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A província de Cabo Delgado regista, em média, cinquenta casos de corrupção por ano, envolvendo, sobretudo, funcionários dos sectores da saúde e da educação. Entre os crimes mais frequentes destacam-se o desvio de fundos públicos, o suborno e outras práticas ilícitas relacionadas com a administração do Estado.

Apesar do elevado número de denúncias recebidas, a Procuradoria Provincial de Cabo Delgado revela que uma parte significativa dos processos acaba por ser arquivada, devido à insuficiência de provas que permitam sustentar a acusação em tribunal.

Os funcionários públicos continuam a liderar a lista dos arguidos, sendo os sectores da saúde e da educação apontados como os mais vulneráveis à prática de actos de corrupção.

Segundo a Procuradoria, o suborno para obtenção de serviços públicos ou de benefícios estatais de forma ilegal figura entre as modalidades de corrupção mais recorrentes na província.

Com o objectivo de aproximar a justiça dos cidadãos e incentivar a denúncia de práticas ilícitas, a Procuradoria Provincial tem vindo a promover campanhas denominadas “Tendas da Justiça”, uma iniciativa que permite recolher preocupações e denúncias da população fora do ambiente formal das instituições judiciais, reforçando a participação dos cidadãos no combate à corrupção.

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O país já registou um total de 31 casos positivos de Mpox, doença altamente contagiosa, cujo primeiro caso foi detectado no passado dia 10 de Julho. Contudo, o Governo garante que não há razões para preocupação. 

O Director Nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, partilhou que “28 casos, que representam 90,3%,  estão na província do Niassa, dois casos na Província de Manica, o que corresponde a 6,5%, e por fim um caso na Província de Maputo, correspondente a 3,2%”.

Deste número, do total de casos positivos, “todos os pacientes encontram-se estáveis e pelo menos 13 já tiveram alta do isolamento domiciliar”, garantiu o Director Nacional de Saúde Pública.

Do dia 10 de Julho até o dia 5 de Agosto, o país acumulava um número total 185 casos suspeitos, tendo sido testados 153 amostras e pelo menos 122 foram descartadas por serem negativas.

Sobre estes números, Quinhas Fernandes tranquilizou, assegurando que “é normal que [os números] sejam elevados devido às várias medidas de rastreamento e prevenção que têm sido levadas a cabo pelos profissionais de saúde”.

O Governo recomenda redobrar as medidas de prevenção, desde a “higiene individual e colectiva, contacto físico com os contaminados, contacto com roupas dos pacientes infectados”  entre outras.

Quinhas lembrou que o país vai solicitar o envio de vacinas mas receia que a resposta   não seja positiva, uma vez que a disponibilidade global é muito restrita. Entretanto, garante que não há razões para criar alarmes ou medo porque até aqui está tudo controlado.

O Marrocos entregou, ontem, o terceiro comboio de ajuda humanitária à Faixa de Gaza, região em conflito desde 2023. O apoio ocorre num contexto em que Israel é pressionado a permitir a entrada de novas ajudas. 

O terceiro carregamento marroquino que atravessou a fronteira de Kerem Shalom, em Israel, inclui medicamentos, materiais médicos e alimentos básicos destinados a civis que enfrentam o drama humanitário na Faixa de Gaza.

Trata-se de uma ajuda que entrou na zona de conflito, na Faixa de Gaza, esta terça-feira e foi recebida pelo Crescente Vermelho Palestino, entidade responsável pela distribuição da ajuda para as áreas mais afectadas da região.

O envio terrestre da ajuda humanitária do Marrocos coincide com as operações intensificadas de ajuda multinacional, com a crescente urgência em lidar com a escassez catastrófica de alimentos e recursos médicos na Faixa de Gaza.

Na semana passada, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, França e Reino Unido realizaram lançamentos aéreos de precisão de ajuda humanitária usando aeronaves militares para contornar restrições de acesso.

O Instituto Nacional de Actividades Económicas (INAE) , ordenou, hoje, a suspensão de actividades do Instituto Médio Politécnico Chonze, na cidade de Moatize, em Tete, por um período de sete dias. A falta de licença e  de condições mínimas de higiene são apontadas como causas da suspensão.

Quatro  dias depois de o “O País” ter noticiado que o Instituto Médio Politécnico Chonze  estava operar ilegalmente há quase seis anos, na cidade de Moatize, nesta terça- feira, a Inspeção Nacional de Actividades Económicas, juntamente com os Serviços Provinciais de Assuntos Sociais fizeram-se ao local e não gostaram do que viram.

A visita continuou nos vários departamentos, mas durante a ronda,  também foi possível ver  muita sujidade, papéis espalhados no chão e animais a circularem pelos corredores da Instituição. Todavia, o INAE entendeu que devia suspender temporariamente as atividades e  estabeleceu o prazo de sete dias para que a instituição possa apresentar a documentação exigida e melhorar as condições de higiene.

Não havendo este pronunciamento e apresentação dos documentos no prazo definido, elaborar-se-á um relatório cujo teor poderá culminar com o encerramento definitivo da instituição.

Um dos responsáveis pelo instituto não quis prestar declarações à imprensa e justificou dizendo que não tinha autorização. Entretanto, a nossa equipe de reportagem sabe de fontes próximas e ligadas ao Instituto, que cerca de 400 jovens  foram supostamente burlados pela Instituição nos últimos cinco anos.

A Fundação Fernando Leite Couto inaugura, esta quarta-feira, às 18 horas, a exposição intitulada “Mahanhela”, do escultor Mapfara e do pintor Phambi. A mostra, que tem a curadoria de Yolanda Couto, fica patente até 30 de Agosto.

Mahanhela é o mote para o encontro de duas gerações de artistas, duas linguagens e uma multiplicidade de representação sobre o colectivo, a comunhão, esse sentido de estar e ser juntos, vivências. 

Com pintura em óleo sobre tela, as obras de Phambi destacam-se por representar “actos humanos”, nos seus estilos de vida, comportamentos e peculiaridades. Enquanto uns entregam o próprio corpo para o peso da vida, outros apegam-se ao lazer e ao entretenimento ou serão as duas coisas, sendo que uma complementa a outra. Mas a mensagem é mais profunda do que o simples materialismo.

As esculturas em cerâmica de Mapfara mostram o interior e o exterior em simultâneo, recusam-se à uma única forma, os rostos multiplicam-se aos nossos olhos e guiam-nos por caminhos sinuosos que ultrapassam a razão. De olhos fechados evitam decifrar-se, deixam para o espectador a tarefa do exorcista.

SOBRE OS ARTISTAS 

Phamby, pseudónimo de Isac Abílio Tivane (1996), vive e trabalha em Maputo. Começou a dedicar-se à pintura em 2015, tornando-se membro do Núcleo d’Arte em 2017. Desde então, teve as suas primeiras obras expostas no Núcleo d’Arte. Ganhou mais experiência trabalhando com outros artistas, principalmente com Butcheca e vem participando em várias exposições colectivas tais como: “Colecção Crescente” (2018) na Galeria Kulungwana, “Feições para um Retrato” (2018) em homenagem ao poeta Fernando Leite Couto, na Galeria FFLC. Destacou-se em terceiro lugar no concurso de pintura “Com o Mar no Horizonte” promovido pelo Núcleo d’Arte.

Mapfara, nome artístico de António Horácio Sitoe, nasceu em Maputo aos 29 de Outubro de 1979, tendo iniciado a sua carreira em 1999, quando se junta à ACHUFRE (Associação Cultural). É daqui onde ele aprende a fazer cerâmica como autodidacta e com o passar dos anos vem desenvolvendo um estilo e técnicas próprias influenciando-se na cerâmica moderna e tradicional moçambicana.

As mais recentes exposições em que realizou foram “O espirito do Mpfara” (2024), Galeria do Porto de Maputo e teve a sua obra representada na “Expo Dubai 2020″ Pavilhão de Moçambique e na exposição Colectiva Três Dimensõesʺ: Percursos, Densidades e Possibilidades” (2021), no CCBM e CCFM.

Entre várias distinções foi vencedor do terceiro prémio do concurso FOOTARTE 2010, com o tema  “odeio o futebol ou adoro o futebol”; teve uma menção Honrosa da bienal das TDM, 2009, e venceu o Commonwealth arts and Crafts Award 2007/2008 da Fundação Commonwealth.

Em Chimoio, um adolescente de 14 anos de idade está a desenvolver um projecto de fabrico de combustível usando resíduos sólidos. O estudante da décima classe diz que pretende, com a iniciativa, reduzir os níveis de poluição do meio ambiente.

Preocupado com os crescentes níveis de poluição ambiental, o jovem Clinton Njanje, estudante da 10ª classe, está a desenvolver um projecto inovador de produção de combustível a partir de resíduos sólidos.

Utilizando materiais recicláveis, Clinton construiu um protótipo funcional que transforma plástico em combustível bruto. Segundo o jovem inventor, o combustível pode ser posteriormente refinado para uso em diferentes tipos de motores.

“Aqui temos esta panela, em que colocamos o plástico e ele derrete. Através do aquecimento, liberta um gás, que ao chegar aqui arrefece, e assim produzimos o combustível. Eu fiz esta experiência pensando no nosso país, porque hoje, principalmente na Beira, província de Sofala, temos muita poluição de resíduos sólidos e lixo, que é o plástico. Então, aqui, a partir do plástico, transformamos e fizemos combustível”, disse o pequeno inventor.

O combustível resultante do projecto é bruto, e, segundo Clinton, pode ser refinado e usado em motores de diferentes tipos.

A criatividade dos jovens em Chimoio não se limita ao campo ambiental. Também da 10ª classe, na Escola Secundária da Soalpo, a estudante Yune dos Santos desenvolveu um sistema de alerta contra invasores, inspirada pelo aumento de casos de assaltos a residências e estabelecimentos comerciais na cidade.

Estes projectos foram apresentados na feira de inovação em Chimoio, promovida pelo sector de educação, cujo objectivo é incentivar os estudantes a transformar ideias em soluções com impacto social e ambiental.

A selecção feminina de basquetebol da Nigéria, as D’Tigress, conquistou o título africano do Afrobasket da Fiba no último domingo, ao vencer Mali por 78-64. Com a vitória, a equipa garantiu sua participação no próximo Campeonato do Mundo da Fiba, próximo ano na Alemanha.

Durante uma recepção em homenagem às jogadoras, o vice-presidente Kashim Shettima anunciou uma recompensa de 100.000 dólares (perto de 6.300.000 – seis milhões e trezentos mil – meticais) e apartamentos de três quartos para cada atleta.

Além das jogadoras, a comissão técnica também receberá 50.000 dólares (metade do valor) e um apartamento.

O presidente Bola Tinubu elogiou o desempenho das mulheres nigerianas no desporto, ressaltando que elas têm trazido orgulho ao país. Tinubu afirmou que a história da D’Tigress deve inspirar os jovens a perseguirem seus sonhos com dedicação.

Entretanto, as promessas de recompensas geraram preocupações sobre a sua viabilidade, considerando a situação econômica do país. Muitos cidadãos questionam a rapidez com que essas promessas serão cumpridas, uma vez que compromissos anteriores, como a entrega de casas para a selecção de futebol de 1994, demoraram décadas para serem honrados.

Recentemente, a equipa de futebol feminino, Super Falcons, também recebeu promessas semelhantes após vencer o Campeonato Africano das Nações de femininos. A expectativa é que as recompensas sejam entregues de forma mais ágil, mas a incerteza persiste entre os adeptos e atletas.

Morreu, esta terça-feira, aos 53 anos de idade, o director de futebol do FC do Porto, Jorge Costa, após sofrer uma paragem cardiorrespiratória, após sentir-se mal quando se encontrava no centro de treinos do FC Porto, no Olival. 

Segundo escreve a imprensa portuguesa, o director de futebol dos dragões ainda foi assistido no local, com recurso a um desfibrilhador, antes de ter sido transportado, de urgência, para o Hospital de São João, em Paranhos, no Porto, onde foi declarado como óbito. 

Natural da cidade do Porto, Jorge Costa deu os primeiros passos no mundo do futebol ao serviço do FC Foz, mas foi ao serviço do FC Porto, clube ao qual chegou, em 1987, com apenas 15 anos de idade, que acabaria por transformar-se numa “lenda” dos relvados. 

Está suspensa a emissão de licenças para a produção e comercialização de bebidas alcoólicas. O anúncio foi feito, esta terça-feira, pelo Ministério da Economia. Por outro lado, o Governo pretende retirar do mercado o xivotchongo, por ser nocivo à saúde dos consumidores.

Quarenta e oito horas depois de o nosso jornal ter exibido uma reportagem de fundo sobre o consumo excessivo de bebidas espirituosas de baixo custo, vulgarmente conhecidas por xivotchongo, e os danos que estas causam à saúde dos consumidores, o Ministério da Economia posicionou-se.

Através de um documento, o Ministério anuncia a suspensão temporária da emissão de licenças para a produção e comercialização de bebidas alcoólicas. “O Ministério da Economia, valendo-se das prerrogativas conferidas por lei no sentido de definir e implementar estratégias de prevenção do consumo precoce de bebidas alcoólicas, comunica a todas as partes interessadas, especialmente os agentes económicos que operam no território nacional, a suspensão temporária da emissão de licenças para o exercício de actividades económicas de produção e comercialização de bebidas alcoólicas.”

Segundo a instituição, esta medida visa assegurar a não proliferação de estabelecimentos de produção e venda de bebidas alcoólicas, especialmente em ambientes públicos e nas imediações de instituições de ensino, bem como criar um ambiente propício à redução, ao máximo possível, dos efeitos nefastos do consumo nocivo de bebidas alcoólicas, sobretudo entre os jovens.

Ainda esta terça-feira, durante o Conselho de Ministros, o Governo revelou que uma das acções em curso é a retirada do xivotchongo do mercado, por ser uma bebida nociva à saúde.

De acordo com o porta-voz do Governo, está neste momento em curso a produção de uma norma que limite a circulação e proíba a produção do xivotchongo.

Importa referir que algumas das fábricas que produzem estas bebidas espirituosas de baixo custo terão sido devidamente licenciadas para tal actividade, estando também a pagar impostos ao Estado.

O Governo depende de doadores para dar dinheiro às escolas públicas para o seu funcionamento. O único valor que saía do Orçamento do Estado foi cortado há três anos. O governador de Nampula convocou uma reunião para discutir o problema das cobranças nas escolas, tendo anunciado a criação de uma comissão multissectorial que deverá apresentar propostas claras para a eliminação das cobranças irregulares nas escolas.

As polémicas cobranças de taxas para a realização de provas, assim como para o pagamento de guardas nas escolas públicas levantam discussões, porque são consideradas ilegais, dada a gratuidade do ensino da primeira à nona classe. 

Sucede que as escolas cobram, aproveitando-se da abertura da lei que prevê aprovação de contribuições pelos Conselhos de Escolas que são formados pelas direcções das escolas e encarregados de educação. 

O governador de Nampula convocou um encontro, nesta segunda-feira, para discutir o problema das cobranças e propor soluções. O evento juntou a sociedade civil, membros do Executivo provincial, académicos, religiosos e magistrados.

Fazendo o diagnóstico da situação financeira das escolas, o director provincial da Educação fez saber que há três anos que as escolas primárias, básicas, secundárias e técnico-profissionais não recebem com regularidade o fundo de funcionamento que saía do Orçamento do Estado, porque “tem tido muitas dificuldades de poder ter esses fundos, e esses fundos são eles que poderiam nos ajudar no pagamento das várias despesas que nós temos nas nossas escolas”.

Williamo Tuzine disse ainda que tem havido exiguidade de fundos e as escolas, por vezes, não têm acesso a esses fundos. Por isso mesmo, elas acabam por recorrer a contribuições dos pais e/ou encarregadas de educação, via conselho de escola, que são as comunidades, como forma de superar as necessidades da escola, através de pagamento específico de guardas sazonais, e espesas de energia e água.

O único valor que é disponibilizado anualmente às escolas é garantido por nove países que financiam o Fundo de Apoio ao Sector da Educação, conhecido pela sigla FASE. O valor varia de 25 a 500 mil meticais, mas para despesas pré-definidas pelos doadores.

Tuzine esclareceu que existe o Fundo de Apoio Directo às Escolas, também conhecido como ADE, que o Ministério de Educação e Cultura vem implementando desde 2003. “Então, tem um programa de apoio directo às nossas escolas, que consiste na alocação de fundo para todas as escolas. E aqui na província de Nampula, todas as escolas recebem esses fundos através do FASE”, esclareceu.

Ademais, de acordo com Williamo Tuzine, “o manual do procedimento para uso desses fundos orienta que 30% do valor alocado seja ao critério da escola, para pequenos reparos, tais como mudanças, por exemplo, de fechaduras, vidros, colocação de portas, etc. E 70% destes fundos devem ser aplicados obedecendo à elegibilidade do material do manual do procedimento na aquisição de seus materiais, como esferográficas, papel A4, agravadores, entre outros materiais, como também casos de materiais de higienização”.

E nem todos os Conselhos de Escola, usam o valor colectado das contribuições para o funcionamento e melhoria das condições das escolas. De acordo com Sheik Abdul Latifo, antigo presidente do Conselho de Escola, há outras fontes de subsídio que deviam ser tomadas em conta.

“Essa taxa de guarda, às vezes, tem sido também fonte de subsídio de alguns presidentes do Conselho da Escola. Eu já fui presidente do Conselho da Escola e vivi essas realidades e sei como as coisas lá eram geridas”, explicou Sheik Abdul Latifo.

O governador de Nampula, Eduardo Abdula, quer solução para acabar com as polémicas nas escolas relacionadas com as cobranças, por isso anunciou “a criação de uma comissão multissectorial que deverá ser formalizada hoje e que terá a missão de, num prazo curto, apresentar propostas claras para a eliminação das cobranças irregulares nas escolas e o reforço dos mecanismos de fiscalização, responsabilização e prevenção”.

A crise no sector da Educação é profunda e, em parte, deve-se ao facto de o Governo se ter demitido da sua responsabilidade e deixado para os doadores e Conselhos de Escolas.

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