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A província de Cabo Delgado regista, em média, cinquenta casos de corrupção por ano, envolvendo, sobretudo, funcionários dos sectores da saúde e da educação. Entre os crimes mais frequentes destacam-se o desvio de fundos públicos, o suborno e outras práticas ilícitas relacionadas com a administração do Estado.

Apesar do elevado número de denúncias recebidas, a Procuradoria Provincial de Cabo Delgado revela que uma parte significativa dos processos acaba por ser arquivada, devido à insuficiência de provas que permitam sustentar a acusação em tribunal.

Os funcionários públicos continuam a liderar a lista dos arguidos, sendo os sectores da saúde e da educação apontados como os mais vulneráveis à prática de actos de corrupção.

Segundo a Procuradoria, o suborno para obtenção de serviços públicos ou de benefícios estatais de forma ilegal figura entre as modalidades de corrupção mais recorrentes na província.

Com o objectivo de aproximar a justiça dos cidadãos e incentivar a denúncia de práticas ilícitas, a Procuradoria Provincial tem vindo a promover campanhas denominadas “Tendas da Justiça”, uma iniciativa que permite recolher preocupações e denúncias da população fora do ambiente formal das instituições judiciais, reforçando a participação dos cidadãos no combate à corrupção.

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A primeira-dama da República, Gueta Chapo, exorta a mulher africana a incrementar o seu contributo em prol do empoderamento da rapariga, na perspectiva de torná-la instrumento catalisador para o desenvolvimento do continente africano.

Numa mensagem endereçada à mulher africana por ocasião do seu dia, que se assinalou ontem, 31 de Julho, Gueta Chapo refere que a data foi consagrada pela União Africana para reflexão sobre o papel da mulher no desenvolvimento social, económico e cultural do continente africano.

“Em Moçambique, é notório o número crescente de mulheres em posições de liderança e governação que, orientadas pelas políticas do Governo, dão o seu contributo assinalável para o desenvolvimento e bem-estar das comunidades”, lê-se na mensagem da esposa do Presidente da República.

A primeira-dama sustenta que é por isso que o nosso país acolheu, em 2003, a reunião que adoptou o Protocolo da Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos sobre os Direitos das Mulheres em África, conhecido como Protocolo de Maputo, um instrumento internacional de direitos humanos estabelecido pela União Africana, em vigor em 2005.

O Protocolo de Maputo assegura os direitos à mulher na sua participação em processos políticos, igualdade do género, saúde reprodutiva, combate à mutilação genital feminina, inclusão financeira e económica, posicionando a mulher no centro do desenvolvimento.

As violência doméstica e sexual continuam a ser uma das maiores preocupações das mulheres. O secretário de Estado do Género e Acção Social defende que se devem divulgar mais leis que promovam a protecção das mulheres, como forma de reduzir os casos. Abdul Razaque falava por ocasião do Dia da Mulher Pan-Africana.

É o Dia da Mulher Africana, e, na Cidade de Maputo, a celebração começou na Praça dos Heróis, onde mulheres, todas vestidas a rigor, mas com culturas e pertencentes a diferentes países africanos, se juntaram para reflectir sobre os seus desafios.

Ao som da banda militar, o secretário de Estado do Género e Acção Social, Abdul Razaque, foi quem dirigiu a celebração, depois de depositar uma coroa de flores, por ocasião da efeméride.

Mesmo sem avançar números, Razaque explicou que os casos de violência contra a mulher e a rapariga, no país continuam preocupantes.

“Infelizmente, há muitos casos que morrem no silêncio, não sei se é por causa da educação da própria mulher, que acabam não denunciando. O Governo já criou instituições vocacionadas na responsabilização de pessoas que praticam actos de violência contra a mulher.”

Outra preocupação é com os casos de feminicídio, que Razaque explica que “há necessidade de continuarmos a divulgar as leis que protegem as mulheres”.

Porque é dia de celebração, as mulheres decidiram exaltar a cultura africana por meio de demonstrações.

A secretária-geral da Organização da Mulher Moçambicana, Cidália Chauque, disse que, apesar das fragilidades, houve avanços para o empoderamento da mulher.

“Comemoramos os efeitos da mulher nas diversas áreas de desenvolvimento social, económico e político dos nossos países. Os avanços não foram só em Moçambique, mas em cada país africano.”

O Dia da Mulher Pan-Africana foi estabelecido para comemorar a primeira Conferência Pan-Africana da Mulher, realizada em Dar es Salam, na Tanzânia, em 1962.

O Millennium BIM é novo membro do clube do Parque Nacional de Maputo à luz de um memorando de entendimento assinado nesta semana, que visa, para além de apoiar o meio ambiente, apoiar as comunidades circunvizinhas do parque. 

No âmbito da sua responsabilidade social, a instituição bancária vai desenvolver sistemas de abastecimento de água potável para mais de duas mil pessoas residentes no distrito de Matutuíne, na Província de Maputo, para além de promover outras iniciativas que passam por reformar os modelos de pagamento para ter acesso ao parque.

“Hoje damos um passo importante e simbólico com a assinatura deste memorando de entendimento. Esta parceria representa o nosso compromisso com a sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento das comunidades locais”, disse Moisés Jorge, PCA do BIM, acrescentado que o acto reforça o papel da instituição financeira no âmbito da sua responsabilidade social.

Num ano em que completa 30 anos no mercado financeiro moçambicano, o Millennium BIM continua com as mãos abertas e a fazer amigos. Em Matutuíne, o banco quer aliviar vidas em sufoco por falta de água potável.

“Com esta iniciativa, iremos apoiar projectos concretos, nomeadamente sistemas de abastecimento de água potável para as comunidades locais, contribuindo, assim, para melhorar a sua qualidade de vida, de forma sustentável e alinhada com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. Queremos ser parte activa na preservação do património natural de Moçambique”, concretizou, afirmando que este é apenas o início de um caminho que queremos trilhar com responsabilidade, solidariedade e visão de futuro.

Localizado na província de Maputo, o Parque Nacional de Maputo oferece uma combinação cénica de planícies, pântanos, pradarias, cadeias de montanhas e florestas de dunas costeiras ao longo de praias de areia branca e fina e um mar de azul turquesa.

Actualmente com mais de cinco mil animais diversos, o parque recebe anualmente mais de 16 mil visitantes, um destino que engloba três ecossistemas, desde terrestre, marinho e costeiro, que, segundo os gestores, a sua sobrevivência é suportada, em parte, pelas melhores parcerias.

“Esta é uma união de vontades entre uma das instituições bancárias mais sólidas do nosso país e uma das áreas protegidas e especiais de Moçambique e do mundo”, disse Miguel Gonçalves, admirador do Parque de Maputo.Denominado Mungano, o clube tem, neste momento, quatro membros instituições e oito singulares, uma iniciativa que agrada à Administração Nacional das Áreas de Conservação. O Parque Nacional de Maputo é património mundial da UNESCO desde Julho do presente ano.

Num passo histórico e simbólico rumo à promoção do direito à habitação condigna e ordenamento urbano inclusivo, o Presidente da República, Daniel Chapo, procedeu esta quinta-feira, 31 de Julho, à entrega oficial dos primeiros 1.200 talhões de terra infraestruturada a jovens moçambicanos, no distrito de Vilankulo, província de Inhambane. 

A cerimónia marcou o arranque de um ambicioso programa governamental que prevê, em todo o país, a disponibilização de mais de 49 mil talhões com infraestruturas básicas como vias de acesso, energia eléctrica, água potável, drenagem e zonas reservadas a serviços públicos e privados. A nova centralidade urbana, implantada numa extensão de 240 hectares, é apresentada pelo Governo como um modelo de desenvolvimento urbano moderno, resiliente e replicável para todos os distritos e municípios do país.

Para Daniel Chapo, este projecto vai muito além da simples distribuição de terra: “Não se trata apenas de dar talhões. Estamos a construir comunidades modernas, planeadas e funcionais, com escolas, unidades sanitárias, zonas de lazer, comércio e infraestruturas públicas. Queremos transformar a urbanização numa força motora do desenvolvimento sustentável do país”, declarou o Presidente da República, perante uma plateia composta por administradores distritais de todo o país, jovens beneficiários, líderes comunitários e parceiros do governo.

O Chefe do Estado destacou que esta iniciativa está alinhada aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), nomeadamente o ODS 11, que visa tornar as cidades e comunidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis. Segundo Chapo, o crescimento demográfico acentuado, combinado com a urbanização desorganizada e os efeitos das alterações climáticas, exigem um novo paradigma de planeamento urbano: “A infraestruturação da terra deve ser pensada estrategicamente, com base em critérios técnicos, ambientais e sociais. Precisamos de territórios preparados para acolher as populações de forma segura, inclusiva e sustentável”, reforçou.

O Presidente foi incisivo ao exigir que os administradores distritais e todas as instituições públicas envolvidas no processo não tratem este projecto de forma burocrática ou fragmentada. “Todos os membros do Governo devem estar engajados. A expansão da rede eléctrica, de abastecimento de água, dos serviços de saúde e educação deve acompanhar a criação de novas centralidades urbanas. Esta integração multisectorial é o único caminho para o sucesso do nosso plano nacional de habitação”, afirmou.

Daniel Chapo apelou também ao uso de tecnologias e materiais locais, como forma de impulsionar o desenvolvimento económico interno e reduzir custos de construção: “Temos que deixar de depender de importações para aquilo que podemos produzir. Vamos estimular a indústria nacional de materiais de construção e criar pacotes fiscais específicos para incentivar essa mudança.”

Com os olhos postos no futuro, o Presidente dirigiu uma mensagem clara e desafiante à juventude beneficiária: “Estamos a entregar-vos uma base para construírem uma vida com dignidade. Em troca, esperamos seriedade, responsabilidade e compromisso com o desenvolvimento sustentável. A juventude deve ser agente activo desta transformação, não apenas beneficiária passiva”.

Os jovens presentes exigiram transparência absoluta no processo de atribuição dos talhões e alertaram que não aceitarão esquemas de favorecimento ou promessas vazias. “Queremos justiça, equidade e oportunidade para todos. Esta terra é o começo dos nossos sonhos”, disseram Jossias Cumbane e Glória Herculano, dois dos beneficiários.

O projecto, segundo o Presidente da República, é também um passo no sentido de corrigir desigualdades históricas de acesso à terra e à habitação: “A Constituição da República atribui ao Estado o dever de criar as condições para que todos os cidadãos tenham acesso à casa própria. Estamos a cumprir esse dever com factos concretos, e não com promessas.”

O investimento inicial do Governo nesta primeira fase foi de 40 milhões de meticais, valor usado para limpeza do terreno, abertura de vias de acesso, ligação de energia e água, e demarcação dos talhões. Chapo deixou claro que os beneficiários terão de contribuir para o reembolso, para permitir a replicação do modelo noutras regiões: “Este é um projecto rotativo. A vossa contribuição é essencial para que outros jovens, noutras partes do país, possam também beneficiar.”

A centralidade de Faiquete foi planificada para incluir postos policiais, escolas, centros de saúde, zonas de lazer, espaços comerciais e até um campo gimnodesportivo. Tudo isso para garantir que os cidadãos não tenham de se deslocar longas distâncias para aceder aos serviços básicos. “Este é o modelo de urbanização que queremos para Moçambique. Planeado, acessível e humano”, disse Chapo.

O Presidente foi claro ao afirmar que a urbanização não pode continuar a ser feita de forma desordenada e improvisada: “Não vamos mais aceitar zonas de expansão sem serviços básicos. A urbanização irregular cria mais problemas do que soluções. Vamos inverter essa lógica com planeamento estratégico e coordenação institucional.”

Em jeito de encerramento, Daniel Chapo felicitou o Fundo de Fomento de Habitação pelos seus 30 anos de existência e reafirmou o compromisso do seu Governo com o direito à habitação: “Não estamos apenas a dar terra. Estamos a criar futuro. Estamos a construir dignidade. E vamos continuar, distrito por distrito, até que nenhum jovem fique para trás.”

A cerimónia de Vilankulo não foi apenas a entrega de terra. Foi o lançamento oficial de um novo olhar sobre o desenvolvimento urbano e a materialização do direito à habitação para milhares de jovens moçambicanos. Uma visão que aposta na inclusão, no planeamento estratégico e na juventude como pilar de transformação do país.

Os braços juvenis do partidos políticos defendem que a participação da juventude no Compromisso Político para um Diálogo Nacional Inclusivo é fundamental para o alcance dos consensos necessários para a pacificação do país. 

Organizações da sociedade civil, partidos e os seus respectivos braços juvenis juntaram-se, esta quinta-feira, para discutir o papel da juventude no Compromisso Político, para um Diálogo Nacional Inclusivo, numa iniciativa do Instituto para a Democracia Multipartidária. 

Falando em representação da Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo, Albino Manguene alertou que, mais do que procurar caminhos para o diálogo, é preciso corrigir os erros cometidos num passado recente.

Os braços juvenis dos partidos políticos entendem que a participação da juventude neste processo é fundamental, pois a juventude tem ideias inovadoras.

Presente na mesa redonda, o Ministro da Juventude e Desportos, Caifadine Manasse, desafiou os jovens a fazerem parte das soluções dos vários problemas que o país enfrenta, sobretudo a paz.

A mesa redonda decorreu sob o lema, unindo vozes de jovens para renovar compromissos nacionais.

Pelo menos seis pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas, esta madrugada, num ataque russo na capital ucraniana, disse o governador regional de Kiev, Timur Tkachenko.

Entre os mortos está um menino de seis anos, escreveu Tkachenko na plataforma Telegram.

Trinta dos feridos no ataque, que danificou 27 locais diferentes em quatro áreas da capital ucraniana, foram hospitalizados, notou o governador, acrescentando que o número de mortos pode aumentar nas próximas horas.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, publicou um pequeno vídeo no Telegram a mostrar os destroços e um edifício danificado.

“Kiev. Ataque com mísseis. Atingiu diretamente um edifício residencial. Sob os escombros há pessoas. Todos os serviços estão a funcionar. Terroristas russos”, diz a mensagem do líder, que acompanha o vídeo.

Pelo menos 22 pessoas foram mortas em protestos violentos em Angola, após aumento no preço dos combustíveis, informaram as autoridades, na quarta-feira, marcando um aumento drástico em relação ao número de quatro mortos registado no dia anterior, segundo escreve o African News. 

A agitação, desencadeada pela decisão do governo de cortar os subsídios ao diesel, levou a confrontos generalizados, saques e prisões em massa, com a tensão a espalhar-se da capital, Luanda, para outras províncias.

Os protestos começaram na segunda-feira, depois que sindicatos de táxis e micro-ônibus lançaram uma greve de três dias em resposta à decisão do Governo de aumentar os preços do diesel em um terço, uma medida que visa reduzir subsídios caros e estabilizar as finanças públicas.

As manifestações rapidamente tornaram-se violentas, com relatos de saques, vandalismo e confrontos mortais entre manifestantes e policiais.

O gabinete do presidente João Lourenço realizou uma reunião de emergência na quarta-feira para avaliar a crise de segurança e coordenar a resposta das autoridades policiais.

Uma declaração presidencial, citada pela African News, confirmou 22 mortes, 197 feridos e 1 214 prisões, além de danos a 66 lojas, 25 veículos e saques em vários supermercados e armazéns.

À medida que a raiva aumenta, o Governo enfrenta uma pressão crescente para equilibrar as reformas fiscais com a estabilidade pública.

Segundo a imprensa internacional, o ataque aconteceu na segunda-feira, quando 100 militantes, supostamente do grupo armado Jama’at Nasr al-Islam wal-Muslimin, invadiu a base militar de Dargo, no norte de Burkina Faso.  

Embora os militares não tenham emitido uma declaração pública, o JNIM esteve por trás de muitas operações mortais recentes na África Ocidental.

Burkina Faso continua a lutar contra uma crescente crise de segurança. Grupos armados agora controlam grandes áreas do país, especialmente em regiões rurais distantes da capital.

A violência provocou grande agitação política, incluindo dois golpes militares desde 2022. Apesar da reorganização de aliados e da liderança militar, o presidente Ibrahim Traoré tem lutado para impedir a disseminação do controle extremista.

O ataque em Dargo ressalta a crescente instabilidade e o alto custo para soldados e civis numa das zonas de conflito mais voláteis da região.

O Presidente da República, Daniel Chapo, traçou um novo paradigma para a liderança local em Moçambique ao discursar esta quarta-feira, 30 de Julho, na IX Reunião Nacional dos Administradores Distritais, que decorre em Vilankulo, província de Inhambane. Num discurso extenso, carregado de simbolismo, firmeza e propósito político, Chapo apresentou o perfil de liderança distrital com que pretende contar neste novo ciclo de governação: uma liderança proactiva, dialogante, próxima das comunidades, com foco nos resultados concretos e sustentáveis.

Perante os 154 administradores distritais recentemente nomeados — dos quais 42 são mulheres, representando 27% do total —, Chapo foi directo ao ponto: “Precisamos de dirigentes comprometidos com a transformação real das condições de vida das comunidades. Cada administrador deve conhecer o seu distrito, sentir o seu povo e agir com responsabilidade e visão”. O Chefe de Estado deixou claro que não quer administradores de gabinete, mas sim líderes com os pés bem assentes na realidade local, capazes de planificar com base em dados e executar com eficácia.

Na presença de governadores provinciais, secretários de Estado, membros do Governo Central e outros quadros séniores da administração pública, o Presidente reiterou que o distrito deve ser mais do que um receptor de ordens superiores: “O distrito deve ser o núcleo de liderança local, espaço de inovação, território de planificação estratégica e centro de decisões públicas informadas pelas necessidades e potencialidades das comunidades locais”, afirmou Chapo.

Para o Presidente, este é o momento de abandonar os discursos vazios e o marasmo institucional: “A população não se alimenta de promessas. Espera resultados tangíveis. Por isso, queremos administradores que saibam planificar, mobilizar recursos, formar parcerias e, sobretudo, escutar e dialogar com o seu povo”. E acrescentou: “Cada administrador deve ter um plano concreto de desenvolvimento. Um plano que promova a industrialização local, o emprego digno e a valorização dos recursos endógenos”.

Daniel Chapo fez uma forte defesa da independência económica como bandeira do seu mandato e vincou que essa caminhada começa nos distritos: “É no distrito que se lançam os alicerces da nossa independência económica. Temos que transformar os nossos recursos naturais em riqueza concreta para as comunidades. Temos jovens com talento, mares, terras férteis e minerais estratégicos. Está tudo nas nossas mãos. Só falta vontade e liderança”, declarou, com veemência.

Numa das passagens mais pedagógicas do seu discurso, o Presidente invocou o sociólogo sul-africano Greg Mills, autor da obra “Porque é que a África é pobre”, para sublinhar que o subdesenvolvimento de muitos países africanos é resultado da má governação e da falta de compromisso com o bem-estar dos povos. “Greg Mills diz que a África é pobre porque os seus líderes escolheram ser pobres. Nós escolhemos o caminho contrário. Escolhemos tirar o nosso povo da pobreza. E vocês, administradores, são os protagonistas dessa missão patriótica”, disse Chapo, arrancando aplausos da audiência.

O Chefe de Estado explicou que o sucesso do Governo depende da actuação dos administradores distritais, que são os primeiros interlocutores do Estado com as populações: “O administrador é o rosto do Estado no território. É ele quem traduz os compromissos do Programa Quinquenal do Governo em acções concretas no terreno. É ele quem deve articular com as forças vivas do distrito — sociedade civil, líderes religiosos e tradicionais, jovens, mulheres, crianças, académicos, jornalistas, agentes económicos — todos são nossos parceiros no desenvolvimento”.

Chapo recordou ainda que o Governo aprovou recentemente o Decreto n.º 4/2025, de 5 de Março, que cria o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), um instrumento destinado a financiar iniciativas empreendedoras nos distritos e nas autarquias, com foco na produção, criação de emprego e geração de renda. O fundo será oficialmente lançado esta terça-feira em Vilankulo. “O FDEL é um marco. Mas deve ser bem gerido. Queremos seriedade, responsabilidade e transparência. Já vimos fundos semelhantes fracassarem por má gestão. Não podemos repetir os mesmos erros”, alertou.

O Presidente sublinhou que o administrador distrital não deve apenas executar o orçamento do Estado, mas deve ter capacidade para atrair investimento nacional e estrangeiro, remover barreiras burocráticas e criar um ambiente propício ao desenvolvimento local. “O administrador deve ser facilitador, não um obstáculo. Deve saber identificar as potencialidades do distrito, desbloquear processos, acelerar licenças, viabilizar projectos e promover cadeias de valor locais”, reforçou.

Num apelo à inclusão, Chapo destacou que a boa governação requer abertura ao diálogo e respeito à diversidade. “O administrador deve estar preparado para escutar o pescador de Mogincual, o camponês de Muidumbe, o professor de Guijá, a jovem empreendedora de Morrumbala. Todos contam. Todos têm voz. Todos são Moçambique”, disse, elevando o tom emocional do seu discurso.

Sobre o futuro imediato, o Presidente indicou que este novo ciclo será de “escuta activa, responsabilização e valorização da base”, com administradores sob constante escrutínio dos órgãos centrais e das próprias comunidades. “Terão apoio político e institucional. Mas serão avaliados pelos resultados que conseguirem produzir”, advertiu.

Durante a reunião, os administradores terão sessões técnicas sobre planificação, orçamento, ética, combate à corrupção, protecção civil, segurança pública, agricultura, desenvolvimento local e protocolo de Estado. Chapo deixou um apelo final para que todos os participantes contribuam activamente para que a reunião seja um espaço de aprendizagem e partilha. “Não estamos aqui para monólogos. Estamos aqui para dialogar, partilhar boas práticas e construir soluções. Saímos daqui não como chefes, mas como líderes preparados para transformar os nossos distritos”, afirmou.

O encontro, segundo o Presidente, marca o arranque de um novo ciclo de governação territorial, com o distrito como unidade estratégica para o desenvolvimento de Moçambique. “Façamos do distrito não apenas um espaço administrativo, mas um verdadeiro polo de esperança, inovação e progresso. Essa é a nossa missão. Esse é o nosso compromisso com o povo moçambicano”, concluiu Chapo, num tom inspirador e determinado.

 

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