O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, anuncia a conclusão das obras de reabilitação da estrada Quelimane–Namacurra, com cerca de 70 quilómetros de extensão. Segundo o governante, faltam apenas neste momento observar um troço de 4,6 quilómetros na entrada da cidade de Quelimane.
As obras arrancaram no segundo semestre de 2020 e tinham conclusão prevista para 2023. No entanto, diversos constrangimentos, sobretudo fenómenos climáticos extremos, condicionaram o cumprimento dos prazos inicialmente estabelecidos.
O ministro dos transportes e logística, João Matlombe, deslocou-se ao local para avaliar o andamento dos trabalhos e anúncio a conclusão dos trabalhos.
No âmbito do programa Mais Estradas, o ministro visitou igualmente o troço Malei–Maganja da Costa, com o objetivo de aferir o nível de preparação da província para o arranque das obras. O projeto encontra-se atualmente na fase de concurso público.
Ainda em Quelimane, Matlombe visitou a área destinada à implantação de um terminal de combustíveis, uma infraestrutura prevista no âmbito do projeto de concessão do Porto de Quelimane, recentemente aprovado pelo Conselho de Ministros.
De acordo com o ministro, o terminal será estratégico para reforçar a capacidade logística da região e responder à procura crescente de combustíveis, incluindo para o mercado do Malawi.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, rejeitou a proposta do seu homólogo Russo, Vladimir Putin, para um encontro presencial em Moscovo, alegando que Putin “pode ir a Kiev” se for do seu interesse negociar para o fim da guerra.
Durante a entrevista a ABC, Zelensky disse que não vai aceitar encontrar-se com Putin em Moscovo, se for do interesse de Putin, deverá ir ao seu encontro.
De acordo com Zelensky, a proposta feita por Putin para um encontro em Moscovo visa apenas “adiar” uma eventual reunião.
A ideia de um encontro presencial entre os dois líderes decorre dos esforços diplomáticos lançados pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, e foi inicialmente proposta para acontecer duas semanas depois das cimeiras no Alasca e em Washington.
Por sua vez, a Ucrânia, que se encontra sob lei marcial desde o início da invasão russa, em Fevereiro de 2022, não consegue organizar eleições representativas, devido aos bombardeamentos no território ucraniano.
Refira-se que, aquando da invasão russa da Ucrânia, as propostas para um acordo de paz entre Moscovo e Kyiv têm fracassado.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou a inclusão do protetor solar na Lista Modelo de Medicamentos Essenciais, um passo histórico que pode transformar a vida de milhões de pessoas com albinismo em todo o mundo, particularmente em África, onde a exposição intensa ao sol agrava o risco de cancro da pele.
A decisão foi anunciada após um longo processo de mobilização internacional liderado pela relatora independente da ONU para os direitos humanos das pessoas com albinismo, Muluka-Anne Miti-Drummond, em coordenação com organizações científicas, académicas e da sociedade civil. A candidatura apresentada à OMS começou a ser preparada em 2022, mas só em 2025 encontrou acolhimento positivo no comité especializado.
Segundo Muluka-Anne, a medida representa “um divisor de águas” na luta contra o cancro de pele entre pessoas com albinismo. “Para pessoas cujas vidas estão marcadas pela vulnerabilidade à radiação ultravioleta, o acesso a protetor solar é transformador. Trata-se de um ganho que salva vidas e que deve ser visto como uma vitória coletiva”, declarou, agradecendo o empenho de estados-membros, cientistas, ativistas e grupos de albinismo que se mobilizaram ao longo do processo.
O caminho até à decisão não foi linear. A primeira candidatura, submetida em dezembro de 2022 com o apoio da Global Albinism Alliance, Fundação Pierre Fabre, Beyond Suncare, ILDS e Standing Voice, foi rejeitada pela OMS em julho de 2023. O comité apontou insuficiências técnicas que inviabilizaram a aprovação.
Apesar do revés, a equipa voltou à carga em 2024. Com o apoio voluntário da especialista em saúde Christa Cepuch e uma série de consultas técnicas, o dossiê foi reforçado. Em novembro do mesmo ano, uma nova candidatura foi submetida, desta vez com o apoio adicional do Relator Especial da ONU para as mudanças climáticas e da África Albinism Network.
Paralelamente, campanhas de pressão pública e petições mobilizaram dezenas de organizações em todo o mundo. Em março e abril de 2025, mais de 20 cartas de apoio foram enviadas à OMS, incluindo uma da Missão Permanente da Tanzânia em Genebra e outra da União Latinoamericana de Albinismo, assinada por mais de 30 entidades.
O esforço coletivo culminou em maio deste ano, quando a relatora independente apresentou pessoalmente a candidatura durante a sessão pública da OMS em Genebra. Ao lado dela esteve Clara Maliwa, uma mulher com albinismo que já foi submetida a tratamentos contra o cancro da pele, testemunhando na primeira pessoa a urgência do reconhecimento.
Muluka-Anne sublinhou que o avanço, embora pareça pequeno face ao conjunto de desafios que ainda se colocam às pessoas com albinismo, prova a força da mobilização conjunta. “Esta vitória mostra o impacto positivo que é possível alcançar quando juntamos esforços e trabalhamos com solidariedade e determinação”, afirmou.
A aprovação da OMS obriga os Estados a considerarem a disponibilização do protetor solar nos sistemas nacionais de saúde, como medicamento essencial. Para países como Moçambique, Tanzânia ou Malawi, onde as taxas de incidência de cancro da pele em pessoas com albinismo são alarmantes, a decisão poderá significar maior acesso a cuidados preventivos e a redução de mortes evitáveis.
O dossiê, que começou com uma reunião informal em 2022, percorreu três anos de negociações, revisões e campanhas globais até ser validado. Para os ativistas, trata-se de mais do que um documento técnico: é um reconhecimento de dignidade e um instrumento de justiça social.
“Este resultado é dedicado às pessoas com albinismo, cuja resiliência nos inspirou em cada etapa. É para elas que este mandato existe e é por elas que continuaremos a lutar”, concluiu Muluka-Anne.
Cento e sessenta e sete estudantes de diversos cursos técnico-profissionais foram graduados nesta sexta-feira, Instituto Médio Politécnico de Engenharia e Negócios, IMPEN. O Presidente do instituto, Raimundo Zandamela, diz que o acto é uma contribuição para a habilitação de jovens para a criação de empregos no país.
O Instituto Médio Politécnico de Engenharia e Negócios, IMPEN, graduou nesta sexta-feira, 167 estudantes, formados nas áreas de Ciências de administração, Eletricidade industrial,
Técnicos de laboratório, Operações hoteleiras e Informática.
Os estudantes, que durante anos deram tudo de si para concluírem com êxito os cursos, falam de momentos de muita provação, desafios sequenciados, mas que não cederam as dificuldades e que “hoje vemos os resultados das lutas”.
“O curso foi muito difícil. Programação não é fácil. Eu, sendo mulher, não é fácil.
Eu segui o meu sonho. O meu sonho sempre foi fazer um curso diferente, como informática. Muita gente diz que eu não podia fazer informática, porque eu curso para homem, esse tipo de coisa, mas eu sempre quis fazer diferente”, desabafou Ricardina Mucaiane, graduada do curso de Tecnologia de Informática.
Os futuros profissionais, em sua mensagem pela graduação, disseram que “este diploma não é apenas um pedaço de papel. É a prova viva de que sonhar é o primeiro passo, acreditar é o segundo, mas perseverar é o que nos leva à vitória. Que este dia nos lembra que a formatura não é o fim, mas sim o começo. O começo de novos voos, novas batalhas e novas conquistas”.
Quem acompanhou cada passo da formação, subiu ao palco e para deixar conselhos.
“Fiquem cientes de que a comunidade moçambicana é exigente e acompanha atentamente a vossa evolução em competências de saber fazer e deposita esperança na transformação tecnológica e social. Em voz. A considerarmos a criar iniciativas de geração de renda eficazes e eficientes. Não basta parecer, é necessário também ser”, disseram os pais dos graduados, em discurso de ocasião.
Para o Presidente do instituto, a primeira graduação da instituição representa uma contribuição na habilitação de jovens para o mercado de trabalho.
“Hoje, vocês não representam apenas as vossas famílias, mas também este Instituto.
São um reflexo do trabalho dos nossos professores e da confiança dos vossos pais. Levem com vocês os valores que aprenderam aqui, como a disciplina, a competência, a ética e a responsabilidade”, disse Raimundo Zandamela.
Convidado para proferir o discurso principal, o Presidente do Conselho de Administração do Grupo Soico desafiou aos graduados a quebrarem o ciclo de vida padrão e apostar no empreendedorismo.
Daniel David disse: “Estou pronto para transformar a minha vida. Estou pronto para vencer. Estou pronto para agregar. Estou pronto para prosperar. Eu, porque quando eu estiver bem no corpo, espírito e alma, facilmente vou servir os outros. Nunca vou servir a pátria enquanto eu não estou bem. A sua empresa, a sua vida, nunca será e nunca vai estar em condições de agregar ao país se a tua família não estiver bem. Começa pela casa, começa pela família, mostra o exemplo, depois passa para o vizinho, passa para os outros e o país vai prosperar. Por isso, a minha mensagem é essa. Sair da conformidade para uma conformidade. Ter o equilíbrio do corpo, espírito e alma. Projetar o conhecimento que aprenderam e terem como base aquilo que é fundamental. Estar nesta terra para servir, porque a vida é o quê? É um flash”.
O Governo da cidade defende a aposta na formação do saber fazer como alternativa ao desemprego.
“Esta graduação é produto da reforma do ensino técnico profissional baseado em padrões de competência, na qual a sociedade deve apostar na formação técnico-profissional dos seus educandos, pois é nele que reside o saber fazer.”
No evento foram graduados os estudantes mais dedicados, com especial destaque para Ricardina Mucaiane, a melhor estudante da instituição, que para além de estágio, ganhou uma bolsa para dar continuidade aos estudos.
O bairro de Benfica, na Cidade de Maputo, será palco, neste domingo, da celebração da música urbana, evento que se enquadra na iniciativa “Tardes de HipHop”, movimento que tem ganhado força nos últimos anos, na capital do país.
O evento, que vai servir também para a reafirmação da cultura HipHop moçambicana, vai reunir artistas, público e marcas num espaço de convivência e boa energia.
Nesta edição, o público terá a oportunidade de assistir às performances de Flame Sheezah, que fará uma sessão de escuta do seu CD “Best of Me”, revelando ao vivo os melhores momentos da sua carreira. Por seu turno, o DJ Verbalistick foi a figura escolhida para proporcionar uma tarde repleta de música, ritmo e criatividade.
Organizado por Epodez da Siderurgia, uma das peças-chave na divulgação e consolidação desta cultura na capital do país, o “Tardes de HipHop” tem-se afirmado como um ponto de encontro para a comunidade HipHop, oferecendo também surpresas e activações especiais que fortalecem a interacção entre artistas e público. O evento vai ter lugar no A Via Bar e Restaurante, às 14 horas.
Uma equipa do Banco Mundial visita, em Nampula, projectos financiados pela instituição nas áreas de agricultura e infra-estruturas sociais e económicas orçados em mais de 200 milhões de dólares, ao abrigo do programa MozRural.
Uma equipa do Banco Mundial encontra-se na província de Nampula a visitar os projectos financiados ao abrigo do Mozrural que conta com um financiamento de mais de 200 milhões de dólares.
Na área da agricultura, o programa apoia pequenos e médios produtores com linhas de financiamento acessíveis, e incentivo ao uso de tecnologias modernas garantindo maior produtividade e segurança alimentar para as comunidades com cerca de 50 milhões de dólares:
No âmbito de emergência na Zona Norte, o projecto apoia a construção de estradas, hospitais, sistemas de abastecimento de água e centros de produção num montante cerca de 204 milhões de dólares.
O projecto MozRural que actua nas regiões Norte e Centro do País, tem como foco aumento da renda agricola, melhorar a segurança alimentar, reduzir a pobreza e desigualdade e fortalecer a resiliência climática.
O Presidente da República endereçou mensagens de condolências aos seus homólogos do Sudão, Abdel Fattah al Burhan, e de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, na sequência de duas tragédias recentes que abalaram profundamente aqueles países.
No Sudão, um deslizamento de terra ocorrido na aldeia de Tarasin, em Darfur, provocou a morte de mais de mil pessoas e originou deslocamentos em massa. Em Portugal, o acidente do Elevador da Glória, em Lisboa, vitimou 17 cidadãos.
Numa mensagem dirigida ao Chefe de Estado sudanês, Daniel Chapo sublinhou que “a perda de vidas e o deslocamento de tantas famílias são verdadeiramente devastadores e os nossos pensamentos estão com todos os afectados por esta tragédia. A nação moçambicana está em solidariedade com o Sudão durante este momento difícil”.
O estadista moçambicano chamou ainda atenção para a crescente frequência de desastres naturais em África, defendendo a necessidade de respostas estruturais e de maior mobilização de recursos. Na sua qualidade de Campeão da União Africana para a Gestão de Risco de Desastres, reafirmou o compromisso de trabalhar com os Estados-Membros e parceiros para fortalecer os sistemas de aviso prévio e de intervenção antecipada.
Em relação a Portugal, Daniel Chapo manifestou “profundo pesar” pela tragédia que enlutou a nação lusa. “Neste momento de luto nacional, permita-me, em nome do Povo e do Governo da República de Moçambique, bem como em meu próprio, expressar as nossas mais sinceras condolências”, escreveu ao Presidente Marcelo Rebelo de Sousa.
Sublinhando os laços históricos que unem Moçambique e Portugal, acrescentou que “a dor de Portugal é a dor de Moçambique. Os laços de profunda amizade e irmandade que nos unem fazem com que sintamos esta perda de forma tão intensa. Endereçamos às famílias enlutadas o nosso mais especial abraço de solidariedade, desejando-lhes força para superar as perdas irreparáveis”.
Os Estados Unidos da América aprovaram 32,5 milhões de dólares em assistência à Nigéria para ajudar a combater a fome. Uma mudança na política externa dos EUA desde a suspensão da maior parte da ajuda através da USAID.
O fundo fornecerá assistência alimentar e suporte nutricional para pessoas deslocadas internamente em áreas afectadas por conflitos, disse a missão dos EUA na Nigéria, em um comunicado, citado pela Africa News.
A directora regional do Programa Mundial de Alimentos para a África Ocidental, Margot Velden, disse que a insegurança e os cortes de financiamento colocaram a Nigéria do Norte sob o domínio de uma crise de fome sem precedentes.
Segundo Velden a crise pode deixar mais de 1,3 milhão de pessoas sem comida e forçar o fechamento de 150 clínicas de nutrição no estado de Borno.
O PMA suspendeu em julho a assistência alimentar em países da África Ocidental e Central afectados por crises devido a cortes de ajuda dos EUA e de outros países.
As reservas de alimentos estavam projetadas para acabar em Setembro corrente para a maioria dos afectados, deixando milhões de pessoas vulneráveis potencialmente sem ajuda emergencial.
A missão dos EUA disse que a doação fornecerá assistência alimentar e nutricional a 764.205 beneficiários no nordeste e noroeste do país mais populoso da África.
De acordo com o comunicado dos EUA, a ajuda inclui complementos nutricionais para 41.569 mulheres e raparigas grávidas e lactantes e 43.235 crianças através de vales electrónicos de alimentos.
A Nigéria também está lidando com uma insurgência na região nordeste, que resultou na morte de cerca de 35 mil civis.
A República Democrática do Congo confirmou um novo surto de ébola no sul de Kasai, relatando 28 infecções suspeitas e 15 mortes. O Ministério da saúde declarou que a doença está a voltar a espalhar-se na região.
Os funcionários da saúde identificaram a paciente inicial como uma mulher grávida internada no final de Agosto, com sintomas de hemorragia em Bulape, tendo morrido dentro de uma semana.
De acordo com a África News, o Instituto Nacional da Saúde Pública declarou uma emergência esta semana após o número de casos potenciais ter aumentado.
Por sua vez, o Ministério da saúde declarou oficialmente esta Quinta-feira, que o Ébola está a espalhar-se novamente na região.
As autoridades provinciais contaram inicialmente oito mortes, mas o número aumentou rapidamente à medida que sintomas típicos de Ébola, como febre alta, vômitos e várias hemorragias, se espalharam entre outros expostos durante o sepultamento.
Esta é a décima vez que o Congo enfrenta essa doença, desde o primeiro surto documentado em 1976. Alguns surtos anteriores mataram centenas de pessoas e a África Central continua em risco de infecções recorrentes.
A economia moçambicana perdeu algum fôlego em Agosto, com o Índice dos Gestores de Compras do Standard Bank a recuar para 49,9 pontos, sinalizando uma ligeira contracção do sector privado. No entanto, o abrandamento não travou as empresas: o emprego subiu pelo terceiro mês consecutivo, e os salários atingiram o nível mais alto em mais de um ano, revelando confiança na retoma.
O estudo, feito pela S&P Global, com base em respostas de cerca de 400 empresas, aponta que a queda do índice global se deveu, principalmente, à redução dos stocks e à maior facilidade em obter matérias-primas. Porém, ao mesmo tempo, houve melhorias em áreas como a produção, as novas encomendas, o emprego e os prazos de entrega dos fornecedores.
O mercado de trabalho foi o grande destaque. Em Agosto, o número de pessoas empregadas subiu pela terceira vez seguida, atingindo o nível mais alto em mais de um ano. Quatro dos cinco sectores acompanhados registaram aumento de trabalhadores. Apenas a construção recuou, devido a atrasos em projectos e dificuldades financeiras. O reforço de quadros está ligado ao crescimento das vendas, ainda que modesto, e à necessidade de acelerar entregas pendentes.
Por outro lado, os custos com pessoal chamaram a atenção. As despesas salariais aumentaram e atingiram o nível mais elevado desde Maio de 2024. Apesar de continuarem abaixo da média histórica, os aumentos mostram que as empresas estão a sentir maior pressão para pagar melhores salários. A razão passa pela necessidade de reter mão-de-obra qualificada e acompanhar o aumento do custo de vida. Além disso, os preços de matérias-primas e insumos também subiram, registando, em Agosto, a inflação mais forte do último ano. Este cenário tem levado algumas empresas a subir ligeiramente os preços dos seus produtos para compensar os gastos.
No geral, a produção cresceu pelo segundo mês consecutivo, embora a um ritmo mais lento do que em Julho, quando tinha alcançado o melhor resultado em dois anos. A agricultura e a construção deram o maior contributo para esta recuperação, mas os ganhos foram compensados por quedas no sector secundário, no comércio e nos serviços. As novas encomendas também aumentaram, mas a um ritmo inferior ao do mês anterior.
Apesar da descida do PMI, as empresas continuam optimistas em relação ao futuro. Cerca de 42% dos inquiridos acreditam que a actividade vai crescer nos próximos doze meses. As razões mais apontadas são o aumento esperado nas vendas, a conquista de novos clientes, mais contratações e a maior disponibilidade de matérias-primas. O sentimento positivo também é apoiado pela perspectiva de novos investimentos, incluindo o acordo entre o Governo moçambicano e a Al Mansur Holdings, do Qatar, que prevê 20 mil milhões de dólares para sectores como agricultura, infra-estruturas, turismo, petróleo e gás.
Mesmo assim, os analistas alertam que o aumento dos salários e dos custos de produção pode pressionar os preços, nos próximos meses, criando riscos de maior inflação. Fáusio Mussá, economista-chefe do Standard Bank, explicou que “o PMI abaixo de 50 mostra contrações mensais consecutivas no sector privado, mas a confiança das empresas aponta para uma recuperação ligada ao progresso dos projectos de gás natural liquefeito, que devem impulsionar a produção”.
Em súmula, o mês de Agosto trouxe sinais de cautela, mas também motivos para confiança. O emprego cresceu pelo terceiro mês seguido e registou o ritmo mais forte em mais de um ano. Os salários também subiram e atingiram o nível mais elevado desde 2024. Ao mesmo tempo, as empresas enfrentam maiores custos de produção e riscos de inflação. A economia privada moçambicana mostra-se, assim, entre desafios e oportunidades: perde algum fôlego no curto prazo, mas prepara-se para um futuro que pode ser mais positivo, se os investimentos estrangeiros e a procura interna avançarem como esperado.

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