A Procuradoria-Geral da República manifesta preocupação com a superlotação do Estabelecimento Penitenciário Regional Centro, conhecido por Cadeia Cabeça-de-Velho, na cidade de Chimoio. Projectada para albergar 1.500 reclusos, a unidade prisional acolhe actualmente mais de 2.000, situação que compromete as condições de habitabilidade e o processo de ressocialização.
A preocupação foi manifestada durante a visita de trabalho do Procurador-Geral da República à província de Manica, que iniciou esta terça-feira com uma deslocação ao maior estabelecimento penitenciário da região Centro.
“É um edifício muito grande, tem capacidade para por aí 1.500 reclusos, mas está acima de 2.000 reclusos. Portanto, como podem calcular, já está fora do padrão, e isto é preocupante, porque leva a que algumas celas tenham, digamos, reclusos apertados, e isto não é muito saudável para a própria ressocialização dos próprios reclusos.”
Além da superlotação, a Procuradoria identificou o avançado estado de degradação do muro de vedação da cadeia, uma situação que representa riscos tanto para os reclusos como para as comunidades vizinhas.
“O muro de vedação realmente é um grande perigo para as populações circunvizinhas, no sentido de que a qualquer momento pode desabar, mas é também um perigo para os próprios reclusos, porque, se desabarem, então não sabemos o que pode acontecer. Agora, soluções para isto? Naturalmente que isto passa pela reabilitação de raiz do muro de vedação.”
A visita do Procurador-Geral da República à província de Manica prossegue com a avaliação do funcionamento de outras instituições da administração da justiça, incluindo o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC).
A selecção nacional sénior feminina de basquetebol perdeu, na noite desta segunda-feira, diante da Nigéria, por 60-55, em jogo da terceira jornada da fase de grupos da 29ª edição do Afrobasket da Abidjan, Costa do Marfim.
As “guerreiras do Índico” até tiveram uma entrada promissora na partida, ao vencerem os três primeiros quartos, nomeadamente por 13-9, 28-24 e 43-42, dando sinais de vitória.
Porém, no último período, as tricampeãs africanas mostraram a sua grandeza e viraram o resultado perante alguns sinais de cansaço das moçambicanas, que tinham dado tudo ao longo dos primeiros 30 minutos.
O resultado final de 60-55 coloca as “guerreiras do Índico” na segunda posição do grupo D, com três pontos, depois de, na jornada anterior, terem derrotado o Ruanda por 72-55, falhando o apuramento directo para os quartos-de-final.
O jogo acabou por ser caracterizado pelas desqualificações de Leia Dongue e Carla Covane, nos últimos 10 minutos, por excesso de faltas, o que comprometeu a performance das “guerreiras do Índico”, que não conseguiram fechar-se para evitar a reviravolta nigeriana.
Nesse último período, a Nigéria acabou por fazer um parcial de 18-13, fixando o resultado final em 60-55 para a Nigéria.
Assim, Moçambique terá de passar por um play off diante da Guiné-Conacri, na quarta-feira, para chegar à fase do “mata-mata” da competição continental.
Batemo-nos bem diante de uma grande selecção, diz Salé
Na hora de fazer o balanço, Nasir Salé começou por recordar que Moçambique jogava contra uma grande selecção, que não perde nos últimos três Afrobaskets femininos.
“Hoje sabíamos que íamos defrontar uma selecção com muito boa qualidade. Jogámos contra uma grande equipa, jogámos contra um campeão africano, e penso que isso veio de uma experiência da outra equipa. A Nigéria faz hoje 26 jogos sem perder, portanto, nos últimos das três edições que teve nos Afrobasket, não perdeu”, disse.
Relativamente ao jogo em si, Nasir Salé afirmou que foram os detalhes que fizeram com que a selecção não chegasse à final com uma vitória certa.
Por seu turno, Leia Dongue lamentou a sua ausência nos instantes finais, ainda assim satisfeita com a prestação das suas colegas.
“Batemos-nos bem até o final, e o grupo esteve bem. A equipa conseguiu bater-se bem no momento em que eu estive ausente do jogo, e dar os parabéns ao grupo. Todos nós sabemos que jogamos contra a equipa campeã africana, com muito mais experiência. Penso que o facto de as jogadoras terem muito mais experiência, as qualidades individuais, conforme estava a dizer o treinador, os detalhes vieram de cima, mas, como disse no início, estou muito orgulhoso do grupo, por termos dado tudo de nós, muita luta”, revelou, frisando que mesmo as três jogadoras que tiveram a sua primeira aparição no Afrobasket estiveram muito bem.
Leia Dongue promete que “vamos continuar a representar condignamente o país neste campeonato”, salientando o desejo do grupo de chegar mais longe na prova.
“Guerreiras do Índico” querem ombrear de igual para igual com as adversárias
Nasir Salé explicou ainda que o jogo diante do Ruanda foi também mais difícil porque, segundo disse, “a atitude, a qualidade da Ruanda não se difere muito das restantes cinco equipas que disputam este campeonato, com a inclusão de Moçambique”.
Ainda assim, o seleccionador garante que a selecção está no Afrobasket para ombrear de igual para igual com todas as adversárias. “Viemos não só para participar, mas para realmente tirarmos partido daquilo que é o nosso melhor momento, independentemente da estrutura que nós temos, mas, de certa forma, poder encarar este campeonato de igual para igual”, avançou.
Ademais, Salé diz que, apesar da derrota diante da Nigéria, há um propósito do conjunto nacional. “Queremos continuar a lutar para um lugar muito melhor, dignificar o país, dignificar aquilo que é o nosso esforço, dedicação, e, acima de tudo, aquilo que tem sido o empenho por parte das jogadoras da própria Federação Moçambicana de Basquetebol, do próprio povo moçambicano, do Governo que nos apoiou bastante, e esta vai ser a nossa maneira de estar, continuar a lutar por um lugar melhor”, assegurou.
Membros do Conselho Superior da Comunicação Social (CSCS) reuniram-se esta segunda com o Presidente da República, Daniel Chapo, para discutir o estado actual do processo legislativo relacionado ao sector da comunicação e acelerar a aprovação de um pacote de leis fundamentais. O CSCS comprometeu-se a acelerar os trabalhos de análise técnica para assegurar um pacote legislativo ideal às necessidades actuais do país.
Num encontro que contou com a presença de todos os conselheiros do Conselho Superior da Comunicação Social, membros do governo e juristas especialmente convidados, junto com o presidente da República, buscava-se uma forma de avançar com a aprovação de um conjunto de diplomas legais, entre os quais se destacam a Lei da Comunicação Social, a Lei da Radiodifusão, o regime da Carteira Profissional dos Jornalistas e a estruturação de um órgão regulador independente e funcional.
São instrumentos legais que fazem parte de um pacote mais amplo que visa modernizar o sector, garantir maior regulação, promover a liberdade de imprensa e assegurar condições de trabalho dignas para os profissionais da área.
Segundo os participantes, o Presidente da República manifestou preocupação com a lentidão do processo legislativo e questionou os presentes sobre os entraves existentes e possíveis soluções para acelerar os trabalhos sem comprometer a qualidade técnica e a inclusão social no debate.
O Chefe do Estado demonstrou interesse em compreender as etapas já concluídas, os pontos que ainda carecem de análise e os mecanismos legais disponíveis para tornar o processo mais eficiente.
Um dos aspectos sublinhados pelo Presidente Chapo foi a importância de garantir a participação pública e o alargamento do debate. De acordo com o estadista, os temas que envolvem a comunicação social não devem ficar restritos a círculos fechados ou apenas a especialistas, defendendo um processo mais aberto, inclusivo e transparente, que envolva jornalistas, profissionais do sector, organizações da sociedade civil, académicos e cidadãos interessados.
Durante a reunião, foi igualmente reconhecido que já existem avanços importantes em algumas propostas legislativas, mas que há pontos específicos que ainda requerem debate técnico e jurídico mais aprofundado. Por isso, foi sugerido que se adoptem mecanismos de escuta pública, com sessões abertas, audições parlamentares e contributos escritos de especialistas e organizações representativas.
Ao final do encontro, ficou patente o compromisso do Presidente da República em continuar a acompanhar o processo de perto e a incentivar um modelo de governação que privilegie o diálogo, a transparência e o envolvimento da sociedade.
O Conselho Superior da Comunicação Social comprometeu-se a acelerar os trabalhos de análise técnica e articulação institucional com outras entidades relevantes, de forma a cumprir os prazos esperados e assegurar que o novo pacote legislativo corresponda às necessidades atuais do país e ao espírito democrático consagrado na Constituição da República.
O pacote legislativo da comunicação social está em discussão há vários anos e representa um passo essencial para actualizar o quadro normativo que rege a actividade dos media no país. Com o crescimento das plataformas digitais, a transformação da indústria jornalística e os desafios da desinformação, torna-se imperioso rever e modernizar as bases legais que regulam o sector.
A reunião, convocada pelo Presidente da República, marca uma etapa importante no reforço do papel das instituições e na valorização da comunicação social como pilar da democracia e da cidadania.
Cinco dos sete professores que haviam sido transferidos para escolas localizadas fora da cidade de Vilankulo, na província de Inhambane, foram demitidos do aparelho do Estado por abandono de posto. Apesar de continuarem a auferir os seus salários, os referidos docentes estiveram ausentes do trabalho durante 17 meses consecutivos.
São sete professores que leccionavam na cidade de Vilankulo, mas que, em Janeiro do ano passado, foram transferidos para outras escolas dentro do mesmo distrito. Alegando perseguição política, os professores recusaram-se a apresentar-se nos novos postos de trabalho, desafiando a decisão das autoridades educacionais e abrindo um novo capítulo de tensão entre eles e a direcção distrital da Educação.
Durante 17 meses, os professores em causa continuaram a receber os seus salários sem exercerem qualquer função. Esta situação levou à instauração de processos disciplinares que culminaram, em Maio deste ano, com a sua demissão definitiva do aparelho do Estado.
Através de despachos separados, o professor Marcos Halar foi expulso do aparelho do Estado por abandono de posto nos termos da alínea k) do artigo 118, conjugado com alínea e) do no 1 do artigo 62, ambos do EGFAE, enquanto Teles Matsinhe, Efraime Vilanculo, Anastácio Vilanculos e Agira Marrule foram demitidos do aparelho do Estado por incumprimento grave dos deveres funcionais.
A estes quatro professores são imputados os termos da alínea e) do no 1 do artigo 111, conjugado com artigo 117 do EGFAE, pelo facto de não terem exercido as funções em qualquer local que lhes foi designado superiormente e, mais ainda pelo facto de terem exercido outras funções ou actividades remuneradas sem a prévia autorização, prevista nos termos das alíneas e) do no 1 e f) do n’ 2 do artigo 62, ambos do Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado (EGFAE).
É que, para além de não terem exercido as suas funções em qualquer posto designado superiormente, alguns deles se envolveram em actividades remuneradas externas sem a devida autorização, em violação do disposto no artigo 62 do Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado.
Durante o período em que se recusavam a apresentar-se nos postos de trabalho atribuídos, os professores Efraime Vilanculo, Anastácio Vilanculo e Agira Marrule exerciam funções de vereadores no Conselho Municipal de Vilankulo. Tal exercício ocorreu sem qualquer autorização do Serviço Distrital de Educação, violando os princípios da função pública e agravando a sua situação disciplinar.
Vendedores e cidadãos estão agastados com o agravamento do índice de criminalidade no mercado de Malhampsene, no município da Matola. Dentre os casos que se registam com intensidade desde Outubro do ano passado, destaca-se o roubo de produtos à venda.
O mercado de Malhampsene, como qualquer um, deveria oferecer segurança para aqueles que vão à busca de diversos produtos, mas não tem sido assim.
A verdade é que é preciso ter coragem para circular nele, sobretudo para aqueles que trazem perucas, telemóveis e outros bens, porque os malfeitores os arrancam sem piedade.
É um cenário que, segundo contam alguns dos nossos entrevistados, se agravou em Outubro do ano passado.
Maxuel Luate, de 17 anos de idade, contou à nossa reportagem que, para além de presenciar vários roubos e outros casos de criminalidade no local, quase foi vítima.
“Aqui há muita criminalidade a partir das 17 horas. Eu quase sofri roubo por aqui. Enquanto ia apanhar transporte para casa, fui encostado por um senhor. Graças a Deus, o celular estava comigo bem apertado, ele não conseguiu arrancá-lo de mim”, contou Luate.
Diferentemente do Maxuell, que apenas sofreu tentativa de roubo, Francelina não teve a mesma sorte. Contou-nos que são vários os roubos que sofreu no local.
“Neste mercado, há muito roubo. Os ladrões têm sido muito maus, pois, quando encontram alguém de noite, tiram todos os bens, inclusive a roupa que a pessoa traz no corpo. Eu, por exemplo, já fui vítima de mais de dois roubos, é triste”, partilhou a nossa fonte, visivelmente agastada.
Os nossos entrevistados explicaram também que esta situação intimida os clientes, facto que compromete o negócio.
É que, devido ao agravamento de casos de criminalidade, as pessoas optam por ir a outros mercados e paragens. Com esta situação, os vendedores já não conseguem obter os mesmos lucros que antes.
“Este cenário iniciou no período das manifestações pós-eleitorais. De lá até esta parte, as pessoas têm medo de entrar no mercado de Malhampsene. Já não temos paz, o negócio não está como antes, porque as pessoas têm medo, está difícil sustentar as nossas famílias. Pedimos ajuda, pedimos patrulha policial, disse Irene Jeremias.
Importa referir que não é somente Malhampsene com esses casos. Cenário quase idêntico tem vindo a registar-se na Cidade de Maputo. A avenida Guerra Popular tem vindo a liderar no que toca a casos de roubos de perucas, telemóveis e mais.
O secretário de Estado do Ministério dos Recursos Minerais e Energia diz que a definição exclusiva dos sectores de Petróleo e Gás na lei de conteúdo local é estratégica, e as outras indústrias serão gradualmente adicionadas. Entretanto, especialistas na matéria afirmam que a referida lei poderá ser um encargo.
Depois de ter tido espaço em quase todo o país, o processo de auscultação do quadro jurídico nas áreas de minas, energia e hidrocarbonetos chega a Maputo.
Em causa estão as revisões das Leis de Minas; Petróleos; regulamento de concessões de energia eléctrica, taxa de acesso universal e a proposta que cria a lei do conteúdo local, com o objectivo de adequá-los à realidade actual.
“Devemos rever, para que as leis beneficiem o país. Portanto, esse é que é o princípio. E, ao mesmo tempo, atraiam investimento”, disse António Manda, acrescentado que “notamos hoje que as leis não são muito afinadas para beneficiar o país. Então, já estamos a tocar aqueles pontos essenciais, e nós sabemos, os colegas vão perceber, que é preciso agregar valor”.
Questionado sobre o facto de a Lei do Conteúdo Local limitar-se à indústria de petróleo e gás, o secretário de Estado dos Recursos Minerais defende que tal se deve às necessidades actuais e que o instrumento poderá ser estendido no futuro.
“Nós, hoje em dia, não temos o braço comercial do Estado na área de minerais sólidos. Nós embarcamos por essa via por achar que essa área é muito importante nesta fase. Nós temos o gás descoberto, como devem calcular. Mas, se nós não capitalizarmos, aprovando uma lei específica só para o petróleo e gás, nós perdemos mais”, assegurou.
O secretário de Estado do MIREME fez saber que a posterior serão incluídas outras áreas. “Mas o país percebeu que, embarcando para a Lei de Conteúdo Local, aprovando ou focalizando a área de petróleo e gás, ganhamos mais”, esclareceu António Manda.
O processo de auscultação envolve figuras ligadas aos cinco sectores dos quais alguns acreditam que a criação da Lei do Conteúdo Local é desnecessária e os outros instrumentos devem ser inclusivos.
Fátima Mimbire, por exemplo, diz ser estranho que só se foque no sector do petróleo e gás, até porque “o sector de minas tem, também, uma grande demanda logística e de recursos humanos”.
Para Fátima Mimbire, o conteúdo local, da forma como foi desenhado, inclui, também a dimensão dos recursos de contratação de mão-de-obra. “Agora, eu acho que é irrelevante e desnecessária uma Lei de Conteúdo Local para o contexto moçambicano. Sobretudo, nos termos em que esta lei foi, efectivamente, desenhada”, contrapõe Mimbire.
A activista social e especialista na área de conteúdo local diz ainda que a lei não parece estar centralizada ou centrada naquilo que são os bens e serviços específicos do sector.
“Ela está muito preocupada com a provisão de bens e serviços marginais, ou chamaria assim, como, por exemplo, fornecer cafés, comida, até carteiras, livros escolares. Me parece que isto se enquadra dentro das acções de responsabilidade social”, explica.
Por seu turno, Elton Chemane, também especialista na área de conteúdo local, diz esperar que a lei inclua uma obrigatoriedade dos projectos, ou dos investimentos, de declararem a sua necessidade de bens e serviços em toda a cadeia de valores, em toda a fase do projecto.
“Este é o mecanismo, o caminho a seguir para desenhar estratégias para industrializar o país. Hoje em dia, a demanda de um projecto só não é apetecível para investimento para a criação de uma fábrica. Mas, a demanda conjunta dos vários projectos já é um dado que gera mais apetite e reduz o risco dos investidores, sejam eles nacionais, sejam eles públicos ou privados, ou mistos, que se queiram propor a investir na industrialização, que é o caminho a seguir”, aponta Chemane.
No local, o secretário de Estado do Ministério dos Recursos Minerais falou das negociações do contrato de fornecimento de energia à Mozal.
Após a auscultação, os instrumentos serão submetidos à Assembleia da República para serem debatidos.
O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, afirmou que o futuro do sistema penitenciário moçambicano depende de uma mudança de paradigma que valorize a reabilitação em vez da punição, e da contínua valorização dos seus profissionais. Chapo disse ainda reconhecer os desafios que o sector enfrenta, reiterando que o Governo está a promover reformas com vista à humanização da justiça penal
Membros do Conselho Consultivo e da Guarda Penitenciária do Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP) saudaram, nesta segunda-feira, na Presidência da República, o chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo, por ocasião do seu 50.º aniversário, que celebrou na última semana.
Durante a cerimónia, o Chefe do Estado sublinhou que “a justiça penal não é apenas um domínio técnico, ela é uma expressão da nossa visão política e ética sobre o Estado de direito democrático e sobre o tipo de sociedade que queremos construir”.
Na ocasião, o Chefe do Estado saudou todos os profissionais da área que, segundo ele, trabalham “com dedicação e sacrifício, construíram e constroem o SERNAP”, destacando o trabalho de direcção, técnicos administrativos, educadores sociais, formadores, monitores e guardas penitenciários.
“Muitos desses homens e essas mulheres trabalham longe dos holofotes mediáticos, enfrentando condições desafiantes, mas mantendo vivo o sentido de missão”, destacou.
O Presidente da República descreveu o SERNAP como um “instrumento do Estado ao serviço da paz social, da legalidade democrática e da promoção da dignidade humana”, enaltecendo o percurso da instituição nos últimos cinquenta anos, marcado pela consolidação do seu papel no sistema de justiça e pelo contributo para a estabilidade social. “A sua história e trajectória reflectem a história de Moçambique”, frisou.
Reconhecendo os desafios que o sector enfrenta, incluindo os constrangimentos estruturais e a superlotação das prisões, o Chefe do Estado reiterou que o Governo está a promover reformas com vista à humanização da justiça penal. “Estamos a investir na introdução de penas alternativas à prisão, como forma de promover uma justiça mais racional, proporcional e eficiente”, referiu.
O mais alto magistrado da nação anunciou igualmente o reforço dos programas de capacitação profissional e trabalho agrícola nas penitenciárias, transformando-as em “centros de formação e de dignidade”, bem como o aprofundamento de parcerias com a sociedade civil, igrejas e parceiros internacionais, para garantir “uma execução penal partilhada e humanizada”.
Sobre o desafio da superlotação, o governante foi claro ao afirmar que “não se resolve apenas com mais prisões”, defendendo que “precisamos de uma justiça que não castigue apenas, mas que recupere; que não exclua, mas que reintegre”. Sublinhou ainda que a segurança sustentável só será possível com “mais justiça social, mais oportunidades para todos e mais inclusão social”.
Durante a cerimónia, o ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, transmitiu uma mensagem do Conselho Consultivo e da Guarda Penitenciária, na qual os profissionais saudaram o Presidente da República pela “sábia orientação dos destinos da nossa bela pátria amada” e reiteraram o compromisso do SERNAP com o respeito pelos direitos humanos e o tratamento humanizado dos reclusos.
No fim, o Presidente da República deixou uma mensagem de confiança e motivação aos profissionais do SERNAP, apelando à valorização contínua da carreira penitenciária e à dignificação dos seus agentes: “O vosso trabalho é digno, é nobre e é essencial para o funcionamento do país, como um todo. Cada acção vossa em prol da reabilitação de um recluso é uma contribuição directa para a construção de um Moçambique mais justo, mais seguro e mais solidário”.
Donald Trump e a Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, chegaram a um acordo comercial este domingo, na Escócia. Os produtos europeus com destino à América vão passar a ser taxados em 15% .
O anúncio do acordo foi feito pelo presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, este domingo, após uma reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, na Escócia.
O acordo comercial vai impor tarifas aduaneiras de 15% sobre os produtos europeus com destino aos Estados Unidos da América, com excepção da taxa sobre aço e alumínio, que se mantém em 50%.
O memorando surge após os Estados Unidos terem ameaçado a Europa com tarifas de 30%, a partir de 1 de Agosto e o bloco europeu ter preparado um pacote de retaliação no valor de 93 mil milhões de euros.
Trump apontou que a União Europeia se comprometeu a comprar energia dos Estados Unidos, numa margem de 750 mil milhões de dólares e ainda vai investir 600 mil milhões de dólares na América.
Houve também consensos sobre as tarifas zero bilaterais sobre uma série de bens estratégicos, como em produtos químicos, agrícolas, componentes aeroespaciais, matérias-primas e recursos naturais.
Por seu turno, o Japão afirmou, esta segunda-feira, que pretende acompanhar de perto as consequências do acordo comercial entre os dois blocos, apesar de considerar que reduz a incerteza económica.
O Município de Moatize, em Tete, está a investir 20 milhões de meticais para reabilitar e pavimentar estradas degradadas. A requalificação contempla também a reabilitação dos passeios e o melhoramento dos sistemas de drenagem na zona cimento.
A transitabilidade em algumas ruas de Moatize, na província de Tete, poderá melhorar. O Conselho Municipal está a investir 20 milhões de meticais para a reabilitação de 1,5 km de estrada, cujas obras poderão terminar ainda neste ano. O edil de Moatize, Carlos Portimão, refere que se pretende com as obras resolver os problemas que advêm dos buracos nas vias, que, durante anos, foram manifestados pelos utentes.
“Este ano, vamos tratar tantas estradas. Por isso, estamos a reabrir outras estradas e fazer um estudo como pôr o saibo, como pôr os pavês. Isso tudo é um trabalho de continuidade, porque estamos a usar fundos de receitas próprias (…) O orçamento vai nos 20 milhões de meticais”, disse Portimão.
Segundo o presidente do Conselho Municipal de Moatize, os trabalhos decorrem a bom ritmo e contempla também a reabilitação dos passeios e o melhoramento dos sistemas de drenagem
Automobilistas e peões ouvidos pelo “O Pais” reclamam que às estradas estão esburacadas e as suas viaturas ficam danificadas com facilidade, mas estão esperançosos que, com o início dos trabalhos, a mobilidade de pessoas e bens melhore consideravelmente.
“É uma iniciativa possível. Gostaríamos que o município pavimentasse todas as estradas de Moatize (…)”, disse um automobilista.
De acordo com edil de Moatize, os trabalhos de requalificação das principais ruas e avenidas na cidade de Moatize também deverão abranger bairros fora da zona cimento.
A artista plástica Nália Agostinho vai inaugurar, esta terça-feira, a exposição de pintura “Rasgo na Névoa”, no Centro Cultural Português em Maputo. A individual conta curadoria de Jorge Dias e com texto de apresentação de José dos Remédios
Ao fim de dois anos sem expor, Nália Agostinho regressa às individuais de pintura. Com a mostra “Rasgo na névoa”, a artista plástica apresenta uma travessia visual e sensível, numa tentativa de tornar visível o que muitas vezes permanece encoberto, tanto no plano íntimo como no colectivo.
Com curadoria de Jorge Dias, a exposição de pintura surge do desejo de artista romper camadas de silenciamento, de confusão, de não-dito, que se acumulam sobre o corpo, sobre a história, sobre a memória. No entanto, não se trata de uma proposta conclusiva. Pelo contrário, é um gesto de abertura, de interrupção do silêncio, de criação de uma fresta por onde se possa respirar, ver, sentir. É um espaço de escuta e de presença.
Durante a produção da individual de pintura, Nália Agostinho revela que “Aprendi a aceitar a névoa como parte do caminho, não como um erro ou obstáculo, mas como um território fértil de sensações e intuições. Nem tudo precisa de ser claro de imediato”.
Segundo disse a artista, que tem exposto em Moçambique, África do Sul, Portugal e Espanha, o processo criativo exigiu coragem para estar no não-saber, para habitar as ambiguidades. E confessa: “Houve momentos em que precisei de escavar memórias, revisitar feridas, desmontar certezas. Mas foi também um tempo de reencontro com a minha voz, com a minha própria pulsação criativa, após períodos de bloqueio e transição. Aprendi que o rasgo nem sempre é brusco, por vezes é lento, quase imperceptível. Mas, uma vez feito, transforma tudo à sua volta”.
Ao nível mais simbólico, a individual de pintura de Nália Agostinho representa o momento em que algo se revela, mesmo que parcialmente, mesmo que por instantes. É a fresta por onde passa a luz, o som, o corpo que se afirma. É o gesto de romper com silenciamentos, tanto internos como externos. “A névoa, para mim, representa o estado em que muitos de nós vivemos: entre sobrecargas emocionais, pressões sociais, histórias interrompidas. Já o rasgo é o acto de resistência, um gesto íntimo e político de ver e de ser vista”, reforçou a artista: “Representa também o feminino na sua força suave, na capacidade de criar a partir da névoa, de costurar o invisível com delicadeza, sem medo da vulnerabilidade”.
De acordo com o ensaísta José dos Remédios, que assina o texto de apresentação da mostra, “Com uma determinação inabalável, identificada nos traços contínuos e nos objectos propostos, Nália Agostinho tão-somente dá ouvidos à imaginação criativa, que, geralmente, se complementa com a definição do corpo, mas quando a alma é, disfarçadamente, a realização maior. Quer dizer, os acrílicos sobre tela, combinados com carvão e pastéis, integram uma mostra movediça no lugar da imprevisibilidade temática e estética”. E o ensaísta diz mais, ao sublinhar que, em “‘Rasgo na névoa’, a pretensão preponderante vai além da imagem aparente. Na verdade, o que move a artista é um conflito tácito entre os anseios minimalistas e as realizações experimentalistas, entre a cólera e o afecto, o caos e a esperança, claro está, que se dilui no efeito às vezes sombrio da cor”.
No Camões – Centro Cultural Português em Maputo, “Rasgo na névoa” estará patente entre 29 de Julho, com inauguração às 17h30, e 15 de Agosto.
Sobre a artista
Nália das Dores R. J. Agostinho nasceu em 1990, em Maputo. É formada em Ciências Políticas, em Trento. Filha de amantes da música e das artes, Nália foi estimulada desde cedo a explorar a sua criatividade e a olhar o mundo através das diversas formas de expressão artística.
Formada na Escola Nacional de Música, em 2006, no entanto, foi em 2018, após seu retorno a Moçambique, que a sua verdadeira paixão pela pintura floresceu, quando a necessidade de se expressar de maneira mais profunda e autêntica se tornou urgente. A sua arte é um espaço de fusão, onde o visível e o invisível, o micro e o macro, o espiritual e o terreno se encontram.
Nália Agostinho já expôs na Casa da Cultura, no Centro Cultural Moçambicano- Alemão, na FACIM, no 16 Neto, em Maputo; na Xavier Gallery, e na Gallery K, em Joanesburgo, África do Sul; no Espaço Espelhos d’Agua, em Lisboa, Portugal; no Delírio Estúdio, em Madrid, Espanha.

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