liquidez realizadas no Mercado Monetário Interbancário para o prazo de um dia útil. O Prémio de Custo é calculado trimestralmente pela AMB e considera factores como a classificação de risco do país, o crédito em incumprimento, o crédito saneado e o coeficiente de reservas obrigatórias.
O modelo resulta do Acordo sobre o Indexante Único do Sistema Bancário Moçambicano, que procura reforçar a transparência na fixação dos juros variáveis e melhorar a transmissão da política monetária ao mercado. A divulgação dos spreads permite aos clientes comparar as condições oferecidas pelas instituições, embora a taxa final dependa sempre da avaliação de risco e das condições específicas de cada operação.
Centenas de manifestantes saíram às ruas pela segunda vez consecutiva na Tanzânia, na quinta-feira, após uma eleição contestada. A Anistia Internacional informou que duas pessoas morreram. Após o início dos protestos na quarta-feira, o governo cortou a internet, impôs um toque de recolher e mobilizou os militares para as ruas.
O partido no poder Chama Cha Mapinduzi, que está no poder desde a independência em 1961, buscou estender seu domínio nas eleições de quarta-feira, com a proibição da participação de candidatos presidenciais dos dois principais partidos de oposição.
A presidente, Samia Suluhu Hassan, enfrentou outros 16 candidatos de partidos menores que praticamente não fizeram campanha.
O órgão eleitoral anunciou na quinta-feira, através da televisão estatal, que a presidente Hassan havia assumido a liderança inicial, conquistando 96,99% dos votos em oito dos 272 distritos eleitorais apurados no início da quinta-feira.
Em comunicado divulgado na quinta-feira, membros do Parlamento Europeu afirmaram que as eleições na Tanzânia “não foram livres nem justas” e instaram os parceiros democráticos a “manterem-se firmes na defesa da democracia e dos direitos humanos”.
A participação nas eleições de quarta-feira foi baixa, e o caos se instaurou à tarde, com manifestantes incendiando um machimbombo e um posto de gasolina, atacando postos de polícia e vandalizando centros de votação.
Duas pessoas, um civil e um polícia, morreram nos protestos de quarta-feira, segundo a Amnistia Internacional. O governo ainda não se pronunciou sobre o número de vítimas nos protestos em curso.
O governo da Tanzânia impôs um toque de recolher na noite de quarta-feira na capital comercial, Dar-es-Salaam, onde ocorreu a maioria dos protestos, mas as manifestações continuaram até tarde da noite.
O governo pediu aos funcionários públicos que trabalhassem de casa na quinta-feira para limitar a circulação de pessoal não essencial.
Barreiras rodoviárias controladas pelo exército tanzaniano foram erguidas em todo o país, e aqueles que se aproximavam eram impedidos de passar caso não pudessem comprovar que eram trabalhadores essenciais.
Centenas de manifestantes romperam as barreiras de segurança para aceder uma estrada que leva ao principal aeroporto do país, mas não conseguiram entrar.
A Amnistia Internacional pediu investigações sobre o uso da força pela polícia contra manifestantes.
Vários manifestantes ficaram feridos na cidade de Namanga, na fronteira com o Quénia, quando outros manifestantes acenderam fogueiras na rodovia e a polícia usou gás lacrimogéneo para dispersá-los.
Empresários disseram que os protestos paralisaram as actividades comerciais na cidade fronteiriça, geralmente movimentada.
Os serviços de ferry entre a Tanzânia continental e o arquipélago semiautónomo de Zanzibar, cujo órgão eleitoral deve anunciar os resultados na quinta-feira, também foram suspensos.
Os tanzanianos votam para presidente, membros do parlamento e vereadores.
O principal líder da oposição, Tundu Lissu, permanece preso após ser acusado de traição por defender reformas eleitorais. O candidato presidencial do segundo maior partido da oposição, Luhaga Mpina, foi impedido de concorrer.
O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu esta quinta-feira, em Houston, Texas, um Certificado de Reconhecimento atribuído pela Comissária do Condado de Harris, Leslie Briones, pelo contributo na recuperação económica de Moçambique e na consolidação da sua credibilidade financeira no cenário internacional.
O acto teve lugar durante uma mesa-redonda com empresários e líderes do sector energético norte-americano, num dos estados mais influentes da economia dos Estados Unidos.
O gesto simboliza o crescente respeito e reconhecimento internacional pela nova dinâmica económica do país, que se tem vindo a destacar pela estabilidade macroeconómica, pela melhoria da sua reputação junto de organismos financeiros internacionais e pela retoma dos megaprojectos de gás natural.
O condado de Harris, que acolhe algumas das maiores companhias energéticas do mundo e representa cerca de 20% do Produto Interno Bruto do Estado do Texas, foi o palco escolhido para esta homenagem – um sinal inequívoco da atenção que Moçambique começa a despertar entre os grandes investidores norte-americanos.
Durante a cerimónia, a Comissária Leslie Briones destacou o papel do Presidente da República na condução das políticas económicas do país, sublinhando que Moçambique “tem dado sinais consistentes de estabilidade e transparência”, factores determinantes para o restabelecimento da confiança internacional. O Certificado de Reconhecimento, segundo Briones, reflecte a percepção de que Moçambique está a recuperar o protagonismo económico no continente africano e a tornar-se um destino mais seguro e previsível para o investimento estrangeiro.
Daniel Chapo descreveu o reconhecimento como “um gesto simbólico, mas profundamente significativo”, não apenas para o Governo, mas para todo o povo moçambicano. “É um Certificado de Reconhecimento pelo trabalho de diplomacia económica que estamos a realizar e, sobretudo, pelos sinais positivos que o país está a mostrar em termos de credibilidade internacional”, afirmou.
O Chefe do Estado explicou que a distinção surge num contexto de viragem económica, em que Moçambique começa a colher os frutos de uma política assente na estabilidade fiscal, na disciplina orçamental e na confiança dos investidores. “Este reconhecimento está associado a resultados concretos. Saímos da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional, o que devolveu a Moçambique o estatuto de país seguro e transparente do ponto de vista financeiro”, disse.
A decisão de retirar Moçambique da lista cinzenta, formalizada em Junho deste ano, permitiu restaurar a confiança de instituições multilaterais e investidores estrangeiros, abrindo caminho para a retoma de fluxos de investimento directo estrangeiro. O Presidente explicou que “as instituições internacionais estão a reconhecer que Moçambique está a mudar, e a mudança é visível nos resultados – no controlo da inflação, na disciplina fiscal, no combate à corrupção e no relançamento dos megaprojectos de gás natural”.
Durante a mesa-redonda, Daniel Chapo referiu-se também à posição da União Europeia, que anunciou a intenção de remover Moçambique da lista de países de risco para investimentos e financiamentos. “Tudo isto mostra que a imagem de Moçambique está a melhorar e que há confiança renovada na economia do país”, observou.
O encontro empresarial foi, igualmente, uma oportunidade para o estadista moçambicano apresentar as principais oportunidades de investimento em Moçambique, destacando sectores como energia, agricultura, turismo, indústria e infraestruturas. “Tivemos duas mesas-redondas empresariais nesta visita — uma em Washington D.C. e outra aqui no Texas — e sentimos um interesse crescente das empresas norte-americanas em investir em Moçambique”, revelou.
Segundo Daniel Chapo, a resposta do sector privado americano foi imediata e encorajadora. “Nos próximos anos, várias missões empresariais norte-americanas deverão visitar Moçambique para explorar, no terreno, as oportunidades de negócio que o país oferece. Isso mostra que o mundo está a olhar para Moçambique com outra confiança”, disse.
A mesa-redonda contou com a presença de empresários ligados ao petróleo e gás, à energia limpa e às tecnologias de transporte, sectores em que o Texas é referência mundial. Muitos dos presentes manifestaram interesse em conhecer o novo ambiente de negócios moçambicano, reforçado por reformas legais que visam simplificar os processos de licenciamento e tornar mais previsível o quadro fiscal e regulatório.
O Chefe do Estado salientou que a política económica do Governo tem como objectivo criar um ambiente favorável para o investimento privado, nacional e estrangeiro, sem perder de vista a inclusão social. “Queremos um crescimento que seja sustentável e que beneficie os moçambicanos. As reformas que estamos a fazer — da digitalização dos serviços públicos à gestão transparente das finanças — têm um único propósito: tornar Moçambique num país competitivo e confiável para investir”, afirmou.
O reconhecimento atribuído ao Chefe de Estado acontece num momento em que Moçambique se reposiciona como um dos principais destinos de investimento em África, impulsionado pela retoma dos megaprojectos de gás natural, pelo crescimento do sector energético e pela estabilidade política. Para observadores internacionais, o Certificado recebido por Daniel Chapo é também uma mensagem clara de que o país está a recuperar o prestígio internacional e a credibilidade económica perdida ao longo da última década.
O Presidente aproveitou o encontro para reforçar o apelo à diversificação económica, um dos eixos centrais da sua visão de governação. “Temos recursos naturais valiosos, mas o nosso foco é transformar essa riqueza em desenvolvimento real. Precisamos investir em educação, agricultura, turismo e indústria, para criar empregos e garantir que o crescimento económico chegue a todos os moçambicanos”, destacou.
No mesmo tom, Daniel Chapo reiterou que o país não quer depender apenas do gás natural ou de matérias-primas. “Queremos uma economia produtiva, diversificada, que crie oportunidades para a juventude e reduza as desigualdades regionais”, acrescentou.
O condado de Harris, onde decorreu a cerimónia, é reconhecido como um dos centros energéticos mais importantes do mundo, abrigando empresas como ExxonMobil, Shell, Chevron e Halliburton. A escolha de Houston para este encontro não foi, por isso, casual: é ali que se cruzam capital, inovação e tecnologia — os mesmos pilares que Moçambique quer atrair para acelerar o seu desenvolvimento.
Daniel Chapo expressou ainda a gratidão pelo reconhecimento e reiterou a disponibilidade do Governo para continuar a fortalecer as relações económicas e diplomáticas com os Estados Unidos. “Este certificado é, acima de tudo, um sinal de confiança. Mostra que o mundo acredita no potencial de Moçambique e que os investidores reconhecem o nosso esforço em criar um ambiente económico estável, transparente e competitivo”, afirmou.
O gesto da Comissária Leslie Briones encerrou uma semana intensa de diplomacia económica nos Estados Unidos, durante a qual o Chefe de Estado manteve encontros com representantes do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial, da Development Finance Corporation e da Câmara de Comércio dos Estados Unidos. Em todos esses fóruns, Daniel Chapo defendeu a visão de um Moçambique aberto ao investimento, comprometido com a boa governação e determinado em transformar os seus recursos em prosperidade partilhada.
As autoridades nacionais de saúde admitem que continuam a surgir infecções pontuais de Mpox na província de Niassa, epicentro da doença, impedindo a declaração do fim do surto no país, apesar do número significativo de recuperados.
A informação foi confirmada pela directora nacional adjunta de Saúde Pública, Aleny Couto, que diz ainda existirem casos da doença naquela província do Norte do país.
“Para declararmos o fim do surto, temos de ter 60 dias sem um caso que seja positivo. Tendo em conta que na província de Niassa ainda estamos a ter casos positivos, não podemos, neste momento, declarar o fim do surto de Mpox no país”, explicou Aleny Couto, citado pela Lusa.
“No país ainda temos casos ativos de Mpox, principalmente na província de Niassa, no distrito de Lago”, acrescentou.
Segundo a directora nacional adjunta de Saúde Pública, na terça-feira, a província de Niassa registou mais um caso da doença, elevando o acumulativo de casos para 80, seguindo-se as províncias de Maputo (quatro), Manica (três) e Tete (dois).
Aleny Couto alerta ainda que as pessoas infectadas não têm cumprido com a necessidade de isolamento. “O que nós temos observado, principalmente nas minas de Lupilichi, no distrito de Lago, é que as pessoas não cumprem [com o isolamento], elas continuam com a sua mobilidade”, disse.
De acordo com o mais recente boletim da Direção Nacional de Saúde Pública, com dados de 11 de Julho a 25 de Outubro, do total de 89 casos positivos, apenas 19 estão ainda em seguimento, nas províncias de Tete e Niassa, com 70 dados como recuperados.
Desde Julho foram registados um total de 1753 casos suspeitos e realizados 1713 testes laboratoriais.
As autoridades sanitárias garantiram que Moçambique está preparado para lidar com o Mpox, com capacidade para 4000 testes, feitos localmente, em todas as capitais de província, através dos laboratórios de Saúde Pública.
O primeiro caso de Mpox em Moçambique aconteceu em Outubro de 2022, com um doente em Maputo, no surto anterior.
Os transportadores da rota Retiro-Novo Mercado, na cidade de Tete, paralisaram actividades na manhã desta quinta-feira, por alegada má actuação da Polícia Municipal.
Foi uma agitação que tomou conta da cidade de Tete nesta quinta-feira, onde o terminal de chapas na urbe ficou paralisado, com alguns automobilistas ameaçados e impedidos de circular na Avenida 25 de Junho, tudo por conta de uma greve levada a cabo por operadores de transporte semicolectivo de passageiros.
Para além da má actuação da Polícia Municipal, os transportadores reclamam de agressões físicas e detenções perpetradas por alguns agentes.
No meio de cânticos e obstrução da via, a Polícia Municipal, em colaboração com a PRM, fez-se ao local, e o comandante até tentou sensibilizar os transportadores para uma conversa, facto que não surtiu efeito.
Alguns munícipes mostraram-se agastados com a situação, pois chegaram a permanecer por várias horas à espera de transporte nas paragens.
O comandante da Polícia Municipal disse que a atitude dos automobilistas surge em protesto contra uma operação efectuada na última quarta-feira, pela corporação, que culminou com a apreensão de quatro viaturas, e nega qualquer tipo de agressão ou detenção de “chapeiros”.
As quatro viaturas foram apreendidas por embarque e desembarque de passageiros em local impróprio.
O Cemitério São Francisco Xavier, na zona da Ronil, na Cidade de Maputo, vai ser requalificado. O Conselho Municipal de Maputo quer construir no local um memorial da cultura moçambicana.
O presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, dirigiu, nesta quinta-feira, 30 de Outubro, a segunda auscultação pública com vista à apresentação e apreciação do projecto “Memorial da Cultura Moçambicana e Mural de Azulejos no Cemitério de São Francisco Xavier (Ronil) em Homenagem ao Doutor Eduardo Mondlane, Arquitecto da Unidade Nacional”.
Na ocasião, o edil de Maputo disse que o Memorial da Cultura Moçambicana será um espaço não apenas de memória, mas também de educação, convivência e inspiração para gerações futuras e reafirmou o compromisso que a edilidade tem na valorização da memória e cultura nacionais como pilares da presente governação.
Para o Manhique, a auscultação pública constitui um marco importante por simbolizar a proximidade do Conselho Municipal com as diferentes entidades para aconselhar no processo de tomada de decisões sobre matérias de desenvolvimento da urbe.
Osvaldo Faquir, vereador de Educação e Cultura no Município de Maputo, afirma que a requalificação do local vai torná-lo mais aprazível de estar.
“A requalificação visa criar um bom ambiente que todos possamos frequentar. Haverá espaços culturais e será ampliado. A ideia é tornar o local mais aprazível”, explicou Osvaldo Faquir.
Os arredores do Cemitério São Francisco Xavier, mais conhecido por cemitério da Ronil, na Cidade de Maputo, têm sido, não poucas vezes, motivo de queixas por parte dos munícipes, por ser um local que serve de refúgio de malfeitores.
“As pessoas passam mal aqui, são assaltadas, perdem suas perucas, faróis dos carros, telefones e depois os malfeitores se escondem ali no cemitério”, lamentou Fernando José, munícipe.
Já que a vandalização dos túmulos tem sido recorrente, os restos mortais que ainda jazem no local serão preservados num ossário.
“Julgamos que é preciso fazer alguma coisa para respeitar a dignidade dos que descansam, e a melhor forma de requalificar o cemitério é construir um ossário para recuperar os ossos que ali ainda estão.”
O memorial a ser erguido vai homenagear figuras de destaque na cultura moçambicana.
Os trabalhos de requalificação terão início depois das auscultações que ainda decorrem sobre a matéria.
A cidade de Manica está mergulhada em luto. Entre as vítimas mortais do trágico acidente de viação ocorrido em Nhamatanda, na província de Sofala, está um jovem casal que havia celebrado o seu casamento há apenas um mês. A notícia abalou familiares, amigos e colegas, que ainda tentam compreender como um amor tão jovem pôde ser interrompido de forma tão brutal.
Délcia era conhecida em Manica pela sua dedicação a causas sociais. Activista na defesa dos direitos das raparigas, destacou-se em várias campanhas contra as uniões prematuras e a violência baseada no género.
Sempre optimista, no ano passado, esteve nos Estados Unidos da América, onde concedeu uma entrevista à Voz da América, partilhando a sua visão sobre o empoderamento feminino e a importância da educação para as jovens moçambicanas.
Nessa entrevista, a finada disse, entre várias coisas, acreditar que, com os avanços que estão a ser feitos para o empoderamento da mulher, é possível alcançar feitos maiores.
“Eu acredito que falta muito a sensibilização, especialmente em zonas rurais, por isso o meu foco é mesmo em zonas rurais, onde há muita falta de informação e ainda temos a questão da cultura. Manica é um distrito muito pouco desenvolvido, onde as questões culturais ainda têm muita influência sobre as decisões da sociedade, em geral. Então, ainda há muita falta de informação, ainda há que se trabalhar muito em zonas rurais para fortalecer esse processo de informação”, afirmou Délcia em entrevista à Voz da América.
O seu marido Tiago, por sua vez, era um engenheiro informático talentoso, descrito como um jovem brilhante, humilde e dedicado ao trabalho e à família.
O casal uniu-se em matrimónio no dia 27 de Setembro de 2025, celebrando com alegria o início de uma nova etapa de vida. Apenas um mês depois, a tragédia apagou esse sonho.
“Estávamos nas cerimónias a sepultar a minha sobrinha, que é a filha do meu irmão, que perdeu a vida antes de ontem (segunda-feira), e eles estavam mesmo a sair da sua residência em Dondo, para poder ver se conseguiam prestar a sua mão, o seu apoio, pois trata-se da prima da própria Délcia. Então, saíram com o noivo, mas enquanto nós estávamos a tratar o processo para poder ir enterrar a outra sobrinha, fomos surpreendidos com a notícia que se envolveram num acidente e que teriam perdido a vida”, contou Engels Ruraca, prima da finada.
Patrício Chamisso, pai de Tiago, fala de uma perda irreparável. “Uma morte é sempre uma dor profunda nas pessoas, e olha, os acidentes estão a criar muitos danos. E chegou a nossa vez. Também estamos dentro dessa dor”, disse, triste pelo sucedido.
As cerimónias fúnebres do casal terão lugar nesta sexta-feira, na cidade de Chimoio.
A polícia tanzaniana impôs, ontem, recolher obrigatório após protestos eleitorais em Dar es Salaam. A população, que contesta a realização de eleições sem os principais candidatos da oposição, saiu à rua e destruiu cartazes da Presidente Samia Suluhu Hassan.
As assembleias de voto na Tanzania abriram na hora prevista e a votação começou calmo. Entretanto, ao contrário das eleições anteriores, o processo gerou uma contestação sem precedentes
Centenas de pessoas fizeram-se às ruas da maior cidade do país, em protesto, e deitaram abaixo tudo o que encontraram pela frente, incluindo cartazes da Presidente Samia Suluhu Hassan. Incendiaram esquadra e autocarro, numa clara contestação pela ausência dos principais candidatos a oposição, presos ou impedidos de concorrer.
A forte presença militar em Dar es Salaam, com tanques posicionados em pontos estratégicos, não foi suficiente para demover centenas de jovens que saíram às ruas a cantar “queremos o nosso país de volta”, segundo a imprensa internacional.
A polícia lançou gás lacrimogéneo, mas acabou por recuar perante os manifestantes que atiravam pedras.
Samia Suluhu, de 65 anos de idade, é acusada de procurar consolidar o poder com uma vitória esmagadora, uma vez que as autoridades eleitorais tanzanianas impediram o principal adversário, Tundu Lissu, do partido Chadema, de concorrer.
Tundu Lissu, cuja formação política exige reformas eleitorais, está a ser julgado por traição e pode enfrentar pena de morte. Outro candidato relevante, Luhaga Mpina, do ACT-Wazalendo, foi desqualificado por questões técnicas, escreve a imprensa internacional, citando analistas.
É a primeira vez, desde que a democracia multipartidária instituída em 1992, que uma corrida presidencial na Tanzânia decorre sem os principais partidos da oposição.
No âmbito da internacionalização institucional através do estabelecimento de parcerias, a Universidade Pedagógica de Maputo (UP Maputo), representada pelo reitor, Prof. Doutor Jorge Ferrão, rubricou, na manhã desta quinta-feira, um protocolo de cooperação com a Universidade Independente de Angola (UnIA), representada pelo respectivo reitor, Prof. Doutor Carlos Yoba.
O protocolo com benefícios mútuos visa o desenvolvimento de acções de cooperação e tem por finalidade o intercâmbio entre os docentes; a elaboração de actividades conjuntas; a realização de formação dentre outras actividades conjuntas.
A UnIA é uma instituição de ensino superior privado, tem por missão o desenvolvimento de actividades de formação académica e profissional de alto nível, da investigação científica e da extensão universitária, nas diversas áreas do saber.
Falando no acto, Carlos Yoba manifestou agrado por estabelecer esta relação de parceria com a UP Maputo, pois, dada a sua maturidade, poderão aprender sobre os avanços no ramo de ensino e aprendizagem, portanto, constitui uma relação privilegiada com ganhos mútuos.
Por sua vez, Jorge Ferrão disse, que a assinatura do protocolo, reitera o compromisso com a UnIA, que se junta a uma universidade com 40 anos de existência, e que possui uma vasta rede de cooperação nacional e internacional.
A UnIA ocupa uma boa posição nas áreas de engenharia, comunicação e imprensa, é proprietária de uma rádio e televisão universitária.
Testemunharam do acto, Directores das faculdades e das unidades orgânicas.
O presidente basileiro, Lula da Silva, disse nesta quarta-feira, que não se pode aceitar que crime organizado domine e destrua famílias, no Brasil, após uma megaoperação policial que provocou mais de 130 mortes. A ONU quer investigação sobre acção da polícia.
A megaoperação que envolveu 2.500 agentes das polícias civil e militar, nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, na última terça-feira, é considerada a mais letal da história, com mais de 130 mortes e 81 detidos.
Em reacção ao sucedido, na rede social X, o presidente do Brasil, Lula da Silva, afirmou que não pode aceitar que o crime organizado continue destruindo famílias, oprimindo moradores, espalhando drogas e violência pelas cidades.
Segundo Lula, o país precisa de um trabalho coordenado que atinja a espinha dorsal do tráfico sem colocar inocentes em risco. O governo estadual defendeu a acção, fez um balanço positivo da megaoperação e lamentou a morte de 4 polícias.
As organizações de direitos humanos e a ONU expressaram preocupação com o número de vítimas e pediram investigação imediata sobre o uso da força policial.