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A Prime Rate do sistema financeiro moçambicano está fixada em 15,50% para Novembro, mas o custo do crédito varia significativamente entre as instituições financeiras e as modalidades de financiamento. No crédito à habitação, o Standard Bank apresenta o spread mais baixo entre os bancos comerciais, de 1%, colocando a taxa indicativa em 16,50%. Já no crédito ao consumo, o First Capital Bank apresenta a margem mais elevada, de 12%, enquanto nas instituições de microfinanças os juros indicativos podem atingir 60,95%.

Os dados constam do Comunicado n.º 10/2026 da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), de 30 de Outubro, que estabelece as margens de crédito a aplicar durante Novembro. A Prime Rate resulta da soma do Indexante Único, fixado em 9,30%, com o Prémio de Custo, de 6,20%, e constitui a taxa de referência para operações de crédito com juros variáveis.

Na modalidade de financiamento à habitação, o Standard Bank apresenta o spread mais baixo, de 1%, seguido do Millennium BIM, com 1,20%. Em sentido contrário, o Vista Bank e o First Capital Bank apresentam margens de 6%. Considerando a Prime Rate de Novembro, as taxas indicativas para esta modalidade variam entre 16,50% e 21,50%.

No crédito ao consumo, destinado ao financiamento de bens e serviços como viaturas, electrodomésticos e mobiliário, o First Capital Bank apresenta a margem mais elevada, de 12%, seguido do ABSA, com 10,75%, e do FNB, com 10%. O Millennium BIM regista o spread mais baixo, de 3,91%. Neste segmento, as taxas indicativas variam entre 19,41% e 27,50%.

Para as empresas, os custos de financiamento também apresentam diferenças em função do prazo e da finalidade do empréstimo. Nos créditos de curto prazo, até um ano, os spreads dos bancos comerciais variam entre 2% e 5%, correspondendo a taxas indicativas de 17,50% a 20,50%. Estes financiamentos destinam-se sobretudo à aquisição de meios circulantes e à cobertura de necessidades de tesouraria.

Já nos empréstimos de longo prazo, acima de um ano, as margens oscilam entre 1% e 6%, colocando as taxas indicativas entre 16,50% e 21,50%. Esta modalidade destina-se principalmente ao financiamento de investimentos empresariais, podendo o prazo de reembolso atingir sete anos.

É, contudo, no segmento das microfinanças que se encontram os encargos mais elevados. Para empréstimos ao consumo, os spreads variam entre 14% e 45,45%, dependendo da instituição e do prazo de reembolso. Com a aplicação da Prime Rate de 15,50%, as taxas indicativas podem chegar a 60,95%.

A MyBucks Mozambique apresenta uma margem de 45,45% nos empréstimos com prazos de seis e 12 meses, enquanto a Socremo pratica um spread de 44,50% nas mesmas maturidades. O Banco Letshego apresenta uma margem de 14% em todos os prazos de crédito ao consumo divulgados.

Nas operações de financiamento às empresas através das microfinanças, as diferenças também são expressivas. A MAIS – Microbanco de Apoio aos Investimentos apresenta spreads de 4% nos empréstimos de curto prazo e 4,25% nos de longo prazo. A Socremo regista margens de 20,10% e 20,50%, respectivamente, enquanto o Banco Letshego apresenta 19% nas duas modalidades.

ACESSO AO CRÉDITO EXIGE GARANTIAS

Para além dos juros, o acesso ao financiamento está condicionado ao cumprimento de requisitos definidos pelas instituições. Nos bancos comerciais, os clientes devem ter uma relação bancária de pelo menos seis meses, apresentar histórico de transacções e não possuir incidentes por regularizar na Central de Registo de Crédito do Banco de Moçambique. É igualmente exigida uma livrança em branco.

No crédito à habitação, os bancos estabelecem um prazo máximo de 20 anos e exigem uma hipoteca do imóvel com cobertura de 120% do valor financiado. A prestação mensal não pode ultrapassar 30% do rendimento líquido do mutuário, sendo também obrigatórios o seguro de vida e o seguro do imóvel.

Para o crédito ao consumo, o prazo máximo é de cinco anos. O requerente deve ter contrato de trabalho por tempo indeterminado e apresentar uma declaração da entidade empregadora que confirme as suas funções e rendimentos. A prestação também não pode exceder 30% do rendimento líquido mensal.

No financiamento empresarial, os bancos exigem garantias com cobertura mínima de 120% do valor do crédito pretendido, bem como contas auditadas dos últimos três anos ou, no caso dos empréstimos de longo prazo, um plano de negócios.

O comunicado estabelece ainda condições para operações de leasing, modalidade utilizada para financiar a aquisição de activos como máquinas, veículos e imóveis. No leasing mobiliário, os spreads dos bancos comerciais variam entre 2,50% e 5%, enquanto no imobiliário os valores divulgados oscilam entre 0% e 4,50%. O financiamento pode cobrir até 90% do valor de avaliação do bem.

A Prime Rate é calculada com base em dois componentes. O Indexante Único é determinado mensalmente pelo Banco de Moçambique, tendo em conta a média ponderada das operações de liquidez realizadas no Mercado Monetário Interbancário para o prazo de um dia útil. O Prémio de Custo é calculado trimestralmente pela AMB e considera factores como a classificação de risco do país, o crédito em incumprimento, o crédito saneado e o coeficiente de reservas obrigatórias.

O modelo resulta do Acordo sobre o Indexante Único do Sistema Bancário Moçambicano, que procura reforçar a transparência na fixação dos juros variáveis e melhorar a transmissão da política monetária ao mercado. A divulgação dos spreads permite aos clientes comparar as condições oferecidas pelas instituições, embora a taxa final dependa sempre da avaliação de risco e das condições específicas de cada operação.

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A Primeira-Ministra, Benvida Levi, diz ser urgente adoptar medidas para que o país deixe de ser um dos principais corredores de droga. O país apreendeu, só no primeiro semestre deste ano, droga diversa avaliada em mais de 49 milhões de meticais.

Adolescentes e jovens, entre 15 e 30 anos de idade, são os grupos mais vulneráveis ao consumo de drogas, que em alguns casos, é vendida até nas escolas disfarçada de várias formas.

“As drogas muitas vezes chegam de forma dissimulada, em formas de rebuçados, pipocas ou qualquer outro lanche, as vezes em bebidas, como refrigerantes ou sumos”, explicou José Bambo, representante do Gabinete de Prevenção do Tráfico de Drogas, que disse ser uma preocupação, tendo em conta que  só nos primeiros seis meses deste ano, foi apreendida uma quantidade avaliada em mais 49 milhões de meticais, que foi apreendida

A cannabis sativa é a droga de maior circulação. 

“É uma das drogas que tem maior circulação no país, por um lado, porque temos a produção local de cannabis sativa , por outro lado, por conta da acessibilidade em termos de preços, diferentemente de outros tipos e drogas como a cocaína, haxixe e as demais substâncias com efeitos psicoativos ”

Neste contexto, a Primeira-Ministra, Benvida Levi, diz ser urgente adoptar medidas para que o país deixe de ser um dos principais corredores de droga. 

“Há uma tendência crescente, temos visto as operações da polícia e outras autoridades, sempre que é apreendida uma quantidade de drogas. Moçambique infelizmente continua a ser um corredor no tráfico de drogas, mas também no âmbito da prevenção secundária, uma informação relevante é que os serviços de psiquiatria e de saúde mental estão a receber um número cada vez maior de pacientes por conta do consumo excessivo de álcool e outras drogas  ”, disse Levy. A governante falava no lançamento da Estratégia Nacional sobre Drogas-2026, que projecta acções para o tráfico e consumo de drogas no país. 

“Na verdade, a ideia é que todos os intervenientes devem garantir que todas as suas intervenções tenham impacto, seja no âmbito de prevenção ou de combate”

A implementação da Estratégia Nacional sobre Drogas está avaliada em cerca de 114 milhões de meticais.

Inhambane vai ser oficialmente atribuído o mascote da capital de turismo de Moçambique, durante a conferência internacional de turismo 2025. O evento terá lugar entre três e quatro de Novembro, em Vilanculos e prevê receber mais de 300 convidados estrangeiros. 

Entre os dias 3 e 4 de Novembro, a cidade de Vilanculos será a capital internacional de turismo, com a realização da Mozambique Tourism Summit 2025. 

Numa conferência de imprensa convocada pela organização do evento, o seu porta-voz oficial explicou que o evento tem como objectivo principal “vender” a boa imagem de Moçambique no mundo, como um local bonito, acolhedor e fértil para investir. 

“É um evento que se propõe a posicionar o turismo como um catalisador de prosperidade partilhada. E este evento vai contar com a presença de sua Excelência o Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, para a sessão inaugural. Será nesta conferência que o Mozambique Tourism Summit 2025, (0:38) onde poderá ser confirmada a província de Inhambane como a capital nacional do turismo, isto é, a capital da hospitalidade moçambicana”, explicou Danilo Nhantumbo. 

A cerca de 300 quilômetros da capital Inhambane, Vilanculos espera acolher mais de 300 convidados estrangeiros. 

“Pelo que, a partir de Inhambane, todas as outras províncias vão se beneficiar. Sofala vai beneficiar, Gaza vai beneficiar, Maputo província, Tete, Manica, Zambézia, Nampula, Cabo Delgado e Niassa. Significa que é um trabalho contínuo, esta é apenas uma estratégia para o reposicionamento da imagem internacional de Moçambique”, acrescentou, chamando a todos, independentemente do sector, a dar o seu contributo na promoção da boa imagem do país. 

“E o processo de rebranding da imagem ou da marca país é um processo contínuo. E cada cidadão tem uma responsabilidade. Primeiro, de construir narrativas positivas sobre Moçambique, porque ninguém vai promover melhor o nosso país que nós próprios moçambicanos. Isto porque o processo de construção da imagem internacional de Moçambique, ou o processo de rebranding ou de reposicionamento da imagem internacional de Moçambique, depende da ação ou das ações de todos nós. Precisamos de continuar a criar narrativas corretas sobre Moçambique e fazer também as coisas certas.  Nós, enquanto cidadãos, não é só apenas o papel do Estado ou do governo ou dos embaixadores oficiais. Cada um de nós é parte daquilo que nós designamos por diplomacia pública”, defendeu.

Na conferência internacional de turismo estão previstas as assinaturas de acordos e contratos financeiros, em vários sectores económicos. 

 

Maputo prepara-se para voltar a dançar. De 24 a 30 de Novembro, a cidade acolhe a 11ª edição da Bienal Kinani, uma plataforma internacional de dança contemporânea que se tornou referência no continente africano. Mais do que um festival de dança, o Kinani, segundo a organização, será um espaço de celebração artística, intercâmbio cultural e reflexão social, onde o corpo se transforma em linguagem e a dança em diálogo entre povos.

Este ano, o evento traz à capital moçambicana artistas, coreógrafos e produtores de vários cantos do mundo, num programa que inclui espectáculos, performances urbanas, residências artísticas e conferência para reflexão sobre as artes.

“Queremos que o Kinani seja mais do que um festival de dança. É uma plataforma de diálogo e um espaço de descoberta, onde os artistas moçambicanos possam aprender, ensinar e reinventar a sua própria linguagem e influenciar o mundo”, disse Quinto Tembe, director do Kinani, durante o lançamento do evento, nesta quinta-feira, na capital do país.

Segundo Tembe, a edição de 2025 reforça a aposta na profissionalização das artes e na formação de jovens criadores, com oficinas conduzidas por nomes reconhecidos da dança contemporânea africana e europeia. “O Kinani nasceu para criar pontes. E cada edição é uma nova forma de fortalecer essas ligações entre Maputo e o mundo”, acrescentou.

Durante sete dias, Maputo será transformada num palco a céu aberto. Os espectáculos vão ocupar espaços emblemáticos como o Teatro Avenida, a Casa Velha, o Centro Cultural Franco-Moçambicano, e até lugares inesperados como os Correios de Moçambique e a Capela da Ronil, onde a dança se mistura com o quotidiano urbano.

Para Osvaldo Faquir, vereador da Educação e Cultura do Conselho Municipal de Maputo, o festival “é uma demonstração clara de que a arte pode ser um motor de desenvolvimento local”.

“O Kinani não é apenas um evento cultural. É uma experiência de cidadania, de partilha e de valorização do talento nacional. Traz vida aos nossos espaços públicos e inspira os jovens a acreditarem na cultura como profissão e modo de estar no mundo”, afirmou Faquir.

A Direcção  do Centro Cultural Franco-Moçambicano destacou o papel do evento no fortalecimento das relações culturais entre Moçambique e o mundo francófono.

A Bienal Kinani tem vindo a ganhar reconhecimento internacional como um dos maiores eventos culturais de Moçambique, atraindo cada vez mais visitantes estrangeiros e promovendo o turismo cultural no país.

De acordo com a Secretária de Estado das Artes, Matilde Muocha, o evento é “um exemplo de como a criactividade pode ser motor de desenvolvimento económico”.

“O Kinani mostra que a cultura é um investimento. Cada artista que chega a Maputo traz conhecimento, visibilidade e movimento económico. Mas, acima de tudo, traz inspiração. É isso que queremos ver multiplicado em todas as províncias”, afirmou.

Além dos espectáculos, o evento inclui sessões de conversa com artistas, projecções de filmes de dança, e momentos de improvisação em espaços públicos, aproximando o público da linguagem contemporânea.

“De Maputo para o mundo, o Kinani dança entre fronteiras e emoções. É um gesto de amor à arte, à cidade e à diversidade que nos define como povo”, concluiu Tembe.

Num mundo em rápida transformação digital, em que a Inteligência Artificial (IA) se tornou o motor de mudança em praticamente todos os sectores, um nome moçambicano começa a destacar-se no panorama internacional. James Kachamila, um jovem  natural de Moçambique apaixonado pela tecnologia, está a ser apontado como uma das novas vozes africanas na área da inovação. A sua mais recente criação, uma plataforma de Inteligência Artificial desenvolvida nos Estados Unidos, promete revolucionar a forma como empresas, governos e instituições enfrentam desafios operacionais e estratégicos, tanto em África como fora dela.

A génese do projecto nasceu da experiência pessoal de Kachamila, que, ao longo do seu percurso académico e profissional, constatou a falta de soluções tecnológicas adaptadas à realidade africana. “A maior parte das ferramentas digitais disponíveis no mercado são desenhadas com base em contextos e necessidades de países desenvolvidos. Muitas vezes, quando chegam a África ou Moçambique, não funcionam como deviam, porque não respondem às nossas especificidades”, explica o jovem inovador.

Foi com este pensamento que, durante os seus estudos nos Estados Unidos, James decidiu criar o Agente IA Nelima, uma plataforma de Inteligência Artificial concebida para interpretar e processar dados locais, automatizar tarefas e apoiar decisões estratégicas em áreas cruciais como a agricultura, a educação, a saúde e a administração pública.

“Acredito que a tecnologia deve servir as pessoas, não o contrário. O meu objectivo é tornar a IA acessível e útil para resolver problemas concretos das nossas comunidades”, afirma Kachamila.

O percurso até ao desenvolvimento da plataforma foi marcado por desafios financeiros, técnicos e logísticos, mas também por uma determinação inabalável. James começou o projecto com poucos recursos, trabalhando em bibliotecas e laboratórios universitários, juntamente com os seus colegas. 

Hoje, o Agente IA Nelima está em fase avançada de testes e já desperta o interesse de instituições académicas e startups tecnológicas que procuram integrar soluções inteligentes nos seus sistemas. A plataforma combina aprendizagem automática, processamento de linguagem natural e análise de dados preditiva, oferecendo respostas em tempo real a problemas de gestão e planeamento.

“Estamos a desenvolver algoritmos capazes de compreender o contexto linguístico e cultural. Queremos que as pessoas possam interagir com a plataforma em português, inglês ou mesmo em línguas locais, o que permitirá uma maior inclusão digital, sobretudo em nações pouco digitalizadas”, destaca Kachamila.

Mais do que uma conquista pessoal, James Kachamila vê o seu projecto como um contributo para o fortalecimento da soberania tecnológica africana. Em sua visão, África deve deixar de ser apenas consumidora de tecnologias estrangeiras e passar a produzir conhecimento e inovação.

“Temos jovens talentosos, com ideias brilhantes, mas faltam recursos e oportunidades. Se conseguirmos criar ecossistemas de inovação no continente, poderemos usar a tecnologia para resolver os nossos próprios desafios, desde a gestão de recursos naturais até à melhoria dos serviços públicos”, defende o engenheiro.

Neste sentido, Kachamila planeia expandir o projecto para Moçambique e outros países africanos, através de parcerias, mais investigação e governos locais. O objectivo é criar laboratórios de IA e hubs de inovação tecnológica que permitam formar jovens e fomentar o empreendedorismo digital.

De Maputo para o mundo, o jovem engenheiro prova que a inovação não tem nacionalidade e que a Inteligência Artificial pode, sim, ter sotaque moçambicano.

As autoridades estimam que cerca de 7600 toneladas de castanha de caju foram contrabandeadas de Cabo Delgado para a Tanzânia durante a campanha 2024-2025, causando perdas fiscais avaliadas em 1,5 milhões de euros ao Estado.

Segundo a Delegação  Provincial do Instituto de Amêndoas de Moçambique (IAM), a principal perda está na falta de tributação da castanha exportada ilegalmente, com o Estado a deixar de arrecadar cerca de 1200 meticais por saco de 80 quilos.

A secretária de Estado em Cabo Delgado  reconheceu que a fragilidade da fronteira entre os dois países facilita o contrabando, mas apelou à colaboração das comunidades em prol do  desenvolvimento nacional.

O Governo prevê investir 374 milhões de dólares até 2034 para modernizar o sector do caju e aumentar a produção anual das actuais 158 mil toneladas para 689 mil toneladas, reforçando a industrialização e o valor acrescentado do produto.

O Banco de Moçambique indica que o caju liderou as exportações de “produtos tradicionais” no primeiro trimestre deste ano, com receitas de 38,7 milhões de dólares.

Moçambique, que chegou a ser o segundo maior produtor mundial de castanha de caju na década de 1970, continua a recuperar o seu estatuto histórico, ocupando actualmente o sétimo lugar mundial entre os maiores produtores.

 

As empresas portuguesas afectadas pela onda de violência e vandalismo que se seguiu às eleições gerais de 2024 no país retomaram as suas actividades e olham para o futuro com confiança. A informação foi avançada pelo embaixador português em Maputo, Jorge Monteiro, em declarações à imprensa.

O diplomata destacou a resiliência do sector empresarial e o clima de estabilidade que se começa a restabelecer em Moçambique.

Portugal chegou a avaliar mecanismos de apoio às empresas afectadas, depois de várias propriedades de capitais portugueses terem sido vandalizadas durante as manifestações pós-eleitorais no ano passado, que resultaram em mais de 400 mortos e mais de sete mil detenções, segundo dados da sociedade civil.

Monteiro reconheceu que Moçambique atravessou um período difícil, mas sublinhou o espírito reformista do novo Governo, liderado por Daniel Chapo.

O diplomata aponta que as reformas em curso vão dinamizar a economia e gerar novas oportunidades para os jovens.

Segundo o embaixador, a UE acompanha atentamente o diálogo político em curso e espera propostas concretas que reforcem a confiança e a inclusão social.

Centenas de manifestantes saíram às ruas pela segunda vez consecutiva na Tanzânia, na quinta-feira, após uma eleição contestada. A Anistia Internacional informou que duas pessoas morreram. Após o início dos protestos na quarta-feira, o governo cortou a internet, impôs um toque de recolher e mobilizou os militares para as ruas.

O partido no poder Chama Cha Mapinduzi, que está no poder desde a independência em 1961, buscou estender seu domínio nas eleições de quarta-feira, com a proibição da participação de candidatos presidenciais dos dois principais partidos de oposição.

A presidente, Samia Suluhu Hassan, enfrentou outros 16 candidatos de partidos menores que praticamente não fizeram campanha.

O órgão eleitoral anunciou na quinta-feira, através da televisão estatal, que a presidente Hassan havia assumido a liderança inicial, conquistando 96,99% dos votos em oito dos 272 distritos eleitorais apurados no início da quinta-feira.

Em comunicado divulgado na quinta-feira, membros do Parlamento Europeu afirmaram que as eleições na Tanzânia “não foram livres nem justas” e instaram os parceiros democráticos a “manterem-se firmes na defesa da democracia e dos direitos humanos”.

A participação nas eleições de quarta-feira foi baixa, e o caos se instaurou à tarde, com manifestantes incendiando um machimbombo e um posto de gasolina, atacando postos de polícia e vandalizando centros de votação.

Duas pessoas, um civil e um polícia, morreram nos protestos de quarta-feira, segundo a Amnistia Internacional. O governo ainda não se pronunciou sobre o número de vítimas nos protestos em curso.

O governo da Tanzânia impôs um toque de recolher na noite de quarta-feira na capital comercial, Dar-es-Salaam, onde ocorreu a maioria dos protestos, mas as manifestações continuaram até tarde da noite.

O governo pediu aos funcionários públicos que trabalhassem de casa na quinta-feira para limitar a circulação de pessoal não essencial.

Barreiras rodoviárias controladas pelo exército tanzaniano foram erguidas em todo o país, e aqueles que se aproximavam eram impedidos de passar caso não pudessem comprovar que eram trabalhadores essenciais.

Centenas de manifestantes romperam as barreiras de segurança para aceder uma estrada que leva ao principal aeroporto do país, mas não conseguiram entrar.

A Amnistia Internacional pediu investigações sobre o uso da força pela polícia contra manifestantes.

Vários manifestantes ficaram feridos na cidade de Namanga, na fronteira com o Quénia, quando outros manifestantes acenderam fogueiras na rodovia e a polícia usou gás lacrimogéneo para dispersá-los.

Empresários disseram que os protestos paralisaram as actividades comerciais na cidade fronteiriça, geralmente movimentada.

Os serviços de ferry entre a Tanzânia continental e o arquipélago semiautónomo de Zanzibar, cujo órgão eleitoral deve anunciar os resultados na quinta-feira, também foram suspensos.

Os tanzanianos votam para presidente, membros do parlamento e vereadores.

O principal líder da oposição, Tundu Lissu, permanece preso após ser acusado de traição por defender reformas eleitorais. O candidato presidencial do segundo maior partido da oposição, Luhaga Mpina, foi impedido de concorrer.

O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu esta quinta-feira, em Houston, Texas, um Certificado de Reconhecimento atribuído pela Comissária do Condado de Harris, Leslie Briones, pelo contributo na recuperação económica de Moçambique e na consolidação da sua credibilidade financeira no cenário internacional. 

O acto teve lugar durante uma mesa-redonda com empresários e líderes do sector energético norte-americano, num dos estados mais influentes da economia dos Estados Unidos.

O gesto simboliza o crescente respeito e reconhecimento internacional pela nova dinâmica económica do país, que se tem vindo a destacar pela estabilidade macroeconómica, pela melhoria da sua reputação junto de organismos financeiros internacionais e pela retoma dos megaprojectos de gás natural. 

O condado de Harris, que acolhe algumas das maiores companhias energéticas do mundo e representa cerca de 20% do Produto Interno Bruto do Estado do Texas, foi o palco escolhido para esta homenagem – um sinal inequívoco da atenção que Moçambique começa a despertar entre os grandes investidores norte-americanos.

Durante a cerimónia, a Comissária Leslie Briones destacou o papel do Presidente da República na condução das políticas económicas do país, sublinhando que Moçambique “tem dado sinais consistentes de estabilidade e transparência”, factores determinantes para o restabelecimento da confiança internacional. O Certificado de Reconhecimento, segundo Briones, reflecte a percepção de que Moçambique está a recuperar o protagonismo económico no continente africano e a tornar-se um destino mais seguro e previsível para o investimento estrangeiro.

Daniel Chapo descreveu o reconhecimento como “um gesto simbólico, mas profundamente significativo”, não apenas para o Governo, mas para todo o povo moçambicano. “É um Certificado de Reconhecimento pelo trabalho de diplomacia económica que estamos a realizar e, sobretudo, pelos sinais positivos que o país está a mostrar em termos de credibilidade internacional”, afirmou.

O Chefe do Estado explicou que a distinção surge num contexto de viragem económica, em que Moçambique começa a colher os frutos de uma política assente na estabilidade fiscal, na disciplina orçamental e na confiança dos investidores. “Este reconhecimento está associado a resultados concretos. Saímos da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional, o que devolveu a Moçambique o estatuto de país seguro e transparente do ponto de vista financeiro”, disse.

A decisão de retirar Moçambique da lista cinzenta, formalizada em Junho deste ano, permitiu restaurar a confiança de instituições multilaterais e investidores estrangeiros, abrindo caminho para a retoma de fluxos de investimento directo estrangeiro. O Presidente explicou que “as instituições internacionais estão a reconhecer que Moçambique está a mudar, e a mudança é visível nos resultados – no controlo da inflação, na disciplina fiscal, no combate à corrupção e no relançamento dos megaprojectos de gás natural”.

Durante a mesa-redonda, Daniel Chapo referiu-se também à posição da União Europeia, que anunciou a intenção de remover Moçambique da lista de países de risco para investimentos e financiamentos. “Tudo isto mostra que a imagem de Moçambique está a melhorar e que há confiança renovada na economia do país”, observou.

O encontro empresarial foi, igualmente, uma oportunidade para o estadista moçambicano apresentar as principais oportunidades de investimento em Moçambique, destacando sectores como energia, agricultura, turismo, indústria e infraestruturas. “Tivemos duas mesas-redondas empresariais nesta visita — uma em Washington D.C. e outra aqui no Texas — e sentimos um interesse crescente das empresas norte-americanas em investir em Moçambique”, revelou.

Segundo Daniel Chapo, a resposta do sector privado americano foi imediata e encorajadora. “Nos próximos anos, várias missões empresariais norte-americanas deverão visitar Moçambique para explorar, no terreno, as oportunidades de negócio que o país oferece. Isso mostra que o mundo está a olhar para Moçambique com outra confiança”, disse.

A mesa-redonda contou com a presença de empresários ligados ao petróleo e gás, à energia limpa e às tecnologias de transporte, sectores em que o Texas é referência mundial. Muitos dos presentes manifestaram interesse em conhecer o novo ambiente de negócios moçambicano, reforçado por reformas legais que visam simplificar os processos de licenciamento e tornar mais previsível o quadro fiscal e regulatório.

O Chefe do Estado salientou que a política económica do Governo tem como objectivo criar um ambiente favorável para o investimento privado, nacional e estrangeiro, sem perder de vista a inclusão social. “Queremos um crescimento que seja sustentável e que beneficie os moçambicanos. As reformas que estamos a fazer — da digitalização dos serviços públicos à gestão transparente das finanças — têm um único propósito: tornar Moçambique num país competitivo e confiável para investir”, afirmou.

O reconhecimento atribuído ao Chefe de Estado acontece num momento em que Moçambique se reposiciona como um dos principais destinos de investimento em África, impulsionado pela retoma dos megaprojectos de gás natural, pelo crescimento do sector energético e pela estabilidade política. Para observadores internacionais, o Certificado recebido por Daniel Chapo é também uma mensagem clara de que o país está a recuperar o prestígio internacional e a credibilidade económica perdida ao longo da última década.

O Presidente aproveitou o encontro para reforçar o apelo à diversificação económica, um dos eixos centrais da sua visão de governação. “Temos recursos naturais valiosos, mas o nosso foco é transformar essa riqueza em desenvolvimento real. Precisamos investir em educação, agricultura, turismo e indústria, para criar empregos e garantir que o crescimento económico chegue a todos os moçambicanos”, destacou.

No mesmo tom, Daniel Chapo reiterou que o país não quer depender apenas do gás natural ou de matérias-primas. “Queremos uma economia produtiva, diversificada, que crie oportunidades para a juventude e reduza as desigualdades regionais”, acrescentou.

O condado de Harris, onde decorreu a cerimónia, é reconhecido como um dos centros energéticos mais importantes do mundo, abrigando empresas como ExxonMobil, Shell, Chevron e Halliburton. A escolha de Houston para este encontro não foi, por isso, casual: é ali que se cruzam capital, inovação e tecnologia — os mesmos pilares que Moçambique quer atrair para acelerar o seu desenvolvimento.

Daniel Chapo expressou ainda a gratidão pelo reconhecimento e reiterou a disponibilidade do Governo para continuar a fortalecer as relações económicas e diplomáticas com os Estados Unidos. “Este certificado é, acima de tudo, um sinal de confiança. Mostra que o mundo acredita no potencial de Moçambique e que os investidores reconhecem o nosso esforço em criar um ambiente económico estável, transparente e competitivo”, afirmou.

O gesto da Comissária Leslie Briones encerrou uma semana intensa de diplomacia económica nos Estados Unidos, durante a qual o Chefe de Estado manteve encontros com representantes do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial, da Development Finance Corporation e da Câmara de Comércio dos Estados Unidos. Em todos esses fóruns, Daniel Chapo defendeu a visão de um Moçambique aberto ao investimento, comprometido com a boa governação e determinado em transformar os seus recursos em prosperidade partilhada.

As autoridades nacionais de saúde admitem que continuam a surgir infecções pontuais de Mpox na província de Niassa, epicentro da doença, impedindo a declaração do fim do surto no país, apesar do número significativo de recuperados.

A informação foi confirmada pela directora nacional adjunta de Saúde Pública, Aleny Couto, que diz ainda existirem casos da doença naquela província do Norte do país.

“Para declararmos o fim do surto, temos de ter 60 dias sem um caso que seja positivo. Tendo em conta que na província de Niassa ainda estamos a ter casos positivos, não podemos, neste momento, declarar o fim do surto de Mpox no país”, explicou Aleny Couto, citado pela Lusa. 

“No país ainda temos casos ativos de Mpox, principalmente na província de Niassa, no distrito de Lago”, acrescentou.

Segundo a directora nacional adjunta de Saúde Pública, na terça-feira, a província de Niassa registou mais um caso da doença, elevando o acumulativo de casos para 80, seguindo-se as províncias de Maputo (quatro), Manica (três) e Tete (dois).

Aleny Couto alerta ainda que as pessoas infectadas não têm cumprido com a necessidade de isolamento. “O que nós temos observado, principalmente nas minas de Lupilichi, no distrito de Lago, é que as pessoas não cumprem [com o isolamento], elas continuam com a sua mobilidade”, disse.

De acordo com o mais recente boletim da Direção Nacional de Saúde Pública, com dados de 11 de Julho a 25 de Outubro, do total de 89 casos positivos, apenas 19 estão ainda em seguimento, nas províncias de Tete e Niassa, com 70 dados como recuperados.

Desde Julho foram registados um total de 1753 casos suspeitos e realizados 1713 testes laboratoriais.

As autoridades sanitárias garantiram que Moçambique está preparado para lidar com o Mpox, com capacidade para 4000 testes, feitos localmente, em todas as capitais de província, através dos laboratórios de Saúde Pública.

O primeiro caso de Mpox em Moçambique aconteceu em Outubro de 2022, com um doente em Maputo, no surto anterior.

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