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O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, anuncia a conclusão das obras de reabilitação da estrada Quelimane–Namacurra, com cerca de 70 quilómetros de extensão. Segundo o governante, faltam apenas neste momento observar um troço de 4,6 quilómetros na entrada da cidade de Quelimane.

As obras arrancaram no segundo semestre de 2020 e tinham conclusão prevista para 2023. No entanto, diversos constrangimentos, sobretudo fenómenos climáticos extremos, condicionaram o cumprimento dos prazos inicialmente estabelecidos.

O ministro dos transportes e logística, João Matlombe, deslocou-se ao local para avaliar o andamento dos trabalhos e anúncio a conclusão dos trabalhos. 

No âmbito do programa Mais Estradas, o ministro visitou igualmente o troço Malei–Maganja da Costa, com o objetivo de aferir o nível de preparação da província para o arranque das obras. O projeto encontra-se atualmente na fase de concurso público.

Ainda em Quelimane, Matlombe visitou a área destinada à implantação de um terminal de combustíveis, uma infraestrutura prevista no âmbito do projeto de concessão do Porto de Quelimane, recentemente aprovado pelo Conselho de Ministros.

De acordo com o ministro, o terminal será estratégico para reforçar a capacidade logística da região e responder à procura crescente de combustíveis, incluindo para o mercado do Malawi.

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No encerramento do seu primeiro Conselho Nacional, que decorreu durante dois dias na cidade da Beira, chegaram mais decisões que vão orientar a mais nova formação política do país, sendo a mais importante o anúncio das eleições internas para o líder do partido. Junho de 2026 é o mês escolhido para se conhecer o novo líder do ANAMOLA, ora presidido, interinamente, por Venâncio Mondlane.

O partido Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo, ANAMOLA, fundado recentemente pelo político moçambicano Venâncio Mondlane, anunciou que vai eleger o seu presidente no decurso do primeiro congresso do partido, que vai decorrer em Junho de 2026.

De acordo com o porta-voz do partido, Dinis Tivane, que falava no fim do primeiro Conselho Nacional, que teve lugar na cidade da Beira, será um processo democrático em que todos podem concorrer.

“Ele (Venâncio Mondlane) continuará a ser interino até à realização do congresso, portanto, do convênio, próximo ano”, disse Dinis Tivane, que frisou ainda que a abertura para candidaturas ocorrerá quando o processo de eleição se aproximar.

Dinis Tivane disse ainda que, apesar de Venâncio Mondlane ter sido indicado em sessão extraordinária para presidir ao partido ANAMOLA interinamente, dentro da formação existem procedimentos normativos a seguir, que deverão conduzir às eleições definitivas dos órgãos e dos dirigentes, no congresso marcado para Junho de 2026.

“Se durante a reunião do Conselho Nacional não saiu nenhuma necessidade de se analisar a sua presidência, então ele continua até ao congresso. Portanto, as pessoas que dizem que Venâncio Mondlane é presidente interino é realmente uma forma correcta de expressar diante dos valores jurídicos que norteiam o funcionamento das associações”, explicou o porta-voz da ANAMOLA.

Assim, Dinis Tivane fez saber que o primeiro congresso do partido Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo está agendado para a cidade de Nampula, entre os dias 20 a 22 de Junho de 2026.

O primeiro Conselho Nacional do ANAMOLA terminou esta terça-feira, depois de, durante três dias, ter reunido na mesma sala mais de 300 participantes, entre nacionais e estrangeiros, que serviu para o lançamento oficial do movimento político.

De acordo com o porta-voz do partido, Dinis Tivane, foram aprovados 10 instrumentos jurídicos que vão reger o funcionamento do partido, dentre os quais se destaca o regimento que regula as sessões da formação política e um regulamento disciplinar que identifica os tipos de infracções e as sanções dentro da organização.

O partido aprovou também um regulamento que determina as normas para as eleições das lideranças dentro da formação política.

O primeiro Conselho Nacional da ANAMOLA tinha entre assuntos do debate a eleição dos quadros definitivos e a aprovação dos instrumentos internos na sua agenda. A reunião na cidade da Beira custou aos cofres do partido pouco mais de 5,6 milhões de meticais, com a formação a declarar défice de pouco mais de um milhão de meticais. Segundo o porta-voz do partido, o valor serviu para pagar despesas relativas à organização, alojamento, viagens, transporte e comunicações, incluindo actividades culturais.

Mais de 30 jovens motociclistas, que se aventuram diariamente no transporte de passageiros na cidade de Inhambane, estão a ser capacitados em matérias de segurança rodoviária, regras de trânsito e boas práticas na condução de motorizadas.

A iniciativa surge numa altura em que este tipo de transporte, cada vez mais popular e acessível, tem estado associado a acidentes graves, alguns deles com desfecho fatal.

O município de Inhambane, em coordenação com a Polícia de Trânsito e outras entidades ligadas à mobilidade urbana, lançou esta semana um programa de indução dirigido aos mototaxistas que operam na cidade. O objetivo é simples, mas urgente: reduzir a sinistralidade rodoviária e disciplinar uma atividade que cresce a olhos vistos, mas que ainda enfrenta sérios problemas de informalidade.

Segundo dados oficiais, foram registados 62 mototaxistas a operar de forma ilegal, muitos deles sem a devida licença e sem qualquer formação sobre as regras básicas de trânsito. A estes foi dada a oportunidade de participar nesta capacitação, mas quase metade decidiu não comparecer, um sinal que, para as autoridades, confirma a necessidade de maior fiscalização e sensibilização.

O vereador dos Transportes no município de Inhambane, Novais Abubacar, explica que a capacitação não se resume apenas a teoria, mas aborda também a responsabilidade social que cada mototaxista carrega ao transportar vidas.

“Estamos aqui para corrigir erros que, por negligência, acabam em tragédias. Muitos destes jovens iniciaram esta atividade sem qualquer preparação. Transportam pessoas todos os dias, mas esquecem-se de que cada passageiro é uma vida, e que basta um descuido para transformar uma viagem curta numa catástrofe. Esta formação quer exatamente mudar mentalidades e dar ferramentas para que eles possam trabalhar com mais segurança”, afirmou.

A preocupação das autoridades não é gratuita. Só nas últimas semanas, Inhambane registou pelo menos três mortes resultantes de acidentes envolvendo mototaxistas. Em resposta, a Polícia apreendeu mais de 40 motorizadas que circulavam ilegalmente, sem matrícula, sem seguro e conduzidas por jovens sem habilitação legal para exercer a atividade.

Os acidentes não só ceifam vidas, como também aumentam a pressão sobre os serviços de saúde locais, já fragilizados. Muitos dos feridos acabam com incapacidades permanentes, comprometendo não apenas a sua subsistência, mas também a das famílias que deles dependem. É um ciclo de dor que as autoridades querem travar.

No terreno, a realidade é clara: o transporte de passageiros por motorizada tem vindo a ocupar espaço como uma alternativa de mobilidade, sobretudo em zonas urbanas onde o transporte público é escasso ou pouco eficiente. Para muitos jovens, tornou-se também a única fonte de rendimento num cenário de desemprego elevado. Contudo, essa mesma oportunidade económica transformou-se num risco coletivo quando não acompanhada de regras claras e de formação adequada.

Durante a capacitação, os participantes recebem instruções sobre código de estrada, primeiros socorros em caso de acidente, uso obrigatório de capacete, limites de velocidade e até técnicas de condução defensiva. O enfoque está em evitar situações de risco antes que estas se transformem em tragédia.

Apesar de alguns avanços, o desafio maior continua a ser a disciplina. Muitos dos ausentes da formação justificam-se com a necessidade de “não perder o dia de trabalho”, mesmo sabendo que a informalidade e o desconhecimento das regras aumentam o risco de acidentes.

Para Novais Abubacar, este é um sinal de alerta: “Não basta termos leis, é preciso garantir que elas sejam cumpridas. O município está a criar condições, mas se os operadores não assumirem a sua parte, vamos continuar a contar mortos. O transporte de passageiros não pode ser visto apenas como um ganha-pão rápido. É uma atividade que exige responsabilidade, porque lida diretamente com vidas humanas”.

A formação em Inhambane insere-se numa estratégia mais ampla de regulação do setor de mototaxistas em todo o país, onde este tipo de transporte tem registado um crescimento acelerado. Em cidades como Nampula, Quelimane e Pemba, programas semelhantes já foram implementados, sempre com o mesmo objetivo: salvar vidas.

Os dados nacionais mostram que os motociclos estão entre os veículos mais envolvidos em acidentes de viação, sendo muitas vezes conduzidos por jovens sem experiência, sem habilitação e sem consciência plena dos riscos que enfrentam e provocam.

Em Inhambane, os primeiros passos já foram dados. Mais de 30 jovens decidiram participar e estão agora mais preparados para enfrentar a estrada com responsabilidade. Resta saber se os ausentes desta formação irão, no futuro, perceber o preço que se paga pela negligência.

Por enquanto, as autoridades locais prometem reforçar a fiscalização e manter abertas as portas para novas capacitações. A meta é clara: reduzir drasticamente o número de acidentes e evitar que mais famílias chorem a perda de entes queridos em estradas que poderiam ser seguras.

Enquanto isso, nas ruas de Inhambane, os mototaxistas continuam a ziguezaguear entre carros e peões. Para uns, a formação representa uma oportunidade de mudar de vida. Para outros, é apenas mais uma regra a contornar. O tempo dirá qual dos caminhos prevalecerá.

Jornalistas exigem que as Leis de comunicação social e Radiodifusão reflitam as informações colhidas durante as auscultadores públicas. Os escribas falavam hoje durante o seminário de harmonização das ocultações públicas nacionais. 

Depois de auscultadas, as propostas de leis de Comunicação social e Radiodifusão já estão em revisão, com vista a introduzir as recomendações e sugestões recolhidas. 

O processo é coordenado pelo Gabinete de Informação, junto do Conselho Superior da Comunicação Social, Sindicato Nacional de Jornalistas e Misa Moçambique.

“A proposta de lei da comunicação social, em particular, reforça já este requisito de garantia da independência dos órgãos. Este também é um ponto que foi bastante trazido na jornada de auscultação pública e na versão que trazemos hoje, que estamos já a discutir com os parceiros, foi reforçada a questão da garantia da independência e da liberdade de imprensa, e também a componente dos limites à liberdade, que vinham na versão anterior e que nesta estão bastante melhoradas”, explicou Sílvia Nhaduate, porta-voz do evento, em representação ao Gabinfo.

Das recomendações feitas, algumas não foram acolhidas pela equipa técnica, como a revisão do artigo 23, que que autoriza o Governo adquirir acções em órgãos privados. O Misa Moçambique diz que não vai abrir mão da liberdade dos escribas. 

“A liberdade de imprensa é sempre um campo de disputa entre a imprensa e o Estado, foi sempre assim historicamente, assim sempre será, e, portanto, dever nosso é defender  o nosso espaço”, defendeu o Jornalista Tomás vieira Mário.

Em relação aos instrumentos, Mário espera que “haja, de facto, um consenso, finalmente, e não possa haver mais contratempos ou surpresas, em que um documento acordado com todas as partes, depois é alterado no caminho para o Parlamento”. 

O Conselho Superior da Comunicação Social tem esperanças de que a harmonização seja em benefício da classe. 

“Esperamos que futuramente possamos ter a questão da autorregulação através de associações ou do sindicato de jornalistas ou outras formas de organização de jornalistas a definirem as próprias regras em termos do ponto de vista de funcionamento, de admissão, de licenciamento de quem pode exercer a profissão de jornalista, respeitando o quadro naturalmente da legislação laboral vigente”, defendeu, em nome da CSCS, José Macarringue.

Para o Sindicato dos Jornalistas, o desejo é que a lei não retire as conquistas alcançadas ao longo do tempo.

“O sentimento de todos os participantes está a ser refletido aqui neste documento. Houve matérias que foram acolhidas na totalidade, houve contribuições que parcialmente foram  acolhidas e houve contribuições que não foram acolhidas, mas isso não é o fim. É por isso que nós estamos aqui neste grupo técnico para harmonizar todas as contribuições”, disse Isaías Matimbe.

O processo de harmonização dos instrumentos decorre entre 23 e 24 de Setembro, em Boane, província de Maputo. 

A Primeira-Dama da República,  Gueta Chapo, participou esta segunda-feira do Annual  Prayer Service for Children, um evento de oração em Nova Iorque  organizado pela Save the Children e a Visão Mundial. Em declarações  à imprensa após o evento, expressou gratidão e fez um apelo por  protecção e bênçãos para as crianças moçambicanas e do mundo. 

Gueta Chapo iniciou suas declarações agradecendo a Deus “pelo  dom da vida, pela protecção dia após dia”. Agradeceu também à  Save the Children e à Visão Mundial pelo convite para a oração, que  considerou uma oportunidade de interceder pelas crianças  moçambicanas, africanas e do mundo.

A Primeira-Dama deixou uma mensagem especial para as crianças de  Moçambique, incentivando-as a serem mais humildes, a serem tementes a Deus, “porque se nós somos tementes a Deus, somos  humildes, praticamente tudo o que nós desejamos Deus nos  concede”. Na mesma senda, enfatizou a importância da fé e da  humildade como pilares para uma vida plena. 

O evento em Nova Iorque, segundo ela, serviu como um momento de  união com outros países para orar pelas crianças que sofrem com as  “muitas guerras, desastres naturais, fome”, além do facto de que  “muitas crianças não têm abrigo”. A Primeira-Dama destacou a  situação das crianças em Moçambique, especialmente em Cabo  Delgado, que enfrentam o terrorismo e a falta de abrigo e alimento. 

A esposa do Presidente da República descreveu sua participação na  oração como um acto profundo e pessoal: “Eu, como mãe e como  Primeira-Dama de Moçambique, estar aqui neste momento a orar e  orar do fundo do meu coração […] é extremamente gratificante, é um  privilegio que nós temos como Moçambique, como uma mãe, como  uma mulher temente a Deus”. 

Sua oração incluiu um pedido específico a Deus para que toque o  coração das crianças moçambicanas e as abençoe com “alimento  para cada criança, cada família, que possa conceder abrigo para as  nossas crianças, que possa abençoar as nossas crianças”. Outrossim,  apelou para que as crianças cresçam de forma saudável, respeitando  os pais, a sociedade e uns aos outros. 

Ao final do evento, a Primeira-Dama afirmou sair com um “sentimento  de dever cumprido”, reforçando que a missão principal, que era orar 

“pelas crianças do mundo, de forma especial para as crianças  moçambicanas”, havia sido realizada com sucesso. 

A oração também teve um foco na liderança do país. A Primeira Dama pediu que Deus “ilumine a mente dos nossos líderes, para que  nunca se esqueçam das crianças”. Concluiu as suas declarações com  uma reflexão sobre as consequências dos conflitos: “Quando há  conflito, há guerra, quem sofre mais é a mulher, e por detrás da mulher  está a criança”. 

Angola está a intensificar medidas de vigilância, prevenção e preparação face ao vírus do Ébola. O alerta surge depois de a República Democrática do Congo, que faz fronteira com o país, ter declarado novo surto este mês.

O mais recente surto de ébola na República Democrática do Congo, que já fez pelo menos 31 mortos, está a criar grande preocupação em Angola, principalmente na província de Lunda Norte, que faz fronteira com aquele país. 

Um responsável do o ministério da Saúde de Angola disse que o país está “firmemente empenhado” em reforçar a resposta contra o Ébola.

Uma equipa da Organização Mundial da Saúde visitou, no início desta semana,  alguns pontos transfronteiriços para avaliar e apoiar a implementação de medidas de preparação pelas autoridades de saúde locais.

A agência Notícias ao Minuto escreve que a mesma equipa também capacitou 140 pessoas entre  profissionais de saúde, mobilizadores comunitários, agentes da Polícia e autoridades fronteiriças para combater o Ébola.

De acordo com a OMS, o risco global para a saúde pública representado pelo surto Ébola na República Democrática de Congo é elevado a nível nacional, moderado a nível regional e baixo a nível mundial.

Há dores que não se calam, atravessam o peito e ficam escondidas atrás de sorrisos forçados, de conversas apressadas ou silêncios pesados. Enquanto lê estas linhas, em algum lugar do mundo alguém pode estar a tentar pôr fim à própria vida. A Organização Mundial da Saúde estima que, todos os anos, cerca de 800 mil pessoas se suicidam, uma morte a cada 40 segundos.

Em Moçambique, esse drama cresce longe dos holofotes, abafado pelo estigma e pela falta de debate público. O país apresenta uma das taxas mais elevadas de suicídio em África, com 17,3 casos por 100 mil habitantes. Em Inhambane, a média anual ronda os 80 casos, deixando famílias despedaçadas e comunidades sem respostas.

Por trás de cada número há uma vida, um rosto, um vazio que nenhuma estatística explica. Há histórias de quem partiu em silêncio, de quem quase cedeu à dor e de quem encontrou forças para recomeçar. É o caso de Rossina dos Santos. O olhar sereno e o caminhar vagaroso não denunciam a tempestade que a consumiu por anos. No bairro marginal da cidade, onde se senta para conversar, aprendeu a vestir a máscara de quem aparenta estar bem, mesmo quando tudo estava em ruínas.

“Havia dentro de mim uma tristeza profunda, sem fim. Vieram noites sem dormir, baixa autoestima, choro constante, isolamento. Dormia demais e ao mesmo tempo não tinha energia para nada. Perdi o prazer de fazer coisas que antes me davam alegria”, recorda. Entre sorrisos falsos e isolamento, Rossina acreditava que só havia uma saída: acabar com a própria vida. Quatro tentativas depois, incluindo métodos arriscados, ela finalmente buscou ajuda.

“A última tentativa foi um ponto de viragem. Passei a fazer terapia, mesmo com dificuldades para me abrir. Aos poucos consegui explicar traumas da infância, frustrações, depressão. Também recorri a medicamentos para controlar o humor e os pensamentos suicidas”, conta. A fé tornou-se outro pilar de resistência: frequentar a igreja ajudou-a a sentir que ainda valia a pena viver. Hoje, mãe de uma filha, Rossina transformou dor em ferramenta. “Às vezes a pessoa só precisa de alguém que a ouça, sem julgamentos. Isso já pode salvar vidas”, defende.

 

A dor invisível dos que ficam: a perda de um irmão pelo suicídio

Dois anos depois da morte do irmão, Cabral Malandela ainda sente a ferida aberta. “Ele era social, sempre presente, nunca imaginámos que algo assim pudesse acontecer”, confessa, olhos fixos num ponto distante. Ele relembra sinais ignorados: mudanças de humor, isolamento, comportamentos que pareciam pequenos desvios, mas que eram pedidos silenciosos de ajuda.

“O suicídio não é apenas uma perda individual; é um abalo coletivo. Cada um sente a ausência de forma diferente, todos carregamos culpa, dúvida e impotência”, afirma. Cabral acredita que o diálogo, a empatia e a atenção podem salvar vidas. “Mais escuta, mais compreensão, menos julgamentos. Se estivermos dispostos a ouvir antes de condenar, podemos mudar histórias”, conclui.

 

Cuidar do invisível: o olhar da psicóloga sobre o suicídio em Moçambique

O suicídio deixa feridas invisíveis, perguntas sem resposta e sombra de dor que se estende além da morte. Cidália Pascoal, psicóloga clínica, observa histórias de vidas à beira do abismo. “Raramente é um ato isolado. Geralmente é o culminar de um percurso longo, cheio de sinais ignorados”, explica. Sinais como isolamento, mudanças de humor, perda de interesse, quedas de rendimento ou padrões de sono alterados são comuns, mas passam despercebidos.

Cidália destaca a barreira de estigmas culturais: muitos ainda acreditam que o suicídio é frescura ou fraqueza, bloqueando o acesso a cuidados essenciais. Para ela, os familiares também são vulneráveis: “Perder alguém deixa marcas profundas e pode gerar culpa ou risco de pensamentos suicidas. O acompanhamento psicológico é essencial”. Ela defende ampliação de serviços, consultas acessíveis e sensibilização comunitária. “Pedir ajuda não é fraqueza, é coragem. Cada gesto de escuta pode salvar vidas”, conclui.

 

A fé como âncora: o papel da religião na prevenção do suicídio

A religião surge como refúgio para corações em desalinho. Em Moçambique, igrejas oferecem conforto, orientação e esperança. Benjamim Chivale, líder religioso em Inhambane, observa sinais de sofrimento silencioso entre os fiéis. “A Igreja não é apenas culto; é consolo, escuta e presença para quem está à beira de decisões irreversíveis”, afirma.

Chivale explica que ninguém que comete suicídio deseja apagar a vida; procuram alívio para dor insuportável. “O julgamento não ajuda. A Igreja deve oferecer acolhimento, compreensão e encaminhamento a profissionais”, reforça. A prevenção, diz, deve começar na comunidade religiosa: identificar sinais, oferecer apoio e dialogar abertamente. “A fé, aliada à ação concreta, pode resgatar vidas”, conclui.

 

Quebrar o silêncio, salvar vidas: a urgência da ação coletiva

O suicídio não acontece no vácuo. Cada gesto de isolamento, cada noite mal dormida, cada sorriso falso, é um pedido silencioso por ajuda. A sociedade muitas vezes olha para a dor alheia com indiferença, julgando e banalizando sofrimento. Essa apatia custa vidas.

É urgente compreender que depressão, ansiedade e desespero não se resolvem sozinhos. Nas famílias, escolas, locais de trabalho, igrejas e comunidades, é preciso atenção aos sinais, escuta sem julgamentos e apoio concreto. Buscar ajuda profissional, fortalecer redes de apoio e combater estigmas não é opcional; é responsabilidade coletiva.

A sobrevivência exige coragem, mas salvar alguém também. Cada ato de atenção, cada palavra de acolhimento, cada gesto de empatia pode ser a ponte entre a vida e a morte. Precisamos quebrar o silêncio, enfrentar tabus e enxergar a dor invisível. Saúde mental é tão importante quanto saúde física. Cada vida importa, e quando estendemos a mão, oferecemos esperança, futuro e histórias que ainda podem ser reescritas.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu homólogo da Ucrânia vão reunir-se hoje, em Nova Iorque, à margem da Conferência 80.ª Assembleia-Geral da NATO.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou o encontro entre Trump e Zelensky, com vista a resolver o conflito na Ucrânia. O encontro será realizado nesta terça-feira, em Nova Iorque.

O Presidente Ucraniano já se encontra na cidade norte-americana, acompanhado da Primeira-Dama, e manifestou, através das suas redes sociais, a expectativa de novo apoio de parceiros internacionais.  

Segundo o New York Post, a reunião tem como foco principal discutir garantias de segurança para a Ucrânia e medidas adicionais contra a Rússia, incluindo possíveis sanções. 

É a quarta vez, neste ano, que os dois presidentes mantêm um encontro presencial. 

No último encontro entre os dois líderes, Trump tentou lançar esforços para um acordo entre Kiev e Moscovo, sem avanços até ao momento.

Além da reunião com Zelensky, Trump terá ainda encontros bilaterais com o secretário-geral da NATO, António Guterres, e com o presidente argentino, Javier Milei.

O antigo presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE), Rosário Fernandes, diz que a principal fonte de receitas da Frelimo nunca residiu nas quotas dos seus filiados, e orientou a ANAMOLA a ser diferente, sobretudo em relação à prestação de contas e transparência. 

Numa carta endereçada ao partido emergente de Venâncio Mondlane, Rosário Fernandes disse que vale mil vezes obter contribuições populares em praça pública do que alcancá-las de forma oculta, fraudulenta e por troca de favores.

Conhecido pela sua verticalidade e pela marca de liderança que deixou na Autoridade Tributária, o economista Rosário Fernandes começa por manifestar apreço e vénia ao partido ANAMOLA, caracterizando-o como inovador e propulsor.

Na carta de três páginas, o antigo gestor contextualizou a sua tese fazendo comparação ao surgimento da Frelimo e outros movimentos africanos que surgiram como o que chamou de “prenúncio profético de mudanças”, mas encontra algumas diferenças entre estes e a ANAMOLA.

“ANAMOLA e seus heroicos precursores nunca precisaram de soluções armadas – nem gás lacrimogéneo, nem blindados – para alcançar, de direito, o Conselho de Estado. Precisou apenas de uma solução digital, de elevado potencial comunicativo em rede, com suas bases populares de apoio, dentro e fora do país, para lograr retumbantes sucessos, no panorama nacional e internacional”, lê-se na carta.

Diz ainda que, com essa solução mágica, o seu presidente interino alcançou, nas eleições de 9 de Outubro, resultados históricos que estremeceram a Frelimo.

“O presidente interino da ANAMOLA tornara-se o candidato presidencial mais votado nas urnas, embora validado e proclamado pelo Conselho Constitucional como o segundo mais votado, em veredicto solene e irrecorível.”

Com isto, entende que a Frelimo é principal adversário político da ANAMOLA e que pode facilmente alcançar o dobro de membros. 

“ANAMOLA pode facilmente alcançar o dobro, por ingressos massivos de seus seguidores ou migrações voluntárias de ora filiados em partidos concorrentes, incluindo a própria Frelimo, sendo uma questão estratégica de organização, comunicação, mobilização e marketing.”

O economista foi mais longe e apontou aspectos nos quais o partido emergente precisa de ser diferente da Frelimo, sobretudo no que toca às quotas e às contas.

“A principal fonte de receitas da Frelimo nunca residiu nas quotas dos seus filiados, mas na sua teia de investimentos empresariais, leais ou não, e outras fontes nunca reveladas, bem nunca publicamente auditadas. ANAMOLA precisa de fazer diferente e melhor, de forma decisiva e determinada, primando sempre as angariações, internas ou externas por avaliações periódicas, de stocks e saldos, e de prestação de contas, conquanto transparentes, voluntárias e de boa-fé, dos diferentes contribuintes.”

O economista refere ainda que “mais vale, mil vezes, obter contribuições populares em praça pública do que alcancá-las de forma oculta, fraudulenta e por troca de favores e compadrios de natureza vária, de índole vil, nojenta, ou criminal. Um gesto de boa vontade prima pelo seu valor ético, e não comercial”.

O político, que reconheceu a autenticidade da carta, disse ter abdicado da qualidade de membro da Frelimo desde 2024, de forma oficiosa, e que não pertence actualmente a nenhum partido, e nada o move a qualquer outro partido, por ora.

Uma pessoa morreu e outras 14 contraíram ferimentos graves, na sequência de dois acidentes ocorridos em Xai-Xai e Bilene, na província de Gaza. Excesso de velocidade, condução sob efeito de álcool e manobras irregulares são prováveis causas dos sinistros registados. Uma pessoa está detida em conexão com um dos casos.

Na cidade de Xai-Xai, um homem de 47 anos de idade, supostamente embriagado, tentou, sem sucesso, executar uma manobra, que resultou no embate frontal contra um veículo semicolectivo de passageiros na zona da paragem Mcel, na longo da Estrada Nacional Número Um, por volta das 21 horas de domingo.

Uma das testemunhas conta que o veículo não conseguiu travar, devido à velocidade em que vinha, e preferiu entrar numa outra faixa, em que vinha o minibus, tendo resultados num choque. Após o acidente, segundo conta, a população tentou tirar o motorista que estava entalado.

Devido ao embate violento, oito pessoas que seguiam a bordo, incluindo o motorista, contraíram ferimentos e foram levadas para o Hospital Provincial de Xai-Xai. Entre as vítimas, está uma jovem de 33 anos de idade, que contou ter pulado da janela para salvar a vida da sua criança.

“Eu logo levantei, assustei-me, não tinha como. Tive de saltar pela janela com o bebé, por isso tive ferimentos na mão, porque tentei segurar a cabeça do bebé para não sofrer”, explicou Márcia.

O director-clínico do Hospital Provincial de Xai-Xai, Jeremias Laquene, confirma a entrada de oito pacientes.

“Do total de oito pacientes que recebemos, cinco tiveram alta, três pacientes foram internados no serviço de cirurgia, pois apresentavam lesões a nível da região da cabeça e região frontal. Os mesmos continuam internados, sob cuidados médicos”, explicou.

Já o chefe das Relações Públicas da Polícia da República de Moçambique em Gaza, Carlos Macuácua, avança como prováveis causas do sinistro o excesso de velocidade, manobra irregular e embriaguez ao volante.

Macuácua  garante que o motorista  infractor será responsabilizado.

“Estamos a falar de 1,4 miligramas no sangue do teste inspirado. Este condutor é um explosivo ambulante em movimento, de tal forma que, neste momento, já responde aos autos sob custódia. Os autos serão entregues a quem de direito, e o processo vai andar de forma que seja responsabilizado tal como a lei determina.”

No distrito de Bilene, uma viatura despistou-se defronte das instalações do Centro de Saúde de Macia e atropelou seis pessoas, sendo que quatro são menores de idade. Na sequência disso, uma pessoa perdeu a vida.

“O mais grave ainda é que este condutor, depois de se envolver neste atropelamento de um grupo de pessoas, pôs-se em fuga. E, neste momento, há um trabalho que se está a fazer para a captura deste e que posteriormente será entregue às autoridades para sua responsabilização”, disse Carlos Macuácua.

Com estes casos, sobe para 69 o número de acidentes de viação de Janeiro a esta parte, na província de Gaza.

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