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Trabalhadores de uma fábrica de fundição de ferro, de capitais chineses, localizada na cidade da Beira, denunciam alegados maus tratos e agressões físicas no interior da empresa, apontando como autores agentes de uma empresa de segurança privada contratada para prestar serviços no local.

Segundo os denunciantes, as agressões são praticadas com recurso a varões de ferro e ocorrem durante o horário laboral, alegadamente como forma de punição sempre que um trabalhador comete algum erro ou quando se verifica o desaparecimento de bens nas instalações da fábrica.

Os trabalhadores afirmam viver num ambiente marcado pelo medo e pela intimidação. Sustentam ainda que estas práticas decorrem há vários meses e que muitos funcionários já foram vítimas das alegadas agressões, mas receavam apresentar queixa por dependerem do emprego para o sustento das suas famílias.

No dia em que a equipa de reportagem se deslocou à fábrica, o gestor da empresa, ao aperceber-se de que as denúncias haviam chegado à comunicação social, terá contactado um indivíduo que, segundo os trabalhadores, se apresentou como inspector. Os denunciantes suspeitam que a sua presença visava ocultar os alegados maus tratos. O referido indivíduo chegou às instalações por volta das 18 horas, mas recusou prestar quaisquer declarações à nossa equipa.

Os trabalhadores afirmam igualmente que o caso já foi participado à Inspecção do Trabalho e a outras autoridades competentes, mas alegam que, até ao momento, não foi adoptada qualquer medida para pôr termo às supostas agressões.

A equipa de reportagem procurou ouvir a direcção da fábrica e os responsáveis pela empresa de segurança privada visada nas denúncias. Contudo, até ao fecho desta edição, não foi possível obter qualquer posicionamento.

Contactados pela nossa reportagem, o sector do Trabalho e a Polícia da República de Moçambique confirmaram ter recebido as denúncias e garantiram que irão averiguar os factos.

Enquanto decorrem as averiguações, os trabalhadores dizem continuar a exercer as suas funções sob um clima de receio, aguardando que as autoridades esclareçam o caso e tomem as medidas que se mostrarem adequadas.

 

 

 

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Vários doentes, em particular gestantes, crianças e idosos impedidos, desde as primeiras desta quinta-feira, de entrar no hospital provincial de Xai-Xai, por um grupo de Agentes de segurança privada que contesta a falta de salários há mais de um ano. A administradora do hospital, Elisa Fuel, reconhece a dívida e atira culpas ao Ministério das Finanças.

Lizarda Novela de 25 anos de idade que  luta contra diabetes há 5 anos conta que chegou ao local por volta das 5 horas, no entanto ficou retida na porta por quase duas horas e com seu estado a agravar não teve outra saída senão regressar abandonar a unidade hospitalar.

“Não é fácil, na verdade eu entrei lá, só que parei uma hora de tempo na aceitação.  Só para perguntar o que você quer, foi um problema, acabei cansando porque não estou bem. Saí dali, voltei e vim ficar no carro.Eu sou diabética, então vim aqui para fazer um exame de oftalmologia. Estou aqui  fora a uma hora e meia “, lamentou.

A “segurança fechou as portas porque disse que não estão a receber e fecharam as porta às seis horas”, indicou, uma acompanhante.

Em causa está uma dívida de mais de um milhão de meticais.

Por conta da agitação que se instalou, as autoridades do hospital  accionaram a polícia para repor a ordem, no entanto, sem sucesso.

Os pacientes descrevem momentos de apreensão e fazem duras críticas à direcção do hospital pela insegurança instalada por motivos financeiros. 

“Não é fácil, porque se for o caso de uma pessoa muito grave, talvez poderia morrer. Outros não conseguiam andar, mas tiveram que parar um tempo para poder entrar. Então, isso se torna complicado. Por mim, deveriam mudar a estratégia”, apelou.

O grupo alega ter accionado todas linhas para dirimir o problema, mas porque não encontrou soluções, agiu para pressionar. “Se se bloqueou a cancela, era muito mais para criar uma pressão. Para podermos apanhar uma resposta”, justificaram.

Confrontada com a situação, a administradora do Hospital Provincial de Xai-Xai, Elisa Fuel, confirma a dívida, mas diz que para já não há dinheiro e pede calma.

“Desde Abril até então, são cerca de um milhão que estamos a dever. Mas já solicitamos apoio para o pagamento desta dívida. Aguardamos essa disponibilidade financeira, dependemos do Ministério das Finanças para o pagamento de qualquer despesa”, explicou.

Enquanto isso, o grupo de 30 homens permanece no recinto hospitalar e exige das autoridades do hospital a regularização da dívida  até  final  de  Outubro em curso.

O Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, adverte ao Hamas, que não teria outra opção  senão entrar e matar os membros, se o derramamento de sangue  persistir na Faixa de Gaza. Trump aumenta as críticas  contra o Hamas, numa altura em tenta manter o seu acordo de paz em Gaza. 

Foi através de uma publicação nas redes sociais, que o presidente norte-americano, Donald Trump,  ameaçou tomar medidas severas se o Hamas não avançar com o desarmamento em Gaza.

“Se o Hamas continuar a matar pessoas em Gaza, o que não estava no acordo, não teremos outra escolha senão entrar e matá-los”, escreveu numa rede social. 

A advertência de Trump veio depois dele ter minimizado a violência interna no território desde que um acordo de cessar-fogo e libertação de reféns entre Israel e o Hamas entrou em vigor na semana passada, após dois anos de guerra.

A Casa Branca não prestou qualquer esclarecimento e o líder norte-americano não explicou como é que iria levar a cabo o seu aviso, mas Trump esclareceu mais tarde que não iria enviar tropas norte-americanas para Gaza.

Na terça-feira, Trump disse que o Hamas tinha eliminado um par de gangues que eram maus e tinha matado vários membros de gangues. 

Mas também deixou claro que tinha pouca paciência para os assassinatos que o Hamas estava a levar a cabo contra facções rivais no interior do território devastado.

O coronel do exército que tomou o poder num golpe militar foi empossado como novo líder de Madagáscar nesta sexta-feira.  A tomada de poder derrubou o Presidente Andry Rajoelina e o obrigou a fugir do seu país.

O Coronel Michael Randrianirina, comandante de uma unidade de elite do exército malgaxe, prestou juramento para se tornar o novo presidente numa cerimónia realizada na câmara principal do Supremo Tribunal Constitucional do país, perante os nove juízes do órgão.

A sua ascensão à presidência ocorreu apenas três dias depois de ter anunciado que as forças armadas estavam a assumir o poder na ilha do Oceano Índico, com cerca de 30 milhões de habitantes, localizada na costa oriental de África.

As Nações Unidas condenaram a tomada militar como uma alteração inconstitucional do governo, mas houve poucas reacções de outros países, incluindo do antigo poder colonial de Madagáscar, França.

A tomada de poder ocorreu após três semanas de protestos anti-governamentais.

O nível geral de preços registou um aumento de 4,93% no mês de Setembro último, segundo dados mais recentes publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Trata-se da segunda subida consecutiva do custo de vida, depois do incremento de 4,79% em Agosto.

Os produtos alimentares, as bebidas não-alcoólicas e os preços de aquisição de veículos automóveis foram os que mais contribuíram para o aumento da inflação anual em Setembro, medida pela variação do Índice de Preços no Consumidor (IPC) calculada pelo INE.

Os dados foram recolhidos, em Setembro findo, nas cidades de Maputo, Beira, Nampula, Quelimane, Tete, Chimoio, Xai-Xai e na província de Inhambane.

Comparativamente a Setembro do ano passado, todos os locais onde o INE fez a recolha de preços, no país, tiveram aumentos do custo de vida. Em destaque está a cidade de Tete, que teve o maior aumento dos preços, que rondou os 9,74%, seguida de Quelimane (5,77%).

Nos restantes pontos, a subida generalizada de preços comportou-se da seguinte maneira: em Xai-Xai, os preços aumentaram 5,42%; Chimoio, 5,13%; na província de Inhambane, 4,96%; em Maputo, 3,85%; na Beira, 3,82%; e na cidade de Nampula aumentaram 3,80%.

“As divisões de Alimentação e bebidas não-alcoólicas e de Restaurantes, hotéis, cafés e similares foram as que tiveram maior aumento de preços, ao variar cerca de 11,85% e 9,01%, respectivamente”, segundo os dados recolhidos pelo Instituto Nacional de Estatística.

O “O País Económico” ouviu algumas donas de casa em Maputo, para ter a sua sensibilidade em relação à variação do nível geral de preços em Agosto e Outubro. Dona Mércia diz que os preços aumentaram pelo facto de grande parte dos produtos consumidos serem importados.

“Os produtos de primeira necessidade são importados da África do Sul, então notamos aquela diferença de cinco meticais aqui, 10 meticais ali, o que no final das contas faz muita diferença no bolso de qualquer dona de casa que vai às compras”, referiu Mércia.

Para Mércia, o único produto da sua cesta básica que teve o seu preço reduzido foi o açúcar. “Estava com uma tendência de subir, mas percebi que depois baixou uns cinco meticais o quilograma, mas, em relação ao óleo, o arroz e o feijão, não senti qualquer redução do preço”.

Em relação à recente época chuvosa e à quadra festiva que se avizinha, Mércia acredita que os preços vão “disparar”, à semelhança dos anos passados. Sugere, por isso, a quem tiver possibilidade, que compre agora produtos não perecíveis para usar até Fevereiro do ano 2026.

“Quem não pode acaba sofrendo, porque preços, nesta época, sufocam. Falta tomate porque chove, temos os legumes com tendência de subir, temos as verduras cujos preços sobem e escasseiam, e os produtos de primeira necessidade disparam pela elevada procura”, explicou.

Quem também sentiu a subida generalizada de preços na Província de Maputo é a Laura, nome fictício da dona de casa. “O valor que uso para fazer o rancho da casa não foi suficiente para adquirir os produtos que normalmente tenho adquirido. Tive de largar alguns produtos”.

Laura disse que notou aumentos no preço do óleo alimentar, no preço das carnes, no preço dos produtos higiênicos. Entretanto, referiu que o preço do frango se manteve. “Quase tudo aumentou”, afirmou a dona de casa que espera uma situação pior nos meses que se seguem.

“Receio que a situação fique grave, porque vimos nos anos anteriores: produtos como hortaliças ficaram escassos no tempo chuvoso. Não temos tomate, não temos verduras. Quando há, compramos os importados, que chegam a ser mais caros para nós”, disse Laura.

Segundo Laura, “quando chega o fim do ano, para as donas de casa, é um pesadelo. Têm de fazer um exercício económico terrível. As carnes, os ovos e frangos disparam no mercado. Na verdade, nos últimos anos, já não sabemos o que é ter festas como deve ser”, segundo Laura.

O aumento do custo de vida em Agosto e Setembro ocorre depois de os preços dos bens e serviços terem registado uma redução em Julho, quando a inflação atingiu 3,96%. Na altura, a desaceleração da inflação anual foi explicada pela redução de preços dos alimentos.

Contrariamente à Laura e à Mércia, a dona Nélia diz não ter sentido a pressão dos preços nos últimos dois meses pelo facto de não ter feito compras. “Eu não senti, porque faz tempo que não faço compras. Tenho produtos em casa, felizmente”, disse Nélia.

A dona de casa revela que, desde o início deste ano, com excepção de Agosto e Setembro, os preços de produtos como açúcar, vegetais e hortícolas reduziram. “Não sei se era pela época, mas a alface, a couve, por exemplo, a tendência foi de redução, e isso aliviou o meu bolso”.

No médio prazo, o Banco de Moçambique prevê que a inflação continue abaixo de 10%, uma estimativa que reflecte, essencialmente, “a postura da política monetária, a estabilidade do metical e a tendência de redução dos preços internacionais de mercadorias”, segundo o banco.

Arrancou o julgamento de três indivíduos de nacionalidade chinesa que foram encontrados a efectuar operações mineiras na zona tampão do Parque Nacional de Chimanimani.

Assim, já são nove chineses a responder em tribunal na província de Manica por desobediência a suspensão de actividades mineiras, uma medida decretada pelo governo por conta da poluição ambiental naquela província.

Foi ao princípio da tarde desta quinta-feira que arrancou, no Tribunal Judicial do distrito de Sussundenga, a audição destes três chineses, com idades compreendidas entre 30 e 50 anos, que foram encontrados a minerar na zona de Bunga, distrito de Sussundenga.

Hericinio Ratia, procurador-chefe distrital de Sussundenga avançou que no processo sumário que carrega o número 286/2025 os chineses são acusados no crime de desobediência.  

Depois do julgamento o advogado declinou-se a prestar declarações à imprensa e os três chineses foram conduzidos à cadeia distrital de Sussundenga onde deverão aguardar pela sentença a ser proferida pela juíza da causa, Eugénia Navalha. 

A Cidade de Maputo deu mais um passo firme na consolidação da sua visão de desenvolvimento inclusivo e sustentável, com a assinatura do convénio entre o Conselho Municipal de Maputo, a Área Metropolitana de Barcelona (AMB) e a Arquitectura Sem Fronteiras de Espanha (ASFE), que visa implementar o projecto “Promoção da Equidade de Género na Mobilidade Metropolitana”.

O acordo, assinado pelo Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, pelo Vice-presidente da Área Internacional e Metrópole Digital de Barcelona, Jord Castellana i Gamisans, e pela Presidente da Arquitetura Sem Fronteiras de Espanha, Lúcia Garcia Cernuda Ruiz de Alda, representa o reforço da confiança da AMB na governação da capital moçambicana e na sua capacidade de liderar políticas públicas inovadoras centradas nas pessoas.

O projecto, que dá continuidade ao trabalho desenvolvido em torno do Hospital Central de Maputo, tem como objectivo tornar o espaço público mais seguro, acessível e humano, servindo de modelo metropolitano de requalificação urbana orientado pelos princípios da inclusão, sustentabilidade e igualdade de género.

Segundo o edil Rasaque Manhique, a iniciativa “vai além das infra-estruturas, pois pretende transformar mentalidades e abrir caminhos para que as mulheres tenham um papel activo na gestão do transporte público”. Através de formação técnica, capacitação e integração profissional, o projecto promoverá o empoderamento feminino no sector dos transportes, incentivando que as mulheres conduzam autocarros, gerem empresas e inspirem outras a romper barreiras históricas de exclusão.

Avaliado em 110 mil dólares norte americanos por ano, o acordo contempla ainda acções de prevenção e combate à violência baseada no género (VBG) nos transportes urbanos, reforçando campanhas municipais como “Assédio não é Passageiro” e o Protocolo STOP VBG, que traduzem a política de tolerância zero à violência adoptada pelo Município.

Para o edil Manhique, esta parceria “é um pacto de esperança genuína, que reafirma a adesão de Maputo aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, em particular ao ODS 5 – Igualdade de Género e ao ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis, traduzindo compromissos globais em resultados locais”.

A assinatura do convénio insere-se no quadro da cooperação internacional entre Maputo e Barcelona e simboliza a confiança crescente da comunidade internacional na visão metropolitana liderada por Rasaque Manhique, centrada na criação de uma cidade mais humana, segura e inclusiva.

O Ferroviário de Maputo entra em cena no domingo, também na Arena Lalgy, onde decidiu usar como seu Quartel General para esta eliminatória.

Depois de não ter tido sucesso no Estádio Nacional do Zimpeto na eliminatória passada diante do Fanalamanga da Madagáscar, onde empatou a um golo, os “locomotivas” foram felizes na Arena Lalgy, que foi a casa emprestada dos malgaxes, ao vencer por duas bolas a uma e garantir passagem à última eliminatória de acesso à fase de grupos da Taça CAF, também conhecida como Taça Nelson Mandela.

Para esta partida, e tal como a Black Bulls, o Ferroviário de Maputo fez, neste mês de Outubro, apenas um jogo oficial, no empate a dois golos diante da Associação Desportiva de Vilankulo, em casa. Com muitos empates nas últimas 10 partidas, onde terminou igualado com o adversário em sete jogos, vencendo duas e perdendo uma, a turma moçambicana tem sido inconstante no relvado, sempre a deixar os seus adeptos com os nervos à flor da pele, tal como aconteceu nos últimos três jogos.

Desta vez, terá de se aplicar para alcançar um resultado tranquilizador, não só para os seus adeptos, mas para uma segunda mão tranquila. Aliás, o resultado negativo alcançado no sábado passado, num particular com o Tabankulo Celtics FC de Eswatini, é o reflexo do que tem sido a equipa, algo que é preciso mudar, caso queira chegar mais longe na competição africana.

Neste domingo, diante do AS Otohô do Congo, os “locomotivas” terão de puxar dos galões para imitarem o feito da Black Bulls, que no ano passado afastou esta equipa da fase de grupos da Taça CAF, com vitória fora de portas.

A equipa congolesa, talhada nestas andanças, ainda não fez nenhum jogo pelo campeonato, que ainda não iniciou, mas mostrou ser uma grande equipa ao afastar o 1º de Agosto de Angola na eliminatória passada.

Seis vezes campeão do Congo e uma vez vencedor da Taça daquele país, conquistado na época passada, o AS Otohô quer-se vingar do afastamento da fase de grupos na época passada pela Black Bulls e chegar mais longe nesta edição.

O jogo acontece no domingo, a partir das 15h00, no campo da Black Bulls, em Tchumene.

Os economistas Edgar Chuze e Gift Essinalo consideram que a recente decisão da companhia aérea Fly Emirates de suspender a emissão de bilhetes em Moçambique é um reflexo da grave escassez de divisas que o país enfrenta, contrariando o discurso oficial de estabilidade cambial.

Para os analistas, os sinais deste problema já vinham sendo observados há meses, nomeadamente nas dificuldades de importação de combustíveis e noutras operações que exigem pagamentos externos, daí a urgência em o Governo encontrar meios para a sua solução.

Dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), publicados em Junho passado, mostravam que 1,3 mil milhões de dólares em fundos de companhias aéreas estão bloqueados de repatriação pelos governos desde Abril de deste ano, e Moçambique é destaque e o primeiro na lista, com 205  milhões de dólares.

O economista Edgar Chuze sublinha que o Banco de Moçambique, enquanto regulador, possui poderes suficientes para fiscalizar os bancos comerciais e identificar as causas reais da falta de moeda estrangeira no mercado, mas questiona a aparente falta de acção das autoridades.

“Tais práticas contribuem para alimentar o mercado negro e agravam a escassez de dólares no sistema formal. Se nada for feito, o caso da Fly Emirates poderá repetir-se com outras companhias ou empresas estrangeiras, afastando potenciais investidores e reduzindo a confiança na economia nacional. “Nenhum agente económico quererá investir num país onde não há garantias de repatriamento dos lucros”, afirma.

Para Chuze, a situação cambial tem efeitos directos sobre os preços e a oferta de bens e serviços. A saída de operadores internacionais cria espaço para oligopólios e monopólios que, inevitavelmente, encarecem os produtos.

“A falta de divisas limita também a importação de mercadorias essenciais, o que gera escassez e especulação interna”, diz o economista, ao mesmo tempo que adverte que esta conjuntura poderá afectar as receitas fiscais do Estado, uma vez que a redução das transacções comerciais implica menor arrecadação de impostos e, consequentemente, maior dificuldade na execução orçamental.

Por sua vez, o economista Gift Essinalo considera que a crise de escassez de divisas em Moçambique é real e antiga, apesar das garantias do Banco de Moçambique em sentido contrário. Segundo o analista, o problema reside no mercado formal, onde os agentes económicos enfrentam dificuldades para aceder às moedas estrangeiras. Esta limitação tem levado à migração das operações para o mercado informal, que hoje movimenta a maior parte das divisas no país.

A situação, acrescenta, está a afectar directamente o funcionamento de sectores estratégicos como a aviação e o turismo, exemplificada pela recente decisão da Emirates de suspender a emissão de bilhetes em Moçambique, devido à impossibilidade das agências de viagem transferirem receitas para o exterior.

“O desalinhamento entre a taxa de câmbio oficial e a praticada no mercado paralelo é a principal causa do problema. Enquanto o banco central fixa o dólar em torno de 63 meticais, no mercado informal o valor chega a 74 ou 77 meticais, criando um incentivo especulativo. Este diferencial encoraja bancos comerciais e outros agentes a direccionarem as divisas para o circuito informal, onde obtêm margens de lucro superiores”, explica.

O economista entende que, sem um realinhamento gradual da taxa de câmbio, continuará a haver fuga de divisas e fragilidade no sistema financeiro, com consequências directas sobre a actividade económica e a previsibilidade dos sectores produtivos.

“O Banco de Moçambique deve liberalizar a taxa de câmbio, permitindo que esta reflicta mais fielmente a realidade do mercado. Embora reconheça que essa medida possa provocar uma subida da inflação e do serviço da dívida externa. A escassez de divisas reduz a capacidade de importação, cria carência de bens e serviços e, inevitavelmente, leva ao aumento dos preços”, sublinha o economista.

Em 2024, Moçambique havia bloqueado 127 milhões de dólares das companhias ao nível do mundo. A região da África e do Oriente Médio (AME) é responsável por 85% do total de fundos bloqueados, equivalentes a 1,1 mil milhões de dólares.

PERDÃO DE JUROS DA DÍVIDA COM A CHINA PODE AMAINAR A SITUAÇÃO

Apesar do cenário preocupante, Edgar Chuze reconhece como positiva a decisão da China de perdoar os juros da dívida moçambicana e financiar parte do Orçamento do Estado, por aliviar temporariamente a pressão sobre as reservas cambiais. Contudo, deixa um aviso: “Nada é dado de graça nas relações bilaterais.” Para o economista, o país deve assegurar que o perdão da dívida não acarrete custos políticos ou económicos superiores ao benefício imediato.

Chuze defende ainda medidas urgentes e transparentes para restaurar a confiança no sistema financeiro e travar a degradação da economia moçambicana.

Chamado a reagir ao assunto, o economista Gift Essinalo alerta que o alívio que poderá sair deste perdão de dívida deve ser usado para a recuperação económica.

“O perdão de juros da dívida concedido pela China deve servir para criar espaço fiscal e estimular a economia, e não para contrair novas dívidas. Caso contrário, o país arrisca-se a ver a sua classificação financeira degradada e perder a confiança dos investidores internacionais”, advertiu.

Os representantes moçambicanos nas competições africanas, nomeadamente Black Bulls, na Liga dos Campeões, e Ferroviário de Maputo, na Taça CAF, disputam a primeira mão da última eliminatória de acesso à fase de grupos, iniciando em casa, diante dos adversários da República do Congo e da Nigéria, respectivamente.

A Associação Black Bulls, campeã nacional, é a primeira a entrar em acção nas Afrotaças, neste fim-de-semana, quando defrontar, no sábado, o Rivers United da Nigéria, em partida da primeira mão de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões africanos.

Os “touros”, que não realizam nenhum jogo oficial desde 5 de Outubro, data em que receberam e derrotaram o Desportivo da Matola para o Moçambola, aproveitaram o período da paragem das provas para aprimorarem ainda mais os aspectos técnicos-tácticos que precisavam de ser limados para a eliminatória com os nigerianos.

Ainda que com poucos anos de profissionalismo, a Black Bulls começa a talhar-se nestas competições africanas, estando a disputar a sua terceira participação, sendo a segunda na Liga dos Campeões e uma na Taça CAF.

Depois de terem feito história na época passada, em que chegaram à fase de grupos da Taça CAF, os “touros” apostam as suas fichas em ultrapassar o seu adversário para continuarem na trilha africana de clubes.

Recentemente, a Black Bulls perdeu uma das principais figuras do seu plantel, Nené, que se transferiu para Líbia, mas continua a manter a sua união e espírito guerreiro dentro do balneário.

Nas últimas partidas disputadas, os “touros” somaram cinco vitórias e dois empates, sendo que a última derrota data de 28 de Agosto, quando sofreu uma goleada de 4-0 na deslocação a Songo. As cinco vitórias foram conseguidas diante de equipas do Moçambola, enquanto os dois empates foram diante do AC Leopárds da República Democrática do Congo, na eliminatória passada da Liga dos Campeões, ambos sem abertura de contagem.

Nessa eliminatória, decidida na Arena Lalgy, em Tchumene, a Black Bulls conseguiu a passagem na marca das grandes penalidades, por 5-4, num jogo em que Ernan foi o herói dos “touros”.

RIVER UNITED COM NOVE ANOS DE EXISTÊNCIA

Para já, o seu adversário, o Rivers United da Nigéria, é uma equipa com pouco histórico no futebol do seu país, até porque só tem nove anos de existência, conquistando apenas um título de campeão, em 2021/22, para além do terceiro lugar na época 2022/23, que faz com que dispute a prova continental nesta época.

Ao nível africano, onde começou a disputar provas em 2017, tem apenas uma campanha digna de realce, na época passada, onde chegou aos quartos-de-final da Taça CAF.

No campeonato nigeriano, o Rivers United ocupa a quarta posição com 12 pontos em sete jogos disputados, menos um em relação às restantes equipas, e a três pontos da liderança. 

Enquanto a Black Bulls estava parada, o Rivers United esteve em actividade, tendo disputado três jogos neste mês de Outubro, onde somou os três resultados possíveis num jogo de futebol, nomeadamente uma vitória, um empate e uma derrota, na sua última partida.

Black Bulls e Rivers United da Nigéria é jogo que terá lugar no sábado, na Arena Lalgy, a partir das 15h00, e a equipa moçambicana é obrigada a fazer um bom resultado para poder fazer uma deslocação segura à Nigéria, para o jogo da segunda mão.

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