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As Organizações Sem Fins Lucrativos negam que estejam envolvidas em crimes de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. Por isso, exigem um tratamento diferenciado diante dos bancos comerciais e das autoridades públicas ligadas à matéria.

Por constarem da lista dos suspeitos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo há cerca de dois anos, nesta quinta-feira decidiram sentar-se à mesma mesa com o Governo e os bancos comerciais para limpar o seu nome e exigir também um tratamento menos asfixiante.

Num evento que contou com a participação da secretária permanente do Ministério das Finanças, as organizações queixaram-se de estar a enfrentar problemas sérios para abrir contas bancárias e para receber dinheiro de doadores externos para os seus projectos.

“O doador manda o recurso e o banco informa, às vezes depois de duas a três semanas, que recebeu uma transferência e começa a pedir uma série de documentos. Muitas vezes, esses documentos já foram entregues, às vezes não é um contrato novo. É uma transferência para implementar imediatamente. O tempo demora tanto, às vezes dois a três meses. Em alguns casos, há organizações que reportaram que não conseguem receber esse dinheiro e acabam perdendo o recurso. Por exemplo, se é uma resposta a uma emergência, como cheias ou outra coisa, depois de três a quatro meses torna-se irrelevante”, defende a activista social Paula Monjane, representante do Movimento para a Liberdade de Associação.

Diante das constatações, as organizações consideram inaceitável que cumpram os requisitos exigidos pelos bancos para gerir uma conta bancária e que, mesmo assim, os seus processos não corram. Acusam os bancos de ignorar as recomendações das autoridades oficiais.

“As nossas recomendações são: primeiro, que a avaliação sectorial de risco seja uma ferramenta de uso dos bancos e do sistema financeiro para definir as medidas proporcionais. Segundo, que as boas práticas do GAFI também sejam consideradas no processo de definição de medidas baseadas no risco. Terceiro, que haja um diálogo permanente entre o Governo, o sector financeiro e a sociedade civil. Quarto, que as medidas sejam proporcionais, de tal forma que não levem as organizações a abandonar o sistema financeiro formal para começarem a usar um sistema informal, no qual não vai ser possível encontrar e controlar operações suspeitas”, detalha a activista social Quitéria Guirengane.

Contudo, as organizações sem fins lucrativos exigem um tratamento tendo em conta o risco de cada uma delas. “O que nós exigimos como sociedade civil, sobretudo como CESC, é que essa lista das organizações que supostamente foram detectadas na avaliação fosse entregue aos bancos, no sentido de que, na altura das transacções financeiras, fosse a esse tipo de organizações que se devia demandar mais documentação. Não faz sentido, por exemplo, uma organização pequena, ao nível de Cabo Delgado, que precisa de receber fundos para poder implementar os seus pequenos projectos de desenvolvimento para alavancar o desenvolvimento local, não ter acesso a fundos porque, supostamente, as organizações da sociedade civil são susceptíveis de abuso, mesmo que não haja evidências sobre isso”, considera Domingos do Rosário, gestor do CESC, uma organização da sociedade civil.

Por sua vez, os bancos comerciais dizem estar a trabalhar com listas oficiais de suspeitos e com base na legislação, motivo pelo qual exigem melhor organização aos queixosos.

“Temos um sistema de identificação de entidades nacionais relacionadas com o financiamento do terrorismo, e isso consta de umas listas que são publicadas também ao nível nacional e enviadas aos bancos para que adoptem medidas proporcionais ou medidas de mitigação relativamente a essas entidades. Agora, identificar casos em concreto não seria o momento para trazer aqui. O que se pretende mesmo é que as instituições estejam preparadas para evitar que estes riscos de facto se concretizem e que haja de facto este uso do sector para o financiamento do terrorismo”, explicou aos jornalistas Edgar Fortes, da área de anti-branqueamento de capitais do Banco de Moçambique.

Por seu turno, Samir Zacarias, representante da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), explica que os bancos têm métricas específicas para medir os riscos das organizações. “Tendo em conta o resultado, a documentação que é solicitada pode divergir em alguns pontos. Quando nós calculamos o nível de risco de uma associação, há associações que operam em áreas de alto risco. Vou dar um exemplo de Cabo Delgado, que é uma área assolada pelo terrorismo. Há outras que não operam numa área de alto risco. Evidentemente, o resultado do nível de risco dessas duas associações pode ser diferente”, explicou.

Na última avaliação, as confissões religiosas apareciam com maior risco. Mas há trabalhos em curso para melhorar a situação e, em breve, haverá uma nova avaliação.

“68% das confissões religiosas foram apontadas com algum nível de risco. Elas estão identificadas na avaliação nacional de risco. Nós temos dados que apontam para as confissões religiosas, é preciso que se retenha o que se está a dizer. E quais são esses riscos? Não há contas bancárias, (…) há uma série de elementos que contrariam a Lei 14 do Branqueamento de Capitais”, destaca Luís Cezerilo, coordenador nacional de políticas de prevenção ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e proliferação de armas.

Espera-se que a reunião que teve lugar ontem em Maputo produza consensos entre os bancos, as organizações sem fins lucrativos e as autoridades do Governo, sem prejuízo das partes.

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O Governo moçambicano prestou assistência humanitária a mais de 810 mil pessoas afectadas por secas, ciclones e inundações no primeiro semestre, incluindo apoio alimentar a 20 664 famílias através de um seguro soberano contra a seca.

De acordo com dados do Governo citados pela Lusa, foram assistidas, no primeiro semestre deste ano, 810 026 pessoas afectadas por eventos climáticos extremos, das quais 780 319 por inundações, 20 667 pela seca e 9040 pela passagem de ciclones.

Segundo o documento, as intervenções incluíram distribuição de alimentos, provisão de abrigo temporário, acesso à água potável, cuidados de saúde e apoio à recuperação dos meios de subsistência das populações afectadas.

Ainda de acordo com a Lusa, no relatório, refere-se ainda que o seguro soberano contra a seca disponibilizou, neste período, 1,8 milhões de dólares, permitindo prestar assistência alimentar a 20 664 famílias em 19 distritos das províncias de Gaza, Inhambane, Manica, Sofala e Zambézia.

Essa cobertura correspondeu a uma média de cerca de 1088 famílias por distrito, acrescenta-se no documento.

Paralelamente à resposta aos desastres naturais, o Governo, em coordenação com parceiros de cooperação, continuou a assegurar assistência humanitária a 762 510 deslocados internos, maioritariamente afectados pelos ataques de grupos insurgentes no Norte do País.

Deste universo, aproximadamente 720 160 deslocados encontravam-se em Cabo Delgado e 42 350 na província de Nampula. Segundo os mesmos dados, foram reforçadas acções de apoio que incluíram assistência alimentar, abrigo, acesso a serviços sociais básicos e iniciativas de reintegração socioeconómica.

Os dados surgem pouco mais de um mês depois de o Governo ter revisto em baixa a previsão de crescimento económico para 2026, de 2,8% para 0,59%, atribuindo a decisão aos impactos das cheias registadas no início do ano.

Na altura, o Executivo aprovou um Plano Global de Recuperação e Reconstrução pós-cheias avaliado em 102 mil milhões de meticais, destinado a promover uma recuperação “resiliente, inclusiva e sustentável” das áreas afectadas.

Segundo dados apresentados pelo Governo, as cheias de Janeiro afectaram cerca de 724 mil pessoas nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala, Manica e Zambézia, provocando impactos significativos sobre a pobreza, a segurança alimentar e os meios de subsistência.

As estimativas oficiais apontaram para danos físicos de cerca de 69,5 mil milhões de meticais e perdas económicas avaliadas em aproximadamente 41,37 mil milhões de meticais, concentrando-se os danos no sector social, sobretudo na habitação, e as perdas no sector produtivo, com destaque para a agricultura.

O plano governamental assenta em cinco prioridades: assistência humanitária imediata, reposição dos serviços essenciais, reconstrução de infra-estruturas resilientes, recuperação económica e redução do risco de desastres.

Dados anteriormente divulgados pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que a última época chuvosa (Outubro a Abril) matou 314 pessoas, afectou mais de um milhão de habitantes e atingiu quase 260 mil habitações em todo o País.

Nesse período, registaram-se ainda 19 desaparecidos e 361 feridos, tendo sido inundadas 211 655 casas, destruídas totalmente 15 616 e parcialmente outras 31 081.

Só as cheias de Janeiro provocaram 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afectando 715 716 pessoas, enquanto a passagem do ciclone Gezani, na província de Inhambane, em Fevereiro, causou quatro mortos e afectou 9040 pessoas. A época chuvosa provocou igualmente danos em 9735 quilómetros de estradas, 52 pontes e 237 aquedutos.

A reabilitação da EN1, na zona baixa de Nguluzane, em Xai-Xai, aproxima-se, mas encontra um impasse entre a Administração Nacional de Estradas, famílias e comerciantes instalados no local, a dois meses do início das obras. A ANE garante que os trabalhos vão avançar e fixa em 30 mil meticais o apoio para a retirada. Os afectados contestam os valores e recusam-se a abandonar a zona do bairro 8.

Oito meses depois das cheias de Janeiro, a baixa de Nguluzane, na Estrada Nacional Número Um, em Xai-Xai, continua com marcas da destruição provocada pelas águas e com a transitabilidade condicionada. A situação preocupa os munícipes, que apelam à intervenção das autoridades para melhorar as condições da via, sobretudo numa zona que fica frequentemente alagada.

“Pelo menos fazer qualquer coisa. Porque aqui, como é um sítio que sempre fica cheio de água, quando vem a chuva, vai estragar muita coisa”, alerta Melita Chaúque, munícipe de Xai-Xai.

Por ser um troço considerado crucial para a ligação rodoviária entre o Sul e o resto do País, a baixa de Nguluzane está entre as prioridades da primeira fase de reabilitação pós-cheias. Contudo, a dois meses do arranque previsto das obras, persiste o impasse sobre a retirada das famílias e comerciantes que ocupam as bermas da estrada.

Os afectados contestam as condições apresentadas para a sua retirada e defendem uma compensação que consideram justa.

“É que nós queremos uma indemnização justa”, afirma Mércia, comerciante na baixa de Nguluzane.

Omar Abdul, residente na mesma zona, diz que vive no local há muitos anos e considera insuficiente qualquer compensação que não tenha em conta as condições de habitação.

“Estamos a viver aqui há séculos e séculos. Além de nos pagarem uma indemnização para sair desta casa, a gente precisa de 50 a 60 milhões de meticais”, afirma.

A situação, segundo os residentes, também tem provocado perdas financeiras. Clementino Feliciano diz que, desde Fevereiro, deixou de obter rendimentos regulares com o negócio que desenvolvia no local.

“Por mês, uns 15 mil saíam, porque diariamente fazemos 500 meticais. […] Estamos assim, sem nenhum rendimento aqui, em casa. Não sabemos como vamos sobreviver”, lamenta.

A Administração Nacional de Estradas, na província de Gaza, mantém a posição de que os ocupantes estão numa área de protecção parcial de estradas e considera que o apoio para a retirada não deverá ultrapassar os 30 mil meticais.

Nelson Horácio, chefe do Departamento de Planificação da ANE em Gaza, explica que a província já disponibilizou cerca de 390 mil meticais para apoiar as famílias abrangidas.

É precisamente nos valores que se concentra o principal ponto de divergência. Enquanto a ANE considera os 30 mil meticais apoio para a retirada, as famílias e comerciantes consideram o montante insuficiente.

“Os 30 mil meticais, não vou assinar”, afirma Melita Dulobo, residente na zona baixa de Nguluzane.

A ANE diz, entretanto, que o processo de diálogo continua e que algumas famílias já aceitaram os termos propostos.

“Seis já concordaram, já assinaram alguns termos”, revela Nelson Horácio.

Entre os afectados, porém, permanece a insatisfação. Edson Pombal, residente na baixa de Nguluzane, considera insuficiente o valor proposto para a retirada.

“Prometeram esses 30 mil, que acho uma miséria. Não dá mesmo para muito tempo se passar. Nada do que prometeram está a acontecer”, queixa-se.

Além da revisão dos valores, os ocupantes defendem a atribuição de terrenos e bancas em áreas consideradas seguras.

O impasse ocorre numa altura em que a ANE prevê avançar com as obras de reabilitação do troço, numa zona onde a ocupação das áreas de protecção rodoviária não se limita à baixa de Nguluzane.

Em Gaza, mais de 50 infra-estruturas, incluindo estabelecimentos comerciais, encontram-se embargadas por violação da área de protecção de estradas. Limpopo, Xai-Xai, Bilene e Chibuto estão entre os distritos apontados como mais críticos.

Os incidentes de condução imprudente registados em plataformas de transporte por aplicativo diminuíram 38% em África entre 2024 e 2025.

A redução é atribuída à adopção de tecnologias de monitorização do estilo de condução, controlo de velocidade via GPS e sistemas de verificação de identidade dos motoristas.

Por país, a Zâmbia registou a maior queda, de 49%, seguida pela Costa do Marfim (35%), Angola (34%) e Senegal (33%).

O Relatório de Segurança 2024–2025 da Yango Ride indica ainda uma diminuição das queixas relacionadas com contactos indesejados após as viagens, na sequência da implementação de chamadas com protecção de privacidade, que evitam a partilha de números pessoais. Em Angola, essas reclamações caíram 22%.

As plataformas têm vindo a investir em mecanismos de segurança activos antes, durante e após as viagens, incluindo botão de emergência, partilha de rota em tempo real com contactos de confiança e centros de apoio 24 horas.

Para além da tecnologia, têm sido estabelecidas parcerias com instituições públicas e organizações de segurança rodoviária. Em Angola, existe cooperação com o Centro Integrado de Segurança Pública, enquanto na Zâmbia um programa de segurança rodoviária abrangeu cerca de 8 mil alunos em cinco escolas de Lusaka.

Os dados baseiam-se em relatos de passageiros normalizados por milhão de viagens.

A XVI edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares terminou, este domingo, em Inhambane, deixando uma responsabilidade que ultrapassa as medalhas conquistadas durante seis dias de competição: garantir que os talentos descobertos não desapareçam quando os estudantes regressarem às suas províncias. O Governo quer criar uma ligação mais efectiva entre escolas, clubes, federações e selecções nacionais, melhorar infra-estruturas e formar treinadores. No encerramento, foi igualmente anunciado que a caravana dos Jogos Escolares seguirá para a Zambézia, que acolherá a próxima edição, em 2028.

Durante seis dias, Inhambane deixou de ser apenas uma das principais referências turísticas de Moçambique para se transformar num enorme palco do desporto escolar. Jovens provenientes de diferentes pontos do país entraram nos campos, pistas e outros espaços de competição carregando as cores das suas províncias, procurando medalhas, afirmação e, em muitos casos, uma oportunidade para mostrar um talento que até aqui era conhecido apenas na escola, no distrito ou na comunidade onde vivem.

Houve vencedores, derrotados, lágrimas, celebrações e novos campeões. Houve também jovens que não chegaram ao pódio, mas que podem ter feito, em Inhambane, a competição capaz de mudar o rumo das suas carreiras. É precisamente por isso que o encerramento da XVI edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares colocou uma questão que vai muito além da classificação final: o que acontecerá, a partir de agora, aos talentos descobertos durante a competição?

Para o Governo, o fim dos Jogos não pode significar o fim do acompanhamento dos atletas. A orientação deixada no encerramento é para que os estudantes que demonstraram talento ou capacidades excepcionais continuem a ser observados quando regressarem às respectivas províncias e encontrem mecanismos que lhes permitam desenvolver aquilo que revelaram em Inhambane.

A Primeira-Ministra, Benvinda Levi, defendeu que o potencial identificado durante a competição deve ser acompanhado através de uma ligação mais forte entre escolas, clubes, federações e selecções nacionais. A intenção é construir um sistema capaz de identificar os talentos ainda na base e conduzi-los progressivamente para outros níveis da prática desportiva.

O desafio recupera uma das principais mensagens deixadas pelo Presidente da República, Daniel Chapo, quando abriu a competição. Na altura, o Chefe do Estado defendeu que as escolas devem funcionar como um verdadeiro viveiro de talentos e como uma ponte para que clubes e federações consigam encontrar jovens com potencial nas diferentes modalidades.

Se na abertura a prioridade foi descobrir, no encerramento o discurso mudou para aquilo que talvez seja mais difícil: não perder aquilo que foi descoberto.

Caifadine Manasse, Ministro da Juventude e Desporto, considera que é precisamente nas escolas, comunidades e outros espaços onde crianças e jovens começam a praticar desporto que deve nascer o futuro da alta competição em Moçambique. É aí que, segundo o governante, podem ser identificadas vocações e criadas as primeiras condições para que aqueles que demonstram maior capacidade prossigam o percurso.

“Não devemos olhar para estes Jogos apenas como uma competição que termina hoje. Devemos encará-los como uma etapa de um processo mais amplo de desenvolvimento do desporto escolar e de construção do futuro do desporto moçambicano”, defendeu Caifadine Manasse.

A dimensão desta responsabilidade torna-se maior quando o próprio Governo admite que entre os estudantes que competiram em Inhambane podem estar futuros representantes de Moçambique nas grandes competições nacionais, regionais, continentais e internacionais. Mas chegar a esses palcos dependerá de muito mais do que o talento revelado durante os Jogos.

Caifadine Manasse defende que esse potencial terá de ser acompanhado por trabalho, disciplina, formação académica e apoio institucional. Para o ministro, uma medalha conquistada enquanto estudante não deve ser vista como ponto de chegada, mas como uma indicação de capacidades que precisam de continuar a ser trabalhadas.

É justamente neste ponto que o Festival deixa de ser apenas uma competição e coloca à prova o próprio sistema de desenvolvimento do desporto nacional.

Um estudante pode destacar-se numa pista em Inhambane e, poucos dias depois, regressar a uma escola onde não dispõe das mesmas condições de treino. Pode revelar enorme capacidade no futebol e voltar para um distrito onde não existe um clube capaz de o acompanhar. Pode conquistar uma medalha e, terminado o festival, deixar de ter acesso regular a um treinador. É para evitar que situações desta natureza interrompam a evolução dos jovens que o Governo coloca agora responsabilidade também sobre as estruturas locais.

Benvinda Levi chamou municípios e distritos a preservarem espaços destinados à prática desportiva nas comunidades. Defendeu igualmente que sejam planificados recursos para a reabilitação e manutenção das infra-estruturas e que se aposte na formação de treinadores e agentes desportivos em todo o território nacional.

A mensagem significa que o legado de Inhambane 2026 não será medido apenas pelo número de medalhas distribuídas ou pela capacidade demonstrada durante a organização. Uma das avaliações mais importantes deverá ser feita mais tarde, quando for possível perceber quantos dos estudantes identificados conseguiram continuar a treinar e quantos encontraram uma estrutura que os conduzisse para clubes, federações e eventualmente selecções nacionais.

Mas o Governo deixou também uma condição aos jovens que começam a olhar para o desporto como possível profissão: nenhuma carreira deve ser construída à custa do abandono da escola.

Caifadine Manasse advertiu que educação e desporto devem caminhar juntos. Mesmo os jovens que demonstrarem capacidade excepcional e perspectivas de chegar à alta competição devem manter a formação académica. Na visão apresentada pelo ministro, o país precisa de atletas que consigam transformar talento em competência, mas também de cidadãos preparados para servir a sociedade.

Benvinda Levi reforçou a mesma orientação. A Primeira-Ministra defendeu que Moçambique deve procurar campeões nas pistas e nos campos, mas também jovens capazes de pensar, inovar e participar no desenvolvimento do país. Para o Governo, a verdadeira excelência deverá resultar da combinação entre competência desportiva, conhecimento, disciplina e carácter.

A inclusão foi outro dos legados que o Executivo procurou colocar em evidência no balanço dos seis dias de competição.

A participação de estudantes com deficiência foi apontada pela Primeira-Ministra como demonstração de que o princípio de inclusão, que integra o lema desta edição, deve ultrapassar o discurso e materializar-se no acesso efectivo à prática desportiva. O XVI Festival decorreu sob o lema “Desporto Escolar inclusivo, promovendo o patriotismo, o talento e a solidariedade”.

Para Benvinda Levi, uma escola verdadeiramente inclusiva deve reconhecer o potencial dos estudantes independentemente do género, condição social, origem geográfica ou deficiência. Rapazes e raparigas devem igualmente encontrar oportunidades para competir e desenvolver as suas capacidades.

A concretização desta visão volta, porém, à mesma questão estrutural que atravessou parte importante do discurso de encerramento: condições.

Não basta identificar um jovem com talento se não existir onde treinar. Não basta abrir uma competição a estudantes com deficiência se, depois do festival, as condições para a prática desportiva desaparecerem. Não basta descobrir capacidades excepcionais se treinadores, escolas, clubes e federações não tiverem mecanismos para continuar a desenvolvê-las.

É por isso que o Governo reiterou o compromisso de melhorar infra-estruturas, valorizar professores de Educação Física, aperfeiçoar treinadores e desenvolver mecanismos mais eficazes de acompanhamento dos talentos. Benvinda Levi reconheceu, contudo, que essa responsabilidade não pertence exclusivamente ao Executivo e chamou escolas, famílias, clubes, federações, sector privado, parceiros e os próprios jovens a participarem no processo.

O encerramento dos Jogos serviu também para colocar sobre a mesa problemas que aparentemente estão distantes dos resultados desportivos, mas que afectam directamente a vida e o futuro dos estudantes.

A Primeira-Ministra defendeu que a escola deve ser um lugar seguro e de realização dos sonhos das crianças e jovens e chamou os diferentes intervenientes do sistema educativo a prevenir e combater formas de violência que atingem os alunos.

Benvinda Levi apontou especificamente o assédio e abuso sexual no meio escolar e familiar, os casamentos prematuros e o consumo de álcool e drogas como problemas que devem merecer atenção. Alertou igualmente para a necessidade de prevenir o vandalismo e a destruição das infra-estruturas.

Ao dirigir-se directamente aos estudantes, a governante deixou uma das mensagens mais incisivas da cerimónia.

“O talento é um bem precioso. Protejam-no com estudo, carácter e valores. Não troquem a vossa dignidade por promessas fáceis. O sucesso verdadeiro constrói-se com trabalho, nunca com atalhos”, afirmou Benvinda Levi, desafiando os jovens a continuarem a estudar e treinar.

A mensagem acrescenta outra dimensão ao conceito de campeão que o Governo procurou defender ao longo do festival. Ganhar continua importante, mas a formação do jovem não pode terminar na capacidade de superar adversários dentro do campo.

Caifadine Manasse lembrou aos medalhados que a vitória deve ser recebida com orgulho, mas também com humildade e responsabilidade. Aos estudantes que não conseguiram alcançar os resultados pretendidos, deixou a indicação de que uma derrota não define o seu valor nem determina o seu futuro.

É uma leitura que ajuda a compreender outro resultado dos Jogos que não aparece no quadro de medalhas.

Durante seis dias, jovens de diferentes províncias partilharam espaços, competiram, conviveram e conheceram realidades diferentes das suas. Para Benvinda Levi, esta aproximação constituiu uma das principais conquistas do Festival porque contribuiu para consolidar a unidade nacional.

Os estudantes entraram nos campos representando as respectivas províncias, mas, fora da competição, conviveram como integrantes da mesma nação. Professores e treinadores tiveram também a oportunidade de transmitir princípios de ética, moral e fair play, enquanto os jovens reforçaram o sentimento de pertença ao país.

Caifadine Manasse considera que essa capacidade de aproximar jovens separados pela distância geográfica é uma das grandes forças do desporto. Em Inhambane, estudantes de diferentes pontos do país competiram uns contra os outros e, simultaneamente, construíram amizades e partilharam experiências.

Para uma província que teve de receber milhares de participantes, o desafio foi igualmente logístico e organizacional. No balanço do evento, o Governo considerou que Inhambane demonstrou capacidade para acolher uma competição de dimensão nacional.

A Primeira-Ministra destacou a hospitalidade das autoridades, comunidades e população e considerou que o legado da competição não se resume aos vencedores e às medalhas. Inclui estudantes que descobriram novas capacidades, professores que encontraram outras formas de motivar os jovens, treinadores que identificaram talentos e comunidades que viveram o desporto como espaço de união.

A organização em Inhambane chega ao fim, mas a história dos Jogos Escolares não termina aqui.

No encerramento, Benvinda Levi anunciou oficialmente que a província da Zambézia vai acolher a próxima edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares, em 2028. A província recebe, assim, o testemunho de Inhambane e o desafio de elevar os níveis de organização, participação, inclusão e valorização dos talentos da juventude.

Até lá, o maior desafio não estará na preparação da próxima cerimónia de abertura.

Estará nas escolas e comunidades para onde regressam os jovens que passaram por Inhambane. Estará na capacidade dos distritos e municípios de preservar espaços desportivos. Estará nos professores que terão de continuar a identificar capacidades, nos treinadores que precisarão de desenvolver os atletas, nos clubes e federações que deverão abrir portas e nas instituições que terão de garantir que um jovem não deixe de evoluir simplesmente porque nasceu longe dos grandes centros.

Os vencedores regressam com medalhas. Outros levam a experiência da derrota. Muitos carregam novas amizades e todos voltam às províncias depois de uma competição que lhes permitiu medir capacidades diante de estudantes de todo o país.

Alguns podem nunca voltar a disputar uma competição desta dimensão. Outros poderão estar apenas no início de um percurso que os levará aos principais palcos do desporto nacional e internacional.

É essa possibilidade que transforma o encerramento dos Jogos numa espécie de ponto de partida.

Inhambane descobriu talentos. Zambézia prepara-se para receber os próximos Jogos. Entre uma edição e outra, caberá agora ao país provar que consegue fazer algo ainda mais difícil do que encontrar jovens promissores: impedir que eles se percam pelo caminho.

As autoridades indonésias suspenderam hoje a operação em seis aeroportos, incluindo o aeroporto internacional de Jacarta, na sequência da erupção do vulcão Anak Krakatoa, a mais de 150 quilómetros da capital, anunciou o ministro dos Transportes.

Para além do aeroporto Soekarno-Hatta, em Jacarta, e de outros três também situados na capital, os aeroportos internacionais de Bandung e de Radin, situado perto de Bandar Kampung, em Sumatra, foram encerrados, indicou Dudy Purwagandhi durante uma conferência de imprensa.

Entretanto, o aeroporto internacional de Jacarta anunciou que iria prolongar a suspensão dos voos até às 12:30 de Mocambique, numa altura em que mais de 200 voos e 20.000 passageiros já tinham sido afectados.

O vulcão Anak Krakatoa entrou em erupção no sábado, com um fluxo de lava e explosões audíveis até 700 quilómetros de distância, indicou a agência de vulcanologia indonésia em comunicado. Foram registadas duas novas erupções este domingo, precisou a agência.

As cinzas espalharam-se pelo espaço aéreo do aeroporto internacional Soekarno-Hatta, levando as autoridades a suspender as operações nesta infraestrutura. O vulcão Anak Krakatoa, situado no estreito que separa as ilhas de Java e Sumatra, tem registado atividade esporádica desde que surgiu, no início do século passado, no seio da caldeira formada na sequência da erupção do Krakatoa em 1883. Esta catástrofe foi uma das mais mortíferas da história, com um balanço estimado em 35 mil mortos.

A Indonésia, um vasto arquipélago do Sudeste Asiático, situa-se no chamado Anel de Fogo do Pacífico, onde o encontro das placas tectónicas gera uma intensa atividade vulcânica e sísmica.

O número de mortos no acidente de viação que envolveu, no sábado, um autocarro na ilha do Fogo, Cabo Verde, subiu para 25, havendo ainda 18 feridos, quatro dos quais em estado grave, indicou hoje à Lusa fonte oficial.

Estão internadas 18 pessoas, com idades entre seis e 11 anos, quatro das quais em estado grave”, afirmou. Um balanço anterior apontava para 18 vítimas mortais. Segundo a Câmara Municipal de São Filipe, o “autocarro transportava alunos num passeio” quando saiu da estrada e caiu de uma altura de cerca de 30 metros, na localidade de Campanas de Cima, no município de Santa Catarina do Fogo.

A Câmara Municipal de São Filipe adiantou ainda que mantém uma equipa no local, em articulação com a Delegacia de Saúde, a Polícia Nacional, os Bombeiros Municipais Voluntários e outras autoridades, para prestar assistência às vítimas e aos familiares.

O município declarou dois dias de luto municipal e anunciou uma reunião extraordinária para hoje, para deliberar sobre os apoios aos familiares das vítimas.

Numa mensagem publicada na rede social Facebook, o Presidente da República, José Maria Neves, apresentou as condolências às famílias das vítimas e desejou uma “rápida recuperação aos feridos”.

O primeiro-ministro, Francisco Carvalho, manifestou nas redes sociais o pesar

do Governo pela perda de vidas no acidente e apresentou as condolências às famílias das vítimas, estendendo a solidariedade aos feridos e à população do Fogo.

O chefe do Governo desejou ainda uma pronta recuperação aos feridos e reconheceu o trabalho dos profissionais de saúde, das equipas de socorro e de todos os que estão a prestar auxílio às vítimas.

Forças norte-americanas terão atingido um petroleiro iraniano na manhã deste sábado, nas proximidades da ilha de Kharg, junto ao Estreito de Ormuz. A informação, avançada por meios de comunicação iranianos, descreve a ocorrência de várias explosões na embarcação, que se encontra presentemente em processo de evacuação. Até ao momento, não há registo de vítimas humanas, nem qualquer reacção oficial por parte das autoridades de Washington ou de Teerão sobre o incidente.

O acontecimento surge num clima de extrema tensão regional, apenas um dia depois de Teerão ter alegadamente lançado mísseis antinavio contra embarcações naquela que é uma das vias marítimas mais estratégicas do globo. Até à presente hora, os meios iranianos não forneceram detalhes adicionais sobre os alvos ou eventuais danos colaterais resultantes dessa manobra.

O conflito entre os dois países, que se reacendeu no passado domingo, tem vindo a intensificar-se desde que as forças norte-americanas desencadearam ataques contra lançadores de foguetes iranianos no Estreito de Ormuz um ponto nevrálgico do transporte de energia, que tem sido o objecto central de intensas negociações diplomáticas.

O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) justificou as suas operações como acções limitadas e precisas, destinadas a neutralizar o que classificou como uma “ameaça iminente” representada pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC). Em resposta, o IRGC confirmou que os ataques atingiram a ilha de Larak e prometeu retaliar, tendo levado a cabo ofensivas contra bases norte-americanas em todo o Médio Oriente.

Na passada terça-feira, as forças do CENTCOM efectuaram uma nova vaga de ataques, tendo como alvo instalações de defesa aérea, sistemas de radar e infraestruturas de colocação de minas do IRGC. O comando militar norte-americano afirmou que a operação foi uma resposta directa às recentes tentativas de ataque contra navios mercantes na região, num conflito que, desde o final de Fevereiro, continua a ameaçar a estabilidade do abastecimento energético global.

A 61.ª edição da Feira Agro-Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM), que encerra já este domingo, tem na exposição da pecuária um dos seus pontos de maior destaque. O certame serviu de palco para o anúncio, por parte do Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, da importação de 800 touros com o objectivo de melhorar a raça de gado bovino no país.

O certame, que decorre desde segunda-feira, permitiu aos criadores exibir exemplares de genética melhorada, animais de crescimento precoce e elevada qualidade de carne. Este esforço colectivo tem como meta estratégica reduzir a dependência das importações e fortalecer a soberania alimentar. 

O Governo reiterou, na ocasião, que acompanha de perto o movimento, garantindo que esta iniciativa será acompanhada pela transferência de tecnologia e pela implementação de boas práticas junto dos produtores.

Para os pecuaristas, que aproveitaram o leilão realizado no sábado para transaccionar os seus melhores animais, começa a consolidar-se uma mudança de paradigma. A consciência de criar gado de corte, vocacionado para o mercado, ganha terreno face ao modelo tradicional de acumulação de cabeças de gado por longos períodos. 

O apelo aos investidores nacionais é claro: existe um vasto mercado por explorar, uma vez que a oferta interna se revela ainda deficitária face às necessidades de consumo.

A modernização estende-se, igualmente, a outros sectores. Além dos bovinos, a feira exibiu aves de elevada produtividade, demonstrando que a procura pela qualidade se alastra a toda a produção pecuária. 

Moçambique enfrenta agora o desafio de fazer crescer os efectivos exponencialmente, aproveitando as oportunidades de negócio que a FACIM, uma vez mais, evidenciou como motores para o desenvolvimento económico do país. 

O Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou este sábado uma suspensão das hostilidades com a Ucrânia, com a duração de três dias. A cessação dos ataques, que entra em vigor à meia-noite deste sábado, foi justificada pela necessidade de garantir a segurança para a realização de reuniões com uma delegação norte-americana, actualmente em visita à região para negociar o fim do conflito.

De acordo com o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a ordem de suspensão dos ataques a Kiev foi dada directamente pelo líder russo. Esta interrupção das operações militares destina-se a facilitar a acção diplomática de uma delegação enviada pelos Estados Unidos, composta por Steve Witkoff e Jared Kushner, que se encontra em Moscovo.

O facto é que a viagem dos representantes americanos, longamente preparada, tem como objectivo estabelecer um contacto directo com ambas as partes. Após os encontros em Moscovo, onde foram recebidos pelo enviado presidencial Kirill Dmitriev, Witkoff e Kushner seguirão para Kiev, a fim de prosseguir as negociações com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. 

O próprio Zelensky já havia sinalizado que a Ucrânia não realizaria ataques durante a presença da delegação, tendo apelado a que a Rússia adoptasse uma postura recíproca.

Na passada sexta-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os seus enviados levam uma proposta “para acabar com a guerra”. Contudo, o governante norte-americano reconheceu a complexidade do cenário, sublinhando que Putin e Zelensky “se odeiam profundamente”, o que torna as negociações de paz um processo difícil.

A missão diplomática é vista com expectativa, embora subsistam incertezas. Segundo fontes citadas pelo jornal The New York Times, não é claro se Witkoff e Kushner apresentarão um novo projecto de paz ou se a sua intervenção se centrará em solucionar questões pendentes de negociações anteriores, como o controlo do Donbass, território no leste ucraniano que continua a ser um dos principais pontos de fricção entre as duas nações. 

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