O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, anuncia a conclusão das obras de reabilitação da estrada Quelimane–Namacurra, com cerca de 70 quilómetros de extensão. Segundo o governante, faltam apenas neste momento observar um troço de 4,6 quilómetros na entrada da cidade de Quelimane.
As obras arrancaram no segundo semestre de 2020 e tinham conclusão prevista para 2023. No entanto, diversos constrangimentos, sobretudo fenómenos climáticos extremos, condicionaram o cumprimento dos prazos inicialmente estabelecidos.
O ministro dos transportes e logística, João Matlombe, deslocou-se ao local para avaliar o andamento dos trabalhos e anúncio a conclusão dos trabalhos.
No âmbito do programa Mais Estradas, o ministro visitou igualmente o troço Malei–Maganja da Costa, com o objetivo de aferir o nível de preparação da província para o arranque das obras. O projeto encontra-se atualmente na fase de concurso público.
Ainda em Quelimane, Matlombe visitou a área destinada à implantação de um terminal de combustíveis, uma infraestrutura prevista no âmbito do projeto de concessão do Porto de Quelimane, recentemente aprovado pelo Conselho de Ministros.
De acordo com o ministro, o terminal será estratégico para reforçar a capacidade logística da região e responder à procura crescente de combustíveis, incluindo para o mercado do Malawi.
Na Vila de Massinga, em Inhambane, a vida pulsa ao ritmo frenético da Estrada Nacional Número Um (EN1), a principal via que liga o sul e o norte de Moçambique. Ao longo da berma, em pleno asfalto onde circulam diariamente centenas de viaturas pesadas, ligeiras e de transporte de passageiros, estendem-se bancas improvisadas com produtos que vão desde frutas e legumes frescos a roupas em segunda mão, peixe seco, carvão e até pequenos eletrodomésticos. Ali, a cada dia, centenas de vendedores tentam garantir o sustento das suas famílias, mesmo sob o constante risco de atropelamentos e outros perigos.
O cenário tornou-se tão habitual que já parece parte da paisagem urbana: veículos e comerciantes disputam o mesmo espaço, transformando a EN1 numa mistura caótica de estrada e mercado a céu aberto. A Polícia Municipal faz advertências frequentes, mas os vendedores continuam, empurrados pela necessidade de sobrevivência.
“O negócio não anda bem e, por isso, muitos de nós preferimos ficar aqui na estrada, mesmo sabendo do perigo. É aqui onde passa mais gente e conseguimos vender alguma coisa”, contou Elisa José, vendedora que há mais de cinco anos expõe os seus produtos na berma da EN1. Entre o sol escaldante e a poeira levantada pelos carros, Elisa ajeita a sua banca de tomates e cebolas, enquanto mantém os olhos atentos ao fluxo constante de viaturas.
A mesma realidade é partilhada por Ramalho Cossa, outro vendedor que encontra na estrada o espaço “mais rentável” para o comércio, apesar dos riscos. “Sabemos que não é seguro, mas se ficarmos no mercado, passamos dias sem vender nada. Aqui, pelo menos, sempre aparece um cliente”, afirma, admitindo que já foi várias vezes alertado pela Polícia Municipal para abandonar o local.
As autoridades locais não escondem a preocupação. A edilidade de Massinga reconhece que o comércio informal desordenado representa não só um risco para os vendedores, mas também para os automobilistas, que muitas vezes são obrigados a reduzir a velocidade de forma brusca para evitar acidentes. No entanto, o município defende que a solução definitiva não passa apenas por ações policiais ou pelo despejo dos vendedores, mas por uma mudança de mentalidade e comportamento.
Verónica Elias, vendedora que também exerce a atividade ao longo da estrada, confirma as advertências recebidas, mas mostra as dificuldades que enfrentam. “Dizem para sairmos, falam connosco, alertam que não podemos ficar na rua. Mas a verdade é que, se formos para o mercado, ninguém nos compra. Aqui, ao menos conseguimos levar algo para casa no fim do dia”, desabafa.
O edil da Vila de Massinga, Rodrigues Zunguze, defende que existem alternativas viáveis e suficientes para os vendedores, mas falta consciência sobre a importância de ocupar os espaços formais de comércio. “Massinga tem muito espaço para a prática de comércio. Temos o Mercado Sete de Setembro, o Mercado Novo, o Mercado Grossista e outros mercados de grande dimensão na vila. O problema não é falta de espaço, mas sim de sensibilização da nossa população. Precisamos que os vendedores reconheçam que esta atividade deve acontecer em locais próprios”, afirmou.
Para o governante, mais do que construir novas infraestruturas, o desafio é convencer a população a utilizá-las. “Não basta termos mercados. É preciso criar uma dinâmica que leve o produto para próximo da residência do cidadão. Podemos e devemos construir mercados nos bairros, para aproximar os vendedores e compradores, descongestionando a EN1 e devolvendo segurança a todos. O que está em causa é mudar mentalidades”, acrescentou.
A questão não é nova. Em 2020, a edilidade tentou retirar os vendedores que ocupavam as ruas de Massinga numa operação que resultou numa resistência violenta. O episódio terminou em confrontos entre comerciantes e a Polícia, deixando claro que a imposição sem diálogo dificilmente trará resultados duradouros.
A EN1, que deveria ser apenas uma via de circulação rodoviária, continua a ser palco de uma luta desigual entre a sobrevivência e a ordem urbana. Do lado dos vendedores, impera a necessidade de garantir o pão de cada dia. Do lado da edilidade, a preocupação com a segurança e a organização da vila. Pelo meio, permanece um impasse que já dura anos, sem soluções à vista.
O caso de Massinga reflete um dilema maior enfrentado por muitas cidades e vilas moçambicanas: o comércio informal, embora seja fonte de sustento para milhares de famílias, desafia diariamente a planificação urbana, a segurança rodoviária e a saúde pública. Enquanto não se encontrar um equilíbrio entre a necessidade imediata de sobrevivência e o cumprimento das regras de ordenamento, as ruas continuarão a ser ocupadas como mercados improvisados.
E em Massinga, na berma da EN1, a cada dia vendedores e viaturas continuam lado a lado, numa convivência forçada e perigosa, onde a linha entre o sustento e a tragédia é cada vez mais ténue.
Os partidos dos dois principais candidatos nas eleições presidenciais do Malawi declararam vitória na quinta-feira, recebendo repreensões da comissão eleitoral, que ainda não anunciou os resultados.
A votação de terça-feira foi uma disputa acirrada entre o presidente Lazarus Chakwera e Peter Mutharika, o ex-presidente que foi derrotado por Chakwera nas últimas eleições, cinco anos atrás.
Autoridades do Partido do Congresso do Malawi de Chakwera e do Partido Democrático Progressista de Mutharika realizaram conferências de imprensa separadas, declarando que seus candidatos haviam vencido.
O Comitê Eleitoral do Malawi diz que contou mais de 99% dos votos, mas não declarou nenhum resultado.
“A comissão não apressará o processo de gestão de resultados só porque alguns líderes de partidos políticos e candidatos estão a aumentar a pressão”, disse a presidente do MEC, juíza Annabel Mtalimanja.
Ela disse aos partidos e seus candidatos para respeitarem os procedimentos de contagem.
Os malawianos votaram no presidente, bem como na composição do Parlamento e em mais de 500 representantes do governo local em um país predominantemente rural de 21 milhões de pessoas no sul da África.
A corrida presidencial contou com 17 candidatos, mas analistas previram que a disputa seria acirrada entre Chakwera, de 70 anos, e Mutharika, de 85. Um candidato precisa obter mais de 50% dos votos para vencer. Caso contrário, haverá uma segunda volta.
As forças de segurança de Israel informaram, hoje, que um suposto alto responsável dos serviços de informações do grupo palestiniano Hamas foi morto num ataque aéreo israelita na Faixa de Gaza.
O Exército de Israel detalhou, em comunicado, que o indivíduo, identificado como Mahmoud Abu al-Khir, integrava o batalhão Bureij do Hamas e foi alvo de um recente bombardeamento no norte de Gaza.
“Foi atingido durante uma operação da Força Aérea israelita”, afirmou o comunicado, acrescentando que “foram adotadas todas as precauções para reduzir ao mínimo as baixas civis” durante a ação, conduzida pelo regimento de artilharia.
Segundo a nota, citada pela Lusa, Abu al-Khir esteve envolvido em diversos ataques contra Israel.
O comunicado destacou ainda a intensidade das operações na Cidade de Gaza, onde mais de uma dezena de membros do Hamas foram mortos nas últimas 24 horas.
“No sul, nas cidades de Khan Yunis e Rafah, dezenas de estruturas usadas pelo Hamas também foram destruídas”, acrescentou o Exército.
A ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza continua, tendo provocado mais de 65.100 mortos desde 7 de outubro de 2025, em resposta ao ataque do Hamas que resultou em cerca de 1.200 mortos e 250 reféns.
A embaixada do Brasil em Maputo lança o Programa de Estudantes-Convênio – Pós-Graduação (PEC-PG), edição 2025. O PEC-PG, coordenado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e pelo Ministério da Educação (MEC), tem por objetivo oferecer cursos em programas de pós-graduação presenciais a cidadãos de países com os quais o Brasil mantém acordos educacionais, culturais ou científico-tecnológicos, caso de Moçambique.
O programa visa selecionar até 650 bolsistas não brasileiros, sendo 100 na modalidade doutorado pleno; 350 na “doutorado-sanduíche”; e 200 para mestrado pleno. O programa cobrirá, pela primeira vez, a modalidade “doutorado-sanduíche”, desenvolvido, de forma presencial, parte no Brasil, parte em Moçambique, país com o maior número de selecionados(as) em sua última edição.
As inscrições para o PEC-G deverão observar o seguinte calendário: Período de inscrição para as modalidades doutorado pleno e mestrado pleno: de 14 de agosto a 29 de setembro de 2025; e Período de inscrição para a modalidade “doutorado-sanduíche”: de 1° de outubro a 30 de dezembro de 2025.
O Sporting Clube de Portugal entrou a vencer na UEFA Champions League por quatro bolas a uma aos caiaques do Kairat. A partida decorreu no Estádio José Alvalade, em Lisboa.
Um começo positivo para a equipa de Geny Catamo na Liga dos Campeões, com uma vitória de 4 – 1, frente ao Kairat Almaty.
Um bis de Francisco Trincão e os tentos de Alisson Santos e Geovany Quenda ditaram a entrada da melhor forma dos leões na competição.
O marcador foi inaugurado por Francisco Trincão, que, no minuto 44, atirou a bola para o fundo das redes, encerrando a primeira parte com um placar de 1-0.
A segunda parte continuou difícil para o FC Kairat, com Trincão a marcar o segundo. Alisson Santos marcou o terceiro golo, o primeiro como jogador do Sporting, dificultando ainda mais para o Kairat.
Geovany Quenda juntou-se ao festival de golos ao marcou o quarto dos leões, no minuto 68.
Finalmente, aos 85 minutos de jogo, a formação do Cazaquistão conseguiu chegar ao golo de honra num forte remate de Edmilson, fechando as contas em 4-1.
Apenas 17% da população moçambicana está coberta por algum tipo de seguro, revelou, nesta quinta-feira, o secretário de Estado para o Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, durante a XXIV Conferência Anual da Associação de Supervisores de Seguros dos Países Lusófonos (ASEL), realizada em Maputo.
Com uma população superior a 30 milhões de habitantes, o número de pessoas com seguro ainda é considerado bastante reduzido, sendo os homens os que mais recorrem aos serviços disponíveis. Segundo Tivane, “nós somos uma população de cerca de 32 milhões de habitantes, e mais da metade é economicamente activa. Contudo, em 2022, apenas 31% dos adultos possuíam uma conta bancária, a cobertura de pensões abrangia somente 14% da nossa população adulta e apenas 17% tinham acesso a algum serviço de seguro, actualmente”.
A baixa adesão reflecte a escassez de conhecimento da importância dos seguros e a fraca penetração do sector na economia, com apenas 2% de contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB), comparativamente aos 4% registados, em média, nos países da CPLP. A meta do Governo moçambicano é atingir os 3% nos próximos anos.
A conferência também destacou o papel da tecnologia como elemento essencial para impulsionar o sector segurador. A presidente do Conselho de Administração da ASEL, Ester José, defendeu a inovação como caminho para a inclusão. “O desafio é, agora, aliar-se à tecnologia para criar produtos personalizados e acessíveis, garantindo que o consumidor os utilize de forma consciente”, afirmou.
Ester José sublinhou ainda que “a inteligência artificial revela ser uma força transformadora que tende a redefinir a subscrição de riscos e a gestão de sinistros, trazendo novos desafios regulatórios para a ASEL”.
Para Moçambique, um dos países mais vulneráveis do mundo a eventos climáticos extremos, a necessidade de mecanismos de protecção torna-se cada vez mais urgente.
“Precisamos de um sector de seguros robusto, inclusivo e preparado para enfrentar os desafios do presente e do futuro, com destaque para as mudanças climáticas, apostando nas novas estratégias tecnológicas e na gestão sustentável dos nossos recursos naturais”, apelou Tivane.
“A necessidade de seguros paramétricos e agrícolas tende a deixar de ser um discurso académico para se tornar uma prioridade política”, alertou Ester José, sublinhando o papel estratégico do sector segurador na resiliência das economias lusófonas.
A porta-voz do Instituto de Supervisão de Seguros de Moçambique (ISSM), Francelina Sitoe, reconheceu que a falta de conhecimento e confiança nos seguros continua a ser uma barreira significativa. “Nem toda a população compreende a importância de assegurar a sua saúde e os seus bens, daí que precisamos de continuar a trabalhar para conquistar a confiança da população”, afirmou Sitoe.
O seguro automóvel continua a liderar a procura no país, mas, durante a pandemia da COVID-19, houve um crescimento expressivo dos seguros de vida, reflectindo uma mudança no comportamento dos consumidores moçambicanos.
O Governo e os operadores do sector comprometem-se a fortalecer a regulação, promover a inovação tecnológica e reforçar campanhas de educação financeira. A intenção é, não apenas aumentar a taxa de cobertura, mas também garantir que os seguros sejam ferramentas eficazes na protecção social e económica dos moçambicanos.
A vandalização e o roubo de materiais que compõem as infra-estruturas públicas continuam a gerar prejuízos elevados às empresas, atrasando a expansão de serviços essenciais e comprometendo investimentos estratégicos.
Só a Electricidade de Moçambique (EDM) contabilizou, nos últimos quatro anos, perdas superiores a 300 milhões de meticais, resultado do furto de cabos, transformadores e outros equipamentos eléctricos.
Na busca de soluções para o problema, nesta quinta-feira, representantes de empresas públicas e privadas e instituições de justiça reuniram-se num fórum de prevenção e combate à vandalização de infra-estruturas públicas, onde analisaram o problema e defenderam a aplicação de penas mais severas aos infractores, como forma de desencorajar a prática.
Para Salmata Insa, chefe do departamento de Prevenção e Combate à Vandalização de Infra-Estruturas da EDM, “a vandalização é um crime bastante terrível, que não deve ser analisado apenas como uma questão de segurança da infra-estrutura, mas pelo impacto nefasto que tem na economia do país e na vida das pessoas”.
Segundo Insa, os prejuízos acumulados pela EDM, nestes quatro anos, poderiam ter sido aplicados na expansão da rede eléctrica e melhoria dos serviços, contribuindo para o objectivo de levar energia a todos os moçambicanos até 2030.
Os malfeitores pretendem, com o roubo, extrair cobre, cujo comércio, tanto nacional quanto regional, tem crescido. A EDM identificou cerca de 318 sucatarias clandestinas no país, que compram ilegalmente o cobre, que depois é exportado através dos portos e fronteiras.
“Então, é preciso, não só olharmos isso como um problema de Moçambique, mas um problema regional. Sendo um problema regional, é importante que Moçambique, como faz parte de várias convenções internacionais, esteja alinhado com aquilo que são as estratégias de prevenção e combate à vandalização. Países como Eswatini, Malawi, Tanzânia e África do Sul, que, por sinal, são países vizinhos, já baniram a exportação da sucata do cobre. Isto é uma recomendação da região, e não faz sentido um país como Moçambique, que não é produtor de cobre, exportar grandes quantidades de cobre”, referiu a representante da EDM.
Porém, o impacto não se restringe ao sector eléctrico. A empresa Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) reporta a remoção e venda ilegal de elementos de fixação, carris e travessas metálicas, comprometendo a segurança das linhas férreas. Esse material, segundo o director de Operações Ferroviárias da CFM-SUl, Arnaldo Manjate, é levado para pesagem e venda como sucata, no mercado informal.
Só neste ano, conforme fez saber, por conta do roubo de material na região sul, a CFM teve prejuízos directos na ordem de cinco milhões de meticais.
“Estes cinco milhões referem-se apenas ao material retirado, mas as consequências disso, ou seja, o valor que nós acabamos gastando por conta das paralisações dos comboios, por conta também de alguns descarrilamentos que são causados por esta situação, podemos chegar a cerca de 2 milhões de dólares americanos, quase 128 milhões de meticais”.
Estes valores não incluem as perdas em relação à instituição.
Já a Tmcel, que tem sofrido roubos todos os dias, defende que estes crimes devem ser tratados como crimes públicos e não simples, uma vez que os prejuízos acumulados têm reflexo directo na qualidade e cobertura dos serviços prestados aos cidadãos.
Para Manuel Mabunda, representante da empresa de telefonia móvel, urge a necessidade de um quadro legal mais rígido, para travar a vandalização de infra-estruturas públicas, pois entende que “um indivíduo que vandaliza uma infra-estrutura não pode ser julgado da mesma forma que quem rouba galinhas ou patos. O crime deve ser tratado como crime público, com penas proporcionais às consequências”.
Um dos exemplos dados foi a condenação de um homem, há dois meses, na vizinha Tanzânia, a 40 anos de prisão por ter vandalizado uma infra-estrutura pública, enquanto no país, geralmente, quando detidos, os indiciados são soltos logo de imediato, por se entender que a sua acção foi leve.
“Quando alguém corta um cabo de fibra óptica ou retira baterias de antenas, não se trata apenas do custo do equipamento, mas das consequências: interrupção de comunicação, falha na rede móvel e fixa, e prejuízos elevados para a sociedade. As penas actuais são muito brandas e não desestimulam o crime”, afirmou.
As empresas reiteram que os roubos e vandalizações só atrasam a expansão dos seus serviços e a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.
O Presidente da República, Daniel Chapo, anunciou recentemente a requalificação do aeródromo de Massingir, na província de Gaza, com o objectivo de transformá-lo numa porta de entrada para turistas internacionais e numa infra-estrutura estratégica para exportações agro-pecuárias. A iniciativa visa atrair voos de grande porte nos próximos 10 a 20 anos.
O projecto integra-se na visão de posicionar Gaza e Inhambane como pólos de turismo sustentável, combinando biodiversidade, savanas e praias com valorização cultural local. O anúncio foi feito durante o lançamento do projecto hoteleiro avaliado em 140 milhões de dólares, com conclusão prevista para 2028.
Além do aeródromo, será desenvolvido o corredor Mapinhane–Pafuri, que ligará regiões agrícolas a zonas turísticas, promovendo cadeias de valor em sectores como agricultura, energia e hotelaria. A infra-estrutura facilitará o escoamento de produtos orgânicos e o fornecimento ao hotel de luxo.
O Presidente destacou ainda os programas de formação em hotelaria e gestão ambiental, com 23 jovens já capacitados na África do Sul e planos de expansão. Segundo Chapo, o investimento projecta Moçambique no mapa do turismo de luxo, com inclusão social, sustentabilidade e novas oportunidades para a juventude e comunidades locais.
Cerca de duzentos trabalhadores da Nuke Transportes, uma empresa subcontratada pela mineradora Vulcan, em Moatize, estão em greve desde esta quinta-feira, alegadamente por maus-tratos protagonizados pelos gestores da empresa.
Os trabalhadores amotinaram-se no parque de estacionamento da empresa, protestando contra más condições de trabalho. Segundo relataram, as refeições têm sido insuficientes e de baixa qualidade nutricional.
Um dos trabalhadores da empresa em causa conta que há mais de dois anos tem se alimentado mal.
“Quebrámos o silêncio por causa da má alimentação que nós temos tido há dois anos, e já vamos para o terceiro. É um assunto que já reportámos à direcção da empresa, e, até agora, ainda não trouxe nenhuma solução.”
A falta de um seguro de saúde também está a gerar preocupação no seio dos trabalhadores.
“Alguns colegas que tiveram acidentes de trabalho… houve demora por parte da empresa para prestar assistência. Temos colegas que já têm tuberculose e, quando recorrem à empresa, não têm respostas positivas”, disse um outro trabalhador.
Os trabalhadores exigem posicionamento dos gestores da empresa Nuke Transportes, caso contrário, ameaçam continuar com a greve por tempo indeterminado.
O “O País” contactou a empresa para se pronunciar sobre a acusação dos trabalhadores, mas a secretaria alegou indisponibilidade por parte dos proprietários.

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