O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, anuncia a conclusão das obras de reabilitação da estrada Quelimane–Namacurra, com cerca de 70 quilómetros de extensão. Segundo o governante, faltam apenas neste momento observar um troço de 4,6 quilómetros na entrada da cidade de Quelimane.
As obras arrancaram no segundo semestre de 2020 e tinham conclusão prevista para 2023. No entanto, diversos constrangimentos, sobretudo fenómenos climáticos extremos, condicionaram o cumprimento dos prazos inicialmente estabelecidos.
O ministro dos transportes e logística, João Matlombe, deslocou-se ao local para avaliar o andamento dos trabalhos e anúncio a conclusão dos trabalhos.
No âmbito do programa Mais Estradas, o ministro visitou igualmente o troço Malei–Maganja da Costa, com o objetivo de aferir o nível de preparação da província para o arranque das obras. O projeto encontra-se atualmente na fase de concurso público.
Ainda em Quelimane, Matlombe visitou a área destinada à implantação de um terminal de combustíveis, uma infraestrutura prevista no âmbito do projeto de concessão do Porto de Quelimane, recentemente aprovado pelo Conselho de Ministros.
De acordo com o ministro, o terminal será estratégico para reforçar a capacidade logística da região e responder à procura crescente de combustíveis, incluindo para o mercado do Malawi.
Mais de 3 mil vendedores do mercado Limpopo, em Xai-Xai, decidiram, esta quinta-feira, paralisar as atividades, como forma de exigir a revisão dos contratos em vigor, provisão de água e, suspensão da cobrança do cumulativo de taxas em dívida nos últimos 9 meses deste ano. Município nega suspender e alega tratar-se de um grupo que vendedores que quer boicotar o processo.
A manhã e tarde desta quinta-feira foram de agitação , no maior mercado da província de Gaza.
Os vendedores do Mercado Limpopo, em Xai-Xai, decidiram paralisar o comércio, como forma pressionar a edilidade a suspender processo de cobrança de taxas, alegadamente acumuladas há 9 meses.
“Como havia manifestações, podíamos começar de junho para pagar as mensalidades do mercado. Nós decidimos paralisar e procurar os chefes do mercado”, manifestou-se, um dos vendedores do Mercado Limpopo.
Eles dizem que não estão contra as cobranças, mas, contestam modalidades de liquidação imposta pelas autoridades municipais.
“Estávamos a ser obrigados a pagar recibos do ano passado.Enquanto antes, quando havia reuniões aqui (…) combinamos pagarmos a partir de junho para cá.Mas agora estamos obrigados” lamentou, outro vendedor.
Mas o descontentamento do grupo vai mais além.”Há dois anos, se não for três anos, não temos água, não temos torneiro.Nem casa de banho, nem de qualquer maneira aqui no mercado. O contrato está 300 cada banca. A população que está lá fora deve entrar aqui dentro. Sem isso não vamos pagar, porque não vamos conseguir” exigiram.
Em reação, o Município de Xai-Xai disse tratar-se de acção protagonizada por um grupo de vendedores movidos por agendas pouco claras.
As informações que temos, um grupo só de três que está a criar esta agitação generalizada. Mas nós queremos repetir aqui que existem alguns, neste trabalho que fizemos no primeiro bloco, que estão a pagar as taxas na totalidade. Mas um grupo reduzido lá é que iniciou com esta insinuação. Agora, é normal que não se tenha o valor a pagar-se imediatamente na totalidade de janeiro a esta parte”, explicou, o Porta-voz do Município de Xai-Xai, Dias Nhampossa.
Dias Nhampossa, avança que neste momento, decorre a atualização de dados, mas avisa, que a regularização dos meses, em divida é inevitável.
” Não houve nenhuma combinação. Deixamos claro logo no início da nossa abordagem.Abdicou-se dos pagamentos, das cobranças das taxas no mercado de Limpopo, estou a falar do mês de outubro, novembro e dezembro.E simplesmente as cobranças iniciam de janeiro a este mês de setembro”.
Como forma reduzir a tensão instalada no mercado Limpopo, segue activa uma comissão interna que vai fazer o levantamento das inquietações, dos mais três mil vendedores para o encontro agendado para próxima sexta-feira.
Há anos que Moçambique é descrito como um dos principais corredores para o tráfico de drogas mas nos últimos tende a transformar-se num país consumidor com maior incidência nas escolas, a informação é da Procuradoria-Geral da Cidade de Maputo.
As escolas têm estado a se transformar em focos de venda e consumo de drogas, principalmente na cidade de Maputo, segundo a Procuradoria-Geral da República. Para tentar combater a situação, a PGR está a capacitar membros dos núcleos anti- drogas criados nas escolas envolvendo a comunidade escolar de todas unidades de ensino da capital do país.
De acordo com a Procuradora-Chefe da cidade de Maputo, Natércia Dias, a capacitação dos núcleos anti -drogas, visa criar planos de acção de controlo de venda e consumo de drogas no recinto escolar ‘’ a capacitação tem como objectivo,trazer ferramentas a todos os membros do núcleo especialmente aos estudantes que e para criarem um plano de acção a implementar nas suas respectivas escolas, entretanto, mais do que repreensão estamos preocupados com a prevenção, desse modo temos adotados medidas no sentido de prevenir o consumo de drogas especialmente envolvendo crianças adolescentes e jovens , por essa razão nós tivemos a iniciativa de CRiar os núcleos anti- drogas em todas as escolas da cidade de maputo, que e para garantir o envolvimento em acções a nível de um ambiente escolar que visa prevenir este mal que e o consumo de drogas que traz um mal às crianças, jovens e adolescentes’’ disse
Natércia Dias, salientou ainda que, esse plano de acção, tem em vista prevenir o consumo de drogas e álcool num ambiente escolar, por tanto aqui os estudantes vão trazer as suas reações específicas e concretas a serem implementadas primeiro no ambiente escolar, depois a nível da cidade de Maputo.
Alguns directores de escolas atiram a culpa aos pais e encarregados de educação pelo aumento do consumo de estupefacientes nas escolas e exigem a colaboração de todos para estancar o mal: é preciso referir que as bebidas e outros tipos de drogas, incluindo o cigarro eletrônico, vem de casa, por tanto, e de casa para a escola, é um adulto que partilha esses objectos , mostra- se agora necessário, trabalharmos não só a nível da sensibilização por parte dos alunos como o público alvo, mas também mostra-se urgente incluirmos também os pais e encarregados de educação, afirmou Sabino Congolo | Director da ES Francisco Manyanga
Esta formação envolveu professores, alunos e as direcções das escolas existentes na cidade de Maputo.
A dívida pública de Moçambique voltou a aumentar no segundo trimestre deste ano, ao atingir 17,4 mil milhões de dólares, o equivalente a 79,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Os números constam do mais recente Boletim Trimestral sobre a Dívida Pública, divulgado pelo Ministério da Economia e Finanças.
Segundo o mais recente Boletim Trimestral sobre a Dívida Pública, entre Abril e Junho deste ano, o stock total da dívida de nível central, a dívida pública, cresceu 0,1%, impulsionado pelas emissões internas, enquanto a componente externa registou uma ligeira contracção. No total, o volume de endividamento subiu de 1,071 biliões para 1,072 biliões de meticais.
“O crescimento da dívida do Governo central foi influenciado maioritariamente pela dívida interna, justificado pelas novas emissões no âmbito da Facilidade de Crédito do Banco Central”, refere o boletim trimestral.
No fim do segundo trimestre, em Junho, a dívida interna atingiu 444,9 mil milhões de meticais, uma subida de 0,4% face ao trimestre anterior. As Obrigações do Tesouro representaram 38,8% do total, seguidas dos Bilhetes do Tesouro (33,6%). A componente “outros”, que inclui financiamentos do banco central, passou a representar 27,6% da carteira.
O serviço da dívida interna somou 78,7 milhões de meticais, um aumento de 9% face ao primeiro trimestre, explicado pela maior concentração de vencimentos de títulos.
Em sentido contrário, a dívida externa recuou 0,1%, para 9,8 mil milhões de dólares. O boletim aponta como razões o pagamento regular do serviço da dívida e o compromisso do Governo em “privilegiar a contratação de financiamentos em condições altamente concessionais e donativos”.
A maior fatia do endividamento externo continua nas mãos de credores multilaterais (56,1%), com destaque para a Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA), que detém 30,3% do total, e o Fundo Monetário Internacional (FMI), com 10,1%. Entre os bilaterais, a China é o principal credor (13,7%), seguida pelo Japão (4,1%) e Portugal (3,9%).
No trimestre em análise, o serviço da dívida externa caiu 53,1%, para 98,6 milhões de dólares, aliviando temporariamente as pressões sobre as contas públicas.
Um dos pontos de maior preocupação vem do sector empresarial do Estado (SEE), cuja dívida directa subiu 7,2% no trimestre para 39,5 mil milhões de meticais (619 milhões de dólares).
A pressão veio sobretudo da dívida externa, que cresceu 14,5%, impulsionada por novos financiamentos contraídos pelos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) no valor de 36 milhões de dólares, destinados à expansão do terminal de combustíveis em Pemba. Também a EDM, os Aeroportos de Moçambique e a Tmcel registaram aumentos no stock de dívida.
Internamente, os CFM destacaram-se novamente, com um acréscimo de 504 milhões de meticais, seguidos pela HCB, que aumentou a sua dívida em 53 milhões.
O relatório alerta que 90% da dívida das empresas estatais está indexada a taxas de juro variáveis, o que aumenta a vulnerabilidade em cenários de instabilidade financeira internacional.
O crescimento da dívida pública não é apenas uma estatística macroeconómica: ele tem reflexos directos no dia-a-dia das famílias e das empresas. Quanto maior é a necessidade do Estado de financiar-se internamente através de Bilhetes e Obrigações do Tesouro, maior é a concorrência com o sector privado pelo crédito disponível, encarecendo as taxas de juro e limitando a capacidade de investimento das pequenas e médias empresas, que são as grandes geradoras de emprego. Para as famílias, o efeito traduz-se na redução do poder de compra, pois o Governo, pressionado pelo serviço da dívida, se vê obrigado a cortar despesas sociais ou a aumentar impostos indirectos, que atingem sobretudo os mais pobres. Além disso, quando grande parte do orçamento do Estado é destinada ao pagamento de juros e amortizações, sobra menos espaço para investir em saúde, educação, transportes e infra-estruturas, serviços de que dependem directamente os cidadãos.
O stock agregado da dívida pública e garantida, que inclui Governo central e sector empresarial, cresceu de 17,35 mil milhões de dólares, no primeiro trimestre, para 17,41 mil milhões, no segundo trimestre, equivalente a 1,112 biliões de meticais.
O boletim lembra que, apesar da inflação controlada – 4,0% em Abril e Maio, e 4,2% em Junho –, e da redução da taxa de juro de política monetária para 11%, persistem riscos internos significativos, como “o agravamento do risco fiscal, as incertezas quanto à reposição da capacidade produtiva e os impactos de choques climáticos”.
Especialistas têm alertado que a trajectória da dívida mantém pressões sérias sobre as finanças públicas, afirmando que Moçambique não tem margem para relaxar. Com 79% do PIB comprometido, a sustentabilidade da dívida só será possível com disciplina fiscal, crescimento económico robusto e diversificação das fontes de receita.
O próprio relatório oficial reconhece que será necessário “um reforço da gestão orçamental, maior transparência e mobilização de recursos internos” para evitar desequilíbrios maiores.
Enquanto o Governo procura espaço para financiar programas sociais e infra-estrutura, a crescente factura da dívida interna e o peso das empresas públicas funcionam como um travão adicional. O risco, segundo analistas, é que o Estado continue a depender de emissões internas, o que pode agravar a pressão sobre o sistema financeiro.
O Governo vai passar a registar os artistas moçambicanos e atribuir carteiras profissionais aos fazedores de artes e cultura. O facto consta da proposta de estatuto do artista apresentada hoje, em Maputo. Durante a auscultação, alguns artistas chamam atenção para o risco de o instrumento elitizar a classe.
Depois de muitos anos, a classe artística começa a respirar de alívio, com a apresentação da primeira proposta do Estatuto do artista, um instrumento que regula a actividade.
O reconhecimento da classe é um dos desafios que se pretende responder no instrumento. Diante dos fazedores da arte, Ivan Bonde, Director Nacional de Artes e Culturas, apelou a contribuição de todos neste processo.
Apresentada a proposta, os artistas até saúdam a iniciativa, mas temem pela elitização da classe. O roteirista e actor Alvim Cossa questiona o facto de o instrumento atribuir ao Governo o poder de registar os artistas. Por isso, defende que o estatuto acolha todas as opiniões sinceras de quem faz o dia a dia das artes e cultura.
O processo de auscultação da proposta do estatuto vai decorrer em todo o país.
Quinze pessoas estão detidas, em Maputo, por suspeita de envolvimento no desaparecimento de uma mala com 20 quilos de cocaína no Aeroporto Internacional de Maputo. Sem fornecer detalhes, a Procuradora-Chefe da Cidade de Maputo, Natércia Dias, confirmou o desaparecimento da mala contendo a droga, encontrada na posse de uma cidadã brasileira.
A história começa no passado dia 27 de Agosto, quando uma cidadã de nacionalidade brasileira desembarcou no Aeroporto de Maputo, transportando 20 Kg de cocaína. A mulher conhecida no mundo do narcotráfico como “Mula” foi imediatamente detida, graças a um alerta emitido pela Interpol às autoridades moçambicanas. No entanto, a mala com a droga nunca foi encontrada, desapareceu no próprio aeroporto.
Algumas semanas depois, as autoridades confirmaram a detenção de 15 pessoas envolvidas no caso, incluindo agentes da Polícia da República de Moçambique, trabalhadores da MAHS, responsáveis pela gestão do aeroporto.
De acordo com as autoridades, após sair do aeroporto, a mala foi levada ao bairro de Inhagoia, próximo a base aérea de Mavalane, onde os traficantes aguardavam.
O activista conservador, Charlie Kirk, de 31 anos, morreu após ser baleado durante um evento universitário em Utah, esta quarta-feira. O líder norte-americano, Donald Trump, culpa a esquerda radical e promete retaliação.
O fundador da organização juvenil Turning Point USA, Charlie Kirk foi atingido por um único disparo enquanto discursava sobre a violência com armas de fogo, numa universidade.
Imagens do momento mostram-no levantando a mão antes de colapsar, com sangue jorrando do pescoço. O auditório entrou em pânico e a multidão dispersou-se em meio a gritos e correria.
O evento, promovido pela própria organização de Kirk, gerou forte polarização no campus, pois tinha sido levantada uma petição online que reuniu quase mil assinaturas contra a presença do activista, mas a universidade manteve a realização do debate, defendendo a liberdade de expressão.
Horas depois do ataque, o presidente norte-americano, Donald Trump, na Sala Oval, declarou luto nacional e prometeu retaliação.
“Para meus amigos americanos, estou cheio de dor e raiva do assassinato maligno de Charlie Kirk, em um campus universitário em Utah. Este é um momento escuro para os americanos. Aqueles da esquerda radical têm comparado americanos maravilhosos como Charlie com os nazistas e os piores assassinos e criminosos do mundo. Este tipo de retórica é responsável diretamente pelo terrorismo que estamos vendo em nosso país hoje. E deve parar agora mesmo”, disse Donald Trump.
Trump culpou diretamente a “esquerda radical” pela morte de Kirk e por outros episódios recentes de violência política no país, incluindo o atentado que quase lhe tirou a vida e o assassinato de Brian Thompson, director da United Healthcare.
Já foi localizado o corpo da mulher grávida que tinha sido dada como desaparecida no acidente de viação da Moamba, na Província de Maputo. Enquanto isso, a seguradora do camião que causou o acidente afirma terem sido confirmadas 11 mortes.
Maria, mulher grávida de sete meses, que estava desaparecida depois do acidente da manhã de segunda-feira, em Moamba, acabou por ser encontrada nesta quarta-feira, mas já sem vida. O seu corpo estava na morgue do Hospital Provincial da Matola.
“O nome da minha sobrinha não constava nem da lista do hospital, nem da esquadra. Só fomos descobrir que o nome constava da lista da seguradora, e isso nos deixou muito preocupados. Quando voltámos da Moamba para o Hospital Provincial da Matola foi quando localizamos o corpo depois de tantos transtornos porque havíamos deixado uma foto”, conta Filipe Nhanombe, tio da vítima.
Já Arsénio, marido da vítima, vive uma dor dupla, da perda de sua companheira e daquele que seria o primeiro filho do casal. Diz que a dificuldade em localizar o corpo só piorou tudo.
“Só digo graças a Deus por ter encontrado pelo menos o corpo dela e, neste exacto momento, é só tristeza, porque perdi as duas pessoas que poderiam dar-me mais alegria e eu também poderia oferecer muito”, anota.
A seguradora garante que há trabalhos em curso para garantir a assistência da família.
“A seguradora fez-se ao local ontem para poder apurar o número e todas as questões relativas ao acidente, assim como os preparativos para dar o apoio. Esse apoio será feito e acreditamos que será continuado, mas a seguradora veio já preparada hoje (quarta-feira) para prestar apoio às famílias que estão sem condições”, explicou Henrique Langa, representante da seguradora.
A seguradora revela que, de acordo com os dados apurados pela instituição, são no total 11 mortes confirmadas até ao momento, contrariando o número tornado público pelas autoridades, que indicava nove.
Das seis vítimas levadas ao Hospital Central de Maputo apenas uma continua sob cuidados intensivos.
“Destas seis vítimas quatro ainda estão sobre observação, duas já tiveram alta. Um deles está muito grave, está nos cuidados intensivos é um jovem de 24 anos, mas segundo o relato do médico o paciente tem alguma chance, mas teve um traumatismo crânio encefálico gravíssimo” disse Maria Sitoe, chefe do Banco de Socorros do HCM.
A responsável pelas urgências da maior unidade sanitária do país assegura que tudo está a ser feito para a recuperação dos feridos ainda internados.
O Conselho Municipal de Maxixe assegura que até ao final deste ano será conhecida a empresa responsável pela execução das obras de requalificação da Marginal, cujo arranque está previsto para o primeiro trimestre de 2026.
O projecto, considerado estruturante para o futuro urbano e turístico da cidade, implica também um desafio social: mais de 60 famílias que vivem actualmente na área de intervenção terão de ser reassentadas para abrir caminho às novas infra-estruturas.
Embora ainda não tenha avançado prazos para a remoção das famílias, o edil da Maxixe, Issufo Francisco, garantiu que os trabalhos de requalificação da marginal vão mesmo arrancar em breve, sublinhando que o processo está praticamente concluído no que diz respeito às fases preparatórias.
“Eu não queria comentar nada sobre a questão de reassentamento, sobre o projecto da marginal. O que é verdade é que a marginal vai avançar. Vai avançar no primeiro trimestre do próximo ano. E o concurso provavelmente vai ser lançado dentro dos próximos meses”, afirmou o edil, em declarações aos jornalistas.
A requalificação da marginal é considerada prioritária para a cidade da Maxixe, não só porque irá transformar a frente marítima num espaço mais ordenado e atractivo para residentes e visitantes, mas também porque representa um investimento estratégico no turismo e no comércio local.
A marginal é, actualmente, uma das áreas mais movimentadas da cidade, servindo de ligação entre o transporte marítimo que conecta a Maxixe à cidade de Inhambane e várias actividades económicas ligadas à pesca, ao pequeno comércio e ao turismo.
O projecto vai exigir o reassentamento de mais de 60 famílias exigirá, à semelhança de outros processos semelhantes já registados em cidades moçambicanas, negociações cuidadosas, compensações adequadas e garantias de que os moradores não ficam em situação de vulnerabilidade após a remoção.
Experiências anteriores no país mostram que processos de reassentamento mal geridos podem resultar em conflitos, atrasos nas obras e impactos negativos na vida dos reassentados.
Com a perspectiva de arranque das obras da marginal e a inauguração de novos sistemas de abastecimento, a edilidade da Maxixe procura mostrar que a modernização da cidade pode andar de mãos dadas com a melhoria da qualidade de vida da população.
Contudo, os próximos meses serão decisivos: de um lado, o processo de selecção da empresa responsável pela obra e, do outro, a necessidade de encontrar soluções justas e rápidas para as mais de 60 famílias que terão de deixar as suas casas para dar lugar ao futuro da marginal da Maxixe.
BARRANE PASSA A TER MAIS ÁGUA
O governante falava no bairro Barrane, nos arredores da cidade, momentos após ter inaugurado um sistema de abastecimento de água potável que passa a servir mais de 300 famílias daquela comunidade.
Segundo explicou, a entrega de infraestruturas de água integra uma estratégia mais ampla da edilidade para expandir a rede de abastecimento e reduzir o número de famílias que ainda dependem de fontes precárias, muitas delas insalubres e inseguras para o consumo humano.
Issufo Francisco destacou que a cidade da Maxixe já regista uma cobertura de 87% no fornecimento de água potável, mas reconheceu que ainda há muito trabalho por fazer para garantir que o acesso chegue a todos os bairros.
“Este ano, vamos ainda inaugurar mais quatro sistemas de abastecimento de água. Um em Ruja, outro em Gubo, em Tingatinga e também em Dambu. Portanto, todos são sistemas de abastecimento de água para as nossas comunidades. E, neste momento, estamos numa cobertura de 87% de provimento de água potável ao nível do nosso município”, afirmou.
Apesar dos avanços, muitas famílias ainda enfrentam dificuldades no acesso à água potável, recorrendo a poços abertos manualmente ou a fontes improvisadas, cuja qualidade não oferece garantias de segurança sanitária. A realidade é particularmente crítica nas zonas periféricas, onde a expansão da rede ainda não chegou.
O duplo anúncio do edil — a requalificação da marginal e a expansão do abastecimento de água — revela dois dos principais desafios urbanos que a Maxixe enfrenta: modernizar a infraestrutura urbana, conciliando-a com as necessidades sociais das famílias que serão reassentadas, e ampliar os serviços básicos de água e saneamento para toda a população.
Ao mesmo tempo, o reforço da rede de abastecimento de água está alinhado com as metas do governo central de expandir progressivamente o acesso a este serviço essencial em todo o território nacional, reduzindo desigualdades entre zonas urbanas e rurais. Para o edil da Maxixe, os números demonstram progresso, mas também a urgência de não deixar comunidades para trás.
“Estamos conscientes de que ainda há famílias a depender de fontes precárias. É uma preocupação que não ignoramos e estamos a trabalhar para mudar esse cenário”, frisou Issufo Francisco.
O julgamento do antigo Juiz-Presidente do Tribunal Judicial da Maxixe começou, esta terça-feira, em Inhambane, marcando o desfecho de uma investigação que se arrasta desde outubro de 2019. O magistrado Alexandre José Njovo está a responder por acusações graves: desvio de mais de 3,2 milhões de meticais dos cofres do tribunal, apropriação ilícita com o escrivão Francisco Cumbane, destruição de documentos e abuso de poder.
Segundo o despacho de acusação do Ministério Público, o esquema começou com a emissão de cheques das contas de depósitos obrigatórios — destinados a cobrir emolumentos, cauções ou pensões alimentícias — em favor do escrivão. Os valores eram depois repartidos entre os dois. Os levantamentos ocorreram de forma sistemática entre fevereiro e junho de 2018: 303 mil meticais em uma única operação, seguidos por 354 mil, 100 mil, 291 mil, 81 mil, 155 mil e 66 mil meticais. Num período de seis meses, totalizaram-se mais de 1,25 milhão de meticais, num esquema que se prolongou até o montante global de 3,2 milhões.
Auditoria revela desfalque milionário no Tribunal da Maxixe
Uma auditoria interna realizada ao Tribunal Judicial da Cidade da Maxixe expôs um esquema de desvio de fundos liderado pelo então juiz-presidente, Alexandre Njovo, que em conluio com o escrivão de direito, Francisco Cumbane, terá se apropriado de mais de 3.2 milhões de meticais dos cofres daquela instituição.
O magistrado utilizou as contas de depósitos obrigatórios do tribunal para autorizar levantamentos fraudulentos. Os cheques eram emitidos em nome do escrivão e, logo a seguir, os valores eram repartidos entre ambos.
Os registos bancários revelam a forma meticulosa com que o esquema foi executado. Entre os saques identificados destaque vai para o da data de 25 de fevereiro de 2017, quando a dupla levantou de uma só vez 303 mil meticais. Pouco mais de um mês depois, em 3 de abril, novo cheque foi passado a favor de Cumbane, desta vez no valor de 354 mil meticais.
A atuação repetia-se quase como um relógio. Em 16 de maio, mais 100 mil meticais saíram ilegalmente da conta do tribunal. Já a 4 de junho, o juiz e o escrivão voltaram a agir, apoderando-se de 291 mil meticais. Quatro dias mais tarde, a 8 de junho, o magistrado emitiu outro cheque em conluio com o seu colaborador, movimentando 81 mil meticais.
A ofensiva continuou no mesmo mês. Nos dias 21 e 29 de junho, novos levantamentos foram feitos, no valor de 155 mil e 66 mil meticais, respectivamente.
Os dados mostram que, em apenas seis meses de manipulação das contas do tribunal, Alexandre Njovo e Francisco Cumbane conseguiram retirar indevidamente cerca de 1,25 milhão de meticais, apenas numa primeira fase do esquema.
As conclusões da auditoria apontam que o magistrado não só violou os princípios de transparência e probidade exigidos a um servidor da justiça, como também comprometeu a credibilidade da própria instituição judicial que dirigia.
A tentativa de ocultar os rastros envolveu a destruição deliberada dos canhotos dos cheques, além de manipulação de documentos e preparação de justificativos falsos junto a terceiros, eliminando os principais registos que poderiam comprovar a movimentação irregular dos valores.
O antigo juiz, agora a responder em tribunal, é acusado da prática continuada de um crime peculato, tipificado no artigo 340.º do Código Penal, prevê pena de 1 a 8 anos de prisão para funcionários que se apropriam de bens públicos ou que lhes foram confiados. Como o valor desviado é elevado, a pena aplicável tende para o limite superior da escala. Um crime de abuso de cargo ou função que configura-se quando um servidor público usa o seu cargo para fins pessoais. Embora o Código não estabeleça penalidades específicas nesse artigo, a conjugação com peculato agrava a situação da responsabilidade criminal. E ainda um crime de furto e destruição de processos, livros de registo e documentos oficiais, mencionado no artigo 424.º do Código Penal, impõe pena de prisão maior de 2 a 8 anos e multa de até um ano para quem subtrai, destrói ou desvia processos ou livros de registo.
Além disso, o código prevê que, em casos de concurso de crimes — como os que envolvem peculato, abuso de cargo e destruição de documentos — as penas podem ser cumulativas, dentro dos limites do artigo 124.º.
Expulso do cargo em outubro de 2019 pelo Conselho Superior da Magistratura Judicial, Njovo foi também alvo de procedimento disciplinar que encaminhou o caso ao Ministério Público. Agora, em tribunal, poderá enfrentar penas pesadas, além da obrigação de ressarcir o Estado pelos prejuízos. A atenção pública está voltada para o desfecho deste julgamento, que promete ser rigoroso.

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